sexta-feira, 24 de abril de 2026

LIÇÃO 4 – A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA





 
Gn 17.1-9
  


INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a confirmação da promessa de Deus na vida de Abraão. Veremos por que a mudança do nome foi um sinal utilizado por Deus para confirmar a Sua promessa. Analisaremos que Abrão viveu em uma época denominada “Dispensação da Promessa” e, por fim, destacaremos a aliança de Deus com Abraão que estava baseada em muitas promessas, dentre as quais, estão Cristo e a igreja. 

 
I. A FORÇA DO NOME NA CULTURA HEBRAICA 
A relevância dada ao nome nas culturas antigas não é a mesma de hoje. Em nossa cultura, o nome de uma criança é escolhido conforme a moda, a combinação ou ao quanto seja agradável aos ouvidos. Nos tempos dos patriarcas, um nome era dado considerando condições, circunstâncias, eventos específicos e, até mesmo, o desejo de que a criança vivesse o significado empregado no seu nome. Para entendermos o porquê a confirmação da promessa de Deus a Abrão tem como sinal a mudança do seu nome, precisamos compreender a importância que Deus e os povos antigos davam ao nome de alguém.

1. Nome.
A palavra “nome” do hebraico “shem” ocorre diversas vezes na Escritura. No Antigo Testamento o nome pode carregar a memória ou a menção de algo ou alguém. “Originalmente, o termo hebraico shem significava “sinal” ou “senha”, de tal modo que o nome era um meio de identificação de uma pessoa ou coisa. Assim, um nome era um sinal da linguagem que embojava em si mesmo o sentido específico da pessoa ou coisa nomeada, ou seja, o nome servia de comentário breve sobre o indivíduo, na esperança de que ele viveria à altura das expectações envolvidas no seu nome” (Champlin, 2013, p. 516). O nome era visto como um sinal, senha ou comentário. Mudar o nome de Abrão era refazer sua própria história ou mudar as expectativas em torno dela.

2. Significados e usos dos nomes.
Muitos nomes na Escritura foram dados ou mudados por ocasião de algum acontecimento relevante. A Escritura confere grande importância aos nomes. Vejamos algumas motivações para determinados nomes:
  • Eventos marcantes no nascimento da criança lhe determinava seu nome. Foi o caso de Jacó, que significa “usurpador” (Gn 27.36); Benoni, “filho da minha dor”, sempre que alguém o chamasse, seria remetido ao acontecimento do parto (Gn 35.18); Icabô, “foi-se a glória de Israel” (1Sm 4.21,22); Jabez, “dor ou tristeza” (1Cr 4.9).
  • Características físicas também determinavam o nome. Esaú, “cabeludo” (Gn 25.25); Edom, “vermelho” (Gn 25.25,30); Labão, “branco”, provável referência à pele ou cabelo (Gn 24.29); Coré, “calvo” aponta para uma característica física marcante (Nm 16.1).
  • Exaltar o nome de Deus. Maalalel, “louvor a Deus” (Gn 5.12); Elioenai “meus olhos voltam-se para Yahweh” (1Cr 3.23); Josué, “Yahweh é salvação” (Js 1.1); Israel, “príncipe de Deus” (Gn 32.28).
  • Exaltar divindades pagãs. Baal-Hanã significa “baal é gracioso” (Gn 36.38); Esbaal “homem de baaal” ou “baal existe”, nome do filho mais novo de Saul que evidencia a influência do paganismo sobre o rei de Israel (1Cr 8.33); Zorobabel, “nascido na Babilônia” (Ed 3.8-10).

