Lc 18.9-14
INTRODUÇÃO
Nesta lição,
veremos quem eram os fariseus e os publicanos; definiremos um contraste das
palavras arrogância e humildade; veremos algumas características negativas do
caráter do fariseu; e por fim, notaremos um contraste entre a oração do
publicano e do publicano.
I. QUEM ERAM OS
FARISEUS E OS PUBLICANOS
Jesus proferiu
três parábolas relacionadas com a oração que são respectivamente: (a) o amigo
importuno (Lc 11.5-13); (b) o juiz iníquo (Lc 18.1-8); e, (c) o fariseu e o
publicano (Lc 18.9-14). A parábola do fariseu e o publicano é constituída de
duas orações feitas por dois homens com dois resultados diferentes. Vejamos
alguns detalhes sobre estes dois personagens:
1. Os fariseus.
Eram de uma
seita judaica que surgiu na segunda metade do período interbíblico (tempo que
decorreu entre o encerramento do AT e o início do NT, entre Malaquias e
Mateus). No início da formação da seita, os fariseus eram devotos e fiéis,
visando conservar viva a fé em Deus, a obediência à sua Lei, manter a pureza
moral e espiritual e fortalecer a esperança messiânica (GILBERTO, 1990, p. 7).
Não tardou muito e os fariseus tornaram-se legalistas, formalistas e
hipócritas, dando mais valor à tradição do que às Sagradas Escrituras. Ao longo
de seu ministério público, Jesus condenou a hipocrisia e a incredulidade dos
fariseus (Lc 11.39-54). Descreveu-os como devedores falidos, incapazes de pagar
sua dívida a Deus (Lc 7.40-50), convidados brigando pelos melhores lugares (Mt
23.13-39; Lc 14.7-14) e filhos orgulhosos de sua obediência, mas alheios às
necessidades dos outros (Lc 15.25-32) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).
2. Os
publicanos.
Eram judeus
cobradores de impostos e por isso eram odiados e tidos como traidores porque
trabalhavam para Roma que ocupava a terra dos judeus. O termo publicano
vem do latim “publicum” porque seu trabalho estava ligado à renda pública.
Geralmente eles extorquiam dinheiro, cobrando a mais, e aceitavam suborno dos
ricos (Lc 3.12,13; 19.1-10). Eram comparados a: a) pecadores (Mt 9.10-13; Lc 15.1); b) meretrizes (Mt 21.31); e, c)
gentios (Mt 10.18; 1Ts 4.5). Eram ainda tidos como impuros porque estavam
sempre em contato com gentios (GILBERTO, 1990, p. 7).
II. CONTRASTE ENTRE
ARROGÂNCIA E A HUMILDADE
1. Arrogância.
Segundo o
dicionarista Houaiss (2001, p. 303), arrogância significa: “ato de atribuir a si mesmo privilégio;
atitude prepotente de desprezo com relação aos outros; atitude desrespeitosa e
ofensiva em atos ou palavras; orgulho ostensivo; soberba; altivez; insolência;
atrevimento”. O termo deriva-se do hebraico “zadôn” e significa altivez,
orgulho
ou soberba
(Ml 4.1; Sl 119.51,69,78,122; Jr 43.2). O orgulho é um pecado e é abominável
diante de Deus (Pv 6.16,17; 21.4). No NT o termo é “alazonia”, que é traduzido
por soberba
ou orgulho
(1 Tm 3.6; 1Jo 2.16). É esta obra da carne que podemos ver na pessoa do
fariseu.
2. Humildade.
Segundo o
dicionarista Houaiss (2001, p. 1555), humildade significa: “virtude caracterizada pela consciência das
próprias limitações; simplicidade; sentimento de fraqueza e inferioridade com
relação a alguém; ausência completa de orgulho; rebaixamento voluntário por um
sentimento de fraqueza ou respeito; modéstia; ausência de orgulho, soberba ou
vaidade”. O termo deriva-se do hebraico “ãnãw”, que quer dizer
“humilde” e “ãnãwâ” que significa “humildade” (Jó 22.29; Sl 10.12; 138.6; Pv
11.2; 14.21; 15.33; 16.19; 18.12). Nas páginas do NT o termo é “tapeinos”
(Mt 11.29; Lc 1.52; Rm 12.16; 2Co 7.6; Tg 4.6; 1Pe 5.5). A humildade está
associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor (Pv
15.33; 18.12; 22.4; 1Pe 5.5). É este fruto do Espírito que podemos ver na
pessoa do publicano.
