sábado, 31 de janeiro de 2026

LIÇÃO 5 – O DEUS FILHO






Lc 1.31,32,34,35; Mt 17.1-8
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre o Deus Filho, para isto veremos as provas bíblicas que demonstram a sua divindade, analisaremos três importantes atributos incomunicáveis de Deus presente em Cristo; focaremos na kenosis, ou seja, no auto esvaziamento e por fim pontuaremos a dupla natureza do filho do Deus filho.
 
 
I. QUEM É O DEUS FILHO?
O Filho de Deus não deve ser entendido como uma criação de Deus ou uma mera representação d’Ele. Pelo contrário, o Filho é, de fato, Deus. Esse princípio é confirmado nas Escrituras, conforme destacado em Romanos 9.5 e Hebreus 1.8, onde a natureza divina de Cristo é afirmada sem margem para dúvidas. As Sagradas Escrituras fornecem provas incontestáveis acerca da divindade de Jesus Cristo. Notemos:
 
1. Jesus é chamado “Deus”.
Ele foi chamado de Emanuel, que significa: “Deus conosco” (Mt 1.23). Pedro testificou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16), e chamou-O de “o Santo” (At 3.14) e de “nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1). Paulo disse que Jesus era o “próprio Filho de Deus” (Rm 8.32) e falou da glória do “grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). João escreveu que Jesus era o “Verbo” eterno (Jo 1.1), o “Unigênito do Pai” (Jo 1.14) e verdadeiro “Deus” (1Jo 5.20).
 
2. Jesus mesmo disse que era Deus.
Ele mesmo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai [...]” (Jo 14.9). Quando Ele foi tentado, disse a Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). No entanto, Ele recebeu adoração (Mt 28.9-17; 14.33; 15.25; Lc 24.52). Seria uma blasfêmia aceitar adoração, se Ele não fosse verdadeiramente Deus.
 
3. Suas obras provam a sua deidade.
Jesus é descrito nas Escrituras como criador de todas as coisas (Jo 1.3; Cl 1.16; 1Co 8.6; Hb 1.2,10), e por Ele, todas as coisas subsistem (At 17.28; Cl 1.17). Ele mesmo é a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 5.25); também perdoou e perdoa pecados (Mt 9.5; Lc 5.20; 7.47-50). O apóstolo João diz que aquele que nega a deidade de Cristo e rejeita Seu testemunho, demonstra que é inspirado pelo espírito do anticristo (1Jo 2.22,23). 


II. O DEUS FILHO E SEUS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS
Deus possui atributos que se dividem em dois grupos: comunicáveis e incomunicáveis. Os atributos incomunicáveis, como o próprio termo sugere, não são partilhados com nenhuma de suas criaturas. Contudo, Jesus manifesta todos os atributos divinos, evidenciando sua unidade com o Pai. Observemos:
 
1. Onipotente.
Após a ressurreição, Jesus apresentou-se aos discípulos e disse: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Observe que no antigo testamento, este atributo é revelado em Deus: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”. (Sl 62.11). A Bíblia apresenta outros textos nos quais é demonstrado que Jesus tem todo o poder (Mt 28.18; Lc 4.35,36,41). O apostolo João registrou uma declaração de Jesus que revela de forma inequívoca a onipotência de Cristo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8).
 
2. Onisciente.
Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17). No contexto da cura do paralítico em Cafarnaum, Jesus conhecendo os pensamentos de desaprovação dos escribas, disse: “por que pensais mal em vossos corações?” (Mt 9.4). Significa que Ele sabe o que está no coração e na mente das pessoas (Jo 2.25; Ap 1.8) (Baptista, 2025, p. 58).

3. Onipresente.
Jesus garantiu aos seus discípulos: “[...] onde estiverem dois ou três reunido no meu nome, aí estou no meio de vós” (Mt 18.20). Essa declaração de Cristo relava o atributo da onipresença, algo pertencente somente a Deus. “Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente tanto os bons quanto os maus”. (Pv 15.3). Após a ressurreição, Jesus afirmou de forma categórica que esta característica é intrínseca à sua natureza: “[...] estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).

