At 28.16-24, 28-31
Nesta lição estudaremos
sobre a providência de Deus na viagem para Roma; pontuaremos sobre a chegada
aquela cidade e a pregação do Evangelho; veremos como foi a pregação de Paulo
para os judeus que estavam em Roma; e por fim, destacaremos sobre a revelação
da salvação aos gentios.
I, A
PROVIDÊNCIA E O CUIDADO DE DEUS NA VIAGEM PARA ROMA
1. A
sobrevivência em meio ao naufrágio.
Após a determinação de
levarem Paulo a Itália (At 27.1), a embarcação enfrentou uma tempestade (At
27.13-20 – o vento chamado Euroaquilão). Em seguida, Paulo transmite a mensagem
do anjo de Deus, garantindo que ninguém morreria, embora o navio fosse perdido
(Atos 27.21–26). Logo após, ocorreu o naufrágio propriamente dito (At 27.41),
mas apesar disso, todos chegam vivos à praia (At 27.42-44), especificamente a
ilha de Malta (At 28.1). “Malta havia sido colonizada, a princípio, pelos
fenícios, mas, desde o terceiro século a.C., a ilha estivera sob o domínio
romano. Os habitantes eram de uma simples raça púnica, que se havia misturado
com colonizadores gregos” (Broadman, 1994, p. 176).
2. A
receptividade dos bárbaros.
Ao chegar na ilha de Malta, a tripulação
e os prisioneiros encontram refúgio. O texto de Atos 28.2 relata: “E os
bárbaros usaram conosco de não pouca humanidade; porque, acendendo uma grande
fogueira, nos recolheram a todos por causa da chuva que caía e por causa do
frio”. A hospitalidade daqueles nativos revela a manifestação da
providência e da graça comum de Deus que opera mesmo em corações não
regenerados (Ed 1.1-4; Mc 10.17-22; At 10.1,2). Essa recepção calorosa foi o
primeiro passo preparado pelo Senhor para que o Seu servo estabelecesse ali uma
base temporária de testemunho.
3. Os
milagres na ilha de Malta.
Enquanto Paulo recolhia gravetos para
alimentar o fogo, uma víbora, fugindo do calor, prendeu-se à sua mão (At 28.3).
Os nativos interpretaram o incidente sob a lógica da retribuição moralista,
julgando que ele seria um assassino fugitivo (At 28.4). Contudo, cumprindo a
promessa de Marcos 16.18, Paulo sacudiu o réptil no fogo e não sofreu mal algum
(At 28.5). Este milagre demonstrou de forma contundente a autoridade do nome de
Jesus Cristo e Deus se utilizou um evento potencialmente mortal para atrair a
atenção de toda a comunidade daquela ilha. Em seguida, Paulo é convidado por
Públio, o homem principal da ilha, a hospedar-se em suas terras, onde o pai
deste jazia doente com febre e disenteria (At 28.7-8). Paulo, ao orar e impor
as mãos sobre ele, operou a cura milagrosa em nome de Jesus. Diante desse
milagre extraordinário, os demais enfermos da ilha também vieram e foram
curados por intermédio de Paulo (At 28.9).
4. A
partida da ilha de Malta.
Após três meses de permanência, o grupo
preparou-se para embarcar em um navio de Alexandria que invernara na ilha (At
28.11). Os malteses demonstraram imensa gratidão, honrando os viajantes com
muitas honrarias e provendo todas as provisões necessárias para a viagem (At
28.10). De acordo com Beacon (2006, p. 423), “sem dúvida, estavam incluídos
presentes como dinheiro e coisas que seriam necessárias para os viajantes que
tinham perdido tudo no naufrágio”.
II. A
CHEGADA A ROMA: LIBERDADE E PREGAÇÃO
1. A
Jornada sob custódia romana.
No início da sua viagem,
Paulo, como prisioneiro, é entregue a um centurião chamado Júlio, da coorte
Augusta (At 27.1). Para o escritor Broadman (1994, p.175), “Júlio,
provavelmente, ficou muito impressionado com o que Paulo fez para satisfazer as
necessidades dos nativos de Malta. Ele já tinha demonstrado disposições
favoráveis para com o apóstolo, devido a sua capacidade de manter-se calmo
durante uma crise, e por seu bom comportamento a bordo do navio. O centurião,
ao fazer o seu relatório ao governo imperial, dificilmente poderia omitir as
boas coisas que Paulo fizera”. Esta aparente restrição era, na verdade, a
providência divina para levar o evangelho a Roma.
