Gn
21.1-7
INTRODUÇÃO
Nessa
lição teremos a oportunidade de refletir sobre a provação de Deus na
experiência do patriarca Abraão, compreender que o sacrifício exigido por Deus,
era para demonstra tanto a soberania de Deus, como fazer Abraão compreender que
o amor a Deus nunca pode ser substituído por suas bençãos. Abraão nos ensina
como encarar e tratar as provas de nossa vida para a glória de Deus.
I. PROVAÇÃO DIVINA NA VIDA DE ABRAÃO
A
despeito de sua comunhão com Deus, o patriarca Abraão passou por uma
experiência nunca antes vivida. Nessa passagem bíblica, encontramos o pai da fé
sendo provado. Deus fez um teste com Abraão, não para fazê-lo tropeçar e
assistir a sua queda, mas para aprofundar sua capacidade de obedecer a Deus e
verdadeiramente desenvolver seu caráter.
1.
Definição de provação.
Segundo
o Aurélio (2004, p. 1649) o termo prova significa: “Aquilo que atesta a
veracidade ou autenticidade de alguma coisa”. No hebraico o termo é “nasah”
que significa: “testar, tentar, provar, examinar, pôr a prova, fazer uma
tentativa”. Na maioria dos contextos a palavra “nasah”
tem a ideia de testar ou provar a qualidade de algo ou alguém, às vezes por
meio de adversidades ou dificuldades. A tradução “tentar” em geral significa
“provar”, “testar”, “pôr a prova”, e não no sentido que a palavra também admite
de “atrair para cometer erro” (Harris, et all, 1998, p. 1373 – grifo nosso).
2.
Diferenças entre provação e tentação.
“E
aconteceu depois destas coisas, que tentou Deus a Abraão” (Gn
22.1). A expressão “tentou” no hebraico “nasah”
aparece aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento e de forma
frequente se refere a Deus testando a fé e a fidelidade de seres humanos,
incluindo Abraão (Gn 22.1); a nação de Israel (Êx 15.25; 16.4; 20.20; Dt
8.2,16; 13.3; Jz 2.22; 3.1,4); Ezequias (2Cr 32.31); e Davi (Sl 26.2)
(PALAVRA-CHAVE, 2011, p. 800). Embora, a ideia de testar ou pôr a prova, sugere
algumas vezes tentar ou atrair alguém ao pecado, dependendo do contexto. Abaixo
destacaremos a diferença entre provação e tentação:
A)
A tentação tem um aspecto negativo.
No
aspecto negativo, a tentação é totalmente diferente da provação. Enquanto
àquela visa o aperfeiçoamento e o crescimento do crente, esta visa a queda,
destruição e o afastamento de Deus. É importante lembrar que este tipo de
tentação jamais tem origem em Deus, mas no diabo que incita a concupiscência do
homem (Gn 3.1,6; 1Cr 21.1; Tg 1.13; 2Pe 2.9). Quando o desejo do mal se levanta
na mente, não pára aí. A cobiça dá à luz o pecado, e o pecado produz a morte “a
morte é assim o produto amadurecido ou terminado do pecado” (Moffatt,
apud Moody, sd, p. 7).
B)
A provação tem um aspecto positivo.
A
provação é o “sofrimento, angústia ou tribulação que tem por objetivo levar o
crente a uma experiência mais profunda com Deus. A provação nas Escrituras,
também é vista como aquilo que atesta a veracidade de algo. É o processo pelo
qual se afere a legitimidade de uma intenção ou fato (Ml 3.10; At 1.3 Rm 5.8; 1
Jo 4.1)” (Andrade, 2006, p.307). Na “escola da fé”, precisamos, regularmente,
passar por provas. De outro modo, jamais ficaremos sabendo onde nos encontramos
em termos espirituais.
II. PROPÓSITOS DE DEUS NA PROVAÇÃO DE
ABRAÃO
A
ordem para que oferecesse o seu filho em sacrifício dá-se em uma linguagem que
faz com que a prova seja ainda mais penosa; aqui, cada palavra é uma espada.
Assim como o fogo refina o minério para extrair metais preciosos, Deus nos
refina através das circunstâncias difíceis. O sacrifício exigido por Deus,
tinha consigo o objetivo de fazer Abraão aprender lições espirituais. O Senhor
estava querendo aperfeiçoar quatro virtudes que Abraão já
possuía, vejamos quais foram:
1.
Deus provou o seu amor (Gn 22.2).
