quinta-feira, 6 de agosto de 2026

LIÇÃO 06 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO






At 18.1-11
 
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a realidade cultural, religiosa e social da cidade de Corinto e os desafios que o apóstolo Paulo enfrentou ao levar o Evangelho até ela. Veremos de que forma ele atuou em meio a um mundo marcado por culturas diversas e visões de mundo distantes da fé cristã, e quais caminhos o Espírito Santo abriu diante dele nesse cenário. Ao final, perceberemos como o exemplo de Paulo nos convida a não depender exclusivamente de nossas próprias forças, mas a caminhar sustentados pela graça do Senhor.
 
 
I. PANORAMA HISTÓRICO-CULTURAL E RELIGIOSO DE CORINTO
1. Uma cidade estratégica e desigual.
A cidade de Corinto situava-se a 85 quilômetros a oeste de Atenas. Tratava-se, naturalmente, da parada seguinte de Paulo, mas também era um ponto estratégico. Roma havia destruído Corinto em 146 a.C. Alguns gregos continuavam a viver na região, mas ela só foi restaurada como cidade quando Júlio César a refundou como colônia romana, em 44 a.C. (Keener, 2017, p. 451). Nos tempos do Novo Testamento, Corinto se destacava como uma cidade de grande relevância cultural, abrigando gregos, latinos e judeus, povos de línguas diferentes, bem como era portadora de uma próspera atividade comercial. Importante destacar que toda essa prosperidade coexistia com uma profunda desigualdade entre ricos e pobres, (Keener, 2017, p. 548), portanto, uma população de 460.000 escravos, e 300.000 pessoas livres (Baker, 2023, p. 127).
 
2. Uma cidade marcada pela idolatria.
Em Corinto, a idolatria era predominante templos e santuários estavam por toda a cidade. Na época do ministério de Paulo, os coríntios carregavam a reputação de um povo marcado pela imoralidade sexual (1Co 5.1–13; 6.12–20), expressa, por exemplo, na prostituição ritualística praticada no templo de Afrodite. Contudo, é justamente nesse cenário que Deus direciona a rota missionária de Paulo. “Paulo foi o primeiro missionário cristão a chegar à Grécia, de conformidade com os registros históricos de que dispomos. Chegou ele em Corinto proveniente de Atenas, sentindo-se muito desencorajado (1Co 2.1–3), porquanto seus esforços haviam dado bem pouco fruto” (Champlim, 2010, p. 909).
 
3. Uma cidade escravizada pelo pecado.
Na antiguidade, o papel de cada pessoa dependia de seu status. Quem possuía fortuna e poder apoiava as ideologias religiosas, filosóficas e políticas que sustentavam sua base de poder (kenner, 2017, p. 548). Em certo aspecto havia determinada pressão para que as pessoas observassem as tendências sociais e as seguissem. Na cidade de Corinto não era diferente, pois cidade recebeu o status de cidade do pecado por excelência, baseada na afirmação do historiador Estrabão de que o templo de Afrodite tinha mais de 1.000 prostitutas sagradas e na utilização do nome da cidade para associar palavras que denotam licenciosidade sexual, por exemplo, korinthiastês, “devasso”; korinthiazesthai, “fornicar”; korinthia korê, “prostituta”. Essas palavras aparecem em autores como Platão e Aristófanes (c. 450–385 a.C.). (Masiero Neto, 2025).
 
 
II. PAULO EM CORINTO: DESAFIOS E O SEU EQUILIBRIO
1. Paulo diante dos desafios em Corinto.
Em Atos 18.1–13, acompanhamos a chegada de Paulo a Corinto e logo percebemos que o cenário não lhe era favorável. Paulo chega à cidade na condição de exilado, obrigado a recomeçar do zero (At 18.1–3). Em seguida, enfrenta a resistência e a blasfêmia dos judeus (At 18.5–6). Diante dessa rejeição na sinagoga, Paulo retira-se daquele ambiente e passa a concentrar seu ministério entre os gentios (At 18.6–7). Essa ruptura também implicava consequências práticas significativas, pois o privava de diversos benefícios normalmente oferecidos pela comunidade judaica, como a mediação de conflitos, a assistência aos necessitados, a rede de hospitalidade destinada a judeus vindos de outras cidades e, em certa medida, as oportunidades comerciais vinculadas à vida da sinagoga. Além disso, Paulo conviveu com o temor diante de ameaças veladas (At 18.9–10) e, por fim, foi formalmente acusado perante o tribunal romano (At 18.12–13). Todavia, nada disso deteve o servo do Senhor. Paulo não esperou condições favoráveis para seguir em frente. Ele tinha consciência de que o propósito da missão que lhe havia sido confiada era maior do que qualquer sofrimento que pudesse enfrentar.
 
