quarta-feira, 12 de outubro de 2022

LIÇÃO 03– AS ABOMINAÇÕES DO TEMPLO


 
 
 

 
Ez 8.5,6,9-12,14,16
 
 


INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos a definição da palavra “abominação”; pontuaremos as abominações do templo no período do profeta Ezequiel; estudaremos a perigo da prática da idolatria; e por fim; notaremos porque não devemos adorar os ídolos.
 
 
I. DEFINIÇÃO DA PALAVRA ABOMINAÇÃO
1. Definição do termo abominação.
Segundo o dicionário Houaiss significa: “ato ou efeito de abominar; repulsa, aversão, execração” (2001, p. 22). Quatro vocábulos hebraicos são assim traduzidos. Assim, os termos hebraicos envolvidos refletiam tais usos, como: “hegez” (carnes de animais proibidos); “shigguz” (ódio à idolatria); “piggul” (repugnância à carne sacrificial estragada). A mais comum dessas palavras, “to'ebah”, era usada para indicar qualquer tipo de abominação, o que se aplica ao contexto do capítulo oito do Livro de Ezequiel. A idolatria repele a ordem própria das coisas e perverte a ideia da divindade, substituindo-a por uma variedade qualquer das simulações humanas, deixando de lado a adoração ao Deus único (Dt 17.4,5; 2Rs 23.13; Dn 9.27; 11.31; 12.11). A idolatria não apenas perverte a ideia de divindade, mas também é uma irresponsabilidade moral, porque, através dela, o homem é iludido acerca de quem ele tem responsabilidade. Outrossim, a prática da idolatria tem produzido muitas práticas desumanas, violentas e corruptas” (CHAMPLIN, 2004, p. 16 – acréscimo nosso).
 
 
II. AS ABOMINAÇÕES DO TEMPLO NO PERÍODO DO PROFETA EZEQUIEL
Com frequência, Deus dava visões ao profeta Ezequiel pelo Espírito Santo (Ez 1.1; 8.3; 40.2; 43.3). No capítulo oito do seu livro, ele diz que no sexto ano, no sexto mês, no quinto dia do mês, estando em casa, no momento em que os anciãos estavam diante dele, a mão do Senhor veio sobre ele e o transportou em visões, da terra de Babilônia a Jerusalém (Ez 8.1-3). Ali o profeta viu as abominações que estavam dentro do templo. Notemos:
 
1. Abominação no pátio do templo: adoração a deusa da fertilidade (Ez 8.1-6).
A porta do norte era uma das três que davam acesso do átrio externo do Templo para o átrio in-terno, as outras duas olhavam para o leste e o sul, respectivamente (Ez 8.3). O registro bíblico nos mostra que Manassés tinha colocado uma imagem de madeira de Aserá, a deusa cananita, na casa do Senhor (2Rs 21.7), e embora 2Crônicas 33.15 narre como ele subsequentemente a removeu, deve ter reaparecido, porque o rei Josias mais tarde mandou retirá-la para ser queimada ao lado do ribeiro Cedrom (2Rs 23.6). “As palavras de Ezequiel dão a impressão de que um dos sucessores de Josias tinha feito outra, colocando-a ao lado do porte do norte” (TAYLOR, 1984, p. 90).
 
2. Abominação na porta do átrio: adoração a animais (Ez 8.7-13).
Na segunda parte, a visão segue, o profeta aos poucos é impelido pelo Senhor a seguir em frente a parte mais interior do templo, porque coisas maiores veria (Ez 8.6-b). A localidade exata disto não pode ser identificada. Percebe-se que al-go estava sendo praticado em segredo, e o profeta é informado como obter acesso a es-ta câmara e ali ele é surpreendido com os anciãos em flagrante idolatria. Um dos anciãos é identificado pelo profeta como: “Jazanias filho de Safã” (Ez 8.11). Safã foi o escrivão que ajudou Josias a purificar e renovar a religião nacional (2Rs 22.8-10). Seu filho no caso estava em apostasia. Eles estavam queimando incenso as pinturas na parede, que segundo o profeta tinha imagem de répteis e de animais (Ez 8.10). Taylor nos informa que “as divindades-serpentes conhecidas nas religiões egípcias, cananitas e babilônicas dão motivo para supor que este incidente reflete a influência generalizada das seitas estrangeiras sobre o culto israelita, cultivadas, sem dúvida, por motivos mais políticos do que puramente religiosos” (1984, p. 91).
 
