quarta-feira, 8 de março de 2017

LIÇÃO 09 – FIDELIDADE, FIRMES NA FÉ








Hb 10.35-39





INTRODUÇÃO
Nessa lição veremos o significado bíblico de fé como fruto do Espírito; notaremos sua importância em contraste com a natureza pecaminosa; ainda destacaremos que a fidelidade deve ser demonstrada; bem como também lembrar do principio da retribuição divina para os que são fiéis. 


I. A FIDELIDADE E O SEU SIGNIFICADO
1.1 Definição do termo. 
O Aurélio diz que fidelidade significa: “lealdade, perseverança. Observância rigorosa da verdade; exatidão” (FERREIRA, 2004, p. 894). Do hebraico “emunah”, que quer dizer: “firmeza, fidelidade, verdade, honestidade, obrigação oficial”, desses significados o sentido mais frequente é “lealdade, fidelidade” (1Sm 26.23). No grego a palavra é “pistis”, que indica “persuasão firme”, sendo também usada com referência à confiança (Rm 3.25; 1Co 2.5; 15.14,17; 2Co 1.24; Gl 3.23; Fp 1.25; 2.17; 1Ts 3.2; 2Ts 1.3; 3.2); à fidedignidade, fidelidade, lealdade (Mt 23.23; Rm 3.3; Gl. 5.22; Tt 2.10) (VINE, 2002,  p.648). Em seu uso mais amplo, a palavra fé aponta ainda para alguns significados: a) A fé salvadora (Rm 5.1,2; 10.17; Ef 2.8); b) A fé como conjunto  de crença, ou seja, aquilo em que se acredita (At 6.7; 14.22; Rm 1.5; 1Co 16.13; Cl 1.23); c) A fé como fidelidade (Lc 12.42; 1Co 4.2), o que subentende que o crente é fiel para com Deus e também para com o próximo. Essa é uma característica insuflada por Deus, pois aparece como uma das nove virtudes que, juntas, compõem o fruto do Espirito (Gl 5.22,23) (CHAMPLIN, 2007, p.696 – acréscimo nosso). 

1.2 Como atributo Divino.  
Fidelidade é um dos atributos da Trindade, Deus Pai é fiel (Dt 7.9); o Senhor Jesus é chamado de fiel e verdadeiro (Ap 19.11); e também o Espírito Santo é fiel (Gl 5.22) (GILBERTO, 2004, p.110). A fidelidade de Deus refere-se à Sua lealdade a si mesmo e a toda a Sua criação (Is 25.1; 1Co 1.9). Ele jamais mudará o Seu caráter (Sl 119.90; Is 11.5; Ml 3.6;  2 Tm 2.13; Tg 1.17); nem deixará de cumprir o que prometeu (1Ts 5.24; Hb 10.23). A fidelidade de Deus é claramente demonstrada na Bíblia: a) Na natureza (Gn 8.22; SI 119.90; Cl 1.17); b) No cumprimento das suas promessas a Adão (compare Gn 3.15 com G1 4.4); a Abraão (compare Gn 15.4; 18.14 com 21.1,2); a Moisés (compare Êx 3.21,22 com Êx 12.35,36); a Davi (compare 2Sm 7.12,13 com Lc 1.31-33); etc. c) Em momentos de tentação (1Co 10.13); d) Na maneira como disciplina Seus filhos (Sl 119.75; Hb 12.6); e) No perdão dos nossos pecados (1Jo 1.9) (WILLMINGTON, 2015, p.37).

