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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

LIÇÃO 13 – ESTER, A PORTADORA DE BOAS-NOVAS






Et 8.4-8; 9.29-31; 10.1-3
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta última lição, observaremos a coragem de Ester que é evidenciada em sua decisão de arriscar a própria vida para interceder pelo seu povo, desafiando a lei persa e entrando na presença do rei sem ser convocada. Pontuaremos sua bravura que é acompanhada por uma sensibilidade notável ao sofrimento dos seus compatriotas, o que a leva a buscar soluções que garantam a preservação e o bem-estar dos judeus. E por fim, veremos também a instituição da festa de Purim que comemora a salvação dos judeus e promove a alegria, a solidariedade e a generosidade.
 
 
I. DEFINIÇÕES DAS PALAVRAS CHAVES DA HISTÓRIA
1. Definição do termo boas-novas.
O dicionário Houaiss (2001, p. 470) define boas-novas como: “notícia muito boa; novidade feliz”. Essa palavra vem de duas palavras gregas, eu, advérbio, “bem”, e, angelia, que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra “euangelion” quer dizer “boas novas, boas notícias, notícias alvissareiras”.
 
2. Definição do termo humildade.
O termo humildade segundo o dicionário Houaiss (2001, p. 1555) significa: “qualidade da pessoa humilde, modesta, simples, sem vaidades; simplicidade; escassez de ostentação; sobriedade; qualidade de quem tem consciência de suas limitações; modéstia; demonstração de fraqueza diante de algo ou alguém; inferioridade; uem expressa algum tipo de submissão em relação aos seus superiores; subordinação”. A Bíblia diz que a humildade vai diante da honra (Pv 15.33). O Senhor Jesus também afirmou que o Reino dos Céus pertence aos humildes (Mt 5.3). Ele é o nosso maior exemplo de humildade, e nos ensinou que, no Reino de Deus, o maior não é quem está sendo servido, e sim aquele que serve (Mt 23.11).
 
3. Definição do termo súplica.
O dicionário Houaiss (2001, p. 2643) define súplica como: “oração feita com insistência e submissão; prece, rogativa; solicitação em que se pede um favor, graça ou esmola; qualquer pedido que se faz insistente e permanentemente, geralmente por desespero”. A Bíblica nos ensina a suplicar pelo favor de Deus: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18). A palavra também é a mesmo coisa que “intercessão”. Intercessão latim “intercessionem” que é uma “súplica em favor de outrem”. A intercessão pressupõe sofrer com os que sofrem; chorar com os que choram.
 
 
II. A NOVA LEI TRAZ CONSIGO BOAS NOTÍCIAS, TRAZENDO ESPERANÇA E ALEGRIA
Naquele mesmo dia o rei presenteia a rainha Ester com a casa de Hamã. Ele está falando de todas as posses de Hamã, inimigo dos judeus, adversário do povo do Senhor. Mas agora tudo pertence a Ester, que é Hadassa do povo do Senhor. Por certo uma quantia vultuosa. A situação mudou radicalmente. Os vastos recursos que pertenciam a Hamã agora são de Ester (Et 8.1-2) (Neto, 2021. p.133).
 
1. Embora Hamã tenha desaparecido, o decreto ainda permanece em vigor (Et 8.3).
Hamã estava morto, mas o decreto ainda continua bem vivo. O edito estava escrito, tinha que ser feito e era irrevogável. Os judeus morreriam no mês de dezembro. Sabendo disto, Ester chora. A situação continuava complicada para o povo de Deus. O povo judeu estava sob ameaça de genocídio e isso não mudou com a execução de Hamã.
 
2. O cetro de ouro como símbolo de autoridade e favor (Et 8.4).
A extensão do cetro é um gesto de aceitação e benevolência real. Na cultura persa, o cetro simbolizava a autoridade do rei e a extensão do cetro indicava que Ester havia encontrado favor (Et 4.11). Este ato é comparável ao favor divino que Deus concede aos seus servos, como mencionado em Salmos 84.11: “Porque o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória”. O gesto do rei, portanto, pode ser visto como uma manifestação do favor divino, permitindo a Ester interceder com sucesso. O ato de Ester se levantar e se posicionar diante do rei demonstra sua coragem e o papel de intercessora. Isso é um reflexo do papel de mediação que alguns personagens bíblicos desempenharam em situações críticas. Por exemplo, Moisés intercedeu pelo povo de Israel diante de Deus (Êx 32.11-14).
 
3. O pedido decisivo (Et 8.5).
A rainha Ester inicia seu pedido com uma solicitação condicionada ao favor real: “Se bem parecer ao rei, e se eu achei graça perante ele […]”. Esta abordagem demonstra a compreensão de Ester sobre a importância da graça real. Seu pedido reflete a ideia de que a intercessão eficaz depende do favor e da aceitação por parte do soberano. Em termos teológicos, isso é paralelo à intercessão de Cristo por nós. Como Paulo afirma em Romanos 8.34, Cristo intercede por nós junto ao Pai, evidenciando o papel de mediador que garante nossa aceitação e favor diante de Deus (Swindoll, 1999. p. 171). “Nós, que vivemos numa cultura em que tais coisas ocorrem com certa frequência, dificilmente nos surpreendemos quando alguma autoridade muda de opinião. Mas, naquela época, nunca se ouvira falar de coisa como essa no reino persa”.
 
4. Empatia e compromisso com o povo (Et 8.6).
A dor e a angústia de Ester refletem uma profunda empatia e compromisso com seu povo. Ester está tão identificada com a situação de seus compatriotas que o sofrimento deles é visto como uma extensão de seu próprio sofrimento. Esse lamento demonstra um desejo genuíno de fazer algo para mudar a situação. Este sentimento é consistente com o mandamento bíblico de amar o próximo como a si mesmo (Lv 19.18). Este tipo de empatia também é um reflexo da liderança justa e responsável encontrada em outros líderes bíblicos, como Moisés, que intercedeu por Israel durante crises graves (Nm 14.13-19).
 
