sábado, 30 de maio de 2026

LIÇÃO 8 – JACÓ E ESAÚ: IRMÃOS EM CONFLITO






Gn 27.1-5, 41-44
 
 

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que Gênesis 27 está no centro da narrativa de rivalidade entre Esaú e Jacó, que já foi apresentada em 25.19‑34 (venda da primogenitura) e prolonga-se até o 33 (reconciliação). O capítulo em que esta lição baseia-se mostra que a promessa de Deus concernente ao “filho menor” (Jacó) realiza-se, mas não em um clima de pureza ética, senão no meio de mentira, engano e tragédia familiar. Assim, estudaremos, na aula de hoje, como a bênção da aliança passa para Jacó, mas por meio de um engano que revela a falha moral dos protagonistas e, ao mesmo tempo, e o significado da eletividade anunciada em Gênesis 25.23. 


I. REBECA COMO “AUTORA INTELECTUAL” DO PLANO
1. Rebeca ouve o diálogo entre Isaque e Esaú acerca da bênção da primogenitura (Gn 27.5).
Em vez de dialogar com o marido ou buscar orientação de Deus, decide “corrigir” a situação manipulando a cena. Ela convoca Jacó, desenha o engano (vestir as roupas de Esaú, usar pele de cabrito para imitar a pelagem dele, preparar o prato favorito de Isaque) e assegura a execução do plano (vv. 5-17). Nesse sentido, Rebeca é a principal instigadora moral do roubo, pois, sem ela, o engano não aconteceria.
 
2. Favoritismo e “ajuda” a Deus.
O texto indica que Rebeca tem em memória a profecia de que “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), o que lhe dá um “fundo teológico” para sua decisão. Ao mesmo tempo, o texto deixa claro o seu favoritismo por Jacó: “E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto, mas Rebeca amava Jaco” (Gn 25.28), que se mistura com a leitura que ela faz da vontade de Deus. Rebeca, em vez de confiar na soberania de Deus, tenta apressar a promessa por meio de mentira e engano, substituindo a fé pela manipulação.
 
3. A responsabilidade de culpa e proteção de Jacó.
Quando Jacó hesita por medo da maldição, Rebeca assume a culpa dizendo: “E disse-lhe a sua mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, e vai, traze-mos” (Gn 27.13). Isso mostra que ela não, apenas, incentivou ao pecado, mas também colocou‑se diante de Deus como responsável, tal como uma “mediadora” inválida entre a vontade de Deus e a conduta de Jacó. Mais tarde, ao perceber o ódio mortal de Esaú por Jacó, é ela quem convence Isaque a enviar Jacó para Harã, pensando proteger a vida do filho e, ao mesmo tempo, preservar a linhagem da aliança. Assim, Rebeca atua tanto como promotora de pecado quanto como salvadora prática, embora o pecado continue gerando ruptura na família.


II. AS CONSEQUÊNCIAS DO PECADO EM GÊNESIS 27
1. Esaú tenta matar Jacó (Gn 27.41‑46).
Esaú, “ferido de ciúme”, jura matar Jacó (v. 41), o que se assemelha ao ódio de Caim por Abel (Gn 4.8) e torna o conflito fraternal, ainda, mais grave. Rebeca, que antes promoveu o engano, agora, usa a mesma habilidade persuasiva para proteger Jacó (v. 42‑45), pedindo que Isaque o envie para Harã sob pretexto de encontrar esposa, numa tentativa de salvar a vida de Jacó e evitar a tragédia familiar.
 
2. Consequências do pecado e a provisão divina.
A cena de Gn 27 ilustra que “o pecado acha o pecador” (Nm 32.23): “depois disso, Rebeca nunca mais verá o filho”, morre sem narrativa elogiosa (35.8); Isaque vive o resto da vida na sombra; Esaú carrega o ódio e o ressentimento; Jacó é exilado e sofre na casa de Labão. Ao mesmo tempo, Deus usa a separação de Jacó para moldar seu caráter, preparar a formação do povo de Israel (nascimento de filhos em Padã‑Aram) e posicionar a linhagem de Judá e, finalmente, a de Cristo.
 
