Dt 1.1-8
INTRODUÇÃO
Neste
último trimestre do ano, estudaremos sobre O Deus da Aliança: Advertências,
Promessas e Bênçãos no Livro de Deuteronômio, onde teremos a oportunidade
de analisar o quinto livro do Pentateuco, escrito por Moisés. Nesta primeira
lição, cujo tema é: O Livro da Aliança, definiremos os termos ‘Deuteronômio’ e
‘Aliança’; veremos algumas informações importantes sobre o livro de Deuteronômio,
tais como: data, autoria, propósitos e características do livro; explicaremos a
importância deste livro para o povo hebreu e para a o cristão; e, finalmente,
citaremos o cumprimento do livro de Deuteronômio no Novo Testamento.
I. DEFINIÇÕES
1.
Deuteronômio.
“A
palavra Deuteronômio provém da versão grega e significa ‘segunda lei’ ou
‘repetição da lei’. O livro consiste em sua maior parte nos discursos de
Moisés, dirigidos ao povo na fértil planície de Moabe; Israel estava prestes a
cruzar o rio Jordão e iniciar a conquista de Canaã, e Moisés estava por
terminar sua carreira. Visto que a primeira geração que saiu do Egito havia
morrido e a segunda não havia presenciado as obras maravilhosas de Deus
realizadas nos primeiros anos, nem as entendia, Moisés trouxe-as à memória do
povo. Também lhes recordou os preceitos da lei do Sinai para que os gravassem
em seus corações, pois esses preceitos os guardariam da iniquidade dos
cananeus. Depois Moisés escreveu os discursos em um livro. Portanto,
distingue-se dos outros livros do Pentateuco por seu estilo oratório e seu
fervor exortativo” (Hoff, 2012, p. 254).
2.
Aliança.
“Nas
Escrituras, um contrato, um pacto, um ajuste que
solenemente se realizava entre duas ou mais pessoas [...]. As alianças que Deus
estabelece com os homens são livres promessas da Sua parte, baseadas em várias
condições que os homens têm de cumprir. A aliança que Deus fez com o homem no Éden
(Gn 1.28); com o homem depois da sua Queda (Gn 3.14); com Noé e
seus filhos, depois do diluvio (Gn 9.1); com Abraão (Gn 15.18; 17.1,14);
com Jacó (Gn 28.13,14); com Israel (Êx 6.4; Jz 2.1); com Davi (2Sm
7.8-16); a Nova Aliança (Hb 8.8; 12.18-24). Quando participamos do
cálice, na Ceia do Senhor, participamos da nova aliança (1Co 11.25; Hb 10.29).
As palavras da aliança eram os Dez Mandamentos (Êx 34.28; Dt 4.13). Chamavam-se
as duas tábuas, em que foram gravados os Dez Mandamentos, as tábuas da aliança,
e a arca em que as guardavam, a arca da aliança (Dt 9.11; 2Cr 6.11; Nm 10.33).
O Novo Concerto, o Novo Testamento, era uma aliança de graça; o Velho Concerto,
o Antigo Testamento, era uma aliança de lei (2Co 3.6, 14; Êx 24.7) (Boyer,
2009, p. 37).
II. INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O
LIVRO DE DEUTRONÔMIO
1.
Data.
“Em
relação à data, a composição de Deuteronômio indicar ser de, aproximadamente, 1405
a.C., por volta do fim da vida de Moisés, no quadragésimo ano da
peregrinação no deserto. O contexto histórico permite afirmar que o escrito
aconteceu nas planícies de Moabe, antes de os israelitas adentrarem a Terra
Prometida (Dt 1.3)” (Gomes, 2026, p. 10, grifo nosso).
2. Autoria.
O próprio livro afirma
que Moisés escreveu: “E aconteceu que, acabando Moisés de escrever num
livro todas as palavras desta lei...” (Dt 31.24). “E Moisés
escreveu esta lei, e a deu aos sacerdotes...” (Dt 31.9). Portanto,
dentro da narrativa de Deuteronômio, Moisés não é apenas o personagem que
transmite a Lei oralmente; ele é apresentado como aquele que a registra por
escrito. “Outros livros bíblicos referenciam Moisés como o seu autor. Em Josué
8.31,32, é dito que este seguiu a “instrução de Moisés” (cf. 1Rs 2-3).
Davi faz recomendações para o seu filho com o “livro de Moisés”. Já no
Novo Testamento, mais especificamente nos Evangelhos de Marcos e de João, ambos
falam que Deuteronômio foi “escrito por Moisés”, e isso é assegurado
pelo próprio Senhor Jesus Cristo (Mc 12.26; Jo 1.45; 5.46,47)” (Gomes, 2026, p.
9, grifo nosso).
3.
Propósito.