5. Justiça e recompensa (Et 8.7-8).
Segundo o dicionário Houaiss o termo justiça significa: caráter, qualidade do que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo(2001, p. 1696). O rei Assuero declara que deu a Ester a casa de Hamã e que Hamã foi executado devido à sua ação contra os judeus. A execução de Hamã é uma demonstração de justiça e retribuição pelo mal que ele havia planejado contra o povo de Deus. Este conceito de justiça retributiva é um tema recorrente nas Escrituras, onde Deus garante que o mal será punido e a justiça será feita: “O fazer justiça é alegria para o justo, mas é terror para os que praticam a iniquidade” (Pv 21.15). A decisão do rei reflete a ideia bíblica de que a justiça deve prevalecer sobre a injustiça. O rei não poderia revogar seu édito por meios legais, mas era possível publicar um novo decreto favorecendo os judeus. Esse novo decreto informaria a todos no império que o rei desejava que todo seu povo tivesse uma atitude diferente em relação aos judeus e que os tratasse de modo favorável. Este é um exemplo clássico, mostrando porque devemos opor-nos com firmeza e lutar em prol da verdade, embora pareça que as leis existentes nunca mudam (Is 1.17) (Swindoll, 1999. p. 172).
 
 
III. A INSTITUIÇÃO DA FESTA DE PURIM
A criação e a confirmação da festa de Purim por Ester e Mardoqueu são um ato significativo de preservação da memória e celebração da libertação do povo judeu. Purim é instituído para recordar a intervenção divina e a salvação dos judeus da ameaça de extermínio planejada por Hamã. Em Dt 16.3, Deus ordena a celebração da Páscoa como um meio de recordar a libertação do Egito. Assim como a Páscoa, Purim serve para manter viva a memória dos atos de salvação de Deus.
 
1. A transformação de tristeza em alegria (Et 9.22).
O texto menciona que os dias de Purim são uma transformação de “tristeza em alegria e de luto em festa”. Essa mudança é emblemática da capacidade de Deus para transformar situações adversas em ocasiões de alegria e celebração. Em Isaías 61.3 é prometido que Deus “trocaria a tristeza por alegria”. A festa de Purim é uma celebração desta mudança divina. Além do mais o texto enfatiza que durante a festa de Purim, os judeus devem dar presentes uns aos outros e oferecer dádivas aos pobres. Esta prática de generosidade reflete o valor bíblico da caridade e da solidariedade. Em Provérbios 19.17 fala muito bem sobre esse gesto. A doação durante Purim é uma forma de expressar gratidão pela salvação recebida e de demonstrar cuidado pelos necessitados.
 
 
IV. ESTER: UMA MULHER DE SENSIBILIDADE E CORAGEM
A rainha Ester demonstra uma coragem excepcional ao se arriscar por seu povo. Em Ester 4.16, ela toma uma decisão ousada para interceder perante o rei Assuero, apesar do risco de morte. A coragem de Ester é evidente em sua disposição de desobedecer à lei persa, que estipulava que se alguém entrasse na presença do rei sem ser chamado, poderia ser executado. Sua disposição para enfrentar esse risco em prol do bem-estar de seu povo reflete um compromisso profundo e uma coragem que transcende o medo pessoal.
 
1. A coragem de falar verdade ao rei (Et 7.3-4).
A rainha Ester também mostra coragem ao confrontar o rei com a verdade sobre Hamã e seu plano maligno. Em Ester 7.3 ela revela sua identidade e a ameaça que paira sobre os judeus. Ao se revelar como judia e expor o plano de Hamã, Ester arrisca sua posição e segurança pessoal, mas age com coragem e sinceridade para proteger seu povo.
 
 
CONCLUSÃO
A coragem e a sensibilidade de Ester são aspectos centrais de sua história e são fundamentais para entender seu papel como heroína na narrativa bíblica. Sua disposição para arriscar sua vida por seu povo, sua empatia pelo sofrimento dos outros e sua capacidade de liderar com compaixão demonstram qualidades que são não apenas admiradas na Escritura, mas também são exemplares para a vida cristã. Estes atributos fazem de Ester uma figura de inspiração, cuja história é rica em lições sobre coragem, liderança e sensibilidade. Tenhamos também a coragem de Ester!
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
Ø  HUBBARD JR, Robert L. Comentário do Antigo Testamento. CULTURA CRISTÃ.
Ø  NETO, Emilio Garofalo. Ester na Casa da Pérsia. FIEL.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  SWINDOLL, Charles R. Ester: uma mulher de sensibilidade e coragem. MUNDO CRISTÃO.
Ø  VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento. GEOGRÁFICA.   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

 

sábado, 21 de setembro de 2024

LIÇÃO 12 – O BANQUETE DE ESTER: DENÚNCIA E LIVRAMENTO





Et 7.1-10 


INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que depois da leitura do livro das memórias das crônicas e a consequente exaltação de Mardoqueu e a humilhação de Hamã (Et 6.1-14), a rainha Ester ofereceu um segundo banquete ao rei Assuero, juntamente com Hamã, onde ela denunciou o plano diabólico de Hamã, de matar todos os judeus e saquear os seus bens, resultando, em um novo decreto, dando aos judeus o direito de se defender e de se vingar de seus inimigos. Ainda nesta lição, pontuaremos o significado dos termos “banquete”, “denúncia” e “livramento”; explicaremos como se deu os dois banquetes oferecidos pela rainha Ester ao rei Assuero e a Hamã; e, finalmente, elencaremos a denúncia de Ester e a sentença de Hamã.
 