3. Distinção entre bênção e ética.
A bênção em si é positiva e verdadeira: Jacó recebe orvalho, fertilidade, domínio sobre povos e uma posição de liderança na linhagem da aliança (Gn 27.28‑29), o que se vincula à promessa feita a Abraão (Gn 12.2‑3; 22,17‑18). No entanto, o modo como ela é obtida é condenável: engano, mentira e manipulação são, claramente, errados, e a Bíblia não endossa o método, pois a bênção de Deus não santifica o pecado; pode haver bênção e castigo ao mesmo tempo sobre a mesma pessoa (Jacó será abençoado, mas passará décadas de exílio, luta e sofrimento).
 
4. O sentido tipológico da primogenitura.
A bênção de Jacó é vista como um tipo da bênção messiânica: a autoridade sobre povos, a vinculação entre bênção e maldição, e a promessa de que “os que te abençoarem serão abençoados” ecoam o papel de Cristo como herdeiro de todas as promessas: “Ora as promessas foram feitas a Abraão e à sua posteridade. Não diz: E às posteridades, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua posteridade, que é Cristo” (Gl 3.16). Dessa forma, ao interpretar esse “descendente” singular como sendo Cristo, Paulo estabelece que a verdadeira herança prometida a Abraão, a justificação pela fé e a salvação, concretiza-se, exclusivamente, através de Jesus, assim, Paulo argumenta contra os que defendiam a necessidade de seguir a Lei de Moisés para obter a justificação, pois a promessa feita a Abraão, focada em Cristo, é superior e anterior à Lei de Moisés, que só viria 430 anos mais tarde. Portanto, a Lei não pode anular ou substituir o pacto original baseado na fé. A tragédia humana de Gênesis 27 aponta, assim, para a necessidade de uma redenção que não dependa de astúcia nem de engano, mas de um sacrifício verdadeiro: “Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles. Porque, assim, o que santifica, como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.10-11).


III. O SENTIDO DA ESCOLHA GRACIOSA EM ROMANOS 9
1. Não se trata de escolha individual, pois ambos, Jacó e Esaú, herdaram a bênção da salvação.
O texto de Romanos 9 não trata de uma eleição individual incondicional para salvação, mas de escolhas soberanas de Deus no contexto de Seu plano histórico e nacional para Israel. A escolha de Jacó sobre Esaú (Rm 9.11-13), citada de Malaquias 1.2-3, refere-se à preferência divina pela nação de Israel (descendentes de Jacó) em detrimento de Edom (descendentes de Esaú), para cumprir promessas Abraâmicas e trazer o Messias, sem depender de etnia ou obras. Paulo lamenta a rejeição de muitos judeus à fé em Cristo (Rm 9.1-5) e refuta a possível interpretação de que as promessas de Deus tenham falhado, pois Israel será salvo: “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, e desviará de Jacob as impiedades. E este será o meu concerto com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos, por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados, por causa dos pais” (Rm 11.26-28).
 
2. A representatividade da linhagem de Jacó.
Paulo usa exemplos como Abraão, Isaque e Jacó para mostrar que a eleição sempre foi seletiva dentro de grupos, não garantindo salvação por descendência física, mas por fé. Dessa forma, Jacó representa a linhagem escolhida para bênçãos nacionais e o Messias; Esaú [Edom], a nação rejeitada para esse propósito específico, pois a eleição é condicional à fé e obediência, alinhada ao propósito divino de chamar todos, mas respeitando o livre-arbítrio humano, ou seja, a decisão de arrependimento. Essa escolha por Jacó não anula sua responsabilidade humana, além disso, Jacó representa uma coletividade. Isso prefigura a salvação como iniciativa divina gratuita, escolhendo Jacó (nação) para herdar a promessa (Rm 11.29-32).
 
3. O cumprimento da eleição divina.
A bênção cumpre a profecia de Gênesis 25.23 (“o maior servirá ao menor”), mostrando que a escolha de Deus não depende da astúcia de Jacó, mas realiza-se mesmo por vias torcidas. Quando Isaque tenta abençoar Esaú, Rebeca e Jacó usam engano, mas a palavra de bênção, uma vez dita, não pode ser anulada (v. 33), sinalizando que a vontade de Deus está operando por trás das decisões humanas, uma vez que Ele não revoga a promessa por causa da conduta pecaminosa dos patriarcas, embora puna e corrija o pecado. No Novo Testamento, Jacó é visto como figura de um “povo eleito” chamado pela graça, tal como a Igreja (Rm 9.10‑13: “Amei Jacob, e aborreci Esaú”). A bênção dele é, em sentido mais relevante, plenamente, cumprida em Cristo: Jesus é o verdadeiro herdeiro da benção, em quem se cumprem todas as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. 

