sexta-feira, 3 de abril de 2026

LIÇÃO 1 – ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORDANA DE FÉ






Gn 12.1-9



INTRODUÇÃO
Nesta lição, abordaremos alguns aspectos importantes da vida do patriarca Abraão. Inicialmente, estudaremos o seu chamado; em seguida, destacaremos a sua obediência a Deus; e, por fim, analisaremos como sua trajetória revela uma vida marcada por contínuo aprendizado na caminhada com o Senhor.


I. INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIARCA ABRAÃO
A história de Abraão ocupa um lugar central na revelação bíblica, pois marca o início de uma nova etapa na história da salvação. Chamado por Deus para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, Abrão inicia uma jornada que exigia confiança absoluta na promessa divina, mesmo sem conhecer o destino final. Esse chamado não representava apenas uma mudança de lugar, mas uma ruptura com a segurança do passado e um passo de fé em direção ao propósito de Deus. Contudo, sua caminhada não foi isenta de dificuldades, pois ao longo do percurso enfrentou crises, fome, conflitos e até momentos de fraqueza espiritual. Ainda assim, por meio dessas experiências, Deus moldou o caráter do patriarca e revelou que a verdadeira fé se constrói na obediência, na dependência do Senhor e na perseverança diante das provações. Vejamos algumas informações sobre a vida deste patriarca de Israel.
 
1. Origem e identidade de Abraão (Gn 11.26–28; 17.5).
Abrão nasceu em Ur dos Caldeus (Gn 11.27–28), importante centro urbano da antiga Mesopotâmia, pertencente à região da Suméria. Segundo Cabral (2002, p. 5), Ur possuía intensa movimentação mercantil e atividade social significativa, características que indicam o ambiente cultural no qual Abrão foi criado. O nome Abrão, mencionado inicialmente na narrativa bíblica, significa “pai elevado” ou “pai das alturas” (Gn 11.26). Posteriormente, no contexto da aliança estabelecida por Deus com o patriarca, seu nome foi mudado para Abraão, cujo significado é “pai de uma multidão” (Gn 17.5). Essa mudança não possui apenas valor nominal, mas carrega profundo sentido teológico e profético, pois aponta para o cumprimento da promessa divina de que ele se tornaria o pai de uma numerosa descendência.
 
2. Ascendência e família de Abraão (Gn 11.10–31; 12.5).
Abraão era descendente direto de Sem, filho de Noé, pertencendo assim à linhagem semita apresentada na genealogia de Gênesis 11.10–26. Ele era filho de Terá, figura que ocupa posição importante na transição entre as genealogias pós-diluvianas e o início da história patriarcal. A inclusão dessa genealogia no relato bíblico não é meramente informativa, mas demonstra a continuidade da história da redenção iniciada após o dilúvio, culminando posteriormente na linhagem messiânica apresentada no Novo Testamento (Lc 3.36). No âmbito familiar, Abrão era casado com Sarai (Gn 11.29). A Escritura destaca que ela era estéril (Gn 11.30). Posteriormente, no contexto da aliança divina, Deus também mudou o nome de Sarai para Sara, cujo significado é “princesa” (Gn 17.15). Assim como ocorreu com Abraão, essa mudança de nome expressa a participação dela no cumprimento do propósito divino, indicando que a promessa da descendência seria concretizada por meio dela.


II. DEUS CHAMA ABRAÃO
O chamado de Abraão marca um dos momentos mais importantes da história bíblica. Deus se revela a Abrão e ordena que ele deixe sua terra, sua parentela e a casa de seu pai para seguir em direção a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1-4). Esse chamado exigia uma ruptura profunda com sua vida anterior, pois Abrão nasceu em Ur dos Caldeus, uma cidade importante da antiga Suméria, marcada pela prosperidade comercial e pela presença da idolatria (Gn 11.27-28). Portanto, obedecer ao chamado de Deus significava abandonar não apenas um lugar, mas também um contexto cultural e religioso que se opunha ao propósito divino.
 
