sábado, 11 de julho de 2026

LIÇÃO 2 – A PORTA DA FÉ SE ABRE ENTRE OS GENTIOS








At 13.44-52




INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos que a missão transcultural não teve origem na iniciativa humana, mas na própria natureza de Deus. Veremos que o Senhor sempre desejou alcançar todas as nações e, para isso, levantou Israel e, posteriormente, a Igreja como instrumentos de sua missão redentora. Acompanharemos também a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, observando como o Evangelho começou a se expandir entre os gentios.


I. A MISSÃO TRANSCULTURAL TEM SUA ORIGEM NA NATUREZA DE DEUS
As missões transculturais não surgiram como uma estratégia humana nem apenas como uma necessidade da Igreja. Sua origem encontra-se na própria natureza de Deus. Desde Gênesis até Apocalipse, as Sagradas Escrituras revelam um Deus missionário que ama toda a humanidade, desenvolve um plano de redenção e chama seu povo para participar da expansão do seu Reino entre todas as nações (Gn 3.15; Gn 12.3; Is 45.22; Mt 28.19; Ap 7.9). Assim, compreender a natureza divina é compreender também a origem da obra missionária.
 
1. Deus é o primeiro missionário.
Desde a queda do homem, Deus tomou a iniciativa de buscar o pecador (Gn 3.15; Lc 19.10; 2Co 5.19). Toda a missão nasce em Seu coração redentor. A Igreja não criou as missões; ela foi chamada para participar da missão de Deus (Missio Dei). Assim como o Pai enviou o Filho ao mundo, Cristo enviou Sua Igreja para anunciar a salvação entre todas as nações. As missões transculturais têm sua origem na essência do próprio Deus. Antes de existir um missionário, já existia um Deus que envia, busca, salva e reconcilia. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16,17; Gl 4.4), o Filho enviou o Espírito Santo (Jo 14.16,17; 15.26), e o Espírito envia a Igreja (At 13.2-4). A missão pertence primeiramente ao Senhor e somente depois à Igreja (2Co 5.18-20; Ef 1.9-10).
 
2. O amor de Deus alcança todos os povos.
Desde Abraão, Deus revelou Seu propósito de abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.3; Jo 3.16; Ap 5.9). O plano da redenção nunca esteve restrito a Israel. O sacrifício de Cristo confirma esse propósito ao reunir um povo formado por todas as tribos, línguas, povos e nações. A natureza divina é imutável (Ml 3.6; Tg 1.17). O Deus transcendente (Is 57.15) também é imanente (Sl 139.7-10; At 17.27,28): governa o universo e, ao mesmo tempo, aproxima-se do ser humano para reconciliá-lo consigo (2Co 5.19). Seu propósito missionário permanece inalterado em todas as gerações (Hb 13.8; Ef 3.10,11). A missão nasce no coração de Deus e revela seu desejo eterno de reconciliar consigo toda a humanidade (Cl 1.19,20).


II. CHIPRE: O EVANGELHO ULTRAPASSA AS PRIMEIRAS FRONTEIRAS
A primeira viagem missionária demonstra, na prática, o propósito de Deus de levar o Evangelho além das fronteiras de Israel. Em Chipre, Paulo e Barnabé iniciaram a evangelização dos gentios, enfrentando oposição espiritual e testemunhando o poder transformador da Palavra de Deus.
 
1. A primeira etapa da viagem missionária (At 13.4,5).
Enviados pelo Espírito Santo e recomendados pela igreja de Antioquia, Paulo e Barnabé chegaram à ilha de Chipre. Nas sinagogas anunciaram primeiramente aos judeus que Jesus era o Messias prometido, demonstrando que a evangelização deveria alcançar tanto judeus quanto gentios.
 
2. A oposição espiritual não impede a missão (At 13.6-11).
Durante o ministério em Chipre, Elimas, o mágico, tentou impedir a conversão do procônsul Sérgio Paulo. Cheio do Espírito Santo, Paulo repreendeu o falso profeta, demonstrando que Deus concede autoridade espiritual para vencer toda oposição ao Evangelho.
 
3. O Evangelho alcança as autoridades (At 13.12).
Ao testemunhar o poder de Deus, Sérgio Paulo creu no Senhor. Esse episódio demonstra que a mensagem do Evangelho alcança pessoas de todas as posições sociais, confirmando seu caráter universal.


