segunda-feira, 12 de novembro de 2018

QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2018







   AS PARÁBOLAS DE JESUS –
As Verdades e Princípios Divinos
para Uma Vida Abundante.







Lição 06

Para Refletir
A respeito de “Sinceridade e Arrependimento Diante de Deus” responda:


O que significa dizer que estamos diante de uma “parábola narrativa indireta simples”?
Uma comparação entre dois personagens opostos o fariseu e o publicano, colocando-os lado a lado.

Além de perseverarmos na oração, o que é necessário fazer?
Além de perseverarmos na oração, é preciso cultivar uma atitude correta.

Qual foi, de fato, o erro do fariseu?
Sua arrogância.

O que era possível notar pelas palavras do fariseu e do publicano?
É possível notar, pelas palavras do fariseu, que todos os seres humanos eram pecadores e “apenas” ele era justo. De forma contrária, na confissão do publicano, porém, todos eram justos, “somente” ele era o pecador.

Qual é o princípio por trás de toda essa parábola?
O princípio por trás de toda a parábola está muito claro: aquele que se exalta, será humilhado. Ninguém possui algo de que possa se orgulhar diante de Deus. Quem se humilha, será exaltado (Lc 14.11). O pecador arrependido que humildemente busca a misericórdia de Deus, certamente, a encontrará.



domingo, 11 de novembro de 2018

LIÇÃO 06 – SINCERIDADE E ARREPENDIMENTO DIANTE DE DEUS (SUBSÍDIO)


  




Lc 18.9-14





INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos quem eram os fariseus e os publicanos; definiremos um contraste das palavras arrogância e humildade; veremos algumas características negativas do caráter do fariseu; e por fim, notaremos um contraste entre a oração do publicano e do publicano.


I. QUEM ERAM OS FARISEUS E OS PUBLICANOS
Jesus proferiu três parábolas relacionadas com a oração que são respectivamente: (a) o amigo importuno (Lc 11.5-13); (b) o juiz iníquo (Lc 18.1-8); e, (c) o fariseu e o publicano (Lc 18.9-14). A parábola do fariseu e o publicano é constituída de duas orações feitas por dois homens com dois resultados diferentes. Vejamos alguns detalhes sobre estes dois personagens:

1. Os fariseus.
Eram de uma seita judaica que surgiu na segunda metade do período interbíblico (tempo que decorreu entre o encerramento do AT e o início do NT, entre Malaquias e Mateus). No início da formação da seita, os fariseus eram devotos e fiéis, visando conservar viva a fé em Deus, a obediência à sua Lei, manter a pureza moral e espiritual e fortalecer a esperança messiânica (GILBERTO, 1990, p. 7). Não tardou muito e os fariseus tornaram-se legalistas, formalistas e hipócritas, dando mais valor à tradição do que às Sagradas Escrituras. Ao longo de seu ministério público, Jesus condenou a hipocrisia e a incredulidade dos fariseus (Lc 11.39-54). Descreveu-os como devedores falidos, incapazes de pagar sua dívida a Deus (Lc 7.40-50), convidados brigando pelos melhores lugares (Mt 23.13-39; Lc 14.7-14) e filhos orgulhosos de sua obediência, mas alheios às necessidades dos outros (Lc 15.25-32) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).

2. Os publicanos.
Eram judeus cobradores de impostos e por isso eram odiados e tidos como traidores porque trabalhavam para Roma que ocupava a terra dos judeus. O termo publicano vem do latim “publicum” porque seu trabalho estava ligado à renda pública. Geralmente eles extorquiam dinheiro, cobrando a mais, e aceitavam suborno dos ricos (Lc 3.12,13; 19.1-10). Eram comparados a: a) pecadores (Mt 9.10-13; Lc 15.1); b) meretrizes (Mt 21.31); e, c) gentios (Mt 10.18; 1Ts 4.5). Eram ainda tidos como impuros porque estavam sempre em contato com gentios (GILBERTO, 1990, p. 7).


II. CONTRASTE ENTRE ARROGÂNCIA E A HUMILDADE
1. Arrogância.
Segundo o dicionarista Houaiss (2001, p. 303), arrogância significa: “ato de atribuir a si mesmo privilégio; atitude prepotente de desprezo com relação aos outros; atitude desrespeitosa e ofensiva em atos ou palavras; orgulho ostensivo; soberba; altivez; insolência; atrevimento”. O termo deriva-se do hebraico “zadôn” e significa altivez, orgulho ou soberba (Ml 4.1; Sl 119.51,69,78,122; Jr 43.2). O orgulho é um pecado e é abominável diante de Deus (Pv 6.16,17; 21.4). No NT o termo é “alazonia”, que é traduzido por soberba ou orgulho (1 Tm 3.6; 1Jo 2.16). É esta obra da carne que podemos ver na pessoa do fariseu.

