sexta-feira, 24 de julho de 2026

LIÇÃO 04 - O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS






At 16.11-18,25-31
 
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a soberania de Deus na condução da Sua Obra. Veremos que o Espírito Santo guia aqueles a quem chama e alguns dos primeiros acontecimentos da segunda viagem missionária. Analisaremos que o reino das trevas possui estratégias sutis e definidas com o objetivo de comprometer o avanço do Evangelho e, por fim, destacaremos que estar na direção de Deus não nos isenta de açoites e prisões.

 
I. LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA
Neste tópico veremos como o Espírito Santo dirigiu soberanamente a segunda viagem missionária, conduzindo Paulo até Filipos. Analisaremos a conversão de Lídia, a primeira cristã em solo europeu, e compreenderemos como Deus utiliza pessoas, lugares e circunstâncias para estabelecer a Sua Igreja e promover o avanço do Evangelho.
 
1. O Espírito e a segunda viagem missionária.
O livro de Atos dos Apóstolos, conforme observado por muitos estudiosos, é denominado “Atos do Espírito Santo”, tendo em vista o protagonismo do Espírito e Sua insubstituível atuação: “O Espírito guia a igreja na sua escolha dos líderes e na sua atividade evangelizadora, e isto de tal forma que Atos às vezes tem sido descrito como o livro dos “Atos do Espírito Santo” (Marshall, 1982, p. 31). Algumas das atuações do Espírito Santo no livro de Atos: ele concedeu poder aos discípulos para testemunhar (At 1.8); os encheu e concedeu dons (At 2.1-4); inspirou os discípulos com ousadia (At 4.31), sabedoria (At 7.10) e autoridade na pregação (At 2.14-36); revelou pecados (At 5.1-11); dirigiu Filipe na evangelização e o        transportou a outro local para pregar (At 8.29-40); orientava a Pedro (At 10.19,20; 11.12); separou e enviou para a missão (At 13.1-4); impediu algumas missões (At 16.6,7); constituiu ministros (At 20.28).
 
2. A fé, sensibilidade e hospitalidade de Lídia.
A Escritura faz apenas duas referências a esta mulher piedosa (At 16.14,40). Era uma cristã temente a Deus e a primeira a aceitar a mensagem de Paulo quando chegou a Macedônia. Natural de Tiatira, bem-sucedida financeiramente, pois comerciava púrpura, um produto de alto valor. As duas referências feitas a Lídia demonstram, entre as suas muitas qualidades, uma característica que deve fazer parte do perfil do verdadeiro cristão: a hospitalidade (Hb 13.2). Ela hospedou o apóstolo Paulo logo após o seu batismo e de sua família (At 16.14,15). Mais tarde, quando o apóstolo foi solto da prisão (At 16.40), ela o hospedou novamente (Gardner, 1999, p. 411). Temente, empresária, mantenedora da obra e, segundo o registro de Atos, a primeira convertida em solo europeu.
 
3. A cidade de Filipos.
Arnaldo Schuler, em seu Dicionário Enciclopédico, informa que essa antiga cidade do estado grego da Macedônia, Filipos, foi fundada por Filipe II (382-336 a.C.), pai de Alexandre Magno. É do seu fundador que vem o nome “Filipos”.  Foi nela onde Paulo fundou a primeira congregação cristã em solo europeu. Por volta do ano 55 da era cristã, o apóstolo Paulo escreve a esta igreja, provavelmente de Éfeso, a epístola aos Filipenses. Desta antiga cidade hoje só restaram algumas ruínas (2002,p. 207).
 
4. A relevância da cidade de Filipos.
Alguns eventos enaltecem esta cidade. Vejamos alguns deles: (a) a direção soberana do Espírito guiando seus servos até ela (At 16.6-10); (b) foi ali onde, pela primeira vez, o Evangelho chegou à Europa (At 16.11-15); um espírito de adivinhação é expulso (At 16.16-18); a prisão de Paulo e Silas resultou na conversão de um carcereiro romano e de sua família (At 16.27-34); o nascimento da igreja de Filipos, que mais tarde receberia a epístola aos Filipenses, uma das cartas mais afetuosas de Paulo (Fp 1.1).


