At 19.1-12
INTRODUÇÃO
Nesta lição,
estudaremos o texto que relata o discurso de despedida do apóstolo Paulo aos
anciãos em Éfeso. Veremos o apóstolo recordando sua conduta, seu serviço e os
sofrimentos enfrentados nesse local. Pontuaremos a fidelidade como uma marca
essencial do ministério de Paulo e, por fim, notaremos os vários alertas
deixados por ele à igreja.
I. O
APÓSTOLO PAULO SE DESPEDE DA IGREJA EM ÉFESO
Em Mileto, o apóstolo
Paulo se despede da igreja em Éfeso. Esse momento marca o encerramento de sua
terceira viagem missionária. A partir dali os acontecimentos seguintes em sua
vida o conduziriam à prisão em Roma. Antes disso, porém, Paulo relembra, junto
à igreja, sua conduta fiel, seu serviço humilde e os sofrimentos enfrentados ao
longo do ministério.
1. O
apóstolo Paulo se despede recordando sua conduta em Éfeso.
O apóstolo Paulo lembra
aos anciãos da igreja como se comportou entre eles: “[...] como em todo o tempo
me portei no meio de vós” (At 20.18). Com isso, ele demonstra que sua maneira
de viver não foi determinada pelas circunstâncias. Em Éfeso, Paulo foi usado
poderosamente por Deus (At 19.1112), mas não se exaltou por isso; também
enfrentou grandes lutas: “Se, como homem, combati em Éfeso contra as feras, que
me aproveita isso...?” (1Co 15.32) e, ainda assim, não desanimou nem se
entregou à lamentação. A conduta exemplar do cristão não depende das situações
que enfrenta. Por isso, em outro momento, o apóstolo dos gentios recomenda:
“[...] portai-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo [...]” (Fp 1.27).
Permanecer firme em todo o tempo exige uma vida de completa entrega a Deus (2Co
5.15; Gl 2.20; 1Ts 5.10; 1Pe 4.2).
2. O
apóstolo Paulo se despede recordando que serviu com humildade.
Uma das marcas do
ministério do apóstolo Paulo foi a humildade (1Co 15.9; 2Co 12.7,9; 1Tm 1.15),
e isso é trazido à memória dos anciãos em Éfeso. Em outro momento, escrevendo
aos efésios, ele afirma: “Embora eu seja o menor do menor de todos os santos, foi-me
dada esta graça de anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo.” (Ef
3.8). Servir com humildade é reconhecer que somos instrumentos nas mãos de Deus
e que tudo depende dele. Na carta de Paulo aos coríntios, o apóstolo diz:
“[...] nossa capacidade vem de Deus” (2Co 3.5). O texto bíblico acrescenta:
“[...] não eu, mas a graça de Deus comigo.” (1Co 15.10). Desse modo, a
humildade deve ser uma das marcas essenciais de quem é filho de Deus e trabalha
para Cristo (Pv 22.4; Mq 6.8; Mt 23.12; Rm 12.16; Fp 2.3; Tg 4.10).
3. O
apóstolo Paulo se despede recordando que serviu com lágrimas.
O apóstolo Paulo
recorda aos presbíteros em Éfeso o sofrimento vivenciado durante a obra
missionária. Nessa cidade, o apóstolo enfrentou feras (1Co 15.32), experimentou
rejeição e difamação na sinagoga: “[...] Mas, como alguns deles se endurecessem
e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão” (At 19.9), e
enfrentou a ira dos seguidores da deusa Diana (Ártemis): “[...] E eles, ouvindo
isto, encheram-se de ira, e clamaram, dizendo: Grande é a Diana dos efésios!”
(At 19.28,29). Além das lutas físicas, passou por batalhas emocionais extremas:
“[...] que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo
tal que até da vida desesperamos.” (2Co 1.8). Muitas foram as lágrimas do
apóstolo dos gentios. Porém, em todas essas situações, Deus lhe concedeu
vitória. A Palavra do Senhor garante recompensa àqueles que sofrem por amor a
Cristo (Mt 5.11,12; Rm 8.17; 2Tm 2.12; 1Pe 4.13-14; Ap 2.10).