4. A eleição divina não elimina a responsabilidade humana.
A narrativa de Jacó e Esaú, bem como a interpretação paulina em Romanos 9, demonstra que a soberania de Deus jamais deve ser entendida como negação da responsabilidade humana. Embora Deus tenha anunciado antecipadamente que “o maior servirá ao menor” (Gn 25.23), isso não absolveu Jacó, Rebeca, Esaú ou Isaque de suas escolhas e consequências. Cada personagem age segundo suas próprias intenções: Isaque tenta favorecer Esaú; Rebeca manipula os acontecimentos; Jacó mente deliberadamente; Esaú despreza valores espirituais ao tratar a primogenitura com irreverência (Gn 25.34). Assim, o cumprimento do propósito divino não transforma o pecado em virtude, nem torna Deus autor do mal. Paulo mantém essa tensão em Romanos ao afirmar que Deus é soberano em Sua eleição, mas o homem continua responsável por sua resposta diante da graça: “Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32). Portanto, a escolha graciosa de Deus opera dentro da história humana sem destruir a liberdade moral das pessoas. Em Jacó, percebe-se que a graça divina não aprova sua astúcia, antes inicia um longo processo de disciplina e transformação espiritual, mostrando que o eleito também precisa ser quebrantado, corrigido e conduzido à dependência de Deus. 


CONCLUSÃO
A bênção “roubada” inicia o processo de transformação de Jacó. Embora Deus cumpra Sua promessa apesar das falhas humanas, o engano traz consequências dolorosas e conduz Jacó a um caminho de disciplina, dependência e amadurecimento espiritual, culminando em Peniel, onde ele é transformado em “Israel”. Assim, Gênesis 27 ensina que a graça de Deus escolhe, perdoa e transforma, mas não elimina as consequências do pecado; a verdadeira bênção se consolida na submissão à vontade divina.




REFERÊNCIAS
Ø  GUTHRIE, Donald. Gálatas: introdução e comentário. Vida Nova.
Ø  LIMA, Marcone Felipe Bezerra de. A tese e os argumentos da carta de Paulo aos Gálatas segundo Agostinho: o Sola Fide na Doutrina da Justificação. Editora IGP.
Ø  LINDSAY, Gordon. Isaque e Rebeca. GRAÇA EDITORIAL.
Ø  LINDSAY, Gordon. Jacó: o suplantador que se tornou um príncipe com Deus. GRAÇA EDITORIAL.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.







LIÇÃO 9 - A FALÁCIA DO ATEÍSMO


Vídeo Aula - Pastor Eduardo
 




sexta-feira, 29 de maio de 2026

JACÓ E ESAÚ: IRMÃOS EM CONFLITO (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






ENTRE A VERDADE E O ENGANO
Combatendo Ideologias e Ensinos que se
Opõem à Palavra de Deus.









Lição 8
Hora da Revisão

A respeito de “A Falácia do Pragmatismo”, responda:
 
 
1. O que o Pragmatismo valoriza?
O Pragmatismo valoriza aquilo que produz resultados visíveis, rápidos e mensuráveis.
 
2. Jesus adaptou sua mensagem ao gosto das multidões? O que Ele fez?
Jesus não adaptou sua mensagem ao gosto das multidões. A sua mensagem era um chamado ao arrependimento e ao discipulado sacrificial.
 
3. De acordo com a lição, o que é mais importante do que a aceitação social?
A fidelidade à Palavra.
 
4. Quais são os frutos resultantes da perseverança na doutrina e na comunhão com Deus?
A transformação verdadeira de vidas, o crescimento no caráter de Cristo e a maturidade espiritual são frutos de perseverança na doutrina e na comunhão com Deus.
 
5. Defina o verdadeiro sucesso de acordo com a lição.
O verdadeiro sucesso é permanecer fiel à Palavra, ao chamado e à missão que o Senhor confiou.

 


terça-feira, 26 de maio de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






 HOMENS DOS QUAIS O
MUNDO NÃO ERA DIGNO -
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó.









Lição 8
Revisando o Conteúdo
A respeito de Isaque: Herdeiro da Promessa” responda:          
 
 
1. Abraão foi para o Egito devido à fome, mas Isaque deveria fazer o mesmo?
Não. Deus apareceu a Isaque e ordenou que ele não descesse ao Egito (v.1), mas habitasse na terra que Ele mostraria.
 
