domingo, 9 de outubro de 2022

LIÇÃO 02– VEM O FIM

 
 
 
 
 
Ez 7.1-10
 
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre uma, das principais séries de mensagens proferidas pelo profeta Ezequiel, sobre o juízo divino contra o povo de Israel; veremos também, alguns aspectos da punição endereçada à nação, e suas sérias consequências; e por fim, destacaremos à luz do anúncio do juízo, algumas lições práticas para a vida cristã.
 
 
I. O ANÚNCIO DO FIM
1. A natureza da mensagem.
O conteúdo da mensagem que seria proferida por Ezequiel, Deus já havia antecipado, que teria um tom de advertência, correção e juízos: “E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele se achavam escritas lamentações, e suspiros, e ais” (Ez 2.10). No capítulo 7 vemos a mensagem sendo proferida propriamente dita. A profecia de Ezequiel nesse ponto, é marcada pelo julgamento que está prestes a ser derramado sobre a nação: “E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor Deus acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (Ez 7.2), devido à sua desobediência: “Agora, vem o fim sobre ti, porque enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei conforme os teus caminhos, e trarei sobre ti todas as tuas abominações” (Ez 7.3).
 
2. O alvo da mensagem.
A profecia por meio de Ezequiel tem como público alvo, à nação de Israel como um todo: “[...] assim diz o Senhor Deus acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem [...]”; a terra em todas as direções, norte, sul, leste e oeste, seria alvo do julgamento de Deus: “[...] sobre os quatro cantos da terra(Ez 7.2); ninguém ficaria de fora do juízo divino; o Senhor não tem predileção por quem quer que seja; como a desobediência é geral, a punição, diz Deus, também será sobre todos. Todas as classes sociais e religiosas seriam atingidas pela ira divina: “Miséria sobre miséria virá, e se levantará rumor sobre rumor; então, buscarão do profeta uma visão, mas do sacerdote perecerá a lei, e dos anciãos, o conselho. O rei se lamentará, e o príncipe se vestirá de amargura, e as mãos do povo da terra se molestarão; conforme o seu caminho lhes farei e com os seus juízos os julgarei; e saberão que eu sou o SENHOR” (Ez 7.26,27).
 
3. A finalidade da mensagem.
O anúncio do fim, ou seja, do julgamento divino sobre Israel, tem como propósito entre outras coisas, destacar a soberania de Deus sobre a história humana, tanto ao levantar um porta voz em meio ao caos do cativeiro: “E eles, quer ouçam quer deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber que esteve no meio deles um profeta” (Ez 2.5), como também, ao trazer a devida punição pela desobediência reiterada do povo; e como resultado, estes reconheceriam a grandiosidade do Senhor: “E não te poupará o meu olho, nem terei piedade de ti, mas porei sobre ti os teus caminhos, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu sou o SENHOR. E não te poupará o meu olho, nem terei piedade; conforme os teus caminhos, assim carregarei sobre ti, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu, o SENHOR, castigo(Ez 7.4,9,27).
 
 
II. O JULGAMENTO DIVINO SOBRE A NAÇÃO DE ISRAEL
1. O motivo do julgamento.
O fim da nação de Israel é anunciado em razão da sua rebeldia (Ez 2.3,4; 3.7). Reiteradas vezes, Deus destaca que a punição prevista, se dar como devida retribuição pela má conduta do povo: “E só escaparão os que deles se escaparem, mas estarão pelos montes, como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por causa da sua maldade(Ez 7.16), e suas abominações, entre elas podemos destacar: a) idolatria (Ez 7.3,8,9); b) materialismo (Ez 7.19); c) soberba (Ez 7.10,20); e, d) autoconfiança (Ez 7.24); tais práticas repugnantes aos olhos de Deus, motivaram o julgamento. Ezequiel era um atalaia fiel e advertiu o povo de que o exército babilônico estava vindo do Norte para invadir a terra, roubá-la e destruí-la. Os caldeus seriam a arma de Deus, por meio da qual ele lançaria seu furor e julgaria o comportamento abominável de Judá em retribuição por sua desobediência. A Bíblia ensina claramente sobre o princípio da retribuição (Ez 35.11; Dt 32.35,36; Rm 12.19; Hb 10.30,31), como destacou o apóstolo Paulo: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará(Gl 6.7).
 