II. O
APÓSTOLO PAULO SE DESPEDE RECORDANDO A FIDELIDADE AO SENHOR
No discurso de
despedida, Paulo torna notória uma das marcas distintivas de seu chamado e
ministério: a fidelidade à mensagem do Evangelho em meio aos sofrimentos
vivenciados durante sua estadia em Éfeso. Ele também revela sua fidelidade à
Igreja do Deus vivo. Essas características são imprescindíveis a todo aquele
que trabalha na obra do Senhor.
1.
Fidelidade à mensagem do Evangelho.
Na
reunião de despedida, o apóstolo Paulo tornou notória a sua fidelidade à
pregação do Evangelho: “porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de
Deus” (At 20.27). O pastor Wagner Gaby observa que Paulo enfatizou a pregação
de “todo o conselho de Deus” e a importância de os irmãos estarem cada vez mais
apegados a essa Palavra para a proteção e a edificação contínua da igreja. O
fundamento da prática de Paulo está relacionado a três regras distintas: (1)
ensino constante (At 20.20,21); (2) pregação integral (v. 27); e (3) zelo
doutrinário (Ap 2.1-7) (2026, p. 96). A pregação genuína da Palavra de Deus não
admite concessões ao pecado (2Pe 3.16-18). Ela é cristocêntrica (At 8.35; 1Co
1.23; 2.2; 2Co 4.5; Cl 1.28). O apóstolo mostra, em outro momento, que a
pregação deve ser fiel, sincera e consciente de que Deus observa o nosso
compromisso com a mensagem: “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores
da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade,
como de Deus na presença de Deus.” (2Co 2.17). Caso contrário, seremos culpados
pelo sangue daqueles que partiram sem Cristo (Ez 33.7-8; compare com At 20.26).2. Fidelidade
à mensagem em meio ao sofrimento.
Ao se dirigir aos
presbíteros de Éfeso, o apóstolo Paulo destacou que sua fidelidade à genuína
pregação da Palavra estava acima de todos os sofrimentos que havia enfrentado.
Ele estava disposto não apenas a sofrer, mas também a morrer por Cristo e por
sua mensagem: “[...] Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a
morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” (At 21.13). Outros textos
bíblicos também evidenciam essa vida de entrega e sacrifício por Cristo (At
21.13; 2Co 12.10; Fp 1.21). Donald C. Stamps ressalta a fidelidade de Paulo ao
afirmar: “A preocupação principal de Paulo não era preservar a sua própria
vida. [...] Para Paulo, a vida e o serviço para Cristo são representados como
uma carreira ou corrida que se deve correr com absoluta fidelidade ao seu
Senhor (At 13.25; 1Co 9.24; 2Tm 4.7; Hb 12.1)” (1995, p. 1676).
3. Fidelidade às igrejas.
Na fala de despedida, Paulo enfatiza que o Espírito Santo é quem constitui os obreiros para apascentar a igreja de Cristo: “[…] o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a Igreja de Deus” (At 20.28). Visto que essa designação vem do próprio Deus, torna-se evidente o compromisso que temos de ser fiéis à Igreja de Deus: fiéis à liderança (1Tm 5.17; 1Ts 5.12-13; Hb 13.7,17) e a uma vida irrepreensível (1Tm 3.2,10; Tt 1.6-7; Fp 1.27), a fim de não causarmos escândalos nem permitirmos que o caminho do Senhor seja blasfemado (2Co 6.3; 1Ts 4.11-12). Essa fidelidade nos constrange a zelar cada vez mais pela igreja de Cristo. O apóstolo revelou essa preocupação aos irmãos em Corinto: “Além das coisas exteriores, ainda pesa sobre mim diariamente a preocupação com todas as igrejas.” (2Co 11.28 - NAA). Esse zelo deve ser natural em todo aquele que aceitou a Cristo e tem uma nova natureza gerada pela Palavra do Senhor.
III. O APÓSTOLO
PAULO SE DESPEDE ALERTANDO SOBRE O PERIGO DOS FALSOS MESTRES
Depois de falar sobre sua
fidelidade a Deus e à Igreja de Cristo, o apóstolo revela sua preocupação com
os falsos mestres que se introduziriam na igreja. Os males promovidos por tais
hereges têm consequências que podem comprometer a salvação da alma humana em
Cristo. Por isso, Paulo alerta os anciãos em Éfeso e lhes apresenta sérias
recomendações.
