At 17.15-20,30-32
INTRODUÇÃO
O capítulo 17 de Atos
registra uma das maiores demonstrações da sabedoria espiritual do apóstolo
Paulo diante da filosofia humana. Em Atenas, considerada o maior centro
intelectual do mundo greco-romano, Paulo apresentou Jesus Cristo como a
resposta definitiva às inquietações filosóficas e religiosas da humanidade.
Nesta lição estudaremos sobre Atenas como o berço da intelectualidade;
pontuaremos sobre a idolatria que dominava aquela cidade; veremos a pregação de
Paulo e como ele revela o Deus desconhecido; e por fim, destacaremos sobre a
chamada divina ao arrependimento.
I.
ATENAS: O BERÇO DA INTELECTUALIDADE
1. Atenas era o
maior centro intelectual do mundo antigo.
De acordo com Gaby (2025, p. 49):
“Atenas era politicamente insignificante. Apesar disso, a cidade ainda servia
de grandíssimo interesse cultural, sendo conhecida como a capital da sabedoria grega
e berço a democracia. A cidade era um destino de passagem obrigatória para
estudantes e filósofos, que buscavam as suas academias e escolas para estudar
filosofia, retórica e outras artes liberais”. A cidade era marcada pela busca
incessante de novidades intelectuais (At 17.21), porém permanecia distante do
conhecimento de Deus (At 17.18b).
2. A riqueza
cultural e filosófica de Atenas.
“Atenas foi o maior centro de
cultura e educação da antiguidade: “A escultura, a literatura e a oratória de
Atenas, nos séculos V e IV a.C., nunca foram ultrapassadas; também na filosofia
ela ocupava um lugar de liderança, sendo a terra natal de Sócrates e de Platão,
e o lar adotivo de Aristóteles, Epicuro e Zeno” (Beacon, 2006, p. 340). É
notório que Atenas possuía extraordinária riqueza cultural, mas vivia profunda
pobreza espiritual (At 17.16). Paulo compreendeu que somente Cristo poderia
responder às perguntas que a filosofia não conseguia solucionar (At 17.17,18;
1Co 1.20-25; Cl 2.8-10).
3. A filosofia sem
Cristo permanece incompleta.
Atenas era dominada por duas
correntes filosóficas principais: o estoicismo e o epicurismo (At 17.18). O
teólogo Wiersbe (2009, p. 354) aponta que: “os estoicos eram materialistas e
quase fatalistas em sua forma de pensar. Esse sistema de pensamento fundamentava-se
no orgulho e na independência pessoal. A natureza era o deus deles, e pensavam
que toda a natureza se movia aos poucos em direção a uma grande culminância.
Podemos dizer que eram panteístas. E os epicureus, que desejam o prazer, cuja
filosofia fundamentava-se na experiência, não na razão. Eles eram quase
ateístas”. Ambas as escolas ignoravam a realidade do pecado e da necessidade da
redenção em Cristo (Rm 3.23; Rm 6.23; Ef 2.1-8). Toda filosofia torna-se
insuficiente quando rejeita Cristo (1Co 2.1-5).
II. A IDOLATRIA EM ATENAS
1. A idolatria
instaurada em Atenas.
A Bíblia registra que enquanto
Paulo esperava Silas e Timóteo em Atenas ele viu a cidade entregue a idolatria
(At 17.16b). Era uma idolatria generalizada (At 17.22). De acordo com Champlin
(1998, p. 362), “Atenas contava com mais imagens de escultura do que todas as
demais cidades gregas, juntamente consideradas. Plínio asseverou que, ao tempo
de Nero, Atenas estava ornamentada por mais de trinta mil estátuas públicas,
além de imensa multidão de esculturas particulares, nas casas dos cidadãos.
Petrônio disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem.
Cada templo, cada portão, cada pórtico, cada edifício, tinha suas divindades
protetoras”.
2. O sentimento de
Paulo diante da idolatria em Atenas.
A Bíblia afirma que o espírito de
Paulo “se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At
17.16). O verbo empregado por Lucas revela profunda indignação santa diante da
ofensa causada à glória de Deus. O teólgo Matthew Henry (2008, pp. 189,190)
afirma que Paulo: “ficou muito preocupado, com a glória de Deus, por ter sido
dada aos ídolos, e muito compadecido pelas almas, por estarem escravizadas e
presas a Satanás (2Tm 2.26). Vendo tais transgressores, ele se afligiu, e o
horror tomou conta dele. Permeou-lhe uma santa indignação pelos sacerdotes
pagãos que levavam as pessoas a esse ciclo infinito de idolatria”. Paulo
revelou a mesma atitude de Jesus ante o pecado e sua obra destrutiva (Jo
11.33).
3. A atitude de
Paulo.
Diante do cenário de idolatria
generalizada, pelo espírito missionário que havia em coração, Paulo toma a
atitude de pregar o evangelho do Senhor Jesus: “De sorte que disputava na
sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se
apresentavam” (At 17.17). O escritor Broadman (1994, p. 125) afirma que: “ao
contrário do seu costume, anteriormente posto em prática, de pregar em primeiro
lugar aos judeus, Paulo pregou aos judeus na sinagoga e aos gentios na praça,
simultaneamente. É importante notar-se que Atenas é uma das poucas cidades em
que Paulo não encontrou oposição da parte dos judeus. A praça (ágora) era um
lugar costumeiro de reunião dos atenienses que desejavam ouvir os filósofos, ou
pretensos filósofos”.
III. A PREGAÇÃO DE PAULO: O DEUS
DESCONHECIDO É REVELADO
1. A pregação na
sinagoga e na praça.
