sexta-feira, 15 de maio de 2026

LIÇÃO 7 – UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE

 




Gn 21.1-7
 
 

INTRODUÇÃO
Nessa lição teremos a oportunidade de refletir sobre a provação de Deus na experiência do patriarca Abraão, compreender que o sacrifício exigido por Deus, era para demonstra tanto a soberania de Deus, como fazer Abraão compreender que o amor a Deus nunca pode ser substituído por suas bençãos. Abraão nos ensina como encarar e tratar as provas de nossa vida para a glória de Deus.

 
I. PROVAÇÃO DIVINA NA VIDA DE ABRAÃO
A despeito de sua comunhão com Deus, o patriarca Abraão passou por uma experiência nunca antes vivida. Nessa passagem bíblica, encontramos o pai da fé sendo provado. Deus fez um teste com Abraão, não para fazê-lo tropeçar e assistir a sua queda, mas para aprofundar sua capacidade de obedecer a Deus e verdadeiramente desenvolver seu caráter.
 
1. Definição de provação.
Segundo o Aurélio (2004, p. 1649) o termo prova significa: “Aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa”. No hebraico o termo é “nasah” que significa: “testar, tentar, provar, examinar, pôr a prova, fazer uma tentativa”. Na maioria dos contextos a palavra “nasah” tem a ideia de testar ou provar a qualidade de algo ou alguém, às vezes por meio de adversidades ou dificuldades. A tradução “tentar” em geral significa “provar”, “testar”, “pôr a prova”, e não no sentido que a palavra também admite de “atrair para cometer erro” (Harris, et all, 1998, p. 1373 – grifo nosso).
 
2. Diferenças entre provação e tentação.
E aconteceu depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão” (Gn 22.1). A expressão “tentou” no hebraico “nasah” aparece aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento e de forma frequente se refere a Deus testando a fé e a fidelidade de seres humanos, incluindo Abraão (Gn 22.1); a nação de Israel (Êx 15.25; 16.4; 20.20; Dt 8.2,16; 13.3; Jz 2.22; 3.1,4); Ezequias (2Cr 32.31); e Davi (Sl 26.2) (PALAVRA-CHAVE, 2011, p. 800). Embora, a ideia de testar ou pôr a prova, sugere algumas vezes tentar ou atrair alguém ao pecado, dependendo do contexto. Abaixo destacaremos a diferença entre provação e tentação:
 
A) A tentação tem um aspecto negativo.
No aspecto negativo, a tentação é totalmente diferente da provação. Enquanto àquela visa o aperfeiçoamento e o crescimento do crente, esta visa a queda, destruição e o afastamento de Deus. É importante lembrar que este tipo de tentação jamais tem origem em Deus, mas no diabo que incita a concupiscência do homem (Gn 3.1,6; 1Cr 21.1; Tg 1.13; 2Pe 2.9). Quando o desejo do mal se levanta na mente, não pára aí. A cobiça dá à luz o pecado, e o pecado produz a morte “a morte é assim o produto amadurecido ou terminado do pecado” (Moffatt, apud Moody, sd, p. 7).
 
B) A provação tem um aspecto positivo.
A provação é o “sofrimento, angústia ou tribulação que tem por objetivo levar o crente a uma experiência mais profunda com Deus. A provação nas Escrituras, também é vista como aquilo que atesta a veracidade de algo. É o processo pelo qual se afere a legitimidade de uma intenção ou fato (Ml 3.10; At 1.3 Rm 5.8; 1 Jo 4.1)” (Andrade, 2006, p.307). Na “escola da fé”, precisamos, regularmente, passar por provas. De outro modo, jamais ficaremos sabendo onde nos encontramos em termos espirituais.


