At
13.1-12
INTRODUÇÃO
Neste
trimestre, estudaremos sobre A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à
Consolidação do Evangelho entre os Povos, onde teremos a oportunidade de
estudar a expansão do Evangelho, tomando por base os capítulos 13 a 28 do livro
dos Atos dos Apóstolos, principalmente o ministério do apóstolo Paulo, entre os
gentios. Nesta primeira lição, definiremos o termo “chamado” e “gentios”;
veremos o modelo missionário da igreja de Antioquia; e, finalmente, citaremos o
Espírito Santo como principal agente da obra missionária.
I. DEFINIÇÕES
1.
Definição do termo chamado.
“O
convite feito aos pecadores para o estado de graça, por meio da pregação do
evangelho. Essa chamada harmoniza-se com o propósito divino no tocante a cada
pessoa (Rm 8.28; 2Tim 1.9). Isso conduz os homens à mais elevada glória e
felicidade (Fl 3.14), mas essa chamada não é atendida por muitos dos sábios e
poderosos (1Co 1.26,27). Trata-se de uma chamada santa e gloriosa (2Pe 1.3). É
uma chamada celestial (Hb 3.1). É uma chamada determinada e mantida pela
vontade divina (Rm 8.29). É universal (Jo 3.16; Ap 22.7; 1Tm 2.4). Tem
resultados universais (Jo 12.32; Ef 1.10), nos que se salvam ou nos que se
perdem (2Co 2.14,15).” (Champlin, 2014, p. 710, vol. 1).
2.
Definição do termo gentios.
Segundo
Andrade, (2019, p. 200), o termo “gentios vem do hebraico goy e
do latim genetivus. É todo aquele nascido fora da comunidade de
Israel, e estranho às alianças que o Senhor Deus estabeleceu com o seu povo no
Antigo Testamento (Ef 2.11, 12). Τοdavia, quando o gentio recebe a Cristo,
torna-se imediatamente herdeiro dos mesmos privilégios que o israelita piedoso
desfruta em Deus (Rm 2.29)”. De forma simples, podemos afirmar que os gentios
são povos que não são da descendência de Abraão, Isaque e Jacó (Sl 2.1; 117.1;
Mt 12.21; At 13.47).
3.
Judeus e gentios.
A
Bíblia nos mostra claramente que o desejo de Deus sempre foi alcançar todas as
nações, e não apenas Israel. Ao chamar Abraão, Ele disse: “... em ti
serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Os salmos
convidam todos os povos a louvar ao Senhor (Sl 67.1-4; 100.1), e os profetas
anunciaram que os gentios seriam chamados à salvação (Is 49.6; Jr 16.19). No
Novo Testamento, Jesus confirmou esse plano universal ao declarar que Deus amou
o mundo [judeus e gentios] (Jo 3.16). Antes de ascender aos céus,
ordenou que seus discípulos pregassem o evangelho a todas as nações (Mt
28.19-20), a toda criatura (Mc 16.15) e até os confins da terra (At 1.8).
Assim, o chamado à salvação para os gentios, não se deu por causa da
incredulidade do povo judeu, mas, através de um plano de salvação que já estava
predito nas Sagradas Escrituras (Is 60.3; Rm 1.16; Ef 2.14; 3.6).
II. O MODELO DE MISSÕES DA IGREJA DE
ANTIOQUIA
“Antioquia
da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal
da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no
mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). [...] Paulo saiu de Antioquia
para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23).
Essa cidade tornou-se como o quartel-general das viagens missionárias de Paulo
e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho”
(Gaby, 2026, p. 6). Vejamos o exemplo missionário dessa igreja, que se tornou
no modelo para todas as demais:
1.
Barnabé e Paulo serviam na Igreja Local (At 13.2).