III. ANTIOQUIA DA PISÍDIA, ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A EXPANSÃO ENTRE OS GENTIOS
Prosseguindo sua jornada, Paulo e Barnabé anunciaram o Evangelho em importantes cidades da Ásia Menor. Apesar da rejeição, perseguição e sofrimento, muitos receberam a mensagem de Cristo, evidenciando que nenhuma oposição pode impedir o avanço da obra missionária.
 
1. Antioquia da Pisídia: quando os gentios recebem a Palavra (At 13.44-49).
Após a rejeição de muitos judeus, Paulo declarou que o Evangelho seria anunciado aos gentios, cumprindo a profecia de Isaías de que Cristo seria luz para as nações. A cidade tornou-se um marco da expansão missionária.
 
2. Icônio: perseverança em meio à oposição (At 14.1-7).
Em Icônio muitos creram, porém também surgiu forte perseguição. Mesmo enfrentando ameaças, os missionários permaneceram anunciando a Palavra, confirmando-a com sinais e maravilhas. A missão exige perseverança diante das adversidades.
 
3. Listra e Derbe: discípulos são formados (At 14.8-23).
Em Listra, Deus operou um grande milagre, mas logo Paulo sofreu apedrejamento. Mesmo assim, levantou-se e continuou pregando. Em Derbe muitos discípulos foram feitos, e posteriormente Paulo retornou às igrejas para fortalecer os novos convertidos, mostrando que a missão envolve evangelizar, discipular e estabelecer igrejas locais.


IV. A VISÃO BÍBLICA DA MISSÃO TRANSCULTURAL
Toda a Escritura revela um Deus que toma a iniciativa de buscar o homem perdido (Gn 3.9). Desde Gênesis até Apocalipse, a missão é apresentada como a manifestação do amor divino pela humanidade (Sl 96.1-3; Mt 24.14; Ap 5.9). A Igreja não criou as missões; ela foi inserida pelo próprio Deus em seu projeto eterno de redenção. Portanto, evangelizar é participar da “Missio Dei” [Missão de Deus], isto é, da missão do próprio Deus no mundo.
 
1. Deus sempre desejou alcançar todas as nações.
Desde Gênesis, Deus demonstra interesse por todos os povos (Gn 12.3). A promessa feita a Abraão tinha alcance universal (Gn 18.18; 22.18). O Deus da Bíblia nunca foi um Deus nacionalista, mas missionário (Is 42.6; 49.6; Jn 4.2; Sl 67.1-7; Mt 24.14). O propósito divino sempre alcançou todas as etnias da terra (Ap 7.9).
 
2. Israel foi escolhido para cumprir uma missão.
Israel foi escolhido para servir de instrumento da revelação divina às nações (Êx 19.5,6; Is 43.10-12). Contudo, ao confundir eleição com exclusivismo (Jn 4.1-3; Mt 23.15), perdeu grande parte de sua visão missionária. Ainda assim, Deus permaneceu fiel ao seu plano redentor (Rm 3.1-4; 11.11-15; Gl 3.8).
 
3. A Igreja recebeu a continuidade da missão.
Com Cristo, a responsabilidade missionária alcança sua plenitude na Igreja (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.46-49; Jo 20.21; At 1.8). A Igreja tornou-se a agência missionária estabelecida por Deus para anunciar o Evangelho entre todos os povos (Ef 3.8-11). Capacitada pelo Espírito Santo (At 13.1-4; 16.6-10), deve ultrapassar fronteiras geográficas, culturais, linguísticas e religiosas até que todas as nações ouçam a mensagem da salvação (Rm 10.13-15).


V. A MISSÃO CONTINUA ATRAVÉS DA IGREJA
A obra missionária não termina com a evangelização de um povo ou cidade. O trabalho da Igreja também envolve fortalecer os novos convertidos, organizar as igrejas locais e permanecer comprometida com a expansão do Reino de Deus. O exemplo de Paulo e Barnabé continua sendo um modelo para a Igreja de todos os tempos.
 