1.3 Como fruto do Espírito. 
A palavra fé refere-se normalmente à confiança em alguém ou algo. No entanto, a palavra pode também referir-se ao que produz a confiança e a fé, a saber, a fidelidade e a confiabilidade. Ambos os significados estão no uso da palavra aqui como outra evidência da vida controlada pelo Espírito (TYNDALE, 2010, p.703). De acordo com Gilberto (2004, p.106), “Há quem prefira traduzir fé em vez de fidelidade como fruto do Espírito em Gálatas 5.22, mas, como veremos, a palavra fidelidade é mais precisa. Em seu sentido mais amplo, fé é nossa crença inabalável em Deus e no evangelho, e, portanto, é o tronco, não o fruto. O fruto do Espírito é dado como qualidade ou atributo; fidelidade é o atributo de quem tem fé”. Por essa razão a versão da Bíblia ARA (Almeida Revista e Atualizada), traduz “” por “fidelidade”. A fidelidade é a primeira das três características do fruto do Espírito que estão relacionadas ao seu portador, ou seja, consigo mesmo. “Quando a fé como virtude do fruto do Espírito habita no crente o que realmente marca sua vida é a fidelidade, ou seja, ele é uma pessoa confiável, leal” (GOMES, 2016, p.110). A fé, como fruto do Espírito, opera permanentemente na vida do salvo e é caracterizada pela firmeza de propósito, e por uma atitude e devoção de alguém que está disposto a ser “fiel até a morte” (Ap 2.10).


II. INFIDELIDADE OBRA DA VELHA NATUREZA
Podemos afirmar que a infidelidade é uma das obras da carne. Paulo na lista aos Gálatas lembra: “[...] e coisas semelhantes a estas [...]” (Gl 5.21); mostrando que as obras da carne não se limitam às que são mencionadas diretamente. Segundo Aurélio (2004, p.1102) Infidelidade é: “Qualidade ou caráter de infiel. Procedimento de infiel; deslealdade, traição, perfídia. O infiel é aquele que não cumpre aquilo a que se obrigou ou se obriga, inexato, inverídico”. Conforme anunciou o apóstolo Paulo, homens infiéis são uma das marcas dos últimos tempos (1 Tm 3.1-4). Encontramos por diversas vezes Deus revelando seu pesar pela infidelidade dos homens em várias áreas: 

2.1 Social. 
No período de Isaías, a injustiça social imperava, ocorria infidelidade no trato com a causa alheia, não havia sinceridade, nem interesse pela verdade, a vida humana era desconsiderada, e isso com vistas ao lucro pessoal (Is 1.21-23). Paulo informa que esse e outros tipos de comportamentos semelhantes, tem como origem a “concupiscência do coração, paixões infames, sentimento perverso” (Rm 1.24,26,28); sendo estes “néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia” (Rm 1.31).

2.2 Religiosa. 
A idolatria, heresias, modismos doutrinários etc, são expressões da infidelidade na área religiosa (Js 22.16; 1 Cr 10.13; Rm 1.18-23). A palavra idolatria fala de prestar culto a um ídolo e abrange tudo aquilo que usurpa o lugar de Deus. O Senhor abomina qualquer tipo de idolatria sendo destacado que é abominável para Deus (Dt 7.25); tola e sem sentido (Sl 115.4,8). Por esse motivo é que logo no segundo mandamento, por meio de Moisés, O Senhor proíbe qualquer tipo de idolatria (Êx 20.3-5).

2.3 Moral. 
No aspecto moral a infidelidade é vista por meio da quebra dos preceitos divinos, nos quais se é visto o propósito de Deus na preservação da família, por meio da fidelidade conjugal (1 Co 7.10,11,27) conservando o padrão monogâmico de casamento (1Co 7.1-3, 39; 1Tm 3.2, 11,12). A infidelidade é abominável aos olhos de Deus (Ml 2.14-16).


III. FIDELIDADE DEMONSTRADA
A fé como fruto do Espírito não é subjetiva, antes, é verificável. Há pessoas que dizem possuí-la, mas negam com suas obras (Tt 1.16). Tiago ensina que: “a fé, se não tiver as obras é morta em si mesma” (Tg 2.17). A fidelidade é de uma importância vital para a vida cristã em três aspectos, vejamos:

3.1 Fidelidade a Deus. 
Para ilustrar a importância da fé e a sua praticidade, o escritor da epístola aos Hebreus reúne na conhecida “galeria dos heróis da fé”, exemplos de personagens que marcaram sua geração; podemos perceber essa ênfase pela expressão repetidamente usada “pela fé”. Destacar que essa fé não é estática, ou seja, não ficou no campo da crença, da reflexão, de forma teórica, pois a expressão “pela fé” sempre é seguida de verbos (Hb 11.3,4,5,7,8,9,11,18,20,21,22,23,24,27,28,30,31,33-37,39); indicando ações que os homens e mulheres de Deus tomaram, para demostrarem sua fidelidade a Deus.

