sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 6 – O FILHO COMO O VERBO DE DEUS






Jo 1.1-5,14



INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre o Filho como o Verbo de Deus. Veremos a conceituação do termo Verbo e as suas atividades no princípio da criação. Analisaremos a Sua natureza, atestada na Escritura como compatível com a natureza de Deus Pai, sendo, porém, Pessoas distintas. Por fim, destacaremos que a unidade na divindade habilita o Verbo a revelar com fidelidade os atributos e as obras de Deus.
 
 
I. NO PRINCÍPIO ERA O VERBO
De antemão, observemos de forma breve a nuance existente na tradução do termo grego “Lógos”. Seu equivalente no português com predominância intercala entre os termos “Verbo” e “Palavra. Facilmente pode haver algum equívoco ou confusão no entendimento entre o conceito bíblico/teológico do “Verbo” e o “verbo” como classe gramatical que expressa ação, estado, fenômeno ou ocorrência.
 
1. A tradução da expressão Lógos para o português.
O termo grego Logos possui vários significados, como “palavra, mensagem, discurso, razão ou aquilo que comunica e revela”. No Novo Testamento, especialmente no Evangelho de João, Logos é usado como um título de Jesus, indicando que Ele é a revelação viva de Deus. Conforme explicam Low e Nida (2016, p. 358), trata-se do conteúdo da comunicação divina, culminando na afirmação de que “a Palavra se tornou ser humano” (Jo 1.14). Quando a Bíblia foi traduzida para o latim, Logos foi vertido por Verbum, termo que deu origem à palavra Verbo em português. Por causa da forte influência da tradição latina na história da Igreja, essa tradução foi mantida nas Bíblias em língua portuguesa. Nesse contexto, Verbo não se refere a uma classe gramatical, mas à ideia de pensamento reunido e expresso, ou seja, aquilo que procede da mente e se manifesta por meio da palavra (Vincent, 2013, pp. 20,21). Em versões mais modernas da Bíblia, como NVI, NVT e NTLH, utiliza-se o termo “Palavra”, que também expressa corretamente o sentido de Logos. Ambos os termos comunicam a mesma verdade: Jesus é a expressão perfeita do que Deus pensa, fala e faz.
 
2. O Verbo no princípio.
A declaração de João: “No princípio era o Verbo” é entendida como “uma evidente alusão à primeira palavra de Gênesis. Mas João eleva a frase de sua referência a um ponto no tempo, o início da criação, para o tempo da absoluta preexistência, anterior a qualquer criação, que só é mencionada no versículo 3. Esse princípio não teve princípio” (Vincent, 2013, p. 20). Charles Swindoll explica que o verbo grego “eimí”, traduzido por “era” na sentença inicial de João, está conjugado no passado imperfeito, podendo ser lido exatamente da seguinte forma: “No princípio a Palavra [Verbo] estava existindo” (Swindoll, 2017, p. 30). Isto quer dizer que, no Bereshit [Gênesis], o momento da criação do universo, o Verbo já existia (Gn 1.1; Jo 1.1,3; Cl 1.16).
 
 
II. E O VERBO ESTAVA COM DEUS
1. A Palavra e a mente.
O apóstolo João prefere chamar o Filho de “Palavra” em vez de apenas “Filho” porque o termo comunica melhor a ideia de revelação. Enquanto “Filho” aponta para o relacionamento com o Pai, “Palavra” mostra como Deus se expressa e se dá a conhecer. A Palavra envolve quem a concebe, quem a pronúncia, aquilo que é comunicado e o efeito que produz em quem ouve (Marvin R. Vincent, 2013, pp. 26,27). Antes de se tornar homem [encarnação], o Filho estava “no seio Pai” (Jo 1.18), assim como um pensamento está na mente antes de ser expresso. O teólogo e escritor C. S. Lewis (2017, pp. 226–227) explica que o pensamento surge da mente de forma simultânea, não depois dela. Da mesma forma, o Filho procede eternamente do Pai: nunca houve Pai sem Filho. Portanto, quando João diz que o Verbo “estava com Deus”, afirma que o Filho sempre existiu em comunhão com o Pai, desde toda a eternidade (Pv 8.23; Jo 1.1-2; 17.5).
 