 
I. DEFINIÇÕES DAS PALAVRAS-CHAVE DA LIÇÃO
1. Definição do termo banquete.
Segundo o dicionário Houaiss (2001, p. 397), o termo ‘banquete’ significa: “refeição festiva” ou “refeição formal e solene, de que participam muitos convidados”. O livro de Ester menciona diversos banquetes: o do rei Assuero, para mostrar as riquezas e a glória do seu reino (Et 1.3-8); o da rainha Vasti, para as mulheres da casa real (Et 1.9); outro do rei Assuero, depois que tomou Ester como sua esposa (Et 2.18); e dois outros banquetes preparados pela rainha Ester para o rei Assuero e para o ímpio Hamã (Et 5.4,5; 7.2-8).
 
2. Definição do termo denúncia.
O termo ‘denúncia’ é definido pelo dicionário Houaiss (2001, p. 940) como: “ato ou efeito de denunciar”, “acusação em que se atribui a alguém uma falta ou crime”. No livro de Ester lemos acerca de três graves denúncias: a primeira, quando Mardoqueu descobriu a conspiração de Bigtã e Teres, que eram eunucos e guardas do rei, e o fez saber a rainha Ester (Et 2.21-23); a segunda, quando Hamã denunciou ao rei Assuero que os judeus não obedeciam as leis persas (Et 3.8); e, a terceira, feita pela própria rainha Ester ao rei Assuero, denunciando o plano maligno de Hamã de matar todos os judeus (Et 7.3-6).
 
3. Definição do termo livramento.
Este termo deriva-se do verbo ‘livrar’, que o dicionário Houaiss (2001, p. 1773) define como “tornar-se livre”, “soltar”, “escapar”. Duas das três acusações mencionadas do livro de Ester eram verdadeiras e ambas resultaram em livramentos. A primeira impediu que o rei Assuero fosse morto (Et 2.21-23), e, a segunda, impediu que os judeus fossem executados (Et 8.1-17). Por uma providência divina, mesmo depois que o decreto mandando matar todos os judeus estivesse assinado (Et 3.8-15) o rei Assuero escreveu outro decreto, dando aos judeus o direito de se defender e de se vingar de seus inimigos (Et 8.10-14).
 
 
II. OS DOIS BANQUETES OFERECIDOS PELA RAINHA ESTER
Após o período de jejum de três dias (Et 5.1) a rainha Ester vestiu-se com suas vestes reais e compareceu à presença do rei, mesmo sem ser chamada. Assuero, então, lhe estendeu o cetro e lhe deu a liberdade de pedir o que ela quisesse, “até a metade do reino” (Et 5.3). Mas, Ester agiu com prudência e convidou o rei para comparecer a dois banquetes, juntamente com Hamã. Vejamos:
 
1. O primeiro banquete (Et 5.5-8).
Nesse primeiro banquete, a rainha Ester não denunciou o plano de Hamã. Ela apenas convidou o rei para comparecer ao segundo banquete, juntamente com Hamã, que seria realizado no dia seguinte (Et 5.8). Sua atitude foi prudente. Ela esperou o momento oportuno. “Mesmo o rei prontificando-se a atender Ester de forma imediata, ela agiu com cautela, esperando o momento certo. Na primeira ocasião, apenas convidou o rei para um banquete, junto com Hamã. Na hora do banquete, o rei renovou a sua disposição em atender a qualquer pedido de Ester. Era a segunda oportunidade, mas ainda não era o momento adequado. Ester convidou Assuero e Hamã para outro banquete no dia seguinte, quando, então, faria o seu pedido (5.8). Uma noite importante separava os fatos. Os desígnios de Deus são perfeitos, e Ester estava mesmo em sintonia com a providência divina. Confiar em Deus e depender dEle faz com que vivamos experiências extraordinárias. Assuero e Hamã foram para casa. As próximas 24 horas seriam decisivas” (Queiroz, 2024, p. 120).
 
2. O segundo banquete (Et 7.1-9).
No segundo dia, o rei compareceu ao banquete do vinho, juntamente com Hamã. Assuero, então, perguntou a Ester: “Qual é a tua petição? E se te dará. E qual é o teu requerimento? Até metade do reino se fará” (Et 7.1,2). “Da mesma forma como a pergunta, a resposta de Ester foi imediata. A essa altura, talvez o coração da rainha estivesse acelerado. Uma jovem judia, sem nenhuma tradição real, estava diante do grande imperador persa e do algoz do seu povo, os judeus, e teria que ser firme na sua declaração. Ester revelou-se uma mulher forte e decidida, denunciando o mau Hamã (Et 7.3-6). A força moral de Ester certamente vinha do fato de ela ter sido criada em obediência e temor. Em tempos nos quais tanto se critica o obedecer a regras, é preciso considerar que não há crescimento moral sem disciplina; não se forja o caráter sem ela, muito menos se constrói uma estrutura emocional forte, e isso se aplica a todos. [...] Ester foi essa mulher, que não titubeou no momento de denunciar ao mau Hamã” (Queiroz, 2024, p. 135).
 
 
III. A DENÚNCIA DE ESTER E A SENTENÇA DE HAMÃ
Sem dúvida Ester tinha plena convicção de que havia se tornado rainha por um propósito divino: ser o instrumento de Deus para preservação do povo judeu. E, o momento havia chegado para denunciar os planos malignos de Hamã, de matar todos os judeus e saquear os seus bens. Vejamos como a rainha Ester agiu de forma sábia e prudente:
 
1. A petição e o requerimento de Ester.
Diante da pergunta do rei Assuero: “Qual é a tua petição? E se te dará. E qual é o teu requerimento? Até metade do reino se fará” (Et 7.1,2), a rainha Ester, respondeu então: “Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me aminha vida como minha petição e o meu povo como meu requerimento.” (Et 7.3). Ester era uma mulher e altruísta. Segundo o dicionário Aurélio, a palavra altruísta, quer dizer: “sentimento de quem põe o interesse alheio acima do próprio”, ou seja, uma pessoa altruísta está mais preocupada com o interesse do próximo do que com o seu. Assim sendo, altruísmo é, acima de tudo, uma demonstração de amor, pois, o amor não busca os seus interesses (I Co 13.5). Ester destaca-se também na história bíblica como uma autêntica intercessora. De forma sábia, ela pediu ao rei não apenas pela sua própria vida, mas, também pelo povo judeu, como fizeram também Moisés (Êx 32.11-14; Nm 14.13-20); Neemias (Ne 1.5-11; 2.1-5); Daniel (Dn 9.3-20); Jesus (Jo 17.1-24); Paulo (Fp 1.4-6); além de outros.
 