II. PROPÓSITOS DE DEUS NA PROVAÇÃO DE ABRAÃO
A ordem para que oferecesse o seu filho em sacrifício dá-se em uma linguagem que faz com que a prova seja ainda mais penosa; aqui, cada palavra é uma espada. Assim como o fogo refina o minério para extrair metais preciosos, Deus nos refina através das circunstâncias difíceis. O sacrifício exigido por Deus, tinha consigo o objetivo de fazer Abraão aprender lições espirituais. O Senhor estava querendo aperfeiçoar quatro virtudes que Abraão já possuía, vejamos quais foram:
 
1. Deus provou o seu amor (Gn 22.2).
Não restam dúvidas de que Abraão amava a Deus, pois ele é chamado de seu amigo (2Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23). Todavia, este amor precisava ser aperfeiçoado mediante as provações. Esse pedido exigiu muito de Abraão pelos seguintes motivos: a) Isaque era o seu filho “toma agora o teu filho”, abrir mão de Ismael foi menos difícil (Gn 21.9-14); b) o seu único filho “o teu único filho, Isaque”; c) que ele devotava grande afeição “a quem amas”; d) por quem esperou vinte e cinco anos (Gn 12.2,4; 21.5); e) este filho seria seu sucessor e herdeiro das promessas (Gn 15.4); f) Deus estava lhe pedindo em sacrifício “e oferece-o ali em holocausto”. Como servos do Senhor, devemos amá-lo acima de qualquer coisa (Dt 6.5; Mt 10.37,38; Mc 12.30).

2. Deus provou a sua obediência (Gn 22.2,3).
Por que Deus pediu que Abraão oferecesse sacrifício humano? As nações pagãs realizavam esta prática, mas Deus a condenava como um terrível pecado (Lv 20.1-5). Embora Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de Deus, obedeceu imediatamente. Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito entre a ordem de sacrificar Isaque e as promessas de perpetuar a aliança por meio dele. Todavia, preferiu obedecer à voz divina sem questionar (Gn 22.18). “Obedecer a Deus costuma ser uma luta porque pode significar abrir mão de algo que realmente desejamos” (APLICAÇÃO PESSOAL, 1995, p. 37).
 
3. Deus provou a sua fé (Gn 22.5-8).
Abraão tinha convicção que Deus lhe faria uma grande nação por meio de Isaque seu filho, como Deus mesmo havia prometido (Gn 12.2; 15.4,5). Para isto precisaria demonstrar essa confiança para si mesmo, estando disposto a sacrificar o seu filho, acreditando que de alguma forma, Deus interviria naquela situação (Gn 22.5). “Porque Abraão já conhecia a fidelidade de Deus, e mesmo o caráter terno, da personalidade de Deus e das promessas de Deus, ele estava confiante de que Deus cumpriria sua promessa, de uma forma ou de outra” (Copan, 2016, p. 51).
 
4. Deus provou a sua perseverança (Gn 22.9,10).
Abraão e Isaque viajaram aproximadamente 80 a 100 km de Berseba até o monte Moriá, durante cerca de três dias (Gn 22.3,4). Este foi um momento difícil para Abraão, que estava a caminho de sacrificar o filho amado, Isaque. Sua perseverança estava sendo submetida à prova de obedecer até as últimas consequências. O Senhor o deixou subir ao monte, edificar o altar, pôr a lenha, colocar Isaque sobre o altar, levantar o cutelo e somente na hora final, no limite da perseverança, o Senhor apareceu para intervir (Gn 22.6-13).


