sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 8 – O DEUS ESPÍRITO SANTO






Jo 14.25-31
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a doutrina bíblica do Deus Espírito Santo, reconhecendo-o como uma Pessoa Divina, distinta do Pai e do Filho, porém coigual e coeterno com Eles. Observaremos à luz das Escrituras, que o Espírito Santo não é uma força impessoal, mas possui atributos Divinos e realiza obras que pertencem exclusivamente a Deus (At 5.3–4; 1Co 2.10–11). Por fim, analisaremos algumas doutrinas e interpretações equivocadas que negam ou distorcem a Divindade do Espírito Santo, refutando-as com base na revelação Bíblica (Mt 28.19; 2Co 13.13).
 
 
I. O ESPÍRITO SANTO: DIVINDADE, PESSOALIDADE E SÍMBOLOS
1. A Divindade do Espírito Santo.
Quanto à divindade do Espírito Santo, ressaltamos que as Sagradas Escrituras afirmam, de maneira clara e inequívoca, que Ele é Deus. Essa verdade é evidenciada tanto por textos que o apresentam diretamente como Deus (At 5.3–4), quanto por passagens que lhe atribuem atributos divinos (1Co 2.10–11; Hb 9.14; Sl 139.7) e obras exclusivas da Divindade, como a criação, a regeneração e a ressurreição (Gn 1.2; Jo 3.5-6; Rm 8.11). Ainda nesse aspecto, os testemunhos históricos da Igreja evidenciam uma compreensão contínua da divindade do Espírito Santo, particularmente confirmada no período patrístico. Em harmonia com a fundamentação Bíblica e Histórica, a Divindade do Espírito Santo é reafirmada na Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, ao registrar que “a deidade do Espírito Santo é absoluta, pois ‘Espírito Santo’ e ‘Deus’ aparecem como nomes intercambiáveis nas Escrituras Sagradas. Isso mostra clara e inconfundivelmente a mesma natureza e uma só substância de ambos” (2Sm 23.2-3; At 5.3-4; 1Co 3.16) (Soares, 2024, p. 69), trazendo clareza e solidez acerca da sua Divindade.
 
2. A pessoalidade do Espírito Santo.
Reconhecemos com igual ênfase a Divindade do Espírito Santo quanto a Sua pessoalidade. Observe que a “Bíblia revela o Espírito Santo como uma pessoa, a terceira Pessoa da Trindade, pois Ele é Deus. O Espírito Santo possui intelecto; Ele penetra todas as coisas (1Co 2.10,11) e é inteligente (Rm 8.27). Ele tem emoção, sensibilidade (Ef 4.30) e vontade (At 16.6-11; 1Co 12.11). Se o intelecto, a emoção e a vontade não puderem provar a personalidade do Espírito Santo, fica difícil saber o que a liderança das testemunhas de Jeová entende por personalidade, ou qual a definição que ela dá a esse termo. As três faculdades: intelecto, emoção e vontade caracterizam a personalidade” (SOARES, 2024, p. 123). Também é fundamental reconhecer que, como pessoa, o Espírito Santo não apenas age, mas também reage, aprovando ou reprovando a conduta dos homens, uma faculdade própria de quem é dotado da prerrogativa da pessoalidade (At 10.19,21; At 5.3; At 7.51; Ef 4.30; Mt 12.29-31).
 
3. Os Símbolos do Espírito Santo.
Nas Escrituras, diversos elementos prefiguram ou revelam as obras do Espírito Santo em Sua missão gloriosa. Ele é representado como “Pomba”, simbolizando pureza, mansidão e manifestação pacífica (Mt 3.16; Lc 3.22); como “Fogo”, indicando santificação, purificação, poder e a presença marcante de Deus (At 2.3; Lv 9.24; Mt 3.11); como “Vento” ou “Sopro”, que revela Sua invisibilidade, liberdade e ação soberana (Jo 3.8; At 2.2); como “Água”, expressando vida, purificação e regeneração espiritual (Jo 7.37-39; Ez 36.25-27); e como “Óleo” ou “Unção”, simbolizando consagração, capacitação e santificação, uma vez que o Espírito unge e fortalece os crentes (1Jo 2.20,27; Êx 30.22-33). Ainda que representado por símbolos, o Espírito Santo continua possuindo intelecto, vontade e emoções (elementos típicos da pessoalidade). Na verdade, os símbolos do Espírito Santo não devem ser confundidos com Sua natureza, pois cada um deles recorre a elementos da criação (água, fogo, vento, etc.) para ilustrar aspectos de suas ações e obras poderosas (Gn 1.2).
 