3. O nome Abrão.
Abrão recebe esse nome de seus pais que eram idólatras (Js 24.2). Não seria absurdo presumir, considerando a vida pagã da sua parentela, que esse nome reverenciasse a alguma das divindades do panteão Caldaico. Segundo o Pastor Elienai Cabral: “o nome original ‘Abrão’ (Gn 11.26) significava ‘pai elevado’ ou ‘pai das alturas’ [...] Seu nome ‘Abrão’ tinha relação com o paganismo de seu pai Terá” (2002, p. 19). Quanto à sua vida pregressa: “Lemos no livro de Josué que, nessa época, em Ur dos Caldeus, Abrão adorava outros deuses, e ele era um astrólogo, por assim dizer. Segundo a tradição interpretativa dos rabinos, a palavra “Abrão” significa “pai elevado”, ou “pai que olha para cima”, o que sugere que Abrão ficava olhando as estrelas para tentar adivinhar o futuro. Assim, podemos presumir que ele era um pagão, quando Deus lhe apareceu” (Nicodemus, 2023, p. 24). Quando Deus muda o nome de Abrão, estava desfazendo seu vínculo com o paganismo e mudando os comentários ao seu respeito. Não seria mais atrelado à qualquer atividade da sua vida antiga, mas serviria ao Deus Todo Poderoso (Gn 17.1) e seria chamado de pai de multidões ainda quando tinha apenas um filho (Gn 16.15). Esses são os passos de fé do patriarca Abraão.


II. A DISPENSAÇÃO PATRIARCAL
1. Dispensação.
Conforme o teólogo e escritor Scofield, é “um período de tempo durante o qual os homens são testados quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus” ou ainda, conforme o Pastor Claudionor de Andrade: “Período de tempo no qual Deus se revela de modo distinto e particular ao ser humano” (1998, p. 124). De modo geral, considera-se sete dispensações: a) Inocência; b) Consciência; c) Governo humano; d) Promessa; e) Lei; f) Graça; g) Milênio (Champlin, 2013, p. 187). Em todos esses períodos da história o homem foi salvo pela graça por meio da fé (Gn 6.8; 15.6; Sl 32.1,2; Hc 2.4; Gl 2.16; Ef 2.8). Por isso, “As dispensações [...] têm de ser vistas como etapas da revelação de Deus, e não como modos distintos de o homem se salvar. Pois só há um único meio de nos salvarmos: aceitar integralmente a graça que nos oferece o Senhor. Em todas as dispensações, a graça sempre foi abundantemente dispensada” (Champlin, 2013, p. 187).
 
2. Dispensação Patriarcal.
Até a instituição da lei e formação da nação de Israel, Deus não fez alianças com nações, mas com indivíduos específicos. Abraão viveu num período denominado de “Dispensação Patriarcal”, porque foi uma época em que a liderança espiritual estava concentrada no chefe de família, o patriarca (Gn 18.19). “A Dispensação Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma”. Também é conhecida como “Dispensação da Promessa” porque “teve início com a aliança de Deus com Abraão” (Olson 1981, p. 64). Ela durou aproximadamente 430 anos, desde a chamada de Abraão até a saída de Israel do Egito (Gl 3.17; Êx 12.40; Hb 11.9,13).
 
3. Abraão, um modelo de fé.
Mesmo antes da revelação especial de Cristo, a salvação nunca foi por obras, mas por fé, pois está escrito que por ela Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e todos os demais alcançaram aceitação diante de Deus (Hb 11.1-40). O escritor aos Hebreus, na denominada “galeria dos heróis da fé”, indica que todos esses foram modelos de fé cada qual em seu tempo (dispensação). Abraão, contudo, foi escolhido para ser um modelo de fé para a sua dispensação e para as próximas (Rm 4.16,17; Gl 3.7,9,14,16,29). Deus exigiu que Ele andasse em Sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1), assim como exigiria de Israel o mesmo padrão de fé para que fosse modelo para as demais nações (Êx 19.5,6).
 

