Mt 28.18-20; At 1.8; Ef
2.13-18
INTRODUÇÃO
Nessa última lição,
veremos que a missão da Igreja não nasceu com os apóstolos nem terminou com
eles. Ela teve origem no coração de Deus, foi confiada por Cristo à sua Igreja
e continua sendo realizada pelo poder do Espírito Santo. Missões não é apenas uma
atividade da Igreja; é a própria expressão da vontade de Deus para alcançar os
perdidos. Por isso, cada cristão é chamado a participar dessa obra.
I. A ORDEM UNIVERSAL DE
CRISTO À LUZ DA GRANDE COMISSÃO
O livro de Atos termina
sem um encerramento definitivo. Lucas não relata a morte de Paulo nem conclui
formalmente sua narrativa. Isso acontece porque a história da Igreja não
terminou no primeiro século. A missão iniciada por Cristo continua. A mesma ordem
dada aos discípulos permanece válida para a Igreja de hoje. Jesus subiu aos
céus, mas deixou sua Igreja na terra para cumprir Sua missão (Mc 16.15). O
Mandato de Cristo, expresso na Grande Comissão (Mt 28.18-20), é global e revela
a missão central da Igreja em todos os tempos: anunciar o evangelho e fazer
discípulos entre todos os povos (Barclay, 2008; Pfeiffer; Harrison, 2001). Mais
do que uma ordem para evangelizar, é um chamado para formar discípulos
comprometidos com Cristo, ensinando-os a obedecer à Sua Palavra.
1. A
autoridade do envio pertence a Cristo.
Ao declarar: “Toda a
autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mt 28.18), o Senhor deixa claro que
a Grande Comissão não é uma iniciativa humana, mas uma ordem do Cristo
ressurreto, que reina sobre toda a criação. Por isso, a evangelização não é uma
opção da Igreja, e sim uma responsabilidade confiada por aquele que possui
domínio absoluto sobre os céus e a terra. Nesse sentido, a Igreja anuncia o
Evangelho não em seu próprio nome, mas em nome daquele que é o Rei dos reis e
Senhor dos senhores (Cl 1.16-18; Fp 2.9-11). Assim, a autoridade de Cristo
garante tanto a legitimidade do envio quanto a certeza de que Ele dirige,
sustenta e faz prosperar a Sua obra até que o Evangelho alcance todas as
nações.
2. O
alcance da missão é universal.
Jesus ordena em Mateus
28.18-20 que os discípulos façam discípulos de todas as nações. Ou seja, o
Evangelho não possui barreiras étnicas, geográficas, sociais e culturais. Esse
propósito já estava presente na promessa feita a Abraão, de que todas as famílias
da terra seriam abençoadas (Gn 12.3), foi reafirmado pelo profeta Isaías ao
apresentar o Messias como luz para as nações (Is 49.6) e alcança seu pleno
cumprimento na visão de João, que contempla uma multidão de todas as tribos,
povos, línguas e nações adorando ao Cordeiro (Ap 7.9). Assim, a Igreja é
chamada a proclamar fielmente o Evangelho em todos os lugares, demonstrando que
a salvação em Cristo está disponível a todos os que creem.
3. O
objetivo da missão é fazer discípulos.
A Grande Comissão não
se limita apenas à evangelização inicial. O alvo é formar seguidores
comprometidos com Cristo (2Tm 2.2). Em Mateus 28.19,20, o verbo “ir” está
conjugado no modo imperativo. Assim, “ide” não é uma sugestão; é um mandamento
que. Esse mandamento envolve quatro ações complementares: a) ir, levando o
Evangelho a todos; b) fazer discípulos, conduzindo pessoas a um relacionamento
genuíno com Cristo; c) batizar, identificando publicamente os novos convertidos
com a fé cristã; e d) ensinar, promovendo o crescimento espiritual por meio da
Palavra de Deus. A missão se completa quando aqueles que são alcançados pelo
Evangelho tornam-se discípulos maduros, obedientes e comprometidos em fazer
novos discípulos para a glória de Deus.
4. A
presença de Cristo garante o sucesso da missão.