 
III. O DEUS FILHO E O “AUTO-ESVAZIAMENTO” OU KENOSIS
O vocábulo “kenosis”, é oriundo do verbo grego, “kenoun”, que significa “esvaziar”. Talvez ele tenha relação com expressões do AT na Septuaginta (Tradução do Antigo Testamento para o grego), que descreve o ato de “derramar” (Gn 24.20), “esvaziar” (Is 53.12). A expressão “ekenôsen” não tem a intenção de falar do sentido metafísico, isto é, que Cristo tenha se despojado de seus atributos divinos, mas é uma expressão da totalidade de sua autorenúncia. Ele não quis usar de todos os seus direitos pessoais e seus interesses a fim de assegurar o bem-estar dos outros (Moody, sd, p. 15). Abaixo destacaremos duas interpretações da kenosis para nosso melhor entendimento:
 
1. A maneira errada desta doutrina.
A kenosis ou Teoria Kenótica ou ainda Teologia Kenótica surgiu quando vários teólogos interpretaram Filipenses 2.5-7 erroneamente ensinando que Jesus deixou de ser Deus no seu auto esvaziamento. Essa opinião da doutrina da kenosis postula que Jesus se “esvaziou da forma de Deus”, retendo apenas os atributos éticos de sua divindade como amor, misericórdia, paz, etc, e renunciou aos atributos infinitos como onipotência, onipresença, onisciência assumindo qualidades humanas.
 
2. A maneira correta desta doutrina.
Concordamos com a ideia do “auto esvaziamento de Cristo”, mas não com a noção de que ele deixou de ser divino, como alguns teólogos afirmam. A kenosis foi mais uma aquisição de atributos humanos do que uma desistência dos atributos divinos. O Logos se tornou carne e, enquanto nesta forma, assumiu uma subordinação temporária. Em outras palavras, sendo o Deus encarnado, ele livremente deixou de usar seus atributos (não deixou de tê-los) especialmente os atributos incomunicáveis, como onipresença ou onipotência, embora estes atributos ainda fizessem parte de sua natureza divina. [...] ao retornar ao trono celestial, ele assumiu novamente a plena igualdade, em todos os sentidos, com o Pai (Ferreira, 2010, pp. 529,530).


IV. O DEUS FILHO E A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS
A afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é plenamente Deus e plenamente homem. A doutrina da união hipostáticaé definida pela existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se separam e nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só “subsistência” eternamente (Grudem, 1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o sempre, visto que Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano (At 1.11; Ap 5.6). “[...] embora distintas, cada Pessoa da Trindade partilha a essência divina numa união perfeita e indivisível” (Barreto, 2025, p. 107). Vejamos:
 
1. A concepção virginal ressalta a união hipostática.
Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, sem confusão de naturezas. Por sua geração única, Ele é o Filho “Unigênito” do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18). A expressão unigênito “monogenes” é composta por dois vocábulos: “monos” [único, sozinho]; e “genos” [tipo, espécie, classe]. A junção desses termos significa “único em sua espécie”; “sem igual”; “singular” ou “exclusivo”. Desse modo, Jesus é único do seu tipo, o Filho singular em sua espécie, não criado, mas eterno, de natureza divina e com uma relação exclusiva com o Deus Pai (Baptista, 2025, p. 55, grifo nosso)
 
2. Jesus é plenamente Deus.
Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a Deus (Jo 5.17; Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23;). Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.
 
3. Jesus é plenamente homem.
Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada (Morris, 2007, p. 83).
 
4. A união hipostática e suas implicações soteriológicas e mediadoras.
A união das duas naturezas em Cristo não é apenas uma formulação dogmática abstrata, mas possui implicações diretas e essenciais para a obra da salvação. Sendo plenamente Deus, Cristo possui valor infinito para satisfazer plenamente a justiça divina; sendo plenamente homem, pode representar legitimamente a humanidade diante de Deus. É nessa condição singular que Ele se apresenta como o único “Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2.5). A natureza divina garante a eficácia eterna de sua obra redentora, enquanto a natureza humana assegura a identificação real com aqueles que Ele veio salvar (Hb 2.14-17). Assim, a união hipostática fundamenta tanto a possibilidade quanto a suficiência da expiação, pois somente alguém que fosse simultaneamente Deus e homem poderia reconciliar plenamente a humanidade caída com o Deus santo.


CONCLUSÃO
Nesta lição, foi abordado que o Filho de Deus possui atributos divinos equivalentes aos do Pai. Também foram discutidas duas doutrinas relevantes acerca da pessoa de Cristo: a doutrina do autoesvaziamento e a doutrina das duas naturezas, bem como suas implicações para a ortodoxia cristã.
 



REFERÊNCIAS
 Ø  ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø  BARRETO, Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. BEREIA.
Ø  SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø  THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. IBR. 
  

