Gn
17.1-9
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos sobre a confirmação da promessa de Deus na vida de Abraão.
Veremos por que a mudança do nome foi um sinal utilizado por Deus para
confirmar a Sua promessa. Analisaremos que Abrão viveu em uma época denominada
“Dispensação da Promessa” e, por fim, destacaremos a aliança de Deus com Abraão
que estava baseada em muitas promessas, dentre as quais, estão Cristo e a
igreja.
I. A FORÇA DO NOME NA CULTURA
HEBRAICA
A
relevância dada ao nome nas culturas antigas não é a mesma de hoje. Em nossa
cultura, o nome de uma criança é escolhido conforme a moda, a combinação ou ao
quanto seja agradável aos ouvidos. Nos tempos dos patriarcas, um nome era dado
considerando condições, circunstâncias, eventos específicos e, até mesmo, o
desejo de que a criança vivesse o significado empregado no seu nome. Para
entendermos o porquê a confirmação da promessa de Deus a Abrão tem como sinal a
mudança do seu nome, precisamos compreender a importância que Deus e os povos
antigos davam ao nome de alguém.
1. Nome.
A palavra “nome” do hebraico “shem” ocorre diversas vezes na Escritura. No Antigo Testamento o nome pode carregar a memória ou a menção de algo ou alguém. “Originalmente, o termo hebraico shem significava “sinal” ou “senha”, de tal modo que o nome era um meio de identificação de uma pessoa ou coisa. Assim, um nome era um sinal da linguagem que embojava em si mesmo o sentido específico da pessoa ou coisa nomeada, ou seja, o nome servia de comentário breve sobre o indivíduo, na esperança de que ele viveria à altura das expectações envolvidas no seu nome” (Champlin, 2013, p. 516). O nome era visto como um sinal, senha ou comentário. Mudar o nome de Abrão era refazer sua própria história ou mudar as expectativas em torno dela.
2. Significados e usos dos nomes.
Muitos nomes na Escritura foram dados ou mudados por ocasião de algum acontecimento relevante. A Escritura confere grande importância aos nomes. Vejamos algumas motivações para determinados nomes:
- Eventos marcantes no nascimento da criança lhe determinava seu nome. Foi o caso de Jacó, que significa “usurpador” (Gn 27.36); Benoni, “filho da minha dor”, sempre que alguém o chamasse, seria remetido ao acontecimento do parto (Gn 35.18); Icabô, “foi-se a glória de Israel” (1Sm 4.21,22); Jabez, “dor ou tristeza” (1Cr 4.9).
- Características físicas também determinavam o nome. Esaú, “cabeludo” (Gn 25.25); Edom, “vermelho” (Gn 25.25,30); Labão, “branco”, provável referência à pele ou cabelo (Gn 24.29); Coré, “calvo” aponta para uma característica física marcante (Nm 16.1).
- Exaltar o nome de Deus. Maalalel, “louvor a Deus” (Gn 5.12); Elioenai “meus olhos voltam-se para Yahweh” (1Cr 3.23); Josué, “Yahweh é salvação” (Js 1.1); Israel, “príncipe de Deus” (Gn 32.28).
- Exaltar divindades pagãs. Baal-Hanã significa “baal é gracioso” (Gn 36.38); Esbaal “homem de baaal” ou “baal existe”, nome do filho mais novo de Saul que evidencia a influência do paganismo sobre o rei de Israel (1Cr 8.33); Zorobabel, “nascido na Babilônia” (Ed 3.8-10).
3. O nome Abrão.
Abrão recebe esse nome de seus pais que eram idólatras (Js 24.2). Não seria absurdo presumir, considerando a vida pagã da sua parentela, que esse nome reverenciasse a alguma das divindades do panteão Caldaico. Segundo o Pastor Elienai Cabral: “o nome original ‘Abrão’ (Gn 11.26) significava ‘pai elevado’ ou ‘pai das alturas’ [...] Seu nome ‘Abrão’ tinha relação com o paganismo de seu pai Terá” (2002, p. 19). Quanto à sua vida pregressa: “Lemos no livro de Josué que, nessa época, em Ur dos Caldeus, Abrão adorava outros deuses, e ele era um astrólogo, por assim dizer. Segundo a tradição interpretativa dos rabinos, a palavra “Abrão” significa “pai elevado”, ou “pai que olha para cima”, o que sugere que Abrão ficava olhando as estrelas para tentar adivinhar o futuro. Assim, podemos presumir que ele era um pagão, quando Deus lhe apareceu” (Nicodemus, 2023, p. 24). Quando Deus muda o nome de Abrão, estava desfazendo seu vínculo com o paganismo e mudando os comentários ao seu respeito. Não seria mais atrelado à qualquer atividade da sua vida antiga, mas serviria ao Deus Todo Poderoso (Gn 17.1) e seria chamado de pai de multidões ainda quando tinha apenas um filho (Gn 16.15). Esses são os passos de fé do patriarca Abraão.
II. A DISPENSAÇÃO PATRIARCAL
1.
Dispensação.
