Jo
14.25-31
INTRODUÇÃO
Nesta
lição, estudaremos a doutrina bíblica do Deus Espírito Santo, reconhecendo-o
como uma Pessoa Divina, distinta do Pai e do Filho, porém coigual e coeterno
com Eles. Observaremos à luz das Escrituras, que o Espírito Santo não é uma
força impessoal, mas possui atributos Divinos e realiza obras que pertencem
exclusivamente a Deus (At 5.3–4; 1Co 2.10–11). Por fim, analisaremos algumas
doutrinas e interpretações equivocadas que negam ou distorcem a Divindade do
Espírito Santo, refutando-as com base na revelação Bíblica (Mt 28.19; 2Co
13.13).
I. O ESPÍRITO SANTO: DIVINDADE,
PESSOALIDADE E SÍMBOLOS
1.
A Divindade do Espírito Santo.
Quanto
à divindade do Espírito Santo, ressaltamos que as Sagradas Escrituras afirmam,
de maneira clara e inequívoca, que Ele é Deus. Essa verdade é evidenciada tanto
por textos que o apresentam diretamente como Deus (At 5.3–4), quanto por
passagens que lhe atribuem atributos divinos (1Co 2.10–11; Hb 9.14; Sl 139.7) e
obras exclusivas da Divindade, como a criação, a regeneração e a ressurreição
(Gn 1.2; Jo 3.5-6; Rm 8.11). Ainda nesse aspecto, os testemunhos históricos da
Igreja evidenciam uma compreensão contínua da divindade do Espírito Santo,
particularmente confirmada no período patrístico. Em harmonia com a
fundamentação Bíblica e Histórica, a Divindade do Espírito Santo é reafirmada
na Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, ao registrar que “a
deidade do Espírito Santo é absoluta, pois ‘Espírito Santo’ e ‘Deus’ aparecem
como nomes intercambiáveis nas Escrituras Sagradas. Isso mostra clara e
inconfundivelmente a mesma natureza e uma só substância de ambos” (2Sm 23.2-3;
At 5.3-4; 1Co 3.16) (Soares, 2024, p. 69), trazendo clareza e solidez acerca da
sua Divindade.
2.
A pessoalidade do Espírito Santo.
Reconhecemos
com igual ênfase a Divindade do Espírito Santo quanto a Sua pessoalidade.
Observe que a “Bíblia revela o Espírito Santo como uma pessoa, a terceira
Pessoa da Trindade, pois Ele é Deus. O Espírito Santo possui intelecto;
Ele penetra todas as coisas (1Co 2.10,11) e é inteligente (Rm
8.27). Ele tem emoção, sensibilidade (Ef 4.30) e vontade
(At 16.6-11; 1Co 12.11). Se o intelecto, a emoção e a vontade não
puderem provar a personalidade do Espírito Santo, fica difícil saber o que a
liderança das testemunhas de Jeová entende por personalidade, ou qual a
definição que ela dá a esse termo. As três faculdades: intelecto, emoção
e vontade caracterizam a personalidade” (SOARES, 2024, p. 123). Também
é fundamental reconhecer que, como pessoa, o Espírito Santo não apenas age, mas
também reage, aprovando ou reprovando a conduta dos homens, uma faculdade
própria de quem é dotado da prerrogativa da pessoalidade (At 10.19,21; At 5.3;
At 7.51; Ef 4.30; Mt 12.29-31).
3.
Os Símbolos do Espírito Santo.
Nas
Escrituras, diversos elementos prefiguram ou revelam as obras do Espírito Santo
em Sua missão gloriosa. Ele é representado como “Pomba”, simbolizando pureza,
mansidão e manifestação pacífica (Mt 3.16; Lc 3.22); como “Fogo”, indicando
santificação, purificação, poder e a presença marcante de Deus (At 2.3; Lv
9.24; Mt 3.11); como “Vento” ou “Sopro”, que revela Sua invisibilidade,
liberdade e ação soberana (Jo 3.8; At 2.2); como “Água”, expressando vida,
purificação e regeneração espiritual (Jo 7.37-39; Ez 36.25-27); e como “Óleo”
ou “Unção”, simbolizando consagração, capacitação e santificação, uma vez que o
Espírito unge e fortalece os crentes (1Jo 2.20,27; Êx 30.22-33). Ainda que
representado por símbolos, o Espírito Santo continua possuindo intelecto,
vontade e emoções (elementos típicos da pessoalidade). Na
verdade, os símbolos do Espírito Santo não devem ser confundidos com Sua
natureza, pois cada um deles recorre a elementos da criação (água, fogo, vento,
etc.) para ilustrar aspectos de suas ações e obras poderosas (Gn 1.2).