 
II. HERESIAS SOBRE A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
1. Heresia quanto à Divindade e a Pessoalidade. “O movimento das Testemunhas de Jeová nega a divindade e a personalidade do Espírito Santo. Seus líderes alegam que o fato de o Espírito Santo falar, ensinar, dar testemunhos, ouvir, etc. não prova que Ele tenha personalidade, mas que se trata apenas de figura de linguagem” (SOARES, 2006, p. 126). Neste mesmo sentido, eles afirmam: “Quanto ao ‘Espírito Santo’, a suposta terceira Pessoa da Trindade, já vimos que não se trata de uma pessoa, mas da força ativa de Deus” (SOARES, 2006, p. 126). Tais considerações são apresentadas de equivocadas ao serem interpretadas pela própria Bíblia Sagrada. Sendo assim, é importante refletir sobre as seguintes questões a respeito do Espírito Santo: 1) Se a Bíblia afirma que o Espírito Santo ensina (Jo 14.26), como esse ensino poderia acontecer sem inteligência, intenção e comunicação consciente, características próprias de uma pessoa? 2) Quando se diz que o Espírito Santo fala às igrejas (Ap 2.7,11,17), como negar que Ele tenha voz, mensagem e autoridade pessoal? 3) Da mesma forma, ao afirmar que o Espírito Santo guia os filhos de Deus (Rm 8.14; Gl 5.18), fica evidente que isso envolve discernimento, direção intencional e um relacionamento pessoal. 4) Além disso, quando o Espírito Santo clama “Aba, Pai” em nossos corações (Gl 4.6), vemos uma ação claramente relacional e consciente, típica de um ser pessoal. 5) Por fim, como o Espírito Santo poderia convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7–8) sem consciência moral e capacidade de julgamento? Dessa forma, fica tão claro quanto a luz do dia que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina.
 
2. Heresia quanto à distinção de natureza e grau.
Quando dizemos que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, isso não quer dizer que Ele seja inferior ao Pai e ao Filho. O Espírito Santo tem o mesmo poder e a mesma essência que o Pai e o Filho. A expressão “terceira pessoa” não indica hierarquia, mas apenas segue a forma como a Bíblia apresenta a Trindade, especialmente em Mateus 28.19, onde aparecem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, Deus foi se revelando aos poucos ao longo da história: primeiro o Pai ficou mais conhecido, depois o Filho, e mais tarde o Espírito Santo. Nos primeiros séculos da Igreja, muitos tentaram explicar esse mistério usando a razão humana e as ideias filosóficas da época, ocasião em que surgiu o chamado subordinacionismo, que ensinava, de forma equivocada, que o Filho e o Espírito Santo eram inferiores ao Pai. Esse ensino foi rejeitado pela Igreja, pois a fé cristã reconhecia que Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em natureza e glória.
 
3. Heresia quanto à confusão entre as Pessoas da Trindade.
O ensino equivocado do modalismo sustenta a ideia de que “Deus é uma só Pessoa que se revela ora como Pai, ora como Filho e ora como Espírito Santo, negando assim a distinção real e eterna entre as Pessoas da Trindade” (Soares, 2006, p. 85). Tal interpretação distorcida tem levado muitos ao erro, pois afirma que não há coexistência pessoal na Trindade. De acordo com essa doutrina, “o Pai é o próprio Filho, e o Filho é o próprio Espírito Santo; trata-se apenas de nomes diferentes atribuídos ao mesmo Deus em épocas distintas” (Soares, 2006, p. 86). Em oposição direta a esse pensamento, a Bíblica apresenta de forma consistente a distinção entre as Pessoas da Trindade. Por exemplo, na promessa do Consolador (Jo 16.7) fica claro que o Filho e o Espírito não são a mesma Pessoa. Do mesmo modo, no ensino acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo, Jesus diferencia explicitamente Sua própria Pessoa da Pessoa do Espírito (Mt 12.32). Assim, fica evidente que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina distinta, dotada de identidade própria e atuação específica, em perfeita unidade de natureza e atributos com o Pai e o Filho.
 
