Mt
11.25-27; Jo 14.6-11
INTRODUÇÃO
A
partir da lição 2, estudaremos cada Pessoa da Santíssima Trindade de forma
específica. Nesta lição, estudaremos sobre o Deus Pai. Veremos quem é Deus;
explicaremos como se deu a revelação de Deus a humanidade, do modo geral e
especial; citaremos alguns dos atributos de Deus, tanto incomunicáveis como
comunicáveis; e, finalmente, elencaremos alguns nomes de Deus, que revelam quem
Ele é.
I. QUEM É DEUS, O PAI?
Embora
não seja possível defini-Lo ou descrevê-Lo em Sua totalidade, pois é impossível
que Deus seja definido por palavras humanas, mas, podemos, ao menos, trazer
algumas definições de quem Ele é. O pastor Claudionor de Andrade (2006, p.
116), por exemplo, diz: “Do hebráico ‘Elohim’; do grego ‘Theos’ e do latim
‘Deus’, é o Ser Supremo, Absoluto e Infinito por excelência. O Criador dos céus
e da terra (Gn 1.1), Ser Eterno e Imutável (Is 26.4); Onipotente, Onipresente e
Onisciente (Jó 42.2; Sl 139); Ser Espiritual Incriado (Jo 4.24; Sl 90.2) e a
razão primeira e última de tudo quanto existe”. “O termo ‘Deus Pai’ não é
apenas um título, mas expressa a universalidade do senhorio do Pai, reafirmando
a unidade do Corpo de Cristo: “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos,
e por todos, e em todos” (Ef 4.6). Quer dizer que Deus é transcendente “sobre
todos”, ativo “por todos” e imanente “em todos vós”. Cristo reforçou essa
identidade ao chamar Deus de “meu Pai” e ensinar os discípulos a orarem “Pai
nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9). Essa oração aponta para a transcendência
divina e convida os crentes à intimidade filial com Deus. O Pai é aquEle que
está nos céus, mas que está próximo dos que o invocam com fé e reverência (Sl
145.18). A paternidade de Deus, portanto, revela um relacionamento íntimo,
real, pessoal e transformador. O crente não se aproxima de um Deus distante,
mas de um Pai amoroso que deseja comunhão com seus filhos: “[...] recebestes o
espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15). Desse
modo, devemos conhecer a Deus como Pai não como um exercício intelectual, mas
como uma fonte de consolo, identidade e segurança espiritual para os filhos de
Deus em Cristo” (Baptista, 2025, p. 21, grifo nosso).
II. A REVELAÇÃO DE DEUS
Chamamos
de revelação meios pelos quais Deus se fez conhecido. A palavra “revelar” tem o
sentido de “tirar o véu”. Tudo o que conhecemos sobre Deus foi porque Ele
revelou-se aos homens de modo geral e especial.
1.
A revelação geral.
A
revelação geral é o conhecimento de Deus acessível a todos os homens, em todos
os tempos e lugares, independentemente de fé ou da posse das Sagradas
Escrituras. Ela se manifesta através da criação ou da natureza (Sl
19.1; Rm 1.19,20); por intermédio da história e a consequente intervenção
de Deus na história da humanidade (1Sm 2.7; Dn 2.21; 5.21); e,
através da consciência (Rm 2.14-16).
2.
A revelação especial.
A
revelação especial é o conhecimento de Deus concedido de maneira específica e
redentora. Embora nem todos os homens tenham acesso a ela, podemos afirmar que
o desejo de Deus é que todos, de alguma forma, venham conhecê-la. Ela se
manifesta através da Bíblia (Hb 4.12; Is 43.1; Jr 4.3,27); da experiência
pessoal (Gn 5.21,24; 6.9; 3.8; 12.1-3; 26.24) e, principalmente, através de
Jesus Cristo (Jo 14.9; Hb 1.1; Is 7.14; Mt 1.23).
III. A EXISTÊNCIA DE DEUS
1.
A existência de Deus é um fato comprovado.
Os
argumentos a favor da existência de Deus são: a) a crença universal na existência
de Deus é intuitiva (Sl 42.2; 63.1); b) a existência de Deus é assumida nas
Escrituras e este fato é aceito sem ser questionado (Gn 1.1; Jo 1.1); c) A
crença na existência de Deus é corroborada pelos argumentos cosmológico que diz
que a criação não é eterna e não surgiu sem causa, mas de Deus (Sl 19; Rm
1.20); teleológico que afirma que a ordem em que a criação se encontra
demonstra um Criador Inteligente (Jó 38; Hb 1.3); ontológico que apresenta Deus
como autoexistente (Êx 3.14; Cl 1.17); e o moral Deus implantou no homem uma
consciência de certo e errado (Rm 2.14,15) (THIESSEN, 2006, p. 27).