3.2 Fidelidade ao próximo. 
Como possuidores dessa virtude do fruto do Espírito, nos tornamos pessoas dignas de confiança, daí a sua importância para o relacionamento interpessoal. O crente deve inspirar confiança aos que estão à sua volta, tendo algumas atitudes, tais como: a) mantendo sempre sua palavra (Mt 5.37;1Tm 3.8); b) assumindo as responsabilidades no lar (Ef 5.22-28; 6.1-4; 1Tm 5.8); c) cooperando na obra de Deus (1Co 4.1,17; 6.21); d) sendo fiel com o que é alheio (Mt 24.45,46; Lc 16.1-12); como empregado (Ef 6.5-8; Cl 3.22-25); ou como empregador (Ef 6.9; Cl 4.1).

3.3 Fidelidade a si mesmo.  
Nesse aspecto a fidelidade é vista quando somos aquilo que dizemos ser. Davi em um de seus Salmos afirma: “Aborreço a duplicidade, porém amo a tua lei” (Sl 119.113). Quem vive uma vida dúbia, é inconstante, não há firmeza nem resistência (Tg 1.8). Deus quer que sejamos o que dizemos que somos não mostrando duplicidade ou falsidade quanto a nossa devoção a ele (1 Sm 12.24).


IV. FIDELIDADE RECOMPENSADA
Para os que são fiéis, Cristo fez uma promessa (Ap 22.12). Vejamos alguns exemplos de fidelidade e sua respectiva recompensa:

4.1 Moisés. 
Era um homem fiel, e, por isso, foi escolhido para libertar o povo de Deus do Egito (Êx 3.1-10; Hb 3.5). Em Hb 11.24-27 encontramos três atitudes que demonstram claramente sua fidelidade a Deus: a) Ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó, uma posição elevadíssima, para um escravo hebreu; b) ele escolheu ser maltratado junto com o povo de Deus, mesmo podendo desfrutar de todo conforto do palácio; c) ele deixou o Egito, não temendo a ira do rei. Somente a fé (fidelidade) poderia fazê-lo tomar tais atitudes e como recompensa foi usado nas mãos de Deus, desfrutando de intima comunhão com Ele (Nm 12.7,8).

4.2 Daniel e seus companheiros. 
Demonstraram sua fidelidade a Deus na corte em Babilônia em diversas ocasiões: a) quando lhe foi determinado que ele comesse do manjar do rei, que o levaria a desobedecer a palavra de Deus, Daniel intentou no seu coração não se contaminar (Dn 1.8); b) ao serem obrigados a se prostrar diante da estátua do rei Nabucodonosor, não se curvaram para a adorar a imagem (Dn 3.1-30); c) diante do decreto real e sua sentença, Daniel perseverou em oração (Dn 6.10). Ele preferiu ser jogado na cova dos leões, e como recompensa  foram honrados nas mais diversas áreas (Dn 1.17-21; 3.28-30; 6.21-28).


CONCLUSÃO
Por ocasião da Queda, o pecado afetou o relacionamento do homem com Deus, consigo mesmo e com o próximo. Mas, a partir da conversão, o Espírito Santo passa a habitar no crente e a produzir o fruto do Espírito, com suas virtudes morais e espirituais, dando-lhe condições de viver em novidade de vida e de obter o caráter e a natureza de Cristo, que é fiel e verdadeiro.




REFERÊNCIAS
CHAMPLIN, Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. HAGNOS.
GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito. CPAD.
GOMES, Oziel. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito Santo. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal.  CPAD.
TYNDALE, Dicionário Bíblico. GEOGRÁFICA.
VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.
WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia-Vol.2. ACADÊMICO.