II. AS ESTRATÉGIAS DAS TREVAS CONTRA A EVANGELIZAÇÃO
É importante refletir sobre o ardil (2Co 2.11) do espírito imundo ao induzir àquela jovem a testemunhar do avanço do Evangelho em Filipos e proclamar a autenticidade do serviço dos missionários (At 16.17,18).
 
1. A expulsão de um espírito de adivinhação.
Certa vez Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem da Sua identidade logo após a revelação de que Ele era o Cristo (Mt 16.20). Foi exatamente isso que os demônios procuraram fazer bem no início do ministério de Jesus: expor a Sua identidade antes do tempo. Ele, contudo, não lhes permitiu que falassem (Mc 1.23-26, 34; Lc 4.40,41). Qual é a estratégia do reino das trevas em tornar notória a Obra de Deus na segunda viagem missionária? Vejamos:
 
A) Expor os missionários. Segundo o teólogo Marshal “o efeito da proclamação da jovem, que foi repetida no decurso de muitos dias, cada vez que se encontrava com Paulo, foi dar aos missionários uma publicidade inesperada. (1982, p. 254). O objetivo do reino das trevas era trazer uma exposição precoce da presença dos missionários ali, expondo-os a circunstâncias inesperadas, como de fato veio a ocorrer (At 16.19ss).
 
B) Incitar os missionários à vaidade. Sem dúvidas, uma das mais exitosas estratégias do diabo é incitar os servos de Deus à vaidade: [...] estes homens [...] são servos do Deus altíssimo” (At 16.17). Diferente do genuíno elogio, a lisonja é uma armadilha diabólica e carnal (Pv 29.5; Rm 16.18; 1Ts 2.5) e a incitação à vaidade é uma tentação que o diabo utiliza para fazer tropeçar aquele que é chamado por Deus (1Cr 21.1ss).
 
C) Perseguição velada. A proclamação da jovem ainda pode ser vista como assédio e perseguição a Paulo e aos seus companheiros. Aonde fossem, a jovem possuída pelo demônio “gritava que aquilo que Paulo e Silas pregavam era a Palavra de Deus” (Sproul, 2017, p. 374). Diz o texto: “E isto fez ela por muitos dias” (At 16.18a). Havia ali, na verdade, uma perseguição com aparência de aprovação.

D) Lançar tropeços. O teólogo Myer Pearlman diz: “Parece que Satanás, às vezes, empregava o truque do testemunho para causar empecilhos ao Evangelho. Leva alguns de seus agentes a se pronunciarem seguidores da obra evangelística. Seu objetivo é desacreditar o Evangelho, fazendo com que o povo em geral tenha péssima impressão dos cristãos” (1995, p. 176). Do jeito que a jovem exclamava, poderia ou pretendia aparentar ser do grupo dos missionários, tornando a primeira impressão do Evangelho caricata e inconveniente, criando barreiras à abertura das pessoas a mensagem de Paulo e Silas. O apóstolo já havia tido experiência semelhante em sua primeira viagem missionária (At 13.6-12).


III. A REAÇÃO DO REINO DAS TREVAS
Neste tópico observaremos que o avanço do Reino de Deus sempre desperta oposição do reino das trevas. Veremos que a perseguição aos servos de Cristo faz parte da batalha espiritual e que Deus continua soberano, sustentando os seus servos mesmo em meio às injustiças e às adversidades.
 
1. A reação dos exploradores. A reação daqueles que eram beneficiados com a influência do espírito enganador, revela, na verdade, a reação do reino das trevas à chegada do reino da luz. A passagem do endemoninhado de Gadara revela o incômodo dos demônios com a chegada de Jesus (Mt 8.29) e o semelhante incômodo dos porqueiros (Mc 5.14-17).
 
2. O espinho na carne de Paulo. É razoável entender o espinho na carne de Paulo, o mensageiro de satanás que o esbofeteava, como sendo a manifestação das muitas retaliações que o apóstolo sofria. Quando ele entende que o espinho fazia parte de um processo divino para mantê-lo humilde, passa a recebê-lo como uma glória: “[...] De boa vontade agora me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo [...]” (2Co 12.9,10). Logo após o apóstolo repreender o espírito maligno, inicia-se uma sequência de injúrias, perseguições e angústias pela causa de Cristo (At 16.19-29).
 
