Gn
13.7-18
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos sobre a fé de Abraão nas promessas de Deus. Veremos que a sua
fé o legitimou como pai de todos os que creem (Rm 4.16). Analisaremos que as
promessas de Deus não só o alcançaram, mas também a toda sua descendência,
tanto física quanto espiritual e, por fim, destacaremos aprendizados da sua
jornada de fé até o cumprimento das promessas.
I.
ABRAÃO, O PAI DA FÉ
1.
Pai na fé.
O
nome “Abrão” (’abrãm) significa literalmente “Pai [Deus] é alto”. Quando Deus
estabeleceu a sua aliança com ele (Gn 17.1,2), disse: “Teu nome será
Abraão (‘abrãhãm), porque por pai de numerosas (‘ab-hamôn)
nações eu te constituí” (v.5). A mudança do nome faz com que ’ãb
“pai”, se aplique agora ao próprio Abrão. Posteriormente ele será considerado pai
dos fiéis tanto no sentido da atitude subjetiva de fé (Gl 3.7; Rm 4.16)
como em relação à sua herança objetiva de justiça (Gl 3.29; Rm
4.11,13) (Harris; Archer; Waltke, 2012, p.6). Jesus disse que todo aquele que
vive na prática da mentira é filho do diabo, porque o diabo é pai da mentira.
Assim, todo o que vive pela fé é filho de Abraão, porque ele é pai da fé.
2.
Abrão é pai de todo aquele que crê.
“E
creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça” (Gn 15.6). Este versículo fala da “atitude
subjetiva da fé”, que se refere à resposta pessoal do indivíduo, o ato
de crer em Deus e confiar em sua promessa. São as disposições internas de
confiar e se manter firme no que Deus disse: “A fé [...] é um ato da
inteligência e da vontade [...] consiste na confiança que se tem no testemunho
que Deus dá de si mesmo” (Davis, 1990, p. 222). Abrão confiou na
Palavra de Deus e, por isso, foi aceito e declarado justo. É somente pela fé
que nós, como Abrão, somos considerados justos (Gn 15.6; Rm 3.28; 4.5; 5.1; Gl
2.16) e somos aceitos por Deus (Jo 1.12; At 10.43; Ef 2.8,9; Hb 11.6).
Portanto, no sentido subjetivo da fé, Abrão é pai de todos os que
creem porque teve primeiro a mesma experiência de fé que todo crente tem
quando lhe é pregado o Evangelho (Gl 3.8).
3.
Abrão creu em Deus.
Abrão
levantou a bandeira da fé monoteísta (crença em um só Deus) quando a
grande maioria das pessoas de sua época era politeísta (crença em vários
deuses) ou henoteísta (crença em um Deus supremo e em outros deuses
menores). Viveu em Ur dos Caldeus (Gn 11.28), região da Mesopotâmia (c. 2.000
a.C.). Lá era adorado um panteão com diversos deuses (Swindoll, 2015, p. 11).
Na biblioteca de Nínive, no século VII a.C., foram catalogados aproximadamente
2.500 deuses dos tempos de Abrão. Os principais eram: Anu, deus do céu e
sua esposa Inana, deusa do amor e da fertilidade; Enlil, deus do
ar e sua esposa Ninlil; Enki, senhor das águas profundas e da
sabedoria, e sua esposa Damgal; Sin era o deus-lua e sua esposa Nigal;
Shamash, deus-sol e sua esposa Aya; Sumutu, filho de Sin,
deus do poder, da justiça e da guerra. Há ainda deuses: da tempestade, do
submundo, das pragas, das enfermidades, das febres, da ciência, da escrita, da
vegetação, da caça, dentre outros (Champlin, 2013, p. 425). Abrão e seus
parentes eram idólatras antes de conhecerem a Deus (Js 24.2). Deus o chamou (Gn
12.1ss), ele creu e obedeceu (Gn 12.4) e sua obediência de fé seria imputada
como justiça (Rm 4.3; Gl 3.6). Isso o faz ser considerado pai da fé, pois
foi o primeiro a seguir uma jornada de fé que povos e nações mais tarde também
seguiriam.
II.