2. Equilíbrio no estabelecimento da Igreja em Corinto.
Ser portador de um excelente chamado missionário não significa estar livre de complexidades dessa vocação. Com o estabelecimento da igreja em Corinto, mais adiante surgiriam questões internas que demandariam atenção contínua de Paulo, sendo grande parte reflexo da herança cultural e moral daquela cidade. Pelo menos duas cartas registram sua intervenção diante desses desafios (1Co 1-15; 2Co 1-13). Dessa forma, Paulo não minimizou nem romantizou os problemas por causa do seu êxito missionário inicial. Ele entendeu que o crescimento da obra pertence a Deus, que adversidades são parte do trabalho e que o cuidado com os novos crentes era permanente. As adversidades no início da obra em Corinto lhe deram uma visão equilibrada da missão naquele lugar, afastando o servo de Deus tanto do desânimo quanto da desistência (Rm 8.28).
 
 
III. A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA DIVINA PARA PAULO
1. A graça é o fundamento da vida cristã.
A palavra “graça” ocupa lugar central na teologia bíblica. Ela não é apenas o meio pelo qual somos salvos, mas também a base sobre a qual vivemos e servimos a Deus. A experiência do apóstolo Paulo mostra que a graça não elimina dificuldades, mas torna o crente capaz de permanecer firme nelas. A doutrina da graça ocupa posição central na fé cristã. Não se trata apenas de um conceito teológico, mas também de uma experiência contínua na vida cristã. Desde a conversão até a glorificação, tudo é sustentado pela graça (Gaby, 2026, p. 67). O Apóstolo tinha convicção plena dessa realidade, tanto que no ápice do seu sofrimento, Paulo não recebeu uma palavra de Deus: “a minha graça te basta” (2Co 12.9). E foi essa convicção que ele transmitiu à igreja de Corinto: A Graça é suficiente!
 
2. A Graça gera consolo e providência: Priscila e Áquila.
Ao chegar em Corinto, Paulo encontra Priscila e Áquila (At 18.2), um casal que seria peça-chave no trabalho missionário. Além da mesma profissão, compartilhavam com Paulo uma história de sofrimento. Nas horas difíceis, a graça de Deus nos presenteia com amizades verdadeiras (Pv 17.17). Deus levanta pessoas certas no momento certo, Ele é o Deus dos bons encontros.
 
3. A Graça alcança a casa de Tito Justo.
Tito Justo provavelmente pertencia a uma das famílias romanas estabelecidas em Corinto desde a época de Júlio César (Kenner, 2017, p. 453). Quando os judeus fecharam as portas da sinagoga para Paulo (At 18. 6), Tito Justo abriu as portas de sua própria casa (At 18.7). A rejeição não paralisou o avanço de Paulo, no entanto, a graça abriu novo caminho. Deus não depende das portas abertas. Ele também trabalha além das portas que se fecham.
 
4. A Graça alcança os improváveis: Crispo e sua Família.
Crispo era o principal da sinagoga de Corinto (At 18.8). Ele presidia as assembleias, interpretava a Torá e desfrutava de prestígio social e estabilidade financeira. Era, portanto, o representante exato do ambiente que mais resistia a Paulo. E foi justamente ele quem creu. A graça Divina não consulta a lógica humana antes de agir. E a obra não parou nele porque toda a sua casa creu, portanto, seus escravos, libertos e todos que dependiam dele. Ninguém está além do alcance da graça.
 
5. A graça de Deus é o que nos basta.
Em meio às pressões do ministério, o próprio Deus apareceu a Paulo em visão noturna (At 18.9), assegurando sua proteção e confirmando que havia muitas vidas a serem alcançadas em Corinto (At 18.10). Não por acaso, esta é uma das poucas cidades onde Paulo permaneceu por mais tempo (At 18.11). Há momentos em que tudo indica que chegamos ao nosso limite emocional, físico e espiritual, mas a graça de Deus nos levanta exatamente quando precisamos, para que os propósitos d'Ele sejam cumpridos em nós e por meio de nós.
 