2. Humildade.
Segundo o dicionarista Houaiss (2001, p. 1555), humildade significa: “virtude caracterizada pela consciência das próprias limitações; simplicidade; sentimento de fraqueza e inferioridade com relação a alguém; ausência completa de orgulho; rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito; modéstia; ausência de orgulho, soberba ou vaidade”. O termo deriva-se do hebraico “ãnãw”, que quer dizer “humilde” e “ãnãwâ” que significa “humildade” (Jó 22.29; Sl 10.12; 138.6; Pv 11.2; 14.21; 15.33; 16.19; 18.12). Nas páginas do NT o termo é “tapeinos” (Mt 11.29; Lc 1.52; Rm 12.16; 2Co 7.6; Tg 4.6; 1Pe 5.5). A humildade está associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor (Pv 15.33; 18.12; 22.4; 1Pe 5.5). É este fruto do Espírito que podemos ver na pessoa do publicano.


III. CARACTERÍSTICAS DO FARISEU
O fariseu da parábola tinha religião e religiosidade, mas voltou vazio do templo, porque tudo quanto ele apresentava era mera aparência, estando seu coração tão somente cheio de orgulho e de autojustiça. Ele apenas parecia justo diante dos outros, mas no seu coração nem amava a Deus, nem ao próximo. A autojustiça do ser humano é um mal universal: “Cada qual entre os homens apregoa a sua bondade […]” (Pv 20.6). Jesus usa o método de ensino comparativo, mediante contrastes. Notemos:

1. Confiava em si mesmo.
O fariseu usava a oração como forma de obter reconhecimento público, não como exercício espiritual para glorificar a Deus (Mt 6.5; 23.14) Os fariseus eram o verdadeiro exemplo daqueles que “[…] uns que confiavam em si mesmos” (Lc 18.9a). É o erro de confiar no nosso “eu”: “Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo […]” (Lc 10.29). É um grande erro confiar em sua própria justiça: “E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é elevado perante Deus é abominação” (Lc 16.15). Outras coisas fracas em que não devemos confiar são: a) nas riquezas (Mc 10.24); b) nos homens (Jr 17.5;3); c) nos “muros” da vida (Dt 28.52; 4); d) nos carros e cavalos (Sl 20.7); e) nas palavras falsas (Jr 7.8,6); f) na formosura (Ez 16.15); e, g) na armadura humana (Lc 11.22).

2. Acreditava que era justo.
Em sua oração, em momento algum ele confessou seus pecados e mostrou arrependimento. O fariseu alimentava uma falsa fé quanto à justiça: “[…] crendo que eram justos […]” (Lc 18.9b). Essa parábola é uma grande advertência sobre autojustiça durante a oração. Aqui está uma das razões de muitas orações não respondidas: irmos a Deus julgando-nos merecedores de alguma coisa, porque somos justos (Is 64.6; Fp 3.8,9). Tudo recebemos de Deus como resultado do seu amor gracioso (Dt 7.6-8; Tt 3.5-7). O fariseu estava em pé de modo soberbo, exibicionista e denotando superioridade e isso revelou o seu caráter: “[…] não sou como os demais homens roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” (Lc 18.11-b) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).

3. Desprezava os outros.
Os outros que não pareciam “justos” a seus próprios olhos, como os fariseus, e quem não agisse como eles eram tidos como pecadores (Lc 5.30; 18.11). Os fariseus se sentiam superiores e mais santos do que os demais homens: “[…] e desprezavam os outros” (Lc 18.9c). O termo como está no versículo 9 significa: “não fazer caso de alguém, não dar importância, rejeitar, discriminar, considerar o próximo como nada”. Algo muito parecido com o que o Senhor falou pelo profeta Isaías: “E dizem: retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu […]” (Is 65.5). Quem se entrega a Cristo para obter Sua justiça, reconhece que nada é em si mesmo, e sempre está pronto a admitir que os outros são melhores do que ele. Um verdadeiro filho de Deus não despreza ninguém: “Tu também, por que desprezas teu irmão?’’ (Rm 14.10). O orgulho do fariseu condenou-o, mas a fé humilde do publicano o salvou (ver Lc 14.11 e Is 57.15).