1. As igrejas são fortalecidas.
Depois de anunciar o Evangelho, Paulo e Barnabé voltaram às cidades visitadas fortalecendo os discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé e estabelecendo presbíteros em cada igreja (At 14.21-23). O objetivo da missão não era apenas ganhar almas, mas consolidar comunidades cristãs.
 
2. Os missionários prestam contas à igreja enviadora.
Ao regressarem à Antioquia da Síria, reuniram a igreja para relatar tudo quanto Deus havia realizado entre os gentios (At 14.26-28). Esse modelo demonstra que o trabalho missionário deve manter vínculo permanente com a igreja local.
 
3. O propósito missionário permanece até hoje.
A primeira viagem missionária tornou-se modelo para todas as gerações (Mt 24.14; Ap 7.9; Rm 10.13-15). O mesmo Deus que enviou Paulo e Barnabé continua chamando, capacitando e enviando Sua Igreja para anunciar o Evangelho a todos os povos, até que Cristo venha.


VI. A IGREJA COMO INSTRUMENTO DA MISSÃO DE DEUS
A missão que nasceu no coração de Deus e foi consumada em Cristo continua sendo realizada por meio da Igreja. O Senhor não apenas salva pessoas de todas as nações, mas também levanta um povo comprometido em proclamar o Evangelho até os confins da terra. A Igreja é chamada a viver, sustentar e expandir a obra missionária no poder do Espírito Santo.
 
1. A Igreja é enviada ao mundo.
Assim como o Pai enviou o Filho, Cristo enviou sua Igreja (Jo 20.21). O chamado missionário é universal e alcança todos os discípulos (Mt 5.13-16; Mt 28.19,20; Mc 16.15; At 1.8). Evangelizar não é uma opção, mas uma responsabilidade confiada por Deus à Igreja (1Co 9.16; Rm 10.14,15).
 
2. O Espírito Santo capacita a Igreja para cumprir sua missão.
Nenhuma missão pode ser realizada apenas pela capacidade humana. O Espírito Santo concede poder para testemunhar (At 1.8), dirige os missionários (At 13.2-4; 16.6-10), distribui dons espirituais (1Co 12.4-11), fortalece a Igreja nas perseguições (At 4.29-31) e confirma a Palavra com sinais (Mc 16.20; Hb 2.3,4).
 
3. O alvo final das missões é a glória de Deus entre todos os povos.
O propósito supremo da obra missionária não é apenas o crescimento da Igreja, mas que Deus seja conhecido e glorificado por todas as nações (Sl 67.1-7; Sl 96.1-3; Ml 1.11). A visão final da Bíblia mostra pessoas de toda tribo, língua, povo e nação adorando ao Cordeiro (Ap 5.9,10; 7.9-10). As missões transculturais caminham para esse glorioso cumprimento escatológico.


CONCLUSÃO
A primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé demonstra que as missões transculturais são a expressão prática do propósito eterno de Deus. O Senhor enviou Seus servos a Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe para anunciar o Evangelho entre os gentios, confirmando que Seu plano sempre foi alcançar todas as nações. Hoje, a Igreja continua participando dessa mesma missão, proclamando Cristo até os confins da terra, fortalecendo discípulos e estabelecendo igrejas para a glória de Deus. 





REFERÊNCIAS
Ø GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD. 
Ø  GABY, Wagner. Até os confins da Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.
Ø  PEARLMAN, Myer. Atos: E a Igreja Fez Missões. CPAD.
Ø  PEREIRA, Shostenes. Fundamentação Bíblica para a Evangelização. BEREIA.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





segunda-feira, 6 de julho de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS
EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA
Lições Espirituais no Livro de Juízes.









Lição 1
Hora da Revisão

A respeito de “O Livro de Juízes: Quando Cada um Fazia o que Parecia Certo”, responda:
 
 
1. Sob a liderança de quem o povo de Israel avançou para conquistar a Terra Prometida?
Josué.
 
2. Quem foram os juízes, no que diz respeito às suas funções?
Os juízes foram pessoas levantadas e capacitadas sobrenaturalmente por Deus para serem usadas como instrumentos de libertação contra os povos que procuravam oprimir Israel.
 
3. Geralmente, como são divididos os juízes?
Geralmente são divididos em dois grupos, conforme a extensão e o destaque dado a suas histórias: os juízes maiores e os juízes menores. Entre os juízes maiores estão: Otniel, Eúde, Débora, Gideão, Jefté e Sansão. Já entre os juízes menores, citados de forma mais breve, estão: Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom.
 
