sexta-feira, 31 de julho de 2026

LIÇÃO 05 - CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA






At 17.15-20,30-32
 
 
 

INTRODUÇÃO
O capítulo 17 de Atos registra uma das maiores demonstrações da sabedoria espiritual do apóstolo Paulo diante da filosofia humana. Em Atenas, considerada o maior centro intelectual do mundo greco-romano, Paulo apresentou Jesus Cristo como a resposta definitiva às inquietações filosóficas e religiosas da humanidade. Nesta lição estudaremos sobre Atenas como o berço da intelectualidade; pontuaremos sobre a idolatria que dominava aquela cidade; veremos a pregação de Paulo e como ele revela o Deus desconhecido; e por fim, destacaremos sobre a chamada divina ao arrependimento.
 

I. ATENAS: O BERÇO DA INTELECTUALIDADE
1. Atenas era o maior centro intelectual do mundo antigo.
De acordo com Gaby (2025, p. 49): “Atenas era politicamente insignificante. Apesar disso, a cidade ainda servia de grandíssimo interesse cultural, sendo conhecida como a capital da sabedoria grega e berço a democracia. A cidade era um destino de passagem obrigatória para estudantes e filósofos, que buscavam as suas academias e escolas para estudar filosofia, retórica e outras artes liberais”. A cidade era marcada pela busca incessante de novidades intelectuais (At 17.21), porém permanecia distante do conhecimento de Deus (At 17.18b).
 
2. A riqueza cultural e filosófica de Atenas.
“Atenas foi o maior centro de cultura e educação da antiguidade: “A escultura, a literatura e a oratória de Atenas, nos séculos V e IV a.C., nunca foram ultrapassadas; também na filosofia ela ocupava um lugar de liderança, sendo a terra natal de Sócrates e de Platão, e o lar adotivo de Aristóteles, Epicuro e Zeno” (Beacon, 2006, p. 340). É notório que Atenas possuía extraordinária riqueza cultural, mas vivia profunda pobreza espiritual (At 17.16). Paulo compreendeu que somente Cristo poderia responder às perguntas que a filosofia não conseguia solucionar (At 17.17,18; 1Co 1.20-25; Cl 2.8-10).
 
3. A filosofia sem Cristo permanece incompleta.
Atenas era dominada por duas correntes filosóficas principais: o estoicismo e o epicurismo (At 17.18). O teólogo Wiersbe (2009, p. 354) aponta que: “os estoicos eram materialistas e quase fatalistas em sua forma de pensar. Esse sistema de pensamento fundamentava-se no orgulho e na independência pessoal. A natureza era o deus deles, e pensavam que toda a natureza se movia aos poucos em direção a uma grande culminância. Podemos dizer que eram panteístas. E os epicureus, que desejam o prazer, cuja filosofia fundamentava-se na experiência, não na razão. Eles eram quase ateístas”. Ambas as escolas ignoravam a realidade do pecado e da necessidade da redenção em Cristo (Rm 3.23; Rm 6.23; Ef 2.1-8). Toda filosofia torna-se insuficiente quando rejeita Cristo (1Co 2.1-5).


II. A IDOLATRIA EM ATENAS
1. A idolatria instaurada em Atenas. 
A Bíblia registra que enquanto Paulo esperava Silas e Timóteo em Atenas ele viu a cidade entregue a idolatria (At 17.16b). Era uma idolatria generalizada (At 17.22). De acordo com Champlin (1998, p. 362), “Atenas contava com mais imagens de escultura do que todas as demais cidades gregas, juntamente consideradas. Plínio asseverou que, ao tempo de Nero, Atenas estava ornamentada por mais de trinta mil estátuas públicas, além de imensa multidão de esculturas particulares, nas casas dos cidadãos. Petrônio disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem. Cada templo, cada portão, cada pórtico, cada edifício, tinha suas divindades protetoras”.
 
