At 21.2728,30,31,33,39,40;
22.1-7
INTRODUÇÃO
Nesta lição,
estudaremos o capítulo 24 de Atos, que registra a ocasião em que o apóstolo
Paulo é acusado injustamente, e comparece perante o governador Félix para
depor. Nesse depoimento, Paulo aproveita a ocasião para falar de sua inocência,
e, aproveita a ocasião não apenas para se defender, mas também para pregar para
o governador. Neste esboço, definiremos os termos “esperança”, “inabalável” e
“poderosos”; citaremos alguns personagens importantes desse capítulo, tais
como: Tértulo e Félix; explicaremos as injustas acusações contra o apóstolo
Paulo; e, finalmente, como se deu a defesa de Paulo diante do governador Félix.
I. DEFINIÇÕES
1.
Definição do termo “esperança”.
O dicionarista Houaiss
(2001, p. 1228) define o termo “esperança” como “sentimento de quem vê como
possível a realização daquilo que deseja [...] aquilo ou aquele de que se
espera algo, em que se deposita a expectativa”. Já o Dicionário Teológico
define ‘esperança’ da seguinte maneira: “Do latim esperantia. Uma das virtudes
cardeais da fé cristã, através da qual o crente é motivado a crer no impossível
e a vislumbrar a intervenção divina nos momentos mais críticos da existência. É
a certeza de se receber as promessas feitas por Deus através de Cristo Jesus. A
esperança tem a fé por motivação; seu fundamento é o amor. A esperança jamais
fenece porque tem como aval a Palavra de Deus” (Andrade, 2019, p. 167).
2.
Definição do termo “inabalável”.
Este termo tem o
sentido de algo que não pode ser abalado, que é fixo, constante. Nesta lição, o
termo refere-se a esperança inabalável do apóstolo Paulo, que, mesmo diante das
injustas acusações na presença das autoridades, ele não temeu em defender a sua
fé. Diversas vezes o apóstolo demonstrou uma fé inabalável diante das
autoridades: 1) Em Jerusalém, diante do tribuno (At 21.37–22.21); 2) Em
Jerusalém, diante do sinédrio (At 22.30–23.10); 3) Em Cesareia, diante do
governador Félix e sua esposa Drusila (At 24.10-27); 4) Ainda em Cesareia,
diante do governador Festo (At 25.1-12); e, 5) também em Cesareia, perante o
rei Agripa (At 25.23–26.32).
3.
Definição do termo “poderosos”.
O termo “poderosos”
nesta lição tem o sentido de autoridades civis e religiosas. Diversas vezes o
apóstolo Paulo foi levado para depor diante das autoridades, mas, em nenhum
momento ele deixou de defender a sua fé. Vejamos: 1) Paulo não temia
autoridades, pois confiava na promessa de Cristo (Mt 10.18-20; Mc 13.9-11; Lc
12.11-12); 2) Paulo transformava tribunais em púlpitos, usando cada julgamento
como oportunidade para anunciar o evangelho (At 23.11; 24.10-21; 24.24-25;
25.8-11; 26.22-29; 28.23-31); 3) Paulo defendia a verdade com respeito e
coragem, sem agressividade nem concessões (At 23.1-5; 24.10-16; 26.2-3, 24-29);
4) Paulo mantinha o foco em Cristo e na ressurreição, em vez de apenas buscar
sua absolvição (At 23.6; 24.15, 21; 25.19; 26.6-8, 22-23); e 5) Paulo confiava
na soberania de Deus, entendendo que suas prisões e julgamentos faziam parte do
plano divino para levar o evangelho até Roma (At 23.11; 27.23-25; 28.30-31).
II. PERSONAGENS IMPORTANTES QUE APARECEM EM ATOS 24
Para uma melhor
compreensão do texto de Atos 24, citaremos alguns personagens importantes desse
capítulo.
1.
Tértulo.
“Tértulo era advogado
romano, levado a Cesaréia, para representar Ananias e os judeus pernte o
tribunal romano”. (Gaby, 2026, p. 113). “Tértulo provavelmente era cidadão
romano. Pelo menos parte de seu discurso diante de Félix está registrado em (At
24.2-8). Começou com declarações de respeito e bajulação concernentes ao
governador e depois declarou que Paulo era criador de problemas e tumultos
entre os judeus. Esse argumento destinava-se a forçar os romanos a tomar uma
atitude contra o apóstolo para preservar a paz no império” (Gardner, 2010, p.
