Jo
3.16,17; 1Jo 4.9,10; Gl 4.4-6
INTRODUÇÃO
Nesta
lição, veremos que a história da salvação não é uma série de eventos
desconexos, mas a execução de um plano perfeito, concebido na
eternidade pelo amor de Deus (Ef 1.4; 1Pe 1.20). Pontuaremos que no epicentro
deste plano, encontramos a sua expressão máxima e mais sublime: a missão
do Filho (Jo 3.17). Nosso objetivo é ir além do fato histórico da vinda
de Cristo, buscando compreender o seu significado profundo. Estudaremos como a
missão do Filho revela a iniciativa soberana do Pai (1Jo 4.10), a
perfeita unidade da Trindade (1Pe 1.2) e o cumprimento exato do
tempo de Deus (Gl 4.4).
I. A ORIGEM E A NATUREZA DA MISSÃO:
UM DEUS QUE AMA PRIMEIRO
A
origem da missão redentora não está na vontade humana (Jo 1.13; Rm 9.16), mas
no caráter e na soberania de Deus (Ef 1.11). As Escrituras
revelam um Deus que é, em Sua essência, amor (1Jo 4.8, 16), e cuja misericórdia
se estende por todas as Suas obras (Sl 145.9). Este amor não é passivo, mas
ativo e sacrificial (Rm 5.8), manifestado de forma suprema no envio de
Seu Filho “para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10; Rm
3.25). É um amor que age em favor de um mundo que não O amava (Jo 3.16),
demonstrando uma graça que precede qualquer iniciativa nossa (Ef 2.4,5). Como
afirma nossa Declaração de Fé, “cremos no Senhor Jesus Cristo, o Filho
Unigênito de Deus [...] como Salvador do mundo” (Soares [Org], 2017, p.
13).
1.
A Soberana iniciativa do amor (1Jo 4.10).
A
primeira e mais fundamental verdade sobre a salvação é que ela não se
origina em nós, mas em Deus (Ef 2.8). O apóstolo João é categórico ao
afirmar: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em
que ele nos amou”. A iniciativa da salvação é um ato de pura graça e
soberania divina (Tt 3.4,5). Ele nos amou primeiro, quando ainda éramos
pecadores e inimigos (Rm 5.8, 10), e essa iniciativa divina é o verdadeiro
ponto de partida de toda a obra da redenção.
2.
A natureza sacrificial do amor (Jo 3.16).
O
amor de Deus é provado pela natureza de Sua dádiva (Rm 8.32). Ele não ofereceu
algo substituível; Ele “deu o seu Filho unigênito”. Este ato de
entregar o que há de mais precioso demonstra a profundidade e o custo do amor
divino (Is 53.10). O teólogo pentecostal Stanley Horton nos lembra que o
propósito deste sacrifício é universal em seu alcance: “Deus, por sua
infinita bondade e justiça, enviou seu Filho unigênito à cruz a fim de portar a
penalidade total do pecado e poder perdoar livremente e com justiça todos
quantos comparecerem diante dEle” (Horton, 1996, p.193). O objetivo
nunca foi a condenação (Jo 3.17), mas a vida (Jo 10.10).
3.
A natureza da missão encarnada (Gl 4.4b).
Para
realizar a missão, o Filho eterno se fez homem (Jo 1.14). A encarnação era
indispensável: “Nascido de mulher” garante Sua plena humanidade;
Ele se tornou um de nós em tudo (Hb 2.17), exceto no pecado (Hb 4.15), para
poder ser nosso representante legal e Sumo Sacerdote compassivo (Hb 2.18). “Nascido
sob a lei” garante Sua obediência perfeita; Ele se submeteu e cumpriu
toda a Lei em nosso lugar (Mt 5.17), algo que éramos incapazes de fazer (Rm
8.3). Myer Pearlman, em sua clássica obra, destaca a importância dessa dupla
natureza: “Da mesma forma como ‘filho do homem’ significa um nascido do
homem, assim também ‘Filho de Deus’ significa um nascido de Deus. Por isso
dizemos que esse título proclama a Deidade de Cristo” (Pearlman, 2006,
p. 115).