  


Por Rede Brasil de Comunicação.



terça-feira, 7 de março de 2017

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2017







   A IGREJA DE JESUS CRISTO –
Sua origem, doutrina, ordenanças
e destino eterno
  





Lição 08

Hora da Revisão
A respeito da Igreja e os Dons Espirituais, responda:


1. O que são os dons espirituais?
Dons espirituais são poderes ou capacitações sobrenaturais, dadas pelo Espírito Santo, à pessoas em sua Igreja.

2. Qual o propósito dos dons?
Os dons são dados por Deus para que a igreja seja edificada, fortalecida.

3. Os dons espirituais são para os nossos dias?
Sim. Enquanto a Igreja de Cristo estiver aqui, ela poderá contar com os dons.

4. Qual é a nossa regra de fé e prática?
A Palavra de Deus.

5. O que possui o dom de profecia deve sujeitar sua profecia a quem?
Qualquer outro tipo de previsão ou de advertência para os nossos dias deve se sujeitar à Palavra de Deus.



QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2017







   AS OBRAS DA CARNE E O FRUTO DO ESPÍRITO –
Como o crente pode vencer a verdadeira batalha
espiritual travada diariamente







Lição 08

Para Refletir
A respeito da bondade que confere vida, responda:


De acordo com a lição, defina bondade.
Bondade é uma qualidade nobre, gerada por Deus, nos corações daqueles que experimentaram o novo nascimento (Jo 3.3).

Como a bondade de Deus é revelada a nós?
A bondade do Pai pode ser revelada na sua provisão, pois Ele faz com que o sol e a chuva se levante sobre os justos e injustos (Mt 5.45).

Cite um exemplo bíblico de bondade.
Jó e Dorcas.

Qual a ordenança de Deus a respeito do homicídio?
A ordenança divina é bem clara, de forma que até uma criança pode compreender: “Não matarás” (Êx 20.13; Dt 5.17).

Qual o primeiro homicídio registrado nas Escrituras Sagradas depois da Queda?
Caim matou seu irmão Abel.



LIÇÃO 08 – A BONDADE QUE CONFERE VIDA








Mt 5.20-26





INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a bondade – um dos aspectos do fruto do Espírito; introduziremos o assunto trazendo uma definição desta virtude; veremos que a bondade é um atributo que caracteriza o caráter divino e que ele compartilhou com o homem quando o criou; pontuaremos a ligação que existe entre a bondade e a generosidade; falaremos sobre a maldade como o contraponto da bondade; e, por fim, quais as exortações bíblicas quanto a prática deste fruto do Espírito.


I. DEFINIÇÃO DA PALAVRA BONDADE
A sexta virtude elencada por Paulo em Gálatas 5.22 é a bondade. O Aurélio (2004, p. 315) nos diz que a palavra bondade significa: “qualidade ou caráter de bom; benevolência; clemência”. Segundo Gilberto (2004, pp. 92,93) “bondade como fruto do Espírito é a tradução de uma palavra grega que encontrada apenas quatro vezes na Bíblia: agathosune (Rm 15.14; Gl 5.22; Ef 5.9; 2 Ts 1.11). A bondade é a prática ou a expressão da benignidade, ou seja, fazer aquilo que é bom. Bondade, então, fala de serviço ou ministério uns aos outros, um espírito de generosidade posto em ação; diz respeito a servir e a dar”.

1.1 Deus é bondoso.
Segundo Jesus a bondade era um atributo e um título próprio da divindade “E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus” (Mc 10.18). Campos (2002, p. 256) diz que a bondade de Deus é: a) original: a bondade que os homens possuem lhes é comunicada, mas em Deus a bondade é essencialmente infinita; b) imutável: os homens podem ser bons, mas eles o serão por alguns momentos; mas a bondade do Senhor “dura para sempre” (Sl 52.1); e, c) necessária: Ele é bondoso e tudo quanto faz é cheio de bondade (Gn 1.31).