II. HERESIAS SOBRE A PESSOA DO
ESPÍRITO SANTO
1.
Heresia quanto à Divindade e a Pessoalidade. “O movimento das Testemunhas de Jeová nega a divindade e a
personalidade do Espírito Santo. Seus líderes alegam que o fato de o Espírito
Santo falar, ensinar, dar testemunhos, ouvir, etc. não prova que Ele tenha
personalidade, mas que se trata apenas de figura de linguagem” (SOARES, 2006,
p. 126). Neste mesmo sentido, eles afirmam: “Quanto ao ‘Espírito Santo’, a
suposta terceira Pessoa da Trindade, já vimos que não se trata de uma pessoa,
mas da força ativa de Deus” (SOARES, 2006, p. 126). Tais considerações são
apresentadas de equivocadas ao serem interpretadas pela própria Bíblia Sagrada.
Sendo assim, é importante refletir sobre as seguintes questões a respeito do
Espírito Santo: 1) Se a Bíblia afirma que o Espírito Santo ensina (Jo
14.26), como esse ensino poderia acontecer sem inteligência, intenção e
comunicação consciente, características próprias de uma pessoa? 2)
Quando se diz que o Espírito Santo fala às igrejas (Ap 2.7,11,17), como negar
que Ele tenha voz, mensagem e autoridade pessoal? 3) Da mesma forma, ao
afirmar que o Espírito Santo guia os filhos de Deus (Rm 8.14; Gl 5.18), fica
evidente que isso envolve discernimento, direção intencional e um
relacionamento pessoal. 4) Além disso, quando o Espírito Santo clama
“Aba, Pai” em nossos corações (Gl 4.6), vemos uma ação claramente relacional e
consciente, típica de um ser pessoal. 5) Por fim, como o Espírito Santo
poderia convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7–8) sem
consciência moral e capacidade de julgamento? Dessa forma, fica tão claro
quanto a luz do dia que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina.
2.
Heresia quanto à distinção de natureza e grau.
Quando
dizemos que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, isso
não quer dizer que Ele seja inferior ao Pai e ao Filho. O Espírito Santo tem o
mesmo poder e a mesma essência que o Pai e o Filho. A expressão “terceira
pessoa” não indica hierarquia, mas apenas segue a forma como a Bíblia
apresenta a Trindade, especialmente em Mateus 28.19, onde aparecem o Pai, o
Filho e o Espírito Santo. Ou seja, Deus foi se revelando aos poucos ao longo da
história: primeiro o Pai ficou mais conhecido, depois o Filho, e mais tarde o
Espírito Santo. Nos primeiros séculos da Igreja, muitos tentaram explicar esse
mistério usando a razão humana e as ideias filosóficas da época, ocasião em que
surgiu o chamado subordinacionismo, que ensinava, de forma
equivocada, que o Filho e o Espírito Santo eram inferiores ao Pai. Esse ensino
foi rejeitado pela Igreja, pois a fé cristã reconhecia que Pai, Filho e
Espírito Santo são iguais em natureza e glória.
3.
Heresia quanto à confusão entre as Pessoas da Trindade.
O
ensino equivocado do modalismo sustenta a ideia de que “Deus é uma só Pessoa
que se revela ora como Pai, ora como Filho e ora como Espírito Santo, negando
assim a distinção real e eterna entre as Pessoas da Trindade” (Soares, 2006, p.
85). Tal interpretação distorcida tem levado muitos ao erro, pois afirma que
não há coexistência pessoal na Trindade. De acordo com essa doutrina, “o Pai é
o próprio Filho, e o Filho é o próprio Espírito Santo; trata-se apenas de nomes
diferentes atribuídos ao mesmo Deus em épocas distintas” (Soares, 2006, p. 86).
Em oposição direta a esse pensamento, a Bíblica apresenta de forma consistente
a distinção entre as Pessoas da Trindade. Por exemplo, na promessa do
Consolador (Jo 16.7) fica claro que o Filho e o Espírito não são a mesma
Pessoa. Do mesmo modo, no ensino acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo,
Jesus diferencia explicitamente Sua própria Pessoa da Pessoa do Espírito (Mt
12.32). Assim, fica evidente que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina distinta,
dotada de identidade própria e atuação específica, em perfeita unidade de
natureza e atributos com o Pai e o Filho.
