Rm 12.8-14
INTRODUÇÃO
Nesta lição aprenderemos com o apóstolo Paulo, que
o amor é a suprema virtude cristã e não um mero sentimento como é difundido
pela sociedade hodierna; que o amor como fruto do Espírito, só encontra guarida
na vida daquele que é nascido de novo (1Jo 4.7,8); também destacaremos a
abrangência dessa virtude na vida cristã, e por fim, veremos algumas das suas
características.
I. O AMOR
E O SEU SIGNIFICADO À LUZ DA BÍBLIA
Em função de conceitos errôneos a respeito dessa
palavra em nossos dias, e em virtude de que há alguns termos que também são
traduzidos por amor nas Escrituras, precisamos ter em mente o conceito
empregado por Paulo, quando fala do amor como virtude do fruto do Espírito.
Notemos:
1.1 Definição do termo.
Do grego “agape”, como substantivo aparece 116
vezes, e como verbo “agapao” aparece 142 vezes no Novo Testamento (CHAMPLIN,
2004, p. 139); trata-se de: “uma virtude que predispõe alguém desejar o bem de
outrem; uma preocupação altruísta”. É a palavra característica do cristianismo,
usada no Novo Testamento para descrever: (a) a atitude de Deus para com o seu
Filho (Jo 17.26), para com o gênero humano, em geral (Jo 3.16; Rm 5.8), e para
com aquele que crê no Senhor Jesus Cristo, em particular (Jo 14.21); (b) a
atitude que deve haver entre os irmãos (Jo 13.34: 1Jo 4.21) e para com todos os
homens (1Ts 3.12; 1Co 16.14; 2Pe 1.7); e (c) a natureza essencial de Deus (1Jo
4.8,16) (VINE, 2002, p. 395 – acréscimo nosso).
1.2 Como atributo Divino.
Esse é o atributo de Deus mais “conhecido” e
infelizmente também mal entendido por muitos, pois, fundamentados em um
conceito errado justificam suas práticas pecaminosas, apoiando-se no amor
divino “[…] Deus é amor” (1Jo 4.8); usando em alguns casos de forma errônea, a
conhecida expressão: “Deus ama o pecador e aborrece o pecado”, como se essa
frase estivesse afirmando absolutamente, que Deus abomina apenas a prática e
não pune o praticante. A Bíblia declara que a ira de Deus é revelada contra
toda impiedade (Rm 1.18); também fala da ira Divina contra os indivíduos que
vivem na prática do pecado (Sl 5.5,6; Rm 2.5). O amor de Deus não pode ser
separado nem isolado da Sua santidade (Rm 11.22). A Bíblia destaca alguns
aspectos do amor de Deus: (a) Ele é imparcial (Dt 10.17;At 10.34; Rm 2.11); (b)
universal (Jo 3.16); (c) eterno (Jr 31.3); (d) inesgotável (Ef 3.17-19); (e)
sacrificial (Ef 5.25; Hb 7.27) (WILLMINGTON, 2015, p. 39).
1.3 Como fruto do Espírito.
Paulo declara que o amor como é a maior das
virtudes cristãs (1Co 13.13; Cl 3.14); por esse motivo, instruiu os crentes de
Éfeso sobre a importância do amor como alicerce da vida do cristão (Ef 3.17;
4.2,16; 5.2; 6.23). Numa análise do fruto do Espírito, apontando o amor como o
aspecto destacado do mesmo fruto, escreve o Dr. Boyde: “Gozo é o amor
obedecendo. Paz é o amor repousando. Longanimidade é o amor sofrendo.