1. O apóstolo pede
alerta sobre os falsos mestres.
O alerta sobre os falsos mestres
decorre de suas características perversas. O apóstolo evidencia isso em várias
de suas epístolas. Eles trazem ensinos distorcidos das Escrituras Sagradas:
“[...] que mais produzem questões do que edificação de Deus [...]” (1Tm 1.3-4);
são gananciosos: “[...] ensinando o que não convém, por torpe ganância” (Tt
1.11); são soberbos e amam a contenda: “[...] é soberbo e nada sabe, mas delira
acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias,
blasfêmias, ruins suspeitas” (1Tm 6.3-4); enganam e são dissimulados por
natureza: “[...] Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos,
transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13-15); e vivem uma falsa
piedade: “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes
afasta-te” (2Tm 3.5).
2. O apóstolo
Paulo afirma que os falsos mestres entrarão na Igreja.
O alerta do apóstolo foi profético,
pois mostrava que a igreja sofreria ataques de falsos obreiros: alguns
entrariam na Igreja, enquanto outros surgiriam dentro do próprio rebanho: “E
que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para
atraírem os discípulos após si” (At 20.30). Eles são descritos como “lobos”,
termo comum para hereges (Mt 7.15; 10.16; Jo 10.12). Como “lobos cruéis”,
buscariam destruir o rebanho. Viriam não só de fora (At 20.29), mas também de
dentro da própria Igreja (At 20.30), introduzindo nela doutrinas perigosas. O
propósito seria perverter a verdade e afastar os crentes do rebanho,
atraindo-os para o seu próprio grupo. As atividades dessas pessoas seriam uma
ameaça mortal à vida do rebanho de Deus (Stronstad, Arrington, 2004, p. 750).
Por isso, antes de sua partida, o apóstolo alerta os anciãos sobre os falsos
mestres. A forma de prevenir o rebanho é preservar o ensino correto da Palavra
de Deus e combater os hereges.
3. O apóstolo pede
vigilância constante contra os falsos mestres.
Paulo usa o termo grego “prosecho”,
que significa: assistir a si mesmo, dar atenção a si mesmo. Em nossas versões,
aparece como: “olhai”, “atendei” e “cuidai de vós mesmos”. O que Paulo comunica
aos anciãos de Éfeso é: prestem atenção em si mesmos e no rebanho que Deus lhes
confiou. Sobre isso, o Comentário Bíblico Africano traz a seguinte análise: A
principal instrução para eles é: Atendei (20.28a). Não se trata de uma simples
expressão idiomática, como quando dizemos: “Até logo. Cuidem-se!”. Antes, é uma
instrução para permanecerem sempre alertas ao perigo e ao erro e, quando estes
surgirem, tomarem as devidas providências. Deveriam primeiramente cuidar de si
mesmos. Os líderes da igreja devem ser irrepreensíveis (1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9),
pois o Maligno muitas vezes ataca os cristãos ao difamar seus líderes. Deveriam
certificar-se de que o inimigo não tivesse motivo para acusálos (2016, p.
3772). Por fim, segue a recomendação paulina: “Tem cuidado de ti mesmo e da
doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a
ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16).
CONCLUSÃO
Paulo, ao se despedir dos anciãos
de Éfeso, alerta sobre o perigo dos falsos mestres, descrevendo-os como
enganadores, gananciosos, soberbos e de falsa piedade, comparando-os a “lobos”
que surgiriam tanto de fora quanto de dentro da própria Igreja com o intuito de
distorcer a verdade e arrastar discípulos para si. Por isso, o apóstolo exorta
os líderes à vigilância constante, pedindo que cuidem de si mesmos e sejam
irrepreensíveis, para não darem motivo de acusação aos inimigos. Assim, devem
preservar a sã doutrina como forma de proteger a igreja e garantir a salvação
própria e a dos que os ouvem.
REFERÊNCIAS
Ø ADEYEMO,
Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. Mundo Cristão.
Ø BÍBLIA
DE ESTUDO NAA. Barueri, SP; Sociedade Bíblica do
Brasil.
Ø GABY,
Wagner. A Igreja dos Gentios. CPAD.
Ø STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø STRONSTAD,
Roger, Arrington, French L. Comentário Bíblico Pentecostal: Novo
Testamento. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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