Quando
Barnabé foi enviado pelos apóstolos à igreja que estava em Antioquia, ele
partiu para Tarso, para buscar Saulo, e durante um ano inteiro eles estiveram
naquela igreja e ensinaram aqueles novos conversos (At 11.22-24). Em Atos 13.2
o médico Lucas diz que eles estavam servindo ao Senhor e jejuando, juntamente
com outros profetas e doutores. Isso nos ensina que a igreja local é o melhor
centro de treinamento missionário. Nem todos os missionários transculturais
tiveram a oportunidade de fazer um curso de teologia ou missiologia, mas,
todos, sem exceção, tiveram um período de treinamento em sua igreja local.
“Deus designou os dois melhores homens da Igreja de Antioquia para que
desempenhassem a nobre tarefa de missão transcultural. “para a obra a que
os tenho chamado” (At 13.2). Essa mensagem provavelmente foi a
confirmação de uma vocação a uma obra a qual o Espírito Santo já os tinha
chamado, pois Antioquia tinha sido uma escola missionária para eles (At
11.22-26)” (Gaby, 2023, p. 128).
2.
Barnabé e Paulo foram separados pelo Espírito Santo para a obra missionária (At
13.2).
“Paulo
e Barnabé foram chamados à obra missionária e enviados pela igreja de
Antioquia. As características dessa obra estão descritas em (At 9.15; 13.5;
22.14,15,21 e 26.16-18). Paulo e Barnabé foram chamados para pregar o evangelho
e conduzir homens e mulheres à salvação em Cristo. [...] O alvo dos
missionários era conduzir pessoas a Cristo (At 16.31; 20.21), livrá-las do
poder de Satanás (At 26.18), levá-las a receber o Espírito Santo (At 19.6) e
organizá-las em igrejas. Nesses novos cristãos, o Espírito Santo veio habitar e
manifestar-se através do amor; Ele deu dons espirituais (1 Co 12-14) e
transformou esses fiéis de tal maneira que suas vidas glorificavam ao seu
Salvador. Os missionários do evangelho de hoje devem ter a mesma atividade
prioritária: ser ministros e testemunhas do evangelho, que levem outros a
Cristo, livrando-os do domínio de Satanás (At 26.18), fazendo-os discípulos,
motivando-os a receber o Espírito Santo e os seus dons (At 2.38; 8.17) e
ensinando-os a observar tudo quanto Cristo ordenou (Mt 28.19,20)” (Stamps,
1995, p. 1659).
3.
Barnabé e Paulo tiveram a chamada reconhecida pela Igreja (At 14.26; Gl 2.9).
A
igreja confirmou seu chamado e os enviou para o campo missionário. Faz parte do
ministério do Espírito Santo, trabalhando por meio da igreja local, preparar e
chamar cristãos para ir a outras partes e servir. “A igreja solene e
oficialmente reconheceu a vocação missionária dos irmãos. Deus opera juntamente
com sua igreja. Ela deve reconhecer publicamente a vocação para o ministério
recebida da parte de Deus. [...] Observe a combinação: “... os despediram” e “...
enviados pelo Espírito Santo”. Ver também Atos 15.28, que demostra como a
igreja deve trabalhar em harmonia com o Espírito Santo” (Pearlman, 1995, p.
145).
4.
Barnabé e Paulo foram enviados pela Igreja em Antioquia (At 13.3).
A
despedida dos missionários foi precedida por mais uma sessão de oração e jejum,
tratando-se de um período de intercessão em prol da obra. Depois, os
missionários receberam a imposição das mãos, o que segundo Champlin (2002, p.
258 - acréscimo nosso) era um método usado para a consagração de pessoas
às funções oficiais da igreja cristã, desde os tempos primitivos como uma forma
de aprovação e reconhecimento de alguém para uma tarefa específica (1Tm 4.14;
2Tm 1.6), como também pode indicar um ato de benção, de concordância, de
identificação com eles para o trabalho (At 6.6), enfatizando o compromisso da
igreja na comissão dos missionários, os recomendando à graça de Deus (At
14.26).
5.
Barnabé e Paulo prestavam relatório a Igreja de Antioquia (At 14.24-28).