IV. CONTRASTE ENTRE A ORAÇÃO DO FARISEU E DO PUBLICANO
Vejamos alguns contrastes entre as orações do fariseu e do publicano:

1. A oração do fariseu.
O fariseu agradece a Deus por não ser como os demais homens. Isso significa que ele atribuía a Deus a sua maneira hipócrita de ser, sua autossuficiência de justiça: “Ó Deus Graças te dou […]” (Lc 18.11-a). Ora, agradecer a Deus por isso, significa realmente acusá-lo. Ele estava prestando um relatório dos outros a Deus, e não orando: “[…] não sou como este publicano”. Vemos aqui sua atitude de desprezo pelo próximo, e seu orgulho pessoal. A outra evidência do seu orgulho perverso está nas palavras de Jesus concernentes a esta oração: “[…] qualquer que a si mesmo se exalta” (Lc 18.14). Até aqui o fariseu diz a Deus o que ele era, mas no versículo 12 ele passa a dizer o que ele faz. A sua oração só continha informação e ele jejuava por formalidade; não por necessidade e voluntariamente.

2. A oração do publicano.
O caso do publicano ensina-nos como disse o salmista: “a um coração contrito não desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). “O publicano, porém, estando em pé […]” (Lc 18.13). A construção verbal como está no original, denota atitude humilde, sem qualquer ostentação. O texto ainda diz que o publicano orava “de longe” isto é, longe do templo propriamente dito. No templo mesmo só entravam os sacerdotes para lá ministrar. Em volta do templo havia várias áreas chamadas átrios, onde ficava o povo, dependendo do seu grupo. O átrio onde se fazia oração era o das mulheres. O fariseu postou-se na extremidade desse átrio, próximo ao templo. O publicano postou-se na outra extremidade, distante do templo, reconhecendo a indignidade de aproximar-se do santo lugar (Is 6.5-7; 1Tm 1.15). O publicano: “nem ainda queria levantar os olhos aos céus”. O publicano, de tão convicto, vendo que suas palavras não eram suficientes para expressar o seu arrependimento, batia no peito, mostrando que sua oração partia de um coração quebrantado: “[…] mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” (Lc 18.3-c). Isso fala de lamento, pesar, aflição (Lc 23.48; Jr 31.19; Na 2.7).


V. LIÇÕES DA PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO
Podemos refletir sobre algumas lições práticas importantes que esta parábola nos ensina. Vejamos:

1. Deus não se impressiona.
O fariseu tentou impressionar a Deus; ele fez isso se comparando às outras pessoas e mostrando o quanto era superior a elas. Ele se julgava diferente e acima de todos. O publicano, por sua vez, também se comparou às outras pessoas, mas ele se julgou inferior a todas elas. Ele classificou-se a si mesmo como “o pecador”. O apóstolo Paulo também fez o mesmo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).

2. Deus não dá Sua glória a ninguém.
A oração do publicano expressa uma verdade presente em toda a Bíblia, declarando que a salvação, do início ao fim, pertence a Deus e é atribuída à Sua misericórdia e graça (Sl 51.1; Lc 18.13; Ef 2.8; Tt 3.5). O homem é incapaz de justificar-se a si mesmo. A oração do fariseu aparentemente parecia ser uma oração de gratidão. Aos olhos humanos, tal oração poderia realmente representar as palavras de alguém justo e distinto por sua religiosidade. Porém, aos olhos de Deus, tal oração era uma afronta, uma ofensa, pois na verdade ela atacava a glória de Deus.

3. Elogio humano pode ser perverso e enganoso.
Quando o fariseu começou a se autocongratular, ele disse que não era um ladrão, um desonesto e um adúltero. Tudo o que o fariseu dizia não ser, na verdade, ele era. O fariseu era o ladrão que naquele exato momento roubava a glória de Deus nas palavras de sua oração. Ele era o homem desonesto que defraudava a si mesmo. Por último, ele era o adúltero culpado do pior de todos os adultérios, ao apostatar do verdadeiro Deus (Os 1.2; 5.3).


CONCLUSÃO
A Parábola do fariseu e o publicano nos convida a fazer um importante autoexame. Devemos olhar para nossas vidas e avaliar nossa conduta diante da Palavra de Deus, afinal, fariseus e publicanos continuam espalhados por todos os lugares.