II. O RESULTADO DA MISSÃO: UMA NOVA
IDENTIDADE EM CRISTO
A
obra redentora de Cristo não apenas resolve o problema do pecado (Cl 2.13-14),
mas também nos concede uma nova posição e identidade diante de Deus.
Deixamos de ser “filhos da ira” (Ef 2.3) e estranhos às alianças
da promessa (Ef 2.12) para sermos feitos “filhos de Deus” (Jo
1.12). Essa transformação é tão profunda que as Escrituras a descrevem como uma
“nova criação” (2Co 5.17). Essa nova vida é caracterizada por
etapas de desenvolvimento: Regeneração espiritual, Plenitude do espírito,
Maturidade espiritual e Dedicação ao Senhor no seu trabalho (Gilberto et al.,
2008, p. 335). Essa nova identidade precisa ser evidenciada com um relacionamento
de intimidade com o Pai, garantido pelo sacrifício do Filho e selado
pelo Espírito Santo (Ef 1.13-14), que testifica em nosso coração sobre nossa
nova condição (Rm 8.16).
1.
Da escravidão para a adoção (Gl 4.5).
O
fruto da missão de Cristo é duplo: redenção e adoção. A redenção
nos liberta, pagando o preço da nossa dívida com o pecado (1Pe 1.18, 19). A
adoção, por sua vez, nos eleva, dando-nos uma nova posição (Rm 8.15). Não somos
apenas ex-escravos
perdoados; somos feitos filhos de Deus. Como nossa Declaração de Fé ensina, a
salvação inclui a “regeneração, santificação e glorificação” (Soares
[Org.], 2017, p.64), um processo completo que muda nossa natureza e nosso
destino.
2.
A evidência da filiação (Gl 4.6).
A
prova de que essa adoção é real em nossa vida é a presença do Espírito
Santo (Jo 14.17). É Ele quem nos dá a ousadia e a intimidade para
clamar “Aba, Pai” (Rm 8.15). Este não é um título formal, mas a
expressão de um relacionamento filial e de profunda confiança. O dicionário
Wycliffe define o fruto do Espírito como “os hábitos e princípios
misericordiosos que o Espírito Santo produz em cada cristão (GI
5.22,23; Ef 5.9)” (Pfeiffer et al., 2007, p. 824). A presença
desse fruto (Gl 5.22-23) e desse clamor em nosso coração é o testemunho
interior de que a missão do Filho nos alcançou.
3.
A herança da filiação (Rm 8.17).
A
adoção como filhos nos torna também “herdeiros de Deus e coerdeiros de
Cristo” (Rm 8.17). Essa herança não é material, mas espiritual e eterna
(1Pe 1.4). Inclui a promessa da vida eterna (Tt 1.2), a participação na glória
futura (Rm 8.18) e a posse de um corpo glorificado, semelhante ao de Cristo (Fp
3.21). A missão do Filho não nos deu apenas um novo presente, mas também
um novo e glorioso futuro.
III. A MISSÃO E SUAS IMPLICAÇÕES:
VIVENDO COMO RESPOSTA À OBRA DA TRINDADE
A
obra da salvação, sendo uma ação conjunta da Trindade, exige de nós uma
resposta que também envolva todo o nosso ser (Rm 12.1). Se o Pai
nos amou (1Jo 4.19), se o Filho nos redimiu (Ap 5.9) e se o Espírito nos selou
(Ef 1.13), nossa vida não pode permanecer a mesma. A compreensão
da missão trinitária nos leva a uma vida de adoração (Jo 4.23-24), testemunho
(Mt 28.19) e santidade (1Pe 1.15).
1.
A implicação da obediência (Jo 14.15).