 
III. A IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS DA TRINDADE
1. As três pessoas da Trindade são iguais.
O livro “Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento” comenta que: “É sempre relevante destacar que as três Pessoas da Trindade são iguais e não há entre elas primeiro, segundo e terceiro [não existe a ideia do subordinacionismo ou hierarquismo] assim como está no Credo de Atanásio: ‘E, nessa trindade, não existe primeiro nem último; maior nem menor. Mas as três Pessoas são coeternas, são iguais entre si mesmas’. Existem diversos textos em que o Espírito Santo é citado na Trindade como a primeira pessoa (Is 61.1; Lc 1.35; 4.18a; Jo 14.26; 15.26; 1Co 12.4-6; Ef 4.4-6; Jd 1.20,21); em outros, como a segunda pessoa (Mt 3.16,17; 1Co 2.11,12; 12.12,13; Gl 4.6; Fp 3.3; Hb 9.14; 1Pe 1.2; Jd 1.17-19); e em outros, como a terceira pessoa (Mt 28.19; Jo 14.16; At 10.38; 2Co 13.13; 1Jo 5.7). “Logo, o Espírito Santo é da mesma substância, da mesma espécie, de mesmo poder e glória do Pai e do Filho”. Deus é uno e, ao mesmo tempo, triúno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito são três divinas e distintas Pessoas da Trindade que são co-eternas e iguais entre si” (Barreto, 2024, p. 160).
 
2. A terminologia “Terceira Pessoa da Trindade” para o Espírito Santo é meramente didática.
A obra “A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, histórica e Teológica no Contexto da Trindade” nos diz que: “[…] por razões históricas e teológicas […] opto por utilizar a expressão: “O Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade”. Dessa forma, evito qualquer possível associação com o pneumatomaquismo, subordinacionismo ou hierarquismo, visões que apresentam o Espírito Santo como um ser criado ou um poder subordinado. Embora reconheça que a terminologia tradicional “Terceira Pessoa da Trindade”, utilizada por “nossos pais”, tenha fins meramente didáticos, prefiro afirmar que o “Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade”, em vez de dizer que Ele é a “Terceira Pessoa da Trindade” (Barreto, 2025, p. 79).
 
3. A Consubstancialidade e Unidade Essencial na Trindade.
A igualdade trinitária fundamenta-se na doutrina da consubstancialidade (o termo teológico homoousios), que afirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham a mesma essência divina. Não há divisões de poder ou de natureza; a distinção entre as Pessoas é exclusivamente relacional e não de “status” ou substância. Assim, ao adorarmos a uma das Pessoas, adoramos a Deus em Sua totalidade, pois o Espírito Santo não possui “menos” divindade que o Pai, nem o Filho é “posterior” a Ele em existência. A unidade de Deus é preservada na diversidade das Pessoas, garantindo que a Trindade seja um só Deus em eterna e perfeita comunhão.
 
 
CONCLUSÃO
É essencial compreender que a Trindade é inseparável em Glória. Embora existam distinções pessoais entre Pai, o Filho e o Espírito, não há desigualdade quanto à natureza ou dignidade. A missão do Espírito de glorificar o filho (Jo 16.14) não deve ser interpretada como sinal de subordinação ontológica, mas como expressão de comunhão eterna e da perfeita harmonia entre as pessoas divinas na obra da redenção (Barreto, 2025, p. 64).
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  SOARES, Esequias [Org.]. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD, 2017.
Ø  SOARES, Esequias. Heresias e Modismos: Uma Análise Crítica das Sutilezas de SATANÁS. CPAD, 2006.
Ø  SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã: Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam Com Nova Aparência. CPAD, 2024.
Ø  BARRETO, Alessandro. Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia Acadêmica, 2025.
Ø  BARRETO, Alessandro. A adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. Editora Bereia Acadêmica, 2025.   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.
 



