domingo, 27 de julho de 2014

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2014



   Fé e Obras –
Ensino de Tiago para uma
Vida Cristã Autêntica 




Lição 04

1. A Igreja do primeiro século era constituída por duas classes sociais. Quais eram elas?
R. A dos pobres e a dos ricos, tendo evidentemente mais pobres em sua composição.

2. Quem eram os ricos identificados na Bíblia?
R. Os ricos são identificados na Bíblia como judeus proprietários de muitos bens e que negligenciavam as obrigações que pesam sobre os que desfrutam de tal condição (Lv 19.10; 23.22,35-55; Dt 15.1-18; Is 1.15-17; Mq 6.9-16; 1Tm 6.9,17-19).

3. Quem pode distribuir o dom da sabedoria?
R. Deus.

4. Ser gerado de novo é uma ação realizada exclusivamente por quem?
R. Ser gerado de novo é uma ação realizada exclusivamente pelo Pai das Luzes através do Santo Espírito.

5. Qual é a maior bênção de Deus para a humanidade?
R. A salvação.


LIÇÃO 04 – GERADOS PELA PALAVRA DA VERDADE



Tg 1.9-11, 16-18.



INTRODUÇÃO
Para vencermos as provações, e obtermos sabedoria para tal vitória, se faz necessário sermos pessoas regeneradas. É exatamente isto que Tiago busca ensinar aos destinatários de sua epístola logo no inicio da referida epístola. Por isso, nesta aula, abordaremos a definição, a necessidade e o processo da regeneração na vida do pecador. Em seguida, trataremos de como deve ser o relacionamento de um regenerado por Deus no âmbito social em que está inserido. Desejo a todos uma excelente aula!!  


I. DEFININDO O TERMO “REGERENAÇÃO”
A Regeneração é um dos cinco aspectos que compõem a Doutrina da Salvação. Em teologia, tal doutrina é conhecida por Soteriologia, e origina-se de dois termos gregos: Soteria, que significa “salvação” ou ‘libertação”, e Logia, que significa “discurso” ou “tratado”. Assim, Soteriologia é o “tratado as salvação”. Mas, como já dito, além da regeneração existem outros quatros aspectos da salvação que são: Justificação, Santificação, Adoção e Glorificação. No entanto, nesta aula, iremos dá ênfase apenas a regeneração. A palavra “Regeneração” vem do original grego “Palinginesia” que significa “Nascer de Novo”. Ela é a obra sobrenatural e instantânea de Deus que concede nova vida ao pecador que recebe a Cristo como seu Salvador. O pastor Claudionor de Andrade assim define a regeneração: “Milagre que se dá na vida de quem aceita a Cristo, tornando-o partícipe da vida e da natureza divinas. Através da regeneração, conhecida também como conversão e novo nascimento, o homem passa a desfrutar de uma nova realidade espiritual. A regeneração não é um processo; é um ato revolucionário que leva o homem a nascer da água e do Espírito”. Assim, os dois melhores textos bíblicos que definem a regeneração são:

Não por obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, ele nos salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo” (Tt 3.5).

Mas a todos os que o receberam, àqueles que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de serem filhos de Deus – filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.12.13).

Ressaltamos, ainda, que a palavra “regeneração” aparece pelo menos 85 vezes no Novo Testamento, sendo descrita de várias maneiras, como: o novo nascimento (Jo 3.5); o nascer da parte de Deus (1 Jo 3.9); a nova vida (Ef 2.1-5); novo homem (Ef 4.24; Cl 3.9,10); e nova criação (Gl 6.15). Portanto, não confunda tais expressões, pois todos esses termos referem-se ao fenômeno bíblico chamado de REGENERAÇÃO!


II. A NECESSIDADE E O PROCESSO DA REGENERAÇÃO
Por certo, alguém perguntará: “como ocorre o processo da regeneração na vida do pecador?”. Embora a pergunta seja bem instigante, é ao menos tempo, impossível de respondê-la. Em primeiro lugar, porque a regeneração é um milagre! Em segundo, porque se tratado de um milagre, não há como enumerar as etapas ou fases deste glorioso milagre. E, em terceiro, como asseverou o Pr. Claudionor de Andrade, a regeneração não é um processo, pois é milagre! Todavia, não podendo saber como este glorioso milagre ocorre (a não ser na prática), é possível saber por quais meios ele acontece. Em João 3.5, o Senhor Jesus deixou explicito a Nicodemos que “aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”. Vemos, então, que a água, isto é, a Palavra de Deus e o Espírito, ou seja, a ação transformadora e sobrenatural do Espírito Santo são os únicos meios para operar na vida do pecador o grandioso milagre da regeneração. Observe, pois, os versículos abaixo:

Tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e é permanente” (1 Pe 1.23).

Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (Tg 1.18).

Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (Jo 5.24).

Além disto, todo pecador possui a necessidade de ser regenerado. Pois, sem esta milagrosa transformação espiritual, o pecador permanecerá escravo do pecador (Jo 8.34-36), destituído da glória de Deus (Rm 3.23), morto em seus delitos e pecados (Ef 2.1,5) e incapaz de conhecer a Deus num relacionamento pessoal (1 Co 2.14). Sendo assim, observemos os versículos abaixo que enfatizam algumas das razões por que a regeneração é imprescindível ao homem.

          ü  É necessária para entrar no céu: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).
   ü  É necessária para resistir ao pecado: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado” (1 Jo 3.9).
   ü  É necessária para viver em retidão: “Reconhecei também que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele” (1 Jo 2.29).

Diante do exposto, só resta ao pecador crer na palavra de Deus para que, por meio da fé, receba essa poderosa transformação espiritual em sua vida, que é a regeneração!


III. O RELACIONAMENTO DOS REGENERADOS POR DEUS
As Escrituras nos mostram como o nascido de novo deve se relacionar com seus irmãos e irmãs na fé. Em Efésios 2.13-16 o texto sagrado diz: “Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.  Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, matando com ela a inimizade”.
Veja que o apóstolo Paulo foi bastante esclarecedor mostrando que Cristo é nossa paz, e que essa paz é fruto da destruição da parede de separação, ou seja, da inimizade e, que por sua vez, foi morta na cruz promovendo a reconciliação de Deus com os homens e do homem para com homem. O apóstolo Tiago ao escrever sua epístola admoestou e exortou aqueles cristãos justamente a esse respeito, pois ao que parece estava havendo no seio daquela comunidade cristã uma série de pecados que promovia a acepção de pessoas (Tg 2.1-4). Sendo que, muitas dessas acepções, eram motivadas por questões econômicas e sociais (Tg 1.9-11).  No entanto, a prática de fazer acepção de pessoas é, terminantemente, reprovável por Deus (Dt 10.17; Jó 34.19; 2 Cr 19.7; Rm 2.11; At 10.34; Ef 6.9; Tg 2.9). 
O Dr. Champlin ao comentar o texto de Tiago 1.9-11, diz: “Os humildes da igreja, que possuem pouco dinheiro, tendem também por exercer pouca autoridade e por receber pouco respeito, quando a congregação em que estão porventura é rica. O autor sagrado mostra que tal padrão está distante de qualquer validade cristã. Os ricos deveriam lembrar-se que o dinheiro não somente não representa um  valor permanente, como, na realidade, não tem qualquer valor, quando olhamos espiritualmente para as coisas. Até mesmo neste mundo temporal, a confiança na posição social e nas riquezas é um alicerce muito frouxo, que fatalmente haverá de sucumbir sob a pressão do tempo. Com frequência os ricos não têm senso muito agudo de sua necessidade de Deus; e, assim, a vida centralizada em torno dessas coisas, não se reveste de especial importância.
De fato, o mérito da questão não está em ser rico ou ser pobre, mas como ensinou o Doutor Paulo em: “ser uma nova criatura” (Gl 6.15). E, como nova criatura, as Escrituras nos ensinam como devemos nos comportar e nos relacionar com o nosso próximo, quer seja irmão em Cristo, quer não (Lc 6.27,28; Rm 12.9-21; Cl 3.1-14; 1 Pe 2.17; 3.8-11; 4.8-10). Portanto, toda nova criatura, independente de sua condição econômica e social deve saber que “onde estiver o vosso tesouro, aí estará o vosso coração” (Mt 6.21).  Onde está o seu coração? Nos tesouros celestiais ou nos tesouros da terra?


CONCLUSÃO
Diante do exposto, aprendemos que graças à obra regenerativa do Espírito Santo em nossas vidas, nós hoje, somos um milagre de Deus. E, por isto, devemos refletir a glória de Deus por meio da nossa maneira de viver (Mt 5.13-16). Independentemente de qualquer que seja nossa classe econômica ou social, em Cristo, todos nós somos um só corpo (1 Co 12.12) e um só povo (1 Pe 2.10). Portanto, aprendamos a viver como novas criaturas (2 Co 5.17). Que Deus em Cristo vos Abençoe! Amém!!  