III. A PROVISÃO DE DEUS NA PROVAÇÃO
Deus por meio dessa circunstância mostra-nos alguns de seus atributos, pelos quais ficará conhecido não só a Abraão como também aos seus descendentes. Vejamos quais atributos de Deus podem ser vistos no monte do sacrifício:
 
1. O Deus da provisão.
Quando interrogado pelo seu filho Isaque, sobre a falta da vítima para o holocausto, Abraão respondeu “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho” (Gn 22.8). Providência: “É a resolução prévia tomada por Deus, visando a consecução de seus planos e decretos, a preservação de quanto Ele criou e a salvação” (Andrade, 2006, p. 307). Deus revela-se na história como o Deus da providência, nos levando a crer em sua intervenção por mais difícil que seja a provação. “E chamou Abraão o nome daquele lugar: o Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se proverá” (Gn 22.14). A declaração: “No monte do Senhor se proverá” nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão do Senhor: a) é preciso adorar a Deus mesmo tendo falta de alguma coisa (Gn 22.5; Hc 3.17,18); b) devemos estar no altar como Abraão, senão não obteremos a sua provisão (Gn 22.9; Jr 33.3; Mt 6.6); e, c) é preciso esperar, pois Deus só intervém no momento certo providenciando o necessário (Gn 22.10-13; Fp 4.6; 1Pe 5.7).
 
2. O Deus todo poderoso.
Deus já tinha se declarado a Abraão como o Todo poderoso (Gn 17.1). Diante dessa experiência anterior, Abraão se mantém firme diante de um novo desafio, pois tinha a fé para crer que o Onipotente providenciaria o necessário à sua maneira e na hora exata como disse o escritor aos hebreus (Hb 11.17,18).
 
3. O Deus gracioso.
No hebraico “Jeová Jiré”, é uma expressão profética da providência divina de um sacrifício substituto, o carneiro (v. 13) (Stamps, 2012, p. 64). Moriá derivada da palavra hebraica “raah”, “fornecer, ver, mostrar”. Assim na própria palavra Moriá “provisão”, temos uma sugestão de salvação e libertação” (Copan, 2016, p. 52). Ao substituir Isaque por um cordeiro, Deus está proclamando sua graça que seria revelada de maneira plena por meio de seu Filho, que é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Profeticamente Cristo é visto por Abraão no momento da provisão (Jo 8.56). Isaque não chegou a morrer, mas, “figuradamente” (Hb 11.19); morreu e foi ressurreto dentre os mortos. Jesus, porém, morreu de fato e foi sepultado, mas foi ressurreto de modo triunfante, consumando a maior de todas as provisões, o perdão dos pecados.


IV. A MORTE DE SARA
Depois de contemplar a fidelidade de Deus no monte da provisão, a narrativa bíblica nos conduz agora a um momento de profunda dor na vida de Abraão. O patriarca que venceu a prova da entrega de Isaque precisaria também enfrentar o sofrimento silencioso da perda de Sara.
 
1. A realidade da morte na experiência humana (Gn 23.1,2).
Depois de experimentar uma das maiores vitórias de sua fé no monte Moriá, Abraão agora enfrenta uma das dores mais profundas de sua caminhada: a morte de Sara. O texto bíblico diz: “E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos [...] e morreu Sara em Quiriate-Arba” (Gn 23.1,2). A Escritura mostra que até os homens e mulheres mais piedosos não estão isentos das dores da existência humana. Gênesis constantemente revela a fragilidade da vida humana mesmo em meio às promessas divinas, mostrando que os patriarcas viviam sustentados pela esperança e não pela ausência do sofrimento. Abraão “veio para prantear Sara e chorá-la” (Gn 23.2), demonstrando que a fé não elimina os sentimentos humanos.

2. Abraão demonstrou fé mesmo em meio ao luto (Gn 23.3-9).
Mesmo profundamente entristecido, Abraão não se entregou ao desespero, mas levantou-se para agir com dignidade e esperança. Ele comprou a caverna de Macpela para sepultar Sara (Gn 23.16-20), demonstrando que continuava crendo nas promessas de Deus acerca da terra de Canaã. O patriarca compreendia que aquela terra pertencia ao plano divino para sua descendência. Os homens de fé são moldados justamente nos momentos de transição, dor e incerteza, aprendendo a confiar em Deus mesmo quando não conseguem compreender completamente os caminhos divinos.
 
