Lc
1.31,32,34,35; Mt 17.1-8
INTRODUÇÃO
Nesta
lição estudaremos sobre o Deus Filho, para isto veremos as provas bíblicas que
demonstram a sua divindade, analisaremos três importantes atributos
incomunicáveis de Deus presente em Cristo; focaremos na kenosis, ou
seja, no auto esvaziamento e por fim pontuaremos a dupla natureza do filho do
Deus filho.
I. QUEM É O DEUS FILHO?
O
Filho de Deus não deve ser entendido como uma criação de Deus ou uma mera
representação d’Ele. Pelo contrário, o Filho é, de fato, Deus. Esse princípio é
confirmado nas Escrituras, conforme destacado em Romanos 9.5 e Hebreus 1.8,
onde a natureza divina de Cristo é afirmada sem margem para dúvidas. As
Sagradas Escrituras fornecem provas incontestáveis acerca da divindade de Jesus
Cristo. Notemos:
1.
Jesus é chamado “Deus”.
Ele
foi chamado de Emanuel, que significa: “Deus conosco” (Mt 1.23).
Pedro testificou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt
16.16), e chamou-O de “o Santo” (At 3.14) e de “nosso Deus
e salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1). Paulo disse que Jesus era o “próprio
Filho de Deus” (Rm 8.32) e falou da glória do “grande Deus e
nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). João escreveu que Jesus era o “Verbo”
eterno (Jo 1.1), o “Unigênito do Pai” (Jo 1.14) e
verdadeiro “Deus” (1Jo 5.20).
2.
Jesus mesmo disse que era Deus.
Ele
mesmo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai [...]” (Jo 14.9). Quando
Ele foi tentado, disse a Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a
ele servirás” (Mt 4.10). No entanto, Ele recebeu adoração (Mt 28.9-17;
14.33; 15.25; Lc 24.52). Seria uma blasfêmia aceitar adoração, se Ele não fosse
verdadeiramente Deus.
3.
Suas obras provam a sua deidade.
Jesus
é descrito nas Escrituras como criador de todas as coisas (Jo 1.3; Cl 1.16; 1Co
8.6; Hb 1.2,10), e por Ele, todas as coisas subsistem (At 17.28; Cl 1.17). Ele
mesmo é a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 5.25); também perdoou e perdoa
pecados (Mt 9.5; Lc 5.20; 7.47-50). O apóstolo João diz que aquele que nega a
deidade de Cristo e rejeita Seu testemunho, demonstra que é inspirado pelo
espírito do anticristo (1Jo 2.22,23).
II. O DEUS FILHO E SEUS ATRIBUTOS
INCOMUNICÁVEIS
Deus
possui atributos que se dividem em dois grupos: comunicáveis e incomunicáveis.
Os atributos incomunicáveis, como o próprio termo sugere, não são partilhados
com nenhuma de suas criaturas. Contudo, Jesus manifesta todos os atributos
divinos, evidenciando sua unidade com o Pai. Observemos:
1.
Onipotente.
Após
a ressurreição, Jesus apresentou-se aos discípulos e disse: “É-me dado
todo o poder no céu e na terra.” Observe que no antigo testamento, este
atributo é revelado em Deus: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto:
que o poder pertence a Deus”. (Sl 62.11). A Bíblia apresenta outros
textos nos quais é demonstrado que Jesus tem todo o poder (Mt 28.18; Lc
4.35,36,41). O apostolo João registrou uma declaração de Jesus que revela de
forma inequívoca a onipotência de Cristo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o
Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o
Todo-Poderoso” (Ap 1.8).
2.
Onisciente.
Jesus
conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17). No contexto
da cura do paralítico em Cafarnaum, Jesus conhecendo os pensamentos de
desaprovação dos escribas, disse: “por que pensais mal em vossos
corações?” (Mt 9.4). Significa que Ele sabe o que está no coração e na
mente das pessoas (Jo 2.25; Ap 1.8) (Baptista, 2025, p. 58).
3.
Onipresente.
Jesus
garantiu aos seus discípulos: “[...] onde estiverem dois ou três reunido
no meu nome, aí estou no meio de vós” (Mt 18.20). Essa declaração de
Cristo relava o atributo da onipresença, algo pertencente somente a Deus. “Os
olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente tanto os bons
quanto os maus”. (Pv 15.3). Após a ressurreição, Jesus afirmou de forma
categórica que esta característica é intrínseca à sua natureza: “[...]
estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).
III. O DEUS FILHO E O
“AUTO-ESVAZIAMENTO” OU KENOSIS
O
vocábulo “kenosis”, é oriundo do verbo grego, “kenoun”, que significa
“esvaziar”. Talvez ele tenha relação com expressões do AT na Septuaginta (Tradução
do Antigo Testamento para o grego), que descreve o ato de “derramar” (Gn
24.20), “esvaziar” (Is 53.12). A expressão “ekenôsen” não tem a intenção
de falar do sentido metafísico, isto é, que Cristo tenha se despojado de seus
atributos divinos, mas é uma expressão da totalidade de sua autorenúncia. Ele
não quis usar de todos os seus direitos pessoais e seus interesses a fim de assegurar
o bem-estar dos outros (Moody, sd, p. 15). Abaixo destacaremos duas
interpretações da kenosis para nosso melhor entendimento:
1.
