sábado, 13 de junho de 2026

LIÇÃO 11 – JACÓ: DE ENGANADOR A HOMEM DE HONRA






Gn 32.22-31
 


INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a formação da família de Jacó e as experiências que marcaram sua caminhada; veremos o desejo divino de Jacó retornar à sua terra; e por fim, destacaremos sua experiência transformadora no vau do Jaboque, onde teve um encontro decisivo com Deus e passou de enganador a homem de honra.


I. A FAMÍLIA DE JACÓ
A formação da família de Jacó foi marcada por experiências difíceis, enganos e conflitos que contribuíram para moldar seu caráter. Mesmo diante de falhas humanas e relacionamentos conturbados, Deus permaneceu cumprindo seus propósitos na vida do patriarca, mostrando que sua graça é maior do que as limitações humanas.
 
1.O encontro de Jacó com Raquel.
Jacó encontrou Raquel quando ela dava de beber aos rebanhos de seu pai, Labão (Gn 29.10). Raquel tornou-se o grande amor de sua vida. Sem possuir riquezas para pagar o dote, Jacó propôs trabalhar sete anos para Labão em troca do casamento com Raquel. O amor de Jacó foi demonstrado em sua dedicação e perseverança (Gn 29.18-20).
 
2. O enganador é enganado.
Após sete anos de trabalho, Labão enganou Jacó e lhe entregou Leia em lugar de Raquel (Gn 29.23-25). Jacó experimentou a dor do engano, colhendo aquilo que havia semeado quando enganou seu pai e seu irmão. A Palavra de Deus ensina que “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). Deus permite certas experiências para moldar nosso caráter e nos ensinar importantes lições espirituais.
 
3. A família numerosa de Jacó.
Embora a poligamia fosse comum naquele período, ela contrariava o propósito divino para o casamento (Gn 2.24). Ainda assim, Deus abençoou Jacó com muitos filhos. De Leia vieram Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom e Diná; de Zilpa, Gade e Aser; de Raquel, José e Benjamim; e de Bila, Dã e Naftali (Gn 29–30). Esses filhos tornaram-se os líderes das doze tribos de Israel.
 
4. Lições da família de Jacó.
Deus usa circunstâncias difíceis para moldar o caráter (Rm 8.28). O princípio da semeadura e da colheita permanece válido (Gl 6.7). O amor verdadeiro persevera apesar das dificuldades (1Co 13.7). A família deve seguir o padrão divino estabelecido por Deus (Mt 19.4-6). Os filhos são herança e bênção do Senhor (Sl 127.3).


II. JACÓ DESEJA RETORNAR À SUA TERRA
Depois de muitos anos servindo a Labão, Deus despertou em Jacó o desejo de retornar à terra de seus pais. Esse retorno não era apenas geográfico, mas também espiritual, pois fazia parte do processo divino de restauração, amadurecimento e cumprimento das promessas feitas ao patriarca.
 
1. O desejo de voltar para casa.
Depois de muitos anos servindo a Labão, Jacó desejou retornar à terra de seus pais (Gn 30.25,26). Esse desejo surgiu após o nascimento de José e fazia parte do propósito divino para sua vida. O coração de Jacó começou a ser direcionado por Deus para o reencontro com sua origem e para o cumprimento das promessas do Senhor.
 
2. O acordo entre Jacó e Labão.
Labão reconhecia que era abençoado por causa da presença de Jacó e tentou mantê-lo consigo (Gn 30.27). Então, fizeram um acordo acerca dos rebanhos malhados e salpicados. Deus prosperou grandemente Jacó, concedendo-lhe riquezas, servos e muitos animais (Gn 30.43). Aprendemos que a bênção do Senhor acompanha aqueles que andam sob sua direção.
 
3. Deus ordena o retorno de Jacó.
O ambiente na casa de Labão tornou-se hostil devido à inveja de seus filhos (Gn 31.1,2). Então, Deus ordenou a Jacó: “Torna à terra dos teus pais e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31.3). Jacó obedeceu à voz do Senhor e partiu com sua família. Mesmo diante da perseguição de Labão, Deus protegeu Jacó e impediu que o mal lhe fosse feito (Gn 31.24).
 