3. A falha da justiça humana. A acusação contra Paulo e Silas foi injusta, pois não os acusaram de terem curado a escrava, pois isso poderia indicar justamente a parcialidade no julgamento. A acusação foi escolhida cuidadosamente a fim de suscitar o preconceito do povo e dos magistrados. Disseram que Paulo e Silas eram judeus causando perturbação na cidade (At 16.20). Naquele contexto, os judeus tinham a reputação de causar tumultos. Mencionar um judeu associado a qualquer desordem era suficiente para inflamar um oficial romano a prendê-lo. Disseram também que eles estavam advogando costumes que eram ilegais em Roma (At 16.21). A acusação era de que Paulo e Silas faziam proselitismo de romanos. “Não temos evidências de que os romanos naquela época considerassem ilegal o proselitismo de romanos (Broadman, 1994, p. 120).
 

IV. A PRISÃO DE PAULO E SILAS
Neste tópico estudaremos como Deus transformou um cenário de sofrimento em uma oportunidade para manifestar o Seu poder. Veremos que a fidelidade em meio às provações, o louvor oferecido em circunstâncias difíceis e a proclamação do Evangelho resultaram na libertação de vidas e na conversão do carcereiro e de toda a sua família.
 
1. Açoites e prisão por causa do Evangelho.
O ultraje sofrido pelo apóstolo em Filipos (At 16.22-24) o marcou profundamente. Em suas epístolas, Paulo se refere direta e indiretamente àquela violência em Filipos. Ele escreveu à igreja em Tessalônica: “Fomos anteriormente maltratados e ultrajados em Filipos” (1Ts 2.2, NVI). Na sua lista de sofrimentos ele menciona que foi açoitado três vezes com vara (2Co 11.25) pela causa de Cristo (Pearlman, 1995, p. 137).
 
2. O poder do louvor.
O louvor exalta a Deus (Sl 34.1; 150.6), fortalece a fé (Sl 103.2), traz a presença manifesta de Deus (Sl 22.3), precede grandes vitórias (2Cr 20.20-22), vence o desânimo (Sl 42.11), é um sacrifício agradável a Deus (Hb 13.15) e produz liberdade espiritual (At 16.22-6). O exemplo de todas essas verdades acerca do louvor é visível no que Deus fez enquanto Paulo eSilas oravam e cantavam.
 
3. A conversão do carcereiro.
A palavra de Paulo ao carcereiro: “crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa” é uma palavra direcionada ao carcereiro. Fazer desta palavra de Paulo regra de fé e ensino de que, se alguém crer em Jesus, então, todos da casa da tal pessoa serão salvos, é forçar o texto a dizer o que ele não pretende. Essa promessa foi para aquele carcereiro, e se cumpriu, pois “logo foi batizado, ele e todos os seus” (At 16.33).
 

CONCLUSÃO
Os eventos iniciais da segunda viagem missionária demonstram que o Espírito Santo guia os seus servos, confirma sua direção abrindo corações, levanta mantenedores, dá discernimento e poder e dá graça no momento da tentação.
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman. vol. 10. CCB.
Ø  GARDNER, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Editora Vida.
Ø  MARSHALL, Howard. Atos: Introdução e Comentário. Mundo cristão.
Ø  PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Editora Vida.
Ø  SCHULER, Arnold. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Editora Ulbra.
Ø  SPROUL, Robert. Estudos Bíblicos Expositivos em Atos. Editora Cultura.
 
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





LIÇÃO 4 - EÚDE E SANGAR: DEUS USA OS IMPROVÁVEIS


Vídeo Aula - Pastor Valmir
 




terça-feira, 21 de julho de 2026

LIÇÃO 4 - O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS
EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA
Lições Espirituais no Livro de Juízes.









Lição 3
Hora da Revisão

A respeito de “Clamor e Libertação: A Liderança de Otniel”, responda:
 
 
1. Por que Deus determinou que os israelitas não se casassem com as mulheres cananeias?
A ordem divina não era étnica, mas espiritual. Casar-se com mulheres dos povos cananeus significava abrir a porta para a idolatria e o abandono do Senhor, como de fato ocorreu.
 