3. Abominação na porta da entrada: adoração a natureza (Ez 8.14-15).
Provavelmente imediatamente fora do recinto sagrado, à entrada da porta do norte que dava para o átrio exterior do Templo e Ezequiel viu as mulheres chorando ao deus pagão Tamuz. Tamuz era um deus babilônico da vegetação. Acreditava-se que “quando a vegetação morria no outono, o povo lamentava, julgando ser aquilo a morte do ídolo” (STAMPS, 2012, p. 1180). Acrescenta-se ainda que parte da lenda diz que o grande dilúvio de lágrimas de seus devotos o trazia de volta à vida, como as chuvas da primavera dão vida nova à terra” (CHAMPLIN, 2001, p. 3220). Taylor também afirma que: “o culto associado a ele era parcialmente um ritual de luto, mas também incorporava ritos de fertilidade. Tomou-se extremamente popular no Oriente Próximo antigo e no Mediterrâneo Oriental, onde assumiu formas gregas e se ligava com os nomes de Adônis e de Afrodite. As indicações da sua influência nos tempos do Antigo Testamento são poucas, mas uma delas pode ser achada em Isaías 17.10-11, o plantio de ‘jardins de Tamuz’” (1984, p. 92).
 
4. Abominação no átrio interior: adoração aos astros (Ez 8.16).
A abominação suprema estava para ser praticada na própria entrada do templo do Senhor, conforme a descrição de Ezequiel. Ali, no lugar em que deveriam estar chorando e clamando a Deus, no entanto, os sacerdotes estavam deliberadamente virando as costas a Ele. Russel Shedd (2008, p. 1161), nos diz que “era natural para os povos antigos adorar o mais poderoso objeto que lhes era visível, mas que ficava fora do seu alcance, que o nome ‘sol’ soava como um nome próprio, divino. É por isso que a palavra não consta na história da criação, sendo substituída por luzeiro” (Gn 1.14-19).
 
 
III. O PERIGO DA IDOLATRIA
A palavra idolatria no latim, “eidolon” que significa “ídolo”, e “latreuein” que quer dizer “adorar”. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos (CHAMPLIN, 2004, p. 206). Vejamos o que nos diz a Bíblia sobre esse pecado:
 
1. A idolatria no Antigo Testamento.
Quando os israelitas saíram do Egito, com destino a Canaã, Deus lhes deu a Lei (Êx 20; Dt 5), que lhes advertia para que não aprendessem as práticas idólatras dos povos de Canaã (Êx 20.2-4,23; 23.13,24,32; Lv 19.4; 26.1; Dt 7.5,25; 12.3). Após a conquista da Terra prometida, os hebreus não expulsaram completamente os pagãos como Deus havia ordenado (Jz 2.1-3). Isto se tornou um laço para eles, pois aderiram facilmente ao culto idólatra (Jz 2.11; 3.7,12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1). Nos períodos de apostasia, os profetas foram levantados por Deus para advertirem aos israelitas que se abstivessem do paganismo (1Rs 14.9; Is 2.8,9; 57.5; Jr 1.16). Porém, o povo de Deus não os ouviu, e, por isso, experimentaram, o amargo cativeiro (2Rs 17.1-23; 2 Cr 36.11-21).
 
2. A idolatria no Novo Testamento.
Se a idolatria era combatida com rigor no AT, não foi diferente no NT. O Senhor Jesus condenou o amor à riqueza, que é uma forma de idolatria (Mt 6.24). A recomendação apostólica feita no Concílio de Jerusalém condenou severamente a adoração a ídolos (At 15.28,29). Os apóstolos combateram veementemente o envolvimento dos cristãos com essa prática pagã. Paulo, por exemplo, exortou aos cristãos de Corinto a fugirem da idolatria (1Co 10.14); e condenou a avareza, que também é uma forma de idolatria (Cl 3.5). O apóstolo Pedro e João também condenaram as práticas idólatras (1Pe 4.3; 1Jo 5.21).
 