4. Lições da vida de Jacó.
Deus dirige os passos dos seus servos (Sl 37.23). O crente deve obedecer à voz do Senhor (Jo 10.27). A inveja produz divisão e conflitos (Pv 14.30). A bênção de Deus acompanha o trabalho fiel (Dt 28.2). O Senhor protege aqueles que caminham segundo sua vontade (Sl 121.7,8).
 
 
III. JACÓ NO VAU DO JABOQUE
No vau do Jaboque, Jacó viveu uma das experiências mais marcantes de sua vida espiritual. Em meio ao medo, à angústia e à incerteza, ele buscou intensamente ao Senhor e teve seu caráter transformado. O encontro em Peniel revelou que somente Deus pode mudar completamente o ser humano.
 
1. O medo e a angústia de Jacó. .
Ao saber que Esaú vinha ao seu encontro acompanhado de quatrocentos homens, Jacó teve medo e ficou angustiado (Gn 32.6,7). Temendo uma vingança, ele dividiu sua família em grupos e buscou proteção em Deus. Em meio às crises, Jacó nos ensina a recorrer ao Senhor em oração e dependência (Sl 121.1,2).
 
2. Jacó luta com o anjo.
Depois de fazer passar sua família pelo vau de Jaboque, Jacó ficou só e lutou com um anjo até o romper do dia (Gn 32.24). Durante a luta, demonstrou perseverança espiritual ao declarar: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). Há momentos em que o crente precisa perseverar em oração, jejum e busca pela presença de Deus.
 
3. A transformação de Jacó.
Após aquele encontro, Jacó teve seu nome mudado para Israel (Gn 32.28). Sua transformação não foi apenas exterior, mas principalmente interior. O homem enganador tornou-se alguém moldado pela presença divina. Quem tem um verdadeiro encontro com Deus não permanece da mesma maneira, pois o Senhor transforma o caráter e renova a vida (2Co 5.17).
 
4. Lições para a igreja.
Deus transforma vidas e caracteres (Ez 36.26). O encontro com Deus produz mudança verdadeira (2Co 5.17). A perseverança em oração traz vitória espiritual (Lc 18.1). O crente deve depender totalmente do Senhor (Pv 3.5). A presença de Deus nos molda como barro nas mãos do oleiro (Jr 18.6).


IV. LIÇÕES ESPIRITUAIS DA TRANSFORMAÇÃO DE JACÓ
1. Deus transforma o interior do homem.
A mudança de Jacó não foi apenas em seu nome, mas em todo o seu caráter. Antes, era conhecido como enganador; depois do encontro com Deus, tornou-se Israel, alguém marcado pela presença divina. Isso nos mostra que Deus não muda apenas comportamentos externos, mas transforma o coração humano (Ez 36.26). Na Nova Aliança, essa transformação é operada pelo Espírito Santo na vida daqueles que se rendem ao Senhor (2Co 3.18).
 
2. As lutas fazem parte do processo de amadurecimento.
Jacó foi moldado através de muitas experiências difíceis: fugiu de casa, foi enganado por Labão, viveu conflitos familiares e enfrentou o medo do reencontro com Esaú. Cada uma dessas situações contribuiu para seu amadurecimento espiritual. Deus usa provações para aperfeiçoar nossa fé e fortalecer nosso caráter (Tg 1.2-4; Rm 5.3-5). Muitas vezes, é nas crises que aprendemos a depender totalmente do Senhor.
 
3. O verdadeiro encontro com Deus produz mudança permanente.
Depois de Peniel, Jacó nunca mais foi o mesmo homem. Sua maneira de agir, pensar e enfrentar a vida foi transformada. O texto bíblico afirma que ele saiu mancando, carregando em seu corpo a marca daquele encontro (Gn 32.31). Isso simboliza que experiências reais com Deus deixam marcas profundas e permanentes na vida do crente. Quem verdadeiramente encontra-se com Cristo experimenta uma nova vida (2Co 5.17).
 
