sexta-feira, 1 de maio de 2026

LIÇÃO 5 – O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA






Gn 18.23-32 
 


INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos o juízo sobre os habitantes de Sodoma e Gomorra; pontuaremos sobre a revelação do juízo divino; veremos sobre a gravidade dos pecados praticados pelos moradores de Sodoma e Gomorra; apontaremos os elementos da intercessão de Abraão em prol dos justos de Sodoma e Gomorra; e por fim, destacaremos lições do juízo divino que servem para a Igreja contemporânea. 


I. A REVELAÇÃO DE DEUS A ABRAÃO
1. Definição de Teofania.
Segundo o escritor Wycliffe (2007, p. 1909), a expressão “teofania” combina duas palavras gregas, theos” (Deus), e phainein” (mostrar, manifestar), significando “manifestação de Deus”. Destaca-se que a manifestação não aparece necessariamente em forma humana (Gn 18.1,2; Gn 32.24-30), mas pode aparecer em uma forma simbólica (Gn 15.17; Êx 13.21,22). Também pode aparecer em sonhos (Gn 28.10-17) ou visões (Dn 10.5,7; Zc 1.7-17).
 
2. A Teofania nos Carvalhais de Manre.
O capítulo 18 do Gênesis inicia com uma aparição especial do Senhor a Abraão: “Depois, apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre [...] E levantou os olhos e olhou, e eis três varões estavam em pé junto a ele” (Gn 18.1,2). Esta teofania ocorreu no momento mais quente do dia, quando Abraão estava à entrada da tenda. Abraão, reconhecendo a presença sagrada, prostrou-se e ofereceu hospitalidade (Gn 18.3-5; Hb 13.2). A atitude de Abraão ao receber os visitantes é um modelo de reverência e serviço. Ele correu, apressou-se e ofereceu o melhor de seus recursos. Assim deve ser a atitude de todo aquele que serve ao Senhor (Rm 12.13; Tt 1.8; Hb 13.2; 1Pe 4.9).
 
3. O Senhor confidencia Seus planos a Abraão.
Após a refeição, o Senhor renova e ratifica a promessa de que Sara iria conceber um filho: “tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho” (Gn 18.10). Segundo o teólogo Henry (2008, p. 103), “nós somos lentos de coração para crer, e por isto precisamos da repetição para o mesmo propósito”. Após a renovação da promessa, o Senhor questiona: “Ocultarei eu a Abraão o que faço?” (v. 17). Esta pergunta retórica revela o princípio de que Deus compartilha Seus planos e juízos com aqueles que O temem (Sl 25.14). A confidência divina é um privilégio da amizade com Deus. Não é por acaso que Abraão era chamado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23). Por isso Deus revela a Abraão os Seus planos (Gn 18.20,21).
 
4. O propósito da revelação: a justiça divina.
Deus revela Seu plano porque Abraão “certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agirem com justiça e juízo” (Gn 18.18.19). A revelação do juízo contra Sodoma e Gomorra tinha um propósito pedagógico: ensinar a Abraão e sua semente a natureza da justiça divina e a importância de andar nos caminhos do Senhor. Deus é misericordioso, mas também é o Deus a quem pertence a justiça (Dt 32.25,26). Deus não age por impulso, mas de acordo com Sua natureza santa (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16) e Seus padrões morais estabelecidos (Sl 19.7,8; Mq 6.8).


II. A GRAVIDADE DO PECADO DE SODOMA E GOMORRA
1. O clamor que sobe a Deus.
“Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito” (Gn 18.20). A expressão “clamor” indica que a injustiça, a violência e a opressão nas cidades eram tão intensas que chegaram aos céus. “O verbo [hebraico] zāaq é usado com mais frequência para indicar o “clamor” por ajuda em tempos de necessidade urgente, sobretudo o “clamor” por ajuda divina. No entanto, no caso de Sodoma e Gomorra, a expressão clamor conota a culpa ou a condição de pecado” (Vine, 2002, pp.71, 221, grifo nosso). O pecado contra o próximo gera um clamor que Deus ouve (Êx 3.7-9).