3. A esperança das promessas divinas permanece acima da morte.
A morte de Sara não representou o fim da aliança de Deus com Abraão. Embora a matriarca tivesse partido, a promessa continuava viva através de Isaque, o filho da promessa (Gn 21.12). O texto bíblico mostra que os patriarcas viviam olhando para algo maior do que esta vida terrena, pois “esperavam a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.10). Sara morreu, mas a promessa não morreu com ela. Isso aponta profeticamente para Cristo, em quem a morte foi vencida definitivamente (1Co 15.54-57). O Deus que sustentou Abraão no luto continua sustentando os seus servos hoje, mostrando que nenhuma perda é capaz de anular aquilo que Ele prometeu.
 
 
CONCLUSÃO
Aprendamos com Abraão que a provisão de Deus é garantida para os que nele confiam sem reservas, obedecendo mesmo nas provas mais difíceis, como no sacrifício de Isaque. E aprendamos também, através da morte de Sara, que a fidelidade do Senhor permanece firme mesmo nos momentos de dor e perda. Assim, o casal patriarcal nos ensina que viver pela fé é confiar em Deus tanto nos altares da entrega quanto nos vales do sofrimento.




REFERÊNCIAS
Ø  COPAN, Paul. Deus é um monstro moral? SAL CULTURAL.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Biblico de Gênesis. Pdf.
Ø  KIDNER, Derek. Gênesis: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1979.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





LIÇÃO 7 - A FALÁCIA DA TEORIA DARWINIANA


Vídeo Aula - Pastor Eduardo
 




LIÇÃO 7 - UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Elinaldo

 



terça-feira, 12 de maio de 2026

LIÇÃO 7 - UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 



QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






ENTRE A VERDADE E O ENGANO
Combatendo Ideologias e Ensinos que se
Opõem à Palavra de Deus.









Lição 6
Hora da Revisão

A respeito de “A Falácia do Humanismo”, responda:
 
 
1. O que o Humanismo proclama?
O Humanismo proclama que o homem pode, por si só, alcançar paz, progresso e bem-estar, acreditando que o avanço da ciência, da tecnologia e da educação poderá resolver todos os males da humanidade, sem precisar recorrer ao Criador.
 
2. Em quem está a verdadeira sabedoria?
A verdadeira sabedoria está em Cristo.
 
3. Em que o pecado introduziu uma ruptura?
O pecado introduziu uma ruptura na relação do homem com Deus, consigo mesmo e com o próximo.
 
4. Em que está o sentido da vida?
A Bíblia mostra que o sentido da vida está em conhecer a Deus (Jo 17.3).
 
5. Como a Igreja deve responder ao avanço do Humanismo?
Em face ao avanço do Humanismo, a Igreja não pode se calar. A nossa missão é proclamar que o homem não é o centro do universo, mas que sua verdadeira grandeza está em ser amado por Deus e reconciliado com Ele por meio de Jesus (Rm 11.36).

 


QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






HOMENS DOS QUAIS O
MUNDO NÃO ERA DIGNO -
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó.









Lição 6
Revisando o Conteúdo

A respeito de O Nascimento de Isaque” responda:          
 
 
1. Quem escolheu o nome de Isaque e qual o seu significado?
Foi Deus quem escolheu esse nome (Gn 17.19). Isaque, no hebraico, significa “riso”.
 
2. De acordo com a lição, qual foi a segunda providência de Abraão depois do nascimento de Isaque?
A segunda providência de Abraão foi circuncidar Isaque.
 