“O
propósito original de Moisés ao proferir seus discursos diante da nova geração
de Israel, antes de entregar as rédeas do governo a Josué para efetuar a
conquista de Canaã, foi exortar e instruir os israelitas a respeito: (1) dos
atos poderosos de Deus e as suas promessas; (2) seus deveres segundo o
concerto: a fé e a obediência; e (3) a necessidade de dedicarem-se ao
Senhor, para andarem nos seus caminhos, amá-lo e honrá-lo de todo coração, alma
e forças.” (Stamps, 1995, p. 289, grifo nosso).
4.
Características.
“Quatro
fatos principais caracterizam Deuteronômio: (1) Ele proveu à nova geração de
israelitas prestes a entrar em Canaã, o alicerce e motivação necessários para
herdarem a terra prometida, ao realçar a natureza de Deus e seu concerto com
Israel. (2) É ‘O Livro de Repetição da Lei’, no qual, Moisés, o
dirigente de Israel, já com 120 anos de idade, reafirmou e resumiu (em forma de
sermão) a palavra do Senhor contida nos quatro livros anteriores, do
Pentateuco. (3) É “O Livro das Memórias”. Uma admoestação típica de
Deuteronômio é: ‘Lembra-te, e não te esqueças’. Em vez de apresentar novas
verdades, Deuteronômio exorta Israel a conservar e obedecer à verdade de Deus
já revelada, e entregue como sua Palavra absoluta e imutável. (4) Um
ponto predominante no livro é a fórmula ‘fé mais obediência’. Israel foi
conclamado a confiar em Deus de modo irrestrito e a obedecer aos seus
mandamentos sem vacilação. A fé mais obediência capacitaria os israelitas a
herdar as promessas na plenitude da bênção de Deus. A falta de fé e de
obediência, por outro lado, traria o ciclo do fracasso e do julgamento.”
(Stamps, 1995, p. 289, grifo nosso).
III. PRINCÍPIOS DIVINOS DO LIVRO DE
DEUTRONÔMIO PARA OS ISRAELITAS E PARA OS CRISTÃOS
Embora
Deuteronômio tenha sido originalmente dirigido ao povo de Israel, seus
ensinamentos possuem grande relevância para os cristãos. O livro apresenta
princípios fundamentais sobre Deus, sua Palavra, o pecado, a obediência, a fé,
a santidade, a família, a liderança e o relacionamento do ser humano com o
Senhor. Além disso, Deuteronômio é frequentemente citado no Novo Testamento,
inclusive pelo próprio Jesus. Vejamos alguns:
1.
O amor a Deus.
Um
dos principais temas de Deuteronômio é o amor a Deus. O livro apresenta o amor
ao Senhor como o fundamento do relacionamento entre Deus e Israel. Em
Deuteronômio 6.4-5, Moisés declara que o Senhor é o único Deus e ordena: “Amarás,
pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de
toda a tua força”. Para os cristãos, esse tema possui uma
importância ainda maior porque Jesus reafirmou Deuteronômio 6.4-5 como o maior
mandamento. Quando perguntado sobre qual era o maior mandamento da Lei, Jesus
respondeu que era “amar o Senhor de todo o coração, de toda a alma e de
todo o entendimento” (Mt 22.37-38; Mc 12.29-30). Em Lucas 10.27, a
mesma verdade é apresentada como fundamento da vida com Deus.
2. Obediência à
Palavra de Deus.
Um dos principais temas
de Deuteronômio é a “obediência à Palavra de Deus”. Moisés exorta
Israel a ouvir, guardar e praticar os mandamentos que o Senhor havia
estabelecido, pois a obediência seria fundamental para que o povo permanecesse
fiel à aliança e desfrutasse das bênçãos de Deus (Dt 4.1-2; 5.32-33; 6.17-18).
Para os cristãos, esse princípio continua sendo fundamental, pois a fé
verdadeira não se limita ao conhecimento das Escrituras, mas produz uma vida de
obediência. Jesus ensinou que aquele que o ama guarda os seus mandamentos (Jo
14.15), e Tiago adverte que devemos ser praticantes da Palavra e não somente
ouvintes (Tg 1.22). Assim, Deuteronômio ensina que ouvir a Palavra de Deus deve
resultar em obediência, fidelidade e prática da vontade do Senhor.
3. Transmissão da fé às
novas gerações.