2.
A existência de Deus não precisa ser provada.
Deus
é real e não precisa ser demonstrado com base na lógica humana. A existência de
Deus é um fato consumado, uma verdade primária que não necessita ser provada,
pois Ele transcende à existência. Deus é a garantia da lógica do Universo e sem
Ele, o universo não poderia existir. Se o “kosmo” é uma realidade, e somos
testemunhas disso, então a ordem e a harmonia que permeiam toda a criação
pressupõem a existência de um Criador. A mente humana, limitada e falível,
jamais conseguirá provar a existência de Deus à parte da fé (Hb 11.3). Há na
criação inumeráveis evidências da existência de Deus (Sl 19; 1-3; At 14.16,17;
17.27; Rm 1.19,20; Hb 11.1,2) (SOARES, 2008, p. 61).
IV. OS ATRIBUTOS DE DEUS
A
palavra atributo significa “o que é próprio a uma coisa ou pessoa”. Portanto,
os atributos de Deus são as qualidades inerentes a Ele mesmo. Conhecendo os
seus atributos, passamos a compreender como Deus existe e atua. Os atributos de
Deus estão divididos em comunicáveis e incomunicáveis.
Vejamos:
1.
Atributos Incomunicáveis.
São
aqueles que pertencem única e exclusivamente a Deus. Vejamos:
- Eternidade. Eternidade significa “não ter começo e nem fim” e é é um atributo exclusivo da divindade. Nenhuma outra coisa e nenhum outro ser é eterno, pois todos estes, um dia foram criados, conforme (Gn capítulos 1,2). Deus possui uma existência absoluta que não está limitada ao tempo (Sl 45.6; 90.2; 93.2; Is 40.28; 57.15).
- Imutabilidade. A imutabilidade de Deus é um atributo absoluto que lhe confere a qualidade de não sofrer alterações em sua natureza. Ou seja, Ele não está sujeito à mudanças. (Ml 3.6; Hb 1.12; 6.17,18; Tg 1.17).
- Onipotência. A onipotência de Deus refere-se ao poder absoluto e infinito que só Ele possui e, através do qual, pode realizar ou fazer qualquer coisa que esteja em conformidade com a sua natureza (Gn 17.1; 18.14; Jó 42.2; Sl 62.11; Lc 1.37). Ninguém pode impedi-Lo (Is 43.13; 14.27 Rm 9.19,20), pois Ele é soberano e faz tudo que lhe apraz (Sl 135.6; 115.3). Por isso, Ele é poderoso para cumprir com suas promessas (Rm 4.21).
- Onipresença. Ou seja, Ele tem o poder de estar presente em todos os lugares ao mesmo tempo (Sl 139.7-12; At 17.27,28). Seus olhos estão em todo lugar (Pv 15.3). Por isso, ninguém pode esconder-se dEle (Jr 16.17; 23.24; Am 9.2,3).
- Onisciência. Onisciência é a qualidade exclusiva daquele que tudo sabe e nada lhe está oculto. Para Deus, o passado e o futuro são como o presente (2Sm 7.20; Sl 139). Ele conhece todas as coisas (1Jo 3.20) e seu entendimento é infinito (Sl 147.5). Ele conhece nossa estrutura (Sl 103.14), nossos corações (At 15.8; Lc 16.15; 1Cr 28.9) e todo segredo (Sl 44.21). Ele conhece nossos pensamentos (Sl 139.1-3), nossas palavras (Sl 139.4), nossas necessidades (Mt 6.32; Lc 12.30) e sabe até o número de nossos cabelos (Mt 10.30).
2. Atributos
Comunicáveis.