2. O pecado agravado e multiplicado.
O texto de Gênesis 18.20 enfatiza que o pecado de Sodoma e Gomorra, “se tem multiplicado” (volume) e “se tem agravado muito” (intensidade). Não era um pecado isolado, mas uma cultura de depravação enraizada (Gn 19.5-9). Champlin (2001, p. 135) afirma que “seus habitantes eram culpados dos crimes mais notórios: eram tendentes a toda espécie de vicio; eram praticantes da injustiça; e se tinham escravizado a concupiscências desnaturais, que exibiam publicamente, sem nenhum pejo”. De acordo com Renovato (2026, p. 54), “os habitantes de Sodoma e Gomorra envolviam-se com todo tipo de pecado. Mas, dentre eles, se destacava a homossexualidade, pecado gravissimo, considerado “abominacao ao Senhor”, punido com pena de morte na antiga alianca (Lv 18.22;20.13)”. A multiplicação do pecado indica que a sociedade havia se corrompido completamente, rejeitando toda norma moral. Esse é o retrato da sociedade hodierna (2Tm 3.1-5).
 
3. A descida para investigar.
Descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor que veio a mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn 18.21). Esta linguagem antropomórfica não sugere que Deus desconhecia a situação. O teólogo Henry (2008, p. 105) esclarece que: “isto não significa que haja alguma coisa sobre a qual Deus tenha dúvidas, ou esteja às escuras. Mas Ele se compraz em expressar-se assim, à maneira dos homens: a) Para mostrar a incontestável justiça e todos os seus procedimentos judiciais. Os homens são capazes de sugerir que o Seu modo não é justo. Mas saibam que os Seus juízos são o resultado de um conselho eterno, e nunca são decisões precipitadas ou impensadas. b) Para dar exemplo aos magistrados, e àqueles que têm autoridade, para que, com o máximo cuidado e diligência, investiguem os méritos de uma causa, antes de julgá-la”. Deus é o justo juiz (Sl 7.11).
 
4. A paciência divina antes do juízo.
Antes de executar o juízo, Deus declara a gravidade do pecado de Sodoma e Gomorra, enfatizando que Sua justiça não age sem pleno conhecimento e evidência. A frase “descerei e verei” aponta para o ato de observação de Deus. Vemos esse mesmo princípio na observação da construção da torre de Babel (Gn 11.5-7). Isto revela um padrão: Deus examina antes de agir. Deus não é apressado em julgar (Êx 34.6; Sl 103.8; 2Pe 3.9). Ele dá tempo e oportunidade para o arrependimento (Ez 18.23; 1Tm 2.4) e, antes da destruição, envia advertências e oportunidade para mudança (Gn 6.3; 2Cr 36.15,16; Jn 3.4-10). A longanimidade divina precede o juízo (Rm 2.4). 


III. A INTERCESSÃO DE ABRAÃO PELOS JUSTOS
1. A ousadia fundada na justiça divina.
Abraão pergunta: “Destruirás também o justo com o ímpio? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.23,25). Sua intercessão não questiona o juízo divino, mas apela para o caráter justo de Deus: 1) Deus é justo e ama a justiça (Sl 11.7; Sl 37.28); 2) Deus protege e sustenta os justos (Jó 36.7; Sl 34.15; Pv 10.3); e, 3) Deus faz justiça em favor dos justos (Sl 140.12; Is 54.17; Lc 18.7,8).

2. A persistência na intercessão.
Abraão intercede começando com 50 justos, reduzindo a quantidade de justos gradativamente. A cada redução, Deus responde afirmativamente “pouparei; não o farei; não a destruirei”. Esta negociação revela a disposição de Deus de responder à oração intercessória e Sua imensa misericórdia (Sl 100.5; Lm 3.22,23; Mq 7.18; Lc 1.50; Ef 2.4). A intercessão de Abraão é um modelo de oração perseverante. Ele não se cansou de apresentar sua petição, e Deus não se cansou de ouvi-lo. Devemos orar sem cessar (1Ts 5.17).
 
3. O limite da intercessão e a realidade do juízo.
A intercessão cessa em 10 justos. Nem mesmo essa quantidade de justos fora encontrada em Sodoma e Gomorra (Gn 19.9b). O patriarca Abraão parou em dez, não porque Deus não o ouviria mais, mas porque o próprio Abraão sabia que não havia sequer esse número de justos naquelas cidades. A misericórdia tem limites quando o pecado atinge seu ápice (Gn 15.16; Mt 23.22). Aqui aprendemos que a intercessão tem limites quando a impenitência humana alcança sua plenitude (Jr 7.16; Jr 11.14). A intercessão não pode suspender eternamente o juízo quando não há arrependimento (2Cr 36.15,16; Pv 29.1). O juízo divino chegou sobre as cidades (Gn 19.24,25). 