2. Nuances do termo “Deus” no Novo Testamento.
Em João 1.1, alguns afirmam que João estaria ensinando a existência de dois deuses, mas essa interpretação ignora o modo como o termo “Deus” [Théos] é usado no grego do Novo Testamento. Segundo os escritores Lothar Coenen e Colin Brown (2000, p. 556), a palavra “Deus” começou como um título de honra, aplicado àquele que ocupa a posição suprema. Na Bíblia, esse título pode ser usado de forma funcional ou honorífica, como em casos de líderes humanos ou até do diabo, chamado “deus deste século” por exercer domínio temporário (2Co 4.4). Contudo, no Novo Testamento, a expressão “Deus” refere-se predominantemente ao Pai, a ponto de funcionar como um nome próprio em vários textos. Quando o título “Deus” é aplicado ao Filho e ao Espírito Santo, ele não indica apenas função, mas natureza divina plena, compartilhada exclusivamente pelas três Pessoas da Trindade. Assim, João 1.1 não apresenta dois deuses, mas duas Pessoas distintas, o Pai e o Filho, que possuem a mesma essência divina (Jo 10.30; Cl 2.9; Hb 1.3).

3. O Verbo é criador.
O Verbo [Jesus] antes de se encarnar não era um ser impessoal. Não era como quando falamos: mera vocalização de um pensamento somente. Era uma Pessoa. Era Deus. Devemos entender a sua atuação na criação como na perspectiva do Antigo Testamento, onde “a ‘Palavra de Deus’ indica Deus em ação. Portanto, se entendermos logos nesse prólogo como ‘palavra em ação’, começaremos a fazer-lhe justiça [...] Deus é o criador, e o Verbo é o agente” (Bruce, 2000 apud Lopes 2019, pp. 1628,1630 – grifo nosso). A Escritura revela peremptoriamente a presença do Verbo como agente da criação, pios ele foi o agente ativo da criação: os céus foram feitos pela Palavra (Sl 33.6); tudo foi feito por meio dele (Jo 1.3); é criador do mundo (Jo 1,10); nele tudo foi criado (Cl 1.16); por meio dele foi feito o universo (Hb 1.2,3); por ele são todas as coisas (1Co 8.6).
 
 
III. E O VERBO ERA DEUS
O apóstolo João é categórico na revelação da divindade do Verbo (Jo 1.1,3,18). Encontramos grande diversidade de evidências da divindade do Verbo na Escritura. A terceira sentença de (Jo 1.1c): “e o Verbo era Deus”, é a conclusão lógica da afirmação das duas primeiras sentenças.
 
1. O Verbo possui os atributos de Deus.
Esta é uma verdade explícita acerca do Verbo. João destaca alguns atributos de Deus presentes no Verbo: preexistente (Sl 90.2; Is 43.10; Jo 1.1); possuidor da mesma essência de Deus (Jo 1.1c; 5.18; 10.30; 14.9-11; Ap 1.8); criador (Jo 1.3; Cl 1.16; Hb 1.2); fonte de vida (Jo 1.4a; 3.36; 5.25; 11.25,26; Cl 1.16,17).
 