2. A denúncia de Ester.
Disse, então, a rainha ao rei Assuero: “Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e lançarem a perder...” (Et 7.4). É bem possível que o rei tenha pensado sobre qual seria a petição da rainha Ester. O que era tão importante para ela, a ponto de ela preparar dois banquetes para fazer a sua petição? E, para a surpresa do rei Assuero, ela falou que a sua vida e a do seu povo estava em risco. “Se tivesse vendido os judeus como escravos, o pagamento poderia ser considerado justo, mas vendê-los para a morte e destruição absoluta era algo que não havia dinheiro que pudesse pagar. De acordo com Ester, se tivesse sido apenas uma questão de escravidão, ela teria permanecido calada. Para que incomodar o rei com algo assim? Porém, um extermínio em grande escala era algo que não se poderia ignorar. A rainha Ester intercedeu corajosamente por seu povo” (Wiersbe, 2010, p. 723).
 
3. A pergunta do rei Assuero.
Ao tomar conhecimento que a rainha Ester estava ameaçada de morte, o rei perguntou, então: “Quem é esse? E onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim? E disse Ester: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã” (Et 7.5,6). “Procure imaginar, a essa altura da história, o que se passava pela cabeça do rei Assuero. Sem acusá-lo explicitamente, Ester havia envolvido o rei num crime terrível, e, por certo, ele se sentiu culpado. O rei sabia que aprovara aquele decreto de modo impensado. Porém, não percebeu que aquilo fazia parte de uma conspiração. Assinara a ordem de execução da própria esposa! O rei deveria encontrar um modo de salvar, ao mesmo tempo, a esposa e a honra” (Wiersbe, 2010, p. 723). Depois disso, o rei levantou-se furioso e foi até o jardim do palácio (Et 7.7), possivelmente para refletir sobre a sua decisão precipitada, de dar autonomia a Hamã para mandar exterminar todos os judeus (Et 3.10-12) e pensar sobre qual seria a sentença que deveria ser dada a Hamã.
 
4. A súplica de Hamã pela sua vida.
Depois de ouvir a acusação da rainha e presenciar a fúria do rei, Hamã, então, pôs-se a rogar pela sua vida. E, quando o rei Assuero retornou do jardim, viu Hamã prostrado sobre o leito onde estava a rainha Ester, fazendo com que a fúria do rei aumentasse ainda mais. “Porventura, quereria ele também forçar a rainha perante mim nesta casa? (Et 7.7,8). “Que paradoxo! Hamã havia se enfurecido porque um judeu recusava-se a curvar-se diante dele, e agora Hamã se prostrava diante de uma judia, suplicando por sua vida! Quando o rei entrou no aposento e viu a cena, acusou Hamã de tentar molestar a rainha” (Wiersbe, 2010, p. 724). A história de Hamã nas páginas da Bíblia se inicia com o rei Assuero o exaltando e o colocando acima de todos os príncipes (Et 3.1), mas, foi marcada pelo ódio e crueldade não apenas contra Mardoqueu, mas, também, contra o povo judeu (Et 3.5-15). Por essa razão, ele tem um fim trágico, como veremos a seguir.
 
5. A sentença do rei Assuero para Hamã.
Depois disso, Hamã foi preso e um dos eunucos do rei Assuero, por nome Harbona informou ao rei Assuero que Hamã também havia mandado fazer uma forca para Mardoqueu. Então, o rei determinou que Hamã fosse enforcado nela (Et 7.8,9). “A forca construída para Mordecai num local tão visível mostrou-se conveniente para a execução de Hamã. Assim, o rei a usou para esse fim. [...] ‘Não vos enganeis: de Deus não se zomba’, advertiu Paulo. ‘Pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará’ (Gl 6.7). O primeiro-ministro semeou ódio contra Mordecai e colheu a fúria do rei. Hamã desejava matar Mordecai e todos os judeus, mas foi morto pelo rei. ‘Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles segam’ (Jó 4.8). ‘O que semeia a injustiça segará males.’ (Pv 22.8)” (Wiersbe, 2010, p. 724).
 
 
CONCLUSÃO
Dentre as muitas virtudes da rainha Ester, destacamos nesta lição a sua coragem, seu altruísmo e sua intercessão. De forma sábia e prudente, ela agiu em favor de sua vida e do seu povo. Por outro lado, aprendemos sobre a lei da semeadura. Hamã, que planejou a morte de Mardoqueu, bem como a de todos os judeus do reino da Pérsia, foi enforcado na própria forca que preparou. Sejamos, pois, sábios, altruístas e intercessores como Ester; e jamais venhamos agir como o astuto e maligno Hamã.
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  BALDWIN, Joyce G. Ester: Introdução e Comentário. VIDA NOVA.
Ø  QUEIROZ, Silas. O Deus que Governa o Mundo e Cuida da Família. CPAD.
Ø  HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento. GEOGRÁFICA.   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

 



LIÇÃO 12 - O BANQUETE DE ESTER: DENÚNCIA E LIVRAMENTO (V.02)

 
Vídeo Aula - Pastor Silas





sábado, 14 de setembro de 2024

LIÇÃO 11 – A HUMILHAÇÃO DE HAMÃ E A HONRA DE MARDOQUEU






Et 6.1-14
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, observaremos o plano de Hamã contra Mardoqueu; focaremos na análise dos conceitos de humilhação e honra, que é mais do que um simples relato de rivalidades e conspirações. Ao refletirmos sobre este enredo, nosso objetivo é analisar como a justiça e a providência divina se manifestam através das reviravoltas da história, mostrando que os planos humanos podem ser frustrados diante do propósito de Deus.
 