Por Rede Brasil de Comunicação.




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026





O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 4
Hora da Revisão

A respeito de “O Deus que Justifica”, responda:
 
 
1. O que significa ser justificado diante de Deus, segundo a doutrina bíblica?
Significa que Deus nos concede a justiça de Cristo quando cremos.
 
2. Por que a doutrina da Justificação não é apenas uma teoria?
A doutrina da Justificação não é apenas uma teoria, mas uma experiência real. Quando você compreende que foi justificado pela fé, passa a viver com uma nova identidade, tanto psicológica, no tocante às emoções à personalidade, quanto espiritual.
 
3. Qual é o lugar da fé no ato divino de justificar o pecador?
A fé ocupa um lugar central no ato divino de justificar o pecador. Ela é o gesto de plena dependência de Deus para viver neste mundo.
 
4. O que a doutrina bíblica da Justificação traz consigo?
A doutrina bíblica da Justificação pela fé traz consigo o livramento da condenação eterna e da culpa que o pecado impõe sobre a vida humana (Rm 8.1).
 
5. O que acompanha a experiência da Justificação pela fé?
A experiência da Justificação pela fé é acompanhada pelo testemunho interior do Espírito Santo, que confirma: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16).
 


 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






 A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.









Lição 4
Revisando o Conteúdo

A respeito de A Paternidade Divina” responda:          
 
 
1. O que significa a expressão “O Pai gerou o Filho”?
Significa que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, não criado, possuindo a mesma essência divina.
 
2. O que significa reconhecer a filiação divina de Cristo?
É reconhecer que Jesus é o Filho de Deus, o único acesso legítimo ao Pai.
 
3. Qual a relação entre a nossa filiação a Deus e a preservação da salvação?
O amor do Pai assegura nossa filiação e nos livra do medo da condenação, embora devamos permanecer firmes para não perder a salvação.
 
4. Qual é a evidência externa de um amor interno e verdadeiro por Deus?
Guardar a Palavra de Deus.
 
5. De que forma os cristãos tornam visível à humanidade o amor de Deus?
Vivendo em amor mútuo, tornando visível o caráter de Deus ao mundo.



 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

LIÇÃO 4 – A PATERNIDADE DIVINA






1Jo 4.13-16
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a paternidade divina revelada no Filho; pontuaremos sobre a habitação do Espírito Santo como evidência da filiação; veremos sobre a confissão de Jesus como Filho de Deus; e por fim, destacaremos alguns frutos práticos da consciência da paternidade divina. 


I. A PATERNIDADE DIVINA REVELADA NO FILHO
1. A “geração” eterna do Filho de Deus.
A palavra profética, no Antigo Testamento, usa o termo “filho” para Jesus: “Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Sl 2.7). Segundo Baptista (2025, p. 43), essa declaração de Salmos 2.7 não se refere a um nascimento temporal ou carnal, mas a uma geração eterna (Hb 1.5). De acordo com Soares (2024, p. 88,89), o Credo Niceno afirma que Jesus é “gerado, não feito, de uma só substância com o Pai” e o Credo Niceno-Constantinopolitano declara: “o gerado do Pai antes de todos os séculos”. A geração eterna não deve ser confundida com a geração na experiência humana porque ela não é física, nem temporal ou histórica, nem envolve pai e mãe como acontece com os humanos. A ideia envolve uma comunicação de essência divina do Pai ao Filho.
 
2. A “filiação” eterna do Filho de Deus.
A expressão teológica “filiação eterna” é muito diferente da outra expressão “geração eterna”. Mas, a compreensão da primeira expressão depende da segunda. A fundamentação bíblica de Isaías 9.6: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu”. Note que o menino nasceu, mas o Filho, segundo a palavra profética, não nasceu, mas “se nos deu”. O nascimento desse menino aconteceu em Belém, mas o Filho já existia desde a eternidade. A Bíblia ensina que Ele já era Filho antes de vir ao mundo (Jo 17.5). Além disso, a Escritura é clara em afirmar que Jesus é “o Filho do Pai” (2Jo 1.3). Isso mostra que a filiação não começou na sua encarnação. A formulação do Segundo Concilio de Constantinopla, em 553, reconhece que o Verbo foi gerado duas vezes, “... a primeira do Pai antes de todas as eras, intemporal e incorporai, e a outra nos últimos dias”, referindo-se à encarnação” (Soares, 2024, pp. 90,91,92).