2. Onde Isaque habitou para fugir da fome?
Ele habitou na terra de gerar, terra do rei Abimeleque, rei dos filisteus (Gn 26.6).
 
3. O que Isaque disse a Abimeleque a respeito de Rebeca?
Disse que era sua irmã.
 
4. O que a inveja dos filisteus os levou a fazer contra Isaque?
Dominados pela inveja, atacaram Isaque entulhando seus poços.
 
5. Qual o significado do nome do poço de Seba?
Seba, no hebraico, significa “juramento”; esse último poço, aberto pelos servos de Isaque, foi denominado “poço do juramento”.



 

sábado, 23 de maio de 2026

LIÇÃO 8 – ISAQUE: HERDEIRO DA PROMESSA






Gn 26.1-5,12-14,24,25

 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o episódio no qual Isaque tenta ir para o Egito, pois a fome assolava a terra de Canaã. No entanto, Deus não permitiu; é nesse momento dramático que o Senhor reafirmou as promessas que fez a Abraão. Para isso, veremos Isaque na terra dos filisteus, enfrentando a inveja dos habitantes da terra de Gerar e, por fim, pontuaremos as promessas de Deus para Isaque.


I. ISAQUE NA TERRA DOS FILISTEUS
Isaque vivenciou uma situação semelhante à de seu pai Abraão, que o obrigou a procurar outro local para sobreviver devido à fome que assolava aquela região. Em situações como essa, o caminho mais provável seria ir para o Egito, porém o Senhor indicou outra região (Gn 26.2). Notemos o breve percurso de Isaque na terra dos filisteus.
 
1. Isaque desce para a terra dos filisteus.
O território de Israel próximo ao Neguebe (Gn 24.62; 25.11), onde Isaque residia, é uma terra árida. A escassez de alimento devido à falta de chuva não é uma situação incomum para os habitantes dessa região. Por isso, o Egito seria a melhor opção para quem estava fugindo da seca e da fome (Gn 12.10), já que o rio Nilo é a maior fonte de água no Egito, o que o tornava muito próspero. No entanto, Deus proibiu Isaque de descer ao Egito: “E apareceu-lhe o SENHOR, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser” (Gn 26.2). Aos olhos de Isaque, a terra dos faraós seria a melhor opção, porém para Deus não. Coube ao filho de Abraão obedecer e seguir a direção do Senhor. A confiança e a obediência a Deus são a melhor escolha mesmo diante de situações difíceis (Gn 26.15; 1Sm 15.22; Sl 37.5; 56.3; Pv 3.5-6).
 
2. Isaque na terra dos filisteus nega que Rebeca é sua mulher.
Quando Isaque chegou à terra de Gerar, região dos filisteus, ele mentiu, pois temia ser morto pelos habitantes daquela região: “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; [...]” (Gn 26.7). Esse mesmo expediente foi usado por Abraão (Gn 12.12). Em ambos os casos, a mentira foi descoberta e trouxe males e constrangimentos: “[...] e tu terias trazido sobre nós um delito.” (Gn 12.17; 26.10). A Bíblia condena severamente a mentira (Ex 20.16; Lv 19.11; Pv 12.12; 6.16-17; 19.5; Ef 4.25; Cl 3.9). As consequências da mentira são tão graves que a Palavra do Senhor adverte: “[...] e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte.” (Ap 21.8). Sendo assim, nada justifica a mentira e o engano.
 
3. Isaque prospera na terra dos filisteus.
Deus abençoou Isaque grandiosamente, de modo que seu patrimônio econômico e material despertou a inveja dos filisteus. Duas grandes lições podemos extrair da prosperidade de Isaque entre os filisteus: a primeira está na obediência dele a Deus: “E apareceu-lhe o SENHOR, e disse: [...] habita na terra que eu te disser.” (Gn 26.2). A segunda é que Isaque começou a prosperar quando deixou o engano e passou a viver uma vida íntegra (Gn 26.12). O texto bíblico destaca: “E semeou Isaque naquela mesma terra, e colheu naquele mesmo ano cem medidas, porque o SENHOR o abençoava” (Gn 26.12). A bênção de Deus na vida de qualquer cristão passa por essas duas verdades: obediência e vida íntegra (Sl 37.25; Pv 3.9-10; 10.4; Mt 6.33).


