Jl 2.28,29; At 2.1-4; 8.14-17; 1Co
12.4-7
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos sobre o Espírito Santo como capacitador. Veremos Sua
maravilhosa atuação no Antigo Testamento, ainda que restrita a pessoas
específicas. Analisaremos a promessa do Pai de derramá-lo irrestritamente sobre
“toda carne”, capacitando pessoas de todas as partes do mundo ao serviço do
Reino de Deus. Por fim, destacaremos a operação do Espírito por meio dos dons
espirituais descritos pelo apóstolo Paulo em (1Co 12.8-10), indicando como
estes dons se manifestaram e se manifestam ainda hoje.
I. A CAPACITAÇÃO DO ESPÍRITO NO
ANTIGO TESTAMENTO
O
Espírito Santo tem presença marcante no Antigo Testamento. Como bem pontuou o
pastor Severino Pedro: “Dos 39 livros do Antigo Testamento, apenas 16 não
fazem referência específica a Ele” (Silva, 1996, p. 9). Ou seja, Ele
aparece explicitamente em mais da metade dos livros do AT. Uma de suas muitas
obras foi a de capacitar os servos de Deus para o serviço. “No Antigo
Testamento o Espírito Santo atuava principalmente na vida de algumas pessoas
específicas [...] No tempo da Antiga Aliança, a ação do Espírito Santo de
Deus era restrita a alguns escolhidos, entre os quais se destacaram juízes,
profetas, sacerdotes e reis [...] (Nm 27.18-21; Jz 3.9-10; Gn 41.38-40;
Êx 35.30-31; Nm 11.16,17; Jz 6.34, 11.29; 13.24,25; 1Sm 10.6; 1Sm 16.13).
Podemos entender, então, que Ele operava de maneira específica e temporária,
sobre pessoas específicas, e para obras específicas” (Barreto, 2024, p. 166,167
– grifo nosso). Vejamos Sua atuação sobre as classes citadas:
1.
O Espírito Santo capacitou os juízes. Ele
atuou nos juízes tornando-os libertadores, concedendo poder para a guerra e
dotando-os de liderança carismática. Ele levantou a Otniel para liderar Israel
com êxito (Jz 3.9-11), deu graça a Gideão aos olhos do povo (Jz 6.34), se
apoderou de Jefté, concedendo destemor e vitória na batalha (Jz 11.29), deu
força e poder a Sansão contra os filisteus (Jz 15.14-20) e discernimento a
Débora (Jz 4.4).
2.
O Espírito Santo capacitou os profetas.
O
apóstolo Pedro disse: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade
de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito
Santo” (2Pe 1.21). Foi o Espírito quem inspirou os profetas (2Cr 20.14;
Jl 2.28; 2Tm 3.16), os encheu dando-lhes uma mensagem (2Sm 23.2; Ez 2.2; 11.5;
Mq 3.8; Zc 7.12), lhes deu autoridade (1Cr 12.18; 2Cr 20.14; 24.20; capacitou
sobrenaturalmente (1Rs 18.46; 2Rs 2.9,15), revelou visões e mistérios (Ez 8.3;
37.1; Dn 4.8,9; 5.11,12; 10.14; Am 3.7) e os guiou (Ne 9.20; Is 48.16; 61.1;
59.21; Ag 2.5; Zc 7.12).
3.
O Espírito Santo capacitou os sacerdotes.
Os
sacerdotes eram ungidos com o azeite sagrado, símbolo do Espírito Santo (Êx
29.7; 30.30; Lv 8.12,30). Eles eram os mestres da lei que ensinavam ao povo (Lv
10.10,11; Dt 33.10; Ml 2.6,7) e ensinavam na dependência do Espírito de Deus
(Ne 9.20; Is 63.11). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus (Silva, 2017,
pp. 24,25) diz que é a função do Espírito capacitar o salvo para o
serviço cristão, guiar, dirigir e conduzir o povo de Deus. É o Espírito
Santo quem atua na indispensável obra do conhecimento (Êx 31.3; Is 11.2; Dn
5.14; 1Co 2.10-12; 1Co 12.8; Ef 1.17).
4.
O Espírito Santo capacitou os reis.