2. Qual o significado do nome Otniel?
“Leão ou Força de Deus”.
 
3. Com quem Otniel se casou?
Acsa, filha de Calebe (Jz 1.8-15).
 
4. Na perspectiva bíblica, onde começa a liderança?
A liderança começa com o serviço humilde (Mc 10.42-45; 1Pe 5.2,3; Jo 13.12-17).
 
5. O que é o batismo no Espírito Santo?
O batismo no Espírito Santo é uma experiência posterior e distinta da regeneração, por meio da qual o crente é revestido de poder para pregar a Palavra de Deus no mundo (At 1.8).



 

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






A IGREJA DOS GENTIOS -
Da chamada Missionária à Consolidação
do Evangelho entre os Povos.









Lição 3
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Graça que Alcança todas as Nações” responda:          
 
 
1. Qual foi a principal controvérsia doutrinária tratada no Concílio de Jerusalém?
A defesa da circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Mas sob a liderança de Tiago e a direção do Espírito Santo, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as nações pela graça.
 
2. No subtópico sobre o “discurso de Tiago”, qual é a decisão do Concílio e o que ele recomenda?
O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne sufocada e sangue.
 
3. Por que a graça de Deus é o único meio de salvação para todos os povos e como ela se apresenta?
Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de Deus (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação.
 
4. De acordo com Hebreus 4.16, com quais atitudes espirituais o crente deve se aproximar do trono da graça?
Com fé viva, reverência, humildade e coração quebrantando.
 
5. Segundo a lição, quais bênçãos o crente recebe ao se achegar ao trono da graça de Deus?
Ao nos aproximarmos de Deus, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13).



 

domingo, 19 de julho de 2026

LIÇÃO 3 – A GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES






At 15.1-5,28,29,36-39



INTRODUÇÃO
O capítulo 15 de Atos dos Apóstolos registra um dos episódios centrais da história da Igreja Primitiva: o Concílio de Jerusalém. A questão central em debate era se os gentios convertidos ao Evangelho precisavam obedecer à Lei de Moisés, especialmente à circuncisão, para serem salvos. Veremos que a decisão tomada pelos apóstolos e presbíteros reafirmou uma verdade fundamental bíblica: a salvação é pela graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, e não pelas obras da Lei. É uma graça que alcança todas as nações!
 
 

I. A GRAÇA SUSTENTA A UNIDADE DA IGREJA
A unidade da Igreja não é produzida por tradições, culturas ou preferências humanas, mas pela graça de Deus revelada em Cristo Jesus. Em Atos 15, vemos que essa graça preservou a comunhão entre judeus e gentios, pois a salvação abrange todos os povos. Assim, a graça não apenas salva, mas também une o povo de Deus em um só corpo.

1. O contexto.
“Se vos não circuncidardes conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos” (At 15.1). Alguns cristãos oriundos do judaísmo acreditavam que os gentios precisavam se tornar judeus antes de se tornarem cristãos, e, com isso, estavam acrescentando exigências humanas ao evangelho. Essa exigência ameaçava dividir a Igreja entre judeus e gentios (Barclay, 2008; Pfeiffer; Harrison, 2001). Porém, a Bíblia ensina: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé...” (Ef 2.8,9). Fica nítido, biblicamente, que a graça elimina qualquer mérito humano: “Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (At 15.11).
 
2. Deus sempre planejou alcançar todas as nações.
Desde Abraão, Deus prometeu: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O plano de Deus nunca foi apenas para Israel. Israel foi escolhida para ser instrumento da revelação divina às demais nações. Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34,35; Rm 2.11). Quando a graça é substituída pelo legalismo, surgem divisões. Mas, quando a graça é compreendida corretamente, a Igreja permanece unida (1Co 1.10; Tt 2.11).
 
3. O Evangelho derruba muros.
O próprio apóstolo Pedro, no Concílio de Jerusalém, relembra que Deus havia derramado o Espírito Santo sobre os gentios sem exigir circuncisão (At 15.8,9). Cristo removeu as barreiras entre judeus e gentios (Ef 2.14-16). Na cruz de Cristo caiu o muro da separação, o preconceito religioso e a distinção quanto ao acesso à salvação (Cl 3.11; Gl 3.28). Todos são convidados a vir a Cristo (Mt 11.28-30; Jo 6.37; Lc 14.16,17,23).