IV. LIÇÕES DO JUÍZO DIVINO PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA
1. O perigo da indiferença moral.
A igreja deve continuar estar alerta contra a normalização do pecado na sociedade moderna. O juízo sobre Sodoma e Gomorra serve como um exemplo de que Deus não tolerará a rebeldia contra Suas leis naturais e espirituais, e assim virá o julgamento divino (Rm 1.27; 1Co 6.9,10; Ef 5.5,6; Hb 13.4; 2Pe 2.6-8).
 
2. A iminência do juízo divino.
O julgamento veio de forma inesperada sobre Sodoma e Gomorra (Gn 19.24,25). A sociedade de hoje, tal como a de Sodoma e Gomorra, vive distraída e entregue aos prazeres (Lc 17.28; Fp 3.19; 2Tm 3.1-4), ignorando a iminência do juízo (1Ts 5.2,3). A iminência nos convoca à vigilância (Mt 24.42; Lc 21.34-3b6), pois o Juiz de toda a terra voltará para recompensar a cada um segundo as suas obras (Ap 22.12).
 
3. O refúgio na misericórdia divina.
Assim como os anjos estavam prontos para tirar do meio da destruição aqueles que temiam a Deus em Sodoma e Gomorra (Gn 19.15,16), Jesus Cristo livrará a Igreja da ira futura (Rm 5.9; 1Ts 1.10) e do juízo divino (Lc 21.36; Ap 3.10). 

4. A responsabilidade da Igreja como agente de intercessão e testemunho.
Assim como Abraão se colocou na brecha intercedendo por Sodoma, a Igreja contemporânea é chamada a exercer seu papel intercessor em favor da sociedade corrompida (Ez 22.30; 1Tm 2.1,2). Além de denunciar o pecado, a Igreja deve anunciar a graça salvadora, sendo “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5.13,14). Em um contexto de degradação moral, não basta apenas condenar, mas é necessário proclamar o evangelho que transforma vidas (Rm 1.16). A omissão diante do pecado coletivo é incompatível com a missão da Igreja. Portanto, cabe ao povo de Deus viver de forma santa, interceder com perseverança e testemunhar com fidelidade, apontando para Cristo como o único meio de escape do juízo vindouro (At 4.12; Cl 4.2-6). 


CONCLUSÃO
O juízo contra Sodoma e Gomorra ensina que Deus é justo e não pune sem causa, mas também é misericordioso e ouve a intercessão dos justos. A destruição das cidades serve como advertência contra o pecado, enquanto a preservação de Ló demonstra que Deus livra aqueles que Lhe pertencem. Que possamos, como Abraão, interceder com ousadia e viver em justiça diante do Juiz de toda a terra. 




REFERÊNCIAS
Ø  CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Vol. 1. Hagnos.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew HenryVol. 1. CPAD.
Ø  PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe. CPAD.
Ø  RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  VINE, W. E. UNGER et. al. Dicionário Vine. CPAD.
 

Por Rede Brasil de Comunicação.






LIÇÃO 5 - A FALÁCIA DA TEOLOGIA PROGRESSISTA


Vídeo Aula - Pastor Eduardo
 




LIÇÃO 5 - O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Elinaldo
 




terça-feira, 28 de abril de 2026

LIÇÃO 5 - O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro 
 




QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






ENTRE A VERDADE E O ENGANO
Combatendo Ideologias e Ensinos que se
Opõem à Palavra de Deus.
 








Lição 4
Hora da Revisão

A respeito de “A Falácia da Ideologia de Gênero”, responda:
 
 
1. Cite um dos fundamentos da ideologia de gênero apresentados na lição.
A separação entre sexo biológico e gênero psicológico é um dos fundamentos da ideologia de gênero.
 
2. Qual é a visão apresentada pela Palavra de Deus sobre a sexualidade humana?
A Palavra de Deus apresenta uma visão clara, coerente e bela sobre a sexualidade humana.
 
3. Quem estabeleceu a diferença entre homem e mulher? Qual era o seu propósito?
A diferença entre homem e mulher foi estabelecida por Deus para benefício mútuo e para a realização do plano divino.
 
