Mt
3.13-17
INTRODUÇÃO
Neste
trimestre, estudaremos sobre a Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas, onde teremos a oportunidade de analisar esta importante
doutrina, bem como as três Pessoas da Trindade. Nesta primeira lição, veremos o
significado dos termos “mistério” e “trindade”; citaremos algumas considerações
acerca da Doutrina da Trindade; e, finalmente, citaremos como esta doutrina é
apresentada no Antigo e Novo Testamento.
I. DEFINIÇÕES
1.
Mistério.
“Do
grego ‘mysterium’ e significa ‘enigma’, ‘segredo’.
São verdades divinas que só podem ser conhecidas através do auxílio do Espírito
Santo. Às vezes, nem mesmo os profetas eram capazes de desvendar os mistérios
que registravam (Dn 12.8). Todavia, o Espírito que em nós habita (1Co 3.16)
leva-nos a compreender as riquezas divinas (Ef 1.9; 3.3)”. (Andrade, 2006, p.
214). Diante dessa definição e afirmação, podemos entender que, embora a
doutrina da trindade seja um mistério, ou seja, uma doutrina complexa, pois não
existe nada que possa ser comparada a ela em sua essência, porém, por
intermédio do Espírito Santo, podemos compreendê-la, como veremos a seguir.
2. Trindade.
Segundo
Andrade, (2006, p. 349), Trindade é: a “doutrina segundo a qual a
Divindade, embora una em sua essência, subsiste nas Pessoas do Pai, do Filho e
do Espírito Santo. As Três Pessoas são iguais na substância e nos atributos
absolutos, metafísicos e morais” “A palavra Trindade em si não ocorre
na Bíblia, essa expressão é teológica usada para descrever na perspectiva
humana a divindade. Sua forma grega “trias”, parece ter sido
usada primeiro por Teófilo de Antioquia (181 d.C.), e sua forma latina “trinitas”,
por Tertuliano (220 d.C.). Entretanto, a crença na Trindade é muito mais antiga
que isso como será visto mais à frente (Thiessen, 2006, p. 87 – acréscimo
nosso). Acerca dessa doutrina, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus
(2014, p. 39), diz: “As Escrituras Sagradas claramente revelam que a Trindade é
real e verdadeira. Uma só essência, substância, em três pessoas. Cada pessoa da
santíssima Trindade possui todos os atributos divinos — onipotência,
onisciência, onipresença, soberania e eternidade. A Bíblia chama textualmente
de Deus cada uma delas; as Escrituras Sagradas, no entanto, afirmam que há um
só Deus e que Deus é um: “Todavia para nós há um só Deus” (1Co 8.6); “mas
Deus é um” (Gl 3.20); “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos,
e por todos, e em todos” (Ef 4.6).
II. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DOUTRINA
DA TRINDADE
“A
doutrina da Trindade é uma das verdades centrais e mais sublimes da fé cristã.
Ela expressa a unicidade de Deus em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o
Espírito Santo.
Essa doutrina é plenamente fundamentada nas Escrituras
Sagradas, sendo essencial para compreender a natureza de Deus e sua obra na
redenção da humanidade” (Baptista, 2025, p. 9). “Em contraste com as concepções
pagãs, a Bíblia revela um Deus único e, ao mesmo tempo, tripessoal. [...]
Trata-se de um Deus que subsiste em três pessoas distintas, mantendo perfeita
unidade e consubstancialidade” (Barreto, 2025, p. 44). Vejamos algumas
considerações acerca dessa importante doutrina:
1.
A doutrina da Trindade não contradiz a unidade de Deus.
As
Escrituras ensinam que Deus é um (Dt 4.35; 6.4; Is 37.16), contudo, a unidade
divina é uma unidade composta de três pessoas (triunidade), que são: Deus Pai,
Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mt 28.19; 1Co 12.4-6), que cooperam unidos em
um mesmo propósito, onde não existe nenhum tipo de hierarquia ou
superioridade entre eles; não se tratando também de três deuses (triteísmo)
e nem três modos ou máscaras de manifestações divinas (unicismo),
antes, são três pessoas, mas um só Deus. “Eu e o Pai somos um” (Jo
10.30), “[…] se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o
amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23; ver 1Co
6.19).