1. A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1).
A ordem divina foi clara, Abrão deveria sair de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai para uma terra que Deus ainda lhe mostraria (Gn 12.1). Humanamente falando, essa decisão envolvia grande risco, pois Abrão não possuía qualquer informação detalhada sobre o destino da jornada. Sua única referência era a promessa de Deus. Ainda assim, ele decidiu obedecer. A Escritura afirma que Abrão partiu “como o Senhor lhe havia dito” (Gn 12.4). Essa atitude revela que a fé verdadeira se manifesta na obediência. Abrão confiou na palavra divina mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho, demonstrando que a fé caminha baseada na confiança no Deus que chama.
 
2. A promessa para Abrão (Gn 12.2-3).
Junto com o chamado, Deus apresentou uma promessa extraordinária. O Senhor declarou que faria de Abrão “uma grande nação”, engrandeceria o seu nome e faria dele uma bênção para todas as famílias da terra (Gn 12.2-3). Essa promessa possui um alcance muito maior do que a vida do próprio patriarca, pois aponta para a formação do povo de Israel e, de maneira profética, para a vinda do Messias. O contraste com a história de Babel é evidente. Enquanto os homens tentaram fazer um nome para si mesmos (Gn 11.4), Deus afirma que Ele mesmo engrandeceria o nome de Abrão por causa de sua obediência.
 
3. As bênçãos de Deus para Abrão.
A promessa divina revelava que Deus não apenas chama, mas também abençoa e sustenta aqueles que confiam nele. O Senhor prometeu proteger Abrão, abençoar aqueles que o abençoassem e amaldiçoar os que o amaldiçoassem (Gn 12.3). Contudo, a bênção recebida por Abrão tinha um propósito maior: ele deveria ser um instrumento de bênção para outras pessoas. Essa promessa alcança seu cumprimento pleno em Cristo, pois todos os que creem participam da mesma promessa feita ao patriarca. Assim, Abraão se torna o modelo de fé para todos aqueles que confiam nas promessas de Deus.


III. A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS
Depois de receber o chamado divino, Abrão demonstrou que sua fé não era apenas teórica, mas prática. A Escritura afirma que ele partiu conforme o Senhor lhe ordenara (Gn 12.4). Essa atitude revela que a verdadeira fé se expressa por meio da obediência. Mesmo sem conhecer plenamente o destino da jornada, Abrão decidiu confiar na palavra de Deus e seguir o caminho que lhe foi apresentado. Entretanto, sua caminhada também revelou momentos de fragilidade e processos de aprendizagem espiritual, mostrando que a fé amadurece ao longo da jornada.
 
1. Atendendo ao chamado (Gn 12.4-5).
Abrão respondeu positivamente ao chamado divino e iniciou sua jornada rumo à terra que Deus prometera mostrar. A Bíblia afirma que ele saiu de Harã levando consigo sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló e todos os bens que haviam adquirido (Gn 12.4-5). Essa decisão demonstra que Abrão confiou na promessa de Deus mesmo sem possuir todas as respostas. Ele deixou para trás segurança, estabilidade e sua terra natal para caminhar pela direção do Senhor. Esse episódio ensina que a fé verdadeira não depende de garantias humanas, mas da confiança na palavra de Deus.
 
2. Um descuido na obediência (Gn 11.31; 12.5).
Apesar de sua disposição em obedecer, Abrão não seguiu o chamado divino de forma totalmente completa. Deus havia ordenado que ele deixasse sua parentela, porém Abrão levou consigo seu sobrinho Ló (Gn 12.5). Esse detalhe revela que, muitas vezes, a obediência humana pode ser parcial. A presença de Ló posteriormente geraria conflitos entre os pastores de ambos e exigiria uma separação entre eles (Gn 13.7-9). Esse episódio mostra que carregar “bagagens” que Deus nos pede para deixar pode trazer dificuldades no caminho da fé.