III. CARACTERÍSTICAS
DO FARISEU
O fariseu da
parábola tinha religião e religiosidade, mas voltou vazio do templo, porque
tudo quanto ele apresentava era mera aparência, estando seu coração tão somente
cheio de orgulho e de autojustiça. Ele apenas parecia justo diante dos outros,
mas no seu coração nem amava a Deus, nem ao próximo. A autojustiça do ser
humano é um mal universal: “Cada qual entre os homens apregoa a sua
bondade […]” (Pv 20.6). Jesus usa o método de ensino comparativo,
mediante contrastes. Notemos:
1. Confiava em
si mesmo.
O fariseu usava
a oração como forma de obter reconhecimento público, não como exercício
espiritual para glorificar a Deus (Mt 6.5; 23.14) Os fariseus eram o verdadeiro
exemplo daqueles que “[…] uns que confiavam em si mesmos” (Lc
18.9a). É o erro de confiar no nosso “eu”: “Ele, porém, querendo justificar-se
a si mesmo […]” (Lc 10.29). É um grande erro confiar em sua própria
justiça: “E disse-lhes: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos
homens, mas Deus conhece o vosso coração, porque o que entre os homens é
elevado perante Deus é abominação” (Lc 16.15). Outras coisas fracas em
que não devemos confiar são: a) nas
riquezas (Mc 10.24); b) nos homens
(Jr 17.5;3); c) nos “muros” da vida
(Dt 28.52; 4); d) nos carros e
cavalos (Sl 20.7); e) nas palavras
falsas (Jr 7.8,6); f) na formosura
(Ez 16.15); e, g) na armadura humana
(Lc 11.22).
2. Acreditava
que era justo.
Em sua oração,
em momento algum ele confessou seus pecados e mostrou arrependimento. O fariseu
alimentava uma falsa fé quanto à justiça: “[…] crendo que eram justos
[…]” (Lc 18.9b). Essa parábola é uma grande advertência sobre autojustiça
durante a oração. Aqui está uma das razões de muitas orações não respondidas:
irmos a Deus julgando-nos merecedores de alguma coisa, porque somos justos (Is
64.6; Fp 3.8,9). Tudo recebemos de Deus como resultado do seu amor gracioso (Dt
7.6-8; Tt 3.5-7). O fariseu estava em pé de modo soberbo, exibicionista e
denotando superioridade e isso revelou o seu caráter: “[…] não sou como os demais homens
roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano” (Lc
18.11-b) (WIERSBE, 2007, vol. 1, p. 323).
3. Desprezava os
outros.
Os outros que
não pareciam “justos” a seus próprios olhos, como os fariseus, e quem não
agisse como eles eram tidos como pecadores (Lc 5.30; 18.11). Os fariseus se
sentiam superiores e mais santos do que os demais homens: “[…] e desprezavam
os outros” (Lc 18.9c). O termo como está no versículo 9 significa: “não fazer caso de alguém, não dar
importância, rejeitar, discriminar, considerar o próximo como nada”. Algo
muito parecido com o que o Senhor falou pelo profeta Isaías: “E
dizem: retira-te, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu
[…]” (Is 65.5). Quem se entrega a Cristo para obter Sua justiça, reconhece que
nada é em si mesmo, e sempre está pronto a admitir que os outros são melhores
do que ele. Um verdadeiro filho de Deus não despreza ninguém: “Tu
também, por que desprezas teu irmão?’’ (Rm 14.10). O orgulho do fariseu
condenou-o, mas a fé humilde do publicano o salvou (ver Lc 14.11 e Is 57.15).
IV. CONTRASTE ENTRE
A ORAÇÃO DO FARISEU E DO PUBLICANO
Vejamos alguns
contrastes entre as orações do fariseu e do publicano:
1. A oração do
fariseu.
O fariseu
agradece a Deus por não ser como os demais homens. Isso significa que ele
atribuía a Deus a sua maneira hipócrita de ser, sua autossuficiência de
justiça: “Ó Deus Graças te dou […]” (Lc 18.11-a). Ora, agradecer a Deus por
isso, significa realmente acusá-lo. Ele estava prestando um relatório dos
outros a Deus, e não orando: “[…] não sou como este publicano”. Vemos aqui sua
atitude de desprezo pelo próximo, e seu orgulho pessoal. A outra evidência do
seu orgulho perverso está nas palavras de Jesus concernentes a esta oração:
“[…] qualquer que a si mesmo se exalta” (Lc 18.14). Até aqui o fariseu diz a Deus
o que ele era, mas no versículo 12 ele passa a dizer o que ele faz. A sua
oração só continha informação e ele jejuava por formalidade; não por
necessidade e voluntariamente.