3. A autenticidade da paternidade divina.
De acordo com Baptista (2025, pp. 43,44), a geração do Filho pelo Pai é eterna, necessária e espiritual, não ocorrendo no tempo, mas na eternidade. Na oração sacerdotal Jesus disse: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse(Jo 17.5). O texto ensina que o relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a identidade de Deus como Pai é eterna. Antes que o mundo existisse, já havia uma comunhão gloriosa entre o Pai e o Filho. Sendo assim, a doutrina da paternidade do Pai inalterável e amorosa sustenta a nossa fé em tempos sombrios.
 

II. A HABITAÇÃO DIVINA COMO EVIDÊNCIA DA FILIAÇÃO
1. O Dom do Espírito Santo como selo da paternidade.
Em 1João 4.13, o apóstolo João declara: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: que nos deu do seu Espírito”. O dom do Espírito é a garantia inicial e contínua da nossa união com Deus (Jo 14.16,17). Ele é o “selo” e o “penhor” da nossa herança (Ef 1.13,14). Este dom não é merecido, mas concedido pela graça do Pai (At 2.38). O verbo “deu” do versículo 3 de 1João aponta para um ato gracioso e definitivo, trazendo a ideia de dar algo a alguém para o seu benefício.
 
2. A mutualidade da habitação.
As palavras do apóstolo João deixam claro que a habitação é mútua, não unilateral: “estamos nele, e ele em nós” (1Jo 4.13). Existe uma relação íntima de comunhão. É Cristo vivendo em nós (Gl 2.20) e nós “enraizados” nele (Cl 2.7). Deus, como Pai, não é distante, mas habita no crente (Jo 14.23). Essa habitação gera segurança espiritual e identidade, pois o crente vive sob o cuidado paterno de Deus (Sl 68.5). A paternidade divina se manifesta em comunhão diária.

3. A Espírito Santo como mediador da relação paternal.
Na carta aos gálatas, o apóstolo paulo disse: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6). O Espírito que recebemos não é uma força impessoal, mas “o Espírito de seu Filho”. É através dele que clamamos “Aba, Pai” (expressão que denota uma confiança cega; expressa o amor e a confiança inteligente). É através do Espírito Santo que conhecemos que estamos em Deus e Deus em nós. A presença do Espírito Santo é a garantia objetiva da filiação divina. Conforme Romanos 8.16, o Espírito testifica com o nosso espírito que “somos filhos de Deus”, confirmando a paternidade divina na experiência cristã. 
 

III. A CONFISSÃO DE JESUS COMO FILHO DE DEUS
A Primeira Epístola de João confronta os primeiros sinais do gnosticismo, que negava a humanidade real de Cristo e, consequentemente, o relacionamento pessoal com Deus, colocando em questionamento a paternidade divina em relação a Cristo e, também, a cada um dos que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12; Rm 8.15; Gl 3.26; 4.5; 1Jo 3.1). O apóstolo João refuta tais inverdades. Vejamos:
 
1. A testemunha ocular da encarnação.
O apóstolo João fundamenta a autoridade das suas palavras, atestando a sua experiência pessoal em relação a convivência com o Filho de Deus encarnado: “e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo(1Jo 4.14). Para Henry (2008, p. 928), vemos aqui a certeza do apóstolo acerca dessa verdade, ele e seus irmãos haviam visto isso: o Filho de Deus em sua natureza humana (Jo 1.14,35-51; 1Jo 1.1), em sua convivência e obras divinas (Jo 2.11; At 10.38), em sua transfiguração no monte (Mt 17.1-5; 2Pe 1.16-18) e em sua morte, ressurreição dos mortos e ascensão magnífica ao céu (Mt 27.35-54; Mt 28.5-7; Lc 24.50-51; At 1.8); eles o viram de tal forma que estavam absolutamente seguros de que Ele era o Unigênito do Pai (Jo 1.14,18).
 
2. A confissão que gera habitação e salvação.
O versículo 15 da primeira epístola de João estabelece uma condição e uma promessa entreleçada: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus”. A confissão aqui é pública e pessoal, envolvendo reconhecimento e submissão. De acordo com Baptista (2025, p. 47), “reconhecer Jesus como Filho é reconhecer o Pai como Fonte da salvação. Não há comunhão com Deus fora da mediação do Filho (1Tm 2.5). Negar essa confissão é negar o próprio Pai: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). A partir dessa verdade, confessar a Cristo é viver em comunhão com o Pai. A presença de Deus se manifesta continuamente na vida do crente que confessa o Filho, pois Deus está nele e ele em Deus(Jo 4.15)”.