2. O Deus unigênito.
João disse: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está junto do Pai, é quem o revelou” (Jo 1.18 – NAA). Em outras versões como a ARC, encontramos “Filho unigênito”. Contudo, “Deus unigênito é a única que se pode encontrar nos manuscritos anteriores ao século IV d.C., [...] a outra variante foi ganhando força após esse século, até o ponto de chegar a ser a mais comum das duas. Assim, a variante “Deus unigênito” é a mais antiga das duas, e, muito provavelmente, a que expressa o original do evangelho de João” (Champlin, 2014, p. 355). A variação dos termos não compromete a confiabilidade do Evangelho. Contudo, nos manuscritos originais, João se reportou a Jesus como “Deus unigênito”. É mais um texto onde o termo “Deus”, explicitamente, é atribuído ao Filho. Não é de se admirar, visto que esta verdade está exposta em outras partes do quarto Evangelho (Jo 1.1c; 5.18; 10.33; 20.28).
 
 
IV. O VERBO NO EVANGELHO CONFORME ESCREVEU JOÃO
O objetivo do Evangelho de João é afirmar quem “O Verbo” realmente é, combatendo os falsos ensinos do gnosticismo, que negavam a encarnação do Filho de Deus. Para isso, João destaca verdades fundamentais sobre Cristo.
 
1. O Verbo é Deus.
João declara claramente que Jesus é Deus (Jo 1.1). Ele é chamado Emanuel, “Deus conosco” (Is 7.14; Mt 1.23), e é reconhecido pelos apóstolos como o “Filho do Deus vivo” e o “verdadeiro Deus” (Mt 16.16; 1Jo 5.20). Jesus [o Verbo] possui prerrogativas divinas, como perdoar pecados, receber adoração e ter vida em si mesmo (Mt 9.2; Jo 5.26). Portanto, Ele não é um ser criado, mas eternamente Deus.
 
2. O Verbo é o Criador.
João afirma que todas as coisas foram criadas por meio de Jesus (Jo 1.3). Paulo ensina que Ele é o Criador, Herdeiro e Sustentador de tudo (Cl 1.16-17). Expressões como “primogênito” e “princípio da criação” não indicam que Cristo foi criado, mas que Ele é o Senhor e a origem de toda a criação (Hb 1.2-3).
 
3. O Verbo é a Luz.
Jesus veio ao mundo como a Luz que brilha nas trevas (Jo 1.4-5). Seu nascimento cumpre a profecia de Isaías sobre a grande luz que iluminaria os que estavam em trevas (Is 9.2; Mt 4.16). Ele mesmo declarou ser a “Luz do mundo”, trazendo revelação, salvação e direção aos que creem (Jo 8.12; 12.46).
 
4. O Verbo é Jesus.
João apresenta Jesus como o “Verbo eterno”, que sempre existiu com Deus e é Deus (Jo 1.1). Esse Verbo se fez carne, tornando-se plenamente humano sem deixar de ser divino (Jo 1.14; Fp 2.6-7). Jesus viveu uma vida humana real, experimentando fome, sede, cansaço, emoções e tentações, mas sem pecado. O Verbo [Jesus] se fez homem verdadeiro, com corpo, alma e espírito, para revelar Deus e salvar a humanidade (Jo 1.14; Hb 4.15). Embora Jesus tenha vindo para o seu próprio povo, muitos não o receberam (Jo 1.11). Contudo, todos os que o recebem pela fé recebem o direito de se tornarem filhos de Deus (Jo 1.12). A salvação é oferecida a todos, mas somente os que creem se apropriam dela.
 
 
CONCLUSÃO
Jesus é o Verbo, a Palavra de Deus. Esta verdade é muito bem exposta pelo evangelista João ao reportar-se a Ele como o “Logos”. Como visto, o conceito do Logos deve ser preferencialmente concebido a partir da perspectiva do Antigo Testamento, onde Ele é visto como “a Palavra de Deus em ação” ou a “ação executiva da Divindade”. Ele estava na criação (Jo 1.1a), na eternidade com Deus (Jo 1.1b) e era Deus (Jo 1.1c).
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  LOW, Johannes; NIDA, Eugene. Léxico grego-português do Novo Testamento. SBB.
Ø  COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. Vida Nova.
Ø  SWINDOLL, Charles. Comentário Bíblico Swindoll. Hagnos.
Ø  LOPES, Hernandes. Comentário Expositivo do Novo Testamento. Hagnos.
Ø  VINCENT, Marvin. Estudo do Vocabulário Grego do Novo Testamento.
Ø  LEWIS, C.S. Cristianismo Puro e Simples. Thomas Nelson.
Ø  CHAMPLIN, O Novo Testamento Interpretado. Hagnos.
   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