COMO FILHOS DE ABRAÃO, SOMOS SEUS HERDEIROS
1.
Abrão é pai de todos que recebem bênçãos pela fé.
Quando
Abraão creu em Deus, ele obedeceu em tudo. Como resposta à sua fé, Deus o
justificou (Rm 4.1-5) e confirmou todas as promessas que lhe tinha feito. Essas
promessas incluíam especialmente a vinda do Filho de Deus como seu descendente
(Gn 22.18). Por isso nós somos herdeiros das promessas feitas a Abraão, porque
a promessa principal é Cristo, e Ele é a nossa maior bênção (Rm 8.32; Gl 3.14;
Ef 1.3; Cl 3.4). Deus disse que abençoaria Abraão, o faria uma bênção (Gn 12.2)
e que por meio dele, todas as pessoas da terra seriam abençoadas (Gn 12.3b).
Paulo explica que a bênção de Abraão chega aos gentios por meio de Jesus Cristo
(Gl 3.14). Portanto, podemos dizer com segurança que as bênçãos que
herdamos de Abraão são o próprio Cristo e todos os benefícios recebidos por Ele
por meio da fé: a justificação (Gn 15.6; Rm 4.3), a promessa do
Espírito Santo (Gl 3.14b), a entrada na descendência espiritual
de Abraão (Gl 3.7,29) e a participação na promessa da salvação
para todas as nações (Gn 12.3). Essas bênçãos constituem a “herança
objetiva de justiça”, isto é, as bênçãos prometidas a Abraão e
concedidas aos que creem em Cristo. Observemos:
a)
Jesus é descendente de Abraão.
Jesus é filho de Abraão (Mt 1.1). Comentando (Gn
22.18), onde é dito: “E em tua semente serão benditas todas as
nações da terra”, Paulo disse: Ora, as promessas foram feitas a Abraão e
à sua posteridade. Não diz: e às posteridades como falando de muitas, mas como
de uma só: e à tua posteridade, que é Cristo” (Gl 3.16). O apóstolo
declara Cristo como “descendente
de Abraão por excelência, e todos os que estão nEle são igualmente filhos de
Abraão” (Guthrie, 2011, p. 128). “Semente” é o mesmo que “posteridade”. São
termos sinônimos.b)
Quem crê em Cristo se torna descendência de Abraão.
Se
alguém é descendente, é herdeiro. E só há uma forma de um gentio entrar na
descendência de Abraão: pela fé no seu descendente (Gl 3.29), porque ele,
Abraão, é pai de todos os que creem (Rm 4.11,16).
c)
Recebemos bênçãos de Abraão por meio de Cristo.
A
promessas de Deus a Abraão é profunda: “em ti serão benditas todas as
famílias da terra” (Gn 12.3). O apóstolo Paulo afirmou que as bênçãos
espirituais aos crentes passam por Abraão, porque Jesus Cristo vem dele: “Para
que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela
fé, nós recebamos a promessa do Espírito” (Gl 3.14).
d)
A justificação é uma bênção de Abraão.
A
grandeza de Abraão está em Cristo. O Filho de Deus, sendo seu descendente,
elevou o nível das suas promessas. Abraão foi justificado pela fé (Gn 15.6),
Deus prometeu abençoar todas as nações através dele (Gn 12.3), Paulo explicou
que essa bênção é a justificação pela fé (Gl 3.8,14), como a justificação é por
meio de Cristo e Cristo veio por meio de Abraão (At 13.39; Gl 3.14) é por isso
que a justificação é uma bênção de Abraão (Gl 3.29).
III.
A FÉ DE ABRAÃO NAS PROMESSAS DE DEUS
A fé
de Abrão o levou a viver diversas fases até que chegasse o cumprimento das
promessas de Deus. Sua jornada de fé se tornou para nós um manual de como
viver, confiar e alcançar as promessas: “Embora cada pessoa tenha uma
jornada de fé única, Abraão abriu uma trilha para o restante de nós; sua
jornada de fé nos fala sobre nossa própria jornada” (Swindoll, 2015, p.