Paulo discutia diariamente na
sinagoga e na praça (At 17.17). Durante a explanação, filósofos epicureus e
estoicos contendiam com ele, principalmente por conta do conteúdo da pregação:
“Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de
deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição” (At 17.18). O
escritor Myer Pearlman (1995, p. 188) diz que: “os filósofos prestavam atenção,
enquanto Paulo falava de Deus em termos gerais. Quando, porém, mencionou a
ressurreição de Jesus, interromperam-no com risadas de zombaria. Muitos gregos
acreditavam na imortalidade da alma. A ressurreição, no entanto, não era uma
realidade filosoficamente aceitável (1Co 1.23)”.
2. O altar ao Deus
desconhecido.
Diante da contenda que houve entre
Paulo e os filósofos, Lucas afirma que: “tomando-o, o levaram ao Areópago,
dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?” (At
17.19). Em seu discursso no Areópago, o apóstolo Paulo profere as seguintes
palavras: “Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque,
passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava
escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o
que eu vos anuncio” (At 17.22,23). Paulo utilizou um elemento da cultura e da
religiosidade ateniense como ponto inicial para apresentar a revelação bíblica.
O homem pode possuir vasta cultura e ainda assim desconhecer o verdadeiro Deus
(Jr 9.23,24).
3. Deus é o
Criador Soberano.
Paulo declarou que Deus fez o mundo
e tudo o que nele existe: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo
Senhor do céu e da terra” (At 17.24). Essa afirmação demonstrava a soberania
absoluta de Deus sobre todas as coisas, Deus não faz parte da criação; Ele é
anterior a ela (Gn 1.1; Sl 24.1; Jo 1.1-3; Cl 1.16,17) e, ao mesmo tempo,
confrontava diretamente o politeísmo grego, tendo em vista que Deus não divide
a Sua Glória com ninguém (Êx 20.3; Is 42.8; Is 43.11).
4. Deus sustenta
toda a vida.
Paulo afirma que Deus dá “a todos a
vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.25). O homem depende continuamente
do Criador para existir (Jó 12.10; Sl 104.27-29). Essa declaração de Paulo
destrói qualquer conceito de independência absoluta do ser humano. A
providência divina manifesta-se diariamente na manutenção da criação
“sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). É dele o ar
que respiramos e está na sua mão a nossa vida (Dn 5.23).
5. Deus deseja ser
conhecido.
O propósito divino sempre foi
conduzir a humanidade ao verdadeiro conhecimento dEle (Os 6.3; Mq 4.2; Jo
17.3). Paulo ensina que Deus “não está longe de cada um de nós” (At 17.27). O
Deus desconhecido tornou-se plenamente conhecido mediante a encarnação do Filho
(Jo 1.18; Hb 1.1). A revelação máxima de Deus ocorre em Jesus Cristo (Jo 14.9).
IV. A CHAMADA DIVINA AO ARREPENDIMENTO
1. A
responsabilidade diante do conhecimento da verdade.
Depois de apresentar quem Deus é,
Paulo conduz seus ouvintes à responsabilidade pessoal diante da verdade. O
apóstolo declara: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância,
anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30).
A ignorância espiritual não constitui justificativa permanente diante da
revelação divina (Rm 1.19,20). Deus não castigou os atenienes por essas
idolatrias, como castigou Israel (Êx 32.28; Jz 2.11-14; 2Rs 17.9-20; 2Cr
36.14-21). Ele não foi severo com eles, mas benigno e bastante paciente por
agirem na ignorância (1Tm 1.13; 2Pe 3.9).
2. A
universalidade da mensagem de salvação e o juízo divino.
A mensagem de Paulo deixou claro
que o Evangelho não é restrito a uma cultura, etnia ou classe social,
demonstrando assim a imparcialidade divina e a universalidade da mensagem da
salvação (Mc 1.15; Jo 3.16; At 1.8; 1Tm 2.3,4; Tt 2.11). Assim como a salvação
é oferecida a todos os homens, o juízo divino virá sobre todos os que negarem
essa verdade: “porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar
o mundo, por meio do varão que destinou” (At 17.31).
3. Os resultados
da pregação.
Ao ouvirem sobre a ressurreição,
alguns zombaram e outros desejaram ouvir novamente (At 17.32). Mas houveram
outros que creram, tais como: Dionísio, membro do Areópago, Dâmaris e outros
(At 17.34). A semente cai em solo bom, mas também em solo pedregoso ou à beira
do caminho ou ainda entre espinhos (Mc 4.3-8). A responsabilidade do pregador é
semear; a resposta é com o ouvinte. O sucesso da evangelização não é medido
apenas pelo número de conversões, mas pela fidelidade na proclamação da
Palavra.
CONCLUSÃO
A visita de Paulo a Atenas e o seu
discurso no Areópago demonstra que o Evangelho permanece suficiente para
responder às maiores questões da humanidade. Cristo revelou o Deus verdadeiro,
chamou todos ao arrependimento e confirmou Sua autoridade por meio da
ressurreição. A Igreja continua sendo enviada para anunciar essa mensagem a
todas as culturas, povos e níveis intelectuais. Assim, o Deus outrora
desconhecido tornou-se plenamente conhecido por meio da pessoa e da obra
redentora de Jesus Cristo.
REFERÊNCIAS
Ø
BROADMAN.
Comentário Bíblico Broadman – Vol. 10. CBB.
Ø
CHAMPLIN,
Russell N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo
- Vol 3. Candeia.
Ø
EARLE,
Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7, CPAD.
Ø
GABY,
Wagner. A Igreja dos Gentios – Da Chamada Missionária à
Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø
HENRY,
Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1. CPAD.
Ø
PEARLMAN,
Myer. Atos – E a Igreja se Fez Missões. CPAD.
Ø
STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø
WIERSBE,
Warren W. Comentário Bíblico Novo Testamento – Vol. 2. Geográfica
Editora.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