2. A iminência do julgamento.
A iminência do juízo sobre a nação é algo evidente, como pode ser observado pelas seguintes expressões: “Agora vem o fim [...]” (Ez 7.3a); “[...] vem o tempo; chegado é o dia [...]” (Ez 7.7); “Eis aqui o dia, eis que vem [...]” (Ez 7.10); “Vem o tempo, é chegado o dia [...]” (Ez 7.12). O Senhor tinha dado tempo para o arrependimento, mas por eles persistirem no erro, o julgamento estava às portas; a longanimidade de Deus havia chegado ao limite (2Cr 36.15,16). A Bíblia deixa claro, que Deus é longânimo esperando o arrependimento sincero (Rm 2.4; 2Pe 3.9), mas também, que o juízo é iminente para os que vivem na desobediência: “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado” (Rm 11.22).

3. A descrição do julgamento. 
A miséria afetaria todas as classes: o rei, os príncipes, profetas, sacerdotes, anciãos e o povo em geral (Ez 7.24-27). O povo tinha fracassado em sua missão de testemunhar de Deus. Agora, daria testemunho por meio de seu julgamento. Trata-se de uma questão séria para reflexão. O juízo seria completo, vejamos:
 
Economia afetada (Ez 7.12,13,19). A nação do Judá confiava em sua própria prosperidade e posses em vez de confiar em Deus; portanto, Deus planejou destruir as bases de sua prosperidade;
 
Insegurança pública (Ez 7.15,16,25). Se um exército inimigo se aproximava, os atalaias no alto do muro soavam suas trombetas e convocavam os soldados para assumir seus postos e proteger a cidade. Porém, de nada adiantava os atalaias de Jerusalém soarem suas trombetas, pois não havia um exército judeu disponível, e qualquer resistência seria em vão (Ez 7.14). Se os soldados saíssem da cidade e fossem para os campos, seriam mortos pela espada do exército babilônio, e se os guerreiros ficassem dentro da cidade, morreriam de fome e de pestilência;
 
Templo destruído (Ez 7.20,22). O povo de Jerusalém se vangloriava em suas construções. O Templo mesmo foi uma fonte de vangloria (Jr 7.1-5; Ez 24.20,21). Esta soberba seria esmagada quando os malvados e ímpios babilônios destruíssem as casas e o lugar Santo de Jerusalém (Ez 7.24);
 
Caos religioso (Ez 7.26). Os sacerdotes não teriam palavras de encorajamento da Palavra de Deus para oferecer ao povo, pois este havia rompido a aliança e estava fora do alcance das bênçãos. Os falsos profetas não teriam visões, pois havia rejeitado a verdade. Cada vez que comecemos a confiar em nossos trabalhos, na economia, em um sistema político ou em um poder militar para obter segurança, colocamos a Deus em segundo plano.
 
4. Os resultados do julgamento.
O alvo do julgamento divino é descrito quatro vezes neste capítulo: “Então sabereis que eu sou o SENHOR” (Ez 7.7,10,13,14). As palavras tipificam a mensagem e o anseio de Ezequiel, de que Javé seja conhecido por todos os homens, israelitas e não-israelitas, por aquilo que Ele é, o único Deus verdadeiro, o Deus da história, o Deus que fala, e que não fala em vão: “assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a envie” (Is 55.11).
 
 
III. A PEDAGOGIA DO JUÍZO DIVINO
1. A desobediência à Deus traz sérios resultados.
Quando analisamos a história de Israel, ficam evidentes os sérios resultados da desobediência, vejamos:
• A desobediência quebra pactos com Deus (Dt 27.15-26);
• A desobediência traz prejuízos espirituais (1Sm 3.13);
• A desobediência traz graves consequências físicas e econômicas (Dt 28.18-25);
• A desobediência traz derrota (2Rs 24.14-15);
• A desobediência leva ao cativeiro (Is 5.13; Jr 13.19; 46.19; Ez 12.3-11; Am 5.27; 6.7; 7.11-17).
 