REFERÊNCIAS
Ø  GILBERTO, Antônio. Lições Bíblicas Maturidade Cristã. CPAD
Ø  HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  LOCKYER, Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia. VIDA
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo Novo Testamento. GEOGRÁFICA.



Por Rede Brasil de Comunicação.



quinta-feira, 8 de novembro de 2018

QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2018







   O VENTO SOPRA ONDE QUER –
O Ensino Bíblico do Espírito Santo e
sua Operação na Vida da Igreja.







Lição 05

Hora da Revisão
A respeito do tema “A Contemporaneidade dos Dons Espirituais”, responda:


1. O que fez com que Paulo na Primeira Carta aos Coríntios mencionasse um conjunto de dotações do Espírito Santo aos crentes da igreja local?
Paulo escreveu a respeito desse assunto para que os crentes de Corinto aprendessem a lidar com essas manifestações, tanto na igreja quanto fora dela. Ele deixa claro que não quer que os coríntios sejam ignorantes, que desconheçam a existência e a forma correta de se tratar desses dons (1Co 12.1).

2. Qual é o propósito dos dons espirituais?
Os dons espirituais têm como propósito a edificação da Igreja.

3. Relacione os dons de poder.
Fé, operação de maravilhas e dons de curar.

4. O que é o cessacionismo?
É a teoria que acredita que os dons espirituais, como relatados no Novo Testamento, só existiram durante um período da história da igreja.

5. O que é o continuísmo?
É a corrente teológica adotada por pentecostais, que creem que os dons espirituais. como mencionados por Paulo em 1 Coríntios, são correntes em nossos dias.



QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2018







   AS PARÁBOLAS DE JESUS –
As Verdades e Princípios Divinos
para Uma Vida Abundante.






Lição 05

Para Refletir
A respeito de “Amando e Resgatando a Pessoa Desgarrada”, responda:


O que a parábola da ovelha perdida ilustra?
Esta parábola, que também fora contada em outra ocasião (Mt 18.12), ilustra a busca pelo perdido.

O que designa o termo “dracma”?
O termo “dracma” designa uma moeda grega que era compatível ao denário romano, valor que era equivalente a um dia de salário de um trabalhador agrícola.

Na condição de perdidas, do que todas as pessoas precisam?
Na condição de perdidas, todas as pessoas precisam de salvação (Rm 3.23) e o Senhor está disposto a salvá-las (Jo 3.16; 1Tm 2.4; 2Pe 3.9).

Cite um dos passos mínimos para se resgatar uma ovelha desgarrada.
O aluno pode citar qualquer um dos quatro passos.

O que é preciso para que nossa alegria seja completa?
Para que a nossa alegria seja completa precisamos da alegria do Senhor, pois ela é a nossa força (Jo 15.11; Ne 8.10).



sábado, 3 de novembro de 2018

LIÇÃO 05 – AMANDO E RESGATANDO A PESSOA DESGARRADA (SUBSÍDIO)


  




Lc 15.3-10





INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos duas das parábolas mais conhecidas registradas no Evangelho escrito por Lucas; pontuaremos também algumas de suas principais características, para melhor compreensão de sua mensagem; e por fim, veremos qual a devida aplicação dessa mensagem para a igreja atual.


I. A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA
Nenhum outro capítulo do Novo Testamento é tão conhecido e tão querido como o décimo quinto de Lucas, de modo a ser chamado de: “o evangelho no evangelho” (BARCLAY, sd, p. 174). A história da ovelha perdida que nesse capítulo está registrada tem um paralelo em Mateus 18.10-14, cujo contexto focaliza no desejo do Pai celestial de que: “Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18.14). Em Lucas, o foco está na ação graciosa de Deus que vai em busca do perdido, no arrependimento como o caminho de volta do pecador ao pai e a sua respectiva aceitação (Lc 15.7,10,18,19,21). Vejamos ainda algumas considerações sobre esta parábola: 

1. A motivação do anúncio da parábola.
O fato de Cristo ser procurado pelos publicanos e pecadores (Lc 15.1), bem como a Sua atitude de em recebê-los comendo com eles (Lc 15.2), resultou na murmuração dos fariseus e escribas. O ódio desses religiosos pelos publicanos e pecadores é bem conhecido nas Escrituras (Mt 9.10,11; Mc 2.15,16; Mt 18.9-11). Eles sentiam que qualquer um que se associasse com estas pessoas desprezadas, o fazia por ter o mesmo caráter. Diante disso, o Senhor Jesus passa a ilustrar e consequentemente justificar o porquê de sua atitude amorosa, e qual o sentimento que deveria existir nos fariseus e escribas em relação a estas pessoas.