3. A impossibilidade da Paternidade sem o Filho.
João exclui qualquer caminho alternativo para Deus. O Pai só é conhecido através do Filho. Quem vê o Filho, vê o Pai (Jo 14.7-10). “A confissão de Cristo como Filho de Deus é condição para a salvação, essencial ao novo nascimento e à reconciliação com o Pai. A filiação eterna de Jesus revela a paternidade divina. Somente em Cristo o Pai é plenamente revelado. Ver o Filho é ver o Pai, pois Ele é a expressão exata do seu Ser (Hb 1.3). Negar o Filho é, por consequência, negar o acesso ao Pai (1Jo 2.23)” (Baptista, 2025, p. 48). Para Wiersbe (2010, p. 272), à medida que conhecemos melhor Cristo, vemos o Pai pela fé. 


IV. OS FRUTOS PRÁTICOS DA CONSCIÊNCIA DA PATERNIDADE DIVINA
1. Quem está em amor está em Deus (1Jo 4.16).
O amor é um atributo divino eterno. Esse amor é sacrificial e redentor. O amor do Pai é inquebrável; nenhum poder ou circunstância pode separar o crente desse amor (Rm 8.38-39). Mesmo em meio às lutas, o salvo é guardado na certeza do amor que não falha. O amor do Pai não é apenas geral, mas é individual, pessoal e íntimo, voltado para cada filho que crê (Jo 16.27)” (Baptista, 2025, pp. 48,49).
 
2. Confiança para o Dia do Juízo (1Jo 4.17,18).
O medo punitivo que antes nos dominava é substituído pela confiança filial, gerada pela presença do Espírito, que testifica a adoção: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Essa confiança estabelece a segurança da condição do salvo como filho de Deus. Assim, o crente regenerado, embora consciente da realidade do juízo final (Hb 9.27), não vive sob terror [...]. Isso não significa que o crente não possa perder a salvação. Essa confiança, não anula a vigilância. O risco da apostasia é real (Ez 18.24; 1Co 10.12)” (Baptista, 2025, p.49).
 
3. O amor fraternal (1Jo 4.19-21).
Para Stamps (2015, p.1962), embora o amor seja um aspecto do fruto do Espírito (Gl 5.22,23) e uma evidência do novo nascimento (1Jo 2.29; 3.9,10; 5.1), é também algo que temos a responsabilidade de desenvolver. “O amor de Deus não é perfeito nele, mas em nós e conosco. Seu amor não poderia ser projetado para ser ineficaz e infrutífero em nós. O amor divino aos irmãos deve constranger o nosso. Os objetos do amor divino deveriam ser os objetos do nosso amor. Será que nos recusaremos amar aqueles que o Deus eterno amou?” (Henry, 2008, pp. 927,928).
 
4. Vida de obediência como expressão da filiação (1Jo 5.1-3).
A consciência da paternidade divina conduz inevitavelmente a uma vida de obediência amorosa. Para o apóstolo João, amar a Deus e guardar os seus mandamentos não são realidades dissociadas, mas dimensões complementares da mesma experiência filial. “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou ama também ao que dele é nascido” (1Jo 5.1). A obediência cristã não é legalista nem opressiva, mas resulta de um relacionamento de amor e pertencimento. Os mandamentos do Pai não são pesados (1Jo 5.3), porque são cumpridos no contexto da graça e da comunhão, e não do medo servil. Assim, o crente obedece não para tornar-se filho, mas porque já o é. A obediência revela a maturidade da fé, preserva a comunhão com Deus e testemunha ao mundo a realidade da nova vida em Cristo (Jo 14.21; 15.10). Nesse sentido, viver segundo a vontade do Pai é um fruto visível da consciência da paternidade divina e da identidade regenerada do cristão.


CONCLUSÃO
A Paternidade Divina, revelada em 1 João 4.13-16, é a realidade mais transformadora da vida cristã. Ela é confirmada pela habitação do Espírito, fundamentada na confissão de Jesus, definida pela natureza do amor e demonstrada numa vida de confiança e amor fraternal.
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade. O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø  HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 6. CPAD.
Ø  SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Novo Testamento. Geográfica Editora. 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.





segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

LIÇÃO 4 - A PATERNIDADE DIVINA (V.2)


Vídeo Aula - Pastor Douglas




 

LIÇÃO 4 - A PATERNIDADE DIVINA (V.1)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






O Plano Perfeito
A Salvação da Humanidade,
a Mensagem Central das Escrituras.