2. Liberdade para pregar.
Embora acorrentado, o apóstolo estava livre para proclamar o evangelho, e a
custódia romana garantiu sua viagem segura até o coração do império (At
28.11-14). Humanamente, parecia impossível completar a viagem, mas Deus havia
determinado que ele testemunharia naquela cidade (At 23.11). Logo após passar
por Siracusa (ficava na costa leste da Sicília, era o principal porto e a
principal cidade daquela ilha) e Régio (cidade na extremidade sul da Itália,
cerca de onze quilômetros do outro lado do estreito de Messina, na Sicília),
eles chegam a Putéoli (a parte mais abrigada da baía de Nápoles. Era o
principal porto do sul da Itália e... um grande empório para os navios de trigo
de Alexandria), onde encontram alguns irmãos e passam ali sete dias (At 28.14).
De acordo com o comentarista Beacon (2006, p. 425), “isto foi provavelmente um
grande conforto para Paulo, Lucas e Aristarco, que provavelmente não tinham
visto outros cristãos em seis meses”.
3. O
encontro na praça de Ápio.
Logo após passar por Siracusa, Régio, Putéoli, Paulo
se dirigiu para Roma (At At 28.12-14). Nesse percurso, ele recebe um grupo de
irmãos que se encontram com ele na praça de Ápio: “E de lá, ouvindo os
irmãos novas de nós, nos saíram ao encontro à Praça de Ápio e às Três Vendas, e
Paulo, vendo-os, deu graças a Deus e tomou ânimo” (At 28.15). O teólogo
Broadman (1194, p. 177) afirma que “na Praça de Ápio, a cerca de sessenta e
nove quilômetros de Roma, e, portanto, dezesseis quilômetros mais perto da
cidade do que as Três Vendas, alguns dos cristãos de Roma vieram ao seu
encontro. Sem dúvida, os discípulos de Putéoli haviam enviado alguns
mensageiros, para anunciarem a chegada do apóstolo”.
4. Morando por conta própria.
Ao chegar em Roma, foi permitido a Paulo
morar por sua conta, porém, com um soldado que o guardava (At 28.16). “Ele não
ficou preso num a cadeia, mas numa casa, tendo a sua liberdade vigiada até o
julgamento. Ele mesmo pagava o aluguel da casa (At 28.30). Isso teria sido
possível mediante a generosidade de amigos (Fp 4.10,14,18) ou pelo fato de Paulo ter alguns
recursos próprios (At 21.24; 24.26). As condições de Paulo poderiam ser
descritas como “prisão domiciliar”. Ainda estava algemado a um soldado, com uma
corrente leve (At 28.20). Os soldados revezavam-se, mas Paulo continuava
acorrentado dia e noite de modo que não podia entrar e sair como lhe agradasse;
fora disso, todavia, gozava de considerável liberdade, de modo especial a de
poder receber na sua casa a quem quer que desejasse” (Gaby, 2026, p. 140).
III. A
PREGAÇÃO DE PAULO AOS JUDEUS DE ROMA
1. A
reunião com os judeus de Roma.
Três dias após chegar a
Roma, Paulo convoca os principais dos judeus para uma plenária (At 28.17).
Henry (2008, p. 300) comenta que “não havia muito tempo, por um edito de
Cláudio, todos os judeus haviam sido banidos de Roma, e afastados até sua
morte; mas, nos cinco anos desde então, muitos judeus tinham voltado para lá,
pelas vantagens do comércio, embora pareça que não lhes era permitido ter uma
sinagoga ou um lugar de culto público ali; mas esses principais dos judeus eram
aqueles de mais destaque entre eles, os homens mais distintos daquela religião,
que tinham as melhores propriedades e negócios”. O apóstolo estava dando
continuidade, mesmo em Roma, a sua política de ministrar primeiramente aos
judeus.
2. O
discurso de Paulo aos judeus.
Paulo expõe a sua
inocência no tocante a não ter praticado nada que fosse contrário aos ritos
paternos, mas que, ainda assim, foi preso e entregue aos romanos, mesmo sem
crime algum e, por isso, precisou apelar para César (At 28.17-19). Paulo deixa
claro que pela esperança de Israel está com aquela cadeia: “Por esta
causa vos chamei, para vos ver e falar; porque pela esperança de Israel estou
com esta cadeia” (At 28.20).
3. A
reação dos judeus.
Paulo expõe a sua
inocência no tocante a não ter praticado nada que fosse contrário aos ritos
paternos, mas que, ainda assim, foi preso e entregue aos romanos, mesmo sem
crime algum e, por isso, precisou apelar para César (At 28.17-19). Paulo deixa
claro que pela esperança de Israel está com aquela cadeia (At 28.20). Após a
exposição de Paulo, os judeus lhe disseram: “Nós não recebemos acerca de
ti cartas algumas da Judeia, nem veio aqui algum dos irmãos que nos anunciasse
ou dissesse de ti mal algum. No entanto, bem quiséramos ouvir de ti o que
sentes; porque, quanto a esta seita, notório nos é que em toda parte se fala
contra ela” (At 28.21,22). Sendo marcado um dia para que Paulo lhes
anunciasse à respeito de Jesus (At 28.23), a mensagem foi pregada, de forma
que: “alguns criam no que se dizia, mas outros não criam” (At
28.24).
