Jo
3.1-8
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos sobre a doutrina da regeneração; pontuaremos sobre a
necessidade da regeneração espiritual na vida do ser humano; veremos sobre a
operação do Espírito Santo como agente da regeneração; e por fim, destacaremos
algumas evidências e implicações da regeneração.
I. REGENERAÇÃO
1.
Definição.
De
acordo com Geisler (2010, pg. 199), “a palavra grega para se referir a
regeneração é paliggenesia, que significa “regeneração,”
“renascimento,” ou “renovação espiritual.” Paliggenesia é
utilizada duas vezes no Novo Testamento (Mt 19.28 — com referência a renovação
messiânica e em Tito 3.5 — para se referir a salvação). Em Tito ela fala da
transmissão da vida espiritual a alma: “[Deus nos salvou] não pelas obras
de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos
salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”.
A regeneração é transmissão da vida espiritual, por parte de Deus, as almas
daqueles que estavam “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1) e que foram
“salvos” — trazidos novamente a vida — por Deus “pela fé” em Jesus Cristo (Ef
2.8)”.
2. Regeneração na Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
A
Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que a “regeneração é a
transformação do pecador numa nova criatura pelo poder de Deus, como resultado
do sacrifício de Jesus na cruz do Calvário (2Co 5.17-19). Essa obra é também
conhecida como novo nascimento, ou nascer de novo (Jo 3.3) e nascer do Espírito
(Jo 3.5,6). Trata-se de uma operação do Espírito Santo na salvação do pecador
(Tt 3.5-7)” (Soares [Org.], 2017, p. 112).
II. A NECESSIDADE DA REGENERAÇÃO
ESPIRITUAL
1.
A insuficiência da religião.
Nicodemos
era fariseu e príncipe dos judeus (Jo 3.1), tido como mestre (Jo 3.10), um
homem profundamente religioso, mas espiritualmente necessitado (Jo 3.2). Para
Beacon (2006, p. 48), “se algum homem, na ordem antiga, conheceu o significado
de Deus e dos seus planos e propósitos para o homem, esse foi Nicodemos, ele
era profundamente entranhado na tradição monoteísta, além dos ensinos da lei,
da história de Israel e das proclamações dos profetas”. Isso demonstra que o
conhecimento teológico e posição religiosa não substituem o novo nascimento.
Jesus mostra que ninguém pode ver o Reino de Deus sem nascer de novo (Jo 3.3).
Isso confirma que a religião externa não produz vida espiritual (Is 29.13; Rm
10.1-4).
2.
O novo nascimento como exigência divina para a salvação.
“Nicodemos
foi ‘de noite’, um símbolo do homem não-salvo; este está “obscurecido”
espiritualmente (Ef 4.18; 2Co 4.3-6). O homem não se apronta para o céu apenas
ao ser religioso e ter moral; ele deve nascer de novo, isto é, nascer do alto”
(Wiersbe, 2008, p. 238). Jesus afirmou categoricamente: “Na verdade, na
verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”
(Jo 3.3). A regeneração é condição indispensável para a salvação (Tt 3.5).
3.
A incapacidade humana para gerar vida espiritual.
Por
mais dedicado e justo que o ser humano seja, ele não consegue gerar vida
espiritual. Na carta aos gálatas, o apóstolo Paulo disse: “Sabendo que o
homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos
também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé de Cristo e não
pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”
(Gl 2.16). O homem natural não pode produzir vida espiritual por si mesmo; a
regeneração é uma obra exclusiva de Deus (Ef 2.1-9).
III. A OPERAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA
REGENERAÇÃO
1.
O nascimento que “vem do alto”.
“...
aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”. Em João 3.3, Jesus estabelece uma verdade central para
a compreensão da vida espiritual: o novo nascimento. Baptista (2025, pp.
101,102) afirma que “a expressão “nascer de novo” une dois vocábulos gregos: o
verbo “gennáō” [gerar, dar origem] e o advérbio “anōthen”
[do alto, de cima]. O uso desse advérbio, especialmente em João, aponta
para uma origem celestial (Jo 3.31; Tg 1.17), indicando que o novo nascimento
não procede da vontade humana, nem da vontade da carne, mas de Deus (Jo 1.13)”.
2.
A falta de compreensão de Nicodemos.
As
perguntas de Nicodemos refletem mais do que simplesmente uma má interpretação
da declaração de Jesus, Nicodemos confundiu o espiritual com o físico (Jo 3.4).
De acordo com Wiersbe (2008, p. 238): “Nicodemos pensava em termos de nascimento
físico, e Cristo falava de nascimento espiritual. Todos
nós nascemos em pecado. Nosso “primeiro nascimento” nos fez
filhos de Adão (At 17.26; Rm 5.12; 1Co 15.22), e isso significa que somos
filhos da ira e da desobediência (Ef 2.1-3). Não há educação, religião ou
disciplina que possa mudar a natureza antiga; temos de receber uma nova
natureza de Deus (2Co 5.17; Ef 4.22-24; Cl 3.9,10), pois a justiça de Deus não
advém das obras da carne (Rm 10.3)”.
3.
A obra interior do Espírito Santo.