2. O perigo de confiar no que é transitório.
O povo de Deus permitiu que seu amor ao dinheiro o levasse a pecado e por isso Deus o destruiria (Ez 7.17-22). Diante do juízo divino, o povo encontrava-se amedrontado; em grande aflição reconheceriam a inutilidade das coisas nas quais haviam confiado. Suas riquezas de nada serviriam eram inúteis como os deuses que haviam feito com elas. O apego ao dinheiro, tem o estranho poder de conduzir às pessoas para o pecado. Paulo disse que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6.10). Quão irônico é que usemos a riqueza, um presente de Deus, para comprar coisas que nos separam dele. Quão trágico é que desperdicemos tanto dinheiro procurando nos satisfazer a nós mesmos, e tão pouco tempo procurando Deus, a verdadeira fonte de satisfação (Ap 3.17,18).
 
3. Deus é soberano sobre a história humana.
Doutrinariamente, por soberania queremos dizer que como Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, Deus é dono de tudo, que ele, portanto, tem direito absoluto de governar sobre todas as coisas (Mt 20.15; Rm 9.20,21), e que ele verdadeiramente exerce autoridade no universo (Ef 1.11). A Bíblia deixa claro que: a) Deus Governa todas as coisas (1Cr 29:11,12; Sl 10.16; 24.8; 29.10; 48.2); b) O Senhor está no controle de todas as coisas (Jó 42.2; Sl 115.3; 135.6; Dn 4.35); c) os reis da terra estão sob o controle de divino (Pv 21.11; Ap 19.16); e, d) os acontecimentos humanos estão sob seu controle de Deus (Dn 2.7; 4.17).
 
 
CONCLUSÃO
Vimos nesta lição a justiça de Deus contra a nação de Israel que, dominada pela soberba, idolatria e variadas práticas abomináveis, atraíram o juízo divino sobre si. Tal princípio é válido aos dias de hoje, sendo a mensagem de Ezequiel, uma séria advertência para a nossa geração.   
 
 


REFERÊNCIAS
Ø  SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
Ø  SOARES, Esequias. O Ministério profético na Bíblia. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 
Ø


Por Rede Brasil de Comunicação.
 


 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

LIÇÃO 02 - VEM O FIM (VÍDEO AULA)

 



QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2022





 
LIDERANÇA NA IGREJA DE CRISTO -
Escolhidos por Deus para Servir.
 








Lição 01
 
Hora da Revisão
A respeito de “O que é Liderança Cristã”, responda:
 

1. Para que aponta o termo “Liderança”?
O termo Liderança aponta para aquele que vai à frente, cuja responsabilidade é a de conduzir pessoas, orientando-as e guiando nas mais diferentes situações da vida.
 
2. Na prática, o que é liderar?
Na prática liderar é influenciar.
 
3. O que uma liderança eficiente requer?
Uma liderança eficiente requer que o líder tenha visão e a comunique com clareza.
 
4. O que é liderança cristã?
Liderança cristã é aquela que é norteada pelos princípios de Jesus Cristo, encontrados nas Escrituras Sagradas.
 
5. Cite, de acordo com a lição, o que faz parte do trabalho de um líder.
Descobrir novos talentos, guiar e abençoar as pessoas.
 
 

QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2022






A JUSTIÇA DIVINA -
A Preparação do Povo de Deus para  
os Últimos Dias no Livro de Ezequiel.
  









Lição 01

 Revisando o Conteúdo
A respeito de “Ezequiel, o Atalaia de Deus” responda: 
  
1. Quando foram entregues as profecias da primeira e da segunda parte do livro?
Essas profecias foram entregues ao profeta antes da destruição da cidade de Jerusalém e do templo e ocupa os primeiros 24 capítulos.
 