4. Qual é o dever que a Igreja tem?
A Igreja tem o dever de discipular com paciência e firmeza, ajudando cada pessoa a compreender sua verdadeira identidade à luz das Escrituras.
 
5. De acordo com a lição, qual é a resposta da Igreja à ideologia de gênero?
Proclamar a verdade com amor, oferecer ensino bíblico nas famílias e igrejas, proporcionar o acolhimento e a restauração dos que sofrem.




 

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2026






HOMENS DOS QUAIS O
MUNDO NÃO ERA DIGNO -
O Legado de Abraão, Isaque e Jacó.









Lição 4
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Confirmação de uma Promessa” responda:          
 
 
1. Cite alguns fatores que, no Antigo Testamento, influenciavam na escolha dos nomes.
Existiam vários fatores que influenciavam na escolha, como, por exemplo, a vontade de Deus, as circunstâncias do nascimento ou até mesmo as características físicas do bebê, como no caso de Esaú, que nasceu ruivo e bem cabeludo (Gn 25.25).
 
2. Qual o significado do nome “Abraão”?
No caso de Abrão, seu nome original significa “pai exaltado”; porém, diante do plano de Deus em sua vida, esse nome não parecia adequado, e o Senhor lhe mudou o nome para Abraão, confirmando que seria pai de multidão (Gn 17.4).
 
3. Qual o significado do nome “Sara”?
Sara significa “mãe de nações”.
 
4. Qual era o objetivo do concerto com os patriarcas?
O propósito único e supremo era trazer salvação não apenas a uma nação (Israel), mas também a toda a raça humana.
 
5. Quais as promessas que viriam acompanhadas do pacto de Deus com Abraão?
O pacto de Deus com Abraão viria acompanhado de várias promessas: Deus seria o escudo e o galardão de Abraão (Gn 15.1), lhe daria muitos descendentes (Gn 15.5) e a terra de Canaã como herança (Gn 15.7).



 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

LIÇÃO 4 – A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA





 
Gn 17.1-9
  


INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a confirmação da promessa de Deus na vida de Abraão. Veremos por que a mudança do nome foi um sinal utilizado por Deus para confirmar a Sua promessa. Analisaremos que Abrão viveu em uma época denominada “Dispensação da Promessa” e, por fim, destacaremos a aliança de Deus com Abraão que estava baseada em muitas promessas, dentre as quais, estão Cristo e a igreja. 

 
I. A FORÇA DO NOME NA CULTURA HEBRAICA 
A relevância dada ao nome nas culturas antigas não é a mesma de hoje. Em nossa cultura, o nome de uma criança é escolhido conforme a moda, a combinação ou ao quanto seja agradável aos ouvidos. Nos tempos dos patriarcas, um nome era dado considerando condições, circunstâncias, eventos específicos e, até mesmo, o desejo de que a criança vivesse o significado empregado no seu nome. Para entendermos o porquê a confirmação da promessa de Deus a Abrão tem como sinal a mudança do seu nome, precisamos compreender a importância que Deus e os povos antigos davam ao nome de alguém.

1. Nome.
A palavra “nome” do hebraico “shem” ocorre diversas vezes na Escritura. No Antigo Testamento o nome pode carregar a memória ou a menção de algo ou alguém. “Originalmente, o termo hebraico shem significava “sinal” ou “senha”, de tal modo que o nome era um meio de identificação de uma pessoa ou coisa. Assim, um nome era um sinal da linguagem que embojava em si mesmo o sentido específico da pessoa ou coisa nomeada, ou seja, o nome servia de comentário breve sobre o indivíduo, na esperança de que ele viveria à altura das expectações envolvidas no seu nome” (Champlin, 2013, p. 516). O nome era visto como um sinal, senha ou comentário. Mudar o nome de Abrão era refazer sua própria história ou mudar as expectativas em torno dela.