Lição 3
Hora da Revisão

A respeito de “A Natureza do Deus que Salva”, responda:
 
 
1. Como Deus se revela desde Gênesis?
Deus se revela como o Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15).
 
2. O que Jesus revela a respeito de Deus?
Jesus revela tanto a bondade, quanto a natureza salvadora de Deus.
 
3. De acordo com a lição, o que motivou o envio de Jesus à cruz?
O que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus.
 
4. Com o que o chamado à santidade está relacionado?
Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à própria natureza santa de Deus.
 
5. De que maneira podemos explicar a cruz de Cristo como o maior marco da história da salvação?
Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade.
 


 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2026






 A SANTÍSSIMA TRINDADE -
O Deus Único Revelado em
Três Pessoas Eternas.









Lição 3
Revisando o Conteúdo

A respeito de O Pai Enviou o Filho” responda:          
 
 
1. O que significa afirmar que a iniciativa da salvação é um ato da soberania de Deus?
Significa que a salvação começa com a iniciativa amorosa e soberana de Deus, e não do ser humano.
 
2. Do ponto de vista histórico, que fatos corroboram que era chegado o momento exato para a execução do plano redentor de Deus para a humanidade?
A dominação romana, a língua grega comum e a expectativa messiânica entre os judeus criaram o cenário ideal para     a vinda de Cristo.
 
3. O que significa a declaração “nascido sob a lei”?
Que Jesus veio como homem, cumprindo plenamente a Lei de Deus, sem transgredi-la.
 
4. Qual vontade do Pai é realizada pelo Filho?
Que todos aqueles que o Pai deu ao Filho recebam a vida eterna e não se percam.
 
5. Por que a mediação entre o ser humano e Deus é um ato de exclusividade do Filho?
Porque somente Cristo revela plenamente o Pai e oferece o sacrifício perfeito que satisfaz a justiça divina.
 



sábado, 17 de janeiro de 2026

LIÇÃO 3 – O PAI ENVIOU O FILHO






Jo 3.16,17; 1Jo 4.9,10; Gl 4.4-6
 
 
 

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que a história da salvação não é uma série de eventos desconexos, mas a execução de um plano perfeito, concebido na eternidade pelo amor de Deus (Ef 1.4; 1Pe 1.20). Pontuaremos que no epicentro deste plano, encontramos a sua expressão máxima e mais sublime: a missão do Filho (Jo 3.17). Nosso objetivo é ir além do fato histórico da vinda de Cristo, buscando compreender o seu significado profundo. Estudaremos como a missão do Filho revela a iniciativa soberana do Pai (1Jo 4.10), a perfeita unidade da Trindade (1Pe 1.2) e o cumprimento exato do tempo de Deus (Gl 4.4).
 
 
I. A ORIGEM E A NATUREZA DA MISSÃO: UM DEUS QUE AMA PRIMEIRO
A origem da missão redentora não está na vontade humana (Jo 1.13; Rm 9.16), mas no caráter e na soberania de Deus (Ef 1.11). As Escrituras revelam um Deus que é, em Sua essência, amor (1Jo 4.8, 16), e cuja misericórdia se estende por todas as Suas obras (Sl 145.9). Este amor não é passivo, mas ativo e sacrificial (Rm 5.8), manifestado de forma suprema no envio de Seu Filho “para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10; Rm 3.25). É um amor que age em favor de um mundo que não O amava (Jo 3.16), demonstrando uma graça que precede qualquer iniciativa nossa (Ef 2.4,5). Como afirma nossa Declaração de Fé, “cremos no Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus [...] como Salvador do mundo” (Soares [Org], 2017, p. 13).
 
1. A Soberana iniciativa do amor (1Jo 4.10).
A primeira e mais fundamental verdade sobre a salvação é que ela não se origina em nós, mas em Deus (Ef 2.8). O apóstolo João é categórico ao afirmar: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou”. A iniciativa da salvação é um ato de pura graça e soberania divina (Tt 3.4,5). Ele nos amou primeiro, quando ainda éramos pecadores e inimigos (Rm 5.8, 10), e essa iniciativa divina é o verdadeiro ponto de partida de toda a obra da redenção.
 
