sexta-feira, 20 de março de 2026

LIÇÃO 12 – O FILHO E O ESPÍRITO






 Lc 1.26-38 



INTRODUÇÃO
Nesta lição, aprenderemos como o Espírito Santo atuou de forma especial na concepção miraculosa do Deus Filho. Veremos que o ministério público e terreno de Jesus foi realizado através por meio do poder Espírito. Por fim, refletiremos sobre a essencialidade das obras realizadas pelo Filho e pelo Espírito Santo como ponto central da Fé Cristã.
 
 
I. O ESPÍRITO SANTO E A CONCEPÇÃO DO FILHO
1. A Teologia de Lucas e a centralidade do Espírito Santo.
Para obtermos uma melhor compreensão da relação entre Jesus e o Espírito Santo, devemos dedicar especial atenção aos escritos de Lucas, que têm um papel central nesse assunto. O Escritor Lucas é o autor bíblico que mais destaca a atuação do Espírito Santo, tanto no Evangelho quanto no livro de Atos, em relação ao ministério poderoso do Filho. Ele mostra com clareza que “Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, capacitando-o para fazer o bem, curar os oprimidos pelo diabo e realizar sinais” (At 10.38). É importante destacar que este livro não é meramente histórico em seu conteúdo, muito pelo contrário, eles revelam um modelo/padrão Bíblico de como a Igreja deve viver na plenitude do Espírito, à semelhança do Filho de Deus.
 
2. O Espírito Santo na concepção do Filho.
O Espírito Santo teve um papel essencial no milagre da encarnação do Filho de Deus. Quando Maria recebeu a notícia de que havia sido escolhida para gerar o Salvador, ela ficou cheia de questionamentos, especialmente porque ainda não era casada. Diante disso, o anjo lhe explicou que tudo aconteceria por uma ação direta de Deus: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35). As expressões “poder do Altíssimo” e “sua sombra” mostram que a concepção de Jesus não foi um evento comum ou humano, mas um ato sobrenatural. Foi o próprio Espírito Santo quem realizou esse milagre ao agir sobre Maria, tornando possível que o Filho de Deus se fizesse homem. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil ensina verdades fundamentais sobre a concepção de Jesus: “Acreditamos em sua concepção sem pecado no ventre da virgem Maria. Negamos que tenha sido criado ou passado a existir somente depois que foi gerado por obra do Espírito Santo. Confessamos que o Filho é autoexistente: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26); “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8.58). (Soares [Org.], 2017, p. 24).
 
3. A natureza santa do Filho de Deus.
Diferente da humanidade marcada pelo pecado, Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e, por isso, nasceu em perfeito estado de santidade, sem qualquer mancha ou corrupção, sendo tentado em todas as coisas, mas sem pecado (Hb 4.15) (Baptista, 2018, p. 138). Desta forma, a santidade de Jesus como homem é única e real, absoluta e perfeita; não se trata, pois, de uma santidade cerimonial, imposta pela lei aos sacerdotes levitas: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus” (Hb 7.26). (Soares, 2018, p. 28). Sendo assim, temos em Cristo um exemplo verdadeiro e concreto de vida santa e, além disso, podemos contar com o Espírito Santo que habita no crente e o socorre em suas necessidades (Rm 8.26).