III. A ALIANÇA ABRAÂMICA
Depois da sua primeira chamada em Ur dos Caldeus (At 7.2,3), Deus apareceu ainda sete vezes a Abraão (Gn 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18.1-33; 22.1-18). O Senhor renovou o velho patriarca diversas vezes reafirmando as suas promessas. Mas, como vimos, é na aparição registrada em Gênesis 17 que Deus confirma sua promessa deixando um sinal indelével: a mudança do seu nome e do nome de sua esposa (Gn 17.5-8). As promessas de Deus a Abraão foram muitas, elas se cumpririam no seu presente, no seu futuro e abrangeria sua descendência tanto na carne quanto na fé.
 
1. Promessas a Abraão cumpridas no seu presente.
a) Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2); b) fazer dele uma bênção; (Gn 12.2); c) ser benigno com quem o fizesse bem a Abraão e mal a quem o fizesse mal (Gn 12.3); d) lhe entregar Canaã (Gn 13.5); e) ser seu escudo e galardão (Gn 15.1); e f) ser o seu Deus (Gn 17.7).
 
2. Promessas a Abraão cumpridas no seu futuro.
a) fazer grande o seu nome (Gn 12.2); b) fazê-lo grandemente frutífero como as estrelas do céu e a areia do mar (Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-25); c) fazê-lo pai de uma grande nação (Gn 12.2; 18.18); d) ser progenitor de reis (Gn 17.6); e) pai de muitas nações (Gn 17.4); e f) fazê-lo uma benção a todas as famílias da terra (Gn 12.2,3; 18.18).
 
3. Promessas para os herdeiros de Abraão por Isaque.
a) a possessão da terra de Canaã (Gn 12.7; 13.14; 15.18-21; 17.7,8) Yahweh seria o seu Deus (Gn 17.8); possuir a porta dos seus inimigos (Gn 22.17); um descendente (semente) que seria a razão das bençãos a todas as famílias da terra, esse descendente é Cristo (Gn 22.18; Gl 3.16; Gn 3.15).
 
4. Promessas para os herdeiros de Abraão por Ismael.
Uma descendência incontável de Ismael (Gn 16.10); os ismaelitas se tornariam uma grande nação (Gn 21.13); repleta de príncipes (Gn 17.20).
 
5. Promessas para os herdeiros de Abraão na fé.
a) herança das promessas de Abraão em Cristo (Gl 3.29); b) entrada na descendência espiritual de Abraão (Gl 3.7); c) participação na promessa da salvação para todas as nações (Gn 12.3); d) a justificação que é uma bênção de Abraão porque ela é feita por meio de Jesus (Rm 3.24 5.1), que é descendente de Abraão (Mt 1.1; Gl 3.16); e) o recebimento do Espírito Santo (Gl 3.14b); a nova pátria (Hb 11.16). 


CONCLUSÃO
Mudar o nome de alguém é mudar a sua própria história. Deus continua mudando nomes, mudando histórias. Até nisso somos filhos de Abraão, na fé, pois ele foi o primeiro personagem bíblico a ter o seu nome mudado. Ter o nome mudado é ter o presente e o futuro redirecionados para a glória de Deus. Ele foi chamado para ser exemplo de fé em sua época, para ensinar sua família e receber promessas que se cumpriram, estão se cumprindo e ainda hão de se cumprir. Deus é fiel! 



 
REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  CABRAL, Elienai. Abraão: As experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø  CHAMPLIN, Russell. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4. Hagnos.
Ø  NICODEMUS, Augustus. Abraão o pai da fé. Vida Nova.
Ø  OLSON, Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.




LIÇÃO 4 - A FALÁCIA DA IDEOLÓGIA DE GÊNERO

 
Vídeo Aula - Pastor Eduardo





LIÇÃO 4 - A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA (V.2)

 
Vídeo Aula - Pastor Elinaldo





segunda-feira, 20 de abril de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






ENTRE A VERDADE E O ENGANO
Combatendo Ideologias e Ensinos que se
Opõem à Palavra de Deus.