REFERÊNCIAS
Ø  CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
Ø  ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.


terça-feira, 22 de julho de 2014

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2014


   Fé e Obras –
Ensino de Tiago para uma
Vida Cristã Autêntica  




Lição 03

1. Qual é o meio pelo qual o homem alcança o discernimento da boa, agradável e perfeita vontade divina?
R. A sabedoria que vem de Deus.

2. Sem sabedoria do alto, divina, como viveria o ser humano?
R. Sem esta sabedoria, o ser humano viveria à mercê de suas próprias iniciativas, dominado por suas emoções, sujeitando-se aos mais drásticos efeitos das suas reações.

3. Quem Tiago conclama a demonstrar sabedoria divina através de ações concretas?
R. Tiago conclama os servos de Deus, mais notadamente aqueles que exercem alguma liderança na igreja local, a demonstrarem a sabedoria divina através de ações concretas (Dt 1.13,15; 4.6; Dn 5.12).

4. O que indica o verbo mostrar utilizado por Tiago em 3.13?
R. Indica uma ação contínua em torno da finalidade ou do resultado de uma obra.

5. Segundo a lição, qual é o propósito de Deus ao dar sabedoria ao homem?
R. De o crente viver a inteireza do Reino de Deus diante dos homens.


domingo, 20 de julho de 2014

LIÇÃO 03 – A IMPORTÂNCIA DA SABEDORIA HUMILDE



Tg 1.5; 3.13-18



INTRODUÇÃO
Muitas pessoas julgam serem mais sábias só porque alcançaram maiores níveis de estudo na vida secular. Outros se vangloriam de sua inteligência e se tornam soberbos, presunçosos e orgulhosos. No entanto, Tiago ensina que aquele que é sábio demonstra sua sabedoria quando realiza boas obras e sabe se relacionar com os outros. Assim, aprenderemos nesta lição que a sabedoria terrena, dominada pela natureza humana, só serve para as coisas deste mundo, porém a que vem de Deus, não admite intentos maliciosos e não atende a objetivos orgulhosos. Porquanto, o saber humano é limitado, falho, e mutável a cada ano que passa. Porém, a sabedoria que vem da parte de Deus, é ilimitada, perfeita e imutável, consubstanciada na Sua Palavra, que permanece para sempre. Desejo a todos uma excelente aula!!  


I. A DEFINIÇÃO DO TERMO ‘SABEDORIA’.
A palavra “sabedoria”, também conhecida como “sapiência”, vem do termo grego Σοφία, "sofía". Desta palavra derivam várias outras, como por exemplo, φιλοσοφία -"amor à sabedoria" (filos/sofia). No Hebraico, a palavra sabedoria é “Hokma”; já no Latim, é “Sapere” e significa “saber, sentir o gosto de”. Vejamos, porém, a definição desta palavra em dois sentidos:

1. Secular. A sabedoria, segundo o Dicionário Online, é:
a) A particularidade, estado ou condição da pessoa que é sábia;
b) O excesso de conhecimento, ou seja, erudição;
c) O conhecimento adquirido a partir da experiência sobre algo ou alguém;
d) E, para concluir, em que há ou demonstra sensatez; com reflexão.

2. Bíblico. A sabedoria, segundo Orlando Boyer, é a capacidade de julgar corretamente e agir prudentemente. O Pastor Elinaldo Renovato em sua definição do referido termo, sob o ponto de vista bíblico, diz que:
a) É guardar os mandamentos do Senhor (Dt 41-6);
b) É saber calar (Jó 13.5);
c) É temer a Deus (Pv 9.10; Jó 28.28);


II. A NECESSIDADE DE SABEDORIA.
Se observarmos a contextualização dos textos que servem de base para esta lição, veremos que em Tiago 1.5, o escrito sacro aborda a sabedoria como uma virtude, não apenas necessária, mas indispensável para vencermos todo e qualquer tipo de tentação ou provação. Ao passo que, em Tiago 3.13, o escritor sacro trata da sabedoria, não como virtude necessária para vencermos as adversidades da vida, mas como a essencial virtude para domarmos um mal contido entre os nossos membros: a língua; sendo tal sabedoria a principal característica dos verdadeiros mestres. Vejamos, pois, o comentário do Dr. F. Davidson sobre os dois posicionamentos de Tiago a respeito desta temática:

1. Nas Adversidades da Vida (Tg 1.5)
“As provações podem trazer muita perplexidade; precisamos de muita sabedoria, se temos de enfrentá-las vitoriosamente, ou, como no caso de Paulo, se temos de nos gloriar nas tribulações. Sabedoria significa, em geral, conhecer o melhor fim e os melhores meios de atingi-lo. Tiago tem em mente, em primeiro lugar, a compreensão eficaz dos modos de o crente agir. A sabedoria de cima torna-se necessária para apontar esses modos e dirigir a ação. Tal sabedoria se obtém por uma completa dependência de Deus, expressa na oração. Por conseguinte, se alguém é falho em sabedoria, peça-a a Deus, que é infinitamente sábio, e de Sua sabedoria dá liberalmente e não lança em rosto (5). Ele não nos repreende por nossa falta de sabedoria, porém do Seu tesouro ilimitado Se deleita em dar, segundo nossa necessidade. Note-se que a promessa se acompanha de certeza: e lhe será dada. Liberalmente (gr. haplos), isto é, simples, incondicional e generosamente, com mão larga”.
Observe que, antes de tratar da temática ‘sabedoria’, Tiago estava tratando de outra temática – a das provações! Outro detalhe importante é que Tiago aconselha aqueles irmãos em tom de conversação. Além de que, aqui em Tg 1.5, a sabedoria por ele abordada é a sabedoria proveniente de Deus!
  

2. Nos Relacionamentos Interpessoais (Tg 3.13)
“Depois de apresentar esses argumentos impressivos, Tiago passa a uma pergunta - Quem entre vós é sábio e entendido (gr. epistemon)? (13) "De acordo com Mayor, epistemon usa-se no grego clássico para indicar pessoa perita ou cientista, em oposição ao que não tem conhecimentos especiais ou adestramento" (Cent. Bibio). A pergunta faz-nos retroceder ao vers. 1. Tiago ainda está tratando daqueles que desejavam ser mestres na Igreja. Para os tais, a sabedoria deve sempre ser uma qualificação indispensável. Há uma distinção entre conhecimento e sabedoria. O sábio é aquele que tem fé, é submisso a Deus e ensinado por Ele. É possível alguém conhecer muita coisa e ter pouca sabedoria. É necessário que um mestre possua as duas coisas. Se somos ou não capazes de perceber notável diferença entre sábio e dotado de conhecimentos, isto é de pouca importância. O ponto prático que Tiago quer sublinhar é que todo aquele que se arroga uma superioridade que lhe dá direito de ensinar os outros, esse deve provar do modo prático e modestamente tal superioridade, por meio de seu bom procedimento entre seus companheiros cristãos. "A sabedoria tanto nos ensina fazer como falar" (Sêneca). A expressão condigno proceder (13) significa uma vida que manifesta verdadeira bondade”.
Bem diferente de Tiago 1.5, aqui em 3.13, o escritor sacro inicia a temática ‘sabedoria’ com uma pergunta incisiva e tom exortativo. Além desse detalhe, o pleonasmo retórico utilizado por Tiago mostra a diferença entre ser sábio (gr. sophos/astuto) e ter conhecimento (gr. episteme/ versado). Assim, para Tiago, a sabedoria não consiste apenas no conhecimento, na astúcia e na habilidade, mas antes, em uma profunda compreensão sobre o que é e deve ser a vida piedosa.
Percebe-se, então, que em ambos os casos Tiago faz menção da “praticidade da sabedoria”. Também conhecida como “sabedoria prática” que em grego é “Phronesis”, que nada mais é senão “a habilidade para agir de maneira acertada”. Vejamos, pois, alguns exemplos desta sabedoria nas Escrituras:

   ü  Abigail – sua sabedoria fez o rei Davi poupar a sua vida e de sua família (1 Sm 25.1-35);
   ü  Uma mulher anônima – sua sábia ação fez com que Joabe poupasse a cidade dela (2 Sm 20.15-22);
   ü  Um sábio anônimo – que com sua sabedoria livrou aquela cidade de uma grande destruição (Ec 9.14,15);
   ü  O Profeta Daniel – este era o homem mais sábio do Império Babilônico, porém, atribuía a Deus sua sabedoria (Dn 1.17-20; 2.23-30);
   ü  Jesus, o Senhor - sua sabedoria era motivo de admiração em todos que o ouviam (Mt 13.54; Mc 6.2);
   ü  O apóstolo Paulo – este pregou e ensinou segundo a sabedoria de Deus (1 Co 2.6,7);