Outro
importante tema de Deuteronômio é a transmissão da fé às novas gerações. Moisés
sabia que uma nova geração estava prestes a entrar na Terra Prometida e, por
isso, ordenou aos israelitas que ensinassem continuamente aos seus filhos os
mandamentos e os feitos de Deus (Dt 4.9-10; 6.6-9; 11.18-21). A
responsabilidade de transmitir a fé começava dentro do lar e deveria fazer
parte da vida cotidiana, de modo que as novas gerações conhecessem o Senhor e
não se esquecessem daquilo que Ele havia realizado. Para os cristãos, esse
princípio continua extremamente importante, pois a fé precisa ser ensinada e
transmitida às novas gerações por meio da família, da igreja e do discipulado
(Ef 6.4; 2Tm 1.5; 2.2). Portanto, Deuteronômio mostra que preservar a fé também
significa ensinar a Palavra de Deus à geração seguinte.
4.
Justiça e responsabilidade social.
Deuteronômio
também apresenta a justiça e a responsabilidade social como importantes princípios
para a vida do povo de Deus. Moisés estabeleceu orientações para que Israel
tratasse com justiça os pobres, estrangeiros, órfãos e viúvas, demonstrando que
a adoração a Deus deveria estar acompanhada de responsabilidade para com o
próximo (Dt 10.17-19; 15.7-11; 24.17-22). Os israelitas deveriam lembrar que
também haviam sido estrangeiros no Egito e, por isso, deveriam demonstrar
misericórdia aos necessitados (Dt 10.18-19; 24.18,22). Para os cristãos, esses
princípios revelam que a verdadeira fé deve produzir atitudes de justiça,
misericórdia e amor ao próximo (Mt 22.39; Tg 1.27; 2.14-17). Portanto,
Deuteronômio ensina que o relacionamento correto com Deus deve refletir-se no
tratamento justo, digno e misericordioso dispensado às outras pessoas.
5.
Bênção e maldição.
Moisés
colocou diante de Israel a possibilidade de experimentar as bênçãos decorrentes
da obediência ao Senhor ou as consequências da rebeldia (Dt 11.26-28).
Deuteronômio 28 apresenta de maneira extensa as bênçãos que acompanhariam a
obediência (Dt 28.1-14) e as consequências da desobediência (Dt 28.15-68). O
objetivo era ensinar que as escolhas do povo teriam consequências e que a
fidelidade a Deus não poderia ser tratada com indiferença. Para os cristãos,
embora não estejamos debaixo da aliança mosaica, o princípio de que nossas
escolhas possuem consequências permanece verdadeiro (Gl 6.7-8). A vida cristã
deve ser marcada pela obediência, sabendo que Deus é santo e que suas palavras
devem ser levadas a sério. Assim, Deuteronômio ensina que a fidelidade a Deus
traz consequências de bênção, enquanto a rebeldia produz consequências
dolorosas.
IV. O LIVRO DE DEUTRONÔMIO E SEU CUMPRIMENTO NO NOVO TESTAMENTO
Moisés anunciou que Deus levantaria, no futuro, um profeta semelhante a ele, a quem o povo deveria ouvir (Dt 18.15-19). O Novo Testamento aplica essa promessa a Jesus Cristo (At 3.22-23; 7.37). Dessa maneira, Deuteronômio também contribui para a compreensão da revelação progressiva do plano de Deus culminado em Cristo. “Quando Jesus foi tentado pelo diabo, Ele respondeu, citando trechos de Deuteronômio (Mt 4.4,7,10, cf. Dt 8.3; 6.13,16). Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento da lei, sua resposta veio de Deuteronômio (Mt 22.37; cf. Dt 6.5). Quase cem vezes, os livros do NT citam Deuteronômio, ou a ele aludem. Uma nítida profecia messiânica deste livro (18.15-19) é citado duas vezes em Atos (3.22,23; 7.37). O cunho espiritual de Deuteronômio é fundamental à revelação do NT” (Stamps, 1995, p. 289).
1. Jesus Cristo, o Profeta prometido.
CONCLUSÃO
Embora
Deuteronômio tenha sido escrito, à princípio, para os hebreus que iriam possuir
à terra de Canaã, ele continua sendo um livro de grande importância para os
cristãos. Ele ensina a amar a Deus, valorizar sua Palavra, lembrar seus feitos,
obedecer aos seus mandamentos, transmitir a fé às novas gerações, praticar a
justiça e permanecer fiel ao Senhor. Sua presença frequente no Novo Testamento,
especialmente nos ensinamentos de Jesus, demonstra que sua mensagem ultrapassa
o contexto histórico de Israel e continua oferecendo princípios fundamentais
para a vida do povo de Deus.
REFERÊNCIAS
Ø BOYER, Orlando. Pequena
Enciclopédia Bíblica. CPAD.
Ø GOMES, Osiel. O Deus da Aliança:
Advertências, Promessas e bênçãos no Livro de Deuteronômio. CPAD.
Ø HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
Ø STAMPS, Donald Carrel. Bíblia
de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø THOMPSON, J.A. Deuteronômio:
Introdução e Comentário. VIDA NOVA.
Por
Rede Brasil de Comunicação.


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