4. Quais eram as virtudes dos juízes, dignas de verdadeiros heróis?
As pessoas as quais Deus levantou para serem juízes nesse período, expressaram virtudes dignas de verdadeiros heróis, como coragem, valentia, sabedoria, obediência, humildade e fé intensa.
 
5. De que forma o livro de Juízes destaca a atuação do Espírito Santo?
Em vários momentos no texto, a expressão “o Espírito do Senhor se apoderou de...” aparece, indicando que o poder para julgar, guerrear e liderar não vinha da habilidade natural, mas da intervenção divina.



 

domingo, 5 de julho de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






A IGREJA DOS GENTIOS -
Da chamada Missionária à Consolidação
do Evangelho entre os Povos.









Lição 1
Revisando o Conteúdo

A respeito de O chamado para os Gentios” responda:          
 
 
1. Em qual cidade os discípulos foram chamados “cristãos” pela primeira vez?
Antioquia da Síria.
 
2. Quem ordenou para que separassem Saulo e Barnabé para as nações?
O Espírito Santo.
 
3. Por que os discípulos evangelizavam com coragem, discernimento e alegria?
Porque os discípulos viviam cheios do Espírito.
 
4. Quais evidências mostram a clara intervenção do Espírito nas primeiras viagens missionárias?
Portas se abrem, vidas são transformadas e igrejas são plantadas apesar de perseguições.
 
5. Por que Antioquia da Síria serve de modelo para toda a comunidade cristã?
Antioquia é uma igreja que ora, jejua e discerne a direção divina.
 



sexta-feira, 3 de julho de 2026

LIÇÃO 1 – O CHAMADO PARA OS GENTIOS






At 13.1-12


 
INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos sobre A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos, onde teremos a oportunidade de estudar a expansão do Evangelho, tomando por base os capítulos 13 a 28 do livro dos Atos dos Apóstolos, principalmente o ministério do apóstolo Paulo, entre os gentios. Nesta primeira lição, definiremos o termo “chamado” e “gentios”; veremos o modelo missionário da igreja de Antioquia; e, finalmente, citaremos o Espírito Santo como principal agente da obra missionária.


I. DEFINIÇÕES
1. Definição do termo chamado.
“O convite feito aos pecadores para o estado de graça, por meio da pregação do evangelho. Essa chamada harmoniza-se com o propósito divino no tocante a cada pessoa (Rm 8.28; 2Tim 1.9). Isso conduz os homens à mais elevada glória e felicidade (Fl 3.14), mas essa chamada não é atendida por muitos dos sábios e poderosos (1Co 1.26,27). Trata-se de uma chamada santa e gloriosa (2Pe 1.3). É uma chamada celestial (Hb 3.1). É uma chamada determinada e mantida pela vontade divina (Rm 8.29). É universal (Jo 3.16; Ap 22.7; 1Tm 2.4). Tem resultados universais (Jo 12.32; Ef 1.10), nos que se salvam ou nos que se perdem (2Co 2.14,15).” (Champlin, 2014, p. 710, vol. 1).
 
2. Definição do termo gentios.
Segundo Andrade, (2019, p. 200), o termo “gentios vem do hebraico goy e do latim genetivus. É todo aquele nascido fora da comunidade de Israel, e estranho às alianças que o Senhor Deus estabeleceu com o seu povo no Antigo Testamento (Ef 2.11, 12). Τοdavia, quando o gentio recebe a Cristo, torna-se imediatamente herdeiro dos mesmos privilégios que o israelita piedoso desfruta em Deus (Rm 2.29)”. De forma simples, podemos afirmar que os gentios são povos que não são da descendência de Abraão, Isaque e Jacó (Sl 2.1; 117.1; Mt 12.21; At 13.47).
 
