At
13.44-52
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos que a missão transcultural não teve origem na iniciativa
humana, mas na própria natureza de Deus. Veremos que o Senhor sempre desejou
alcançar todas as nações e, para isso, levantou Israel e, posteriormente, a
Igreja como instrumentos de sua missão redentora. Acompanharemos também a
primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, observando como o Evangelho
começou a se expandir entre os gentios.I. A MISSÃO TRANSCULTURAL TEM SUA
ORIGEM NA NATUREZA DE DEUS
As
missões transculturais não surgiram como uma estratégia humana nem apenas como
uma necessidade da Igreja. Sua origem encontra-se na própria natureza de Deus.
Desde Gênesis até Apocalipse, as Sagradas Escrituras revelam um Deus
missionário que ama toda a humanidade, desenvolve um plano de redenção e chama
seu povo para participar da expansão do seu Reino entre todas as nações (Gn
3.15; Gn 12.3; Is 45.22; Mt 28.19; Ap 7.9). Assim, compreender a natureza
divina é compreender também a origem da obra missionária.
1.
Deus é o primeiro missionário.
Desde
a queda do homem, Deus tomou a iniciativa de buscar o pecador (Gn 3.15; Lc
19.10; 2Co 5.19). Toda a missão nasce em Seu coração redentor. A Igreja não
criou as missões; ela foi chamada para participar da missão de Deus (Missio
Dei). Assim como o Pai enviou o Filho ao mundo, Cristo enviou Sua Igreja para
anunciar a salvação entre todas as nações. As missões transculturais têm sua
origem na essência do próprio Deus. Antes de existir um missionário, já existia
um Deus que envia, busca, salva e reconcilia. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16,17;
Gl 4.4), o Filho enviou o Espírito Santo (Jo 14.16,17; 15.26), e o Espírito
envia a Igreja (At 13.2-4). A missão pertence primeiramente ao Senhor e somente
depois à Igreja (2Co 5.18-20; Ef 1.9-10).
2.
O amor de Deus alcança todos os povos.
Desde
Abraão, Deus revelou Seu propósito de abençoar todas as famílias da terra (Gn
12.3; Jo 3.16; Ap 5.9). O plano da redenção nunca esteve restrito a Israel. O
sacrifício de Cristo confirma esse propósito ao reunir um povo formado por
todas as tribos, línguas, povos e nações. A natureza divina é imutável (Ml 3.6;
Tg 1.17). O Deus transcendente (Is 57.15) também é imanente (Sl 139.7-10; At
17.27,28): governa o universo e, ao mesmo tempo, aproxima-se do ser humano para
reconciliá-lo consigo (2Co 5.19). Seu propósito missionário permanece
inalterado em todas as gerações (Hb 13.8; Ef 3.10,11). A missão nasce no
coração de Deus e revela seu desejo eterno de reconciliar consigo toda a
humanidade (Cl 1.19,20).
II. CHIPRE: O EVANGELHO ULTRAPASSA AS
PRIMEIRAS FRONTEIRAS
A
primeira viagem missionária demonstra, na prática, o propósito de Deus de levar
o Evangelho além das fronteiras de Israel. Em Chipre, Paulo e Barnabé iniciaram
a evangelização dos gentios, enfrentando oposição espiritual e testemunhando o
poder transformador da Palavra de Deus.
1.
A primeira etapa da viagem missionária (At
13.4,5).
Enviados
pelo Espírito Santo e recomendados pela igreja de Antioquia, Paulo e Barnabé
chegaram à ilha de Chipre. Nas sinagogas anunciaram primeiramente aos judeus
que Jesus era o Messias prometido, demonstrando que a evangelização deveria
alcançar tanto judeus quanto gentios.
2.
A oposição espiritual não impede a missão (At 13.6-11).
Durante o ministério em Chipre, Elimas, o
mágico, tentou impedir a conversão do procônsul Sérgio Paulo. Cheio do Espírito
Santo, Paulo repreendeu o falso profeta, demonstrando que Deus concede
autoridade espiritual para vencer toda oposição ao Evangelho.
3.