IV. UMA VIDA DE APRENDIZADO COM DEUS
A estrada da maturidade da fé é um teste constante, no qual as pressões da vida cooperam em forma de “provações” (Tg 1.2), as quais quando enfrentadas com fé e perseverança, nos tornam “maduros e completos” (Tg 1.4). Deus permite circunstâncias adversas a fim de que aprendamos algumas lições. Eis algumas lições que Abraão aprendeu:
 
1. Aprendeu renunciar (Gn 12.1-3).
Não foi fácil para Abraão sair de sua terra, de sua parentela e da casa do seu pai. Na verdade, apesar da exigência divina de lhe pedir tal renúncia, ele levou consigo seu pai e também seu sobrinho (Gn 11.31; At 7.2-4). No caminho, seu pai faleceu e seu sobrinho lhe trouxe grandes problemas (Gn 11.32; 13.7; 14.12-14). Abraão aprendeu que não é bom caminhar com aquilo que Deus pede para nos desvencilharmos (Mt 10.37; 16.24,25).
 
2. Aprendeu a depender (Gn 12.10-20).
Ao chegar na terra que por Deus foi mostrada e nela encontrar dificuldades, Abraão deveria buscar a Deus sobre como deveria agir nessa situação. Na verdade, a sua própria voz falou mais alto e ele desceu ao Egito afim de garantir sua sobrevivência. Esta descida quase resultou num grande desastre familiar, senão fosse a intervenção divina. Abraão reconheceu que agiu precipitadamente e saiu do Egito retornando para o lugar que Deus lhe dissera (Gn 13.1-4). É melhor estar na dificuldade com Deus do que na facilidade fora da vontade divina (1Pe 3.17).
 
3. Aprendeu a confiar plenamente na promessa de Deus (Gn 22.1–14).
Um dos momentos mais marcantes da vida de Abraão ocorreu quando Deus lhe pediu que oferecesse seu filho Isaque em sacrifício no monte Moriá (Gn 22.1-2). Esse pedido representava uma prova profunda de fé, pois Isaque era o filho da promessa, aquele por meio de quem Deus havia declarado que a descendência de Abraão seria estabelecida (Gn 21.12). Mesmo diante dessa situação extremamente difícil, Abraão demonstrou confiança absoluta na palavra de Deus. A Escritura relata que ele se levantou de madrugada e seguiu para o lugar indicado pelo Senhor, revelando prontidão em obedecer (Gn 22.3). Segundo o testemunho do Novo Testamento, Abraão cria que Deus era poderoso até para ressuscitar seu filho dentre os mortos (Hb 11.17-19). No momento decisivo, Deus proveu um cordeiro para o sacrifício (Gn 22.13-14), ensinando ao patriarca que o Senhor sempre provê para aqueles que confiam plenamente em sua palavra. Essa experiência fortaleceu ainda mais a fé de Abraão e reafirmou que a verdadeira confiança em Deus permanece firme mesmo diante das provas mais difíceis.


CONCLUSÃO
A vida de Abraão revela que a fé verdadeira é demonstrada na obediência a Deus, mesmo quando o caminho não está totalmente claro. Ao longo de sua jornada, o patriarca enfrentou desafios, falhou em alguns momentos, mas também aprendeu a confiar cada vez mais na promessa divina. Sua história mostra que Deus forma o caráter de seus servos através das provações. Assim, Abraão permanece como exemplo de fé para todos os que decidem caminhar confiando na palavra do Senhor.

 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø  LINDSAY, Gordon. Abraão: o amigo de Deus. GRAÇA EDITORIAL.
Ø  SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. MUNDO CRISTÃO.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





LIÇÃO 1 - O QUE É UMA IDEOLOGIA


Vídeo Aula - Pastor Eduardo 





LIÇÃO 1 - ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORDANA DE FÉ (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Elinaldo
 




domingo, 29 de março de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 13
Hora da Revisão

A respeito de “A Consumação da Salvação”, responda:
 
 
1. Quais são as características da finitude humana?
O corpo, hoje, está sujeito à finitude: ele envelhece, adoece e morre.
 
2. Qual o contraste que o apóstolo Paulo faz para ensinar a respeito da transição entre “alma vivente” e “espírito vivificante”?
O contraste entre Adão e Cristo.
 