II. ATRIBUTO COMUNICÁVEL
Bondade é um dos atributos comunicáveis de Deus. Campos (2002, p. 256) nos diz que “o termo comunicáveis indica que podemos encontrar em nossa personalidade traços dos atributos divinos. Deus nos criou e comunicou esses atributos ao nosso ser, mesmo que em medida infinitamente menor”.

2.1 A bondade natural.
O homem foi criado com bondade natural, quando foi feito a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). No entanto, o pecado distorceu essa imagem, e, se não houver arrependimento e consequente transformação, dia a dia o pecado vai tomando o coração dos homens fazendo com que percam a afeição natural (2 Tm 3.1-3).

2.2 A bondade como fruto do Espírito.
É natural que o homem não regenerado seja bondoso com as pessoas que lhe são bondosas (Mt 5.46); mas, somente os que foram regenerados podem ser bondosos como Jesus foi e também agir com bondade até com os seus inimigos (Lc 6.27,35; Rm 12.14; 20,21). Portanto, somente após o novo nascimento o Espírito Santo passa a restaurar a imagem moral de Deus no homem, produzindo nele as virtudes de Cristo (Gl 5.22).


III. CARACTERÍSTICAS DA BONDADE COMO ASPECTO DO FRUTO DO ESPÍRITO
3.1 Bondade desinteressada.
A bondade como fruto do Espírito não é feita em troca de reconhecimento ou de favores. Assim como o amor, a bondade “não busca os seus interesses” (I Co 13.5b). Ela é altruísta e despretensiosa, ou seja, não faz o bem como moeda de troca. Segundo Jesus não receberá recompensa diante de Deus aquele que age bondosamente com o seu próximo para barganhar algo (Mt 6.1-4). O verdadeiro ato de bondade consiste em fazermos o bem a quem não tem condições de nos recompensar (Lc 14.12-14).

3.2 Bondade imparcial.
A bondade como fruto não faz distinção de pessoas, assim como Deus não faz beneficiando até os ingratos e maus (Mt 5.45; Lc 6.35). Jesus disse que se fizermos o bem apenas aqueles que nos amam e nos fazem bem nos assemelhamos aos incrédulos (Lc 6.32-35). A bondade como fruto não faz distinção de cor, raça, sexo, religião, status social. Tiago repreendeu severamente aqueles que davam preferência aos ricos e subjugavam os pobres (Tg 2.1-4).

3.2 Bondade decorrente do amor.
Uma pessoa pode até agir com bondade sem ter amor; mas, ninguém pode ter amor e não agir com bondade, pois o amor é a virtude de onde flui todas as outras. Gilberto (2004, p. 46) diz: “o amor vem primeiro, depois o serviço”. Paulo diz que até mesmo grandes feitos sem amor não tem nenhum proveito “[...] ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (I Co 13.3). O apóstolo exorta aos crentes de Corinto dizendo “todas as vossas coisas sejam feitas com amor” (I Co 16.14).


IV. A BONDADE E A GENEROSIDADE
A bondade é um aspecto do fruto do Espírito que envolve ação. Gilberto (2004, p. 97) diz que “uma característica distintiva da bondade cristã no grego agathosune é a generosidade ou liberalidade”. O cristão deve ser uma pessoa generosa, exercendo bondade da seguinte forma:

4.1 Contribuindo para a obra de Deus.
O apóstolo Paulo encorajou a igreja de Corinto a prática de generosidade entre os necessitados. A Judéia enfrentava tempos difíceis como resultado de uma escassez que deixou muitos santos aflitos (At 11.28-29). Paulo sentiu que as igrejas dos gentios tinham uma divida de gratidão para com Israel e Jerusalém, a Igreja mãe (Rm 11.13-25; 15.27), por seu papel de trazê-los para a fé em Cristo. Precisamos entender que os nossos dízimos e ofertas quando trazidos para a Casa do Senhor também são usados para atender a obra social (Projeto Samuel) e os nossos irmãos que estão passando por dificuldades. Além disto, podemos também ajudar aqueles que estão ao nosso alcance.