 
I. DEFINIÇÃO DAS PALAVRA HUMILHAÇÃO E HONRA
1. Definição do termo humilhação.
O dicionário Houaiss (2001, p. 1555) define humilhação como: “ação em que alguém humilha, rebaixa, diminui o valor de outra pessoa ou coisa; rebaixamento moral; afronta, diminuição, ação em que uma pessoa é diminuída”. A Bíblia tem vários versículos que mencionam a humilhação, incluindo: “Pois todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado” (Mt 23.11-12); “Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que vos exalte a seu tempo, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1Pe 5.6-7).A Bíblia também sugere que as pessoas não devem humilhar os outros: “Envergonhem-se e sejam humilhados juntamente os que se alegram com o meu mal; vistam-se de vergonha e de desonra os que se engrandecem contra mim” (Sl 35.26).
 
2. Definição do termo honra.
O verbo honrar segundo o dicionário Houaiss (2001, p. 1550) significa “princípio de conduta de quem é virtuoso, qualidades consideradas virtuosas; virtude, posição de destaque em relação aos demais”. Como substantivo, honra na Bíblia significa “estima, valor ou grande respeito”. Honrar alguém é valorizar muito essa pessoa. A Bíblia nos exorta a expressar honra e estima por certas pessoas: nossos pais, os idosos e as autoridades (Ef 6.2; Lv 19.32; Rm 13.1). Pedro nos diz: “Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei” (1Pe 2.17). A ideia de honrar os outros, especialmente aqueles em autoridade (o rei), vem do fato de que representam a autoridade suprema de Deus.
 
 
II. A PROVIDÊNCIA DIVINA NO CONTROLE DA HISTÓRIA
A palavra “providência” vem do latim “providentia”, e a palavra “prover” do latim “providere” (Campos, 2001, p. 7). Segundo dicionário Houaiss (2001, p. 2321) provisão é: “ato ou efeito de prover; fornecimento, abastecimento”. Sendo assim, podemos definir a provisão divina como a atividade do deus soberano, em provê as necessidades da sua criação, intervindo para sua preservação (Campos, 2001, p. 8)
 
1. A providência de Deus tira o sono do rei (Et 6.1).
Tudo começou com a insônia do rei, um sinal de que a providência divina tinha um plano maior. Este era o momento decisivo da história. O monarca que governava 127 províncias não podia dominar seu próprio sono. Apesar de ter ao seu alcance todos os prazeres imagináveis, banquetes, entretenimento e um harém vasto, ele optou por ouvir a leitura das crônicas do reino [não confundir como os livros das crônicas de Israel]. Às vezes, é na mais inesperada das noites que o destino se revela.
 
2. O rei buscou respostas nas crônicas e encontrou a justiça (Et 6.1c).
Segundo o dicionário Houaiss significa: “caráter, qualidade do que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo” (2001, p. 1696). Os termos bíblicos no hebraico, “tsedeq” e “tsedakah” como também o vocábulo grego “dikaiosune”, são traduzidos em português por ‘justiça’ ou ‘retidão’ (Champlin, 2004, p. 677). Teologicamente, diz respeito “à característica intrínseca de deus em que ele é absolutamente justo ou reto e é o padrão último de justiça e retidão” (Geisler, 2010, p. 829). O rei, atormentado pela insônia, decide ouvir histórias antigas na esperança de encontrar alívio. Durante a leitura, é surpreendido ao descobrir detalhes sobre um episódio crítico em que sua vida foi salva por um homem chamado Mardoqueu, que havia desmascarado uma conspiração contra ele.
 
3. Deus está no controle das sequências dos acontecimentos (Et 6.2).
Havia se passado cinco anos. Alguém poderia até perguntar: Será que Deus se esqueceu? Em meio ao caos e à incerteza, o cristão pode confiar como diz o salmista: “Meu futuro está seguro em tuas mãos” (Sl 31.15). Pode parecer injusto ver os ímpios prosperarem enquanto os justos enfrentam dificuldades, mas devemos lembrar que Deus age conforme sua própria vontade. Outro exemplo é josé que depois de fazer amizade com o copeiro do faraó, José pensou que isso resultaria em sua libertação da prisão, mas teve de esperar dois anos até que chegasse o tempo escolhido por deus para ele tornar-se o segundo no poder no Egito (Gn 40.23-41.1) (Wiersbe, 2010, p.718). como diz salmo 37:7: “Descansa no Senhor e espera por ele; não te irrites por causa daquele que prospera em seu caminho”. Deus é paciente com os perversos, esperando que se arrependam, e também é cuidadoso com seu povo, garantindo que recebam a recompensa adequada no momento certo (2Pe 3.9; Rm 8.28). Lembremo-nos: Deus não precisa de relógio.
 
4. Deus agiu no controle dos acontecimentos na vida do seu povo (Et 6.3).
Quem iria salvar a vida do rei da próxima vez se não houvesse certeza de uma recompensa? Podemos imaginar o rei Assuero levantando-se rapidamente da cama, como sempre fazia. Ao amanhecer, ele sai apressado do palácio, seguido por seus servos. Havia algo errado que precisava ser corrigido imediatamente. Mas o rei não sabia o que fazer sem seus conselheiros, que sempre o orientavam. Ele pergunta aos servos: “Quem está no pátio?” (Et 6.4), ou seja, quem dos meus conselheiros está disponível para me ajudar?
 