2.
A doutrina da Trindade não é uma invenção humana
Uma
das objeções à doutrina da Trindade é que teria sido produzida pela mente
humana, que é de origem pagã e foi imposta por um imperador pagão Constantino
no Concílio de Nicéia em 325 d.C., que supostamente teria se tornado cristão,
estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do império. De acordo com
Soares: “Esses argumentos das organizações contrárias à fé trinitária são
falsos. O Concílio de Nicéia não tratou da Trindade; a controvérsia foi em
torno da identidade de Jesus de Nazaré”. A Trindade é uma doutrina com sólidos
fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, os cristãos do
período apostólico reconheciam essa verdade (2Co 13.13; Ef 1.1-14; 1Pe
1.2) (2017, pp. 37, 50).
3.
A doutrina da Trindade não é irracional.
O
conceito da unidade composta não é incoerente nas Escrituras, mesmo sendo dito
que Deus é único (Dt 6.4). A palavra “único” nesse texto, vem do hebraico “echad”,
que alude a uma unidade composta (Gn 2.24). Se a unidade de Deus fosse
absoluta, a palavra correta seria “yachid”, a mesma usada em
Gênesis 22.2. Sobre a possibilidade de entendermos a doutrina da Trindade,
Grudem afirma: “[…] não é correto dizer que não podemos de forma alguma
entender a doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que
Deus é três pessoas, que cada uma delas é plenamente Deus e que há somente um
Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina” (2007,
p. 126 – grifo nosso).
III. A SANTÍSSIMA TRINDADE NO ANTIGO
TESTAMENTO
O
Antigo Testamento não ensina claramente sobre a Trindade, e a razão é evidente.
Num mundo onde o culto de muitos deuses era comum, tornava-se necessário
acentuar a verdade de que Deus é Um, e de que não havia outro
além dele (Dt 6.4). Se no princípio a doutrina da Trindade fosse ensinada
diretamente, poderia ter sido mal interpretada. Porém, ainda que
implicitamente, no AT pode ser visto indícios dessa doutrina. Vejamos alguns
exemplos:
1.
Na criação do Universo.
Se
levarmos em conta que a palavra hebraica “Elohim” (Gn 1.1) é um
substantivo plural, concluiremos: a Santíssima Trindade encontrava-se ativa na
criação do universo. Por conseguinte, quando a Bíblia afirma que no princípio
Deus criou os céus e a terra, atesta: no ato da criação, estiveram presentes
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai criou o universo por
intermédio do Filho (Jo 1.3), enquanto o Espírito Santo
transmitia vida a tudo quanto era criado (Gn 1.2). “Na perspectiva da
fé cristã, Deus é eternamente trindade. Desde a eternidade, Ele existe como uma
comunhão perfeita entre três pessoas. Deus nunca esteve isolado, mas sempre foi
uma comunidade divina, marcada por uma relação constante e profunda entre o
Pai, o Filho e o Espírito Santo” (Barreto, 2025, p. 45).
2.
Na aparição do Anjo do Senhor.
A
manifestação do “Anjo do Senhor”, em alguns casos, é uma indicação a
respeito da Trindade no AT. “Vemos que esse Anjo, dependendo do contexto,
não apenas se identifica com o próprio Senhor, como também é assim identificado
a quem Ele se revela” (Gustavo, 2014, p. 22). Entre as aparições
podemos destacar alguns textos (Gn 16.9,13; 22.11,15,16; 31.11,13; Êx 3.2,4,6;
Jz 13.20-22; Ml 3.1). De acordo com Strong: “algumas dessas aparições,
pode designar o ‘Logos’ pré-encarnado (Jesus) (Gn 18.2,13; Jz 13.17,18;
ver Is 9.6; Dn 3.25,28), cujas manifestações prefiguravam sua vinda final
em carne” (2007, p. 559 – acréscimo nosso).
3.
Na pluralidade de pessoas na Divindade.