4.2 Auxíliando o próximo.
A bondade está entre as três virtudes que estão conectadas diretamente a nossa relação com o próximo: “[...] longanimidade, benignidade, bondade [...]” (Gl 5.22). Auxiliar o próximo é assistí-lo em suas necessidades físicas (Tg 2.15-17; I Jo 3.17,18); mas também visitá-lo nas enfermidades (Rm 12.13); compartilhar sua dor e alegria (Rm 12.15). Paulo também aconselha “[...] admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos” (I Ts 5.14).


V. A MALDADE O OPOSTO DA BONDADE
O Aurélio (2004, p. 1254) diz que “maldade” significa: “qualidade ou caráter de mal; perversidade, crueldade, iniquidade”. A maldade está listada entre as obras da carne de forma implicita e explícita (Gl 5.19-21; Rm 1.29). Ela tem origem no mau uso do livre arbítrio (Gn 3.22). Desde a Queda do primeiro casal, que todos os homens foram afetados pela inclinação natural para a prática do mal (Gn 8.21; Sl 51.5; 14.3; 143.2; Rm 5.18,19). No AT observamos que foi pela multiplicação da maldade que Deus trouxe o dilúvio como juízo sobre os homens (Gn 6.5.7). Paulo profetizou que nos últimos dias a maldade estaria mais presente na sociedade (2 Tm 3.1-9). Vejamos quais áreas a maldade está atuando:

ÁREA
2TM 3.1-9


1


Moral
“... amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, ingratos, profanos, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos...” (2Tm 3.1-3).
2
Religiosa
“... irreconciliáveis, mais amigos dos deleites, aparência de piedade...” (2Tm 3.3-5).
3
Familiar
“...desobedientes a pais e mães...” (2Tm 3.2).
4
Política
“... resistem à verdade, sendo homens corruptos...” (2Tm 3.8).
5
Sentimental
“... sem afeto natural...” (2Tm 3.3).
6
Pedagógica
“Que aprendem sempre, e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2Tm 3.7).


VI. EXORTAÇÕES BÍBLICAS QUANTO A PRÁTICA DA BONDADE
6.1 Devemos desejar fazer o bem.
No exercício do seu livre arbítrio o homem pode ou não fazer o bem. O Espírito impulsiona, no entanto, precisamos ceder a esta inclinação e não endurecermos a sua voz (Hb 3.8). Jesus ensinou que podemos auxiliar as pessoas se quisermos (Mc 14.7). Portanto, a questão está mais no querer do que em poder.

6.2 Não podemos nos cansar de fazer o bem.
Há pessoas que porque não são reconhecidos pelos atos de bondade que realizam, desanimam. Todavia, o apóstolo Paulo nos diz “e não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido” (Gl 6.9). Confira também (2 Ts 3.13). Deus tem a recompensa para aqueles que fazem o bem, tanto nesta vida quanto no porvir (Ap 22.12).

6.3 A omissão em fazer o bem é pecado.
Aquele que conhece a vontade de Deus e não obedece torna-se ainda mais transgressor do que aquele que não conhece (Mt 24.45-51; Lc 12.35-48; II Pe 2.21; Tg 4.17).


CONCLUSÃO
Devemos no uso do nosso livre arbítrio permitir que o Espírito Santo produza em nós a virtude da bondade a fim de que possamos como filhos de Deus refletirmos o seu caráter em palavras e obras beneficiando os nossos semelhantes de forma imparcial e despretensiosa unicamente motivados por amor.




REFERÊNCIAS
CAMPOS, Heber Carlos de. O Ser de Deus e seus atributos. CULTURA CRISTÃ.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. POSITIVO
GILBERTO, Antônio. O fruto do Espírito: a plenitude de Cristo na vida do crente. CPAD.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
STOTT, John. A Mensagem de Gálatas. ABU.




Por Rede Brasil de Comunicação.