II. A RELAÇÃO CONJUNTA DO FILHO E DO ESPÍRITO SANTO
1. O Espírito Santo e a humanidade do Filho.
Com a encarnação, o Filho de Deus, que já existia antes da eternidade em natureza Divina, passou a assumir também a natureza humana, tendo uma vida simples e humilde entre os homens (Gl 4.4). A partir da encarnação, Jesus Cristo passou a possuir duas naturezas, divina e humana, unidas de forma inseparáveis em uma só pessoa (Jo 1.14). Jesus nasceu de mulher, cresceu em sabedoria, sentiu fome e sede, chorou, sofreu, sentiu tristeza, foi tentado, suou em agonia, foi tocado, irou-se contra o pecado e amou profundamente (Lc 2.7,52; Mt 4.2; Jo 4.6–7; Jo 11.35; Lc 22.44; Mt 26.38; Hb 4.15; 1Pe 2.22). É importante salientar que essa encarnação foi verdadeira, e não apenas uma aparência ou manifestação simbólica, como ensinam algumas doutrinas equivocadas. Desta forma, o desafio do Filho de Deus foi muito grande ao deparar-se com as limitações humanas. Assim, durante sua vida terrena, Ele escolheu não exercer de forma independente seus atributos soberanos, submetendo-se voluntariamente à vontade do Pai, agindo no poder do Espírito Santo. É possível viver em total dependência e poder do Espírito Santo, quando observamos o exemplo assumido por Cristo (Fp 2.6-7; Jo 5.19; Lc 4.1,14).
 
2. O Espírito Santo capacitou e sustentou o ministério do Filho.
Além da concepção e do batismo do Filho, onde já estudamos em outras lições, aprendemos também que o Espírito Santo esteve presente em todo o ministério do Filho, especialmente nos momentos mais importantes dele, por exemplo: na condução ao deserto, sendo Jesus guiado pelo Espírito (Mt 4.1; Lc 4.1); no início do seu ministério, quando voltou no poder do Espírito para a Galileia (Lc 4.14); na declaração de sua missão, afirmando: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Lc 4.18); e até mesmo em sua entrega na cruz, quando se ofereceu a Deus pelo Espírito eterno (Hb 9.14). Assim, todo o ministério de Cristo foi realizado em plena dependência e atuação do Espírito Santo. Além disto, os evangelhos nos mostram como Jesus passou por momentos de incompreensão e embates contra os líderes religiosos de sua época. Em certa ocasião, chegaram ao ponto de afirmar, de maneira consciente e deliberada, que Ele “expulsava demônios pelo poder do próprio Satanás” (Mt 12.24), atribuíram ao poder maligno aquilo que era claramente obra do Espírito Santo. Jesus, porém, responde-lhes que agia no “poder do Espírito Santo” (Mt 12.28). Aprendemos, portanto, que fazer a obra de Deus não nos livra de críticas ou oposição, nem garante a aprovação de todos. Porém, quando enfrentamos pressões, podemos lembrar do exemplo de Cristo, que permaneceu firme porquanto estava em plena comunhão com o Pai e era sustentado pelo Espírito Santo.
 
3. O Filho e o Espírito Santo capacitam a Igreja para obra de Deus.
Ao observarmos o ministério de Jesus, vemos a profunda relação entre o Filho e o Espírito Santo como um padrão da capacitação Divina para sua igreja. Jesus é quem batiza com o Espírito Santo (Mt 3.11); no seu próprio batismo, o Espírito desceu sobre Ele (Mt 3.16), iniciando seu ministério no poder do Espírito. Após a ressurreição, Jesus prometeu enviar o Espírito aos discípulos (Lc 24.49; At 1.5,8), e a promessa se cumpriu no Pentecostes (At 2.1). Assim, Cristo é o doador do Espírito, que reveste o crente com poder para testemunhar, servir e realizar obras maiores por intermédio dEle (Jo 14.12).


III. TRINDADE E A MISSÃO DE SALVAR O MUNDO
1. Pai, Filho e o Espírito Santo corroborando para salvação dos homens.
As Escrituras revelam que a Trindade está plenamente envolvida na obra da salvação da humanidade caída. O Pai, em seu amor, enviou o Filho para realizar o plano redentor (Jo 3.16). Da mesma forma, enviou o Espírito Santo para permanecer com os discípulos (Jo 14.17; 26) e convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Assim, vemos que Deus não permaneceu distante dos homens caídos, ao contrário, envolveu-se pessoalmente na nossa redenção. No Pai que envia, no Filho que salva e no Espírito que convence e transforma, encontramos consolo, esperança e os meios eficazes para a mudança da nossa história.