3. Judeus e gentios.
A Bíblia nos mostra claramente que o desejo de Deus sempre foi alcançar todas as nações, e não apenas Israel. Ao chamar Abraão, Ele disse: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Os salmos convidam todos os povos a louvar ao Senhor (Sl 67.1-4; 100.1), e os profetas anunciaram que os gentios seriam chamados à salvação (Is 49.6; Jr 16.19). No Novo Testamento, Jesus confirmou esse plano universal ao declarar que Deus amou o mundo [judeus e gentios] (Jo 3.16). Antes de ascender aos céus, ordenou que seus discípulos pregassem o evangelho a todas as nações (Mt 28.19-20), a toda criatura (Mc 16.15) e até os confins da terra (At 1.8). Assim, o chamado à salvação para os gentios, não se deu por causa da incredulidade do povo judeu, mas, através de um plano de salvação que já estava predito nas Sagradas Escrituras (Is 60.3; Rm 1.16; Ef 2.14; 3.6).


II. O MODELO DE MISSÕES DA IGREJA DE ANTIOQUIA
“Antioquia da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). [...] Paulo saiu de Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho” (Gaby, 2026, p. 6). Vejamos o exemplo missionário dessa igreja, que se tornou no modelo para todas as demais:
 
1. Barnabé e Paulo serviam na Igreja Local (At 13.2).
Quando Barnabé foi enviado pelos apóstolos à igreja que estava em Antioquia, ele partiu para Tarso, para buscar Saulo, e durante um ano inteiro eles estiveram naquela igreja e ensinaram aqueles novos conversos (At 11.22-24). Em Atos 13.2 o médico Lucas diz que eles estavam servindo ao Senhor e jejuando, juntamente com outros profetas e doutores. Isso nos ensina que a igreja local é o melhor centro de treinamento missionário. Nem todos os missionários transculturais tiveram a oportunidade de fazer um curso de teologia ou missiologia, mas, todos, sem exceção, tiveram um período de treinamento em sua igreja local. “Deus designou os dois melhores homens da Igreja de Antioquia para que desempenhassem a nobre tarefa de missão transcultural. “para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Essa mensagem provavelmente foi a confirmação de uma vocação a uma obra a qual o Espírito Santo já os tinha chamado, pois Antioquia tinha sido uma escola missionária para eles (At 11.22-26)” (Gaby, 2023, p. 128).
 
2. Barnabé e Paulo foram separados pelo Espírito Santo para a obra missionária (At 13.2).
“Paulo e Barnabé foram chamados à obra missionária e enviados pela igreja de Antioquia. As características dessa obra estão descritas em (At 9.15; 13.5; 22.14,15,21 e 26.16-18). Paulo e Barnabé foram chamados para pregar o evangelho e conduzir homens e mulheres à salvação em Cristo. [...] O alvo dos missionários era conduzir pessoas a Cristo (At 16.31; 20.21), livrá-las do poder de Satanás (At 26.18), levá-las a receber o Espírito Santo (At 19.6) e organizá-las em igrejas. Nesses novos cristãos, o Espírito Santo veio habitar e manifestar-se através do amor; Ele deu dons espirituais (1 Co 12-14) e transformou esses fiéis de tal maneira que suas vidas glorificavam ao seu Salvador. Os missionários do evangelho de hoje devem ter a mesma atividade prioritária: ser ministros e testemunhas do evangelho, que levem outros a Cristo, livrando-os do domínio de Satanás (At 26.18), fazendo-os discípulos, motivando-os a receber o Espírito Santo e os seus dons (At 2.38; 8.17) e ensinando-os a observar tudo quanto Cristo ordenou (Mt 28.19,20)” (Stamps, 1995, p. 1659).

3. Barnabé e Paulo tiveram a chamada reconhecida pela Igreja (At 14.26; Gl 2.9).
A igreja confirmou seu chamado e os enviou para o campo missionário. Faz parte do ministério do Espírito Santo, trabalhando por meio da igreja local, preparar e chamar cristãos para ir a outras partes e servir. “A igreja solene e oficialmente reconheceu a vocação missionária dos irmãos. Deus opera juntamente com sua igreja. Ela deve reconhecer publicamente a vocação para o ministério recebida da parte de Deus. [...] Observe a combinação: “... os despediram” e “... enviados pelo Espírito Santo”. Ver também Atos 15.28, que demostra como a igreja deve trabalhar em harmonia com o Espírito Santo” (Pearlman, 1995, p. 145).
 
