Gn
16.1-16
INTRODUÇÃO
Nesta
lição, estudaremos o capítulo 16 do livro de Gênesis, que registra a ocasião em
que Abrão, seguindo o costume da terra e o conselho de sua esposa Sarai, numa
tentativa de “ajudar” a Deus a cumprir com a Sua promessa, possui a escrava
egípcia Agar, que gera a Ismael. Esta atitude precipitada de Abrão gerou uma
série de conflitos familiares que perduram até os dias de hoje. Definiremos o
termo “impaciência”; citaremos outros exemplos bíblicos de pessoas que não
tiveram paciência de esperar o cumprimento da promessa de Deus; Veremos como
ocorreu a proposta de Sarai para Abrão e o consequente nascimento de Ismael; e,
finalmente, elencaremos recomendações bíblicas sobre a paciência.
I. DEFINIÇÕES E EXEMPLOS DE
IMPACIÊNCIA NA BÍBLIA
1.
Definição.
O
dicionarista Houass (2011, p. 1578) define o termo “impaciência” como:
“qualidade, estado ou condição de impaciente; falta de paciência; incapacidade
para sofrer sem se desesperar ou para suportar algo molesto ou incômodo; pressa
em atingir algum objetivo; estado de preocupação, irritação, aborrecimento ou
irritabilidade”. Foi esta a atitude de Abrão e Sarai: impaciência para esperar
o cumprimento da promessa de Deus. Deus havia feito a promessa a Abrão (Gn
15.4), que o seu servo Eliezer não seria o seu herdeiro, e sim, um filho gerado
por ele. No entanto, ele não teve paciência para esperar o tempo de Deus.
A)
Exemplos de pessoas impacientes na Bíblia. Além do patriarca Abrão, a Bíblia registra outros exemplos de pessoas
que não souberam esperar o tempo de Deus. Vejamos alguns:
a)
O povo de Israel.
Enquanto
Moisés demorava no monte, o povo perdeu a paciência e pressionou a Arão para
fazer um ídolo para ir adiante do povo na peregrinação com destino a Terra de
Canaã. Resultado: esta atitude provocou a ira de Deus e a morte dos idólatras
(Êx 32.1-35).
b)
O rei Saul.
Não
teve paciência para esperar o profeta Samuel que iria oferecer sacrifício ao
Senhor, e ele mesmo sacrificou (1Sm 13.8-14). Resultado: foi rejeitado por Deus
e o reinado não perpetuou através de sua linhagem. Estes e outros textos da
Bíblia nos ensinam que a impaciência geralmente revela a falta de confiança no
tempo de Deus e o foco no imediato, não no que é eterno. As consequências pela
falta de paciência são inevitáveis.
II. A ATITUDE PRECIPITADA DE ABRÃO E SARAI E AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE AMBOS
O
capítulo 16 de Gênesis, relata um momento de impaciência de Abraão e Sarai
diante da promessa de Deus. Como Sarai não podia ter filhos, ela decide
entregar sua serva egípcia, Agar, a Abraão para gerar um filho em seu lugar.
Abraão aceita, e Agar engravida e dá à luz a Ismael. Essa atitude precipitada
de Sarai trouxe diversas consequências para a família do patriarca Abrão, e foi
registrada nas Sagradas Escrituras para que possamos evitar cometer os mesmos
erros que eles cometeram. Vejamos como se deu esta atitude impaciente e
precipitada do nosso pai na fé:
1.
A esterilidade de Sarai e sua decisão precipitada (Gn 16.1).
“Apesar
de saber que lhe cabia prover um herdeiro a Abrão, Sarai não lhe dava filhos
(Gn 16.1). Era dez anos mais jovem que Abrão (Gn 17.17), mas já estava com 75
anos e “já lhe havia cessado o costume das mulheres” (Gn 18.11),
ou seja, havia passado da idade de ter filhos. Sarai atribuía sua esterilidade
ao Senhor que me tem impedido de dar à luz filhos (Gn 16.2a). Como qualquer
outra mulher (com algumas possíveis exceções em tempos modernos), Sarai
desejava ter uma família e, portanto, elaborou um plano para obtê-la” (Adeymo,
2010, p. 35).
2.
A decisão precipitada de Sarai (Gn 16.2,3).
“Seguindo
um costume da terra, Sarai ofereceu a Abrão sua serva egípcia Agar, para que
Abraão gerasse filho através dela. “Entre o povo da Mesopotâmia, o costume,
quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filhos com o
esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. 1)
Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um
filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (Gn
2.24). 2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do “esforço humano
segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Segundo a carne,
equivale ao planejamento puramente carnal, humano, natural. Noutras palavras,
nunca se deve tentar cumprir o propósito de Deus usando métodos que não são
segundo o Espírito, mas esperando com paciência no Senhor e orando com fervor”
(Stamps, 1995, p. 55, grifo nosso).
3.
A gravidez de Agar e o conflito com Sarai (Gn 16.4-6).
“Não
tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A
primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo
honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de
Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a
serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua
senhora, certamente lhe causou inveja e mal-estar. Talvez tenha dito a Sarai:
“Está vendo? Ele me ama mais do que a você!” ou “Eu sou mais abençoada por Deus
que você!”, “Você é estéril, e eu estou grávida!”. Palavras como essas, se
foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai.
Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a
Abrão. Mas já era muito tarde” (Renovato, 2026, p. 35).
III. A FUGA DE AGAR, O ENCONTRO COM O ANJO DO SENHOR E O NASCIMENTO DE ISMAEL
Após a gravidez de Agar, começam os conflitos no lar do patriarca Abrão. Sarai começou a ser menosprezada por sua serva Agar. Então, Abrão deu carta branca a Sarai para fazer o que ela bem entendesse com sua serva. Sarai, então a afligiu e ela fugiu de sua face e o anjo do Senhor a encontrou no caminho. Vejamos:
1.
A fuga de Agar e o encontro com o Anjo do Senhor (Gn 16.7–9).
Depois
de afligida por Sarai, Agar fugiu de sua face e encontrou-se com o anjo do
Senhor. “O “anjo do Senhor” (às vezes chamado “o anjo de Deus”) é mencionado
mais de 60 vezes na Bíblia e é o porta-voz pessoal de Deus e seu representante
diante da humanidade. Em certas ocasiões no Antigo Testamento, o anjo
praticamente é identificado com o próprio Deus, como no encontro de Jacó em
Betel, com Moisés na sarça ardente e no livramento do Egito (Gn 31.13; Êx 3.2;
Jz 2.1). Na época de Abraão, o anjo apareceu a Agar no deserto e disse-lhe que
voltasse para sua senhora Sarai; prometeu também que Deus multiplicaria
grandemente seus descendentes (Gn 16.712) (Gardner, 2016, p. 129).
2.
A promessa a respeito de Ismael (Gn 16.10–12).
O
Anjo do Senhor fala a Agar e promete que sua descendência será extremamente
numerosa, impossível de contar (Gn 16.10). Em seguida, anuncia o nascimento de
seu filho, que deverá se chamar Ismael, porque Deus ouviu o seu sofrimento (Gn
16.11). Também descreve o caráter e o destino de Ismael: ele seria um homem
indomável, comparado a um jumento selvagem; viveria em conflito com todos, e
todos estariam contra ele, habitando em tensão e oposição com seus irmãos (Gn
16.12). “Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras
do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo,
expressou sua alegria. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu
és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por
isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede” (Gn
16.13-14) (Renovato, 2026, p. 37).
3.
O nascimento de Ismael (Gn 16.15–16).
Abrão
era da idade de oitenta e seis anos quando Ismael nasceu (Gn 16.16). “O nome
Ismael significa Deus ouve e significa que Deus viu o modo injusto de Abrão e
Sarai tratarem Agar, e que também agiu a respeito disso. Aquele nome dado
antecipadamente foi um julgamento sobre Abrão, e revela que Deus abomina toda e
qualquer injustiça entre os seus” (Stamps, 1995, p. 56). Os acontecimentos
deste capítulo mostram claramente que escolhas erradas geram problemas
persistentes. O erro de Abrão criou conflitos entre ele e Sarai (Gn 16.5; Gn
21.8-21; 25.6), entre Sarai e Agar (Gn 16.5-6) e entre os filhos, Isaque e
Ismael, e seus descendentes (Gn 21.8-10).
IV. RECOMEDAÇÕES BÍBLICAS ACERCA DA
PACIÊNCIA
Assim
como a Bíblia adverte acerca do perigo da impaciência, ela também nos exorta a
esperar com paciência. Vejamos alguns exemplos:
1.
No Antigo Testamento.
“Descansa
no Senhor e espera nele...” (Sl
37.7).
“Espera
no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Sl 27.14).
“Somente
em Deus espera silenciosa a minha alma... Ó minha alma, espera somente em
Deus...” (Sl 62.1,5).
“Mas
os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.31).
“Por
isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós... bem-aventurados todos
os que nele esperam” (Is 30.18).
2.
No Novo Testamento.
“Porque
necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus,
possais alcançar a promessa” (Hb
10.36).
“...sejais
imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb 6.12).
“Sede,
pois, irmãos, pacientes... fortalecei o vosso coração...” (Tg 5.7,8).
“Mas,
se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25).
“Retenhamos
firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb 10.23).
CONCLUSÃO
A
impaciência de Abrão e Sarai acarretaram drásticas consequências não só para
suas famílias, mas, também, para toda humanidade, pois, ainda hoje existe
rivalidade por parte dos descendentes de Isaque e de Ismael. Esperar em Deus
não é fácil, mas, nunca é tempo perdido. Por isso, não devemos nos precipitar
que querer “ajudar” a Deus a cumprir com as Suas promessas. O que Ele prometeu,
Ele cumprirá, no tempo determinado, pois Ele não falha, não atrasa e não chega
incompleto. Cada promessa tem o seu tempo certo e a maneira certa para se
cumprir.
REFERÊNCIAS
Ø ADEYEMO,
Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. EDITORA GERAL.
Ø GARDNER,
Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø HENRY,
Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø KIDNER,
Derek. Gênesis: Introdução e Comentário. EDITORA CULTURA CRISTÃ.
Ø RENOVATO,
Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. O legado de
Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.
Ø STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.

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