6. A Graça produz perseverança no serviço.
A permanência de Paulo em Corinto durante um ano e seis meses (At 18.11) não foi resultado de circunstâncias favoráveis, mas da graça sustentadora de Deus. A mesma cidade que oferecia oposição também se tornou o lugar onde o apóstolo permaneceu por mais tempo até então em sua segunda viagem missionária. A graça não apenas consola o servo de Deus nos momentos difíceis, mas também lhe concede perseverança para permanecer onde Deus o plantou. Muitas vezes, o maior milagre não é ser retirado da luta, mas receber forças para continuar nela. O ministério frutífero não depende apenas de grandes começos, mas da constância produzida pela graça. Assim como Paulo permaneceu ensinando “a Palavra de Deus entre eles” (At 18.11), o cristão é chamado a perseverar na obra do Senhor, sabendo que "no Senhor, o vosso trabalho não é vão" (1Co 15.58).
 
7. A Graça faz a obra crescer.
Embora Paulo tenha sido o instrumento escolhido por Deus para evangelizar Corinto, o crescimento da igreja jamais foi atribuído à capacidade humana do apóstolo, mas exclusivamente à graça divina. O próprio Paulo mais tarde recordaria aos coríntios: “Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1Co 3.6). A igreja estabelecida naquela cidade nasceu em um ambiente de intensa oposição, idolatria e imoralidade, demonstrando que a expansão do Reino de Deus não depende de condições favoráveis, mas da atuação da graça. O servo de Deus trabalha com dedicação, semeia com fidelidade e persevera com esperança, porém reconhece que somente o Senhor pode produzir frutos duradouros. A graça que chama, sustenta e fortalece também é a mesma que faz a obra prosperar para a glória de Deus (1Co 15.10).
 
  
CONCLUSÃO 
A experiência de Paulo em Corinto ensina que anunciar o Evangelho exige dependência constante de Deus. Nem sempre haverá cenários favoráveis, mas a graça estará sempre ao alcance para sustentar nossa jornada. Paulo viveu isso intensamente e nos deixou o exemplo de que o Poder de Deus se aperfeiçoa em nossas fraquezas (2Co 12.9). Que nos falte tudo, menos a graça do Senhor Jesus. 

 


REFERÊNCIAS
Ø  BÍBLIA SAGRADA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. SBB, 2009.
Ø  CHAMPLIM, Russell Norman. Enciclopédia de Champlim. v. 1. [S.l.: s.n.].
Ø  BAKER, Warren (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. CPAD, 2023.
Ø  GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD, 2026.
Ø  KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia: Novo Testamento. Vida Nova, 2017.
Ø  MASIERO NETO, Adriano. A igreja de Corinto e a oposição ao apóstolo Paulo em 1 Coríntios. TEOCON – Revista Teologia Contextual, Londrina, v. 1, n. 1, 2025.    
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

 


terça-feira, 4 de agosto de 2026

LIÇÃO 6 - GIDEÃO: DEUS TRANSFORMA A INSEGURANÇA EM CORAGEM


Vídeo Aula - Pastor Valmir
 




LIÇÃO 6 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Wagner
 




LIÇÃO 6 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






FIDELIDADE ÀS ESCRITURAS
EM OPOSIÇÃO À APOSTASIA
Lições Espirituais no Livro de Juízes.
 








Lição 5
Hora da Revisão

A respeito de “Débora e Baraque: União para Fazer a Obra de Deus”, responda:
 
 
1. Quais papéis Débora desempenhou em Israel?
Profetisa e juíza.
 
2. Quem era Baraque?
Comandante ou líder militar de Israel.
 
3. Qual foi o pedido de Baraque a Débora para ir à guerra?
Ele afirma que irá, mas condiciona sua ida à companhia de Débora.
 
4. O que contém o capítulo 5 do livro de Juízes?
Contém o cântico de Débora e Baraque, junto com todo o povo, louvando ao Senhor pela libertação.
 
5. Fale sobre a importância da mulher na obra de Deus.
A fé cristã afirma e valoriza a feminilidade à luz das Escrituras, sustentando um modelo bíblico de identidade e atuação da mulher.

 


QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2026






A IGREJA DOS GENTIOS -
Da chamada Missionária à Consolidação
do Evangelho entre os Povos.
 