Notadamente
alguns foram ungidos e revestidos para liderar (Nm 27.18; Jz 6.34; 1Sm 16.13;
Zc 4.6). O Espírito capacitou governantes para o exercício da liderança (Nm
11.16,17; 27.18), concedeu ousadia e coragem (1Sm 10.6; 11.6; 11.6,7 1Sm 16.13;
17.45), discernimento (2Sm 23.2; 1Rs 3.9; Sl 143.10) e sabedoria (1Rs 4.29; Is
11.2). Na consagração do rei, o azeite era derramado como símbolo da concessão
do Espírito (1Sm 10.1,6,10; 16.13), pois sem Ele não há sucesso ministerial
(1Sm 15.28; 16.14) e Davi reconheceu esta verdade (Sl 51.11).
II. O ESPÍRITO SANTO NO NOVO
TESTAMENTO
O
derramamento do Espírito foi desejado por Moisés (Nm 11.29) e prenunciado pelos
profetas (Is 32.15-17; 44.3-5; Ez 36.26,27; 37.14; 39.29). O profeta Joel (Jl
2.28,29) profetizou que esse derramar (outrora limitado a pessoas
específicas) viria sobre os filhos, filhas, jovens e velhos de Israel, e
não somente sobre os filhos de Israel, mas também sobre os gentios, quando
disse: “e também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias,
derramarei o meu Espírito” (Jl 2.29). A promessa foi feita no Antigo
Testamento e teve seu amplo e irrestrito cumprimento no Novo.
1.
O derramamento do Espírito Santo.
Jesus
reafirmou a promessa do Pai de enviar o Espírito (Lc 24.49). O evangelista
Lucas revela que o cumprimento dessa promessa envolveria algo que foi
denominado de “batismo com o Espírito Santo” (At 1.5). Um dos
princípios hermenêuticos mais marcantes da Reforma Protestante foi: “a Bíblia
interpreta a Bíblia”. Lucas, no livro de Atos, interpreta o “batismo com o
Espírito Santo”, dito por João Batista (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33),
como sendo resultado da promessa do Pai, que estava já perto de acontecer: “não
muito depois destes dias” (At 1.5) e teria como finalidade, conforme
(At 1.8), “o recebimento de poder espiritual para realizar a obra da
expansão do Evangelho em todo o mundo” (Soares [Org.], 2017, p. 166).
Este evento ocorreu no dia de Pentecoste, quando o Espírito desceu sobre eles
(At 2.1-13). Pedro entendeu que ali cumpriu-se a promessa do derramamento do
Espírito Santo, que havia falado Joel (At 2.15-18).
2.
A capacitação do Espírito por meio do batismo.
O
Pastor Isael de Araújo observa a natureza do batismo com o Espírito Santo e as
capacidades que ele nos traz. Conforme a Escritura, ele pontuou que o batismo é
para todos que professam sua fé em Cristo, que nasceram de novo e são habitados
pelo Espírito; é uma obra distinta da regeneração que capacita o crente a
experimentar a plenitude do Espírito (At 1.5; 2.4) e lhe dá ousadia e poder
celestial para realizar grandes obras (At 1.8; 2.14-41; 4.31; 6.8; Rm 15.18,19;
1Co 2.4). Resulta ainda em mensagens proféticas e louvores (At 2.4,17; 10.46;
1Co 14.2,15); maior sensibilidade contra o pecado que entristece o Espírito
Santo (Jo 16.8; At 1.8), numa vida que glorifica a Jesus Cristo (Jo 16.13,14;
At 4.33); visões da parte do Espírito (At 2.17); manifestação dos vários dons
do Espírito Santo (1Co 12.4-10); maior desejo de orar e interceder (At 2.41,42;
3.1; 4.23-31; 6.4; 10.9; Rm 8.26); maior amor à Palavra de Deus e melhor
compreensão dela (Jo 16.13; At 2.42), e uma convicção cada vez maior de Deus
como nosso Pai (At 1.4; Rm 8.15; Gl 4.6) (Araújo, 2014, p. 119).
