Hb
11.8-12, 17-21
INTRODUÇÃO
Nesta
última lição, veremos o significado do termo “legado” e explicaremos o legado
que cada um deles nos deixou: Abraão, como exemplo de fé, comunhão e
obediência; Isaque, como modelo de oração, diplomacia e perseverança; e, Jacó,
como um homem de compromisso com Deus, perseverança espiritual e que busca a
reconciliação como irmão ofendido.
I. DEFINIÇÃO
O
dicionarista Houass (2001, p. 1735) define o termo “legado” como “o que é
transmitido às gerações que se seguem”. Já o dicionário Aurélio define o mesmo
termo como “aquilo que alguém transmite a outrem, a outra geração ou sua
posteridade” (Holanda, 2004, p. 1190). Podemos dizer, então, que “legado” é
tudo aquilo que uma pessoa deixa para as gerações futuras, através de sua vida,
exemplos, ensinamentos, valores, obras ou influência. Na Bíblia, o legado está
muito ligado ao testemunho de vida. Ele pode ser espiritual, moral, familiar,
cultural ou ministerial.
II. O LEGADO DE ABRAÃO
Abraão
é um dos personagens mais marcantes da história bíblica. Ele foi chamado por
Deus para ser o pai dos judeus, povo de onde viria o Messias (Gn 12.1-3). Sua
vida de fé, obediência e intimidade com Deus, fez com que ele alcançasse, não
só o título de “pai dos judeus” (Jo 8.39,53) e “pai da fé” (Rm 4.11; Gl 3.7)
como também, se tornasse o único personagem da Bíblia denominado de “amigo de
Deus” (Is 41.8; Tg 2.23). Vejamos o legado que ele nos deixou:
1.
O legado da fé.
A fé
de Abraão é um dos maiores exemplos de confiança e obediência a Deus
encontrados nas Escrituras. Por isso, ele é chamado de “pai da fé” (Rm
4.11-12). “O legado de fé deixado por Abraão não foi só para a sua
descendência. Foi para Israel e para a Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus
Cristo. O capítulo 11 de Hebreus é considerado o texto dos ‘Heróis da Fé’ e
dedica espaço especial ao patriarca depois de destacar os exemplos de Abel,
Enoque e Noé, que foram expoentes da fé, no relacionamento com Deus, bem como
entre outros de igual valor espiritual, como foram Sara, a sua esposa, Isaque,
José, Moisés, Raabe, Gideào, Sansão, Jefté, Davi e Samuel (Hb 11.4-40)”
(Renovato, 2026, p. 151).
2.
O legado da comunhão.
Uma
das marcas mais importantes de sua caminhada com Deus foi a construção de
altares. Sempre que recebia uma promessa, experimentava uma intervenção divina
ou chegava a um novo lugar, Abraão edificava um altar ao Senhor como sinal de
gratidão, comunhão e consagração (Gn 12.6-8; 13.3,4,14-18). “Os altares eram
utilizados em muitas religiões, mas, para o povo de Deus, eles significavam
muito mais do que locais para sacrifícios simbolizavam comunhão com Deus e a
comemoração de notáveis encontros com Ele. Feito de rochas firmes e terra, os
altares permaneciam em seus lugares durante muitos anos como um contínuo
lembrete da proteção e promessas de Deus. Abrão construía regularmente altares
a Deus com dois propósitos: (1) para oração e adoração, e (2) como lembrança
das promessas das bênçãos de Deus” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 1995,
p. 22).
3.
O legado da obediência.
O
maior teste da fé de Abraão aconteceu quando Deus pediu que ele oferecesse
Isaque em sacrifício (Gn 22.1-2). Isaque era o filho da promessa, o cumprimento
daquilo que Abraão esperou durante tantos anos. Ainda assim, Abraão obedeceu
sem questionar, confiando plenamente que Deus poderia até ressuscitar seu
filho, se fosse necessário (Hb 11.17-19). Sua disposição em entregar aquilo que
tinha de mais precioso demonstra uma fé madura, marcada por amor, submissão e
confiança absoluta em Deus. “As Escrituras dizem que Abraão foi justificado
pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque (Tg 2.21). Abraão
manifestou-se em sincera obediência a Deus (Gn 15.6)” (Stamps, 1995, p. 64).