 
IV. PORQUE NÃO DEVEMOS ADORAR A ÍDOLOS
1. Porque Deus é uno.
Apesar de a Bíblia mencionar a existência de deuses estranhos (Gn 35.2); novos deuses (Dt 32.1); e deuses fundidos (Êx 34.17); ela é enfática em revelar o monoteísmo, ou seja, a existência de um Único Deus verdadeiro, que subsiste em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16,17); e que deve ser o objeto exclusivo do amor e obediência (Dt 6.4; Is 42.8; Mc 12.29,32; Jo 17.3; 1Co 8.4,6). Estes e outros textos das Sagradas Escrituras também tornam-se a base da proibição da adoração a outros deuses (Êx 20.2; Dt 5.6-9).
 
2. Porque Deus é espírito.
Sendo Deus um ser espiritual (Jo 4.24), Ele não está sujeito as limitações às quais estão sujeitos os seres humanos dotados de corpo físico. Ele não possui partes corporais e não está sujeito às condições de existência natural. Logo, é impossível que uma imagem possa representar sua glória e majestade. Além disso, Deus é transcendente e insondável, ou seja, Ele ultrapassa a compreensão humana, e, por isso, não pode ser representado por um ídolo feito de madeira, prata ou ouro (Is 40.18,25; 46.5). Por isso, Deus proibiu terminantemente que os israelitas fizessem imagem de escultura (Êx 20.4; Dt 4.15,16; 23-28; 5.8,9).
 
3. Porque adorar a ídolos é cultuar aos demônios.
A Palavra de Deus nos revela que quem oferece sacrifícios aos ídolos, oferece aos demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; 2 Cr 11.15; Sl 106.37; 1Co 10.20,21). Por trás das imagens de escultura existem entidades demoníacas que ouvem as preces dos fiéis, e até operam favoravelmente por eles, com o intuito de aprisioná-los cada vez mais na idolatria. Eis o porquê de tantas pessoas pagarem promessas nos denominados “dias santos” e nas festividades dos padroeiros. Satanás, como “deus deste século” (2Co 4.4) tem poder para realizar benefícios físicos e materiais com intuito de enganar as pessoas (Ap 13.2-8,13; 16.13,14).
 
 
CONCLUSÃO
Aprendemos, com as quatro cenas do pecado cúltico, que um Deus santo não tolera o pecado. Deus exige fidelidade de seu povo. O que aconteceu com Israel nos ensina sobre a responsabilidade na santidade com a adoração e o estilo de vida também para os dias atuais pelos crentes em Jesus.
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø  CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado. HAGNOS.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  SHEDD, Russel. Bíblia de Estudo SHEDD. VIDA NOVA.
Ø  TAYLOR, John B. Ezequiel Introdução e Comentário. VIDA NOVA.
 
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

  


LIÇÃO 03 - A LIDERANÇA DE MOISÉS (VÍDEO AULA)


 

LIÇÃO 03 - AS ABOMINAÇÕES DO TEMPLO (VÍDEO AULA)



 

QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2022


 
 
 

LIDERANÇA NA IGREJA DE CRISTO -
Escolhidos por Deus para Servir.
 

 
 





Lição 02
 
Hora da Revisão
A respeito de “A Pessoa do Líder”, responda:

 
1. Defina “personalidade”.
Conjunto de fatores afetivo, emocional e habitual que juntos formam o ser de uma pessoa. 

2. O que o líder precisa ter para executar o seu trabalho com sucesso?

Ele precisa ter clareza da missão que o Senhor determinou para ele.

3. Segundo a lição, o que a desobediência de Adão lhe custou?
A desobediência de Adão lhe custou o rompimento de seu relacionamento com Deus, levando-o a perceber a sua própria nudez e atribuíra culpa de seu erro a Eva, sua mulher (Gn 36.12).
 
4. De acordo com a lição, como deve ser feita a escolha do líder?
A escolha do líder deve ser feita de forma sábia, depois de muita oração e jejum, seguindo o exemplo da igreja do primeiro século.
 