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 8 - A ELEIÇÃO NA SALVAÇÃO


Vídeo Aula - Pastor Marcelo





 

LIÇÃO 8 - O DEUS ESPÍRITO SANTO (V.2)

 
Vídeo Aula - Pastor Douglas





LIÇÃO 8 - O DEUS ESPÍRITO SANTO (V.8)


Vídeo Aula - Pastor Ciro

 



QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






 
O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 7
Hora da Revisão

A respeito de “O Espírito Santo que Regenera e Santifica”, responda:
 
 
1. Como é caracterizada a vida sem Cristo?
A vida sem Cristo é caracterizada por uma separação de Deus, sujeita à ira divina.
 
2. Qual é a única razão pela qual passamos da morte para a vida?
A graça de Deus é a única razão pela qual passamos da morte para a vida.
 
3. O que são as obras da Lei?
As ‘obras da lei’ são aquelas ações que os judeus realizavam para tentar cumprir a Lei de Moisés, buscando justificar-se diante de Deus por meio de seus próprios esforços.
 
4. O que são as obras da Graça?
As “obras da graça” são aquelas que surgem como fruto da salvação que já recebemos por meio da graça. Essas obras são as evidências da transformação que a graça de Deus opera em nossas vidas.
 
5. Em relação ao amor, o que a Graça de Deus nos ensina?
A graça de Deus nos ensina a amar, não apenas aqueles que nos amam, mas também nossos inimigos.
 
 


QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026





 
 A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.


 






Lição 7
Revisando o Conteúdo

A respeito de “A Obra do Filho” responda:          
 
 
1. De acordo com a lição, o que significa imitar a mente de Cristo?
Imitar a mente de Cristo significa renunciar ao egoísmo e viver em humildade, amor e obediência.
 
2. A Obra Redentora do Filho está fundamentada em quê, e qual é o resultado dela?
Está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai; o resultado é a nossa salvação.
 
3. Por que o sacerdócio levítico foi substituído pelo sacerdócio de Cristo?
Porque o sacerdócio levítico era imperfeito e não removia os pecados; Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito.
 
4. O que a exaltação de Cristo ao voltar para o Céu e assentar-se no trono, garante para nós?
Garante-nos acesso à presença de Deus e intercessão contínua de Cristo.
 
5. O nome de Jesus é um símbolo de fé, mas também uma fonte real de autoridade espiritual. O próprio Senhor delegou à Igreja o uso de Seu nome com que finalidade?
Para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal.




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 7 – A OBRA DO FILHO






Fp 2.5-11; Hb 9.24-28
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a obra do Filho em três dimensões inseparáveis: Humilhação, Redenção e Exaltação. Veremos que na Humilhação, Cristo, sendo Deus, esvaziou-se voluntariamente, assumiu a forma de Servo e obedeceu até a morte de cruz (Fp 2.6–8). Pontuaremos que na Redenção, satisfez a justiça divina, expiou os pecados como Cordeiro perfeito e venceu o pecado e a morte (Is 53; Hb 9.28; 1Co 15.55–57). E por fim, na Exaltação, foi ressuscitado e exaltado pelo Pai, recebendo o nome acima de todo nome, para que toda a criação o adore (Fp 2.9–11; At 2.33).
 
 
I. DEFINIÇÃO DA PALAVRA ENCARNAÇÃO
1. A etimologia do termo.
A expressão “encarnação”, ou seja, a humilhação voluntária do Filho, é utilizada pelos teólogos para indicar que Jesus, o Filho de Deus, assumiu a forma de carne humana. Encarnar significa: fazer-se carne, fazer-se homem, tornar-se humano, revestir-se de carne. A encarnação do Verbo consiste no autoesvaziamento de Cristo, termo traduzido do grego ekenōsen, que significa: “esvaziar, humilhar-se voluntariamente, neutralizar, anular-se, despir-se de uma dignidade justa, descendo a uma condição inferior”. A encarnação afirma, de modo específico, a plena humanidade de Jesus. O termo encarnação significa literalmente “o ato de ser feito carne” (Jo 1.14). O apóstolo Paulo explica essa verdade de maneira clara e profunda (Fp 2.5-8). Sem a encarnação, Cristo não poderia realmente morrer; e, se Ele não pudesse morrer, a cruz perderia o seu sentido redentor. Por isso, o escritor aos Hebreus afirma: “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste” (Hb 10.5).
 