III. A IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS DA
TRINDADE
1.
As três pessoas da Trindade são iguais.
O
livro “Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento” comenta
que: “É sempre relevante destacar que as três Pessoas da Trindade são iguais e
não há entre elas primeiro, segundo e terceiro [não existe a ideia do
subordinacionismo ou hierarquismo] assim como está no Credo de Atanásio: ‘E,
nessa trindade, não existe primeiro nem último; maior nem menor. Mas as três
Pessoas são coeternas, são iguais entre si mesmas’. Existem diversos
textos em que o Espírito Santo é citado na Trindade como a primeira pessoa (Is
61.1; Lc 1.35; 4.18a; Jo 14.26; 15.26; 1Co 12.4-6; Ef 4.4-6; Jd 1.20,21); em
outros, como a segunda pessoa (Mt 3.16,17; 1Co 2.11,12; 12.12,13; Gl 4.6; Fp 3.3;
Hb 9.14; 1Pe 1.2; Jd 1.17-19); e em outros, como a terceira pessoa (Mt 28.19;
Jo 14.16; At 10.38; 2Co 13.13; 1Jo 5.7). “Logo, o Espírito Santo é da mesma
substância, da mesma espécie, de mesmo poder e glória do Pai e do Filho”. Deus
é uno e, ao mesmo tempo, triúno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1Jo 5.7). O
Pai, o Filho e o Espírito são três divinas e distintas Pessoas da Trindade que
são co-eternas e iguais entre si” (Barreto, 2024, p. 160).
2.
A terminologia “Terceira Pessoa da Trindade” para o Espírito Santo é meramente
didática.
A
obra “A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, histórica e
Teológica no Contexto da Trindade” nos diz que: “[…] por razões históricas e
teológicas […] opto por utilizar a expressão: “O Espírito Santo é uma das
Pessoas da Trindade”. Dessa forma, evito qualquer possível associação com o pneumatomaquismo,
subordinacionismo ou hierarquismo, visões que
apresentam o Espírito Santo como um ser criado ou um poder subordinado. Embora
reconheça que a terminologia tradicional “Terceira Pessoa da Trindade”,
utilizada por “nossos pais”, tenha fins meramente didáticos, prefiro afirmar
que o “Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade”, em vez de dizer que Ele é
a “Terceira Pessoa da Trindade” (Barreto, 2025, p. 79).
3.
A Consubstancialidade e Unidade Essencial na Trindade.
A
igualdade trinitária fundamenta-se na doutrina da consubstancialidade (o
termo teológico homoousios), que afirma que o Pai, o Filho e o Espírito
Santo compartilham a mesma essência divina. Não há divisões de poder ou de
natureza; a distinção entre as Pessoas é exclusivamente relacional e não de
“status” ou substância. Assim, ao adorarmos a uma das Pessoas, adoramos a Deus
em Sua totalidade, pois o Espírito Santo não possui “menos” divindade que o
Pai, nem o Filho é “posterior” a Ele em existência. A unidade de Deus é
preservada na diversidade das Pessoas, garantindo que a Trindade seja um só
Deus em eterna e perfeita comunhão.
CONCLUSÃO
É
essencial compreender que a Trindade é inseparável em Glória. Embora existam
distinções pessoais entre Pai, o Filho e o Espírito, não há desigualdade quanto
à natureza ou dignidade. A missão do Espírito de glorificar o filho (Jo 16.14)
não deve ser interpretada como sinal de subordinação ontológica, mas como
expressão de comunhão eterna e da perfeita harmonia entre as pessoas divinas na
obra da redenção (Barreto, 2025, p. 64).
REFERÊNCIAS
Ø SOARES, Esequias [Org.]. Declaração
de Fé das Assembleias de Deus. CPAD, 2017.
Ø SOARES, Esequias. Heresias e
Modismos: Uma Análise Crítica das Sutilezas de SATANÁS. CPAD, 2006.
Ø SOARES, Esequias. Em Defesa da
Fé Cristã: Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam Com Nova
Aparência. CPAD, 2024.
Ø BARRETO, Alessandro. Protopentecoste:
Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia Acadêmica,
2025.
Ø BARRETO, Alessandro. A adoração
ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no
Contexto da Trindade. Editora Bereia Acadêmica, 2025.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