2. A natureza sacrificial do amor (Jo 3.16).
O amor de Deus é provado pela natureza de Sua dádiva (Rm 8.32). Ele não ofereceu algo substituível; Ele “deu o seu Filho unigênito”. Este ato de entregar o que há de mais precioso demonstra a profundidade e o custo do amor divino (Is 53.10). O teólogo pentecostal Stanley Horton nos lembra que o propósito deste sacrifício é universal em seu alcance: “Deus, por sua infinita bondade e justiça, enviou seu Filho unigênito à cruz a fim de portar a penalidade total do pecado e poder perdoar livremente e com justiça todos quantos comparecerem diante dEle” (Horton, 1996, p.193). O objetivo nunca foi a condenação (Jo 3.17), mas a vida (Jo 10.10).
 
3. A natureza da missão encarnada (Gl 4.4b).
Para realizar a missão, o Filho eterno se fez homem (Jo 1.14). A encarnação era indispensável: “Nascido de mulher” garante Sua plena humanidade; Ele se tornou um de nós em tudo (Hb 2.17), exceto no pecado (Hb 4.15), para poder ser nosso representante legal e Sumo Sacerdote compassivo (Hb 2.18). “Nascido sob a lei” garante Sua obediência perfeita; Ele se submeteu e cumpriu toda a Lei em nosso lugar (Mt 5.17), algo que éramos incapazes de fazer (Rm 8.3). Myer Pearlman, em sua clássica obra, destaca a importância dessa dupla natureza: “Da mesma forma como ‘filho do homem’ significa um nascido do homem, assim também ‘Filho de Deus’ significa um nascido de Deus. Por isso dizemos que esse título proclama a Deidade de Cristo” (Pearlman, 2006, p. 115).
 
 
II. O RESULTADO DA MISSÃO: UMA NOVA IDENTIDADE EM CRISTO
A obra redentora de Cristo não apenas resolve o problema do pecado (Cl 2.13-14), mas também nos concede uma nova posição e identidade diante de Deus. Deixamos de ser “filhos da ira” (Ef 2.3) e estranhos às alianças da promessa (Ef 2.12) para sermos feitos “filhos de Deus” (Jo 1.12). Essa transformação é tão profunda que as Escrituras a descrevem como uma “nova criação” (2Co 5.17). Essa nova vida é caracterizada por etapas de desenvolvimento: Regeneração espiritual, Plenitude do espírito, Maturidade espiritual e Dedicação ao Senhor no seu trabalho (Gilberto et al., 2008, p. 335). Essa nova identidade precisa ser evidenciada com um relacionamento de intimidade com o Pai, garantido pelo sacrifício do Filho e selado pelo Espírito Santo (Ef 1.13-14), que testifica em nosso coração sobre nossa nova condição (Rm 8.16).
 
1. Da escravidão para a adoção (Gl 4.5).
O fruto da missão de Cristo é duplo: redenção e adoção. A redenção nos liberta, pagando o preço da nossa dívida com o pecado (1Pe 1.18, 19). A adoção, por sua vez, nos eleva, dando-nos uma nova posição (Rm 8.15). Não somos apenas ex-escravos perdoados; somos feitos filhos de Deus. Como nossa Declaração de Fé ensina, a salvação inclui a “regeneração, santificação e glorificação” (Soares [Org.], 2017, p.64), um processo completo que muda nossa natureza e nosso destino.
 
2. A evidência da filiação (Gl 4.6).
A prova de que essa adoção é real em nossa vida é a presença do Espírito Santo (Jo 14.17). É Ele quem nos dá a ousadia e a intimidade para clamar “Aba, Pai” (Rm 8.15). Este não é um título formal, mas a expressão de um relacionamento filial e de profunda confiança. O dicionário Wycliffe define o fruto do Espírito como “os hábitos e princípios misericordiosos que o Espírito Santo produz em cada cristão (GI 5.22,23; Ef 5.9)(Pfeiffer et al., 2007, p. 824). A presença desse fruto (Gl 5.22-23) e desse clamor em nosso coração é o testemunho interior de que a missão do Filho nos alcançou.
 
3. A herança da filiação (Rm 8.17).
A adoção como filhos nos torna também “herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8.17). Essa herança não é material, mas espiritual e eterna (1Pe 1.4). Inclui a promessa da vida eterna (Tt 1.2), a participação na glória futura (Rm 8.18) e a posse de um corpo glorificado, semelhante ao de Cristo (Fp 3.21). A missão do Filho não nos deu apenas um novo presente, mas também um novo e glorioso futuro.
 