2. O Filho glorifica ao Pai e o Espírito glorifica ao Filho através da Igreja.
Embora Jesus tenha realizado toda a sua missão em total dependência do Espírito Santo, ao retornar ao Céu o Espírito também passaria a cumprir uma missão específica: glorificar a Cristo. Como está escrito: “Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará” (Jo 16.14). “Nas Escrituras, vemos o Espírito Santo inspirando os discípulos, dirigindo seus passos e revestindo-os de poder e virtude para que anunciassem o evangelho a todas as nações e, acima de tudo, glorificassem a Cristo. Contudo, antes de operar dessa forma por meio da Igreja, o Espírito capacitou o próprio Jesus em seu ministério terreno, para que Ele realizasse a obra e glorificasse o Pai. Assim, todas as obras de Cristo foram realizadas no poder do Espírito, com o propósito de exaltar a Deus, o Senhor” (Devocional Leitura Diária, 2026, p. 84). Da mesma forma, ainda que a Igreja possa receber reconhecimento pela boa realização da obra, toda a glória deve ser atribuída a Cristo. O papel do Espírito Santo em nós é exatamente este: conduzir-nos a viver e servir de maneira que Deus seja glorificado por meio de nossas vidas.
 
3. A unidade trinitária como fundamento da Fé Cristã.
A relação harmoniosa entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo não é apenas um conceito doutrinário abstrato, mas o próprio fundamento da Fé Cristã. A revelação bíblica apresenta um único Deus em três Pessoas distintas, que atuam de maneira perfeitamente unida na criação, na redenção e na consumação de todas as coisas (Mt 28.19; 2Co 13.13). Na encarnação, vemos o Pai enviando o Filho (Gl 4.4), o Filho assumindo a natureza humana para cumprir o plano redentor (Jo 1.14) e o Espírito Santo operando sobrenaturalmente na concepção e sustentando todo o ministério terreno de Cristo (Lc 1.35; Lc 4.14). Na cruz, o Filho se oferece ao Pai pelo Espírito eterno (Hb 9.14), demonstrando a perfeita cooperação trinitária na obra da salvação. Essa unidade também se manifesta na experiência da Igreja: somos reconciliados com o Pai por meio do Filho (Ef 2.18) e regenerados pelo Espírito Santo (Tt 3.5). Portanto, negar a atuação plena de qualquer das Pessoas da Trindade compromete a compreensão do próprio Evangelho. Assim, compreender a relação entre o Filho e o Espírito Santo dentro da unidade trinitária fortalece nossa fé, aprofunda nossa adoração e nos conduz a uma vida cristã equilibrada, centrada na revelação completa de Deus. A doutrina da Trindade não é apenas um ponto confessional, mas a base sobre a qual repousa toda a experiência cristã autêntica.


CONCLUSÃO
A obra redentora revelada nas Escrituras contou com o pleno envolvimento da Trindade Santa, evidenciando a perfeita unidade de propósito e poder entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ao contemplarmos essa harmonia divina na salvação, somos chamados a viver uma fé autêntica, em submissão voluntária à vontade do Pai, seguindo o exemplo do Filho e caminhando em constante dependência do Espírito Santo.




REFERÊNCIAS
Ø  SOARES, Esequias [Org.]. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD, 2017.
Ø  BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Barueri. SBB, 2009.
Ø  CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS. Devocional Leitura Diária. CPAD, 2026.
Ø  SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã: Combatendo as antigas heresias que se apresentam com nova aparência. CPAD, 2024.
    
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





segunda-feira, 16 de março de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 11
Hora da Revisão

A respeito de “A Adoção: Entrando na Família de Deus”, responda:
 
 
1. O que a palavra “adoção”, originada da linguagem jurídica, aponta no contexto bíblico?
Essa palavra, originada da linguagem jurídica, aponta para os direitos, privilégios e responsabilidades concedidos àqueles que passam a fazer parte da família de Deus.
 
2. Segundo a lição, o que a expressão “Aba, Pai” revela?
Essa expressão, que une o termo aramaico Abba e o grego patēr, revela uma profunda e calorosa intimidade que temos com Deus.
 