2. O sentimento de Paulo diante da idolatria em Atenas. 
A Bíblia afirma que o espírito de Paulo “se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16). O verbo empregado por Lucas revela profunda indignação santa diante da ofensa causada à glória de Deus. O teólgo Matthew Henry (2008, pp. 189,190) afirma que Paulo: “ficou muito preocupado, com a glória de Deus, por ter sido dada aos ídolos, e muito compadecido pelas almas, por estarem escravizadas e presas a Satanás (2Tm 2.26). Vendo tais transgressores, ele se afligiu, e o horror tomou conta dele. Permeou-lhe uma santa indignação pelos sacerdotes pagãos que levavam as pessoas a esse ciclo infinito de idolatria”. Paulo revelou a mesma atitude de Jesus ante o pecado e sua obra destrutiva (Jo 11.33).
 
3. A atitude de Paulo. 
Diante do cenário de idolatria generalizada, pelo espírito missionário que havia em coração, Paulo toma a atitude de pregar o evangelho do Senhor Jesus: “De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam” (At 17.17). O escritor Broadman (1994, p. 125) afirma que: “ao contrário do seu costume, anteriormente posto em prática, de pregar em primeiro lugar aos judeus, Paulo pregou aos judeus na sinagoga e aos gentios na praça, simultaneamente. É importante notar-se que Atenas é uma das poucas cidades em que Paulo não encontrou oposição da parte dos judeus. A praça (ágora) era um lugar costumeiro de reunião dos atenienses que desejavam ouvir os filósofos, ou pretensos filósofos”.


III. A PREGAÇÃO DE PAULO: O DEUS DESCONHECIDO É REVELADO
1. A pregação na sinagoga e na praça. 
Paulo discutia diariamente na sinagoga e na praça (At 17.17). Durante a explanação, filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, principalmente por conta do conteúdo da pregação: “Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição” (At 17.18). O escritor Myer Pearlman (1995, p. 188) diz que: “os filósofos prestavam atenção, enquanto Paulo falava de Deus em termos gerais. Quando, porém, mencionou a ressurreição de Jesus, interromperam-no com risadas de zombaria. Muitos gregos acreditavam na imortalidade da alma. A ressurreição, no entanto, não era uma realidade filosoficamente aceitável (1Co 1.23)”.
 
2. O altar ao Deus desconhecido. 
Diante da contenda que houve entre Paulo e os filósofos, Lucas afirma que: “tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?” (At 17.19). Em seu discursso no Areópago, o apóstolo Paulo profere as seguintes palavras: “Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio” (At 17.22,23). Paulo utilizou um elemento da cultura e da religiosidade ateniense como ponto inicial para apresentar a revelação bíblica. O homem pode possuir vasta cultura e ainda assim desconhecer o verdadeiro Deus (Jr 9.23,24).
 
3. Deus é o Criador Soberano. 
Paulo declarou que Deus fez o mundo e tudo o que nele existe: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra” (At 17.24). Essa afirmação demonstrava a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas, Deus não faz parte da criação; Ele é anterior a ela (Gn 1.1; Sl 24.1; Jo 1.1-3; Cl 1.16,17) e, ao mesmo tempo, confrontava diretamente o politeísmo grego, tendo em vista que Deus não divide a Sua Glória com ninguém (Êx 20.3; Is 42.8; Is 43.11).
 
4. Deus sustenta toda a vida. 
Paulo afirma que Deus dá “a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.25). O homem depende continuamente do Criador para existir (Jó 12.10; Sl 104.27-29). Essa declaração de Paulo destrói qualquer conceito de independência absoluta do ser humano. A providência divina manifesta-se diariamente na manutenção da criação “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). É dele o ar que respiramos e está na sua mão a nossa vida (Dn 5.23).
 
5. Deus deseja ser conhecido.
O propósito divino sempre foi conduzir a humanidade ao verdadeiro conhecimento dEle (Os 6.3; Mq 4.2; Jo 17.3). Paulo ensina que Deus “não está longe de cada um de nós” (At 17.27). O Deus desconhecido tornou-se plenamente conhecido mediante a encarnação do Filho (Jo 1.18; Hb 1.1). A revelação máxima de Deus ocorre em Jesus Cristo (Jo 14.9).


IV. A CHAMADA DIVINA AO ARREPENDIMENTO
1. A responsabilidade diante do conhecimento da verdade. 
Depois de apresentar quem Deus é, Paulo conduz seus ouvintes à responsabilidade pessoal diante da verdade. O apóstolo declara: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A ignorância espiritual não constitui justificativa permanente diante da revelação divina (Rm 1.19,20). Deus não castigou os atenienes por essas idolatrias, como castigou Israel (Êx 32.28; Jz 2.11-14; 2Rs 17.9-20; 2Cr 36.14-21). Ele não foi severo com eles, mas benigno e bastante paciente por agirem na ignorância (1Tm 1.13; 2Pe 3.9).
 