O Evangelho alcança as autoridades (At
13.12).
Ao
testemunhar o poder de Deus, Sérgio Paulo creu no Senhor. Esse episódio
demonstra que a mensagem do Evangelho alcança pessoas de todas as posições
sociais, confirmando seu caráter universal.
III.
ANTIOQUIA DA PISÍDIA, ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A EXPANSÃO ENTRE OS GENTIOS
Prosseguindo sua jornada, Paulo e Barnabé anunciaram o
Evangelho em importantes cidades da Ásia Menor. Apesar da rejeição, perseguição
e sofrimento, muitos receberam a mensagem de Cristo, evidenciando que nenhuma
oposição pode impedir o avanço da obra missionária.
1. Antioquia da Pisídia: quando os
gentios recebem a Palavra (At
13.44-49).
Após a rejeição de muitos judeus, Paulo declarou que o
Evangelho seria anunciado aos gentios, cumprindo a profecia de Isaías de que
Cristo seria luz para as nações. A cidade tornou-se um marco da expansão
missionária.
2. Icônio: perseverança em meio à
oposição (At
14.1-7).
Em Icônio muitos creram, porém também surgiu forte
perseguição. Mesmo enfrentando ameaças, os missionários permaneceram anunciando
a Palavra, confirmando-a com sinais e maravilhas. A missão exige perseverança
diante das adversidades.
3. Listra e Derbe: discípulos são
formados (At
14.8-23).
Em Listra, Deus operou um grande milagre, mas logo
Paulo sofreu apedrejamento. Mesmo assim, levantou-se e continuou pregando. Em
Derbe muitos discípulos foram feitos, e posteriormente Paulo retornou às
igrejas para fortalecer os novos convertidos, mostrando que a missão envolve
evangelizar, discipular e estabelecer igrejas locais.
IV.
A VISÃO BÍBLICA DA MISSÃO TRANSCULTURAL
Toda a Escritura revela um Deus que toma a iniciativa
de buscar o homem perdido (Gn 3.9). Desde Gênesis até Apocalipse, a missão é
apresentada como a manifestação do amor divino pela humanidade (Sl 96.1-3; Mt
24.14; Ap 5.9). A Igreja não criou as missões; ela foi inserida pelo próprio
Deus em seu projeto eterno de redenção. Portanto, evangelizar é participar da
“Missio Dei” [Missão de Deus], isto é, da missão do próprio Deus no mundo.
1. Deus sempre desejou alcançar
todas as nações.
Desde Gênesis, Deus demonstra interesse por todos os
povos (Gn 12.3). A promessa feita a Abraão tinha alcance universal (Gn 18.18;
22.18). O Deus da Bíblia nunca foi um Deus nacionalista, mas missionário (Is
42.6; 49.6; Jn 4.2; Sl 67.1-7; Mt 24.14). O propósito divino sempre alcançou
todas as etnias da terra (Ap 7.9).
2. Israel foi escolhido para
cumprir uma missão.
Israel
foi escolhido para servir de instrumento da revelação divina às nações (Êx
19.5,6; Is 43.10-12). Contudo, ao confundir eleição com exclusivismo (Jn 4.1-3;
Mt 23.15), perdeu grande parte de sua visão missionária. Ainda assim, Deus
permaneceu fiel ao seu plano redentor (Rm 3.1-4; 11.11-15; Gl 3.8).
3. A Igreja recebeu a continuidade
da missão.
Com Cristo, a responsabilidade missionária alcança sua
plenitude na Igreja (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.46-49; Jo 20.21; At 1.8). A
Igreja tornou-se a agência missionária estabelecida por Deus para anunciar o
Evangelho entre todos os povos (Ef 3.8-11). Capacitada pelo Espírito Santo (At
13.1-4; 16.6-10), deve ultrapassar fronteiras geográficas, culturais,
linguísticas e religiosas até que todas as nações ouçam a mensagem da salvação
(Rm 10.13-15).
V.