3. Segundo a lição, o que a Árvore da Vida simboliza?
Essa árvore simboliza a verdadeira vida, em que não haverá mais sofrimento físico, emocional ou espiritual.
 
4. Qual é o convite da esperança cristã em relação à glorificação final?
A esperança cristã em relação à glorificação final nos convida a agir no presente com um estilo de vida coerente com o Reino de Deus.
 
5. Em contraste com um mundo centrado no ego, como o salvo vive?
Em contraste com um mundo centrado no ego, o salvo vive centrado em Deus, por meio de seu Filho, na força do Espírito Santo.
 



QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.









Lição 13
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Trindade Santa e a Igreja de Cristo” responda:          
 
 
1. Pela atuação do Espírito Santo, a Igreja é chamada a quê?
A obediência e a purificação contínua.
 
2. Qual é a fonte e o sustento da comunhão com o Pai e da perseverança da vida cristã?
O amor de Deus.
 
3. A verdadeira unidade cristã é preservada por quem?
Pelo Espírito Santo.
 
4. No Novo Testamento, qual é o instrumento do Pai para proclamar a sua graça e cumprir a responsabilidade de evangelizar e ensinar a Palavra de Deus?
A Igreja, corpo de Cristo.
 
5. Além de ser uma liturgia, o que o batismo nas águas é?
Uma confissão pública da fé na obra redentora da Trindade.
 



sexta-feira, 27 de março de 2026

LIÇÃO 13 – A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO






2Co 13.11-13; 1Pe 1.2,3



INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a obra da Trindade na salvação da humanidade; refletiremos sobre a vida da Igreja em comunhão com a Santíssima Trindade; analisaremos a missão da Igreja como expressão do agir trinitário; e, por fim, compreenderemos a Trindade como fundamento da adoração cristã.
 
 
I. A OBRA TRINITÁRIA NA SALVAÇÃO
A fé cristã afirma que Deus se revela como Pai, Filho e Espírito Santo. Essa realidade, conhecida como Trindade, não é apenas uma formulação teológica, mas o fundamento da própria existência da Igreja. Desde o plano da salvação até a missão no mundo, vemos a atuação conjunta das três Pessoas divinas. O Pai planeja, o Filho realiza a redenção e o Espírito aplica essa obra ao coração humano. Assim, compreender a Trindade ajuda-nos a entender quem somos como povo de Deus e qual é o propósito da Igreja na história.
 
1. O propósito eterno do Pai.
A origem da salvação encontra-se na vontade soberana de Deus. Antes mesmo da criação, o Pai já havia estabelecido o plano de formar um povo para si. A Escritura declara que fomos escolhidos “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). Pedro afirma que essa eleição ocorre “segundo a presciência de Deus Pai” (1Pe 1.2). A palavra presciência indica o conhecimento prévio de Deus acerca de todas as coisas. Nada surpreende o Senhor. Ele conhece antecipadamente aqueles que responderiam à sua graça e permaneceriam em Cristo (Rm 8.29). Dessa forma, a existência da Igreja não é fruto do acaso, mas resultado de um propósito eterno estabelecido por Deus.
 
2. A redenção realizada pelo Filho.
Se o Pai planejou a salvação, o Filho a concretizou por meio de sua morte na cruz. A Igreja é formada por aqueles que foram alcançados pelo sacrifício de Cristo. Pedro descreve os crentes como participantes da “aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe 1.2). Essa linguagem remete às cerimônias do Antigo Testamento, quando o sangue dos sacrifícios era aspergido para confirmar alianças e purificar o povo (Êx 24.8). No entanto, o sacrifício de Cristo é superior e definitivo. Seu sangue estabelece a Nova Aliança e promove a remissão dos pecados (Hb 9.13-15). Cristo amou profundamente a Igreja e entregou-se por ela (Ef 5.25). Sua morte substitutiva reconciliou o ser humano com Deus (2Co 5.18-19) e trouxe purificação para aqueles que creem (1Jo 1.7).
 