 



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

LIÇÃO 6 - O ESPÍRITO SANTO QUE REGENERA E SANTIFICA


Vídeo Aula - Pastor Marcelo
 




LIÇÃO 6 - O FILHO COMO O VERBO DE DEUS (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Douglas
 




LIÇÃO 6 - O FILHO COMO O VERBO DE DEUS (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 5
Hora da Revisão

A respeito de “O Filho que Redime”, responda:
 
 
1. Onde a imagem do Cordeiro de Deus aparece pela primeira vez?
A primeira vez que a imagem do Cordeiro de Deus aparece de forma clara na Bíblia é em Êxodo 12.
 
2. O que a mensagem de João Batista evoca a respeito de nosso Senhor?
Essa mensagem de João Batista evoca nosso Senhor como o Cordeiro do sacrifício perfeito, completo e suficiente para pagar, de uma vez por todas, o pecado de todo o mundo.
 
3. O que Hebreus 9.26 evoca?
Esse versículo evoca uma verdade afirmada em toda a Carta aos Hebreus, bem como a expressão usada por João Batista, [...]; havia apenas um propósito no ministério de Jesus: “aniquilar o pecado”.
 
4. A salvação tem a ver com um alto preço pago. Qual é esse preço?
O sangue de Jesus.
 
5. De acordo com o ensino da lição, como devemos viver a cada dia?
Viva cada dia como alguém que foi perdoado, liberto e acolhido — e não como quem ainda está preso ao passado de pecado.



 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.









Lição 5
Revisando o Conteúdo

A respeito de O Deus Filho” responda:          
 
 
1. Cite ao menos três atributos divinos de Jesus apresentados na lição.
Eternidade, imutabilidade e onisciência (entre outros).
 
2. A aparição de Moisés no momento da transfiguração de Jesus foi um ato divino carregado de significado escatológico. O que a sua presença indica?
Que toda a Lei aponta para Cristo como seu cumprimento.
 
3. Quem é o cumprimento da Lei e dos Profetas?
Jesus Cristo.
 
4. O sacrifício de Cristo é plenamente suficiente para quê?
Reconciliar o pecador com Deus.
 
5. A transfiguração é o anúncio do triunfo escatológico de Cristo sobre o quê?
Sobre o pecado, a morte e todo domínio do mal.



 

sábado, 31 de janeiro de 2026

LIÇÃO 5 – O DEUS FILHO






Lc 1.31,32,34,35; Mt 17.1-8
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre o Deus Filho, para isto veremos as provas bíblicas que demonstram a sua divindade, analisaremos três importantes atributos incomunicáveis de Deus presente em Cristo; focaremos na kenosis, ou seja, no auto esvaziamento e por fim pontuaremos a dupla natureza do filho do Deus filho.
 
 
I. QUEM É O DEUS FILHO?
O Filho de Deus não deve ser entendido como uma criação de Deus ou uma mera representação d’Ele. Pelo contrário, o Filho é, de fato, Deus. Esse princípio é confirmado nas Escrituras, conforme destacado em Romanos 9.5 e Hebreus 1.8, onde a natureza divina de Cristo é afirmada sem margem para dúvidas. As Sagradas Escrituras fornecem provas incontestáveis acerca da divindade de Jesus Cristo. Notemos:
 
1. Jesus é chamado “Deus”.
Ele foi chamado de Emanuel, que significa: “Deus conosco” (Mt 1.23). Pedro testificou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16), e chamou-O de “o Santo” (At 3.14) e de “nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1). Paulo disse que Jesus era o “próprio Filho de Deus” (Rm 8.32) e falou da glória do “grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). João escreveu que Jesus era o “Verbo” eterno (Jo 1.1), o “Unigênito do Pai” (Jo 1.14) e verdadeiro “Deus” (1Jo 5.20).
 