III. O LEGADO DE ISAQUE
Isaque
foi o filho da promessa, nascido quando Abraão e Sara já estavam avançados em
idade, demonstrando que nada é impossível para Deus (Gn 21.1-3). Isaque
cultivava uma vida de meditação e comunhão com Deus (Gn 24.63). Aos quarenta
anos casou-se com Rebeca (Gn 24.67; 25.20), e gerou a Esaú e Jacó (Gn
25.19-27). Vejamos o legado que ele nos deixou.
1.
O legado da oração.
A
vida de Isaque ensina que homens de oração não são conhecidos apenas por
palavras, mas pela confiança constante em Deus. Ao menos em duas ocasiões a
Bíblia revela que Isaque era um homem de oração. A primeira, quando o servo de
Abraão foi buscar uma esposa para ele. Quando o servo vinha com Rebeca, Moisés
afirma que “Isaque saíra a orar no campo, sobre a tarde; e levantou os olhos, e
olhou e eis que os camelos vinham” (Gn 24.63). Ele estava esperando a sua amada
esposa em oração! Outro momento importante aconteceu quando Rebeca era estéril.
A Bíblia afirma que Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua esposa, e
Deus respondeu à sua oração, concedendo-lhe filhos (Gn 25.20,21). Esse episódio
revela não apenas sua fé, mas também sua perseverança, pois Isaque esperou
muitos anos até ver a promessa se cumprir. Sua atitude demonstra que ele
entendia que somente Deus poderia transformar situações impossíveis.
2.
O legado da pacificação.
Em
Gênesis 26.15-25, Isaque é apresentado como um verdadeiro exemplo de
pacificador. Depois da morte de Abraão, os filisteus começaram a invejá-lo por
causa de sua prosperidade e decidiram entulhar os poços que haviam sido cavados
nos dias de seu pai (Gn 26.15). Além disso, Abimeleque pediu que Isaque se
retirasse daquela região, pois havia se tornado mais poderoso do que eles (Gn
26.16). Mesmo diante da injustiça e da hostilidade, Isaque não reagiu com
violência nem procurou vingança. Ele simplesmente partiu e continuou sua
jornada. “Por três vezes Isaque e seus homens cavaram novos poços. Quando as
duas primeiras disputas surgiram, Isaque partiu. Finalmente, houve espaço
suficiente para todos. Ao invés de dar início a um grande conflito, Isaque
comprometeu-se com a paz” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 1995, p. 46).
3.
O legado da perseverança.
Ao
chegar ao vale de Gerar, Isaque reabriu os poços cavados por Abraão, mas os
pastores daquela região começaram a contender com seus servos, alegando posse
sobre as águas (Gn 26.17-20). Em vez de alimentar o conflito, Isaque preferiu
cavar outros poços. O primeiro poço recebeu o nome de Eseque, que significa
“contenda”. Depois, cavaram outro poço, e novamente houve discussão; por isso,
chamou-o Sitna, que significa “inimizade” ou “acusação” (Gn 26.21). Mais uma
vez, Isaque evitou a guerra e decidiu seguir adiante. Somente no terceiro poço
não houve disputa. Então Isaque o chamou Reobote, dizendo: “Porque agora nos
alargou o Senhor, e crescemos nesta terra” (Gn 26.22). Essa atitude revela que
Isaque confiava mais na provisão de Deus do que na força humana. Ele entendia
que Deus poderia abrir novos caminhos sem necessidade de brigas ou violência. A
vida de Isaque mostra que, além de um diplomata e pacificador, ele era
perseverante. Sua perseverança em cavar outros poços abriu espaço para que a
bênção divina continuasse sobre sua vida.
IV. O LEGADO DE JACÓ
Jacó
é um dos personagens mais importantes das Escrituras, pois dele surgiram as
doze tribos de Israel, formando a nação escolhida por Deus (Gn 35.10-12;
49.28). Sua trajetória foi marcada por lutas, falhas, amadurecimento espiritual
e profundas experiências com o Senhor. Embora tenha começado sua história
agindo de forma impulsiva e enganadora, sua vida foi transformada pelo agir
divino, tornando-se exemplo de perseverança e dependência de Deus. Sua vida
demonstra que a graça de Deus pode transformar o caráter humano e cumprir Seus
propósitos apesar das fraquezas do homem. Assim, Jacó deixou um legado de
perseverança, transformação e fé nas promessas divinas.