2. O que revelam os pronunciamentos de Javé sobre as nações vizinhas?
Isso revela que Javé não é somente o Deus de Israel, mas também de todas as nações, é soberano em todo o universo (Êx 19.5; Sl 24.1; Ap 4.11).
 
3. Onde, na Bíblia, é descrita a função do atalaia?
A função do atalaia é descrita em 2 Samuel 18.24-27 e 2 Reis 9.17-20 e mais bem ilustrada pela parábola como um militar posto como sentinela (33.2-6).
 
4. O que faz lembrar o título “filho do homem”?
Faz lembrar a natureza humana fragilizada e pecadora ao passo que Deus é o senhor da glória.
 
5. Quais as duas responsabilidades principais do atalaia cristão?
Anunciar o evangelho ao pecador e se cuidar para permanecer em Cristo até o fim.
  
 

sábado, 1 de outubro de 2022

PROFETA DO CATIVEIRO


 
 
Objetivo:
 
Sondar o conhecimento dos alunos a respeito do Livro de Ezequiel e Apresentar o tema que será estudado no trimestre.
 

Material: Quadro branco.
 

Procedimento:
Apresente a nova revista e o tema do trimestre. Depois, copie no quadro o esquema abaixo (sem as respostas). Faça as indagações aos alunos e aguarde as respostas. Preencha o quadro juntamente com eles. Incentive-os a ler todo o Livro de Ezequiel no decorrer do trimestre.
 
 
 
Quem é o autor?
 
 
O profeta Ezequiel.
 
Qual a data de sua escrita?
 
 
Aproximadamente 590 – 570 a.C.
 
Quais os objetivos principais do livro?
 
 
Trazer uma mensagem de juízo divino ao povo apóstata e a outras nações. Encorajar os cativos em Babilônia.
 
Onde foi escrito?
 
 
Na Babilônia onde o profeta vivia exilado.

 

 
Por Telma Bueno e Flavianne Vaz.
Adaptado pelo Amigo da EBD.



LIÇÃO 01 – EQUEZIEL, O ATALAIA DE DEUS


 
 
 
 
Ez 3.16-21,27

 
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos a definição das palavras “atalaia” e “profeta”; estudaremos quem foi o profeta e atalaia Ezequiel, bem como o conteúdo da sua mensagem; e por fim; pontuaremos porque a igreja deve agir como um atalaia em nossos dias.
 
 
I. DEFINIÇÃO DOS TERMOS “ATALAIA” E “PROFETA”
1. Definição do termo atalaia.
Atalaia tem o significado de “vigia, sentinela ou guarda” (HOUAISS, 2001, p. 330). A Bíblia fala sobre atalaias tanto no sentido literal quanto simbólico. A palavra atalaia vem do termo hebraico “tzaphah” (lê-se: tzafá), que significa: “tomar cuidado; espiar; olhar ao redor; vigiar; guardar; prestar atenção” (Ez 3.17-21; 33.2-9). Os atalaias tinham a função de advertir sobre a aproximação de uma força inimiga a fim de guardar uma cidade, uma aldeia, um acampamento ou mesmo um povo. Eles andavam pelas ruas da cidade como vigias ou ficavam sobre os muros e torres das cidades fortificadas (2Sm 18.24; 2Rs 9.17-20; Is 62.6; Ct 3.3; 5.7). Nos acampamentos móveis, os sentinelas eram os responsáveis por vigiar e guardar o assentamento especialmente durante a noite. Os atalaias também podiam ficar em torres de vigia espalhadas pelo deserto ou sobre um monte elevado para avisar do perigo iminente do inimigo (Hc 2.1). Infelizmente nem todos os atalaias de Israel foram diligentes no cumprimento da sua missão (Is 56.10).
 