III. OS TIPOS E CARACTERÍSTICAS DE SABEDORIA.
Há vários tipos de sabedorias das quais podemos classificá-las em três tipos: A Sabedoria Prática (Phronesis), A Sabedoria Humana (Antroposofia) e A Sabedoria Divina (Teosofia). Como já abordamos a sabedoria prática no tópico anterior, trataremos agora de trabalhar as outras duas, mas, é claro, segundo a perspectiva de Tiago:

1. Sabedoria carnal ou “Antroposofia” (vv. 14-16).
Segundo Tiago, este tipo de sabedoria tem como motivações de suas ações a inveja e todo tipo de sentimento faccioso (v.14). Logo, se constata que tal sabedoria não é proveniente do alto (v.15), e, portanto, só pode causar prejuízos para o cristão e para a obra de Deus (v.16). O Dr. F. Davidson comentando o referido texto, diz: “Há, entretanto, uma sabedoria falsa ou espúria, simulada, que produz inveja e rivalidades. Onde tais sentimentos existem, não há lugar para ninguém se gloriar sobre outrem, baseado em privilégios superiores (14). Vê-se a falsidade de tal pretensão nos motejos amargos que tais pessoas proferem contra os que diferem das opiniões deles. Tal espécie de sabedoria não é dom divino, recebido nos termos de Tg 1.5-8. É terrena (cf. "a sabedoria do mundo", 1 Co 1.20), inteiramente falha de iluminação espiritual. É natural ou animal. O grego é psychikos, termo que descrevo o homem em Adão (isto é, "natural"), em contraste com pneumatikos, "espiritual". Daí limitar-se tal sabedoria à vida meramente física ou animal, sem relação com o divino. É demoníaca, isto é, de origem satânica, procedendo dos demônios, ou com eles se assemelhando. Sua fonte é a mesma que põe em chamas a carreira da existência humana (ver v.6). "Onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão" (16); gr. akatastasia, isto é, desordem, distúrbio, tumulto; daí vem, como aqui, revolução ou anarquia”.

2. Sabedoria do alto ou “Teosofia” (vv. 17,18).
Enquanto a sabedoria humana tem como fonte de suas motivações à inveja e todo tipo de sentimento faccioso (v.14).  Tiago mostra, em contrapartida, que a sabedoria divina tem como sua base a justiça e a paz (v.18). O Pastor Claudionor de Andrade, assim define teologicamente, a sabedoria divina: “Atributo relativo de Deus, através do qual Ele não somente criou todas as coisas, como também as sustenta, fazendo com que tudo contribua para a consecução de seus planos, decretos e desígnios”.
Em sua análise, o Dr. F. Davidson comentando o texto, diz: “Em vivo contraste com essa falsa sabedoria está a verdadeira. Quanto à sua origem, é lá do alto (cf. v.15). Sua natureza não é terrena, sensual, demoníaca; antes é sobrenatural tanto na origem como em sua natureza e suas consequências. Sua excelência é sétupla: pura pacífica, meiga, conciliadora, misericordiosa, de bons frutos, simples e sincera (cf.  Gl 5.22 ss.; 2 Pe 1.5-9). Tiago dirige a atenção para as características íntimas da pessoa sábia, visto como que é íntimo é de primeira importância Pura quer dizer livre de mancha ou contaminação seja qual for. Quem no seu íntimo não é moralmente puro não começou ainda a ser sábio. Pacífica, isto é, não dada a conflitos ou dissensões. Não pode haver paz real sem pureza ou retidão. Meiga, tratável, "docemente razoável", gentil. Gentileza aí não é tanto ternura ou meiguice, como é imparcialidade, contrastando com imoderação, exorbitância. "A mansidão de Cristo" é o padrão do crente, que o leva a submeter interesses pessoais a finalidades mais elevadas. Indulgente, isto é, fácil de se persuadir; conciliatória, pronta a ser dirigida (gr. eupeithes, pronta a obedecer; donde complacente). Plena de misericórdia e de bons frutos, isto é, sempre disposta a tomar a iniciativa de mostrar compaixão e oferecer perdão; produzindo bons frutos (obras); porque uma língua governada pela graça divina pode tornar-se forte influência para o bem. Sem parcialidade, isto é, não dada a contendas ou disputas acerca de honrarias. Sem hipocrisia, isto é, sincera, sem pretender ser o que não é, dizendo só aquilo em que se possa confiar (Moff. "retilíneo, sem rodeios"). Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz (18). Quem possui sabedoria semeia a boa semente que produz justiça, retidão. Semeia em paz, porque é pacificador. "A messe da justiça é semeada em paz por aqueles que fazem a paz”.