A MISSÃO CONTINUA ATRAVÉS DA IGREJA
A obra missionária não termina com a evangelização de
um povo ou cidade. O trabalho da Igreja também envolve fortalecer os novos
convertidos, organizar as igrejas locais e permanecer comprometida com a
expansão do Reino de Deus. O exemplo de Paulo e Barnabé continua sendo um
modelo para a Igreja de todos os tempos.
1. As igrejas são fortalecidas.
Depois de anunciar o Evangelho, Paulo e Barnabé
voltaram às cidades visitadas fortalecendo os discípulos, exortando-os a
permanecer firmes na fé e estabelecendo presbíteros em cada igreja (At
14.21-23). O objetivo da missão não era apenas ganhar almas, mas consolidar
comunidades cristãs.
2. Os missionários prestam contas à
igreja enviadora.
Ao regressarem à Antioquia da Síria, reuniram a igreja
para relatar tudo quanto Deus havia realizado entre os gentios (At 14.26-28).
Esse modelo demonstra que o trabalho missionário deve manter vínculo permanente
com a igreja local.
3. O propósito missionário
permanece até hoje.
A primeira viagem missionária tornou-se modelo para
todas as gerações (Mt 24.14; Ap 7.9; Rm 10.13-15). O mesmo Deus que enviou
Paulo e Barnabé continua chamando, capacitando e enviando Sua Igreja para
anunciar o Evangelho a todos os povos, até que Cristo venha.
VI.
A IGREJA COMO INSTRUMENTO DA MISSÃO DE DEUS
A missão que nasceu no coração de Deus e foi consumada
em Cristo continua sendo realizada por meio da Igreja. O Senhor não apenas
salva pessoas de todas as nações, mas também levanta um povo comprometido em
proclamar o Evangelho até os confins da terra. A Igreja é chamada a viver,
sustentar e expandir a obra missionária no poder do Espírito Santo.
1. A Igreja é enviada ao mundo.
Assim como o Pai enviou o Filho, Cristo enviou sua
Igreja (Jo 20.21). O chamado missionário é universal e alcança todos os
discípulos (Mt 5.13-16; Mt 28.19,20; Mc 16.15; At 1.8). Evangelizar não é uma
opção, mas uma responsabilidade confiada por Deus à Igreja (1Co 9.16; Rm
10.14,15).
2. O Espírito Santo capacita a
Igreja para cumprir sua missão.
Nenhuma missão pode ser realizada apenas pela
capacidade humana. O Espírito Santo concede poder para testemunhar (At 1.8),
dirige os missionários (At 13.2-4; 16.6-10), distribui dons espirituais (1Co
12.4-11), fortalece a Igreja nas perseguições (At 4.29-31) e confirma a Palavra
com sinais (Mc 16.20; Hb 2.3,4).
3. O alvo final das missões é a
glória de Deus entre todos os povos.
O propósito supremo da obra missionária não é apenas o
crescimento da Igreja, mas que Deus seja conhecido e glorificado por todas as
nações (Sl 67.1-7; Sl 96.1-3; Ml 1.11). A visão final da Bíblia mostra pessoas
de toda tribo, língua, povo e nação adorando ao Cordeiro (Ap 5.9,10; 7.9-10).
As missões transculturais caminham para esse glorioso cumprimento escatológico.
CONCLUSÃO
A primeira viagem missionária de
Paulo e Barnabé demonstra que as missões transculturais são a expressão prática
do propósito eterno de Deus. O Senhor enviou Seus servos a Chipre, Antioquia da
Pisídia, Icônio, Listra e Derbe para anunciar o Evangelho entre os gentios,
confirmando que Seu plano sempre foi alcançar todas as nações. Hoje, a Igreja
continua participando dessa mesma missão, proclamando Cristo até os confins da
terra, fortalecendo discípulos e estabelecendo igrejas para a glória de Deus.
REFERÊNCIAS
Ø GABY, Wagner. A Igreja dos
Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos.
CPAD.
Ø GABY, Wagner. Até os confins da
Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.
Ø PEARLMAN, Myer. Atos: E a
Igreja Fez Missões. CPAD.
Ø PEREIRA, Shostenes. Fundamentação
Bíblica para a Evangelização. BEREIA.
Ø STAMPS, Donald. Bíblia de
Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.
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