5. Quais os cuidados que um líder deve ter?
Conhecer seu limite de atuação, ter o devido preparo e ter cuidado com as expectativas dos outros.


 

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

QUESTIONÁRIOS DO 4° TRIMESTRE DE 2022

 
 
 
 

A JUSTIÇA DIVINA -
A Preparação do Povo de Deus para  
os Últimos Dias no Livro de Ezequiel.
 


 
 
 



Lição 02 

Revisando o Conteúdo
A respeito de “Vem o Fim” responda: 

 
1. O que indica a fórmula “veio a palavra do Senhor a mim”? E, qual a chancela de autoridade espiritual?
“Veio a palavra do Senhor a mim” era a fórmula dos profetas de Israel. E a chancela de autoridade espiritual é “Assim diz o Senhor Jeová”.
 
2. Por que ninguém deve se surpreender com a intensidade do juízo anunciado?
Porque ele é compatível com a natureza divina (Na 1.3).
 
3. Quem Javé usou como chicote para açoitar Samaria e Jerusalém?
Samaria: O Rei da Assíria; Jerusalém: o rei da Babilônia.
 
4. Por que o furor de Javé se acendeu contra a Babilônia?
Porque o rei da Babilônia extrapolou os limites na aplicação dos castigos pois é compatível com a natureza divina (Na 1.3).
 
5. De onde vem o nome “Babel” e qual o seu significado?
Vem da língua acádica, Bâb-ili, que significa, “portão de deus”; a Septuaginta usa a forma grega Babylôn, “Babilônia”.

 

domingo, 9 de outubro de 2022

LIÇÃO 02– VEM O FIM

 
 
 
 
 
Ez 7.1-10
 
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre uma, das principais séries de mensagens proferidas pelo profeta Ezequiel, sobre o juízo divino contra o povo de Israel; veremos também, alguns aspectos da punição endereçada à nação, e suas sérias consequências; e por fim, destacaremos à luz do anúncio do juízo, algumas lições práticas para a vida cristã.
 
 
I. O ANÚNCIO DO FIM
1. A natureza da mensagem.
O conteúdo da mensagem que seria proferida por Ezequiel, Deus já havia antecipado, que teria um tom de advertência, correção e juízos: “E estendeu-o diante de mim, e ele estava escrito por dentro e por fora; e nele se achavam escritas lamentações, e suspiros, e ais” (Ez 2.10). No capítulo 7 vemos a mensagem sendo proferida propriamente dita. A profecia de Ezequiel nesse ponto, é marcada pelo julgamento que está prestes a ser derramado sobre a nação: “E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor Deus acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (Ez 7.2), devido à sua desobediência: “Agora, vem o fim sobre ti, porque enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei conforme os teus caminhos, e trarei sobre ti todas as tuas abominações” (Ez 7.3).
 
2. O alvo da mensagem.
A profecia por meio de Ezequiel tem como público alvo, à nação de Israel como um todo: “[...] assim diz o Senhor Deus acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem [...]”; a terra em todas as direções, norte, sul, leste e oeste, seria alvo do julgamento de Deus: “[...] sobre os quatro cantos da terra” (Ez 7.2); ninguém ficaria de fora do juízo divino; o Senhor não tem predileção por quem quer que seja; como a desobediência é geral, a punição, diz Deus, também será sobre todos. Todas as classes sociais e religiosas seriam atingidas pela ira divina: “Miséria sobre miséria virá, e se levantará rumor sobre rumor; então, buscarão do profeta uma visão, mas do sacerdote perecerá a lei, e dos anciãos, o conselho. O rei se lamentará, e o príncipe se vestirá de amargura, e as mãos do povo da terra se molestarão; conforme o seu caminho lhes farei e com os seus juízos os julgarei; e saberão que eu sou o SENHOR” (Ez 7.26,27).
 