3. A ação santificadora do Espírito.
A salvação não se limita ao plano do Pai nem ao sacrifício do Filho. Ela também envolve a atuação contínua do Espírito Santo. É Ele quem aplica a obra de Cristo na vida dos crentes. Pedro afirma que fomos eleitos “em santificação do Espírito” (1Pe 1.2). A santificação representa o processo pelo qual o cristão é separado do pecado e consagrado ao serviço de Deus. Sem o Espírito Santo, a Igreja seria apenas uma organização humana. Contudo, é Ele quem vivifica, purifica e molda o caráter dos crentes conforme Cristo (2Ts 2.13). Assim, a salvação revela uma perfeita cooperação trinitária: o Pai escolhe, o Filho redime e o Espírito transforma.
 
 
II. A VIDA DA IGREJA EM COMUNHÃO COM A TRINDADE
A vida cristã não se resume a aceitar verdades doutrinárias, mas envolve uma experiência contínua de comunhão com Deus. A Igreja existe e permanece viva porque participa dessa relação com o Deus Triúno. Assim, a comunhão com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo sustenta a espiritualidade cristã, orienta a caminhada de fé e fortalece a unidade do povo de Deus.
 
1. Relacionamento com o Pai.
A comunhão da Igreja com Deus começa no amor do Pai. Foi esse amor que tornou possível nossa reconciliação com Ele (Jo 3.16). Por isso, a Escritura exorta os crentes a permanecerem nesse amor: “conservai-vos no amor de Deus” (Jd 21). Permanecer nesse amor significa viver em obediência à vontade divina e guardar os mandamentos do Senhor (Jo 14.21). Essa comunhão produz temor reverente, fidelidade e perseverança na caminhada cristã. Nada pode separar o crente do amor de Deus manifestado em Cristo (Rm 8.35-39).
 
2. Comunhão com o Filho.
A vida cristã também se fundamenta na relação com Jesus Cristo. Ele declarou ser “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14.6), mostrando que o acesso ao Pai ocorre exclusivamente por meio dEle. A esperança da vida eterna está ligada à misericórdia de Cristo (Jd 21). Essa vida não é apenas uma promessa futura, mas uma realidade presente para aqueles que estão unidos ao Filho (1Jo 5.11). Portanto, quem possui comunhão com Cristo participa da vida que procede de Deus (1Jo 5.12).
 
3. Comunhão com o Espírito Santo.
A presença do Espírito Santo é essencial para a vida espiritual da Igreja. Judas orienta os crentes a edificarem-se “orando no Espírito Santo” (Jd 20). Isso revela que a vida cristã depende da ação constante do Espírito. Ele intercede pelos crentes, orienta a oração e fortalece a fé (Rm 8.26-27). Além disso, o Espírito promove a unidade do Corpo de Cristo (Ef 4.3). A verdadeira comunhão cristã nasce quando os crentes vivem guiados por Ele, cultivando perdão, amor e cooperação mútua (Ef 4.30-32).
 
 
III. A MISSÃO DA IGREJA COMO EXPRESSÃO DA TRINDADE
Além de viver em comunhão com a Trindade, a Igreja também participa de sua missão no mundo. O propósito redentor de Deus não se limita à salvação individual, mas envolve o envio do povo de Deus para anunciar o Evangelho. Dessa forma, a missão da Igreja reflete o próprio agir trinitário: nasce no coração do Pai, é confiada pelo Filho e é realizada no poder do Espírito Santo.
 
1 O propósito missionário do Pai.
A missão da Igreja nasce no coração de Deus. O Pai deseja que todos cheguem ao conhecimento da verdade e sejam salvos (1Tm 2.4). Desde o Antigo Testamento, o Senhor chamou seu povo para ser luz entre as nações (Is 49.6). Esse propósito continua na Igreja, que foi reconciliada com Deus e recebeu o ministério da reconciliação (2Co 5.18-20). Assim, anunciar o Evangelho não é uma atividade secundária, mas parte do plano eterno de Deus (Ef 1.4,11).
 