3. O que fez Abraão para comemorar o desmame de Isaque?
Abraão fez um grande banquete.
 
4. O que Abraão ofereceu a Agar antes de ela e seu filho deixarem a sua casa?
Ele tomou pão e um odre de água.
 
5. Para onde foi Agar e Ismael ao saírem da casa de Abraão?
Foram para o deserto de Parã (Gn 21.17-21).
 



sábado, 9 de maio de 2026

LIÇÃO 6 – O NASCIMENTO DE ISAQUE






Gn 21.1-7
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos um momento importante da vida de Abraão e Sara. Veremos como, por causa da impaciência, eles tomaram decisões que trouxeram consequências difíceis para a família. Aprenderemos como Abraão enfrentou a dolorosa tarefa de despedir Agar e seu filho Ismael, para que o plano de Deus continuasse se cumprindo. E, por fim, entenderemos como Deus cuidou de Agar e Ismael no deserto, mostrando que Ele nunca abandona aqueles que dependem dele. 


I. AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE SARA
1. Do sorriso da incredulidade ao sorriso da confiança.
Antes do nascimento do filho da promessa, Deus fez um pacto muito importante com Abraão e seus descendentes: a circuncisão (Gn 17.11). Essa marca mostrava que todos os que viessem da família de Abraão estariam incluídos na aliança que Deus estava estabelecendo. Logo depois disso, o Senhor revelou a Abraão o nome do filho que ainda nasceria: Isaque, que significa “riso” ou “ele ri”, lembrando o riso de Abraão (Gn 17.17) e também o riso de Sara (Gn 18.12), ao receberem mais uma vez a renovação da promessa. Ambos riram porque, humanamente falando, não viam mais como poderiam ter um filho naquela idade. Mas Deus mostrou que nada é impossível para Ele, porquanto no momento certo o riso de incredulidade deu lugar ao sorriso de alegria e confiança nas promessas de Deus (Gn 21.1-6). Deus não brinca de “fazer promessas”, pois isto não faz parte de sua natureza (Nm 23.19). A Bíblia mostra que o Senhor vela por Sua Palavra para a cumprir (Jr 1.12). O tempo de Deus pode parecer demorado aos olhos humanos, mas Ele jamais chega atrasado (Hc 2.3). Sara precisou aprender que “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). O nascimento de Isaque tornou-se prova viva de que o Senhor transforma impossibilidades em milagres (Rm 4.19-21; Hb 10.23). 

2. Uma casa dividida entre a alegria da promessa e a tristeza da precipitação.
O texto de Gênesis 21.8-9 mostra duas realidades dentro do mesmo lar. De um lado, Isaque estava crescendo e se desenvolvendo, trazendo alegria por ser o filho da promessa. Do outro lado, Ismael começou a zombar de seu irmão mais novo, revelando um clima de tensão na família. Era natural existir alguma diferença entre eles, afinal, estavam em fases diferentes da vida e cada pessoa tem sua própria personalidade. Divergências entre irmãos fazem parte da convivência familiar. Contudo, a verdadeira insatisfação começou no coração de Sara, que era também considerada mãe legal de Ismael, já que ele havia nascido de sua serva Agar. Certamente durante muitos anos Ismael foi o consolo de Sara, porquanto não tinha filhos, porém nem isto foi levado em consideração. O ambiente familiar dividido mostra como escolhas fora da direção de Deus podem trazer dificuldades dentro do próprio lar. Todos estamos sujeitos às imponderações, todavia devemos buscar em Deus maturidade e longanimidade a fim de não caminharmos por veredas duvidosas, porquanto isto é reprovável aos olhos do Senhor (Pv 14.29; 13.16). As decisões precipitadas frequentemente geram conflitos prolongados (Ec 7.8). A Palavra de Deus nos orienta a não agir movidos apenas pelas emoções (Pv 3.5-6). A precipitação de Abraão e Sara trouxe dores que atravessaram gerações. A família somente permanece firme quando edificada pelo Senhor (Sl 127.1). Quando deixamos de esperar o agir divino e tentamos “ajudar Deus”, acabamos colhendo consequências difíceis (Gl 6.7).  