3. Quem clama em nosso coração: “Aba, Pai”, e o que isso significa?
O Espírito Santo.
 
4. Qual é a realidade gloriosa que a identidade de filhos de Deus traz, especialmente para quem sofreu abandono ou conflitos familiares?
Ele é o nosso Pai, e nós somos seus filhos.
 
5. Quando ocorrerá a plenitude da Adoção, segundo a lição?
Essa plenitude ocorrerá quando nosso corpo for completamente redimido (Rm 8.23).



 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






 A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.









Lição 11
Revisando o Conteúdo

A respeito de “O Pai e o Espírito Santo” responda:          
 
 
1. O que significa a expressão “Aba, Pai” e o que ela indica?
O aramaico Abba é a forma carinhosa para “papai”, e indica que em Cristo temos íntimo e livre acesso ao Deus Todo-poderoso (Ef 2.18).
 
2. Como a ação do Espírito opera a mortificação das obras da carne?
Diz respeito a necessidade de o crente subjugar os desejos pecaminosos.
 
3. Explique o papel de cada Pessoa da Trindade no Plano de redenção.
O Pai é o autor do plano de salvação (1Jo 4.14); o Filho é o executor da redenção (Hb 9.12); e o Espírito é o aplicador da adoção (Ef 1.5).
 
4. O que significa o termo “herdeiro” no contexto da filiação espiritual?
O termo “herdeiro” (gr. klēronómos) é utilizado no contexto legal para indicar que os adotados passam a ter pleno direito sobre os bens do Pai.
 
5. Quais são as consequências de ser coerdeiro com Cristo?
Compartilhamos com Ele a mesma herança; recebemos do Filho a herança eterna; essa herança é gloriosa incorruptível e incontaminável (Jo 17.24; 1Pe 1.4).
  


 

quinta-feira, 12 de março de 2026

LIÇÃO 11 – O PAI E O ESPÍRITO SANTO






 Rm 8.12-17; Gl 4.1-6 
 


INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos sobre a Trindade e a obra da salvação; veremos que o Espírito Santo opera na libertação espiritual; pontuaremos que é o Espírito Santo que nos guia como filhos na vontade do Pai; notaremos que a Trindade opera na nossa salvação; e por fim, falaremos que o Pai envia o Espírito Santo aos seus filhos amados.
 
 
I. A TRINDADE E A OBRA DA SALVAÇÃO
A Bíblia revela que a salvação é uma obra da Trindade. O Pai planejou a redenção (Ef 1.3-5; Jo 3.16), o Filho realizou essa obra na cruz (Rm 5.8; Hb 9.12; 1Pe 2.24), e o Espírito Santo aplica essa salvação no coração do crente (Jo 16.8-13; Tt 3.5). Nos textos de Romanos 8.12-17 e Gálatas 4.4-7, o apóstolo Paulo mostra que o Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado, confirma que somos filhos de Deus e nos conduz à herança eterna preparada pelo Pai. Assim, a vida cristã é marcada por três grandes realidades espirituais: a) Libertação do pecado (Rm 8.2; Jo 8.36; Cl 1.13); b) Filiação divina (Jo 1.12; Rm 8.15; Gl 4.6); e, c) Herança eterna com Cristo (Rm 8.17; Ef 1.11; 1Pe 1.4). Vejamos como a salvação não é obra de uma única pessoa divina, mas da Trindade inteira.

 1. O Pai planejou a salvação. A Bíblia mostra que a iniciativa da redenção veio do Pai.
ü  Deus amou o mundo (Jo 3.16).
ü  O Pai nos escolheu e predestinou para adoção (Ef 1.3-5).  
ü  O Pai enviou o Filho como Salvador (1Jo 4.14).
ü  Toda boa dádiva vem do Pai (Tg 1.17-18).
 