Lição 3
Hora da Revisão

A respeito de “A Falácia do Relativismo Ético-Moral”, responda:
 
 
1. O que o Relativismo ético-moral defende?
O Relativismo ético-moral defende a ideia de que não existem verdades morais absolutas, e que o que é certo ou errado varia de acordo com a cultura, o período histórico ou a opinião pessoal.
 
2. Sem o padrão moral revelado por Deus, como a humanidade caminha?
Sem o padrão moral revelado por Deus, a humanidade caminha em trevas (Ef 4.17-19).
 
3. A ética bíblica não é apenas um conjunto de regras. De acordo com a lição, ela é mais o quê?
A ética bíblica não é apenas um conjunto de regras, mas um chamado à transformação interior pelo Espírito Santo.
 
4. Sem firmeza na Palavra, o cristão torna-se vulnerável a quê?
Sem firmeza na Palavra, o cristão torna-se vulnerável à apostasia.
 
5. Em tempos de Relativismo, o que é necessário que a Igreja seja?
É necessário que a igreja seja uma “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3.15).



 

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






 HOMENS DOS QUAIS O
MUNDO NÃO ERA DIGNO -
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó.









Lição 3
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Impaciência na Espera do Cumprimento da Promessa” responda:          
 
 
1. Segundo a lição, o que Deus usa para forjar o nosso caráter?
O Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o nosso caráter.
 
2. O que acontece quando deixamos a impaciência tomar o nosso coração?
Quando deixamos que a ansiedade e a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração, a nossa fé sucumbe e acabamos cometendo muitos erros.
 
3. Segundo o Salmo 40.1, como devemos esperar?
Devemos esperar com paciência no Senhor.
 
4. Quais foram as primeiras consequências do erro de Sarai?
As primeiras consequências foram a competição e a soberba.
 
5. Como deveria se chamar o filho de Abrão com Agar? Qual o significado do seu nome?
Ismael. O significado do nome Ismael é “Deus ouviu”.




 

sábado, 18 de abril de 2026

LIÇÃO 3 – A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA






Gn 16.1-16



INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o capítulo 16 do livro de Gênesis, que registra a ocasião em que Abrão, seguindo o costume da terra e o conselho de sua esposa Sarai, numa tentativa de “ajudar” a Deus a cumprir com a Sua promessa, possui a escrava egípcia Agar, que gera a Ismael. Esta atitude precipitada de Abrão gerou uma série de conflitos familiares que perduram até os dias de hoje. Definiremos o termo “impaciência”; citaremos outros exemplos bíblicos de pessoas que não tiveram paciência de esperar o cumprimento da promessa de Deus; Veremos como ocorreu a proposta de Sarai para Abrão e o consequente nascimento de Ismael; e, finalmente, elencaremos recomendações bíblicas sobre a paciência.

 
I. DEFINIÇÕES E EXEMPLOS DE IMPACIÊNCIA NA BÍBLIA
1. Definição.
O dicionarista Houass (2011, p. 1578) define o termo “impaciência” como: “qualidade, estado ou condição de impaciente; falta de paciência; incapacidade para sofrer sem se desesperar ou para suportar algo molesto ou incômodo; pressa em atingir algum objetivo; estado de preocupação, irritação, aborrecimento ou irritabilidade”. Foi esta a atitude de Abrão e Sarai: impaciência para esperar o cumprimento da promessa de Deus. Deus havia feito a promessa a Abrão (Gn 15.4), que o seu servo Eliezer não seria o seu herdeiro, e sim, um filho gerado por ele. No entanto, ele não teve paciência para esperar o tempo de Deus.
 