Não
restam dúvidas de que Abraão amava a Deus, pois ele é chamado de seu amigo (2Cr
20.7; Is 41.8; Tg 2.23). Todavia, este amor precisava ser aperfeiçoado mediante
as provações. Esse pedido exigiu muito de Abraão pelos seguintes motivos: a)
Isaque era o seu filho “toma agora o teu filho”, abrir mão de
Ismael foi menos difícil (Gn 21.9-14); b) o seu único filho “o teu
único filho, Isaque”; c) que ele devotava grande afeição “a
quem amas”; d) por quem esperou vinte e cinco anos (Gn 12.2,4;
21.5); e) este filho seria seu sucessor e herdeiro das promessas (Gn
15.4); f) Deus estava lhe pedindo em sacrifício “e oferece-o ali
em holocausto”. Como servos do Senhor, devemos amá-lo acima de qualquer
coisa (Dt 6.5; Mt 10.37,38; Mc 12.30).
2.
Deus provou a sua obediência (Gn 22.2,3).
Por
que Deus pediu que Abraão oferecesse sacrifício humano? As nações pagãs realizavam
esta prática, mas Deus a condenava como um terrível pecado (Lv 20.1-5). Embora
Abraão não tenha entendido o motivo da ordem de Deus, obedeceu imediatamente.
Parece que enquanto caminhava para o monte Moriá meditava sobre o conflito
entre a ordem de sacrificar Isaque e as promessas de perpetuar a aliança por
meio dele. Todavia, preferiu obedecer à voz divina sem questionar (Gn 22.18). “Obedecer
a Deus costuma ser uma luta porque pode significar abrir mão de algo que
realmente desejamos” (APLICAÇÃO PESSOAL, 1995, p. 37).
3.
Deus provou a sua fé (Gn 22.5-8).
Abraão
tinha convicção que Deus lhe faria uma grande nação por meio de Isaque seu
filho, como Deus mesmo havia prometido (Gn 12.2; 15.4,5). Para isto precisaria
demonstrar essa confiança para si mesmo, estando disposto a sacrificar o seu
filho, acreditando que de alguma forma, Deus interviria naquela situação (Gn
22.5). “Porque Abraão já conhecia a fidelidade de Deus, e mesmo o caráter
terno, da personalidade de Deus e das promessas de Deus, ele estava confiante
de que Deus cumpriria sua promessa, de uma forma ou de outra” (Copan, 2016, p.
51).
4.
Deus provou a sua perseverança (Gn 22.9,10).
Abraão
e Isaque viajaram aproximadamente 80 a 100 km de Berseba até o monte Moriá,
durante cerca de três dias (Gn 22.3,4). Este foi um momento difícil para
Abraão, que estava a caminho de sacrificar o filho amado, Isaque. Sua
perseverança estava sendo submetida à prova de obedecer até as últimas
consequências. O Senhor o deixou subir ao monte, edificar o altar, pôr a lenha,
colocar Isaque sobre o altar, levantar o cutelo e somente na hora final, no
limite da perseverança, o Senhor apareceu para intervir (Gn 22.6-13).
III. A PROVISÃO DE DEUS NA PROVAÇÃO
Deus
por meio dessa circunstância mostra-nos alguns de seus atributos, pelos quais
ficará conhecido não só a Abraão como também aos seus descendentes. Vejamos
quais atributos de Deus podem ser vistos no monte do sacrifício:
1.
O Deus da provisão.
Quando
interrogado pelo seu filho Isaque, sobre a falta da vítima para o holocausto,
Abraão respondeu “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu
filho” (Gn 22.8). Providência: “É a resolução prévia tomada por
Deus, visando a consecução de seus planos e decretos, a preservação de quanto
Ele criou e a salvação” (Andrade, 2006, p. 307). Deus revela-se na
história como o Deus da providência, nos levando a crer em sua intervenção por
mais difícil que seja a provação. “E chamou Abraão o nome daquele lugar: o
Senhor proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do Senhor se
proverá” (Gn 22.14). A declaração: “No monte do Senhor se proverá”
nos ajuda a compreender algumas verdades sobre a provisão do Senhor: a)
é preciso adorar a Deus mesmo tendo falta de alguma coisa (Gn 22.5; Hc
3.17,18); b) devemos estar no altar como Abraão, senão não obteremos a
sua provisão (Gn 22.9; Jr 33.3; Mt 6.6); e, c) é preciso esperar, pois
Deus só intervém no momento certo providenciando o necessário (Gn 22.10-13; Fp
4.6; 1Pe 5.7).
2.
O Deus todo poderoso.