“Jesus
acrescenta a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da
água e do Espírito” (Jo 3.5). A construção gramatical do texto grego “ek
hýdōr kai pneûma” forma uma ideia unificada, indicando que “água” e
“Espírito” não são dois nascimentos distintos, mas aspectos
complementares de um mesmo ato regenerador. Essa metáfora da água é
recorrente nas Escrituras e aponta para limpeza e purificação do pecado (Ef
5.26; Hb 10.22). Água, sobretudo no Evangelho de João, é símbolo do Espírito
(Jo 7.37-39) [...]. O Espírito Santo é o agente que concede essa nova vida,
capacitando o homem a viver em comunhão com Deus (2Co 3.6). Aqui, água e
Espírito formam um par inseparável, purificação e vivificação, para descrever a
regeneração” (Baptista, 2025, pp. 106,107).
IV. EVIDÊNCIAS E IMPLICAÇÕES DA
REGENERAÇÃO
1.
Mudança interior.
A
regeneração produz transformação interior perceptível (Gl 2.20),
onde o regenerado passa a revestir-se do “novo homem”, criado
para ser semelhante a Deus em justiça e santidade (Ef 4.22-24). Quem nasce do
Espírito passa a amar o que antes rejeitava e rejeitar o que antes amava (Rm
8.7,8; Fp 3.7-9). O Espírito Santo implanta novos desejos e nova direção
espiritual (Gl 5.16,17). O Espírito gera nova vida com fruto espiritual (Gl
5.22) e o crente recebe a mente de Cristo (1Co 2.16).
2.
Nova identidade.
Segundo
Baptista (2025, pp. 107,108), Jesus ensinou que: “[...] quem nasce pela ação do
Espírito Santo recebe uma nova natureza espiritual (Jo 3.6) [...]. Não se trata
de uma mera reforma comportamental; mas de fato uma vida nova (Jo 3.5-8; Tt
3.5)”. O regenerado passa a ser chamado filho de Deus (Jo 1.12,13), redefinindo
a sua identidade (2Co 5.17), liberto da antiga condição espiritual de
condenação (Rm 8.1). Agora ele vive como cidadão do Reino (Ef 2.19; Fp 3.20).
3.
Sensibilidade às coisas espirituais.
O
crente regenerado passa a discernir as coisas de Deus (1Co 2.14,15), onde ele
recebe uma “unção” para entender as coisas de Deus (1Jo 2.20;27),
e “entendimento para conhecer o que é verdadeiro” (1Jo 5.20). O
Espírito desperta fome espiritual (Mt 5.6; Sl 42.1,2; 15.16;), amor pela
Palavra (Sl 119.97; Cl 3.16); e desejo de comunhão (2Co 13.13; Fp 2.1). Essa
sensibilidade é evidência clara da nova vida espiritual (Rm 6.4).
4.
Vida dirigida pelo Espírito.
Ao
experimentar o novo nascimento, o crente passa a viver sob uma nova condição de
ordem espiritual, sendo guiado pelo Espírito Santo (Rm 8.4,14), andando pelo
Espírito (Gl 5.16,25) e sendo dirigido por Ele nas suas decisões e caminhos (At
13.2; At 16.6,7). Além disso, quem é guiado pelo Espírito Santo permite que Ele
governe a sua mente, desejos e conduta (Rm 8.5,6), assim como recebe dEle
capacitação para vencer o pecado (Rm 8.13; Gl 5.17), conduzindo o regenerado a
uma vida de comunhão e obediência (Jo 16.13; Fp 2.1).
5.
A garantia de vida eterna.
“A vida eterna refere-se invariavelmente a vida de
Deus, ou ao estado futuro dos justos (Mt 25.46). A vida eterna não pode ser
adquirida pelos homens, mas lhes é conferida como uma dádiva em resposta a fé
(Jo 3.15,16; 1Jo 5.11; Rm 6.23) [...], onde Deus concede a alma humana no
momento da conversão pessoal a Cristo” (Wycliffe, 2007, p. 2016). A
regeneração é o início da vida eterna (Jo 3.16; Jo 5.24). Quem nasce do
Espírito já possui a vida eterna e aguarda a glorificação final (1Pe 1.3-5).
Esta é a promessa de Cristo para o regenerado: a vida eterna (Jo 3.16,36; Jo
6.40; Jo 17.3; Gl 6.8; 1Jo 2.25; 1Jo 5.11).
6. Prática da justiça e do amor.
A
regeneração não é apenas interna, mas manifesta-se em ações
concretas externamente. O novo nascimento capacita o crente a
praticar a justiça e a viver em amor fraternal, evidenciando que ele conhece a
Deus (1Jo 2.29; 1Jo 4.7,8). O regenerado busca a santificação e a vitória sobre
o estilo de vida pecaminoso (1Jo 3.9; 5.18), demonstrando sua nova natureza
através da obediência aos mandamentos divinos e do serviço ao próximo (Gl 5.13;
Ef 2.10).
CONCLUSÃO
Como regenerador, o
Espírito Santo trabalha na vida daquele que nasceu de novo e concede uma nova
natureza e uma nova direção. É necessário nascer do alto para ver e entrar no
Reino e obter a vida eterna.
REFERÊNCIAS
Ø BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade. O Deus
Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø EARLE, Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7,
CPAD.
Ø PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe.
CPAD.
Ø GEISLER, Norman. Teologia Sistemática – Vol. 3.
CPAD.
Ø SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus.
CPAD.
Ø
WIERSBE, Warren W. Comentário
Bíblico Novo Testamento – Vol. 2. Geográfica Editora.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



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