1.
O legado do propósito com Deus.
Em
Betel, quando ele estava fugindo da presença de seu irmão Esaú, deitou-se e
teve um sonho onde ele viu uma escada que ia até o céu, e Deus estava no topo e
lhe fez grandes promessas (Gn 28.13-15). Ao acordar, Jacó prometeu ao Senhor
que se Ele o abençoasse, o Senhor seria o seu Deus e ele lhe daria o dízimo de
tudo (Gn 28.20-22). “Naturalmente, o Deus de seus pais já era o seu Deus; mas
ele quis, em seu voto, confirmar que sempre serviria e adoraria ao Senhor [...]
O que teria movido o coração de Jacó para que ele incluísse o desejo de dar o
dízimo ‘de tudo’? Sem dúvida alguma, ele tinha conhecimento desse importante
assunto, que se inclui entre os ensinos e as práticas orientadas por Deus em
toda a Bíblia. Ele deve ter ouvido que seu avô, Abraão, teria dado ‘o dízimo de
tudo’ a Melquisedeque, quando retornava da guerra (Gn 14.12-20)” (Renovato,
2026, p. 120).
2.
O legado da perseverança espiritual.
O
texto de Gn 32.22-32 revela uma das experiências mais profundas da vida de
Jacó. Naquela noite, às margens do vau de Jaboque, Jacó teve um encontro
transformador com Deus. A Bíblia afirma que “um homem lutou com ele até a alva
subir” (Gn 32.24). Essa luta não foi apenas física, mas espiritual. Jacó
agarrou-se com o anjo do Senhor e lhe disse: “Não te deixarei ir, se me não
abençoares” (Gn 32.26). A perseverança de Jacó demonstra uma fé intensa e
determinada. Sua insistência não era rebeldia, mas reconhecimento de que
somente o Senhor poderia mudar sua vida e seu destino. “O varão que lutou com
Jacó era provavelmente o anjo do Senhor (Gn 16.7; 21.17; 22.11; 31.11; Os
12.4), o qual é frequentemente identificado com o próprio Deus (Gn 28,30; Jz
6.12-14,22; Êx 3.2). Enquanto Jacó lutava desesperadamente com Deus para obter
a bênção prometida, Deus o deixou prevalecer (v. 28), porém feriu a coxa de
Jacó (v. 25), como lembrança de que este não devia doravante andar na sua
própria força, mas, confiar inteiramente em Deus e andar na dependência dEle
(vv. 30-32)” (Stamps, 1995, p. 84,85).
3.
O legado da reconciliação.
O
capítulo 33 do Gênesis apresenta Jacó como um homem disposto a buscar
reconciliação. Depois de muitos anos distante de Esaú, seu irmão, Jacó retorna
à terra de Canaã carregando consigo o peso do passado. Vinte anos antes, ele
havia enganado Esaú e tomado a bênção da primogenitura, provocando grande mágoa
e desejo de vingança (Gn 27.41). Agora, ao saber que Esaú vinha ao seu encontro
com quatrocentos homens, Jacó teme pelas consequências de seus antigos erros
(Gn 32.6,7). Contudo, em vez de fugir novamente, ele decide enfrentar a
situação e buscar a paz. Jacó demonstra humildade desde o início do encontro.
Ao aproximar-se de Esaú, inclinou-se à terra sete vezes até chegar perto do
irmão (Gn 33.3). A atitude de Jacó revela um coração quebrantado, diferente
daquele homem astuto e enganador do passado. O encontro foi marcado pela graça
e pela restauração. Esaú correu ao encontro de Jacó, abraçou-o, lançou-se sobre
o seu pescoço e os dois choraram juntos (Gn 33.4). O ódio que parecia
impossível de ser removido foi vencido pelo perdão e pela reconciliação.
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a vida dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó “homens dos quais o mundo não era digno...” (Hb 11.38) nos deixou um grande legado de fé, comunhão, obediência, perseverança, diplomacia, reconciliação, além de outros. Seus exemplos de vida e de comunhão com Deus, deixaram um grande legado não apenas para os hebreus, mas, também, para cada um de nós!
REFERÊNCIAS
Ø Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
Ø HOFF,
Paul. O Pentateuco. VIDA.
Ø HENRY,
Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø RENOVATO,
Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. CPAD.
Ø STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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