Conforme
o teólogo e escritor Scofield, é “um período de tempo durante o qual os homens
são testados quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade
de Deus” ou ainda, conforme o Pastor Claudionor de Andrade: “Período de
tempo no qual Deus se revela de modo distinto e particular ao ser humano” (1998,
p. 124). De modo geral, considera-se sete dispensações: a) Inocência;
b) Consciência; c) Governo humano; d) Promessa; e) Lei;
f) Graça; g) Milênio (Champlin, 2013, p. 187). Em todos esses
períodos da história o homem foi salvo pela graça por meio da fé (Gn 6.8; 15.6;
Sl 32.1,2; Hc 2.4; Gl 2.16; Ef 2.8). Por isso, “As dispensações [...] têm
de ser vistas como etapas da revelação de Deus, e não como modos
distintos de o homem se salvar. Pois só há um único meio de nos salvarmos:
aceitar integralmente a graça que nos oferece o Senhor. Em todas as
dispensações, a graça sempre foi abundantemente dispensada” (Champlin, 2013, p.
187).
2.
Dispensação Patriarcal.
Até
a instituição da lei e formação da nação de Israel, Deus não fez alianças com
nações, mas com indivíduos específicos. Abraão viveu num período denominado de “Dispensação
Patriarcal”, porque foi uma época em que a liderança espiritual estava
concentrada no chefe de família, o patriarca (Gn 18.19). “A Dispensação
Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias
porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua
descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma”. Também é
conhecida como “Dispensação da Promessa” porque “teve
início com a aliança de Deus com Abraão” (Olson 1981, p. 64). Ela durou
aproximadamente 430 anos, desde a chamada de Abraão até a saída de Israel do
Egito (Gl 3.17; Êx 12.40; Hb 11.9,13).
3.
Abraão, um modelo de fé.
Mesmo
antes da revelação especial de Cristo, a salvação nunca foi por obras, mas por
fé, pois está escrito que por ela Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José
e todos os demais alcançaram aceitação diante de Deus (Hb 11.1-40). O escritor
aos Hebreus, na denominada “galeria dos heróis da fé”, indica que todos esses
foram modelos de fé cada qual em seu tempo (dispensação). Abraão,
contudo, foi escolhido para ser um modelo de fé para a sua dispensação e para
as próximas (Rm 4.16,17; Gl 3.7,9,14,16,29). Deus exigiu que Ele
andasse em Sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1), assim como exigiria de
Israel o mesmo padrão de fé para que fosse modelo para as demais nações (Êx
19.5,6).
III. A ALIANÇA ABRAÂMICA
Depois
da sua primeira chamada em Ur dos Caldeus (At 7.2,3), Deus apareceu ainda sete
vezes a Abraão (Gn 12.1-3,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18.1-33; 22.1-18). O
Senhor renovou o velho patriarca diversas vezes reafirmando as suas promessas.
Mas, como vimos, é na aparição registrada em Gênesis 17 que Deus confirma sua
promessa deixando um sinal indelével: a mudança do seu nome e do nome de sua
esposa (Gn 17.5-8). As promessas de Deus a Abraão foram muitas, elas se
cumpririam no seu presente, no seu futuro e abrangeria sua descendência tanto
na carne quanto na fé.
1.
Promessas a Abraão cumpridas no seu presente.
a)
Deus prometeu abençoá-lo (Gn
12.2); b) fazer dele uma bênção; (Gn 12.2); c) ser
benigno com quem o fizesse bem a Abraão e mal a quem o fizesse mal (Gn 12.3); d)
lhe entregar Canaã (Gn 13.5); e) ser seu escudo e
galardão (Gn 15.1); e f) ser o seu Deus (Gn 17.7).
2.
Promessas a Abraão cumpridas no seu futuro.
a)
fazer grande o seu nome (Gn
12.2); b) fazê-lo grandemente frutífero como as estrelas do céu e
a areia do mar (Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-25); c) fazê-lo pai de
uma grande nação (Gn 12.2; 18.18); d) ser progenitor de reis (Gn
17.6); e) pai de muitas nações (Gn 17.4); e f) fazê-lo
uma benção a todas as famílias da terra (Gn 12.2,3; 18.18).
3.
Promessas para os herdeiros de Abraão por Isaque.
a)
a possessão da terra de Canaã (Gn
12.7; 13.14; 15.18-21; 17.7,8) Yahweh seria o seu Deus (Gn 17.8); possuir a
porta dos seus inimigos (Gn 22.17); um descendente (semente) que seria a razão
das bençãos a todas as famílias da terra, esse descendente é Cristo (Gn 22.18;
Gl 3.16; Gn 3.15).
4.
Promessas para os herdeiros de Abraão por Ismael.
Uma
descendência incontável de Ismael (Gn 16.10); os ismaelitas se tornariam uma
grande nação (Gn 21.13); repleta de príncipes (Gn 17.20).
5.
Promessas para os herdeiros de Abraão na fé.
a)
herança das promessas de Abraão
em Cristo (Gl 3.29); b) entrada na descendência espiritual de
Abraão (Gl 3.7); c) participação na promessa da salvação para
todas as nações (Gn 12.3); d) a justificação que é uma bênção de
Abraão porque ela é feita por meio de Jesus (Rm 3.24 5.1), que é descendente de
Abraão (Mt 1.1; Gl 3.16); e) o recebimento do Espírito Santo (Gl
3.14b); a nova pátria (Hb 11.16).
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor. Dicionário
Teológico. CPAD.
Ø CABRAL, Elienai. Abraão: As
experiências de nosso pai na fé. CPAD.
Ø CHAMPLIN, Russell. Enciclopédia
de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4. Hagnos.
Ø NICODEMUS, Augustus. Abraão o
pai da fé. Vida Nova.
Ø OLSON, Lawrence. O Plano Divino
Através dos Séculos. CPAD.
Ø STAMPS, Donald. Bíblia de
Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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