3. A finalidade da mensagem.
O anúncio do fim, ou seja, do julgamento divino sobre Israel, tem como propósito entre outras coisas, destacar a soberania de Deus sobre a história humana, tanto ao levantar um porta voz em meio ao caos do cativeiro: “E eles, quer ouçam quer deixem de ouvir (porque eles são casa rebelde), hão de saber que esteve no meio deles um profeta” (Ez 2.5), como também, ao trazer a devida punição pela desobediência reiterada do povo; e como resultado, estes reconheceriam a grandiosidade do Senhor: “E não te poupará o meu olho, nem terei piedade de ti, mas porei sobre ti os teus caminhos, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu sou o SENHOR. E não te poupará o meu olho, nem terei piedade; conforme os teus caminhos, assim carregarei sobre ti, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu, o SENHOR, castigo” (Ez 7.4,9,27).
 
 
II. O JULGAMENTO DIVINO SOBRE A NAÇÃO DE ISRAEL
1. O motivo do julgamento.
O fim da nação de Israel é anunciado em razão da sua rebeldia (Ez 2.3,4; 3.7). Reiteradas vezes, Deus destaca que a punição prevista, se dar como devida retribuição pela má conduta do povo: “E só escaparão os que deles se escaparem, mas estarão pelos montes, como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por causa da sua maldade” (Ez 7.16), e suas abominações, entre elas podemos destacar: a) idolatria (Ez 7.3,8,9); b) materialismo (Ez 7.19); c) soberba (Ez 7.10,20); e, d) autoconfiança (Ez 7.24); tais práticas repugnantes aos olhos de Deus, motivaram o julgamento. Ezequiel era um atalaia fiel e advertiu o povo de que o exército babilônico estava vindo do Norte para invadir a terra, roubá-la e destruí-la. Os caldeus seriam a arma de Deus, por meio da qual ele lançaria seu furor e julgaria o comportamento abominável de Judá em retribuição por sua desobediência. A Bíblia ensina claramente sobre o princípio da retribuição (Ez 35.11; Dt 32.35,36; Rm 12.19; Hb 10.30,31), como destacou o apóstolo Paulo: “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7).
 
2. A iminência do julgamento.
A iminência do juízo sobre a nação é algo evidente, como pode ser observado pelas seguintes expressões: “Agora vem o fim [...]” (Ez 7.3a); “[...] vem o tempo; chegado é o dia [...]” (Ez 7.7); “Eis aqui o dia, eis que vem [...]” (Ez 7.10); “Vem o tempo, é chegado o dia [...]” (Ez 7.12). O Senhor tinha dado tempo para o arrependimento, mas por eles persistirem no erro, o julgamento estava às portas; a longanimidade de Deus havia chegado ao limite (2Cr 36.15,16). A Bíblia deixa claro, que Deus é longânimo esperando o arrependimento sincero (Rm 2.4; 2Pe 3.9), mas também, que o juízo é iminente para os que vivem na desobediência: “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado” (Rm 11.22).

3. A descrição do julgamento. 
A miséria afetaria todas as classes: o rei, os príncipes, profetas, sacerdotes, anciãos e o povo em geral (Ez 7.24-27). O povo tinha fracassado em sua missão de testemunhar de Deus. Agora, daria testemunho por meio de seu julgamento. Trata-se de uma questão séria para reflexão. O juízo seria completo, vejamos:
 
• Economia afetada (Ez 7.12,13,19). A nação do Judá confiava em sua própria prosperidade e posses em vez de confiar em Deus; portanto, Deus planejou destruir as bases de sua prosperidade;
 
• Insegurança pública (Ez 7.15,16,25). Se um exército inimigo se aproximava, os atalaias no alto do muro soavam suas trombetas e convocavam os soldados para assumir seus postos e proteger a cidade. Porém, de nada adiantava os atalaias de Jerusalém soarem suas trombetas, pois não havia um exército judeu disponível, e qualquer resistência seria em vão (Ez 7.14). Se os soldados saíssem da cidade e fossem para os campos, seriam mortos pela espada do exército babilônio, e se os guerreiros ficassem dentro da cidade, morreriam de fome e de pestilência;
 