Se a
missão do Filho foi um ato de perfeita obediência à vontade do Pai (Jo 6.38; Fp
2.8), nossa resposta como filhos adotivos deve ser um reflexo dessa
obediência. Jesus foi claro: “Se me amais, guardareis os meus
mandamentos” (Jo 14.15; 1 Jo 5.3). A obediência deixa de ser um fardo
legalista e se torna a expressão mais sincera de nosso amor e gratidão. Não
obedecemos para sermos salvos, mas porque fomos salvos pela obediência dEle.
2.
A implicação do testemunho (At 1.8).
A
missão de Cristo na terra culminou com a Grande Comissão (Mt 28.19-20). A
missão que Ele recebeu do Pai, Ele agora delega à Sua Igreja (Jo 20.21). Se
fomos alcançados por tão grande salvação, temos a responsabilidade e o
privilégio de anunciá-la (Mc 16.15). O Espírito Santo, que aplicou a
salvação em nós, é o mesmo que nos capacita com poder para sermos “testemunhas”
(At 1.8). Viver a implicação da missão é entender que não fomos salvos
apenas do mundo, mas salvos para sermos enviados ao mundo.
3.
A implicação da santidade (1Pe 1.15-16).
A
obra da Trindade é uma obra santa. O Pai é Santo (Jo 17.11), o Filho é o Santo
de Deus (Mc 1.24) e o Espírito é o Espírito Santo. Se fomos chamados por um
Deus Santo (Lv 11.44) e redimidos por um sacrifício santo (Hb 10.10), somos
chamados a uma vida de santidade (Hb 12.14). O apóstolo Pedro exorta: “como
é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira
de viver” (1Pe 1.15,16). A santidade não é uma opção, mas a
consequência natural de quem agora somos em Cristo.
IV. A MISSÃO E A NOSSA ESPERANÇA
FUTURA
A
missão do Filho não garante apenas nossa posição presente como filhos, mas
também assegura nosso destino eterno. A obra de Cristo tem implicações que
transcendem esta vida e se estendem por toda a eternidade. A salvação que
recebemos é o início de uma jornada que culminará na glória, quando seremos
plenamente conformados à imagem de Cristo (Rm 8.29). O apóstolo João escreveu
que “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a
vida” (1 Jo 5.12).
1.
A garantia da vida eterna (Jo 17.3).
A
missão de Cristo nos deu mais do que perdão; ela nos deu vida eterna. E Jesus
define essa vida não como uma duração infinita, mas como um relacionamento: “E
a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus
Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A missão nos abriu a porta para um
relacionamento com o Deus Triúno que começa agora e jamais terá fim (Jo 10.28).
2.
A promessa da glorificação (Fp 3.20-21).
Nossa identidade como
filhos de Deus nos torna também cidadãos dos céus (Fp 3.20). A missão de Cristo
garante que nossa jornada não termina aqui. Aguardamos a Sua volta, quando Ele
“transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso”
(Fp 3.21). Esta é a nossa bem-aventurada esperança (Tt 2.13). A mesma obra que
começou com a encarnação do Filho terminará com a nossa glorificação.
CONCLUSÃO
A
missão do Filho é o amor de Deus traduzido em ação sacrificial.
Ela nasce na eternidade, entra na história no tempo perfeito e resulta em nossa
eterna adoção como filhos. Esta verdade, porém, não deve gerar em nós apenas
conforto, mas também um profundo senso de responsabilidade e
uma esperança inabalável. Que a nossa resposta a esta missão seja uma vida de
obediência por amor, um testemunho corajoso por gratidão e uma busca incessante
por santidade, com os olhos fixos na promessa da glória que nos aguarda, para
louvor do Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
REFERÊNCIAS
Ø BAPTISTA, Douglas. Lições
Bíblicas - Professor, 1º Trimestre 2026. CPAD.
Ø HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia
Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.
Ø GILBERTO, Antonio. Teologia
Sistemática Pentecostal. CPAD.
Ø PEARLMAN, Myer. Conhecendo as
Doutrinas da Bíblia. VIDA.
Ø SOARES, Esequias. Declaração de
Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø PFEIFFER, Charles (et. al.). Dicionário
Bíblico Wycliffe. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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