295).
2.
Félix.
Félix, mencionado em
Atos 23–24, era o governador romano (procurador) da província da Judeia. Ele
governou aproximadamente entre 52 e 59 d.C., durante o reinado do imperador
Cláudio e parte do reinado de Nero. “O governador Félix era o procurador romano
da Judéia de 52 a 58 d.C. Chama nossa atenção Atos 23.23 a 24.27, pois foi
diante dele, em Cesaréia, que Paulo enfrentou seu primeiro julgamento, por
causa da fé cristã que o apóstolo defendia. Félix fora nomeado pelo imperador
Cláudio e mais tarde foi chamado a Roma por Nero” (Gardner, 2010, p. 234).
III. A INJUSTA ACUSAÇÃO CONTRA O APÓSTOLO PAULO
No capítulo 24 de Atos
apresenta o apóstolo Paulo diante de uma das situações mais desafiadoras do seu
ministério: comparecer perante autoridades políticas sob falsas acusações
religiosas. Vejamos as falsas acusações contra o apóstolo:
1.
Paulo foi chamado de “peste” (At 24.5a).
Tértulo, o advogado
contratado pelos judeus para acusar Paulo diante do governador Félix, procurou
apresentar Paulo como um homem perigoso para a ordem pública. Ao chamá-lo de
“peste”, queria dizer que Paulo era como eu uma praga ou uma pestilência. O
sentido é que Paulo era um elemento nocivo para a sociedade. Era uma estratégia
para convencer o governador Félix de que Paulo representava perigo ao governo
romano, pois Roma reprimia duramente qualquer movimento que pudesse provocar
rebeliões.
2.
Promotor de sedições entre os judeus (At 24.5b).
“A segunda
acusação era a de que Paulo era um promotor de sedições, alguém que insufla os
levantes entre todos os judeus, por todo o mundo, uma espécie de agitador
político; alguém que espalhava problemas por onde passava; e, consequentemente,
uma ameaça à paz do Império Romano. Era exatamente o oposto que o apóstolo
estava fazendo. Ao invés de agitar o povo e fazer com que o povo se revoltasse
contra o governo romano, que é o que implica esta falsa acusação - ele estava
ensinando que os cristãos deveriam se sujeitar à autoridade governamental (cf.
Rm 13.1-7)” (Earle; Mayfield, 2006, vol. 7, p. 390, acréscimo nosso).
3.
Principal defensor da seita dos nazarenos (At 24.5c).
“A terceira acusação
era a de que Paulo era o principal defensor da seita dos nazarenos. A palavra
para ‘principal defensor’, tem o sentido de ‘alguém que está na linha de
frente’ e tem o sentido de ‘líder’. Quanto ao termo ‘seita’ é usada para se
referir aos fariseus (At 15.5) e aos saduceus (At 5.17). Os judeus consideravam
que o cristianismo era apenas uma outra ‘seita’ dentro do judaísmo, porém uma
seita perigosa” (Earle; Mayfield, 2006, vol. 7, p. 390, acréscimo nosso).
4.
Intentou profanar o templo (At 24.6a).
“A quarta acusação era
que Paulo havia intentado profanar o templo. É interessante observar que os
judeus não o acusaram de realmente ter feito isto, mas de tentar fazê-lo.
Anteriormente, os judeus da província da Ásia tinham acusado o apóstolo de ter
trazido ao Templo um gentio de Éfeso, chamado Trófimo (At 21.28-29). Mas esta
falsa acusação se baseava no raciocínio ridículo de que, como eles tinham visto
Trófimo com Paulo em uma das ruas da cidade, e como agora viam Paulo no Templo,
consequentemente ele deveria ter trazido este gentio para dentro do recinto
sagrado” (Earle; Mayfield, 2006, vol. 7, p. 390, acréscimo nosso).