4. Lições para a igreja.
A experiência de Jacó em Peniel não foi apenas um acontecimento pessoal, mas também uma poderosa fonte de ensinamentos espirituais para a Igreja do Senhor. Sua trajetória revela que Deus continua trabalhando na vida daqueles que desejam ser transformados por sua presença. As lutas, provações e experiências espirituais vividas por Jacó mostram que o Senhor usa circunstâncias para aperfeiçoar o caráter dos seus servos e prepará-los para cumprir seus propósitos. Assim, ao observarmos a mudança ocorrida na vida do patriarca, podemos extrair preciosas lições para a caminhada cristã nos dias atuais. Vejamos: 
  • Deus continua transformando vidas hoje (Fp 1.6);
  • O sofrimento pode ser instrumento de crescimento espiritual (1Pe 5.10);
  • O encontro com Deus gera mudança de caráter (Gl 5.22,23);
  • A perseverança na oração fortalece a fé (Rm 12.12);
  • O crente deve viver como nova criatura em Cristo (Ef 4.22-24).
 
 
CONCLUSÃO
A trajetória de Jacó mostra que Deus é capaz de transformar completamente o ser humano. O enganador tornou-se homem de honra após ser moldado pelas experiências da vida e, principalmente, pelo encontro com Deus em Peniel. O Senhor trabalhou em seu caráter através das lutas, dores e desafios. Assim também acontece conosco: somente a presença de Deus pode produzir verdadeira mudança interior e fazer de nós novas criaturas.
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  EARLE, Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7, CPAD.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1. CPAD.
Ø  PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe. CPAD.
Ø  RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 

Por Rede Brasil de Comunicação.

 




domingo, 7 de junho de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






ENTRE A VERDADE E O ENGANO
Combatendo Ideologias e Ensinos que se
Opõem à Palavra de Deus.









Lição 10
Hora da Revisão

A respeito de “A Falácia da Teoria do Deísmo”, responda:
 
 
1. O que a teoria do Deísmo sustenta?
Sustenta que, embora Deus exista, Ele não intervém no universo após criá-lo, deixando-o autogerir-se como uma máquina perfeita.
 
2. O que essa teoria busca fazer com o poder do Evangelho e com a experiência cristã?
Essa teoria busca esvaziar o poder do Evangelho e tornar a experiência cristã uma prática de bons costumes, mas sem a dimensão espiritual vivificante.
 
3. Como a providência bíblica mostra-nos Deus?
A providência bíblica mostra um Deus presente, que guia os eventos da história, cuida das necessidades do ser humano e age até nas situações mais comuns. Ele é quem dá o fôlego de vida, quem alimenta os pássaros e veste os lírios do campo (Mt 6.26-30).
 
4. O que a lição nos ensina sobre a oração?
A oração não é apenas um ritual, mas um canal de comunhão com o Deus que fala e responde.
 
5. Ao substituir Deus por técnicas humanas, quais as implicações desta teoria para a fé?
A substituição de Deus por técnicas humanas torna a fé uma questão de desempenho, não de graça.




 

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






HOMENS DOS QUAIS O
MUNDO NÃO ERA DIGNO -
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó.









Lição 10
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Experiência Transformação de Jacó” responda:          
 
 
1. O que Jacó viu em seu sonho?
Em seu sonho, ele viu uma escada cujo topo tocava nos céus. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela (Gn 28.12).
 
2. O que Hebreus 1.14 diz a respeito dos anjos?
A Bíblia diz que os anjos são espíritos ministradores (Hb 1.14).
 
3. De acordo com a lição, quais são as descobertas de Jacó?
Jacó descobriu a presença de Deus; a Casa de Deus e a porta dos céus.
 
4. O que significa “Betel?”
Betel que significa “Casa de Deus”.
 
5. Qual foi o voto de Jacó (Gn 28.20-22)?
Ele prometeu que, se Deus fosse com ele, e o guardasse na viagem, e lhe desse pão para comer e vestes para vestir e se um dia voltasse em paz à casa de seu pai, o Senhor seria o seu Deus. Também prometeu que tudo quanto Deus lhe desse certamente daria o dízimo.
 