São aqueles que podem e devem ser
encontrados no ser humano. Assim como nós transmitimos características
aos nossos filhos, nosso Pai celestial compartilhou conosco alguns dos Seus
atributos. Vejamos:
- Amor. A Bíblia não somente diz que Deus ama o homem (2Co 13.11; Ef 2.4; 2Ts 2.16; 2Co 9.7), como também que Ele é amor (1Jo 4.8,16; 2Co 13.11). O amor de Deus é como um rio que emana dEle mesmo, que é a fonte perene desse sentimento. Quando Jesus quis demonstrar a profundidade do amor de Deus para com os seus discípulos, disse: “...tens amado a eles como me tens amado a mim” (Jo 17.23). O mesmo amor com que Deus amou a Seu Filho, amou também a cada um de nós. A Bíblia diz ainda que Ele nos amou, quando éramos ainda pecadores (Ef 2.4,5; Rm 5.8). Ele aborrece o pecado (Hb 1.9) mas ama o pecador (Jo 3.16,17).
- Santidade. A Bíblia denomina Deus de Santo (Sl 99.3) e de “Santo de Israel” (Sl 89.18). A santidade de Deus significa sua absoluta pureza e separação do pecado e de tudo que é mal. Ele não peca e nem tolera o pecado (1Pe 1.15,16; Tg 1.13). Quando os serafins descrevem o resplendor divino que emana daquEle que está assentado no trono, eles exclamaram: “...Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.” (Is 6.3).
- Justiça. Justiça é a santidade de Deus que se manifesta no tratamento correto com suas criaturas, bem como a conduta reta em relação ao outro (Gn 18.25). Deus revela a sua justiça quando livra o inocente (Êx 34.7; Nm 14.18), condena o ímpio (Pv 6.17) e exige que o homem faça justiça (Dt 27.25; Sl 15.5; Jr 22.3).
- Misericórdia. A misericórdia de Deus é a divina bondade em ação ao sentir compaixão pelas suas criaturas e oferecer-lhes alívio (Lm 3.22; Is 54.7; Dn 9.9). Uma das mais belas descrições da misericórdia de Deus encontra-se em Salmos 103.9-18. O conhecimento de sua misericórdia torna-se o fundamento da nossa esperança e da nossa confiança (Sl 52.8; 130.7). Porém, a maior demonstração da misericórdia de Deus, foi enviar o Seu filho para morrer pelos pecadores (Lc 1.78; Tt 3.5). Bondade. A bondade de Deus é um dos atributos mais belos e consoladores revelados nas Escrituras. Ela não é circunstancial nem limitada às ações humanas; antes, procede do próprio caráter divino. Deus é bom em sua essência, em suas obras e em seus propósitos eternos (Sl 100.5; 145.8,9; Lm 3.25; Na 1.7). Essa bondade se manifesta de maneira abundante na criação e na provisão diária. O salmista declara: “O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras” (Sl 145.9).
V.
OS NOMES DE DEUS
Uma das formas que podemos conhecer
a Deus, é através dos Seus nomes. Na Bíblia, quando Deus revela Seus nomes, Ele
está, na verdade, revelando quem Ele é e como se relaciona com o homem. Vejamos
alguns: 1) El Shaddai “Todo-poderoso” ou
“Onipotente” (Gn 17.1; 48.3,4; 49.24; Sl 68.14; Is 13.6); 2) El Eliyon “Deus Altíssimo” o
Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses (Gn 14.22; Nm
24.16; Dt 32.8); 3) El Olam “o Eterno Deus”
(Gn 21.33; Is 40.28) ou “Deus Eterno”; 4) YHWH. Essa expressão
hebraica, que consiste de quatro consoantes, é conhecida como o Tetragrama, e é
usualmente traduzida nas nossas Bíblia como “SENHOR” (Êx 3.14); 5) Jeová Rafá, “o Senhor que
cura” (Êx. 15.26); 6) Jeová-Nissi, “o Senhor nossa
bandeira” (Êx. 17.8-15); 7) Jeová Shalom, “o Senhor nossa
paz” (Jz 6.24); 8) Jeová Raah, “o Senhor meu
pastor” (Sl 23.1); 9) Jeová Tsidkenu,
“o
Senhor nossa justiça” (Jr. 23:6); 10) Jeová Jireh. “o Senhor que
provê” (Gn. 22:14), além de outros.
CONCLUSÃO
Embora
o termo Trindade não esteja na Bíblia, a Doutrina está presente, tanto no
Antigo como no Novo Testamento. E, mesmo sendo uma doutrina difícil de ser
compreendida pela lógica humana, através da iluminação do Espírito Santo,
podemos aceitá-la e compreendê-la.
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE,
Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø BAPTISTA,
Douglas. A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas
Eternas. CPAD.
Ø GILBERTO,
Antônio. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
Ø SOARES,
Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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