Lição 5
Revisando o Conteúdo

A respeito de Cristo entre os Filósofos: O Deus Desconhecido se Revela” responda:          
 
 
1. Em Atenas, o que Paulo discerniu diante de um povo culto, porém, distante do Deus verdadeiro?
Cheio do Espírito Santo, ele discerniu que por trás da sabedoria humana havia corações carentes de salvação.
 
2. Em quais dos ambientes Paulo iniciou e expandiu a evangelização em Atenas, segundo a lição?
Como era seu costume, Paulo iniciou sua proclamação do Evangelho na sinagoga, dialogando com judeus e gentios tementes a Deus (At 17.17a).
 
3. O que aconteceu quando Paulo foi levado ao Areópago?
Alguns o desprezaram, chamando-o de “paroleiro”, enquanto outros demonstraram curiosidade diante do “ensino estranho” que anunciava Jesus e a ressurreição (At 17.19-21).
 
4. Qual foi a postura de Paulo para iniciar seu discurso no Areópago, representando um dos encontros mais significativos entre o Evangelho e a cultura helênica?
Com sabedoria e sensibilidade espiritual, o apóstolo não inicia com ataques, mas constrói pontes, revelando como a verdade de Deus pode ser anunciada com firmeza e respeito em contextos intelectualmente desafiadores.
 
5. Como Paulo encerra o seu discurso no Areópago?
Paulo encerra o discurso com um chamado direto ao arrependimento, afirmando que Deus agora ordena que todos se arrependam, pois estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça por meio de Jesus Cristo, confirmado pela ressurreição (vv.30,31; 1Co 15.1-23).



 

sexta-feira, 31 de julho de 2026

LIÇÃO 05 - CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA






At 17.15-20,30-32
 
 
 

INTRODUÇÃO
O capítulo 17 de Atos registra uma das maiores demonstrações da sabedoria espiritual do apóstolo Paulo diante da filosofia humana. Em Atenas, considerada o maior centro intelectual do mundo greco-romano, Paulo apresentou Jesus Cristo como a resposta definitiva às inquietações filosóficas e religiosas da humanidade. Nesta lição estudaremos sobre Atenas como o berço da intelectualidade; pontuaremos sobre a idolatria que dominava aquela cidade; veremos a pregação de Paulo e como ele revela o Deus desconhecido; e por fim, destacaremos sobre a chamada divina ao arrependimento.
 

I. ATENAS: O BERÇO DA INTELECTUALIDADE
1. Atenas era o maior centro intelectual do mundo antigo.
De acordo com Gaby (2025, p. 49): “Atenas era politicamente insignificante. Apesar disso, a cidade ainda servia de grandíssimo interesse cultural, sendo conhecida como a capital da sabedoria grega e berço a democracia. A cidade era um destino de passagem obrigatória para estudantes e filósofos, que buscavam as suas academias e escolas para estudar filosofia, retórica e outras artes liberais”. A cidade era marcada pela busca incessante de novidades intelectuais (At 17.21), porém permanecia distante do conhecimento de Deus (At 17.18b).
 
2. A riqueza cultural e filosófica de Atenas.
“Atenas foi o maior centro de cultura e educação da antiguidade: “A escultura, a literatura e a oratória de Atenas, nos séculos V e IV a.C., nunca foram ultrapassadas; também na filosofia ela ocupava um lugar de liderança, sendo a terra natal de Sócrates e de Platão, e o lar adotivo de Aristóteles, Epicuro e Zeno” (Beacon, 2006, p. 340). É notório que Atenas possuía extraordinária riqueza cultural, mas vivia profunda pobreza espiritual (At 17.16). Paulo compreendeu que somente Cristo poderia responder às perguntas que a filosofia não conseguia solucionar (At 17.17,18; 1Co 1.20-25; Cl 2.8-10).
 
3. A filosofia sem Cristo permanece incompleta.
Atenas era dominada por duas correntes filosóficas principais: o estoicismo e o epicurismo (At 17.18). O teólogo Wiersbe (2009, p. 354) aponta que: “os estoicos eram materialistas e quase fatalistas em sua forma de pensar. Esse sistema de pensamento fundamentava-se no orgulho e na independência pessoal. A natureza era o deus deles, e pensavam que toda a natureza se movia aos poucos em direção a uma grande culminância. Podemos dizer que eram panteístas. E os epicureus, que desejam o prazer, cuja filosofia fundamentava-se na experiência, não na razão. Eles eram quase ateístas”. Ambas as escolas ignoravam a realidade do pecado e da necessidade da redenção em Cristo (Rm 3.23; Rm 6.23; Ef 2.1-8). Toda filosofia torna-se insuficiente quando rejeita Cristo (1Co 2.1-5).