 

LIÇÃO 10 – A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ





 
Gn 28.10-17



INTRODUÇÃO
Na lição, definiremos os termos “experiência” e “transformadora”; explicaremos como se deu a fuga de Jacó; seu sonho em Betel; a surpresa de Jacó após o sonho e a coluna em Betel; falaremos sobre a surpresa de Jacó após o sonho; e por fim; notaremos as lições espirituais da coluna em Bete.


I. DEFINIÇÕES
1. Experiência.
O dicionarista Houaiss (2011, p. 1287) define o termo experiência como “ato de experimentar, conhecimento adquirido por prática, estudo ou observação” ou ainda forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida”

2. Transformação.
Ainda segundo o dicionarista Houaiss, o termo deriva-se do verbo transformar, e significa “aquilo que se transforma, que toma uma nova forma, que se tona diferente do que era”. Pode significar também “se converter” ou “mudar”. (2011, p. 2750). A experiência transformadora de Jacó fala se de sua mudança de caráter. Ela não ocorreu em uma única ocasião, mas, teve início quando estava fugindo da presença do seu irmão Esaú.


II. A FUGA DE JACÓ PARA HARÃ
“Como era de esperar, Esaú odiou Jacó por haver lhe tomado a bênção e planejou matar o irmão assim que Isaque morresse (Gn 27.41), mas Rebeca descobriu seu plano (Gn 27.42). Depois de tramar para Jacó receber a bênção, agora planeja uma estratégia para salvar a vida do filho. Suas palavras sobre perder os meus dois filhos num só dia se referem ao fato de que a morte de Isaque seria seguida imediatamente da morte de Jacó (Gn 27.45b). Rebeca sabia onde Jacó poderia permanecer em segurança. Ele teria de ir para a casa de Labão, tio de Jacó, em Harã (Gn 27.43; cf. Gn 24.29,50; 25.20). Rebeca manteria Esaú sob observação na esperança de que o tempo o faria esquecer a farsa do irmão. Quando fosse seguro voltar, ela chamaria Jacó (Gn 27.45a) [...]. Em seguida, Isaque despediu Jacó com suas bênçãos, pedindo a Deus para lhe dar filhos (Gn 28.3) e a posse da terra de Canaã que o Senhor havia prometido aos descendentes de Abraão (Gn 28.4). Jacó partiu para Pada-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú (Gn 28.5).” (Adeymo, 2012, p. 53). 

 
III. O SONHO DE JACÓ E O INÍCIO DE SUA TRANSFORMAÇÃO
No caminho para a casa de Labão, Deus deu a Jacó um sonho maravilhoso a fim de animá-lo e firmar sua fé para que não vacilasse nos longos e duros anos vindouros. Na visão, a escada simbolizava que existia uma comunicação entre o céu e a terra. Jacó tinha o céu aberto. Deus ouviria suas orações e o ajudaria. Os anjos subiam e desciam pela escada como mensageiros e ministros do governo de Deus sobre a terra. [...] O Senhor confirmou a Jacó as promessas da aliança que seu pai havia feito ao abençoá-lo. Prometeu-lhe que o acompanharia, guardaria e traria de volta à terra prometida. Estaria com ele de forma ativa e contínua. Isto não significava que o Senhor aprovaria tudo quanto Jacó fizesse, mas que o acompanharia para levar a cabo completamente seu elevado propósito nele.” (Hoff, 2012, p. 86). Vejamos:

1. O sonho de Jacó (Gn 28.12-17).
O sonho de Jacó não foi natural, mas sobrenatural. Tratou-se de uma manifestação divina por meio da qual Deus lhe trouxe revelação e direção. A Bíblia registra diversos outros episódios em que Deus falou através de sonhos, concedendo orientação, advertências, promessas e revelações proféticas. Vejamos alguns exemplos: 
  • Deus aparece em sonho a Abimeleque, advertindo-o acerca de Sara, esposa de Abraão (Gn 20.6-7).
  • Deus aparece em sonho a Salomão e lhe oferece aquilo que desejasse pedir; Salomão pede sabedoria (1Rs 3.5-15).
  • Os magos do Oriente são avisados em sonho para não retornarem a Herodes, o Grande (Mt 2.12).
  • José do Egito recebe sonhos proféticos acerca de seu futuro e de sua exaltação (Gn 37.5-10).
  • Faraó sonha com as vacas magras e gordas, bem como com as espigas secas e cheias (Gn 41.1-32).
  • Nabucodonosor recebe sonhos proféticos revelados e interpretados por Daniel (Dn 2.1-45; 4.4-27).
  • José recebe orientações divinas em sonhos, sendo avisado para fugir para o Egito (Mt 1.20-24; 2.13; 2.19-22).
  • A esposa de Pôncio Pilatos relata ter sofrido muito em sonho (Mt 27.19).
  • Daniel também recebeu sonhos e visões proféticas (Dn 7.1-28).
Esses textos mostram que Deus utilizou sonhos como meio de comunicação em diferentes épocas e circunstâncias, especialmente para revelar Sua vontade, proteger Seu povo e anunciar acontecimentos futuros.
 
2. A escada que tocava o céu (Gn 28.12a).
Jacó estava fugindo de casa, sozinho, inseguro e vivendo as consequências de seus erros. Mas, no sonho, ele viu uma escada, cujo topo tocava no céu. Aquela escada revela que havia uma ligação entre o céu e a terra e que Deus não estava distante nem indiferente aos temores de Jacó. É interessante observar que, milênios depois, quando Natanael vai ter com Jesus, o Senhor lhe diz: “Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51). Jacó estava tendo uma experiência, que, no futuro, seria vivenciada pelo próprio Filho de Deus, não em sonhos, mas, na vida real, durante o Seu ministério terreno.
 
3. Os anjos de Deus subindo e descendo por ela (Gn 28.12b).
Os anjos são mensageiros de Deus, e são enviados em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). A Bíblia revela diversos exemplos onde os anjos aparecem em sonhos para trazer anúncios aos servos de Deus. Vejamos alguns:
  • O Anjo de Deus aparece em sonho a Jacó, orientando-o a retornar à sua terra (Gn 31.11-13).
  • Um anjo aparece em sonho a José, esposo de Maria, explicando a origem divina da gravidez (Mt 1.20-24).
  • Após a morte de Herodes, um anjo volta a aparecer em sonho a José, dizendo que já era seguro retornar (Mt 2.19,20).
  • Embora no sonho de Jacó os anjos não tenham lhe falado nada, mas, a presença deles revelam que Jacó não estava só!
 
4. O Senhor no topo da escada (Gn 28.13).
Sem dúvida, a presença de Deus no topo daquela escada naquele sonho, foi a maior demonstração do Seu cuidado e proteção. Jacó poderia seguir a sua caminhada seguro, pois o Todo Poderoso estava lhe guardando e lhe guiando naquela trajetória. “Se a visão dos anjos de Deus, no sonho, já era impactante, mais ainda deve ter sido para Jacó ver que o Senhor Deus se apresentava no topo da escada!” (Renovato, 2026, p. 113). Pela primeira vez, Jacó teve a convicção que Deus estava com ele. O Mesmo Deus que apareceu a Abraão (Gn 12.1-3; 13.14-17; 15.4-16; 17.1-22; 18.17-33) e a Isaque (Gn 26.1-5), agora se revela a Jacó (Gn 28.13-15). Era o início de uma longa jornada de transformação e de experiência com o Deus, Todo Poderoso.

5. As promessas de Deus a Jacó (Gn 28.13-15).
“O Senhor se identifica claramente a Jacó como Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. Ao dizer isso, traz à memória de Jacó aquilo que Deus havia feito por seus antepassados e convida Jacó a seguir os passos deles. Depois de se identificar, Deus repete a promessa da terra que havia feito a Abraão e Isaque: a terra em que agora estás deitado, eu ta darei (Gn 28.13b; Gn 17.8; Gn 26.3). Também repete a promessa de uma descendência numerosa: a tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Por fim, repete também a promessa misteriosa de que a família de Abraão abençoará muitas outras; em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22.14; Gn 22.18)” (Adeymo, 2012, p. 54).
 