Benignidade é o amor mostrando compaixão. Bondade é o amor agindo. Fé é o amor
confiando. Mansidão é o amor suportando. Temperança é o amor controlando”
(OLIVEIRA, 1987, p. 140 – acréscimo nosso). O amor é o solo onde são cultivadas
as demais virtudes espirituais (Gl 5.22); é a prova da verdadeira
espiritualidade e tem início na regeneração (1Jo 4.7,8); é uma marca distintiva
de quem pertence à família de Deus (Mt 5.44,45; Jo 14.21; 15.10). O amor como
característica do fruto do Espírito, consiste de querer para os outros, aquilo
que queremos para nós mesmos, é a dedicação ao próximo e isso por meio do
Espírito Santo (Rm 5.2); o amor inspira e vitaliza a fé (Gl 5.6); de sorte que
o cumprimento da lei é o amor “O amor não faz mal ao próximo […]” (Rm
13.10).
II. AS
TRÊS DIMENSÕES DO AMOR
2.1 A dimensão vertical: amor em direção a Deus. Amar a Deus é nosso maior
dever e privilégio; pois, devemos amar a Deus de todo o nosso coração, alma,
forças e entendimento (Dt 6.5; Mt 22.37; Mc 12.29,30,33; Lc 10.27). A palavra
“coração”, como é usada na Bíblia, não se refere ao órgão físico; diz respeito
ao nosso ser interior, envolvendo nosso espírito e alma. Devemos amar a Deus
com toda a nossa mente, intelecto, vontade, força e emoções. Quando amamos a
Deus com amor “agape”, também amamos tudo o que é dEle e tudo o que Ele ama.
Amamos sua Palavra, seus filhos, sua obra, sua igreja, etc (Sl 26.8;
119.97,159; 1Jo 5.1). O teste deste amor é a obediência, o amor cristão tem
Deus por seu objeto primário, e se expressa em obediência aos Seus Mandamentos
(Jo 14.15,21,23; 15.10; 1Jo 2.5). Jesus disse: “Se me amardes, guardareis
[obedecereis] os meus mandamentos” (Jo 14.15). “Aquele que tem os meus
mandamentos e os guarda [obedece], este é o que me ama […]” (Jo 14.21). “[…] se
alguém me ama, guardará [obedecerá] a minha palavra […] Quem não me ama não
guarda [obedece] as minhas palavras” (Jo 14.23,24).
2.2 A dimensão horizontal: amor em Direção ao
próximo.
Não podemos amar ao próximo com amor “agape”, a
menos que amemos a Deus primeiramente. É o Espírito Santo que produz o fruto em
nós; que nos capacita a cumprir o segundo maior mandamento da lei: “[…] Amarás
o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19.18-b). Em sua primeira epístola, o
apóstolo João enfatizou a importância do amor na dimensão horizontal (1Jo
4.7,8,12,20). É pelo amor ao próximo que somos conhecidos como discípulos: “Nisto
todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo
13.35). É pelo amor como fruto do Espírito que demonstramos que passamos da
morte para a vida: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque
amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte” (1Jo 3.14). É
pelo amor que demonstramos que somos nascidos de Deus: “Amados, amemo-nos uns
aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e
conhece a Deus” (1Jo 4.7). É pelo amor que demonstramos que conhecemos a Deus:
“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor” (1Jo 4.8); também
nos impulsiona a ajudar o próximo (1Jo 3.17,18). O amor “agape” nos capacita a
amar não apenas os nossos amigos, mas até nossos inimigos (Lc 6.27-36).
2.3 A dimensão interior: amor a si mesmo.
Talvez pareça estranho e até egoísta para alguém a
verdade de que devemos amar a nós mesmos, contudo, o amor “agape” implica em
amar a si, pois quando Jesus disse que devemos amar nosso próximo como a nós
mesmos (Mt 22.39; Mc 12.33; Lc 10.27); ele reconheceu que é natural cuidarmos
de nossas necessidades humanas (Mt 6.31,32); e que o amor como fruto do
Espírito, faz também com que nos preocupemos com o nosso eu espiritual (1Tm
4.16). Devemos nos ver como Cristo nos vê, como pecador salvo pela graça, como
ser humano feitos à semelhança de Deus, criado para glorificá-lo. Cada uma
destas três dimensões do amor são dependentes uma das outras (GILBERTO, 1995,
pp. 38,39 – acréscimo nosso).