2. A oração do
publicano.
O caso do
publicano ensina-nos como disse o salmista: “a um coração contrito não
desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17). “O publicano, porém, estando em pé […]” (Lc
18.13). A construção verbal como está no original, denota atitude humilde, sem
qualquer ostentação. O texto ainda diz que o publicano orava “de longe” isto é,
longe do templo propriamente dito. No templo mesmo só entravam os sacerdotes
para lá ministrar. Em volta do templo havia várias áreas chamadas átrios, onde
ficava o povo, dependendo do seu grupo. O átrio onde se fazia oração era o das
mulheres. O fariseu postou-se na extremidade desse átrio, próximo ao templo. O
publicano postou-se na outra extremidade, distante do templo, reconhecendo a
indignidade de aproximar-se do santo lugar (Is 6.5-7; 1Tm 1.15). O publicano:
“nem ainda queria levantar os olhos aos céus”. O publicano, de tão convicto,
vendo que suas palavras não eram suficientes para expressar o seu
arrependimento, batia no peito, mostrando que sua oração partia de um coração
quebrantado: “[…] mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim,
pecador!” (Lc 18.3-c). Isso fala de lamento, pesar, aflição (Lc 23.48; Jr
31.19; Na 2.7).
V. LIÇÕES DA
PARÁBOLA DO FARISEU E O PUBLICANO
Podemos refletir
sobre algumas lições práticas importantes que esta parábola nos ensina. Vejamos:
1. Deus não se
impressiona.
O fariseu tentou
impressionar a Deus; ele fez isso se comparando às outras pessoas e mostrando o
quanto era superior a elas. Ele se julgava diferente e acima de todos. O
publicano, por sua vez, também se comparou às outras pessoas, mas ele se julgou
inferior a todas elas. Ele classificou-se a si mesmo como “o pecador”. O
apóstolo Paulo também fez o mesmo: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar
pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Tm 1.15).
2. Deus não dá
Sua glória a ninguém.
A oração do
publicano expressa uma verdade presente em toda a Bíblia, declarando que a
salvação, do início ao fim, pertence a Deus e é atribuída à Sua misericórdia e
graça (Sl 51.1; Lc 18.13; Ef 2.8; Tt 3.5). O homem é incapaz de justificar-se a
si mesmo. A oração do fariseu aparentemente parecia ser uma oração de gratidão.
Aos olhos humanos, tal oração poderia realmente representar as palavras de
alguém justo e distinto por sua religiosidade. Porém, aos olhos de Deus, tal
oração era uma afronta, uma ofensa, pois na verdade ela atacava a glória de
Deus.
3. Elogio humano
pode ser perverso e enganoso.
Quando o fariseu
começou a se autocongratular, ele disse que não era um ladrão, um desonesto e
um adúltero. Tudo o que o fariseu dizia não ser, na verdade, ele era. O fariseu
era o ladrão que naquele exato momento roubava a glória de Deus nas palavras de
sua oração. Ele era o homem desonesto que defraudava a si mesmo. Por último,
ele era o adúltero culpado do pior de todos os adultérios, ao apostatar do
verdadeiro Deus (Os 1.2; 5.3).
CONCLUSÃO
A Parábola do
fariseu e o publicano nos convida a fazer um importante autoexame. Devemos
olhar para nossas vidas e avaliar nossa conduta diante da Palavra de Deus,
afinal, fariseus e publicanos continuam espalhados por todos os lugares.
REFERÊNCIAS
Ø GILBERTO,
Antônio. Lições Bíblicas Maturidade Cristã.
CPAD
Ø HOWARD,
R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon.
CPAD.
Ø STAMPS,
Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.
CPAD.
Ø LOCKYER,
Herbert. Todas as Parábolas da Bíblia.
VIDA
Ø WIERSBE,
Warren W. Comentário Bíblico Expositivo
Novo Testamento. GEOGRÁFICA.
Por Rede
Brasil de Comunicação.
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