 
II. A ENCARNAÇÃO DO VERBO E O AUTOESVAZIAMENTO
Certa vez, o evangelista Billy Graham afirmou com propriedade: “O maior acontecimento da história não foi o homem subir e pisar na lua, mas Deus descer e pisar na terra”. A encarnação de Jesus [o autoesvaziamento de sua glória] é maravilhosa em todos os seus aspectos, comprovando que Ele é o personagem mais importante da história da humanidade. Na encarnação, o Deus eterno fez-se carne; o Senhor tornou-se súdito; o Divino fez-se humano; o Imortal fez-se barro; o Rei tornou-se carpinteiro; o Criador fez-se criatura; a Água teve sede; o Pão sentiu fome; o Forte experimentou cansaço; o Guarda eterno dormiu; o Consolador chorou; a Alegria sentiu tristeza; a Vida entregou-se à morte; e o Deus inacessível habitou entre nós (Jo 1.14; Fp 2.5-11).  
 
1. A encarnação: Deus habitando entre nós.
A encarnação de Jesus foi o próprio Deus vindo habitar entre os homens (Jo 1.14b). O nome Emanuel, que o próprio evangelista traduz por “Deus conosco” (Mt 1.23), expressa claramente essa verdade. As Escrituras confirmam esse mistério: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9.6); “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14); e, “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). O verbo “habitar”, em João 1.14, deriva do grego skenóō, que significa “armar tenda, tabernacular”. Essa expressão aponta para o caráter da habitação do Verbo em carne. Já em Colossenses 2.9, Paulo utiliza o verbo katoikéō, que indica uma habitação permanente, afirmando que toda a plenitude da divindade reside em Cristo.
 
2. A encarnação e a autorrenúncia.
A doutrina da autorrenúncia ensina que Jesus, ao assumir a natureza humana, não deixou de ser Deus, pois não se esvaziou de sua divindade (Fp 2.7–8). Como bem afirmou um teólogo: “Quando Jesus desceu à terra, não deixou de ser Deus; e quando voltou ao céu, não deixou de ser homem”. A encarnação do Verbo não é apenas um conceito teológico ligado à união hipostática [a dupla natureza: divina e humana], mas um dos maiores mistérios das Escrituras Sagradas, sem o qual a redenção seria impossível. Em sua humanidade, Jesus participou plenamente de nossas limitações físicas e emocionais: “Manteiga e mel comerá, até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15); “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.40,52). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria (Soares [Org.], 2016, p. 59).
 
3. A encarnação excede o entendimento humano.
A encarnação de Jesus é fruto da atuação conjunta da Trindade: do Espírito Santo, do poder do Pai e da santidade do Filho (Lc 1.35). Trata-se de um mistério que ultrapassa a razão humana, mas que pode ser plenamente aceito pela fé. Por meio desse milagre, Cristo veio em semelhança de carne (Rm 8.3), tornou-se descendência de Abraão (Hb 2.16) e foi feito semelhante aos irmãos em tudo (Hb 2.17).
 
4. A encarnação e a mediação.
Ao participar da carne e do sangue, Jesus tornou-se plenamente apto para ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Deus lhe preparou um corpo humano (Hb 10.5), dotado de carne e ossos (Lc 24.39). A encarnação é também o critério bíblico para distinguir a verdadeira fé cristã do espírito do anticristo (1Jo 4.2-3).
 
 
III. A NATUREZA HUMANA DO VERBO ENCARNADO
De forma voluntária, o Senhor Jesus Cristo não utilizou da glória que possuía junto ao Pai (Jo 17.5), sujeitando-se às limitações humanas, para realizar a obra da redenção (Fp 2.5-8). Vejamos:
 
1. A plena humanidade de Jesus.
O Novo Testamento afirma que Jesus nasceu de mulher (Gl 4.4), cresceu fisicamente (Lc 2.52), dormiu, sentiu fome, sede, cansaço, chorou, alegrou-se, foi tentado e viveu todas as experiências próprias da condição humana, sem pecado.
 