A maneira errada desta doutrina.
A
kenosis ou Teoria Kenótica ou ainda Teologia Kenótica surgiu quando vários
teólogos interpretaram Filipenses 2.5-7 erroneamente ensinando que Jesus deixou
de ser Deus no seu auto esvaziamento. Essa
opinião da doutrina da kenosis postula que Jesus se “esvaziou da forma de
Deus”, retendo apenas os atributos éticos de sua divindade como amor,
misericórdia, paz, etc, e renunciou aos atributos infinitos como onipotência,
onipresença, onisciência assumindo qualidades humanas.
2.
A maneira correta desta doutrina.
Concordamos
com a ideia do “auto esvaziamento de Cristo”, mas não com a noção de que
ele deixou de ser divino, como alguns teólogos afirmam. A kenosis foi mais
uma aquisição de atributos humanos do que uma desistência dos atributos
divinos. O Logos se tornou carne e, enquanto nesta forma, assumiu uma
subordinação temporária. Em outras palavras, sendo o Deus encarnado, ele
livremente deixou de usar seus atributos (não deixou de tê-los) especialmente
os atributos incomunicáveis, como onipresença ou onipotência, embora estes
atributos ainda fizessem parte de sua natureza divina. [...] ao retornar ao
trono celestial, ele assumiu novamente a plena igualdade, em todos os sentidos,
com o Pai (Ferreira, 2010, pp. 529,530).
IV. O DEUS FILHO E A UNIÃO DAS DUAS
NATUREZAS
A
afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena
humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é plenamente
Deus e plenamente homem. A doutrina da união “hipostática” é
definida pela existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que
não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se separam e
nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só
“subsistência” eternamente (Grudem, 1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que
Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o
sempre, visto que Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano
(At 1.11; Ap 5.6). “[...] embora distintas, cada Pessoa da Trindade partilha a
essência divina numa união perfeita e indivisível” (Barreto, 2025, p. 107).
Vejamos:
1.
A concepção virginal ressalta a união hipostática.
Jesus
é plenamente Deus e plenamente homem, sem confusão de naturezas. Por sua
geração única, Ele é o Filho “Unigênito” do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18). A
expressão unigênito “monogenes” é composta por dois vocábulos: “monos”
[único, sozinho]; e “genos” [tipo, espécie, classe]. A
junção desses termos significa “único em sua espécie”; “sem igual”;
“singular” ou “exclusivo”. Desse modo, Jesus é único do seu tipo, o
Filho singular em sua espécie, não criado, mas eterno, de natureza divina e com
uma relação exclusiva com o Deus Pai (Baptista, 2025, p. 55, grifo nosso)
2.
Jesus é plenamente Deus.
Há
abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado
na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente
restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda,
todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a
Deus (Jo 5.17; Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23;). Do fato de Cristo ter,
ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido
poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter
declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a
realidade de sua natureza divina.
3.
Jesus é plenamente homem.
Tal
como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua
plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava
a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado
por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações
condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2;
Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo também possuía e possui uma natureza humana
completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas
também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua
encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e,
novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a
promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com
sua constituição material e imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma
natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada (Morris, 2007,
p. 83).
4.
A união hipostática e suas implicações soteriológicas e mediadoras.
A
união das duas naturezas em Cristo não é apenas uma formulação dogmática
abstrata, mas possui implicações diretas e essenciais para a obra da salvação.
Sendo plenamente Deus, Cristo possui valor infinito para satisfazer plenamente
a justiça divina; sendo plenamente homem, pode representar legitimamente a
humanidade diante de Deus. É nessa condição singular que Ele se apresenta como
o único “Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2.5). A natureza
divina garante a eficácia eterna de sua obra redentora, enquanto a natureza
humana assegura a identificação real com aqueles que Ele veio salvar (Hb
2.14-17). Assim, a união hipostática fundamenta tanto a possibilidade quanto a
suficiência da expiação, pois somente alguém que fosse simultaneamente
Deus e homem poderia reconciliar plenamente a humanidade caída com o
Deus santo.
CONCLUSÃO
Nesta
lição, foi abordado que o Filho de Deus possui atributos divinos equivalentes
aos do Pai. Também foram discutidas duas doutrinas relevantes acerca da pessoa
de Cristo: a doutrina do autoesvaziamento e a doutrina das duas naturezas, bem
como suas implicações para a ortodoxia cristã.
REFERÊNCIAS
Ø ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário
Teológico. CPAD.
Ø BAPTISTA, Douglas. A Santíssima
Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.
Ø BARRETO, Alessandro. A Adoração
ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no
Contexto da Trindade. BEREIA.
Ø SOARES, Esequias. Declaração de
Fé das Assembleias de Deus. CPAD.
Ø THIESSEN, Henry Clarence. Palestras
em Teologia Sistemática. IBR.
Por
Rede Brasil de Comunicação.


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