2. A universalidade da mensagem de salvação e o juízo divino. 
A mensagem de Paulo deixou claro que o Evangelho não é restrito a uma cultura, etnia ou classe social, demonstrando assim a imparcialidade divina e a universalidade da mensagem da salvação (Mc 1.15; Jo 3.16; At 1.8; 1Tm 2.3,4; Tt 2.11). Assim como a salvação é oferecida a todos os homens, o juízo divino virá sobre todos os que negarem essa verdade: “porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou” (At 17.31).
 
3. Os resultados da pregação. 
Ao ouvirem sobre a ressurreição, alguns zombaram e outros desejaram ouvir novamente (At 17.32). Mas houveram outros que creram, tais como: Dionísio, membro do Areópago, Dâmaris e outros (At 17.34). A semente cai em solo bom, mas também em solo pedregoso ou à beira do caminho ou ainda entre espinhos (Mc 4.3-8). A responsabilidade do pregador é semear; a resposta é com o ouvinte. O sucesso da evangelização não é medido apenas pelo número de conversões, mas pela fidelidade na proclamação da Palavra.


CONCLUSÃO
A visita de Paulo a Atenas e o seu discurso no Areópago demonstra que o Evangelho permanece suficiente para responder às maiores questões da humanidade. Cristo revelou o Deus verdadeiro, chamou todos ao arrependimento e confirmou Sua autoridade por meio da ressurreição. A Igreja continua sendo enviada para anunciar essa mensagem a todas as culturas, povos e níveis intelectuais. Assim, o Deus outrora desconhecido tornou-se plenamente conhecido por meio da pessoa e da obra redentora de Jesus Cristo.
 
 


REFERÊNCIAS
Ø  BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman – Vol. 10. CBB.
Ø  CHAMPLIN, Russell N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Vol 3. Candeia.
Ø  EARLE, Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7, CPAD.
Ø  GABY, Wagner. A Igreja dos GentiosDa Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1. CPAD.
Ø  PEARLMAN, Myer. AtosE a Igreja se Fez Missões. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Novo Testamento – Vol. 2. Geográfica Editora.  
 

Por Rede Brasil de Comunicação.





LIÇÃO 5 - DÉBORA E BARAQUE: UNIÃO PARA FAZER A OBRA DE DEUS


Vídeo Aula - Pastor Valmir
 




LIÇÃO 5 - CRISTO ENTRE OS FILOSÓFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Wagner
 




segunda-feira, 27 de julho de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS
EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA
Lições Espirituais no Livro de Juízes.








 

Lição 4
Hora da Revisão

A respeito de “Eúde e Sangar: Deus usa os Improváveis”, responda:
 
 
1. Como a cidade das Palmeiras era antes conhecida?
Jericó.
 
2. O que destaca o fato de Eúde ser canhoto?
Destaca que ele era incomum: um libertador improvável, fora dos moldes esperados.
 
3. O que era a aguilhada de bois usada por Sangar?
Uma vara longa e pontiaguda.
 
4. Como você explica a violência no Antigo Testamento?
A questão da violência no Antigo Testamento envolve padrões de justiça divina. A motivação nesse contexto não devia ser pessoal, mas em um cenário de guerra e opressão prolongada, em que Israel era subjugado por um poder pagão e hostil, a soberania divina se manifestava por meio de juízo contra nações ímpias e opressoras.
 
5. O que é revelação progressiva?
Deus se revelou de forma gradual ao longo da história, culminando em Cristo, que nos mostrou a plenitude da graça e da verdade.




QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






A IGREJA DOS GENTIOS -
Da chamada Missionária à Consolidação
do Evangelho entre os Povos.









Lição 4
Revisando o Conteúdo

A respeito de O Espírito que nos Guia para Além das Fronteiras” responda:          
 
 
1. O que ocorreu quando Paulo e Silas tentaram avançar para a Ásia e Bitínia durante a segunda viagem missionária?
Ao tentarem avançar para a Ásia e para a Bitínia, Paulo e Silas são impedidos pelo Espírito, aprendendo que a missão não avança apenas por estratégia humana, mas por sensibilidade espiritual.
 