2. Jesus mesmo disse que era Deus.
Ele mesmo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai [...]” (Jo 14.9). Quando Ele foi tentado, disse a Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). No entanto, Ele recebeu adoração (Mt 28.9-17; 14.33; 15.25; Lc 24.52). Seria uma blasfêmia aceitar adoração, se Ele não fosse verdadeiramente Deus.
 
3. Suas obras provam a sua deidade.
Jesus é descrito nas Escrituras como criador de todas as coisas (Jo 1.3; Cl 1.16; 1Co 8.6; Hb 1.2,10), e por Ele, todas as coisas subsistem (At 17.28; Cl 1.17). Ele mesmo é a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 5.25); também perdoou e perdoa pecados (Mt 9.5; Lc 5.20; 7.47-50). O apóstolo João diz que aquele que nega a deidade de Cristo e rejeita Seu testemunho, demonstra que é inspirado pelo espírito do anticristo (1Jo 2.22,23). 


II. O DEUS FILHO E SEUS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS
Deus possui atributos que se dividem em dois grupos: comunicáveis e incomunicáveis. Os atributos incomunicáveis, como o próprio termo sugere, não são partilhados com nenhuma de suas criaturas. Contudo, Jesus manifesta todos os atributos divinos, evidenciando sua unidade com o Pai. Observemos:
 
1. Onipotente.
Após a ressurreição, Jesus apresentou-se aos discípulos e disse: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Observe que no antigo testamento, este atributo é revelado em Deus: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”. (Sl 62.11). A Bíblia apresenta outros textos nos quais é demonstrado que Jesus tem todo o poder (Mt 28.18; Lc 4.35,36,41). O apostolo João registrou uma declaração de Jesus que revela de forma inequívoca a onipotência de Cristo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8).
 
2. Onisciente.
Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17). No contexto da cura do paralítico em Cafarnaum, Jesus conhecendo os pensamentos de desaprovação dos escribas, disse: “por que pensais mal em vossos corações?” (Mt 9.4). Significa que Ele sabe o que está no coração e na mente das pessoas (Jo 2.25; Ap 1.8) (Baptista, 2025, p. 58).

3. Onipresente.
Jesus garantiu aos seus discípulos: “[...] onde estiverem dois ou três reunido no meu nome, aí estou no meio de vós” (Mt 18.20). Essa declaração de Cristo relava o atributo da onipresença, algo pertencente somente a Deus. “Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente tanto os bons quanto os maus”. (Pv 15.3). Após a ressurreição, Jesus afirmou de forma categórica que esta característica é intrínseca à sua natureza: “[...] estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).

 
III. O DEUS FILHO E O “AUTO-ESVAZIAMENTO” OU KENOSIS
O vocábulo “kenosis”, é oriundo do verbo grego, “kenoun”, que significa “esvaziar”. Talvez ele tenha relação com expressões do AT na Septuaginta (Tradução do Antigo Testamento para o grego), que descreve o ato de “derramar” (Gn 24.20), “esvaziar” (Is 53.12). A expressão “ekenôsen” não tem a intenção de falar do sentido metafísico, isto é, que Cristo tenha se despojado de seus atributos divinos, mas é uma expressão da totalidade de sua autorenúncia. Ele não quis usar de todos os seus direitos pessoais e seus interesses a fim de assegurar o bem-estar dos outros (Moody, sd, p. 15). Abaixo destacaremos duas interpretações da kenosis para nosso melhor entendimento:
 
1. A maneira errada desta doutrina.
A kenosis ou Teoria Kenótica ou ainda Teologia Kenótica surgiu quando vários teólogos interpretaram Filipenses 2.5-7 erroneamente ensinando que Jesus deixou de ser Deus no seu auto esvaziamento. Essa opinião da doutrina da kenosis postula que Jesus se “esvaziou da forma de Deus”, retendo apenas os atributos éticos de sua divindade como amor, misericórdia, paz, etc, e renunciou aos atributos infinitos como onipotência, onipresença, onisciência assumindo qualidades humanas.
 