5. Na hora certa e no lugar certo (Et 6.4).
É possível que Hamã tivesse passado a noite em claro, supervisionando com gosto a construção da forca onde planejava executar Mordecai. Era bem cedo, mas Hamã desejava encontrar-se com o rei o mais rápido possível e obter sua permissão para a execução (Pv 6.18). Do ponto de vista da Hamã, quanto antes Mardoqueu fosse executado, melhor. O corpo de Mardoqueu ficaria exposto o dia todo, o que daria grande prazer a Hamã e também instilaria o medo no coração dos cidadãos judeus de Susã. Imagine se Hamã tivesse chegado duas horas depois? O rei teria consultado outros conselheiros e ele teria sido deixado de fora da celebração de Mardoqueu. Deus queria que Hamã passasse o dia honrando Mardoqueu e não exultando em sua malignidade ao ver o corpo de Mardoqueu na forca. Na verdade, Deus estava advertindo Hamã de que seria melhor mudar seu curso de ação ou acabaria sendo destruído (Wiersbe, 2010, p. 719).
 
 
III. DEUS SEMPRE HONRA SEUS SERVOS
Normalmente, a essa hora da manhã, o pátio estaria vazio (Et 6.5,6). No entanto, a providência divina fez com que Hamã estivesse lá, apesar da hora cedo. Ele não estava lá por acaso; Hamã havia vindo para pedir ao rei que enforcasse Mardoqueu na forca que já havia sido preparada, na esperança de aproveitar o resto do dia sem preocupações. Como está escrito em Provérbios 16.9: “O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos”.
 
1. Hamã não conseguia ter felicidade mesmo tendo glória (Et 6.5).
Hamã, cheio de orgulho, não sabia que seu dia acabaria de forma oposta ao que ele esperava. Em vez de enforcar Mardoqueu, ele seria forçado a honrar-lo publicamente. O banquete de Ester revelaria Hamã como traidor, e ele mesmo acabaria na forca. Como diz em Provérbios 11.8: “O justo é libertado da angústia, e o perverso a recebe em seu lugar”. Podemos lembrar ainda de Provérbios 18.12: “Antes da ruína, gaba-se o coração do homem, mas a humildade vem antes da honra”. A Bíblia ensina que: “A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra”.
 
2. Uma pergunta simples e uma resposta cheia de soberba (Et 6.5-7).
A soberba é o encurvamento do homem a si mesmo. Soberbo no grego é “huperephanos” que significa: “mostrar-se a si mesmo acima dos outros” formada de “huper” que é “muito acima de” e da expressão “phainomai” que é “aparecer, ser manifesto”, embora muitas vezes denote “preeminente”, sempre é usado no nt no mau sentido de “arrogante, desonesto, orgulhoso, altivo, soberbo” (Lc 1.51; Rm 1.30; 2Tm 3.2; Tg 4.6; 1Pe 5.5) (Vine, 2002, p. 996). O orgulho é um pecado abominável diante de Deus (Pv 21.4; 6.16). Quando o rei faz a pergunta, em quem Hamã pensa imediatamente? E claro que em si mesmo. Hamã não perdeu tempo com formalidades ou elogios. Ele foi direto e objetivo em seu pedido, ignorando as habituais expressões de cortesia: “Se parece bem ao rei”, “Se eu achei favor aos olhos do rei”, e outras semelhantes. Hamã foi direto ao ponto e por isso tenhamos cuidado pois o orgulho engana os homens.
 
3. Deus frustra os planos dos inimigos (Et 6.8-9).
Hamã queria o trono para si e como segundo no poder no império, se alguma coisa acontece a Assuero, sem dúvida Hamã estaria na melhor posição de tomar o lugar do rei. Um homem orgulhoso, com ambições egoístas, não se contenta com o segundo lugar se existe algum modo de conseguir o primeiro. O que o orgulhoso Hamã não sabia era que, antes de o dia terminar, a situação teria sido completamente invertida (Wiersbe, 2010, p. 720).
 
4. O livramento de Deus veio dos labios de Hamã (Et 6.10-14).
As palavras que Hamã teve de proclamar devem ter parecido areia em sua boca. As coisas se inverteram para Hamã, todavia, melhoraram para Mardoqueu. Sentado no cavalo, com as vestes reais, ele era o homem mais surpreso do reino. Mardoqueu não era orgulhoso, nem vingativo, ele não ficou sussurrando: “Fale um pouco mais alto. Sofra, Hamã!” Segundo o que está escrito, Mardoqueu não abriu a boca (Swindoll, 2010, p. 145). Enquanto os inimigos tramam seus planos, Deus observa e ri, pois, como diz Salmos 2.4 “O Senhor se ri deles; o Senhor zomba deles”. É impossível observar o plano frustrado de Hamã contra Mardoqueu sem abrir um sorriso no final da história.
 
 
CONCLUSÃO
Ao concluirmos está lição sobre a história de Hamã e Mordecai, é evidente que a narrativa não é apenas uma crônica de traição e justiça, mas um poderoso testemunho da soberania de Deus sobre os planos humanos. Hamã, com seu orgulho e ambição desmedidos, arquitetou um plano para humilhar Mordecai e aniquilar o povo judeu. No entanto, Deus, que observa e dirige os eventos conforme Sua vontade, transformou a trama de Hamã em um cenário de humilhação para ele e exaltação para Mordecai.
       
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
Ø  HUBBARD JR, Robert L. Comentário do Antigo Testamento. CULTURA CRISTÃ.
Ø  NETO, Emilio Garofalo. Ester na Casa da Pérsia. FIEL.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo do Antigo Testamento. GEOGRÁFICA.
Ø  (Swindoll, Charles R. Ester: uma mulher de sensibilidade e coragem. MUNDO CRISTÃO.   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.



 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

LIÇÃO 10 – O PLANO DE LIVRAMENTO E O PAPEL DE ESTER






Et 4.5-17; 5.1-3,7,8
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos a definição da palavra “livramento”; pontuaremos o momento histórico em que este povo se viu diante de um possível massacre promovido por um dos seus inimigos por meio de um projeto antissemita de Hamã para destruição dos judeus; estudaremos qual a reação da rainha Ester e de seu pai adotivo Mardoqueu diante do antissemitismo de Hamã; verificaremos a reação do povo judeu diante do antissemitismo de Hamã; e por fim, pontuaremos a resposta de Deus para proteger o seu povo.
 