2. O objetivo da parábola.
Os fariseus e escribas reputavam aos publicanos e pecadores como pessoas indignas do amor de Deus. Os publicanos (cobradores de impostos) não eram tidos em alta estima, porque não somente auxiliavam os romanos que subjugava os judeus, mas também enriqueciam ilicitamente as custas de seus patrícios (Lc 19.2,8). Já os pecadores eram assim chamados porque não interpretavam a Lei como os escribas e fariseus ou exerciam profissões pouco honrosas. Para corrigir a visão distorcida daqueles em relação aos pecadores, Jesus conta neste capítulo três parábolas (ovelha e moeda perdida e do filho pródigo) que expressam o grande amor de Deus pelos perdidos, mostrando que estes são amados e podem ser aceitos pelo Senhor mediante o arrependimento (Lc 15.7,10,32).

3. Personagens da parábola.
A figura usada por Jesus nessa parábola é algo muito comum para seus ouvintes, é provável que enquanto ele a contava, era possível ver naquela região de forma muito familiar os pastores cuidando de suas ovelhas. A ovelha da história perdeu-se por irracionalidade. Esses animais têm a tendência de se desencaminhar, por isso precisam de um pastor (Is 53.6; 1 Pe 2.25). A imagem do pastor e as ovelhas é muito comum desde o AT para ilustrar o cuidado de Deus para com os seres humanos (Sl 23.1; Jr 23.1-4; Is 40.11; Ez 34.11-16; 37.24).


II. A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA
As narrativas desse capítulo podem também ser chamadas de: “As Parábolas dos Quatro Verbos – Perder, Procurar, Encontrar, Regozijar-se”. Esses quatro verbos certamente resumem a dinâmica do texto. A mensagem central desta parábola é a mesma da ovelha perdida, e a respeito da parábola da dracma perdida, pontuamos duas informações adicionais:

1. Estrutura da parábola.
As duas parábolas iniciais desse capítulo possuem uma estrutura semelhante: a) uma breve indicação dos personagens: “Que homem dentre vós […]” (Lc 15.4a), “Ou qual a mulher […]” (Lc 15.8a); b) uma declaração da perda: “[…] perdendo uma delas [ovelha]” (Lc 15.4b), “[…] se perder uma dracma” (Lc 15.8b); c) uma pergunta retórica: “[…] e não vai após a perdida até que venha a achá-la?” (Lc 15.4c), “[…] e busca com diligência até a achar?” (Lc 15.8c); d) uma reação: “E achando-a [ovelha], a põe sobre os seus ombros, cheio de júbilo […]” (Lc 15.5), “E achando-a, […] alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida” (Lc 15.9); e, e) uma afirmação conclusiva: “[…] assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7), “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

2. Propósito da parábola.
Esta parábola da dracma perdida repete o significado da primeira, no entanto, com uma ilustração diferente. A ovelha perdeu-se por não ter racionalidade, mas a moeda foi perdida por causa do descuido de alguém. A moeda perdida deveria estar com as outras nove, a intensa busca da mulher em procurar a dracma, expressa a intensidade da preocupação de Deus para recuperar os perdidos (Lc 19.10: Jo 10.16). Logo, há mais alegria no céu por um pecador encontrado: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lc 15.7), isso não quer dizer, no entanto, que os justos não sejam amados, pois estes estão seguros condicionalmente no aprisco (Lc 15.4; Jo 10.28,29); mas, que a alegria nesse contexto está reservada para aqueles que são encontrados depois que estiveram perdidos, e é isso que é peculiar sobre esta apresentação do Reino de Deus nessa parábola (NEALE, 2015, pp. 168,169 – acréscimo nosso).


III. A PARÁBOLA DA OVELHA E DA DRACMA PERDIDA E SUA APLICAÇÃO PARA A IGREJA
Um notável traço das parábolas é o fato de retratarem a realidade espiritual do ser humano, como também o caráter e a obra de Cristo, e por inferência o papel da igreja no Reino de Deus. Notemos algumas dessas verdades:

1. A necessidade do homem perdido.
Tudo o que Deus criou, o fez perfeitamente (Gn 1.31; Ec 7.29). Contudo, por causa do mau uso do livre-arbítrio, o pecado teve o seu lugar na humanidade, manchando (não destruindo) a imagem de Deus (imago Dei) no homem. Em Efésios 2.3 diz o apóstolo Paulo que os efésios eram: “por natureza filhos da ira, como também os demais”. Nesta passagem a expressão “por natureza” indica uma coisa inata e original, em distinção daquilo que é adquirido (Is 53.6). Então, o pecado é uma coisa da própria natureza humana, da qual participam todos os homens e que os fazem culpados diante de Deus (Is 59.16; Rm 5.12-14), por isso, que todos os homens se acham sob condenação e necessitam da redenção (BERKHOF, 2000, p. 235).