2. O Filho realizou a salvação. Cristo veio ao mundo para nos resgatar.
ü  Deus enviou seu Filho para remir os que estavam debaixo da Lei (Gl 4.4-5).
ü  O Filho do Homem veio dar sua vida em resgate (Mt 20.28).
ü  Entrou no Santo dos Santos com seu próprio sangue (Hb 9.12).
ü  Fomos resgatados pelo precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18-19).
 
3. O Espírito aplicou a salvação. Depois da obra da cruz, o Espírito Santo torna essa salvação real em nós. Assim, a salvação é uma obra perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
ü  Convence do pecado (Jo 16.8).
ü  Opera o novo nascimento (Jo 3.5-6).
ü  Confirma a adoção (Rm 8.15-16).
ü  É o selo e garantia da herança (Ef 1.13-14).
ü  Realiza a regeneração (Tt 3.5).
 

II. O ESPÍRITO SANTO OPERA NA LIBERTAÇÃO ESPIRITUAL
Antes da conversão, o ser humano vive na escravidão do pecado (Jo 8.34; Rm 6.16-20; Ef 2.1-3). A Lei revelava o pecado, mas não tinha poder para libertar o pecador (Rm 3.20; Rm 7.7-13). Entretanto, em Cristo, Deus nos concede uma nova realidade espiritual. Vejamos:
 
1. O Espírito Santo e a libertação do domínio do pecado.
Paulo afirma que não recebemos “espírito de escravidão” (Rm 8.15). Antes da salvação, a humanidade vivia sob o medo da condenação e sob o domínio do pecado (Hb 2.14-15; Gl 3.10; Gl 4.3). Mas Cristo trouxe libertação: “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo” (Rm 8.1-2); “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36); “O velho homem foi crucificado” (Rm 6.6-7); e, “Deus nos tirou do poder das trevas” (Cl 1.13). Essa libertação é aplicada em nossa vida pelo Espírito Santo (2Co 3.17).
 
2. O Espírito Santo e a adoção como filhos de Deus.
A ação do Espírito Santo na vida do crente é um dom do Pai e do Filho. Ele nos tira da escravidão do pecado, confirma nossa filiação em Cristo e nos assegura a herança prometida. Essa é uma obra trinitária que nos transforma por completo: da condenação à comunhão, e da carne à glória eterna. O Pai, o Filho e o Espírito agem conjuntamente para garantir nossa adoção como filhos e herdeiros de Deus. A libertação do pecado abre caminho para uma nova relação com Deus, a adoção espiritual: “Aos que o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1.12); “Recebemos o Espírito de adoção” (Rm 8.15); “Recebemos a adoção de filhos” (Gl 4.5); “Fomos predestinados para filhos de adoção” (Ef 1.5); e, “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai” (1Jo 3.1).
 
3. O testemunho interior do Espírito.
A palavra grega huiothesia significa literalmente “colocar como filho”. Na cultura romana, o filho adotado recebia os mesmos direitos de herança que um filho natural. Assim, em Cristo não somos apenas perdoados; somos recebidos na família de Deus. O Espírito Santo confirma interiormente nossa filiação: “O Espírito testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); “O Espírito clama: “Aba, Pai” (Gl 4.6); “Deus nos selou e nos deu o Espírito no coração” (2Co 1.22); “Fomos selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef 1.13); e, “Sabemos que estamos nele porque nos deu do seu Espírito” (1Jo 4.13). A palavra “Abba” era usada por Jesus em sua oração ao Pai (Mc 14.36). Ela expressa intimidade e confiança. O mesmo Espírito que estava em Cristo agora habita no interior do crente (Rm 8.9-11).
 
4. Da escuridão espiritual para a luz de Deus.
A ação do Espírito também nos tira das trevas espirituais. Assim, quem antes vivia na ignorância espiritual agora vive guiado pelo Espírito Santo: “Antes éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5.8); “Chamados das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9); “O Espírito guia em toda a verdade” (Jo 16.13); e, “Cristo em vós, esperança da glória” (Cl 1.27).
 