IV. A
REVELAÇÃO DA SALVAÇÃO AOS GENTIOS E A CONCLUSÃO DA OBRA
1. A
rejeição por parte dos judeus. Em Atos 28.25 a Bíblia diz que
houve discordância entre os judeus, de forma tal que se despediram de Paulo e
partiram. Aqui podemos observar o endurecimento do coração dos judeus e como se
cumpre as palavras ditas pelo profeta Isaías e citadas por Paulo, dizendo que “o
coração deste povo está endurecido, e com os ouvidos ouviram pesadamente e
fecharam os olhos, para que nunca com os olhos vejam, nem com os ouvidos ouçam,
nem do coração entendam, e se convertam, e eu os cure” (At 28.27). Gaby
(2026, p.146) afirma que “a incredulidade judaica, longe de frustrar o plano de
Deus, confirma as Escrituras (Is 6.9,10) e impulsiona ainda mais a missão entre
os gentios. O evangelho não fica restrito a um grupo étnico ou cultural; ele
avança segundo o propósito soberano de Deus, alcançando “todas as nações” (At
1.8)”.
2. A
Salvação enviada aos Gentios.
Após a despedida dos
judeus, Paulo repetiu uma declaração que ele tinha feito, em essência, em duas
ocasiões anteriores (At 13.46; At 18.6). Ele disse: “Seja-vos, pois,
notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão”
(At 28.28). “Quando um grupo rejeita esse plano, Deus amplia o alcance da graça
(At 13.46,47). A mensagem foi primeiramente oferecida aos judeus e, em grande
parte, rejeitada. Ela foi direcionada com mais ênfase aos gentios, que a
receberam com alegria em outras ocasiões, como, por exemplo, em Antioquia da
Psídia (At 13.46-48)” (Gaby, 2026, p.146).
3. A
liberdade na pregação do Evangelho.
“Paulo ficou dois
anos inteiros em sua própria habitação, recebendo todos os que o procuravam”
(At 28.30). Ele estava livre para pregar, mesmo estando preso. Não havia mais
impedimentos para a pregação (At 28.31). A prisão de Paulo não foi um fim, mas
um meio e contribuiu para o progresso do Evangelho (Fp 1.12-14). O Reino avança
independentemente das circunstâncias, pois: 1) A Palavra de Deus não
pode ser aprisionada (2Tm 2.8,9); 2) A perseguição espalhou os discípulos e o
evangelho (At 8.1-4); 3) A oposição humana não pode impedir o propósito de Deus
(At 4.25–28); e 4) O propósito de Deus não pode ser frustrado (Jó 42.2; Is
46.9-10; Pv 19.21).
4. A
missão aos gentios não anula o amor por Israel.
A Bíblia apresenta uma
verdade equilibrada: Deus deseja alcançar todas as nações, mas isso não
significa que tenha deixado de amar Israel. Isso pode ser visto nas seguintes
verdades: Deus não rejeitou o Seu povo (Rm 11.1,2); os gentios não devem se
gloriar contra Israel (Rm 11.17,18); Israel é descrito como “amado por causa
dos patriarcas” (Rm 11.28,29); a salvação dos gentios está ligada às promessas
feitas a Israel (Rm 15.8-12, 27); a missão parte de Jerusalém e alcança todas
as nações (At 1.8); a bênção dos gentios estava incluída na promessa feita a
Abraão (Gn 12.1-3; Gl 3.8); e Paulo ora pela salvação dos judeus (Rm 10.1).
CONCLUSÃO
O capítulo 28 de Atos
demonstra que nenhum obstáculo humano pode impedir o avanço do Reino de Deus. A
chegada de Paulo a Roma confirma a fidelidade do Senhor em cumprir Suas
promessas e revela que o Evangelho é destinado a todas as nações. Mesmo preso,
o apóstolo permaneceu livre para anunciar Cristo, mostrando que a Palavra de
Deus nunca pode ser aprisionada. O livro encerra apontando para a continuidade
da missão da Igreja, que deve proclamar o Evangelho até os confins da terra.
REFERÊNCIAS
Ø BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman – Vol. 10. CBB.
Ø EARLE, Ralph et. al. Comentário Bíblico Beacon – Vol. 7,
CPAD.
Ø GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios – Da Chamada Missionária à
Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.
Ø HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1.
CPAD.
Ø STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Por Rede Brasil de Comunicação.

Nenhum comentário:
Postar um comentário