Os
missionários haviam passado em vários lugares estratégicos, enfrentando muitos
desafios, porém, cumpriam com êxito a obra que lhes fora confiado. Ao
regressarem, prestam contas das atividades realizadas, do sucesso da obra
missionária. “Ao fim de cada uma das viagens missionárias, Paulo e a sua equipe
prestavam contas à igreja que os havia recomendado. O modelo de missionários
“independentes”, que respondem “somente ao Senhor”, não é bíblico. Nem o
apóstolo Paulo deixava de relatar o que estava fazendo à sua igreja de origem
(14.27,28)” (Gaby, 2023, p. 132). A igreja estava reunida para ouvir as
notícias desse primeiro avanço missionário. Paulo e Barnabé relatam
cuidadosamente não o que fizeram por Deus, mas o que Deus fez com eles e por
eles (At 14.27,28;). Não há trabalho missionário desconectado da igreja local
(At 16.4). Eles se abastecem na comunhão da igreja e, também, encorajam a
igreja a estar ainda mais comprometida com a obra missionária.
III. O ESPÍRITO SANTO E A OBRA
MISSIONÁRIA
No
livro de Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é o grande agente da obra
missionária. Ele capacita, dirige, envia, orienta e fortalece os servos de Deus
na expansão do evangelho. “O Espírito Santo é visto como o protagonista e a
força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar,
capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina,
além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos.
O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para
capacitar os seus discípulos como testemunhas, promessa que se cumpriu
plenamente com a descida do Espírito Santo” (Gaby, 2026, p. 10). Vejamos
algumas das muitas atuações do Espírito Santo na obra missionária:
- Capacita os discípulos para testemunhar (At 1.8).
- Reveste a Igreja de poder para a evangelização (At 2.1-4).
- Concede ousadia na pregação da Palavra (At 4.31).
- Confirma o testemunho cristão por meio de sinais e maravilhas (At 2.43; 5.12).
- Dirige a escolha de líderes para o serviço cristão (At 6.3,5).
- Impulsiona os pregadores a anunciarem Cristo (At 8.29).
- Derruba barreiras étnicas e culturais para a expansão do evangelho (At 10.44-48; 11.15-18).
- Chama obreiros para a obra missionária (At 13.2).
- Envia missionários ao campo de trabalho (At 13.4).
- Concede poder para enfrentar a oposição espiritual (At 13.9-12).
- Dirige os caminhos da missão, impedindo ou autorizando determinados percursos (At 16.6-10).
- Constitui líderes espirituais para cuidar da Igreja (At 20.28).
- Consola e fortalece a Igreja em meio às perseguições (At 9.31).
- Promove a unidade entre judeus e gentios na Igreja (At 15.28).
- Concede alegria aos discípulos mesmo em meio às dificuldades (At 13.52).
CONCLUSÃO
Como
pudemos ver, o plano de salvação estabelecido por Deus abrange todos os seres
humanos, e não apenas o povo judeu. Assim, os gentios também são chamados à
salvação, através da fé em Cristo Jesus. E, para cumprir a tarefa da
evangelização transcultural, Deus escolheu a igreja de Antioquia, que se
tornou, não apenas a primeira igreja missionária, mas, também, o modelo para as
demais. E, nesta igreja, o Espírito Santo falou, separando a Paulo e a Barnabé
para esta grande obra. Podemos afirmar que Ele continua chamando, vocacionando
e capacitando Seus servos para evangelização mundial.
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário
Teológico. CPAD.
Ø CHAMPLIM, Norman. Enciclopédia
de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø GABY, Wagner. A Igreja dos
Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos.
CPAD.
Ø GABY, Wagner. Até os confins da
Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.
Ø PEARLMAN, Myer. Atos: E a
Igreja Fez Missões. CPAD.
Ø PEREIRA, Shostenes. Fundamentação
Bíblica para a Evangelização. BEREIA.
Ø STAMPS, Donald. Bíblia de
Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