• Templo destruído (Ez 7.20,22). O povo de Jerusalém se vangloriava em suas construções. O Templo mesmo foi uma fonte de vangloria (Jr 7.1-5; Ez 24.20,21). Esta soberba seria esmagada quando os malvados e ímpios babilônios destruíssem as casas e o lugar Santo de Jerusalém (Ez 7.24);
 
• Caos religioso (Ez 7.26). Os sacerdotes não teriam palavras de encorajamento da Palavra de Deus para oferecer ao povo, pois este havia rompido a aliança e estava fora do alcance das bênçãos. Os falsos profetas não teriam visões, pois havia rejeitado a verdade. Cada vez que comecemos a confiar em nossos trabalhos, na economia, em um sistema político ou em um poder militar para obter segurança, colocamos a Deus em segundo plano.
 
4. Os resultados do julgamento.
O alvo do julgamento divino é descrito quatro vezes neste capítulo: “Então sabereis que eu sou o SENHOR” (Ez 7.7,10,13,14). As palavras tipificam a mensagem e o anseio de Ezequiel, de que Javé seja conhecido por todos os homens, israelitas e não-israelitas, por aquilo que Ele é, o único Deus verdadeiro, o Deus da história, o Deus que fala, e que não fala em vão: “assim será a palavra que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a envie” (Is 55.11).
 
 
III. A PEDAGOGIA DO JUÍZO DIVINO
1. A desobediência à Deus traz sérios resultados.
Quando analisamos a história de Israel, ficam evidentes os sérios resultados da desobediência, vejamos:
• A desobediência quebra pactos com Deus (Dt 27.15-26);
• A desobediência traz prejuízos espirituais (1Sm 3.13);
• A desobediência traz graves consequências físicas e econômicas (Dt 28.18-25);
• A desobediência traz derrota (2Rs 24.14-15);
• A desobediência leva ao cativeiro (Is 5.13; Jr 13.19; 46.19; Ez 12.3-11; Am 5.27; 6.7; 7.11-17).
 
2. O perigo de confiar no que é transitório.
O povo de Deus permitiu que seu amor ao dinheiro o levasse a pecado e por isso Deus o destruiria (Ez 7.17-22). Diante do juízo divino, o povo encontrava-se amedrontado; em grande aflição reconheceriam a inutilidade das coisas nas quais haviam confiado. Suas riquezas de nada serviriam eram inúteis como os deuses que haviam feito com elas. O apego ao dinheiro, tem o estranho poder de conduzir às pessoas para o pecado. Paulo disse que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro” (1Tm 6.10). Quão irônico é que usemos a riqueza, um presente de Deus, para comprar coisas que nos separam dele. Quão trágico é que desperdicemos tanto dinheiro procurando nos satisfazer a nós mesmos, e tão pouco tempo procurando Deus, a verdadeira fonte de satisfação (Ap 3.17,18).
 
3. Deus é soberano sobre a história humana.
Doutrinariamente, por soberania queremos dizer que como Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis, Deus é dono de tudo, que ele, portanto, tem direito absoluto de governar sobre todas as coisas (Mt 20.15; Rm 9.20,21), e que ele verdadeiramente exerce autoridade no universo (Ef 1.11). A Bíblia deixa claro que: a) Deus Governa todas as coisas (1Cr 29:11,12; Sl 10.16; 24.8; 29.10; 48.2); b) O Senhor está no controle de todas as coisas (Jó 42.2; Sl 115.3; 135.6; Dn 4.35); c) os reis da terra estão sob o controle de divino (Pv 21.11; Ap 19.16); e, d) os acontecimentos humanos estão sob seu controle de Deus (Dn 2.7; 4.17).
 
 
CONCLUSÃO
Vimos nesta lição a justiça de Deus contra a nação de Israel que, dominada pela soberba, idolatria e variadas práticas abomináveis, atraíram o juízo divino sobre si. Tal princípio é válido aos dias de hoje, sendo a mensagem de Ezequiel, uma séria advertência para a nossa geração.   
 
 


REFERÊNCIAS
Ø  SOARES, Esequias. Visão Panorâmica do Antigo Testamento. CPAD.
Ø  SOARES, Esequias. O Ministério profético na Bíblia. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 
Ø


Por Rede Brasil de Comunicação.