Rm 8.12-17; Gl 4.1-6
INTRODUÇÃO
Nesta
lição, estudaremos sobre a Trindade e a obra da salvação; veremos que o
Espírito Santo opera na libertação espiritual; pontuaremos que é o Espírito
Santo que nos guia como filhos na vontade do Pai; notaremos que a Trindade
opera na nossa salvação; e por fim, falaremos que o Pai envia o Espírito Santo
aos seus filhos amados.
I. A TRINDADE E A OBRA DA SALVAÇÃO
A
Bíblia revela que a salvação é uma obra da Trindade. O Pai planejou a redenção
(Ef 1.3-5; Jo 3.16), o Filho realizou essa obra na cruz (Rm 5.8; Hb 9.12; 1Pe
2.24), e o Espírito Santo aplica essa salvação no coração do crente (Jo
16.8-13; Tt 3.5). Nos textos de Romanos 8.12-17 e Gálatas 4.4-7, o apóstolo
Paulo mostra que o Espírito Santo nos liberta da escravidão do pecado, confirma
que somos filhos de Deus e nos conduz à herança eterna preparada pelo Pai.
Assim, a vida cristã é marcada por três grandes realidades espirituais: a) Libertação
do pecado (Rm 8.2; Jo 8.36; Cl 1.13); b) Filiação divina (Jo 1.12; Rm
8.15; Gl 4.6); e, c) Herança eterna com Cristo (Rm 8.17; Ef 1.11; 1Pe
1.4). Vejamos como a salvação não é obra de uma única pessoa divina, mas da
Trindade inteira.
1. O Pai planejou a salvação. A Bíblia
mostra que a iniciativa da redenção veio do Pai.
ü
Deus amou o mundo
(Jo 3.16).
ü
O Pai nos
escolheu e predestinou para adoção (Ef 1.3-5).
ü
O Pai enviou o
Filho como Salvador (1Jo 4.14).
ü
Toda boa dádiva
vem do Pai (Tg 1.17-18).
2.
O Filho realizou a salvação. Cristo
veio ao mundo para nos resgatar.
ü
Deus enviou seu
Filho para remir os que estavam debaixo da Lei (Gl 4.4-5).
ü
O Filho do Homem
veio dar sua vida em resgate (Mt 20.28).
ü
Entrou no Santo
dos Santos com seu próprio sangue (Hb 9.12).
ü
Fomos resgatados
pelo precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18-19).
3.
O Espírito aplicou a salvação. Depois
da obra da cruz, o Espírito Santo torna essa salvação real em nós. Assim, a
salvação é uma obra perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
ü
Convence do
pecado (Jo 16.8).
ü
Opera o novo
nascimento (Jo 3.5-6).
ü
Confirma a adoção
(Rm 8.15-16).
ü
É o selo e
garantia da herança (Ef 1.13-14).
ü
Realiza a
regeneração (Tt 3.5).
II. O ESPÍRITO SANTO OPERA NA
LIBERTAÇÃO ESPIRITUAL
Antes
da conversão, o ser humano vive na escravidão do pecado (Jo 8.34; Rm 6.16-20;
Ef 2.1-3). A Lei revelava o pecado, mas não tinha poder para libertar o pecador
(Rm 3.20; Rm 7.7-13). Entretanto, em Cristo, Deus nos concede uma nova
realidade espiritual. Vejamos:
1.
O Espírito Santo e a libertação do domínio do pecado.
Paulo
afirma que não recebemos “espírito de escravidão” (Rm 8.15).
Antes da salvação, a humanidade vivia sob o medo da condenação e sob o domínio
do pecado (Hb 2.14-15; Gl 3.10; Gl 4.3). Mas Cristo trouxe libertação: “Nenhuma
condenação há para os que estão em Cristo” (Rm 8.1-2); “Se o
Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36); “O
velho homem foi crucificado” (Rm 6.6-7); e, “Deus nos tirou do
poder das trevas” (Cl 1.13). Essa libertação é aplicada em nossa vida
pelo Espírito Santo (2Co 3.17).
2.
O Espírito Santo e a adoção como filhos de Deus.
A ação do Espírito Santo na vida do crente é um
dom do Pai e do Filho. Ele nos tira da escravidão do pecado, confirma nossa
filiação em Cristo e nos assegura a herança prometida. Essa é uma obra
trinitária que nos transforma por completo: da condenação à comunhão, e da
carne à glória eterna. O Pai, o Filho e o Espírito agem conjuntamente para
garantir nossa adoção como filhos e herdeiros de Deus. A libertação do pecado
abre caminho para uma nova relação com Deus, a adoção espiritual: “Aos
que o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo
1.12); “Recebemos o Espírito de adoção”
(Rm 8.15); “Recebemos a
adoção de filhos” (Gl 4.5); “Fomos predestinados para filhos de
adoção” (Ef 1.5); e, “Vede quão grande amor nos tem concedido o
Pai” (1Jo 3.1).3.
O testemunho interior do Espírito.
A
palavra grega huiothesia significa literalmente “colocar
como filho”. Na cultura romana, o filho adotado recebia os mesmos
direitos de herança que um filho natural. Assim, em Cristo não somos apenas
perdoados; somos recebidos na família de Deus. O Espírito Santo confirma
interiormente nossa filiação: “O Espírito testifica com nosso espírito
que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); “O Espírito clama: “Aba,
Pai” (Gl 4.6); “Deus nos selou e nos deu o Espírito no coração” (2Co
1.22); “Fomos selados com o Espírito Santo da promessa” (Ef
1.13); e, “Sabemos que estamos nele porque nos deu do seu Espírito” (1Jo
4.13). A palavra “Abba” era usada por Jesus em sua oração ao Pai (Mc 14.36).