II. A SALVAÇÃO PELA GRAÇA É UMA OFERTA UNIVERSAL EM CRISTO
O Concílio de Jerusalém confirmou algo já anunciado pelos profetas: o plano de Deus sempre foi alcançar todas as nações. Por isso que em At 15.14 está escrito: “Deus visitou os gentios, para tomar deles um povo para o seu nome”.
 
1. A promessa desde o AT.
A universalidade da graça não começou em Atos, mas em Gênesis 12.3. E o profeta Isaías profetizou, dizendo: “Também te dei para luz dos gentios” (Is 49.6). E há inúmeras outras passagens bíblicas que atestam que a promessa de Deus para a salvação da humanidade encontra-se registrada, também, no AT (Is 45.22; Jn 4.2).
 
2. Cristo veio para todos.
Jesus declarou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira...” (Jo 3.16). O termo “mundo”, aqui, demonstra o alcance universal do amor divino. E, após a Sua ressurreição, Jesus ordenou aos seus discípulos (e a nós, pela Bíblia): “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações...” (Mt 28.19). A missão da igreja é global, porque a graça de Deus é universal em sua oferta.

3. Aspectos bíblicos e teológicos importantes.
O Apóstolo João, em Apocalipse 5.9, numa visão, contempla no céu: “... gente de toda tribo, língua, povo e nação”. A aplicação que tiramos é que a Igreja não pode restringir o Evangelho. Devemos anunciar Cristo aos vizinhos, às cidades, aos povos indígenas, aos grupos não alcançados, às nações da Janela 10/40, enfim, ao mundo inteiro. A razão é porque a graça que nos alcançou deve alcançar a outros. Notemos que, à luz das Sagradas Escrituras, a graça de Deus é: universal em sua oferta (1Tm 2.3-6); suficiente para todos (Hb 10.12-14); e, eficaz para os que creem (Ef 2.8,9). 


III. A IMPORTÂNCIA DE CRESCERMOS NA GRAÇA DE CRISTO JESUS
Receber a graça é o começo da caminhada cristão, não o fim. De forma que o mesmo Deus que salva pela graça também deseja que Seus filhos amadureçam nela. Vejamos: “Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 3.18).
 
1. O que significa crescer na graça?
É amadurecer no relacionamento com Jesus Cristo, tornando-se dia após dia mais próximo a Ele em caráter e obediência. Crescer na graça abrange: Conhecer mais a Cristo (Jo 17.33); tornar-se mais parecido com Cristo (Rm 8.29); viver em santidade, aborrecendo uma vida de pecado (Tt 2.11,12); manifestar mudanças visíveis em nossa vida (Gl 5.22,23); e reconhecer ser dependente de Deus (2Co 12.9).
 
2. Como crescer na graça?
A Bíblia mostra alguns meios pelos quais Deus promove esse crescimento: Pela Palavra de Deus (Sl 119.105; 1Pe 2.2); pela oração (Jr 33.3; Ef 6.18); pela comunhão da Igreja (Hb 10.24-25); pela ação do Espírito Santo (Gl 5.16); e pelas provações, que fortalecem a fé (Tg 1.2-4).
 
3. A graça gera transformação.
O apóstolo Paulo certa vez declarou: “Pela graça de Deus sou o que sou” (1Co 15.10). A graça de Deus não é apenas favor imerecido; é também poder transformador sobre nossa vida. A graça corrige, educa, disciplina e molda o nosso caráter (Tt 2.11,12). Diante disso, entendemos que a maturidade espiritual é evidência de uma vida alcançada e transformada pela graça de Deus.