2. Definição do termo profeta.
A palavra profeta deriva-se do termo hebraico נָבִיא (lê-se: naví) que significa: “falar ou dizer antes”, e do termo grego “προφήτης” (lê-se: prophetê), que quer dizer: “falar de antemão”. Os profetas foram chamados, principalmente, em momentos de apostasia e rebelião por parte do povo de Deus, para os seguintes propósitos: a) denunciar as práticas pagãs e pecaminosas (Ez 2.1-7; 9.9); b) chamar o povo ao arrependimento (Ez 14.6; 18.30,32;); e, c) conduzi-los ao restabelecimento espiritual (Ez 37.21-28). Os profetas do AT podem ser classificados em dois grupos: 1) Os profetas orais: foram aqueles que não deixaram registros escritos, embora que outros escreveram acerca deles e de suas profecias. Dentre eles, destacamos: Gade (1Sm 22.5); Natã (2Sm 12.1); Aías (1Rs 11.29); Semaías (1Rs 12.22); Azarias (2Cr 15.1); Hanani (2Cr 16.7); Jeú (1Rs 16.1); Jaaziel (2Cr 20.14); Elias (1Rs 17.1); Micaías (1Rs 22.14); Eliseu (2Rs 2.1), além de outros. 2) Os profetas literários: são os “profetas da escrita” que escreveram depois de terem sido “profetas da palavra” sendo que cinco deles são denominados de profetas maiores (de Isaías a Daniel) e doze de profetas menores (de Oseias a Malaquias).
 
 
II. QUEM FOI O PROFETA EZEQUIEL
1. A vida do profeta Ezequiel.
Seu nome significa “Deus é forte” (Ez 3.14) ou “Deus fortalece” (Ez 30.25; 34.16). Um título apropriado para o profeta que recebeu uma mensagem para os judeus exilados na Babilônia (Ez 3.15). Ele era filho do sacerdote Buzi (Ez 1.3) e foi contemporâneo dos reis Joaquim e Jeoaquim, e também dos profetas Jeremias e Daniel. Ele foi levado para a Babilônia em 597 a.C. quando Nabucodonosor invadiu e tomou Jerusalém e levou os príncipes e outros homens valentes, artífices e ferreiros (2Rs 24.14). Era casado, mas sua esposa morreu por ocasião da queda de Jerusalém (Ez 24.15-18). Sem dúvida, era um homem de influência, pois era consultado pelos anciãos que estavam entre os exilados (Ez 8.1; 20.1).
 
2. O ministério do profeta Ezequiel.
A longa história de rebelião da nação israelita começou logo depois do Êxodo e continuou até os dias de Ezequiel (Ez 16; 20; 23). O povo judeu profanou o santuário e cometeu abominações contra o Senhor (Ez 6.13; 20.28; 23.37); deixaram de servir e adorar ao Único Deus Verdadeiro (monoteísmo) e passaram a prestar culto a outros deuses (politeísmo) (Êx 32.1-18; 2Rs 17.7-23; Is 1.2-4; Jr 2.1-9). Por isso, o juízo era inevitável (Ez 21.1-27). Nesse período, Deus levantou três profetas: Jeremias, no meio dos cativos de Judá (Jr 39.1-14; 40.1-6); Daniel, no palácio em Babilônia (Dn 1.1-21); e Ezequiel, também na Babilônia, às margens do rio Quebar (Ez 1.1,2).
 
3. O chamado do profeta Ezequiel.
A vocação de Ezequiel para o ministério profético encontra-se nos primeiros capítulos do livro (Ez 1.1-3; 2.1-7). Ele estava no meio dos cativos de Judá, em Babilônia, junto ao rio Quebar, quando o céu se abriu e ele teve a primeira visão dos querubins e da glória de Deus (Ez 1.1-28). Deus se dirigiu a Ezequiel como “filho do homem” mais de noventa vezes (Ez 2.1,3,6,8; 3.1,3,4,10,25; 4.1,16; 5.1; 6.2; 7.2; 8.5,6,8). Este termo fala da humanidade e fragilidade do profeta, e servia para lembrar-lhe a sua dependência de Deus para capacitá-lo a cumprir sua missão. Diante da poderosa revelação, Ezequiel ouviu a voz do Senhor dizendo: “Então, entrou em mim o Espírito, quando falava comigo, e me pôs em pé, e ouvi o que me falava” (Ez 2.1). Aqui, vemos Ezequiel sendo “ungido” pelo Espírito para exercer o ministério profético. Hoje, o Espírito Santo continua chamando e capacitando pessoas para fazer a obra de Deus (At 1.8; 2,4,17,18;).
 