Ela expressa intimidade e confiança. O mesmo Espírito que estava em Cristo
agora habita no interior do crente (Rm 8.9-11).
4.
Da escuridão espiritual para a luz de Deus.
A
ação do Espírito também nos tira das trevas espirituais. Assim, quem antes
vivia na ignorância espiritual agora vive guiado pelo Espírito Santo: “Antes
éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5.8); “Chamados
das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9); “O Espírito guia
em toda a verdade” (Jo 16.13); e, “Cristo em vós, esperança da glória”
(Cl 1.27).
5.
O Espírito Santo como presença permanente na vida do crente.
Além
de libertar do pecado e confirmar a filiação, o Espírito Santo também habita
permanentemente no crente, tornando-se a presença contínua de Deus em sua vida.
Essa habitação é uma promessa do próprio Senhor Jesus (Jo 14.16). A presença do
Espírito Santo marca uma nova realidade espiritual. No Antigo Testamento, o
Espírito vinha sobre algumas pessoas para tarefas específicas (Jz 6.34; 1Sm
10.10), mas na Nova Aliança Ele habita permanentemente no interior do salvo (Jo
14.17). Paulo afirma que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse
tal não é dele” (Rm 8.9). Portanto, a habitação do Espírito é a
evidência da nova vida em Cristo.
III. O ESPÍRITO SANTO GUIA OS FILHOS
NA VONTADE DO PAI
1.
Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito.
O
apóstolo Paulo declara: “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus,
esses são filhos de Deus” (Rm 8.14). Essa direção ocorre de várias
maneiras: Pela Palavra de Deus (Sl 119.105; Jo 17.17); pela orientação interior
do Espírito Santo (Jo 16.13); pela renovação da mente (Rm 12.2); e pela
comunhão com Deus (Gl 5.25).
2.
O Espírito capacita a vencer a carne.
A
vida cristã envolve uma batalha espiritual entre a carne e o Espírito (Gl
5.17). Paulo ensina: “Pelo Espírito mortificamos as obras do corpo” (Rm
8.13); “Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gl
5.16); “Os que são de Cristo crucificaram a carne” (Gl 5.24); “Mortificai
os membros que estão sobre a terra” (Cl 3.5); e, “A vontade de
Deus é a nossa santificação” (1Ts 4.3). O Espírito Santo não apenas
revela o pecado; Ele também nos dá poder para vencê-lo (Rm 6.14; Fp 2.13).
3.
O Espírito conduz o crente à santificação.
A
santificação é a transformação progressiva do crente. Somos transformados pelo
Espírito (2Co 3.18). Temos o fruto do Espírito (Gl 5.22-23). Pedro diz: “Sede
santos em todo o vosso procedimento” (1Pe 1.15-16). O escritor aos
Hebreus disse: “Segui a santificação” (Hb 12.14). Assim, o
Espírito forma em nós o caráter de Cristo (Rm 8.29).
IV. O PAI ENVIA O ESPÍRITO SANTO AOS
SEUS FILHOS
A
Bíblia ensina que o Espírito Santo é um dom concedido pelo Pai aos que creem em
Cristo. Jesus afirmou que o Pai é quem envia o Espírito para habitar na vida do
crente: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em
meu nome, esse vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26). Da mesma
forma, Jesus declarou que o Pai concede o Espírito àqueles que o buscam: “Quanto
mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem” (Lc
11.13). O apóstolo Paulo também confirma essa verdade ao afirmar que “porque
sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que
clama: Aba, Pai” (Gl 4.6). Assim, o envio do Espírito Santo demonstra o
amor do Pai para com seus filhos e revela que a presença do Espírito em nós é
um presente da graça divina.
CONCLUSÃO
A
relação entre o Pai e o Espírito Santo na salvação revela a beleza da obra
trinitária. O Pai planejou a redenção, o Filho realizou a obra da cruz e o
Espírito Santo aplica essa salvação ao coração do crente. Por isso não somos
mais escravos do pecado (Rm 6.22); somos filhos de Deus por adoção (Rm 8.15);
somos guiados pelo Espírito (Rm 8.14); e, somos herdeiros da glória eterna (Rm
8.17). Assim, a vida cristã é vivida na certeza de que pertencemos a Deus,
somos conduzidos pelo Espírito e aguardamos a herança eterna preparada para os
filhos do Pai.
REFERÊNCIAS
Ø BAPTISTA,
Douglas. A Santíssima Trindade: o Deus único revelado em três
pessoas eternas. CPAD.
Ø BARRETO,
Alessandro. Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo
Testamento. Editora Bereia.
Ø BARRETO,
Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica,
Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. Editora Bereia.
Ø LIMA,
Marcone. A doutrina da Trindade segundo Agostinho: uma análise
das ações e seus aspectos relacionais no De Trinitate. Editora IGP.
Ø LIMA,
Marcone. A tese e os argumentos da carta de Paulo aos Gálatas segundo
Agostinho: o Sola Fide na Doutrina da Justificação. Editora IGP.
Ø SOARES,
Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