IV. A DEFESA DO APÓSTOLO PAULO
Podemos perceber na
defesa do apóstolo Paulo o cumprimento da promessa de Cristo: “Quando levarem
vocês às sinagogas e diante dos governantes e das autoridades, não se preocupem
sobre como ou o que responder, nem sobre o que dizer, porque o Espírito Santo
ensinará, naquela mesma hora, as coisas que vocês devem dizer” (Lc 12.11,12).
Vejamos como se deu a defesa de Paulo:
1.
Paulo defende a sua integridade.
Em sua defesa perante o
governador Félix, Paulo diz: “Pois bem podes saber que não há mais de doze dias
que subi a Jerusalém a adorar; e não me acharam no templo falando com alguém,
nem amotinando o povo nas sinagogas, nem na cidade; nem tampouco podem provar
as coisas de que agora me acusam.” (At 24.11-13). “A integridade fala mais alto
do que qualquer acusação. A vida de Paulo dependia da m aneira como ele
responderia a uma denúncia, cuja causa não lhe fora avisada com antecedência.
Ele teve de responder sem uma testemunha sequer que sustentasse as suas
afirmações. Ananias tinha o seu advogado Tértulo; Paulo também tinha o seu
advogado, o Espírito Santo, em que confiava (ver Mc 13.11; Lc 21.15; Jo 14.16)
(Gaby, 2026, p. 118). Paulo defende-se, afirmando que foi a Jerusalém para
adorar a Deus (v. 11) e que ninguém o encontrou fazendo motim no templo nem na
sinagoga (v. 12) e que ninguém poderia provar nada daquilo que ele era acusado
(v. 13).
2.
Paulo confessa que serve a Deus e que acredita na Lei e nos Profetas.
Em sua defesa, ele
afirma: “Mas confesso-te que, conforme aquele Caminho, a que chamam seita,
assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na Lei e
nos Profetas” (At 24.14). “A fé que Paulo tinha nas Sagradas Escrituras como
sendo inerrantes, infalíveis e fidedignas em todas as coisas, contrasta
fortemente com muitos ensinadores religiosos destes últimos dias, que dizem
crer em apenas algumas coisas escritas na Lei e nos Profetas. Aqueles que têm o
espírito e a mente de Cristo (Mt 5.18) e dos apóstolos (v. 14; ver ainda 2Tm
3.16), crerão em tudo quanto está escrito na Palavra de Deus. Aqueles que não
têm as condições acima, não concordarão com essas palavras do grande apóstolo”
(Stamps, 1995, p. 1684).
3.
Paulo prega sobre a ressurreição.
O apóstolo não apenas
se defende das acusações, como também aproveita a oportunidade para pregar
acerca dar ressurreição dos mortos: “Tendo esperança em Deus, como estes mesmos
também esperam, de que há de haver ressurreição de mortos, tanto dos justos como
dos injustos” (At 24.15). A doutrina da ressurreição, conforme expressa em Atos
24.15, é a crença fundamental de que haverá uma ressurreição geral dos mortos,
tanto dos justos (salvos) quanto dos injustos (não salvos). Essa esperança é
central para a fé cristã e baseia-se na ressurreição de Jesus Cristo. [...] Em
suma, em Atos 24.15, Paulo defende a sua fé perante as autoridades romanas,
afirmando a sua crença na ressurreição como uma verdade que se harmoniza com a
Lei e os Profetas do Antigo Testamento e que é a base da sua esperança em Deus.
Ao afirmar a sua fé na ressurreição, ele revela que a sua vida é governada por
convicções eternas. Ele sabia que a ressurreição era a verdade que sustentava a
sua missão e a mensagem da Igreja” (Gaby, 2026, p. 119).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, o
capítulo 24 do livro de Atos nos ensina que a fé inabalável do apóstolo Paulo
fez com que ele não temesse diante das falsas acusações operante as autoridades
e aproveitasse a oportunidade não apenas para defender a sua integridade, mas,
acima de tudo a sua fé. Semelhantemente, o cristão deve permanecer firme na fé,
mesmo diante de perseguições e injustiças. Assim como Paulo, somos chamados a
viver uma fé inabalável diante das pressões desse mundo injusto e cruel.
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à
Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø EARLE, Ralph; MAYFIELD, Joseph H. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Ø GARDNER, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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