4. A missão do profeta Ezequiel.
O atalaia era um verdadeiro profeta do Senhor (Jr 6.17; Os 9.8), e a função deles era ficar alerta à situação em derredor, escutar a palavra de Deus sempre que ela vinha a eles, e repeti-la ao povo com exatidão. Ezequiel foi comissionado para transmitir a mensagem de Deus ao povo apóstata de Judá e de Jerusalém (Ez 2.3-7; 3.11; 33.2-6). Assim como Habacuque se postou na sua torre de vigia (Hc 2.1), assim também Ezequiel foi nomeado atalaia para o povo de Israel (Ez 3.17). Semelhantemente, a Igreja foi chamada para ser porta-voz de Deus neste mundo corrompido e perverso, denunciando o pecado e chamando os homens ao arrependimento (At 2.38; 3:19; 17.30). O Senhor disse que o profeta deveria alimentar-se do rolo do livro, antes de transmitir a mensagem divina ao povo de Judá (Ez 3.1-3). Isto nos ensina que somente depois de nos alimentarmos da Palavra de Deus é que podemos transmiti-la a outros (Dt 6.6,7; Jr 15.16; 1Tm 4.13).
 
 
III. O CONTEÚDO DA MENSAGEM DO ATALAIA
1. O atalaia prega mesmo que os homens ouçam ou deixem de ouvir (Ez 2.5,7).
A missão de Ezequiel era transmitir a Palavra do Senhor (Ez 2.4; 3.11,27; 5.7,8; 6.3,11; 11.5,7,16,17), não importava se o povo ouvisse ou deixasse de ouvir, ou seja, obedecesse ou não a sua palavra (Ez 2.5,7; 3.11). Neste texto, os judeus são chamados de “casa rebelde” por causa de sua rebelião (Dt 9.23,24; Sl 78.8; Jr 5.23). O termo hebraico é “mãrah” e tem o sentido de “obstinação”, “teimosia” e “rebeldia”. Esta expressão aparece treze vezes no livro (Ez 2.5,6,8; 3.9,26,27; 12.2,3,9,25; 17.12; 24.3; 44.6). Mas, o Senhor lhe diz que, ainda que eles não guardassem os mandamentos divinos, não poderiam alegar inocência, pois eles saberiam que um profeta autêntico e verdadeiro esteve no meio deles (Ez 33.33).
 
2. O atalaia prega mesmo para um povo de semblante duro e obstinado de coração (Ez 2.4).
Este texto é, praticamente, uma repetição do versículo 5; mas, não foi repetida por acaso, e sim, para dar ênfase a difícil missão de Ezequiel, que era transmitir a Palavra de Deus a uma nação de “semblante duro e obstinada de coração” que se recusava a admitir os seus pecados (Jr 8.4-9). Por isso, o Senhor diz a Ezequiel que ele deveria obedecer ao chamado divino, pois seu dever, como porta-voz, era ouvir a voz de Deus e entregar a mensagem ao povo, “quer ouçam quer deixem de ouvir...” (Ez 3.11).
 
3. O atalaia prega sem temer aos homens maus (Ez 2.6).
Profetizar nos dias de Ezequiel não era uma tarefa fácil, principalmente por causa dos pecados da nação (Dn 9.5,7,10,11). O povo judeu é comparado a “sarças, espinhos e escorpiões” por causa de sua maldade e apostasia (Jr 37.15,16; 38.6). Mas, o Senhor disse que Ezequiel não deveria temer nem o povo e nem as suas palavras (Ez 2.6; 3.9). Em outras ocasiões, o Senhor também, transmitiu palavras de encorajamento a Josué (Js 1.9); a Jeremias (Jr 1.8); a Daniel (Dn 10.12,19); e outros. O Senhor Jesus também advertiu aos discípulos, dizendo: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos” (Mt 10.16); mas, prometeu estar conosco todos os dias (Mt 28.20).
 