8). Há uma construção natural de impossibilidades que se levanta diante dos
olhos de quem recebe promessas de Deus, e que precisa ser superada. A história
de Abrão nos ensina quais são essas impossibilidades e como superá-las pela fé:
1.
Contradição.
Abrão
viveu contradições das promessas. Deus disse que ele seria pai de “uma
grande nação” (Gn 12.2) e que teria muitos filhos como as estrelas e a
areia da praia (Gn 15.5; 22.17). Contudo, sua esposa era estéril (Gn 11.30).
2.
Precipitação.
Havia
fome na terra de Canaã (Gn 12.10). Estar no centro da vontade de Deus não
isentou Abrão de viver dificuldades. Sem consultar ao SENHOR, ele “desceu
para o Egito” (Gn 12.10). Sua precipitação custou muito a ele e a sua
esposa mais tarde.
3.
Medo.
Abrão
temeu não alcançar as promessas de Deus, então Deus lhe disse: “Não
temas, Abrão” (Gn 15.1). Ele demonstrou preocupação por não ter sequer
um filho (Gn 15.2,3) e pediu a Deus esclarecimentos de como herdaria a terra
prometida (Gn 15.7,8).
4.
Dedução.
Abrão
passou a querer entender como teria um herdeiro visto que sua esposa era
estéril. Ele deduzia: “só pode ser mesmo Eliézer o meu herdeiro” (Gn
15.3). Deus lhe respondeu: “Este não será o teu herdeiro; mas aquele que
de ti será gerado, esse será o teu herdeiro” (Gn 15.4). No capítulo
seguinte é dito que sua mulher não lhe gerava filhos (Gn 16.1). Sarai entendeu
que Deus estava impedindo-a de gerar (Gn 15.2) e dá a Abrão Hagar para ter
filhos dela (Gn 15.3). Com toda certeza, o pensamento de Sarai foi: “Deus
disse que sairá de ti o herdeiro, não necessariamente de mim. Deita-te com
minha serva, eu adoto o filho dela como meu e a promessa estará cumprida”. Entender
os caminhos de Deus nunca será uma opção (Is 55.8,9). Essa manobra trouxe
efeitos negativos.
5.
Tempo.
Toda
promessa passa pelo teste do tempo. Abrão tinha setenta e cinco anos quando
recebeu a promessa (Gn 12.4) e cem anos quando Isaque nasceu (Gn 21.5). Foi um
verdadeiro teste de fé de vinte e cinco anos de espera (Rm 4.18). Mas Deus pode
restituir até mesmo o tempo perdido (Jl 2.25a). Quando Isaque nasceu, Abraão
ainda desfrutou da presença do seu filho por setenta e cinco anos (Gn 25.7) e
viu seus netos Jacó e Esaú na fase da adolescência (Gn 25.26).
6.
Velhice.
Abraão
e Sara já eram idosos quando Deus apareceu para confirmar as promessas (Gn
18.11). Por ser já muito velho, Abrão não tinha mais vigor para ter filhos (Gn
18.12; Rm 4.19a) e a Sara já havia “cessado o costume das mulheres”,
isto é, entrado na fase da menopausa (Gn 18.11). Mas, Abraão foi “fortificado
na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).
CONCLUSÃO
Uma das formas de atestarmos a
relevância de um personagem bíblico e de sua história é pela quantidade de
espaço que a Bíblia dedica a ele. Na galeria dos heróis da fé, a Bíblia dedica
doze versículos para falar do testemunho da fé de Abraão (Hb 11.8-19).
Contradição, precipitação, medo, dedução, tempo e velhice são algumas das
provas que ele superou crendo nas promessas de Deus. Que a vida desse grande
herói da fé possa nos inspirar a crer nas promessas de Deus em nossas vidas.
REFERÊNCIAS
Ø
DAVIS,
John. Dicionário da Bíblia. JUERP.
Ø
SWINDOLL,
Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. Mundo Cristão.
Ø
CHAMPLIN,
Russell. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos.
Ø
GUTHRIE,
Donald. Gálatas – Introdução e Comentário. Vida Nova.
Ø
HARRIS,
Laird; ARCHER, Gleason; WALTKE, Bruce. Dicionário Internacional de
Teologia do Antigo Testamento. Vida Nova.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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