2. O comissionamento do Filho.
Jesus Cristo, enviado pelo Pai, também enviou seus discípulos ao mundo. Após a ressurreição, Ele ordenou que a Igreja proclamasse o Evangelho a todas as nações (Mt 28.19-20). A chamada Grande Comissão envolve evangelização e ensino. A Igreja deve anunciar a mensagem do Reino e formar discípulos que vivam de acordo com os ensinamentos de Cristo. O batismo, realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, expressa publicamente a fé na obra redentora da Trindade.
 
3. A capacitação do Espírito Santo.
A missão da Igreja não pode ser realizada apenas por esforço humano. Jesus prometeu que seus seguidores receberiam poder quando o Espírito Santo viesse sobre eles (Lc 24.49; At 1.8). No livro de Atos, vemos o Espírito dirigindo a expansão da Igreja, chamando e enviando missionários (At 13.2) e orientando os passos da obra evangelizadora (At 16.6-7). Além disso, Ele concede dons espirituais para fortalecer o ministério cristão (1Co 12.4-7).
 
 
IV. A TRINDADE COMO FUNDAMENTO DA ADORAÇÃO DA IGREJA
A vida da Igreja não apenas nasce da obra da Trindade e se desenvolve em comunhão com ela, mas também se expressa em adoração ao Deus Triúno. Desde os tempos bíblicos, o culto cristão é dirigido ao Pai, por meio do Filho, na dependência do Espírito Santo. Assim, a adoração cristã reflete a própria natureza trinitária da fé. A Igreja reconhece que toda a sua existência procede de Deus e, por isso, responde com louvor, gratidão e reverência diante da majestade divina.
 
1. A adoração dirigida ao Pai, por meio do Filho.
Jesus ensinou que o verdadeiro culto é direcionado ao Pai (Jo 4.23). Contudo, esse acesso é possível somente por meio de Cristo, que é o mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Por sua obra redentora, fomos reconciliados com Deus e recebemos livre acesso à sua presença (Ef 2.18; Hb 10.19-22). Assim, quando a Igreja adora, ela o faz reconhecendo que Cristo é o caminho que conduz ao Pai. Todo louvor, gratidão e oração são apresentados a Deus por meio da mediação do Filho, que é o Senhor da Igreja.
 
2. A adoração inspirada e conduzida pelo Espírito Santo.
A verdadeira adoração também depende da atuação do Espírito Santo. Jesus afirmou que os verdadeiros adoradores adorariam “em espírito e em verdade” (Jo 4.24). Isso significa que o culto cristão não é apenas uma prática externa, mas uma experiência espiritual vivificada pela presença do Espírito. Ele conduz os crentes à glorificação de Cristo (Jo 16.14), desperta a gratidão no coração e fortalece a comunhão da Igreja. Dessa forma, a adoração cristã acontece quando o Espírito inspira o povo de Deus a reconhecer, exaltar e glorificar o Deus Triúno.
 
 
CONCLUSÃO
Toda a história da redenção revela a atuação do Deus Triúno. O Pai planejou a salvação, o Filho a realizou e o Espírito Santo a aplica na vida dos crentes. Da mesma forma, a existência, a comunhão e a missão da Igreja dependem dessa ação trinitária. Assim, a doutrina da Trindade não é apenas um conceito teológico, mas uma verdade viva que molda a identidade e o propósito da Igreja. Em comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, o povo de Deus é chamado a viver com fidelidade e a cumprir sua missão no mundo.




REFERÊNCIAS
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: o Deus único revelado em três pessoas eternas. CPAD.
Ø  BARRETO, Alessandro. Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia.
Ø  BARRETO, Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. Editora Bereia.
Ø  LIMA, Marcone. A doutrina da Trindade segundo Agostinho: uma análise das ações e seus aspectos relacionais no De Trinitate. Editora IGP.
Ø  LIMA, Marcone. A tese e os argumentos da carta de Paulo aos Gálatas segundo Agostinho: o Sola Fide na Doutrina da Justificação. Editora IGP.
Ø  SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.