III. OS DONS ESPIRITUAIS
A
lista de dons, descritos pelo apóstolo Paulo em (1Co 12.8-10), representa uma
categoria das capacitações que o Espírito concede à igreja. O apóstolo elenca
nove dons que, pelo Espírito. os crentes provam o crescimento e aperfeiçoamento
da igreja. Vejamos no que consistem:
1.
Palavra da sabedoria.
“É a
capacitação do Espírito Santo na vida da Igreja para orientação e conselho aos
crentes sobre dificuldades, cuja solução está fora do seu alcance no dia a dia
da igreja, no trato com as pessoas descrentes e na pregação do evangelho”
(Soares [Org.], 2017, p. 173). Veja este dom em operação (Gn 41.38,39; 1Rs
3.16-28; Mt 22.15-22; At 6.10; 15.28).
2.
Palavra da ciência.
É o
conhecimento das coisas de Deus, manifestado somente pelo Espírito Santo, pelo
qual podemos saber, compreender e, assim, conhecer aquilo que, pelo
entendimento humano, jamais poderíamos alcançar (Soares [Org.], 2017, p. 173).
Veja este dom em operação (1Sm 9.19,20;1Rs 14.1-18; 2Rs 5.25,26; Jo 4.16-19; At
5.1-11; 8.20-23).
3.
Fé.
“Não
se trata da fé para a salvação, mas uma fé sobrenatural e especial, capacitando
o crente a crer e realizar coisas extraordinárias e milagrosas (Barreto, 2024,
178). Veja este dom em operação (1Rs 18.36-38; Dn 6.16-23; Mc 2.3-12; At
12.5-11; 27.21-25).
4.
Dons de curar.
O
Pastor Isael de Araújo explica que este é um dom concedido à igreja para a
restauração da saúde física por meios sobrenaturais e que o plural (‘dons’) é
devido ao fato de que este dom opera sobre diferentes enfermidades e que seus
meios e formas são também diversos (Araújo, 2014, p. 269). A cura pode vir por
meio de alguém que tem o dom (At 3.16; 9.32,35), da oração da fé (Tg 5.14,15),
da fé do enfermo (At 14.8-10), bem como através de meios variados (At 5.15,16;
19.11,12).
5.
Operação de maravilhas.
“Trata-se
de atos sobrenaturais de poder, que intervêm nas leis da natureza” (Barreto,
2024, p. 178). Veja este dom em operação (1Rs 18.36-38; 2Rs 6.1-7; Mt 8.27;
14.26; At 9.36-42).
6.
Discernimento de espíritos.
É
uma capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito que habilita o crente a
identificar as procedências das operações espirituais. Sem o discernimento, os
crentes tomarão o diabo por ortodoxo (Mc 1.24) e verdadeiro (At 16.16,17)
(Andrade, 2004, 146).
7.
Variedade de línguas.
É a
manifestação da oração particular para edificação pessoal (1Co 14.4) ou a
oração pública para a edificação geral, tendo, neste último caso, a necessidade
da interpretação de línguas (1Co 14.5) (Soares [Org.], 2017, p. 175).
8.
Interpretação de línguas.
“Seu principal objetivo é transformar as línguas
estranhas numa mensagem de edificação, exortação e consolação à igreja (1Co
14.5). É o único dom espiritual que depende de outro para se manifestar”
(Andrade, 2004, 233).
CONCLUSÃO
O
Espírito Santo, do Antigo ao Novo Testamento, é o capacitador daqueles que se
colocam à serviço do Reino de Deus. Como demonstrado, sua atuação abrangeu
desde os juízes, profetas, sacerdotes e reis a todo aquele que confessa a Jesus
como Senhor. O Espírito é quem nos leva a operar maravilhas, mas sua
capacitação é ainda mais complexa, começando desde os pontos mais basilares da
fé, como o de se arrepender, crer, e confessar ao Senhor (Jo 16.8; 1Co 12.3;
1Jo 4.2).
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor. Dicionário
Teológico. CPAD.
Ø ARAÚJO, Isael. Dicionário do
Movimento Pentecostal. CPAD.
Ø BARRETO, Alessandro. Protopentecoste:
Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia Acadêmica.
Ø PEDRO, Severino. A Existência e
a Pessoa do Espírito Santo. CPAD.
Ø SOARES, Esequias. Declaração de
Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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