II. A IDOLATRIA EM ATENAS
1. A idolatria instaurada em Atenas. 
A Bíblia registra que enquanto Paulo esperava Silas e Timóteo em Atenas ele viu a cidade entregue a idolatria (At 17.16b). Era uma idolatria generalizada (At 17.22). De acordo com Champlin (1998, p. 362), “Atenas contava com mais imagens de escultura do que todas as demais cidades gregas, juntamente consideradas. Plínio asseverou que, ao tempo de Nero, Atenas estava ornamentada por mais de trinta mil estátuas públicas, além de imensa multidão de esculturas particulares, nas casas dos cidadãos. Petrônio disse que era mais fácil encontrar um deus em Atenas do que um homem. Cada templo, cada portão, cada pórtico, cada edifício, tinha suas divindades protetoras”.
 
2. O sentimento de Paulo diante da idolatria em Atenas. 
A Bíblia afirma que o espírito de Paulo “se comovia em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria” (At 17.16). O verbo empregado por Lucas revela profunda indignação santa diante da ofensa causada à glória de Deus. O teólgo Matthew Henry (2008, pp. 189,190) afirma que Paulo: “ficou muito preocupado, com a glória de Deus, por ter sido dada aos ídolos, e muito compadecido pelas almas, por estarem escravizadas e presas a Satanás (2Tm 2.26). Vendo tais transgressores, ele se afligiu, e o horror tomou conta dele. Permeou-lhe uma santa indignação pelos sacerdotes pagãos que levavam as pessoas a esse ciclo infinito de idolatria”. Paulo revelou a mesma atitude de Jesus ante o pecado e sua obra destrutiva (Jo 11.33).
 
3. A atitude de Paulo. 
Diante do cenário de idolatria generalizada, pelo espírito missionário que havia em coração, Paulo toma a atitude de pregar o evangelho do Senhor Jesus: “De sorte que disputava na sinagoga com os judeus e religiosos e, todos os dias, na praça, com os que se apresentavam” (At 17.17). O escritor Broadman (1994, p. 125) afirma que: “ao contrário do seu costume, anteriormente posto em prática, de pregar em primeiro lugar aos judeus, Paulo pregou aos judeus na sinagoga e aos gentios na praça, simultaneamente. É importante notar-se que Atenas é uma das poucas cidades em que Paulo não encontrou oposição da parte dos judeus. A praça (ágora) era um lugar costumeiro de reunião dos atenienses que desejavam ouvir os filósofos, ou pretensos filósofos”.


III. A PREGAÇÃO DE PAULO: O DEUS DESCONHECIDO É REVELADO
1. A pregação na sinagoga e na praça. 
Paulo discutia diariamente na sinagoga e na praça (At 17.17). Durante a explanação, filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, principalmente por conta do conteúdo da pregação: “Uns diziam: Que quer dizer este paroleiro? E outros: Parece que é pregador de deuses estranhos. Porque lhes anunciava a Jesus e a ressurreição” (At 17.18). O escritor Myer Pearlman (1995, p. 188) diz que: “os filósofos prestavam atenção, enquanto Paulo falava de Deus em termos gerais. Quando, porém, mencionou a ressurreição de Jesus, interromperam-no com risadas de zombaria. Muitos gregos acreditavam na imortalidade da alma. A ressurreição, no entanto, não era uma realidade filosoficamente aceitável (1Co 1.23)”.
 
2. O altar ao Deus desconhecido. 
Diante da contenda que houve entre Paulo e os filósofos, Lucas afirma que: “tomando-o, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos nós saber que nova doutrina é essa de que falas?” (At 17.19). Em seu discursso no Areópago, o apóstolo Paulo profere as seguintes palavras: “Varões atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais não o conhecendo é o que eu vos anuncio” (At 17.22,23). Paulo utilizou um elemento da cultura e da religiosidade ateniense como ponto inicial para apresentar a revelação bíblica. O homem pode possuir vasta cultura e ainda assim desconhecer o verdadeiro Deus (Jr 9.23,24).
 