3. Tratando os conflitos com responsabilidade e piedade.
Por não saber como agir diante do conflito dentro de sua casa, Sara buscou uma solução imediata e sugeriu que Ismael e sua mãe, Agar, fossem despedidos. Abraão, porém, amava seu filho Ismael, e não tomou uma decisão precipitada (Gn 21.11). Ele esperou a orientação de Deus sobre a situação. Alguns problemas realmente são difíceis de resolver. E, nesses momentos, é importante perguntar: “O que Jesus faria no meu lugar?” O pregador lembra que a “sabedoria é proveitosa para orientar o caminho” (Ec 10.10). Isso nos mostra que nem sempre a melhor solução aparece rapidamente ou pode ser calculada pela nossa própria lógica. O cristão não deve ser guiado exclusivamente por seus pensamentos, sentimentos ou impulsos naturais. Ele é conduzido, acima de tudo, pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus (Sl 119.105). A prudência evita muitos sofrimentos (Pv 15.22). O homem sábio ouve conselhos e busca direção no Senhor antes de agir (Tg 1.5). Em momentos de tensão, Deus deseja que Seus servos demonstrem domínio próprio, mansidão e equilíbrio espiritual (Gl 5.22-23). A Palavra do Senhor também nos orienta a buscar a paz sempre que possível (Rm 12.18). Conflitos não devem ser resolvidos na força humana, mas à luz da vontade de Deus.
 
 
II. ABRAÃO TEM QUE TOMAR UMA ATITUDE
1. A sabedoria evita favoritismos.
O banquete oferecido por Abraão para celebrar o desenvolvimento de Isaque revela gratidão pela dádiva que Deus lhe concedeu. No entanto, é importante observar que essa mesma celebração não foi realizada para Ismael, o que pode ter despertado sentimentos de ciúme no jovem. É claro que não negamos que Isaque era, de fato, o filho da promessa, escolhido por Deus para dar continuidade ao plano divino. Porém, também é verdade que Ismael não pediu para ser filho de Abraão. Ele nasceu em circunstâncias marcadas por decisões precipitadas e humanas, e não por sua própria escolha. Quando alguém demonstra favoritismo de forma aberta e visível, especialmente em ciclos que envolvem diversas pessoas, isso pode gerar mágoas, conflitos e divisões. Deus tinha propósitos soberanos, mas isto não anulava a responsabilidade de Abraão para agir com sabedoria, justiça e sensibilidade com o filho da escrava. A Bíblia condena a parcialidade e o favoritismo (Tg 2.1-4). Pais sábios devem tratar seus filhos com equilíbrio e amor, evitando comparações destrutivas (Ef 6.4). O exemplo de Jacó favorecendo José também produziu divisões familiares profundas (Gn 37.3-4). Deus é imparcial em Seu julgamento (At 10.34), e deseja que Seus servos pratiquem justiça e misericórdia em seus relacionamentos.

2. Ismael, um símbolo da natureza humana.
Assim como Isaque e Ismael viviam em condições completamente opostas dentro da casa de Abraão, também a nossa natureza espiritual se opõe à nossa natureza carnal, e vice-versa. O apóstolo Paulo usa esses dois personagens como uma ilustração espiritual para ensinar que existe um conflito constante entre o que nasce do Espírito e o que nasce da carne. Em Gálatas 4.22–31, Paulo explica que Isaque representa o filho da promessa, aquilo que Deus gera em nós; enquanto Ismael representa aquilo que nasce do esforço humano, das decisões precipitadas e carnais. A mensagem é clara: quando agimos por conta própria, sem direção divina, precisamos suportar as consequências do que produzimos, sejam elas boas ou ruins. A carne e o Espírito travam uma batalha constante no interior do cristão (Gl 5.17). Aqueles que vivem segundo a carne não conseguem agradar a Deus (Rm 8.8). Já os que andam no Espírito produzem frutos espirituais agradáveis ao Senhor (Gl 5.22-25). Jesus ensinou que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). A vida cristã exige mortificação da velha natureza (Cl 3.5).
 