4. Barnabé e Paulo foram enviados pela Igreja em Antioquia (At 13.3).
A despedida dos missionários foi precedida por mais uma sessão de oração e jejum, tratando-se de um período de intercessão em prol da obra. Depois, os missionários receberam a imposição das mãos, o que segundo Champlin (2002, p. 258 - acréscimo nosso) era um método usado para a consagração de pessoas às funções oficiais da igreja cristã, desde os tempos primitivos como uma forma de aprovação e reconhecimento de alguém para uma tarefa específica (1Tm 4.14; 2Tm 1.6), como também pode indicar um ato de benção, de concordância, de identificação com eles para o trabalho (At 6.6), enfatizando o compromisso da igreja na comissão dos missionários, os recomendando à graça de Deus (At 14.26).
 
5. Barnabé e Paulo prestavam relatório a Igreja de Antioquia (At 14.24-28).
Os missionários haviam passado em vários lugares estratégicos, enfrentando muitos desafios, porém, cumpriam com êxito a obra que lhes fora confiado. Ao regressarem, prestam contas das atividades realizadas, do sucesso da obra missionária. “Ao fim de cada uma das viagens missionárias, Paulo e a sua equipe prestavam contas à igreja que os havia recomendado. O modelo de missionários “independentes”, que respondem “somente ao Senhor”, não é bíblico. Nem o apóstolo Paulo deixava de relatar o que estava fazendo à sua igreja de origem (14.27,28)” (Gaby, 2023, p. 132). A igreja estava reunida para ouvir as notícias desse primeiro avanço missionário. Paulo e Barnabé relatam cuidadosamente não o que fizeram por Deus, mas o que Deus fez com eles e por eles (At 14.27,28;). Não há trabalho missionário desconectado da igreja local (At 16.4). Eles se abastecem na comunhão da igreja e, também, encorajam a igreja a estar ainda mais comprometida com a obra missionária.


III. O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA
No livro de Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é o grande agente da obra missionária. Ele capacita, dirige, envia, orienta e fortalece os servos de Deus na expansão do evangelho. “O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas, promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo” (Gaby, 2026, p. 10). Vejamos algumas das muitas atuações do Espírito Santo na obra missionária: 
  • Capacita os discípulos para testemunhar (At 1.8).
  • Reveste a Igreja de poder para a evangelização (At 2.1-4).
  • Concede ousadia na pregação da Palavra (At 4.31).
  • Confirma o testemunho cristão por meio de sinais e maravilhas (At 2.43; 5.12).
  • Dirige a escolha de líderes para o serviço cristão (At 6.3,5).
  • Impulsiona os pregadores a anunciarem Cristo (At 8.29).
  • Derruba barreiras étnicas e culturais para a expansão do evangelho (At 10.44-48; 11.15-18).
  • Chama obreiros para a obra missionária (At 13.2).
  • Envia missionários ao campo de trabalho (At 13.4).
  • Concede poder para enfrentar a oposição espiritual (At 13.9-12).
  • Dirige os caminhos da missão, impedindo ou autorizando determinados percursos (At 16.6-10).
  • Constitui líderes espirituais para cuidar da Igreja (At 20.28).
  • Consola e fortalece a Igreja em meio às perseguições (At 9.31).
  • Promove a unidade entre judeus e gentios na Igreja (At 15.28).
  • Concede alegria aos discípulos mesmo em meio às dificuldades (At 13.52).


CONCLUSÃO
Como pudemos ver, o plano de salvação estabelecido por Deus abrange todos os seres humanos, e não apenas o povo judeu. Assim, os gentios também são chamados à salvação, através da fé em Cristo Jesus. E, para cumprir a tarefa da evangelização transcultural, Deus escolheu a igreja de Antioquia, que se tornou, não apenas a primeira igreja missionária, mas, também, o modelo para as demais. E, nesta igreja, o Espírito Santo falou, separando a Paulo e a Barnabé para esta grande obra. Podemos afirmar que Ele continua chamando, vocacionando e capacitando Seus servos para evangelização mundial.




REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  CHAMPLIM, Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø  GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø  GABY, Wagner. Até os confins da Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.
Ø  PEARLMAN, Myer. Atos: E a Igreja Fez Missões. CPAD.
Ø  PEREIRA, Shostenes. Fundamentação Bíblica para a Evangelização. BEREIA.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.