4. O atalaia prega a mensagem de salvação ao homem mais também de condenação ao pecado (Ez 2.9,10).
Enquanto Ezequiel estava ouvindo a voz do Senhor, ele viu uma mão estendida, dando-lhe um rolo de um livro, contendo “lamentos, suspiros e ais”, ou seja, mensagens de destruição, sofrimento e tristeza. Isto nos faz lembrar que, embora ele tenha sido chamado para profetizar sobre a esperança de restauração para o povo judeu (Ez cap. 33-48); sua principal mensagem era de juízo contra Judá (Ez cap. 1-24) e contra algumas nações estrangeiras, tais como: Amom, Moabe, Edom, Tiro, Sidom e Egito (Ez cap. 25-32). Assim também é a pregação do Evangelho, pois ela contém mensagem de salvação e vida eterna, para os que creem em Cristo; mas, também, de condenação e perdição, para aqueles que o rejeitam (Mt 7.13,14; Mc 16.15; Jo 3.16,17,36).
 
5. O atalaia prega que Deus não tem prazer na morte do ímpio (Ez 18.21,22).
O justo que se afasta de Deus será responsável pelos seus pecados (Ez 18.24). Ele não poderá recorrer aos seus atos de justiça realizados no passado para salvar-se, caso não se arrependa em vida (Ef 2.8,9). É o próprio homem pelo mal uso do seu livre arbítrio quem cai da graça e perde a salvação (Gl 5.4) e fica alienado de Cristo (Jo 15.4-6 ver Sl 9.16). O caso do filho pródigo é um bom exemplo que ao se desviar do pai e perder tudo, reconhece seu erro, “cai em si e volta arrependido pedindo perdão” (Lc 15.17-21). Ele recebeu a graça porque voltou em vida arrependido a casa do pai (ver ainda Jr 31.34b; At 3.19; Hb 8.12; 1Jo 1.9).
 
 
IV. PORQUE A IGREJA DEVE AGIR COMO UM ATALAIA EM NOSSOS DIAS
1. Porque a humanidade está perdida. Por causa da desobediência de Adão, o homem tornou-se destituído da glória de Deus (Rm 3.23) e a situação espiritual da humanidade é de condenação e perdição (Rm 5.12,19; 6.23). Mas, a nossa responsabilidade é anunciar a salvação através da fé em Cristo Jesus (Mt 28.18-20; Mc 16.15-20; At 1.8).
 
2. Porque somente Jesus Cristo pode salvar a humanidade.
De acordo com as Escrituras, só existe um meio para que o homem possa obter a salvação: a fé em Jesus Cristo (Jo 3.16,17; At 4.12; Ef 2.8,9; I Tm 2.5). Mas, para que o pecador possa crer em Cristo, é necessário que alguém pregue o evangelho (Rm 10.13-17).
 
3. Porque temos pouco tempo.
Os sinais que antecedem a Segunda Vinda de Cristo nos mostram que Jesus em breve voltará para vir buscar a Sua Igreja (Mt 24.1-14; Mc 13.1-13; Lc 21.5-36), como Ele mesmo prometeu (Jo 14.1-3; Ap 22.12). Por isso, devemos pregar a tempo e fora de tempo (2Tm 4.1,2).
 
 
CONCLUSÃO
A pregação do Evangelho é a mais importante tarefa da Igreja aqui na terra, pois dela depende a salvação da humanidade. Por isso, devemos anunciar ao mundo a salvação através da fé em Cristo Jesus. O Senhor Jesus espera que cada um de nós estejamos empenhados nesta sublime tarefa, com o objetivo de ganhar almas para o seu Reino.
  
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø  SOARES, Esequias. O Ministério profético na Bíblia. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  TAYLOR, John B. Ezequiel Introdução e Comentário. VIDA NOVA.
 

 
Por Rede Brasil de Comunicação.