2. O amor de Deus pelos perdidos.
As parábolas deste capítulo ilustram a consideração de Deus pelos perdidos. Essa narrativa nos dá um quadro impressionante da própria missão de Jesus na terra. Ele veio em busca das ovelhas perdidas, este foi o seu objetivo por todos os lugares onde passou (Mt 9.36; 14.14; Lc 19.10: Jo 4.4). Em cada caso aquele que estava perdido era considerado precioso, valia a pena buscá-los, e também valia a pena se alegrar quando eram encontrados. Jesus estava dizendo que Deus procura os pecadores perdidos! Não é de se admirar que os escribas e fariseus tivessem ficado ofendidos, pois em sua teologia legalista não havia lugar para um Deus desse tipo. Haviam esquecido que Deus procurou Adão e Eva quando pecaram e se esconderam dele (Gn 3.8,9). Apesar de seu suposto conhecimento das Escrituras, os escribas e fariseus se esqueceram que Deus é como um Pai que se compadece de seus filhos rebeldes (Sl 103.8-14).

3. A ação de Deus pelos perdidos.
Devido à pecaminosidade do homem, este estava destinado a condenação eterna (Jo 3.18; Rm 3.23; Ef 2.3). Mas, apesar dessa condição, Deus por Sua graça e misericórdia (Ef 2.4,5) estabeleceu um projeto salvífico para resgatar o homem (Gn 3.15; Jo 3.16; Ap 13.8). O projeto de restauração do homem, tem como fonte a pessoa de Deus (Is 45.22; Tt 2.11). Na condição de pecador, o homem jamais por si só produziria a sua salvação (Rm 3.10,11; Tt 3.5), por essa razão vemos partindo sempre de Deus a iniciativa de resgatar o homem (Gn 3.9;15,21). A Bíblia diz que: “Deus amou”; “Deus deu”; “Deus enviou” (Jo 3.16,17). Paulo diz ainda que: “[…] a graça de Deus se manifestou […] (Tt 2.11); e que: “tudo isto provém de Deus” (2 Co 5.18a). Deus, por Sua maravilhosa graça decidiu soberanamente salvar o homem caído em pecado, por meio de Jesus Cristo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo […]” (2 Co 5.19), esperando do homem em resposta a essa graça, arrependimento e fé (Mc 1.15; At 2.38; 3.19; 2 Co 7.10; Mc 16.16; Rm 10.9; Ef 2.8).

4. A igreja e a busca pelos perdidos.
Segundo Horton (2006, pp. 299,300), “a Igreja é uma comunidade formada por Cristo em benefício do mundo. Cristo entregou-se em favor da Igreja, e então a revestiu com o poder do dom do Espírito Santo a fim de que ela pudesse cumprir o plano e propósito de Deus”. Uma igreja que não tem a sensibilidade de ir em busca dos perdidos, está perdida em si mesma, visto que um dos motivos pelos quais a igreja existe, é para evangelizar afirmou o apóstolo Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). A Igreja tem diversas atribuições, no entanto, a mais excelente delas é a que justifica a sua presença aqui na terra: a sublime tarefa da evangelização (Mt 28.16-20; Mc 16.15). 



CONCLUSÃO
Fica claro por meio dessas duas parábolas o amor de Deus pelos pecadores. Como também uma mensagem bem definida para a igreja atual, que como corpo de Cristo, devemos buscar os que estão perdidos e lhes anunciar a boas novas de salvação. O fervor que Jesus demonstrou deve arder em cada um de nós, e nos alegrarmos com os anjos de Deus pelo pecador que se arrepende.




REFERÊNCIAS
BARCLAY, William. Comentário do Novo Testamento. PDF
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. CULTURA CRISTÃ.
HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
HORTON, Stanley. Teologia Sistemática. CPAD.
NEALE, David. A. Novo Comentário Bíblico Beacon. CENTRAL GOSPEL.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.



Por Rede Brasil de Comunicação.