2. A maneira correta desta doutrina.
Concordamos com a ideia do “auto esvaziamento de Cristo”, mas não com a noção de que ele deixou de ser divino, como alguns teólogos afirmam. A kenosis foi mais uma aquisição de atributos humanos do que uma desistência dos atributos divinos. O Logos se tornou carne e, enquanto nesta forma, assumiu uma subordinação temporária. Em outras palavras, sendo o Deus encarnado, ele livremente deixou de usar seus atributos (não deixou de tê-los) especialmente os atributos incomunicáveis, como onipresença ou onipotência, embora estes atributos ainda fizessem parte de sua natureza divina. [...] ao retornar ao trono celestial, ele assumiu novamente a plena igualdade, em todos os sentidos, com o Pai (Ferreira, 2010, pp. 529,530).


IV. O DEUS FILHO E A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS
A afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é plenamente Deus e plenamente homem. A doutrina da união hipostáticaé definida pela existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se separam e nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só “subsistência” eternamente (Grudem, 1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o sempre, visto que Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano (At 1.11; Ap 5.6). “[...] embora distintas, cada Pessoa da Trindade partilha a essência divina numa união perfeita e indivisível” (Barreto, 2025, p. 107). Vejamos:
 
1. A concepção virginal ressalta a união hipostática.
Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, sem confusão de naturezas. Por sua geração única, Ele é o Filho “Unigênito” do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18). A expressão unigênito “monogenes” é composta por dois vocábulos: “monos” [único, sozinho]; e “genos” [tipo, espécie, classe]. A junção desses termos significa “único em sua espécie”; “sem igual”; “singular” ou “exclusivo”. Desse modo, Jesus é único do seu tipo, o Filho singular em sua espécie, não criado, mas eterno, de natureza divina e com uma relação exclusiva com o Deus Pai (Baptista, 2025, p. 55, grifo nosso)
 
2. Jesus é plenamente Deus.
Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a Deus (Jo 5.17; Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23;). Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.
 
3. Jesus é plenamente homem.
Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada (Morris, 2007, p. 83).
 
4. A união hipostática e suas implicações soteriológicas e mediadoras.
A união das duas naturezas em Cristo não é apenas uma formulação dogmática abstrata, mas possui implicações diretas e essenciais para a obra da salvação. Sendo plenamente Deus, Cristo possui valor infinito para satisfazer plenamente a justiça divina; sendo plenamente homem, pode representar legitimamente a humanidade diante de Deus. É nessa condição singular que Ele se apresenta como o único “Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2.5). A natureza divina garante a eficácia eterna de sua obra redentora, enquanto a natureza humana assegura a identificação real com aqueles que Ele veio salvar (Hb 2.14-17). Assim, a união hipostática fundamenta tanto a possibilidade quanto a suficiência da expiação, pois somente alguém que fosse simultaneamente Deus e homem poderia reconciliar plenamente a humanidade caída com o Deus santo.


CONCLUSÃO
Nesta lição, foi abordado que o Filho de Deus possui atributos divinos equivalentes aos do Pai. Também foram discutidas duas doutrinas relevantes acerca da pessoa de Cristo: a doutrina do autoesvaziamento e a doutrina das duas naturezas, bem como suas implicações para a ortodoxia cristã.
 



REFERÊNCIAS
 Ø  ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø  BARRETO, Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. BEREIA.
Ø  SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø  THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. IBR. 
  

Por Rede Brasil de Comunicação.