 
I. DEFININDO A PALAVRA LIVRAMENTO
1. Definição da palavra livramento.
Os escritores sagrados empregam várias palavras que fazem referência ao conceito geral de “livramento” ou “salvação”, seja no sentido natural, jurídico ou espiritual. O enfoque recai em dois verbos: “natsal” e “yasha”. O termo “natsal” primeiro ocorre 212 vezes, mais frequentemente com o significado de “livrar” ou “libertar” (Êx 3.8; 2Cr 32.17). A raiz da palavra “yasha” ocorre 354 vezes, sendo a maior concentração nos Salmos onde aparece 136 vezes e nos livros proféticos 100 vezes. A palavra “yasha” também pode significar: “salvar, livrar, conceder vitória ou ajudar” (Horton, 2023, p.336).
 
 
II. O PROJETO ANTISSEMITA DE HAMÃ PARA DESTRUIÇÃO DOS JUDEUS
1. A nomeação de Hamã.
O livro de Rute nos informa que Assuero engrandeceu a um homem chamado Hamã (Et 3.1). Segundo Beacon (2008, p. 550): “Hamã foi elevado à posição de primeiro-ministro. Esta posição lhe trouxe a maior condição entre os príncipes da corte persa, e tornou-se o segundo abaixo do rei em poder. De acordo com a ordem do monarca, segundo o costume dos governos orientais antigos, as princesas e nobres, assim como o povo em geral, todos precisavam inclinar-se perante o grão-vizir quando ele passava pelo palácio e pelas ruas de Susã”. De fato, todos os servos do rei se inclinavam diante de Hamã, no entanto, Mardoqueu o judeu, descumpria esta ordem (Et 3.2). Josefo (2004, p. 503) diz que: “Mardoqueu era o único que não lhe prestava essa homenagem, porque a lei de Deus o proibia”. Talvez uma alusão ao Decálogo, que condenava a adoração a qualquer coisa em lugar de Deus (Êx 20.3-6; Dt 5.7-10).
 
2. O ódio de Hamã.
Ao ver que Mardoqueu não se prostava diante de si, contrariando a ordenação real, Hamã encheu-se de furor (Et 3.5,6). Sua atitude em seguida deste sentimento foi de executar Mardoqueu e, também, todo o povo judeu a quem ele pertencia. O registro bíblico nos diz que Hamã se tornou adversário dos judeus (Et 3.10).
 
3. O decreto de Hamã.
Para levar adiante o seu plano de provocar um genocídio dos judeus (Et 3.7-15), Hamã, que tinha acesso direto ao rei, lhe propôs exterminar e saquear os bens de um povo que segundo ele tinha leis e costumes diferentes dos povos que estavam sob o domínio de Assuero (Et 3.8). Além de Hamã estar propondo varrer do reino um povo “insubmisso ao rei”, prometeu-lhe também que pagaria ao rei por esta prestação de serviço (Et 3.9). Ao que o rei consentiu, colocando-lhe na mão o seu anel com o qual o decreto poderia ser assinado (Et 3.10). O decreto de morte então foi assinado, para ser colocado em prática no dia 13 do mês de Adar, segundo consultou os seus deuses (Et 3.7,12-14).
 
 
III. REAÇÃO DA RAINHA ESTER E DE MARDOQUEU DIANTE DO ANTISSEMITISMO DE HAMÃ
1. A reação da rainha Ester diante do perigo.
Uma das virtudes mais admiráveis de Ester é a sua sabedoria diante das situações mais difíceis de sua vida. Ela nos ensina a não entrar em desespero por conta das adversidades e problemas, como também nos mostra que não devemos agir por impulso ou sem pensar nas consequências. A conduta de Ester nos faz ver que Mardoqueu a educou nos caminhos do Senhor. Vejamos algumas atitudes da rainha Ester: 
  • A rainha Ester convocou um Jejum (Et 4.16);
  • A rainha Ester prudentemente apresentou-se ao rei Assuero (Et 5.1);
  • A rainha Ester sabiamente oferece um banquete ao rei Assuero (Et 5. 4,8);
  • A rainha Ester no momento certo denunciou Hamã (Et 7.6).
 
2. A reação de Mardoqueu diante do perigo.
Mardoqueu, mesmo vivendo em terra estranha, entendia que Deus é fiel no cumprimento de todas as suas alianças e promessas. Certamente, Mardoqueu era conhecedor da aliança existente entre Abraão e o Senhor. Mardoqueu percebeu que o povo judeu corria o risco de ser exterminado e que ele e Ester poderiam fazer alguma coisa para que não acontecesse tal tragédia. 
  • Mardoqueu humilhou-se diante de Deus (Et 4.1);
  • Mardoqueu estrategicamente foi para a porta do Rei (Et 4.2);
  • Mardoqueu sabiamente enviou uma cópia do edito real para a rainha Ester (Et 4.8);
  • Mardoqueu confiou no livramento de Deus para os Judeus (Et 4.14).
 
IV. A REAÇÃO DO POVO JUDEU DIANTE DO ANTISSEMITISMO DE HAMÃ
Depois que o edito real assinado por Hamã começou a ganhar notoriedade, a cidade de Susã “estava confusa” (Et 3.15). Mardoqueu e os judeus que estavam na Pérsia, resolveram agir (Et 4.3). Vejamos quais foram as suas atitudes do povo:
 
1. O povo orou (Et 4.1-3).
Diante da ameaça iminente, os judeus se puseram a orar. Mardoqueu foi o primeiro (Et 4.1). Todo o povo começou a clamar também (Et 4.3). A oração é uma prece dirigida pelo homem ao seu Criador, com o objetivo de adorá-Lo, pedir-lhe perdão pelas faltas cometidas, agradecer-lhe pelos favores recebidos, buscar proteção e, acima de tudo, uma comunhão mais íntima com Ele. Essa atividade é descrita como: invocar a Deus (Sl 17.6); invocar o nome do Senhor (Gn 4.26); clamar ao Senhor (Sl 3.4); levantar nossa alma ao Senhor (Sl 25.1). Este deve ser o primeiro e não o último recurso utilizado pelo crente em todo tempo e principalmente diante das dificuldades (Sl 4.1; 18.6; 77.2; 91.15).
 