 
III. A MISSÃO E SUAS IMPLICAÇÕES: VIVENDO COMO RESPOSTA À OBRA DA TRINDADE
A obra da salvação, sendo uma ação conjunta da Trindade, exige de nós uma resposta que também envolva todo o nosso ser (Rm 12.1). Se o Pai nos amou (1Jo 4.19), se o Filho nos redimiu (Ap 5.9) e se o Espírito nos selou (Ef 1.13), nossa vida não pode permanecer a mesma. A compreensão da missão trinitária nos leva a uma vida de adoração (Jo 4.23-24), testemunho (Mt 28.19) e santidade (1Pe 1.15).
 
1. A implicação da obediência (Jo 14.15).
Se a missão do Filho foi um ato de perfeita obediência à vontade do Pai (Jo 6.38; Fp 2.8), nossa resposta como filhos adotivos deve ser um reflexo dessa obediência. Jesus foi claro: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15; 1 Jo 5.3). A obediência deixa de ser um fardo legalista e se torna a expressão mais sincera de nosso amor e gratidão. Não obedecemos para sermos salvos, mas porque fomos salvos pela obediência dEle.
 
2. A implicação do testemunho (At 1.8).
A missão de Cristo na terra culminou com a Grande Comissão (Mt 28.19-20). A missão que Ele recebeu do Pai, Ele agora delega à Sua Igreja (Jo 20.21). Se fomos alcançados por tão grande salvação, temos a responsabilidade e o privilégio de anunciá-la (Mc 16.15). O Espírito Santo, que aplicou a salvação em nós, é o mesmo que nos capacita com poder para sermos “testemunhas” (At 1.8). Viver a implicação da missão é entender que não fomos salvos apenas do mundo, mas salvos para sermos enviados ao mundo.
 
3. A implicação da santidade (1Pe 1.15-16).
A obra da Trindade é uma obra santa. O Pai é Santo (Jo 17.11), o Filho é o Santo de Deus (Mc 1.24) e o Espírito é o Espírito Santo. Se fomos chamados por um Deus Santo (Lv 11.44) e redimidos por um sacrifício santo (Hb 10.10), somos chamados a uma vida de santidade (Hb 12.14). O apóstolo Pedro exorta: “como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15,16). A santidade não é uma opção, mas a consequência natural de quem agora somos em Cristo.
 
 
IV. A MISSÃO E A NOSSA ESPERANÇA FUTURA
A missão do Filho não garante apenas nossa posição presente como filhos, mas também assegura nosso destino eterno. A obra de Cristo tem implicações que transcendem esta vida e se estendem por toda a eternidade. A salvação que recebemos é o início de uma jornada que culminará na glória, quando seremos plenamente conformados à imagem de Cristo (Rm 8.29). O apóstolo João escreveu que “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5.12).
 
1. A garantia da vida eterna (Jo 17.3).
A missão de Cristo nos deu mais do que perdão; ela nos deu vida eterna. E Jesus define essa vida não como uma duração infinita, mas como um relacionamento: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A missão nos abriu a porta para um relacionamento com o Deus Triúno que começa agora e jamais terá fim (Jo 10.28).
 
2. A promessa da glorificação (Fp 3.20-21).
Nossa identidade como filhos de Deus nos torna também cidadãos dos céus (Fp 3.20). A missão de Cristo garante que nossa jornada não termina aqui. Aguardamos a Sua volta, quando Ele “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.21). Esta é a nossa bem-aventurada esperança (Tt 2.13). A mesma obra que começou com a encarnação do Filho terminará com a nossa glorificação.


CONCLUSÃO
A missão do Filho é o amor de Deus traduzido em ação sacrificial. Ela nasce na eternidade, entra na história no tempo perfeito e resulta em nossa eterna adoção como filhos. Esta verdade, porém, não deve gerar em nós apenas conforto, mas também um profundo senso de responsabilidade e uma esperança inabalável. Que a nossa resposta a esta missão seja uma vida de obediência por amor, um testemunho corajoso por gratidão e uma busca incessante por santidade, com os olhos fixos na promessa da glória que nos aguarda, para louvor do Deus Pai, Filho e Espírito Santo.



 
REFERÊNCIAS
Ø  BAPTISTA, Douglas. Lições Bíblicas - Professor, 1º Trimestre 2026. CPAD.
Ø  HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.
Ø  GILBERTO, Antonio. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
Ø  PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.
Ø  SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø  PFEIFFER, Charles (et. al.). Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD.
  
 
Por Rede Brasil de Comunicação.