3. Um corte entre o relacionamento entre Abraão e Ismael.
Uma das decisões mais difíceis da vida cristã é aprender a desapegar-se das paixões e impulsos do nosso próprio coração. A Bíblia nos ensina que o ser humano, por si só, é inclinado a seguir seus desejos pessoais, e isso pode nos afastar do centro da vontade de Deus. O apóstolo Paulo reforça essa diferença entre o que é produzido pela carne e o que é produzido pelo Espírito. A Palavra de Deus ensina que “a carne milita contra o Espírito” (Gl 5.17) e interpreta o episódio de Ismael e Isaque como uma ilustração espiritual: “O que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito” (Gl 4.29). Despedir Ismael era equivalente a desapegar-se dos impulsos humanos, acreditar no tempo e na Palavra do Senhor. Seguir a Cristo exige renúncia diária (Lc 9.23). Muitas vezes Deus nos chama a abandonar aquilo que amamos para cumprir Seus propósitos maiores. Abraão precisou confiar que o Senhor cuidaria de Ismael e continuaria fiel à promessa feita a Isaque. A obediência genuína nem sempre é fácil, mas sempre produz crescimento espiritual (Dt 28.1-2). Os planos do Senhor são superiores aos nossos (Is 55.8-9).


III. AGAR E ISMAEL DEIXAM A CASA DE ABRAÃO
1. Uma decisão difícil, porém necessária.
A caminhada cristã nos mostra que não conseguimos cumprir a vontade de Deus buscando conforto ou evitando confrontos internos. A fé verdadeira envolve renúncia, disciplina e confiança no propósito divino. De certo modo, quando Abraão despede Ismael e Agar (Gn 21.14), ele estava abrindo mão de uma aparente segurança humana: a garantia de descendência por meio de Ismael. Não foi fácil, mas era necessário. A obediência incondicional de Abraão o tornou um dos maiores exemplos de fé e obediência nas Escrituras (Rm 4.17; Hb 11.8). Da mesma forma, todos que desejam ser bem-sucedidos espiritualmente e alcançar os propósitos divinos devem aprender a negar suas vontades, abrir mão de seguranças humanas e abraçar a vontade de Deus com confiança. Jesus ensinou que ninguém pode ser Seu discípulo sem disposição para renunciar (Lc 14.33). Muitas vezes Deus remove de nossa vida aquilo que se tornou obstáculo ao cumprimento de Seus planos. A obediência pode produzir lágrimas momentâneas, mas gera frutos eternos (Sl 126.5). O servo fiel aprende a confiar que a vontade de Deus é sempre boa, perfeita e agradável (Rm 12.2).
 
2. Um encontro marcante com Deus no deserto.
Depois de serem despedidos por Abraão, Agar e Ismael caminham errantes pelo deserto como não tendo uma direção. O que parecia rejeição se torna um processo de formação espiritual. Deus usa o ambiente difícil para trabalhar o caráter e a fé de Agar e Ismael. É no deserto que Deus forja os seus melhores guerreiros. Os testemunhos bíblicos deixam claro que outros homens também foram levados ao teste do deserto, inclusive o Filho de Deus (Êx 3.1; 1Sm 23.14; Mt 4.1). Embora seja lugar de escassez, o deserto também é palco do agir sobrenatural de Deus. Deus ouviu o choro do menino e abriu os olhos de Agar para ver a provisão (Gn 21.17-19). O deserto ensina verdades profundas para a vida cristã, especialmente sobre dependência de Deus (Mt 6.11), o valor de um clamor sincero (Sl 34.6), que Deus está pronto a atender nossas súplicas (Jr 33.3), e que o Senhor envia consolo em meio à dor. Foi no deserto que Israel aprendeu a depender do Senhor diariamente (Dt 8.2-3). Elias também experimentou o cuidado divino em meio ao isolamento (1Rs 19.4-8). Muitas vezes Deus permite períodos difíceis para fortalecer nossa fé e nos ensinar que Sua graça é suficiente (2Co 12.9). O deserto não é o fim; é um lugar de preparação para experiências maiores com Deus. 