Deus
já tinha se declarado a Abraão como o Todo poderoso (Gn 17.1). Diante dessa
experiência anterior, Abraão se mantém firme diante de um novo desafio, pois
tinha a fé para crer que o Onipotente providenciaria o necessário à sua maneira
e na hora exata como disse o escritor aos hebreus (Hb 11.17,18).
3.
O Deus gracioso.
No
hebraico “Jeová Jiré”, é uma expressão profética da providência
divina de um sacrifício substituto, o carneiro (v. 13) (Stamps, 2012, p. 64).
Moriá derivada da palavra hebraica “raah”, “fornecer, ver,
mostrar”. Assim na própria palavra Moriá “provisão”,
temos uma sugestão de salvação e libertação” (Copan, 2016, p. 52). Ao
substituir Isaque por um cordeiro, Deus está proclamando sua graça que seria
revelada de maneira plena por meio de seu Filho, que é o Cordeiro de Deus que
tira o pecado do mundo (Jo 1.29). Profeticamente Cristo é visto por Abraão no
momento da provisão (Jo 8.56). Isaque não chegou a morrer, mas, “figuradamente”
(Hb 11.19); morreu e foi ressurreto dentre os mortos. Jesus, porém, morreu de
fato e foi sepultado, mas foi ressurreto de modo triunfante, consumando a maior
de todas as provisões, o perdão dos pecados.
IV. A MORTE DE SARA
Depois
de contemplar a fidelidade de Deus no monte da provisão, a narrativa bíblica
nos conduz agora a um momento de profunda dor na vida de Abraão. O patriarca
que venceu a prova da entrega de Isaque precisaria também enfrentar o sofrimento
silencioso da perda de Sara.
1.
A realidade da morte na experiência humana (Gn 23.1,2).
Depois
de experimentar uma das maiores vitórias de sua fé no monte Moriá, Abraão agora
enfrenta uma das dores mais profundas de sua caminhada: a morte de Sara. O
texto bíblico diz: “E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos [...]
e morreu Sara em Quiriate-Arba” (Gn 23.1,2). A Escritura mostra que até
os homens e mulheres mais piedosos não estão isentos das dores da existência
humana. Gênesis constantemente revela a fragilidade da vida humana mesmo em
meio às promessas divinas, mostrando que os patriarcas viviam sustentados pela
esperança e não pela ausência do sofrimento. Abraão “veio para prantear Sara e
chorá-la” (Gn 23.2), demonstrando que a fé não elimina os sentimentos humanos.
2.
Abraão demonstrou fé mesmo em meio ao luto (Gn 23.3-9).
Mesmo
profundamente entristecido, Abraão não se entregou ao desespero, mas
levantou-se para agir com dignidade e esperança. Ele comprou a caverna de
Macpela para sepultar Sara (Gn 23.16-20), demonstrando que continuava crendo
nas promessas de Deus acerca da terra de Canaã. O patriarca compreendia que
aquela terra pertencia ao plano divino para sua descendência. Os homens de fé
são moldados justamente nos momentos de transição, dor e incerteza, aprendendo
a confiar em Deus mesmo quando não conseguem compreender completamente os
caminhos divinos.
3.
A esperança das promessas divinas permanece acima da morte.
A
morte de Sara não representou o fim da aliança de Deus com Abraão. Embora a
matriarca tivesse partido, a promessa continuava viva através de Isaque, o
filho da promessa (Gn 21.12). O texto bíblico mostra que os patriarcas viviam
olhando para algo maior do que esta vida terrena, pois “esperavam a cidade que
tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (Hb 11.10). Sara
morreu, mas a promessa não morreu com ela. Isso aponta profeticamente para
Cristo, em quem a morte foi vencida definitivamente (1Co 15.54-57). O Deus que
sustentou Abraão no luto continua sustentando os seus servos hoje, mostrando
que nenhuma perda é capaz de anular aquilo que Ele prometeu.
CONCLUSÃO
Aprendamos
com Abraão que a provisão de Deus é garantida para os que nele confiam sem
reservas, obedecendo mesmo nas provas mais difíceis, como no sacrifício de
Isaque. E aprendamos também, através da morte de Sara, que a fidelidade do Senhor
permanece firme mesmo nos momentos de dor e perda. Assim, o casal patriarcal
nos ensina que viver pela fé é confiar em Deus tanto nos altares da entrega
quanto nos vales do sofrimento.
REFERÊNCIAS
Ø COPAN, Paul. Deus é um monstro moral?
SAL CULTURAL.
Ø HENRY, Matthew. Comentário
Biblico de Gênesis. Pdf.
Ø KIDNER, Derek. Gênesis:
introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1979.
Ø STAMPS, Donald C. Bíblia de
Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.



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