2. O que aconteceu após o Senhor “abrir o coração” de Lídia para atender a mensagem de Paulo?
Lídia crê, e é batizada com sua casa.
 
3. Por que os senhores da jovem possessa se revoltaram contra Paulo e Silas após a libertação dela?
A libertação da jovem significou prejuízo financeiro para seus senhores, que, movidos por interesses econômicos, arrastaram Paulo e Silas às autoridades (At 16.19).
 
4. O que Paulo e Silas faziam na prisão, mesmo feridos e imobilizados?
Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus.
 
5. Qual foi a pergunta feita pelo carcereiro a Paulo e Silas, e qual foi a resposta dada por eles?
Profundamente impactado, perguntou: “Que devo fazer para ser salvo?” A resposta foi clara: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (At 16.31).




sexta-feira, 24 de julho de 2026

LIÇÃO 04 - O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS






At 16.11-18,25-31
 
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a soberania de Deus na condução da Sua Obra. Veremos que o Espírito Santo guia aqueles a quem chama e alguns dos primeiros acontecimentos da segunda viagem missionária. Analisaremos que o reino das trevas possui estratégias sutis e definidas com o objetivo de comprometer o avanço do Evangelho e, por fim, destacaremos que estar na direção de Deus não nos isenta de açoites e prisões.

 
I. LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA
Neste tópico veremos como o Espírito Santo dirigiu soberanamente a segunda viagem missionária, conduzindo Paulo até Filipos. Analisaremos a conversão de Lídia, a primeira cristã em solo europeu, e compreenderemos como Deus utiliza pessoas, lugares e circunstâncias para estabelecer a Sua Igreja e promover o avanço do Evangelho.
 
1. O Espírito e a segunda viagem missionária.
O livro de Atos dos Apóstolos, conforme observado por muitos estudiosos, é denominado “Atos do Espírito Santo”, tendo em vista o protagonismo do Espírito e Sua insubstituível atuação: “O Espírito guia a igreja na sua escolha dos líderes e na sua atividade evangelizadora, e isto de tal forma que Atos às vezes tem sido descrito como o livro dos “Atos do Espírito Santo” (Marshall, 1982, p. 31). Algumas das atuações do Espírito Santo no livro de Atos: ele concedeu poder aos discípulos para testemunhar (At 1.8); os encheu e concedeu dons (At 2.1-4); inspirou os discípulos com ousadia (At 4.31), sabedoria (At 7.10) e autoridade na pregação (At 2.14-36); revelou pecados (At 5.1-11); dirigiu Filipe na evangelização e o        transportou a outro local para pregar (At 8.29-40); orientava a Pedro (At 10.19,20; 11.12); separou e enviou para a missão (At 13.1-4); impediu algumas missões (At 16.6,7); constituiu ministros (At 20.28).
 
2. A fé, sensibilidade e hospitalidade de Lídia.
A Escritura faz apenas duas referências a esta mulher piedosa (At 16.14,40). Era uma cristã temente a Deus e a primeira a aceitar a mensagem de Paulo quando chegou a Macedônia. Natural de Tiatira, bem-sucedida financeiramente, pois comerciava púrpura, um produto de alto valor. As duas referências feitas a Lídia demonstram, entre as suas muitas qualidades, uma característica que deve fazer parte do perfil do verdadeiro cristão: a hospitalidade (Hb 13.2). Ela hospedou o apóstolo Paulo logo após o seu batismo e de sua família (At 16.14,15). Mais tarde, quando o apóstolo foi solto da prisão (At 16.40), ela o hospedou novamente (Gardner, 1999, p. 411). Temente, empresária, mantenedora da obra e, segundo o registro de Atos, a primeira convertida em solo europeu.
 
3. A cidade de Filipos.
Arnaldo Schuler, em seu Dicionário Enciclopédico, informa que essa antiga cidade do estado grego da Macedônia, Filipos, foi fundada por Filipe II (382-336 a.C.), pai de Alexandre Magno. É do seu fundador que vem o nome “Filipos”.  Foi nela onde Paulo fundou a primeira congregação cristã em solo europeu. Por volta do ano 55 da era cristã, o apóstolo Paulo escreve a esta igreja, provavelmente de Éfeso, a epístola aos Filipenses. Desta antiga cidade hoje só restaram algumas ruínas (2002,p. 207).
 