II. ISAQUE DIANTE DA INVEJA DOS FILISTEUS
Quando os filisteus viram a prosperidade de Isaque, invejaram-no. Esse sentimento mau deu origem a atitudes perversas e destruidoras. Os poços que Abraão tinha aberto foram fechados com entulhos; além disso, os pastores de gado da terra de Gerar passaram a contender com Isaque quando este abria novos poços para dar de beber aos rebanhos. Vejamos como Isaque reagiu diante dessa situação:
 
1. Isaque preferiu se retirar ao invés de gerar contenda (Gn 26.16-17).
A prosperidade de Isaque despertou a inveja violenta dos filisteus (Gn 26.14) e o temor do rei Abimeleque; a solução foi pedir ao patriarca que saísse da terra: “Aparta-te de nós; porque muito mais poderoso te tens feito do que nós.” (Gn 26.16). Isaque foi convidado a sair, não por nenhum prejuízo causado aos moradores de Gerar, mas porque a bênção de Deus estava com ele (Gn 26.13). Diante dessa situação injusta, o caminho escolhido por Isaque foi o de não contender. Essa atitude reflete o conselho de Salomão: “Honroso é para o homem o desviar-se de contendas, mas o tolo insensato se mete em rixas” (Pv 20.3 – ARA). A Palavra de Deus afirma: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12.18). A Palavra do Senhor também nos adverte: “E ao servo do Senhor não convém contender [...]” (2Tm 2.24). Seguir o exemplo de Isaque é o melhor caminho para preservar a bênção de Deus em nossas vidas.
 
2. Isaque perseverou, mesmo diante de sabotagem (Gn 26.15). 
Os filisteus de Gerar não apenas invejaram Isaque pela sua prosperidade material, mas agiram de má-fé e por vingança de quem se sente inferior. “[...] Fizeram uma ação vil, perniciosa, e de grande prejuízo para Isaque, demonstrando sua índole maldosa” (Renovato, 2026, p. 90). Mesmo sendo vítima dessas ações perversas, Isaque continuou trabalhando, abrindo poços e cuidando de sua família. Outros personagens bíblicos sofreram injustiças: José, filho de Jacó, foi vendido (Gn 37.28); Daniel foi lançado na cova dos leões (Dn 6.4-16); Neemias teve de lidar com as ameaças de Tobias e Sambalate (Ne 6.2); no entanto, nenhum deles desanimou. Dessa forma, a perseverança em momentos de crise é fundamental para conservar as bênçãos de Deus (Js 1.9; Rm 5.3-4; Hb 10.36; Tg 1.12; Cl 4.2).
 
3. Isaque recomeçou sem reclamar (Gn 26.18).
Entre as várias virtudes que podemos elencar da vida do patriarca Isaque, uma delas é a resiliência, ou seja, a capacidade de superar obstáculos ou situações estressantes. Diante das investidas dos filisteus, Isaque tinha a opção de reclamar, maldizer, injuriar ou de retribuir a injustiça com o mal; no entanto, não foram essas as atitudes do patriarca — ele preferiu recomeçar (Gn 26.18,21). Muitos, em momentos como esses, caem na tentação de amaldiçoar o próximo, a situação ou a própria vida. A recomendação do texto sagrado é direta: “[...] amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” (Mt 5.44). Vários textos bíblicos corroboram essa assertiva (Ec 10.20; Lc 6.27,35; 23.34; Rm 12.14,20; At 7.59; 1Co 4.12; 1Pe 2.23). O recomeço sem rancor e ódio é uma oportunidade dada por Deus para novas conquistas.
 
4. Isaque evitou disputas desnecessárias (Gn 26.20).
Como visto, os filisteus de Gerar causaram muitos problemas a Isaque. Primeiro, entulharam todos os poços que Abraão havia cavado, e todos foram reabertos por Isaque; depois, porfiaram com Isaque pelos poços que mandou cavar (poço de Eseque, “da contenda”; e poço de Sitna, “inimizade”). Finalmente, cavou um poço diante do qual não houve mais contenda, e o chamou de “poço do alargamento” — “agora nos alargou o Senhor”. Foi morar em Berseba (Gn 26.18-23), e seus servos cavaram mais um poço (Gn 26.25) (Renovato, 2026, p. 93). Se Isaque tivesse se prendido às disputas com os filisteus, dificilmente teria chegado a Berseba (Gn 26.33), onde encontrou paz. Esse evento vivenciado por Isaque traz uma importante lição: prender-se a brigas e disputas desnecessárias pode nos levar a perder as bênçãos de Deus (2Tm 2.23-24; Pv 12.16; 15.18; 17.14; Tt 3.9).
 