2. O povo se quebrantou (Et 4.1-3).
Além de os judeus orarem, o registro sagrado diz de que forma eles oraram: “e em todas as províncias aonde a palavra do rei e a sua lei chegava, havia entre os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação; e muitos estavam deitados em saco e em cinza” (Et 4.3). Segundo Champlin (2004, p. 620), “o ato de rasgar as próprias vestes era uma maneira comum e simbólica de exprimir alguma emoção forte, como ira, tristeza ou consternação”. O que Deus requer de cada um de nós é um espírito quebrantado (II Cr 7.14; Sl 34.18; 51.17; Is 57.15).
 
3. O povo jejuou (Et 4.15-17).
Ester ficou sabendo por meio dos seus servos que o seu parente Mardoqueu estava a porta do rei clamando por misericórdia, mandou procurar saber do próprio Mardoqueu o porquê daquela atitude (Et 4.4-7). Ele deu a ela uma cópia do decreto assinado de morte assinado pelo rei e mandou dizer-lhe que como era a rainha e estava no palácio, deveria comparecer diante do rei para suplicar em favor do seu povo (Et 4.7-9). Ester sabia que não podia comparecer ante o rei sem ser chamada (Et 4.11). Diante desta dificuldade, Ester propôs que junto com ela os demais judeus recorressem a Deus em jejum para que Ele pudesse intervir nesse caso (Et 4.10-16). O jejum é a abstinência parcial ou total de alimentos com finalidades específicas. Prática comum entre os judeus em ocasiões específicas, sendo a principal delas os momentos de aflição (II Cr 20.3; Dn 9.3; Jl 1.1-14).
 
 
V. A RESPOSTA DE DEUS PARA PROTEGER O SEU POVO ANTISSEMITISMO DE HAMÃ
O livro de Ester descreve a soberania e o cuidado de Deus para com o seu povo. Ele relata o grande livramento dado por Deus ao povo judeu na Pérsia. Embora o nome de Deus não seja mencionado no livro, cada página está cheia dEle. Mattew Henry (2010, p. 845), diz: “Ainda que o nome de Deus não se encontre nele, o mesmo não se pode dizer da sua mão, guiando minuciosamente os fatos que culminaram na libertação de seu povo”. Vejamos como Deus agiu para livrar o seu povo:
 
1. Deus agiu previamente.
O livro de Ester nos mostra Deus agindo antes que o mal se levantasse sobre o seu povo, por exemplo: a) a nomeação de Ester a rainha (Et 2.17), se deu antes da nomeação de Hamã para primeiro-ministro (Et 3.1); b) a recompensa pelo livramento que Mardoqueu deu ao rei Assuero (Et 2.21-23), somente aconteceu na ocasião que Hamã intentava lhe pendurar numa forca. Deus fez que ao invés de morto, Mardoqueu fosse honrado pelo próprio opositor (Et 5.14; 6.1-12).
 
2. Deus agiu providencialmente.
O povo de Israel é a semente de Abraão, a qual Deus fez a seguinte promessa: “e abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3b). Portanto, pelejar contra a nação de Israel só resultará em desvantagem. Tal concepção foi assimilada pela própria mulher de Hamã, após ele ter chegado frustrado de sua tentativa de executar o judeu Mardoqueu (Et 6.13). Embora Satanás tente através de governantes e nações aniquilar a semente abraâmica jamais conseguirá (Zc 14.1-15). Mardoqueu estava convicto de que Deus providenciaria livramento de uma forma ou de outra (Et 4.14).
 
3. Deus agiu sabiamente.
Por certo, Deus orientou a Ester que junto com os judeus orassem e jejuassem por três dias, para que no terceiro dia, mesmo sem ser chamada, ela comparecesse diante do trono real arriscando a sua própria vida (Et 4.11-16). No terceiro dia, Ester corajosamente compareceu diante do rei, o qual estendeu sobre ela o cetro dizendo que estava disposto a lhe conceder o que pedisse. Ester convidou o rei e Hamã para dois banquetes e neste a rainha revelou o propósito de Hamã de destruição de todos os judeus, do qual povo ela também pertencia (Et 7.1-6). Na mesma hora, o rei também ficou sabendo que Hamã intentava enforcar Mardoqueu, o benfeitor do rei (Et 7.9). Diante disto, Assuero enfurecido mandou que Hamã fosse enforcado nela (Et 7.10). Quanto ao decreto real de destruição de todos os judeus, que foi assinado por Hamã com o anel do rei, que era irrevogável (Et 8.8), Deus sabiamente colocou no coração de Mardoqueu que assumiu o cargo de Hamã (Et 8.1,2), que se fizesse outro decreto dando aos judeus o direito de se defenderem (Et 8.9-12). O luto dos judeus terminou em alegria, pois Deus mudou-lhes a sorte (Et 8.16,17; 9.17-32).
 
 
CONCLUSÃO
O livro de Ester nos ensina que o povo de Deus não está a deriva neste mundo tenebroso. O Senhor, Deus único e verdadeiro intervém na história, de forma que, antes mesmo do mal ser planejado para prejudicar os seus servos, Ele dispõe previamente do livramento. Diante desta verdade, devemos descansar no cuidado providencial de Deus.
 


       
REFERÊNCIAS
Ø  GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø  HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.