2. O Verbo encarnado.
O Verbo eterno “se fez carne” (Jo 1.14). Esse milagre fundamenta a essência do Evangelho: Deus introduziu o seu Primogênito no mundo (Hb 1.6), tornando-o semelhante aos homens, para que fosse o Mediador e o fiel Sumo Sacerdote (Hb 2.17).
 
3. Jesus é chamado de homem.
A Bíblia registra duas genealogias de Jesus e o chama explicitamente de homem (At 2.22; Jo 19.5; 8.40; 1Tm 2.5), ressaltando a realidade de sua encarnação.
 
4. O Filho do Homem. A expressão “Filho do Homem” aparece com frequência nos evangelhos, destacando a humanidade de Cristo. Ele nasceu, cresceu, trabalhou como carpinteiro, experimentou emoções humanas, sofreu, foi tentado e morreu como verdadeiro homem.
 
 
IV. OS PROPÓSITOS DA ENCARNAÇÃO DO VERBO
Há inúmeros propósitos na vinda de Jesus a este mundo: a) prover um sacrifício efetivo pelo pecado (Hb 10.1-10); b) demonstrar a glória de Deus (Jo 1.14; Lc 2.14); c) cumprir o decreto de Deus (Gl 4.4); d) ser o mediador entre Deus e os homens (Hb 12.24; 1Tm 2.5); e, e) trazer paz aos homens na terra (Lc 2.14b; Ef 2.14-16). Podemos pontuar outros quatro propósitos da encarnação de Jesus: 
  • Revelar Deus ao homem (Jo 1.18; 14.7-11). Jesus é a “expressão exata” do ser de Deus (Hb 1.3). A encarnação nos revela Deus pessoalmente, daí Jesus ser chamado “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco” (Mt 1.23). O Deus transcendente também é imanente (inerente, inseparável) e acessível. A divindade de Jesus em sua humanidade é a chave para o conhecimento íntimo de Deus. Cristo revelou para nós o Deus invisível (Jo 1.18; 1Tm 1.17; Cl 1.15; 19). 
  • Destruir as obras do diabo. “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8). 
  • Tornar possível a morte do Redentor. Sem a encarnação, o Verbo não poderia morrer, porque Deus não é passível de morte (Hb 2.9). 
  • Ser o nosso sumo sacerdote (Hb 4.14-16). Jesus viveu como homem, por isso se compadece e intercede por nós a Deus.
 
 
V. CONTRASTE ENTRE O SACERDÓCIO LEVÍTICO E O DE CRISTO
Hebreus 9.24–28 pode ser dividido em quatro temas principais, nos quais o autor estabelece um contraste claro entre o sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo: 
  • Superioridade do santuário celestial (v. 24). Cristo não entrou em um santuário terreno, que era apenas cópia e figura do verdadeiro, mas adentrou o próprio céu, a fim de comparecer agora diante de Deus em nosso favor, exercendo perfeita intercessão. 
  • Unicidade do sacrifício (vv. 25-26). Diferentemente do sumo sacerdote levítico, que oferecia anualmente sangue alheio, Cristo ofereceu a si mesmo uma única vez por todas, no fim dos tempos, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo. 
  • Analogia com a morte humana (v. 27). Assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo, também Cristo morreu uma única vez, com o propósito de remover os pecados de muitos. 
  • Segunda vinda para salvação (v. 28). Cristo aparecerá pela segunda vez, não para tratar do pecado, mas para conceder plena salvação àqueles que o aguardam com fé. 
 
 
CONCLUSÃO
A tentativa gnóstica/docetista de negar as naturezas de Cristo continuam a ser defendidas por grupos heterodoxos em nossos dias, e por isso, precisamos estar preparados para defender com sabedoria a nossa fé.
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: o Deus único revelado em três pessoas eternas. CPAD.
Ø  MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica. SHEDD.
Ø  OLSON, Roger. História da teologia cristã. VIDA.
Ø  SILVA, Esequias Soares da. Em defesa da fé Cristã. CPAD.
   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.