2. Significados e usos dos nomes.
Muitos nomes na Escritura foram dados ou mudados por ocasião de algum acontecimento relevante. A Escritura confere grande importância aos nomes. Vejamos algumas motivações para determinados nomes:
  • Eventos marcantes no nascimento da criança lhe determinava seu nome. Foi o caso de Jacó, que significa “usurpador” (Gn 27.36); Benoni, “filho da minha dor”, sempre que alguém o chamasse, seria remetido ao acontecimento do parto (Gn 35.18); Icabô, “foi-se a glória de Israel” (1Sm 4.21,22); Jabez, “dor ou tristeza” (1Cr 4.9).
  • Características físicas também determinavam o nome. Esaú, “cabeludo” (Gn 25.25); Edom, “vermelho” (Gn 25.25,30); Labão, “branco”, provável referência à pele ou cabelo (Gn 24.29); Coré, “calvo” aponta para uma característica física marcante (Nm 16.1).
  • Exaltar o nome de Deus. Maalalel, “louvor a Deus” (Gn 5.12); Elioenai “meus olhos voltam-se para Yahweh” (1Cr 3.23); Josué, “Yahweh é salvação” (Js 1.1); Israel, “príncipe de Deus” (Gn 32.28).
  • Exaltar divindades pagãs. Baal-Hanã significa “baal é gracioso” (Gn 36.38); Esbaal “homem de baaal” ou “baal existe”, nome do filho mais novo de Saul que evidencia a influência do paganismo sobre o rei de Israel (1Cr 8.33); Zorobabel, “nascido na Babilônia” (Ed 3.8-10).

3. O nome Abrão.
Abrão recebe esse nome de seus pais que eram idólatras (Js 24.2). Não seria absurdo presumir, considerando a vida pagã da sua parentela, que esse nome reverenciasse a alguma das divindades do panteão Caldaico. Segundo o Pastor Elienai Cabral: “o nome original ‘Abrão’ (Gn 11.26) significava ‘pai elevado’ ou ‘pai das alturas’ [...] Seu nome ‘Abrão’ tinha relação com o paganismo de seu pai Terá” (2002, p. 19). Quanto à sua vida pregressa: “Lemos no livro de Josué que, nessa época, em Ur dos Caldeus, Abrão adorava outros deuses, e ele era um astrólogo, por assim dizer. Segundo a tradição interpretativa dos rabinos, a palavra “Abrão” significa “pai elevado”, ou “pai que olha para cima”, o que sugere que Abrão ficava olhando as estrelas para tentar adivinhar o futuro. Assim, podemos presumir que ele era um pagão, quando Deus lhe apareceu” (Nicodemus, 2023, p. 24). Quando Deus muda o nome de Abrão, estava desfazendo seu vínculo com o paganismo e mudando os comentários ao seu respeito. Não seria mais atrelado à qualquer atividade da sua vida antiga, mas serviria ao Deus Todo Poderoso (Gn 17.1) e seria chamado de pai de multidões ainda quando tinha apenas um filho (Gn 16.15). Esses são os passos de fé do patriarca Abraão.


II. A DISPENSAÇÃO PATRIARCAL
1. Dispensação.
Conforme o teólogo e escritor Scofield, é “um período de tempo durante o qual os homens são testados quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus” ou ainda, conforme o Pastor Claudionor de Andrade: “Período de tempo no qual Deus se revela de modo distinto e particular ao ser humano” (1998, p. 124). De modo geral, considera-se sete dispensações: a) Inocência; b) Consciência; c) Governo humano; d) Promessa; e) Lei; f) Graça; g) Milênio (Champlin, 2013, p. 187). Em todos esses períodos da história o homem foi salvo pela graça por meio da fé (Gn 6.8; 15.6; Sl 32.1,2; Hc 2.4; Gl 2.16; Ef 2.8). Por isso, “As dispensações [...] têm de ser vistas como etapas da revelação de Deus, e não como modos distintos de o homem se salvar. Pois só há um único meio de nos salvarmos: aceitar integralmente a graça que nos oferece o Senhor. Em todas as dispensações, a graça sempre foi abundantemente dispensada” (Champlin, 2013, p. 187).
 
2. Dispensação Patriarcal.
Até a instituição da lei e formação da nação de Israel, Deus não fez alianças com nações, mas com indivíduos específicos. Abraão viveu num período denominado de “Dispensação Patriarcal”, porque foi uma época em que a liderança espiritual estava concentrada no chefe de família, o patriarca (Gn 18.19). “A Dispensação Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma”. Também é conhecida como “Dispensação da Promessa” porque “teve início com a aliança de Deus com Abraão” (Olson 1981, p. 64). Ela durou aproximadamente 430 anos, desde a chamada de Abraão até a saída de Israel do Egito (Gl 3.17; Êx 12.40; Hb 11.9,13).
 