A) Exemplos de pessoas impacientes na Bíblia. Além do patriarca Abrão, a Bíblia registra outros exemplos de pessoas que não souberam esperar o tempo de Deus. Vejamos alguns:
 
a) O povo de Israel.
Enquanto Moisés demorava no monte, o povo perdeu a paciência e pressionou a Arão para fazer um ídolo para ir adiante do povo na peregrinação com destino a Terra de Canaã. Resultado: esta atitude provocou a ira de Deus e a morte dos idólatras (Êx 32.1-35).
 
b) O rei Saul.
Não teve paciência para esperar o profeta Samuel que iria oferecer sacrifício ao Senhor, e ele mesmo sacrificou (1Sm 13.8-14). Resultado: foi rejeitado por Deus e o reinado não perpetuou através de sua linhagem. Estes e outros textos da Bíblia nos ensinam que a impaciência geralmente revela a falta de confiança no tempo de Deus e o foco no imediato, não no que é eterno. As consequências pela falta de paciência são inevitáveis.


II. A ATITUDE PRECIPITADA DE ABRÃO E SARAI E AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE AMBOS 
O capítulo 16 de Gênesis, relata um momento de impaciência de Abraão e Sarai diante da promessa de Deus. Como Sarai não podia ter filhos, ela decide entregar sua serva egípcia, Agar, a Abraão para gerar um filho em seu lugar. Abraão aceita, e Agar engravida e dá à luz a Ismael. Essa atitude precipitada de Sarai trouxe diversas consequências para a família do patriarca Abrão, e foi registrada nas Sagradas Escrituras para que possamos evitar cometer os mesmos erros que eles cometeram. Vejamos como se deu esta atitude impaciente e precipitada do nosso pai na fé: 

1. A esterilidade de Sarai e sua decisão precipitada (Gn 16.1).
“Apesar de saber que lhe cabia prover um herdeiro a Abrão, Sarai não lhe dava filhos (Gn 16.1). Era dez anos mais jovem que Abrão (Gn 17.17), mas já estava com 75 anos e “já lhe havia cessado o costume das mulheres” (Gn 18.11), ou seja, havia passado da idade de ter filhos. Sarai atribuía sua esterilidade ao Senhor que me tem impedido de dar à luz filhos (Gn 16.2a). Como qualquer outra mulher (com algumas possíveis exceções em tempos modernos), Sarai desejava ter uma família e, portanto, elaborou um plano para obtê-la” (Adeymo, 2010, p. 35).
 
2. A decisão precipitada de Sarai (Gn 16.2,3).
“Seguindo um costume da terra, Sarai ofereceu a Abrão sua serva egípcia Agar, para que Abraão gerasse filho através dela. “Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filhos com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. 1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (Gn 2.24). 2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do “esforço humano segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Segundo a carne, equivale ao planejamento puramente carnal, humano, natural. Noutras palavras, nunca se deve tentar cumprir o propósito de Deus usando métodos que não são segundo o Espírito, mas esperando com paciência no Senhor e orando com fervor” (Stamps, 1995, p. 55, grifo nosso).
 
3. A gravidez de Agar e o conflito com Sarai (Gn 16.4-6).
“Não tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente lhe causou inveja e mal-estar. Talvez tenha dito a Sarai: “Está vendo? Ele me ama mais do que a você!” ou “Eu sou mais abençoada por Deus que você!”, “Você é estéril, e eu estou grávida!”. Palavras como essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai. Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a Abrão. Mas já era muito tarde” (Renovato, 2026, p. 35). 


III. A FUGA DE AGAR, O ENCONTRO COM O ANJO DO SENHOR E O NASCIMENTO DE ISMAEL 
Após a gravidez de Agar, começam os conflitos no lar do patriarca Abrão. Sarai começou a ser menosprezada por sua serva Agar. Então, Abrão deu carta branca a Sarai para fazer o que ela bem entendesse com sua serva. Sarai, então a afligiu e ela fugiu de sua face e o anjo do Senhor a encontrou no caminho. Vejamos: 