III. CARACTERÍSTICAS
DO AMOR
3.1 Sincero (Rm 12.9).
O amor como fruto do Espírito tem como marca a
sinceridade e pureza; por essa razão sua manifestação dever ter esse traço sem
fingimento ou hipocrisia (2Co 6.6); não deve possuir máscara, o amor não deve
ser teatral, antes deve ser autêntico, genuíno. O apóstolo João expressa esse
mesmo pensamento quando escreve: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de
língua, mas por obra e em verdade” (1Jo 3.18). De acordo com Champlin: “O
crente deve ser sincero, e não um ator na vida. Seu amor precisa ser autêntico,
genuíno, sem fraude e espetaculosidade, não desempenhando meramente um ato
conveniente, que exiba por alguma razão inerentemente egoísta” (2005, p. 816).
3.2 Afetuoso (Rm 12.10).
Paulo usa neste versículo duas palavras gregas para
amor respectivamente: “philadelphia” e “philostorgos”; a primeira descreve o
amor fraternal, ou seja, o amor de irmãos e irmãs uns pelos outros; a segunda
descreve a afeição natural que sentimos pelos nossos familiares, tipicamente o
amor dos pais pelos filhos. Ambas as palavras eram aplicadas a relações de
sangue dentro da família humana. Devemos amar nossos irmãos em Cristo como
amamos os membros da nossa família de sangue (LOPES, 2010, pp. 408,409). O amor
aos irmãos é sinal de que possuímos a vida eterna, conforme aprendemos: “Nós
sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele
que não ama permanece na morte” (1Jo 3.14; 1 Ts 5.9; Hb 13.1; 1Pe 1.22; 2
Pe.1.7).
3.3 Sofredor ou Paciente (1Co 13.4).
A palavra grega “makrothumia” é paciência esticada
ao máximo. O amor é paciente ou “longânimo” e lento para irar-se, e não se
ofende ante o primeiro insulto. Quem ama tem um ânimo longo. O amor é paciente
com as pessoas. Ele tem a capacidade de andar a segunda milha; quando alguém o
fere, ele dá a outra face; ele não paga ultraje com ultraje (1Pe 2.23; Ef 4.2);
“tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.7).
3.4 Benigno (1Co 13.4).
A palavra “benigno” dá a ideia de reagir com
bondade aos que nos maltratam e ser doce para com todos. Ser benigno do grego
“chrestotes” é ter um tipo de bondade e de cortesia que vem do coração e que
representa a contrapartida ativa da paciência. (BEACON, 2006, p. 345). A pessoa
que a lei da amabilidade está em seus lábios; seu coração é grande e sua mão
está aberta. Ela está pronta para mostrar favores e praticar o bem; procura ser
útil; e não somente aproveita oportunidades para fazer o bem, mas as busca (Rm
2.4; 2 Co 6.6; Gl 5.22; Tt 3.4).
CONCLUSÃO
Todas as nossas atitudes se não estiverem
fundamentadas no verdadeiro amor, não tem valor algum, pois ele é vínculo da
perfeição (Cl 3.14); uma dívida que temos para com o próximo “A ninguém devais
coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros […]” (Rm
13.8-a); e quem exercita o amor como fruto do Espírito cumpre a lei (Rm
13.8,10).
REFERÊNCIAS
BEACON. Comentário
Bíblico Romanos a 1 e 2 Coríntios. CPAD.
CHAMPLIN, Norman. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. HAGNOS.
LOPES, Hernandes dias. Comentário Expositivo Romanos. HAGNOS.
OLIVEIRA, Raimundo. As Grandes Doutrinas da Bíblia. CPAD
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
VINE, W.E et al. Dicionário Vine. CPAD.
WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia - Vol.2. ACADÊMICO.
Por Rede Brasil de
Comunicação.
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