Já
no Livro do Gênesis existe a indicação da pluralidade de pessoas no próprio
Deus (Gn 1.1; 3.22; 11.7), podemos ainda encontrar uma série de passagens além
dessas, que apontam para a mesma verdade (Is 6.8; 63.10), textos em que uma
pessoa é chamada “Deus ou Senhor”, e ela se distingue de outra
pessoa que também é identificada como “Deus” (Sl 45.6,7). De modo
semelhante o salmista registra: “Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te
à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés” (Sl
110.1). Jesus atesta que Davi está se referindo a duas pessoas separadas
chamando-as “Senhor” (Mt 22.41-46), mas quem é o Senhor de Davi
se não o próprio Deus? Da perspectiva do NT, podemos parafrasear esse versículo
do seguinte modo: “Deus Pai disse a Deus Filho: Assenta-te à minha
direita”. Diante disso, mesmo sem o ensino do Novo Testamento sobre a
Trindade, fica claro que Davi estava consciente da pluralidade de pessoas em
Deus (Grudem, 2007, p. 110).
IV. A SANTÍSSIMA TRINDADE NO NOVO
TESTAMENTO
A
doutrina da Trindade, revelada progressivamente nas Sagradas Escrituras, atinge
sua clareza plena no Novo Testamento. A unidade composta de Deus, é apresentada
de forma implícita no Antigo Testamento, torna-se explícita na
Nova Aliança, pois, é no Novo Testamento que encontramos as mais claras e
explícitas manifestações da Santíssima Trindade. Notemos alguns registros onde
se evidencia tão importante doutrina:
1.
No batismo e ministério de Jesus.
Nessa
clara manifestação da Trindade (Mt 3.16,17), vemos uma das Pessoas (o Filho)
submeter-se ao batismo, o Espírito Santo descer como pomba sobre Ele, e a
Pessoa do Pai declarar o seu amor a Cristo atestando sua filiação. Na
transfiguração vemos com clareza mais uma vez a pluralidade de pessoas (Mt
17.5; Mc 9.7,8).
2.
Na ascensão de Jesus.
Já
prestes a ser assunto ao céu, o Senhor Jesus Cristo, ao dar últimas instruções
aos discípulos, declarou: “Portanto, ide, ensinai todas as nações,
batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt
28.19). Pode ainda restar mais alguma dúvida acerca da Trindade?
3.
Na vida da igreja primitiva.
Nos
Atos dos Apóstolos, a Santíssima Trindade aparece operando ativamente, desde os
primeiros versículos (At 1.1,2). Nesse livro, encontramos a Trindade na
proclamação do Evangelho (At 5.32; At 10.38); no testemunho eficaz da fé cristã
(At 7.55); no chamamento de obreiros (At 9.17); no Concílio de Jerusalém (At
15.1-35).
4.
Nas epístolas.
Embora
os apóstolos não tenham mencionado o termo trindade, em seus escritos,
mencionam as três Pessoas em diversos textos. Vejamos: Na bênção
apostólica (2Co 13.13); na unidade da fé (Ef 4.4-6); na
distribuição dos dons espirituais (1Co 12.4-6); na saudação
do apóstolo Pedro (1Pe 1.2); além de outros textos (Rm
8.9-11; Gl 4.4-6; Ef 2.18); inclusive no livro do Apocalipse (Ap 1.1,2;
2.8,11).
CONCLUSÃO
Embora
o termo Trindade não esteja na Bíblia, a Doutrina está presente, tanto no
Antigo como no Novo Testamento. E, mesmo sendo uma doutrina difícil de ser
compreendida pela lógica humana, através da iluminação do Espírito Santo,
podemos aceitá-la e compreendê-la.
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário
Teológico. CPAD.
Ø BAPTISTA, Douglas. A Santíssima
Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø BARRETO, Alessandro. A Adoração
ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no
Contexto da Trindade. BEREIA.
Ø GUSTAVO, Walber; GOMES, Leonardo. Doutrina
da Trindade: desenvolvimento bíblico e histórico. BEREIA.
Ø SOARES, Esequias. Declaração de
Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø THIESSEN, Henry Clarence. Palestras
em Teologia Sistemática. IBR.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



Nenhum comentário:
Postar um comentário