4. A relevância da cidade de Filipos.
Alguns eventos enaltecem esta cidade. Vejamos alguns deles: (a) a direção soberana do Espírito guiando seus servos até ela (At 16.6-10); (b) foi ali onde, pela primeira vez, o Evangelho chegou à Europa (At 16.11-15); um espírito de adivinhação é expulso (At 16.16-18); a prisão de Paulo e Silas resultou na conversão de um carcereiro romano e de sua família (At 16.27-34); o nascimento da igreja de Filipos, que mais tarde receberia a epístola aos Filipenses, uma das cartas mais afetuosas de Paulo (Fp 1.1).


II. AS ESTRATÉGIAS DAS TREVAS CONTRA A EVANGELIZAÇÃO
É importante refletir sobre o ardil (2Co 2.11) do espírito imundo ao induzir àquela jovem a testemunhar do avanço do Evangelho em Filipos e proclamar a autenticidade do serviço dos missionários (At 16.17,18).
 
1. A expulsão de um espírito de adivinhação.
Certa vez Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem da Sua identidade logo após a revelação de que Ele era o Cristo (Mt 16.20). Foi exatamente isso que os demônios procuraram fazer bem no início do ministério de Jesus: expor a Sua identidade antes do tempo. Ele, contudo, não lhes permitiu que falassem (Mc 1.23-26, 34; Lc 4.40,41). Qual é a estratégia do reino das trevas em tornar notória a Obra de Deus na segunda viagem missionária? Vejamos:
 
A) Expor os missionários. Segundo o teólogo Marshal “o efeito da proclamação da jovem, que foi repetida no decurso de muitos dias, cada vez que se encontrava com Paulo, foi dar aos missionários uma publicidade inesperada. (1982, p. 254). O objetivo do reino das trevas era trazer uma exposição precoce da presença dos missionários ali, expondo-os a circunstâncias inesperadas, como de fato veio a ocorrer (At 16.19ss).
 
B) Incitar os missionários à vaidade. Sem dúvidas, uma das mais exitosas estratégias do diabo é incitar os servos de Deus à vaidade: [...] estes homens [...] são servos do Deus altíssimo” (At 16.17). Diferente do genuíno elogio, a lisonja é uma armadilha diabólica e carnal (Pv 29.5; Rm 16.18; 1Ts 2.5) e a incitação à vaidade é uma tentação que o diabo utiliza para fazer tropeçar aquele que é chamado por Deus (1Cr 21.1ss).
 
C) Perseguição velada. A proclamação da jovem ainda pode ser vista como assédio e perseguição a Paulo e aos seus companheiros. Aonde fossem, a jovem possuída pelo demônio “gritava que aquilo que Paulo e Silas pregavam era a Palavra de Deus” (Sproul, 2017, p. 374). Diz o texto: “E isto fez ela por muitos dias” (At 16.18a). Havia ali, na verdade, uma perseguição com aparência de aprovação.

D) Lançar tropeços. O teólogo Myer Pearlman diz: “Parece que Satanás, às vezes, empregava o truque do testemunho para causar empecilhos ao Evangelho. Leva alguns de seus agentes a se pronunciarem seguidores da obra evangelística. Seu objetivo é desacreditar o Evangelho, fazendo com que o povo em geral tenha péssima impressão dos cristãos” (1995, p. 176). Do jeito que a jovem exclamava, poderia ou pretendia aparentar ser do grupo dos missionários, tornando a primeira impressão do Evangelho caricata e inconveniente, criando barreiras à abertura das pessoas a mensagem de Paulo e Silas. O apóstolo já havia tido experiência semelhante em sua primeira viagem missionária (At 13.6-12).


III. A REAÇÃO DO REINO DAS TREVAS
Neste tópico observaremos que o avanço do Reino de Deus sempre desperta oposição do reino das trevas. Veremos que a perseguição aos servos de Cristo faz parte da batalha espiritual e que Deus continua soberano, sustentando os seus servos mesmo em meio às injustiças e às adversidades.
 