CONCLUSÃO
Ainda que elevemos a nossa cultura, a língua e tantos outros conhecimentos, nós não temos o direito de nos mostrarmos altivos, os donos da verdade, pois de fato não o somos. Teoricamente, muitos são sábios; porém, relacionalmente imaturos. Por isso, a sabedoria que vem do alto é a que mais falta neste mundo. Ela é indispensável para o êxito na vida pessoal, interpessoal, no serviço cristão e no relacionamento com Deus. Somente a sabedoria divina pode dá solução para os cruciais problemas que afligem a humanidade. Que Deus em Cristo Abençoe a todos! Amém!!



REFERÊNCIAS
Ø  DAVIDSON, Francis. O Novo Comentário da Bíblia. VIDA NOVA.
Ø  CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. HAGNOS.
Ø  ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
Ø  SILVA, Eliezer de Lira e. Lições Bíblicas. (3º Trimestre de 2014). CPAD.
Ø  LIMA, Elinaldo Renovato de. Lições Bíblicas. (1º Trimestre de 1999). CPAD.
Ø  Site: http://www.dicio.com.br/sabedoria/
                 http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/sabedoria/
                 http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabedoria



segunda-feira, 14 de julho de 2014

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2014



   Fé e Obras –
Ensino de Tiago para uma
Vida Cristã Autêntica 




Lição 02

1. Segundo as Escrituras o que é tentação?
R. O termo empregado na Bíblia tanto no hebraico, massah, quanto no grego, peirasmos, para tentação, significa “prova”, “provação” ou “teste”.

2. Quais são as origens das tentações?
R. Os desejos humanos. O ser humano é atraído por aquilo que deseja.

3. Qual é a ideia que a expressão “obra perfeita” traz?
R. A expressão “obra perfeita” traz a ideia de algo gradual, em desenvolvimento constante, com vistas à maturidade espiritual.

4. Qual é o motivo pelo qual o cristão é provado?
R. O motivo pelo qual o cristão é provado não é outro senão para que persevere na vida cristã e atinja o modelo de perfeição segundo Cristo Jesus (Sl 119.67; Hb 5.8; Ef 4.13).

5. O que significa cada tentação vencida pelo crente?
R. Cada tentação vencida pelo crente significa um avanço rumo ao amadurecimento espiritual.


domingo, 13 de julho de 2014

LIÇÃO 02 – O PROPÓSITO DA TENTAÇÃO



Tg 1.2-4;12-15



INTRODUÇÃO
Desde o princípio, o Senhor tem permitido a seus servos serem provados para que, como vencedores, sejam aprovados diante dos homens, dos anjos, e do Diabo. É bem-aventurado quem, sendo tentado, permanece fiel a Deus, tornando-se, assim, digno de receber a coroa da vida (v.12). Nesta aula, não só trataremos do propósito da tentação, mas, também, abordaremos a definição, a origem, o processo, e a diferença de tentação e provação. Desejo a todos uma excelente aula!!


I. DEFININDO O TERMO TENTAÇÃO
1. Conceito.
a) Secular: O Dicionário Online assim define o termo tentação: “Atração por coisa proibida”.Desejo veemente”. Já o Minidicionário Aurélio define da seguinte forma: “Ato ou efeito de tentar”; “Desejo veemente”; “Pessoa ou coisa que tenta; “Provocação”.  
  
b) Bíblico: Orlando Boyer define biblicamente a tentação como a “Indução para o mal por sugestões do diabo” (Mt 6.13; Lc 4.13;Tg 1.13). O Pastor Elinaldo Renovato, sintetiza o conceito, e diz que a tentação é “o convite ao pecado” (Mt 26.41).