3. Deus é o Criador Soberano. 
Paulo declarou que Deus fez o mundo e tudo o que nele existe: “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra” (At 17.24). Essa afirmação demonstrava a soberania absoluta de Deus sobre todas as coisas, Deus não faz parte da criação; Ele é anterior a ela (Gn 1.1; Sl 24.1; Jo 1.1-3; Cl 1.16,17) e, ao mesmo tempo, confrontava diretamente o politeísmo grego, tendo em vista que Deus não divide a Sua Glória com ninguém (Êx 20.3; Is 42.8; Is 43.11).
 
4. Deus sustenta toda a vida. 
Paulo afirma que Deus dá “a todos a vida, a respiração e todas as coisas” (At 17.25). O homem depende continuamente do Criador para existir (Jó 12.10; Sl 104.27-29). Essa declaração de Paulo destrói qualquer conceito de independência absoluta do ser humano. A providência divina manifesta-se diariamente na manutenção da criação “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3). É dele o ar que respiramos e está na sua mão a nossa vida (Dn 5.23).
 
5. Deus deseja ser conhecido.
O propósito divino sempre foi conduzir a humanidade ao verdadeiro conhecimento dEle (Os 6.3; Mq 4.2; Jo 17.3). Paulo ensina que Deus “não está longe de cada um de nós” (At 17.27). O Deus desconhecido tornou-se plenamente conhecido mediante a encarnação do Filho (Jo 1.18; Hb 1.1). A revelação máxima de Deus ocorre em Jesus Cristo (Jo 14.9).


IV. A CHAMADA DIVINA AO ARREPENDIMENTO
1. A responsabilidade diante do conhecimento da verdade. 
Depois de apresentar quem Deus é, Paulo conduz seus ouvintes à responsabilidade pessoal diante da verdade. O apóstolo declara: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam” (At 17.30). A ignorância espiritual não constitui justificativa permanente diante da revelação divina (Rm 1.19,20). Deus não castigou os atenienes por essas idolatrias, como castigou Israel (Êx 32.28; Jz 2.11-14; 2Rs 17.9-20; 2Cr 36.14-21). Ele não foi severo com eles, mas benigno e bastante paciente por agirem na ignorância (1Tm 1.13; 2Pe 3.9).
 
2. A universalidade da mensagem de salvação e o juízo divino. 
A mensagem de Paulo deixou claro que o Evangelho não é restrito a uma cultura, etnia ou classe social, demonstrando assim a imparcialidade divina e a universalidade da mensagem da salvação (Mc 1.15; Jo 3.16; At 1.8; 1Tm 2.3,4; Tt 2.11). Assim como a salvação é oferecida a todos os homens, o juízo divino virá sobre todos os que negarem essa verdade: “porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que destinou” (At 17.31).
 
3. Os resultados da pregação. 
Ao ouvirem sobre a ressurreição, alguns zombaram e outros desejaram ouvir novamente (At 17.32). Mas houveram outros que creram, tais como: Dionísio, membro do Areópago, Dâmaris e outros (At 17.34). A semente cai em solo bom, mas também em solo pedregoso ou à beira do caminho ou ainda entre espinhos (Mc 4.3-8). A responsabilidade do pregador é semear; a resposta é com o ouvinte. O sucesso da evangelização não é medido apenas pelo número de conversões, mas pela fidelidade na proclamação da Palavra.


CONCLUSÃO
A visita de Paulo a Atenas e o seu discurso no Areópago demonstra que o Evangelho permanece suficiente para responder às maiores questões da humanidade. Cristo revelou o Deus verdadeiro, chamou todos ao arrependimento e confirmou Sua autoridade por meio da ressurreição. A Igreja continua sendo enviada para anunciar essa mensagem a todas as culturas, povos e níveis intelectuais. Assim, o Deus outrora desconhecido tornou-se plenamente conhecido por meio da pessoa e da obra redentora de Jesus Cristo.
 
 


REFERÊNCIAS
Ø  BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman – Vol. 10. CBB.
Ø  CHAMPLIN, Russell N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Vol 3. Candeia.
Ø  EARLE, Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7, CPAD.
Ø  GABY, Wagner. A Igreja dos GentiosDa Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1. CPAD.
Ø  PEARLMAN, Myer. AtosE a Igreja se Fez Missões. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Novo Testamento – Vol. 2. Geográfica Editora.  
 

Por Rede Brasil de Comunicação.