1. A reação dos exploradores. A reação daqueles que eram beneficiados com a influência do espírito enganador, revela, na verdade, a reação do reino das trevas à chegada do reino da luz. A passagem do endemoninhado de Gadara revela o incômodo dos demônios com a chegada de Jesus (Mt 8.29) e o semelhante incômodo dos porqueiros (Mc 5.14-17).
 
2. O espinho na carne de Paulo. É razoável entender o espinho na carne de Paulo, o mensageiro de satanás que o esbofeteava, como sendo a manifestação das muitas retaliações que o apóstolo sofria. Quando ele entende que o espinho fazia parte de um processo divino para mantê-lo humilde, passa a recebê-lo como uma glória: “[...] De boa vontade agora me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo [...]” (2Co 12.9,10). Logo após o apóstolo repreender o espírito maligno, inicia-se uma sequência de injúrias, perseguições e angústias pela causa de Cristo (At 16.19-29).
 
3. A falha da justiça humana. A acusação contra Paulo e Silas foi injusta, pois não os acusaram de terem curado a escrava, pois isso poderia indicar justamente a parcialidade no julgamento. A acusação foi escolhida cuidadosamente a fim de suscitar o preconceito do povo e dos magistrados. Disseram que Paulo e Silas eram judeus causando perturbação na cidade (At 16.20). Naquele contexto, os judeus tinham a reputação de causar tumultos. Mencionar um judeu associado a qualquer desordem era suficiente para inflamar um oficial romano a prendê-lo. Disseram também que eles estavam advogando costumes que eram ilegais em Roma (At 16.21). A acusação era de que Paulo e Silas faziam proselitismo de romanos. “Não temos evidências de que os romanos naquela época considerassem ilegal o proselitismo de romanos (Broadman, 1994, p. 120).
 

IV. A PRISÃO DE PAULO E SILAS
Neste tópico estudaremos como Deus transformou um cenário de sofrimento em uma oportunidade para manifestar o Seu poder. Veremos que a fidelidade em meio às provações, o louvor oferecido em circunstâncias difíceis e a proclamação do Evangelho resultaram na libertação de vidas e na conversão do carcereiro e de toda a sua família.
 
1. Açoites e prisão por causa do Evangelho.
O ultraje sofrido pelo apóstolo em Filipos (At 16.22-24) o marcou profundamente. Em suas epístolas, Paulo se refere direta e indiretamente àquela violência em Filipos. Ele escreveu à igreja em Tessalônica: “Fomos anteriormente maltratados e ultrajados em Filipos” (1Ts 2.2, NVI). Na sua lista de sofrimentos ele menciona que foi açoitado três vezes com vara (2Co 11.25) pela causa de Cristo (Pearlman, 1995, p. 137).
 
2. O poder do louvor.
O louvor exalta a Deus (Sl 34.1; 150.6), fortalece a fé (Sl 103.2), traz a presença manifesta de Deus (Sl 22.3), precede grandes vitórias (2Cr 20.20-22), vence o desânimo (Sl 42.11), é um sacrifício agradável a Deus (Hb 13.15) e produz liberdade espiritual (At 16.22-6). O exemplo de todas essas verdades acerca do louvor é visível no que Deus fez enquanto Paulo eSilas oravam e cantavam.
 
3. A conversão do carcereiro.
A palavra de Paulo ao carcereiro: “crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa” é uma palavra direcionada ao carcereiro. Fazer desta palavra de Paulo regra de fé e ensino de que, se alguém crer em Jesus, então, todos da casa da tal pessoa serão salvos, é forçar o texto a dizer o que ele não pretende. Essa promessa foi para aquele carcereiro, e se cumpriu, pois “logo foi batizado, ele e todos os seus” (At 16.33).
 

CONCLUSÃO
Os eventos iniciais da segunda viagem missionária demonstram que o Espírito Santo guia os seus servos, confirma sua direção abrindo corações, levanta mantenedores, dá discernimento e poder e dá graça no momento da tentação.
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman. vol. 10. CCB.
Ø  GARDNER, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Editora Vida.
Ø  MARSHALL, Howard. Atos: Introdução e Comentário. Mundo cristão.
Ø  PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Editora Vida.
Ø  SCHULER, Arnold. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Editora Ulbra.
Ø  SPROUL, Robert. Estudos Bíblicos Expositivos em Atos. Editora Cultura.
 
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.