1. A fuga de Agar e o encontro com o Anjo do Senhor (Gn 16.7–9).
Depois de afligida por Sarai, Agar fugiu de sua face e encontrou-se com o anjo do Senhor. “O “anjo do Senhor” (às vezes chamado “o anjo de Deus”) é mencionado mais de 60 vezes na Bíblia e é o porta-voz pessoal de Deus e seu representante diante da humanidade. Em certas ocasiões no Antigo Testamento, o anjo praticamente é identificado com o próprio Deus, como no encontro de Jacó em Betel, com Moisés na sarça ardente e no livramento do Egito (Gn 31.13; Êx 3.2; Jz 2.1). Na época de Abraão, o anjo apareceu a Agar no deserto e disse-lhe que voltasse para sua senhora Sarai; prometeu também que Deus multiplicaria grandemente seus descendentes (Gn 16.712) (Gardner, 2016, p. 129).
 
2. A promessa a respeito de Ismael (Gn 16.10–12).
O Anjo do Senhor fala a Agar e promete que sua descendência será extremamente numerosa, impossível de contar (Gn 16.10). Em seguida, anuncia o nascimento de seu filho, que deverá se chamar Ismael, porque Deus ouviu o seu sofrimento (Gn 16.11). Também descreve o caráter e o destino de Ismael: ele seria um homem indomável, comparado a um jumento selvagem; viveria em conflito com todos, e todos estariam contra ele, habitando em tensão e oposição com seus irmãos (Gn 16.12). “Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede” (Gn 16.13-14) (Renovato, 2026, p. 37).
 
3. O nascimento de Ismael (Gn 16.15–16).
Abrão era da idade de oitenta e seis anos quando Ismael nasceu (Gn 16.16). “O nome Ismael significa Deus ouve e significa que Deus viu o modo injusto de Abrão e Sarai tratarem Agar, e que também agiu a respeito disso. Aquele nome dado antecipadamente foi um julgamento sobre Abrão, e revela que Deus abomina toda e qualquer injustiça entre os seus” (Stamps, 1995, p. 56). Os acontecimentos deste capítulo mostram claramente que escolhas erradas geram problemas persistentes. O erro de Abrão criou conflitos entre ele e Sarai (Gn 16.5; Gn 21.8-21; 25.6), entre Sarai e Agar (Gn 16.5-6) e entre os filhos, Isaque e Ismael, e seus descendentes (Gn 21.8-10).
 

IV. RECOMEDAÇÕES BÍBLICAS ACERCA DA PACIÊNCIA
Assim como a Bíblia adverte acerca do perigo da impaciência, ela também nos exorta a esperar com paciência. Vejamos alguns exemplos:
 
1. No Antigo Testamento.
“Descansa no Senhor e espera nele...” (Sl 37.7).
“Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Sl 27.14).
“Somente em Deus espera silenciosa a minha alma... Ó minha alma, espera somente em Deus...” (Sl 62.1,5).
“Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.31).
“Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós... bem-aventurados todos os que nele esperam” (Is 30.18).
 
2. No Novo Testamento.
“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10.36).
“...sejais imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb 6.12).
“Sede, pois, irmãos, pacientes... fortalecei o vosso coração...” (Tg 5.7,8).
“Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25).
“Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb 10.23).


CONCLUSÃO
A impaciência de Abrão e Sarai acarretaram drásticas consequências não só para suas famílias, mas, também, para toda humanidade, pois, ainda hoje existe rivalidade por parte dos descendentes de Isaque e de Ismael. Esperar em Deus não é fácil, mas, nunca é tempo perdido. Por isso, não devemos nos precipitar que querer “ajudar” a Deus a cumprir com as Suas promessas. O que Ele prometeu, Ele cumprirá, no tempo determinado, pois Ele não falha, não atrasa e não chega incompleto. Cada promessa tem o seu tempo certo e a maneira certa para se cumprir.
 



REFERÊNCIAS
Ø  ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. EDITORA GERAL.
Ø  GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø  KIDNER, Derek. Gênesis: Introdução e Comentário. EDITORA CULTURA CRISTÃ.
Ø  RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. O legado de Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.