2. O significado na Eístola.
Em Tiago, tentações (gr. peirasmos) têm o significado de perseguições, lutas e provações pelas quais o crente pode passar. Tal significado tem a sua origem no Antigo Testamento, onde encontramos uma série de palavras hebraicas que falam de provas que Deus permite acontecerem na vida dos crentes (Gn 22.1; Êx 15.25; Sl 11.4; Jr 9.7; Zc 13.9). No caso, os vocábulos hebraicos (nasah, sarap e balan) indicam uma situação de dificuldade, uma prova planejada por Deus, mas com a intenção de demonstrar a qualidade da fé de uma pessoa ou para purificar o seu caráter. Assim, as provas são formatadas por Deus para realçar nossas vidas (Gn 22.1-19).
Os destinatários da epístola estavam passando por provações, como judeus crentes que haviam aceitado o Senhor Jesus Cristo na qualidade de Messias; Tiago exorta-os a que não se aflijam com tais provas, mas pelo contrário tenham o sofrimento e as perseguições como gozo. Eram prova de que eles eram filhos (Hb 12.6; Sl 94.12) e de ser a sua fé uma realidade. Tais tentações eram várias (gr. poikilos), isto é, "variadas" ou "de muitas cores". A palavra refere-se à variedade das provações, antes que ao seu número. Portanto, Tiago queria que esses cristãos primitivos compreendessem que tal provação era uma oportunidade de ser provada a têmpera deles e um modo de discipliná-los na coragem e perseverança. Neste sentido, tal provação devia até ser acolhida com prazer (cf. Rm 5.3).


II. A ORIGEM DAS TENTAÇÕES
Historicamente, sabemos que, foi no Jardim do Éden o lugar onde ocorreu a primeira tentação (Gn 3.2-6). Todavia, a tentação tem três origens ou fontes:

1. Da partes da carne.
a) Tentação humana.
A Bíblia nos diz que “não veio sobre vós tentação, senão humana” (1 Co 10.13). Neste texto, podemos entender que “tentação humana” quer dizer a que é própria da natureza carnal do homem (ver Rm 7.5-8; Gl 5.13,19). Ela tem seu aspecto mal, pernicioso, incitador ao pecado.

b) O significado da carne.
A carne, é o “centro dos desejos pecaminosos” (Rm 13.14; Gl 5.16,24). Dela vem o pecado e seus paixões (Rm 7.5; Gl 5.17-21). Na carne não habita coisa boa (Rm 7.18). Devemos salientar que o termo carne, aqui, não se refere ao corpo, que não tem nada de mal em si mesmo, mas à natureza carnal, herdada de nossos pais. O corpo do crente é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20).

2. Da parte do mundo.
O mundo, como fonte de tentação, não é o mundo físico, criado por Deus. O Dicionário da Bíblia, de Davis, diz que “a palavra mundo emprega-se frequentemente para designar os seus habitantes”, como em Sl 9.8, Is 13.11 e Jo 3.16. O Dicionário Teológico (CPAD), referindo-se ao mundo, diz que “No campo da teologia, porém, é o sistema que se opõe de forma persistente e sistemática ao Reino de Deus”. João exorta a que não amemos “o mundo, nem o que no mundo há”. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo” (1 Jo 2.15,16). Tudo isso é fonte de tentação.

3. Da parte do Diabo.
É a fonte mais cruel da tentação. Seu caráter é sempre destrutivo.

a) Jesus foi tentado.
É a fonte mais terrível e avassaladora da tentação. Dela, não escapou nem mesmo nosso Senhor Jesus Cristo. Após o batismo em água, Ele foi conduzido “pelo Espírito para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1; Mc 1.13; Lc 4.2). Foi o único que não caiu em pecado (Hb 4.15).

b) Homens de Deus foram tentados.
Homens de Deus, do porte de Abraão, Sansão, Davi, e tantos outros, foram tentados pelo Adversário (Satanás) a fazerem o que não era da vontade de Deus, com sérios prejuízos para suas vidas.

c) Os homens comuns são tentados.
Os Homens são tentados a praticar toda espécie de males, crimes, violência, estupros, brigas, ciúmes, guerras, mentiras, calúnias, roubos, etc.

d) Os crentes são tentados.
Até os crentes em Jesus são vítimas da ação do maligno, quando causam prejuízos à Igreja do Senhor, com escândalos, calúnias, invejas, divisões, rebeliões, busca pelo poder, politicagem religiosa, e tantas outras coisas ruins.