5. O Espírito Santo como presença permanente na vida do crente.
Além de libertar do pecado e confirmar a filiação, o Espírito Santo também habita permanentemente no crente, tornando-se a presença contínua de Deus em sua vida. Essa habitação é uma promessa do próprio Senhor Jesus (Jo 14.16). A presença do Espírito Santo marca uma nova realidade espiritual. No Antigo Testamento, o Espírito vinha sobre algumas pessoas para tarefas específicas (Jz 6.34; 1Sm 10.10), mas na Nova Aliança Ele habita permanentemente no interior do salvo (Jo 14.17). Paulo afirma que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Portanto, a habitação do Espírito é a evidência da nova vida em Cristo.


III. O ESPÍRITO SANTO GUIA OS FILHOS NA VONTADE DO PAI
1. Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito.
O apóstolo Paulo declara: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). Essa direção ocorre de várias maneiras: Pela Palavra de Deus (Sl 119.105; Jo 17.17); pela orientação interior do Espírito Santo (Jo 16.13); pela renovação da mente (Rm 12.2); e pela comunhão com Deus (Gl 5.25).
 
2. O Espírito capacita a vencer a carne.
A vida cristã envolve uma batalha espiritual entre a carne e o Espírito (Gl 5.17). Paulo ensina: “Pelo Espírito mortificamos as obras do corpo” (Rm 8.13); “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl 5.16); “Os que são de Cristo crucificaram a carne” (Gl 5.24); “Mortificai os membros que estão sobre a terra” (Cl 3.5); e, “A vontade de Deus é a nossa santificação” (1Ts 4.3). O Espírito Santo não apenas revela o pecado; Ele também nos dá poder para vencê-lo (Rm 6.14; Fp 2.13).
 
3. O Espírito conduz o crente à santificação.
A santificação é a transformação progressiva do crente. Somos transformados pelo Espírito (2Co 3.18). Temos o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Pedro diz: “Sede santos em todo o vosso procedimento” (1Pe 1.15-16). O escritor aos Hebreus disse: “Segui a santificação” (Hb 12.14). Assim, o Espírito forma em nós o caráter de Cristo (Rm 8.29).


IV. O PAI ENVIA O ESPÍRITO SANTO AOS SEUS FILHOS
A Bíblia ensina que o Espírito Santo é um dom concedido pelo Pai aos que creem em Cristo. Jesus afirmou que o Pai é quem envia o Espírito para habitar na vida do crente: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26). Da mesma forma, Jesus declarou que o Pai concede o Espírito àqueles que o buscam: “Quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem” (Lc 11.13). O apóstolo Paulo também confirma essa verdade ao afirmar que “porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6). Assim, o envio do Espírito Santo demonstra o amor do Pai para com seus filhos e revela que a presença do Espírito em nós é um presente da graça divina.
 
 
CONCLUSÃO
A relação entre o Pai e o Espírito Santo na salvação revela a beleza da obra trinitária. O Pai planejou a redenção, o Filho realizou a obra da cruz e o Espírito Santo aplica essa salvação ao coração do crente. Por isso não somos mais escravos do pecado (Rm 6.22); somos filhos de Deus por adoção (Rm 8.15); somos guiados pelo Espírito (Rm 8.14); e, somos herdeiros da glória eterna (Rm 8.17). Assim, a vida cristã é vivida na certeza de que pertencemos a Deus, somos conduzidos pelo Espírito e aguardamos a herança eterna preparada para os filhos do Pai.




REFERÊNCIAS
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: o Deus único revelado em três pessoas eternas. CPAD.
Ø  BARRETO, Alessandro. Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia.
Ø  BARRETO, Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. Editora Bereia.
Ø  LIMA, Marcone. A doutrina da Trindade segundo Agostinho: uma análise das ações e seus aspectos relacionais no De Trinitate. Editora IGP.
Ø  LIMA, Marcone. A tese e os argumentos da carta de Paulo aos Gálatas segundo Agostinho: o Sola Fide na Doutrina da Justificação. Editora IGP.
Ø  SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.   
 

Por Rede Brasil de Comunicação.