 
IV. SOMENTE PELA GRAÇA O SER HUMANO PODE SER SALVO
No NT a palavra graça no grego é “charis”, que indica “graciosidade, favor”. Abaixo destacaremos algumas verdades sobre este maravilhoso favor segundo a teologia paulina:
 
1. A graça é um ato soberano (Rm 1.7; 5.15; Tt 2.11).
Nos referidos textos, Paulo nos diz que a graça procede soberanamente de Deus. Isto porque o favor lhe pertence e vem dEle, como sua fonte originária (1Co 15.10; 1Pe 5.10). Segundo a Bíblia Deus manifestou a sua graça em toda a sua plenitude na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo (2Co 8.9; 13.13; Gl 1.6; 6.18; Ef 2.7; Fp 4.23; Ap 22.21).
 
2. A graça é imerecida (Rm 3.24; 11.6; Ef 2.5.7-8).
A palavra traduzida como graça significa “favor imerecido” (Rm 4.4,5). Nestes versículos, o apóstolo deixa claro que a salvação é concedida ao homem sem ele merecer. Não há nada que o homem faça para o tornar digno de ser salvo, pois a graça aniquila qualquer obra que visa receber a salvação por mérito “Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.9). Segundo Soares (2008, p. 76) “A graça é o favor imerecido de Deus para com o pecador; é a bondade para quem apenas merece o castigo”. ~
 
3. A graça é suficiente (Rm 3.24; Ef 2.8).
Paulo nos mostra que a Lei não é suficiente para salvar o homem. Até porque seu propósito é revelar o pecado e não o extirpar (Rm 7.7). Todavia, a graça de Cristo faz por nós aquilo que a Lei nunca poderia. Um dos pontos da Reforma Protestante é o “sola gratia” que diz que embora a fé seja o caminho dado por Deus para a salvação, não é ela quem nos salva, mas a graça “Porque pela graça sois salvos” (Ef 2.8-a). Lutero refutou o ensino da salvação pelas obras, alegando com base no que diz a Bíblia, que é pela graça, o favor imerecido de Deus, que ele nos concede a bênção da salvação (At 15.11; Rm 11.6).
 
4. A graça não faz acepção (Rm 1.16; 3.29; 9.24).
Desde o início, a proposta divina sempre foi estender a bênção da salvação a todos os homens indiscriminadamente (Gn 12.3; Gl 3.8). É errôneo pensar embora “todos pecaram” (Rm 3.23), somente os eleitos serão salvos. Em Tito 2.11 Paulo diz “[...] a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens”. A vinda do Messias mostra claramente que, Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34; Rm 2.11; Ef 6.9; 1Pe 1.17). Portanto, a graça de Deus que nos é oferecida mediante o evangelho, é derramada sobre todos em pé de igualdade, ou seja, ela alcança tanto judeus como gentios (Gl 3.14; Ef 3.6).
 
5. A graça pode ser resistida (At 18.5,6).
A Bíblia nos mostra que o homem pode pôr seu livre arbítrio aceitar ou rejeitar o plano divino para a sua salvação (At 4.4; 9.42; 17.4; Hb 3.15; 4.7). O povo de Israel é a maior prova de que a graça não é irresistível, pois o apóstolo João diz: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.11). Jesus quando estava em frente ao Monte das Oliveiras declarou: “Jerusalém, Jerusalém, [...] quantas vezes QUIS EU ajuntar os teus filhos, [...] e TU NÃO QUISESTE!” (Mt 23.37). Confira ainda: (At 7.51; 18.6).


CONCLUSÃO
Como observamos, esse episódio bíblico demonstra que o plano redentor de Deus não estava restrito a Israel, mas se estende a todos os povos da Terra, cumprindo as promessas feitas desde o Antigo Testamento. A resolução trazida pelo Concílio de Jerusalém preservou a unidade da Igreja e confirmou que o Evangelho se destina a todos os povos, sem distinção, porque a graça de Deus alcança todas as nações. Portanto, a graça divina não apenas salva, mas também une, transforma e capacita os crentes salvos a crescerem em Cristo Jesus, em unidade.




REFERÊNCIAS
Ø  BARCLAY, William. Comentário Bíblico: Atos dos Apóstolos. São. Paulo: Hagnos, 2008.
Ø  GABY, Wagner. A igreja dos gentios: da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2026.
Ø  PFEIFFER, Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário Bíblico Moody: Os Evangelhos e Atos. 6. imp. Moody Press, 2001. 4v.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.   
 
Por Rede Brasil de Comunicação.