Ao encerrar a Grande
Comissão com as palavras: “E eis que estou convosco todos os dias, até à
consumação dos séculos” (Mt 28.20), Jesus assegura que seus discípulos jamais
estariam sozinhos diante das perseguições, desafios e dificuldades da obra
missionária. A vitória da missão não depende da força humana, mas da presença
constante do Senhor que guia, fortalece e sustenta os seus servos. A presença de
Cristo e a atuação do Espírito Santo são indispensáveis para que a Grande
Comissão seja realizada com fidelidade, poder e frutos para a glória de Deus
(Jo 15.5; 14.26; 16.13).
II. O
PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA EXPANSÃO MISSIONÁRIA DA IGREJA
O papel do Espírito
Santo na expansão missionária da Igreja é central no plano redentor de Deus.
Jesus nunca enviou seus discípulos para cumprir a missão apenas com capacidade
humana. Em Atos 1.8, Jesus promete poder aos seus discípulos para que sejam suas
“testemunhas até os confins da terra”. A missão da Igreja não avança apenas por
estratégias humanas, mas pela capacitação, direção e ação do Espírito Santo,
que fortalece os crentes, abre portas para a pregação do Evangelho e convence os pecadores da verdade de Cristo. A expansão
missionária é resultado da cooperação da Igreja com a obra poderosa do Espírito
Santo.
1. O
Espírito Santo capacita a Igreja para testemunhar.
O Espírito Santo é o
grande capacitador da missão da Igreja. Em Atos 1.8, Jesus deixou claro que o
testemunho eficaz dependeria do revestimento de poder vindo do alto, e não
apenas da boa vontade ou da capacidade humana. O conhecimento bíblico é
indispensável, mas somente a ação do Espírito Santo convence o pecador do
pecado, produz novo nascimento e confirma a Palavra com poder (Lc 24.49; Zc
4.6; 1Co 2.4). Foi assim no ministério de Cristo (Lc 4.18) e continua sendo na
missão da Igreja. Sem o Espírito Santo, há atividade religiosa. Mas, com o
Espírito Santo, há transformação de vidas.
2. O
Espírito Santo impulsiona a expansão do Evangelho.
A expansão do Evangelho
nunca dependeu apenas da capacidade humana, mas da direção e do poder do
Espírito Santo. No livro de Atos, por exemplo, vemos o Espírito conduzindo cada
etapa da missão: orientando Filipe a evangelizar o eunuco (At 8.29), separando
Paulo e Barnabé para a obra missionária (At 13.2-4) e impedindo ou
redirecionando seus caminhos conforme a vontade de Deus (At 16.6-10). Jesus
apresenta o plano missionário da Igreja (At 1.8): começar em Jerusalém, avançar
para a Judeia, alcançar Samaria e chegar até os confins da terra. Esse modelo
revela que a missão é progressiva e abrangente para todos os povos.
3. O
Espírito Santo derruba barreiras humanas e continua agindo hoje.
Em Efésios 2.13-18,
Paulo ensina que Cristo removeu a separação entre judeus e gentios, “porque ele
é a nossa paz”. Cristo destruiu a parede da separação. A missão não consiste
apenas em aumentar o número de membros. Ela existe para reconciliar pessoas com
Deus, consigo mesmas e com o próximo (2Co 5.18,19). Mas, não existe missão
eficaz sem dependência do Espírito Santo, pois é Ele quem une povos diferentes
em um único corpo, o de Cristo (At 10.34-35; Gl 3.28). O mesmo Espírito que
operou no Pentecostes continua: Convencendo do pecado (Jo 16.8); salvando vidas
e restaurando famílias; chamando missionários; e capacitando a Igreja para
evangelizar.
III. ASSUMINDO
O COMPROMISSO PESSOAL COM MISSÕES
A missão progride
porque Cristo continua reinando, o Espírito Santo permanece capacitando e o
mundo cada vez mais necessita do Evangelho. A missão que Cristo confiou à
Igreja deve persistir em nossos dias e deve ser assumida por cada crente, no
poder do Espírito Santo, até que o Evangelho alcance todas as nações.