5. Isaque firma aliança com Abimeleque.
A prosperidade de Isaque fez com que Abimeleque, rei dos filisteus, reconhecesse que Deus estava com ele: “[...] havemos visto, na verdade, que o SENHOR é contigo [...]” (Gn 26.28). Devido a isso, Abimeleque propôs uma aliança para uma convivência pacífica. Um tratado semelhante foi realizado também com Abraão (Gn 21.22-32). A prosperidade de Isaque era resultante da bênção de Deus. A Palavra de Deus declara: “A bênção do SENHOR é que enriquece, e ele não acrescenta dores” (Pv 10.22). Aprendemos com isso que a verdadeira prosperidade passa por uma vida de fidelidade e comunhão com o Senhor (Dt 8.18; 28.11; Js 1.8; Sl 1.3; 122.6; Fp 4.19).


III. ISAQUE E AS PROMESSAS DE DEUS
A fome que atingia a terra de Canaã levou Isaque a se encaminhar para o Egito; no entanto, Deus não permitiu que isso ocorresse. É neste momento crucial na vida do patriarca que o Senhor fez promessas, confirmando o pacto realizado com Abraão:
 
1. A promessa da presença divina (Gn 26.3).
A primeira promessa feita a Isaque durante o período da fome que assolava a terra foi a da presença de Deus. O Senhor disse a Isaque: “[...] eu serei contigo” (Gn 26.3). Isso dava a Isaque a certeza de que Deus estava garantindo a promessa feita para assegurar a sobrevivência da semente de Abraão (Gn 22.17). Isso nos mostra que a presença de Deus é vital para o crente em Cristo; sem ela, é impossível sobrevivermos. Moisés, sabendo disso, orou: “[...] se a tua presença não for conosco, não nos faças subir daqui” (Êx 33.15). O salmista Davi também acrescenta: “Busquem o SENHOR e o seu poder; busquem continuamente a sua presença” (Sl 105.4 – NAA). É diante do Senhor que temos paz e alegria (Sl 16.11) e proteção (Sl 91.1).
 
2. A promessa da terra (Gn 26.3).
Diante de uma fome que obrigava à peregrinação para outras terras, o local mais promissor era o Egito; Deus, porém, impediu Isaque de descer para essa nação. A reafirmação da promessa foi realizada nesse período crítico: “[...] porque a ti e à tua semente darei todas estas terras [...]” (Gn 26.3). O Senhor estava relembrando a aliança feita a Abraão (Gn 13.14-17; 17.8). Isso reforça que, mesmo em momentos de escassez e dificuldade, Deus nos fortalece trazendo à memória as promessas que Ele fez (Sl 46.1; 121.1-2; Is 40.29).
 
3. A promessa de uma descendência numerosa (Gn 26.4).
Depois de o Senhor garantir a possessão da terra aos descendentes do patriarca Isaque, Ele faz a promessa de uma numerosa descendência: “E multiplicarei a tua semente como as estrelas dos céus [...]” (Gn 26.4). Esta palavra também foi dita a Abraão (Gn 17.6). Deus estava mostrando a continuidade do plano divino. Deus assume o compromisso de cumprir suas promessas, mas também espera que seu povo viva em obediência a Ele. Abraão havia obedecido e, com isso, beneficiou Isaque e seus descendentes (Gn 26.24c). Nós também não devemos ser descuidados em nosso relacionamento com Deus, não apenas para nosso próprio bem, mas para o bem de nossos filhos (Adeyemo, 2016, p. 174).


CONCLUSÃO
A história do patriarca Isaque foi marcada por momentos de várias dificuldades: enfrentou a fome na terra de Canaã, a inveja e as injustiças dos filisteus. No entanto, o caminho da obediência e da confiança em Deus são os mais seguros em meio às adversidades da vida.



REFERÊNCIAS
Ø  CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø  ADEYEMO, Tokumboh. Comentário Bíblico Africano. Mundo Cristão.
Ø  LINDSAY, Gordon. Abraão: o amigo de Deus. GRAÇA EDITORIAL.
Ø  SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. MUNDO CRISTÃO.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.  


Por Rede Brasil de Comunicação.