III. O PROPÓSITO DAS TENTAÇÕES
Conforme estudamos acima, o termo “tentação” no texto de Tiago 1.2-4 trata de perseguições, lutas e provações. Assim, além dos propósitos mencionados por Tiago no referido texto, podemos citar alguns outros propósitos pelos quais podemos ser provados:

1. Elas promovem a glória de Deus (Jo 9.1-13; 11.3,4; 21.18,19);
2. Elas exibem o poder e a fidelidade de Deus (Sl 34,19,20; 2 Co 44.7,11);
3. Ensinam-nos a vontade de Deus (Dt 4.30,31; Ne 1.8,9; Sl 78.34; Is 10.20,21; Os 2.6,7);
4. Fazem-nos voltar para Deus para obter ajuda (Dt 4.30,31);
5. Fazem-nos buscar a Deus em oração (Jz 4.3; Jr 31.18; Jn 2.1);
6. Elas nos convencem do pecado (Jó 36.8,9; Sl 119.67; Lc 15.16-18);
7. Elas nos levam a confessar e a abandonar os nossos pecados (Nm 21.7; Sl 32.5; 51.3,6);
8. Elas nos ensinam a obediência (Gn 22.1,2 cp Hb 11.16; Êx 15.23-25; 1 Pe 1.7; Ap 2.10).


IV. O PROCESSO DA TENTAÇÃO
Segundo o texto de Tiago 2.14,15, a tentação se constitui num processo, que tem os seguintes passos: 

1. Atração do desejo (v.14a).
Mas cada um é tentado, quando atraído...” Primeiro, vem a atração pelos sentidos: visão (1 Jo 2.16); audição (1 Co 15.33); olfato; gosto, e tato (Pv 6.17).

2. Engodo (isca).
A pessoa é atraída, seduza e “engodada pela própria concupiscência” (v.14b).

3. Concepção do desejo (da concupiscência).
Na mente, nos pensamentos (cf. Mc 7.21-23), o desejo é concebido. Só se fez o que se pensa (v.15a). Nesse ponto, ainda se pode evitar o pecado.

4. O pecado é gerado.
Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado” (v.15). Ainda na mente, já nasce o pecado. Alguém pode adulterar só na mente (Mt 5.27,28).

5. A consumação do pecado (v.15b).
“...e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” A morte, aqui, é espiritual. Nesse ponto, só há solução se houver arrependimento, ainda, em vida. É importante entendermos esse terrível processo, a fim de que nos resguardemos dele. Alguém já disse que ninguém pode impedir que um pássaro voe sobre sua cabeça, mas pode impedi-lo de fazer um ninho nela. Isso ilustra o processo da tentação. Esta, em si, não é pecado. Pecado é praticar o que a tentação sugere.


V. A DIFERENÇA ENTRE TENTAÇÃO E PROVAÇÃO
A tentação, conforme estudamos, é sempre uma indução ao mal, ao pecado. A provação , no entanto, não tem esse sentido. Quando a Bíblia diz que Deus tentou alguém, devemos entender que Deus o provou, e isso tem objetivos muito elevados, conforme descrevemos a seguir. Tiago nos diz que “Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e a ninguém, tenta” (v.13).
Quando a Bíblia diz que alguém foi tentado por Deus, isso pode ser entendido como provação. Abraão só foi considerado o pai de todos os que crêem, porque creu e foi “tentado”, ou seja, “provado” por Deus (ver Gn 22.1-18). A prova da fé é essencial para “louvor, honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1 Pe 1.7).
Tiago exorta os crentes a terem “grande gozo”, sabendo que “a prova da vossa fé produz a paciência” (vv. 2,3). Ele considera uma bem-aventurança o crente sofrer a tentação, porque, quando for provado, receberá a coroa da vida (v.12).


CONCLUSÃO
A tentação, no seu sentido mais comum, é um processo terrível, da parte do homem, do mundo e do Diabo, cuja finalidade é destruir a fé, a santidade, a comunhão com Deus, levando o crente a pecar. Para vencer, é preciso fazer como Jesus, que usou a “Espada do Espírito” – a Palavra de Deus. É preciso usar as armas que Deus colocou à disposição de Seus servos. Em Cristo, “somos mais que vencedores” (Rm 8.37). Que Deus em Cristo vos Abençoe! Amém!!


REFERÊNCIAS
Ø  FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio, 3º Edição. NOVA FRONTEIRA.
Ø  RICHARDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia. CPAD
Ø  DAVIDSON, Francis. O Novo Comentário da Bíblia. VIDA NOVA.
Ø  LIMA, Elinaldo Renovato de. Lições Bíblicas. (1º Trimestre de 1999). CPAD.
Ø  BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
Ø  Site: http://www.dicio.com.br/tentacao/