1.
Todo salvo é chamado a testemunhar.
Todo cristão que
experimentou a salvação em Cristo recebeu também a responsabilidade de
testemunhar do Evangelho. Embora Deus chame alguns para o campo missionário
transcultural, todos os salvos são chamados a ser testemunhas de Jesus onde
vivem, trabalham, estudam e convivem (Mc 5.19; 1Pe 3.15). A missão começa no
cotidiano, quando demonstramos, por palavras e atitudes, a transformação que
Cristo operou em nossa vida. Assim, quem vai, quem contribui e quem ora
participa igualmente da expansão do Reino de Deus, cumprindo o propósito
missionário estabelecido pelo Senhor (Is 6.8; Rm 10.14-15; Fp 4.15-18; Mt
9.37-38).
2.
Devemos viver como embaixadores de Cristo.
Antes de anunciar o
Evangelho com os lábios, o cristão é chamado a anunciá-lo com a própria vida. Ao afirmar: “Somos embaixadores da parte de
Cristo” (2Co 5.20), o apóstolo Paulo ensina que representamos o Reino de Deus
neste mundo. Um embaixador fala e age em nome daquele que o enviou; da mesma
forma, o cristão deve refletir o caráter de Cristo em suas palavras, atitudes e
relacionamentos. O testemunho de uma vida santa, íntegra e cheia de amor
confirma a mensagem da salvação e dá credibilidade à pregação do Evangelho (Mt
5.16; Fp 2.15; 1Pe 2.12).
3. A
urgência da missão exige compromisso.
Jesus, certa vez,
declarou: “A seara é realmente grande” (Mt 9.37). Ao afirmar isso, o Senhor
revelou tanto a imensidão do campo missionário quanto a necessidade de
trabalhadores comprometidos com a proclamação da mensagem da salvação. Diante
dessa realidade, a questão não é se a missão ainda precisa ser realizada, mas
se estamos dispostos a obedecer ao chamado do Senhor. O compromisso com a
missão é uma expressão de amor a Cristo e de compaixão pelas almas,
demonstrando que a Igreja permanece fiel ao propósito para o qual foi enviada
ao mundo (Mt 28.19-20; Rm 10.13-15).
4. A
missão deve ser realizada no poder do Espírito Santo.
A obra missionária
jamais pode ser realizada apenas por esforço humano, estratégias ou recursos
materiais. Desde o princípio, Jesus deixou claro que seus discípulos receberiam
poder ao descer sobre eles o Espírito Santo para serem suas testemunhas "até
aos confins da terra" (At 1.8). É o Espírito quem capacita, dirige,
fortalece e confirma a proclamação do Evangelho por meio da Palavra e de sua
atuação sobrenatural. Assim como a Igreja Primitiva cumpriu sua missão
dependendo da direção e do poder do Espírito (At 13.2-4; 16.6-10), a Igreja de
hoje também deve anunciar Cristo na dependência do Espírito Santo, reconhecendo
que o crescimento da obra missionária é resultado da ação de Deus e não apenas
do esforço humano (Zc 4.6; 1Co 2.4-5).
CONCLUSÃO
A Grande Comissão não
foi dada apenas aos apóstolos. Como discípulos de Cristo, somos chamados a
anunciar a salvação, fazer discípulos e cooperar com a expansão do Reino de Deus. A missão
continua em nós quando: vivemos como testemunhas (Mt 5.16), oramos pelos
perdidos, evangelizamos e investimos em missões, reconhecendo sempre nossa
dependência para com o Espírito Santo. A pergunta final não é se existe uma
missão, mas se estamos participando dela. Que a nossa resposta seja semelhante
à de Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6.8).
REFERÊNCIAS
Ø BARCLAY, William. Comentário Bíblico: Atos dos Apóstolos.
Hagnos, 2008.
Ø PFEIFFER, Charles F.; HARRISON, Everett F. Comentário
Bíblico Moody: Os Evangelhos e Atos. Moody Press, 2001.
Ø STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
CPAD, 2011.
Por Rede Brasil de Comunicação.

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