3. A resposta de Deus ao clamor dos aflitos.
Despachados da casa de Abraão, Agar e Ismael logo se viram sozinhos no deserto. A água acabou rapidamente (Gn 21.15), e, desesperada, Agar afastou-se do filho porque pensava que ele não sobreviveria naquele lugar árido (Gn 21.16). Ismael, sentindo a morte se aproximar, clamou a Deus (Gn 21.17). E Deus ouviu sua voz: “Deus ouviu a voz do rapaz”, e respondeu imediatamente. Observe como Deus tratou daquele momento difícil: Deus acalmou Agar: a primeira palavra foi ao coração dela: “Não temas” (Gn 21.17). Antes de resolver o problema externo, Deus tratou do emocional. Deus pediu uma atitude: 
Ele ordenou: “Ergue-te, levanta o menino pela mão” (Gn 21.18). A fé não é passividade; envolve ações, mesmo em meio ao sofrimento. Deus renovou a promessa: o Senhor reafirmou que Ismael tinha um futuro: “dele farei uma grande nação” (Gn 21.18). Quando tudo parecia perdido, Deus lembrou que Seus planos não haviam terminado. Então o Senhor abriu os olhos de Agar, e ela viu um poço que já estava ali (Gn 21.19). A provisão de Deus estava mais perto do que ela pensava. Por fim, Deus fez o menino crescer no próprio deserto, o lugar onde eles acreditaram que ele morreria (Gn 21.20–21). O que parecia o fim tornou-se o início de uma nova história. Deus ainda transforma projetos falidos em obras completas. Amém! O Senhor continua atento ao clamor dos aflitos (Sl 145.18-19). Deus é socorro presente na angústia (Sl 46.1). Jesus declarou que os que choram serão consolados (Mt 5.4). Nenhuma lágrima passa despercebida diante do Senhor (Sl 56.8). Mesmo quando tudo parece perdido, Deus permanece trabalhando em favor daqueles que confiam nEle (Rm 8.28).
 
4. Deus transforma crises em novos começos.
A história de Agar e Ismael nos ensina que Deus não apenas consola em tempos difíceis, mas também transforma crises em oportunidades de recomeço. O deserto que parecia cenário de morte tornou-se lugar de sobrevivência, crescimento e cumprimento de promessa. Muitas vezes o crente imagina que chegou ao fim da caminhada, porém Deus ainda está escrevendo novos capítulos. O Senhor é especialista em restaurar vidas quebradas, renovar esperanças e abrir caminhos onde não existem possibilidades humanas (Is 43.19). José passou pela cova e pela prisão antes de alcançar o governo do Egito (Gn 50.20). Jó perdeu tudo, mas viu Deus restaurar sua história de forma ainda maior (Jó 42.10). O Senhor Jesus venceu a cruz e o sepulcro, transformando sofrimento em vitória eterna (Jo 16.33). Assim também acontece conosco: as crises não anulam os planos de Deus. Em Cristo, até os desertos podem se tornar lugares de crescimento, amadurecimento e esperança (Rm 5.3-5).


CONCLUSÃO
Esta lição nos mostrou de forma clara a fidelidade inabalável de Deus. Ele nunca falha em Suas promessas (Nm 23.19). Seus planos não dependem de esforços humanos para se cumprir; o Senhor age com soberania e perfeição. A nós cabe crer, confiar e esperar pelo tempo dEle, pois a fidelidade do Senhor permanece para sempre (Sl 100.5). 


 
 
REFERÊNCIAS
Ø  CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø  LINDSAY, Gordon. Abraão: o amigo de Deus. GRAÇA EDITORIAL.
Ø  SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. MUNDO CRISTÃO.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.