IV. A SURPRESA DE JACÓ APÓS O SONHO
Despertado do sono, Jacó faz as seguintes declarações:
 
1. “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (Gn 28.16).
Jacó estava fugindo de casa, cansado, solitário e dormindo em um lugar comum, usando uma pedra como travesseiro. Ele não imaginava que ali teria uma experiência tão profunda com Deus. Essa declaração revela sua surpresa ao perceber que Deus estava presente mesmo em um momento difícil e em um lugar aparentemente sem importância. “Esse episódio na jornada atribulada de Jacó nos mostra que, muitas vezes, Deus está perto de nós, e não o percebemos. Por vezes, as tribulações da vida são tantas que nos fazem pensar que Deus não está conosco, não nos vê; que nos abandonou, diante de tantos problemas sem solução. Esquecemo-nos de que, se formos fiéis ao Senhor, obedecendo à sua voz e cumprindo os seus preceitos, Ele é fiel para cumprir o que planejou para nós” (Renovato, 2026, p. 115).
 
2. “Quão terrível é este lugar” (Gn 28.17a).
Jacó ficou tão impactado pela manifestação divina naquele lugar, que chamou aquele lugar de “terrível”. A palavra “terrível” aqui não significa algo ruim ou assustador no sentido negativo, mas algo grandioso, reverente, impressionante e santo. Diversos textos bíblicos também usam esta expressão para descrever o próprio Deus ou experiências divinas e sobrenaturais. Vejamos alguns exemplos: 
  • “[...] porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível” (Dt 7.21).
  • “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível [...]” (Ne 1.5).
  • “[...] Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível...” (Ne 4.14).
  • “Mas o Senhor está comigo como um valente terrível” (Jr 20.11).

3. “Este não é outro lugar, senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gn 28.17c).
Jacó reconheceu que aquele lugar simples havia se tornado um local de encontro com Deus. Depois disso, ele chamou aquele lugar de Betel. “‘Betel’ significa ‘a casa de Deus’ pode representar qualquer lugar onde Deus está presente num sentido muito especial.” (Stamps, 1995, p. 77,78). A presença de Deus transforma ambientes comuns em lugares especiais. Mais importante do que a estrutura física é a manifestação divina. Onde Deus fala, consola, transforma e se revela, ali se torna espiritualmente uma “casa de Deus”. Ao ver a escada ligando a terra ao céu e os anjos subindo e descendo, Jacó entendeu que aquele sonho representava acesso à presença divina. Havia uma ligação entre o céu e a terra. 


V. A COLUNA DE BETEL
“Em resposta a essa experiência, Jacó tomou a pedra que havia usado como travesseiro e erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite (28:18). O ato de derramar azeite sobre a pedra constituiu uma unção de modo a separá-la para Deus. Jacó provavelmente teria oferecido um sacrifício nessa ocasião, se houvesse algum animal para sacrificar. Mas, uma vez que estava viajando, não tinha nenhum animal consigo. No entanto, o Senhor aceita nossas ofertas, por mais simples que sejam, quando vêm do coração. Jacó chama o lugar onde dormiu de Betel, a "casa de Deus", para comemorar o que aconteceu ali (28:19). Também faz um voto expresso na forma condicional. Se o Senhor o proteger e prover para ele no futuro e se a promessa em 28:15 se cumprir, então o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo (Gn 28.20-22)” (Adeymo, 2012, p. 54). 


CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a experiência transformadora de Jacó teve início no momento mais difícil de sua vida. Ele estava só e fugitivo. Mas, o Senhor Deus lhe aparece em sonhos para mostrar que estava com ele e lhe fazer grandiosas promessas. Muitas vezes pensamos que Deus só se manifesta em ambientes religiosos ou em momentos extraordinários, mas Jacó aprendeu que a presença de Deus pode alcançar o homem em qualquer lugar. Há situações em que somente depois percebemos que Deus esteve conosco o tempo todo, cuidando, guiando e trabalhando silenciosamente. O mesmo Deus que apareceu a Jacó no passado, continua se revelando aos seus servos, em todas as eras, para mudar o seu caráter e transformar a sua vida!



REFERÊNCIAS
Ø  ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. EDITORA GERAL.
Ø  HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø  RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 
Por Rede Brasil de Comunicação.