3. Abraão, um modelo de fé.
Mesmo antes da revelação especial de Cristo, a salvação nunca foi por obras, mas por fé, pois está escrito que por ela Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e todos os demais alcançaram aceitação diante de Deus (Hb 11.1-40). O escritor aos Hebreus, na denominada “galeria dos heróis da fé”, indica que todos esses foram modelos de fé cada qual em seu tempo (dispensação). Abraão, contudo, foi escolhido para ser um modelo de fé para a sua dispensação e para as próximas (Rm 4.16,17; Gl 3.7,9,14,16,29). Deus exigiu que Ele andasse em Sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1), assim como exigiria de Israel o mesmo padrão de fé para que fosse modelo para as demais nações (Êx 19.5,6).
 

III. A ALIANÇA ABRAÂMICA
Depois da sua primeira chamada em Ur dos Caldeus (At 7.2,3), Deus apareceu ainda sete vezes a Abraão (Gn 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18.1-33; 22.1-18). O Senhor renovou o velho patriarca diversas vezes reafirmando as suas promessas. Mas, como vimos, é na aparição registrada em Gênesis 17 que Deus confirma sua promessa deixando um sinal indelével: a mudança do seu nome e do nome de sua esposa (Gn 17.5-8). As promessas de Deus a Abraão foram muitas, elas se cumpririam no seu presente, no seu futuro e abrangeria sua descendência tanto na carne quanto na fé.
 
1. Promessas a Abraão cumpridas no seu presente.
a) Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2); b) fazer dele uma bênção; (Gn 12.2); c) ser benigno com quem o fizesse bem a Abraão e mal a quem o fizesse mal (Gn 12.3); d) lhe entregar Canaã (Gn 13.5); e) ser seu escudo e galardão (Gn 15.1); e f) ser o seu Deus (Gn 17.7).
 
2. Promessas a Abraão cumpridas no seu futuro.
a) fazer grande o seu nome (Gn 12.2); b) fazê-lo grandemente frutífero como as estrelas do céu e a areia do mar (Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-25); c) fazê-lo pai de uma grande nação (Gn 12.2; 18.18); d) ser progenitor de reis (Gn 17.6); e) pai de muitas nações (Gn 17.4); e f) fazê-lo uma benção a todas as famílias da terra (Gn 12.2,3; 18.18).
 
3. Promessas para os herdeiros de Abraão por Isaque.
a) a possessão da terra de Canaã (Gn 12.7; 13.14; 15.18-21; 17.7,8) Yahweh seria o seu Deus (Gn 17.8); possuir a porta dos seus inimigos (Gn 22.17); um descendente (semente) que seria a razão das bençãos a todas as famílias da terra, esse descendente é Cristo (Gn 22.18; Gl 3.16; Gn 3.15).
 
4. Promessas para os herdeiros de Abraão por Ismael.
Uma descendência incontável de Ismael (Gn 16.10); os ismaelitas se tornariam uma grande nação (Gn 21.13); repleta de príncipes (Gn 17.20).
 
5. Promessas para os herdeiros de Abraão na fé.
a) herança das promessas de Abraão em Cristo (Gl 3.29); b) entrada na descendência espiritual de Abraão (Gl 3.7); c) participação na promessa da salvação para todas as nações (Gn 12.3); d) a justificação que é uma bênção de Abraão porque ela é feita por meio de Jesus (Rm 3.24 5.1), que é descendente de Abraão (Mt 1.1; Gl 3.16); e) o recebimento do Espírito Santo (Gl 3.14b); a nova pátria (Hb 11.16). 


CONCLUSÃO
Mudar o nome de alguém é mudar a sua própria história. Deus continua mudando nomes, mudando histórias. Até nisso somos filhos de Abraão, na fé, pois ele foi o primeiro personagem bíblico a ter o seu nome mudado. Ter o nome mudado é ter o presente e o futuro redirecionados para a glória de Deus. Ele foi chamado para ser exemplo de fé em sua época, para ensinar sua família e receber promessas que se cumpriram, estão se cumprindo e ainda hão de se cumprir. Deus é fiel! 



 
REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  CABRAL, Elienai. Abraão: As experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø  CHAMPLIN, Russell. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4. Hagnos.
Ø  NICODEMUS, Augustus. Abraão o pai da fé. Vida Nova.
Ø  OLSON, Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.