terça-feira, 14 de junho de 2016

LIÇÃO 11 – A TOLERÂNCIA CRISTÃ






Rm 14.1-6




INTRODUÇÃO
Nesta lição definiremos a palavra tolerância, entendendo o contexto em que ela foi empregada na carta de Paulo aos Romanos; falaremos sobre o que o cristão não pode tolerar; destacaremos informações sobre ambos os povos que compunham a igreja em Roma; pontuaremos qual a perspectiva paulina acerca de como deviam se comportar judeus e gentios quanto aos seus costumes; e, por fim, veremos qual a recomendação de Paulo quanto ao exercício da tolerância entre os irmãos.


I. DEFINIÇÃO DA PALAVRA TOLERÂNCIA
Segundo o Aurélio (2004, p. 1960) a palavra “tolerância” significa: “tendência a admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferem dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos”. Conforme Champlin (2004, p. 450), “a tolerância consiste em um estado permanente de boa vontade, dando margem às diferenças que vemos em outros, mesmo que discordemos dessas diferenças”. Apesar de tal definição, se faz necessário destacar que, o conceito contemporâneo de tolerar está sendo confundindo com “transigir”, que por sua vez quer dizer: “chegar a acordo; condescender; ceder”. É preciso entender que a justiça de Deus, não pode tolerar crenças ou ações pecaminosas (II Co 6.14,15; Hb 1.9). A tolerância de que fala Paulo nesta lição em nada tem a ver com coisas declaradamente erradas pela Bíblia, senão com coisas não essenciais a salvação (Rm 14.2,3). Diante disso, é necessário destacar pelos menos duas coisas com as quais o crente não pode tolerar. Vejamos:

1.1 Não podemos tolerar o pecado.
O apóstolo Paulo foi informado que na igreja em Corinto estava havendo imoralidades, como o pecado de imoralidade sexual (I Co 5.1a). Ao que tudo indica, o transgressor continuava na igreja como se nada houvesse acontecido (I Co 5.2). Tratava-se de um pecado hediondo: um membro da igreja estava se relacionando com sua madrasta, como se fosse marido e mulher (I Co 5.1c). A Lei proibia terminantemente que o homem se deitasse com a mulher de seu pai (Lv 18.8; 20.11; Dt 22.30; 27.20). Tal conduta era tão repreensível que até os gentios pagãos condenavam. É realmente de se admirar que uma conduta condenada pelos gentios fosse tolerada pela igreja em Corinto (I Co 5.1b). Paulo orientou que tal cristão fosse disciplinado pela igreja, a fim de que se arrependesse (I Co 5.13).

1.2 Não podemos tolerar a heresia.
Orientado por Jesus, João escreveu sete cartas às sete igrejas da Ásia. Duas dessas igrejas: Éfeso e Tiatira destacam-se de forma diferente. A igreja de Éfeso foi elogiada por Jesus, porque não se mostrou tolerante com os falsos apóstolos, pois identificou a heresia dos nicolaítas e a rejeitou (Ap 2.2). Já a igreja em Tiatira foi severamente repreendida por sua tolerância com a heresia que, além de ser um problema teológico resultou num problema moral (Ap 2.20). Aqueles cristãos estavam permitindo um movimento herético florescer em seu meio e, assim, colocando toda a igreja em perigo. O problema não era externo, mas interno. “O problema em Tiatira era uma tolerância que não era sadia. Eles reconheciam a existência de uma profetisa falsa; reconheciam também o caráter maléfico de seu ensino, mas em sua tolerância se negavam a lidar com ela” (LADD, 1986, p. 41).


II. O CRENTE JUDEU E O CRENTE GENTIO
A igreja de Roma era composta por judeus e também por gentios (Rm 9.24). A carta é dirigida tanto a uns como aos outros (Rm 1.13; 7.1). “A capital do império era uma grande metrópole com mais de um milhão de habitantes. Havia grande concentração de judeus em Roma, tanto na época da expulsão deles em 49 d.C. pelo imperador Cláudio, como no tempo em que o imperador Nero incendiou Roma, em 64 d.C.” (LOPES, 2010, p. 23). Vejamos na tabela abaixo algumas informações interessantes sobre ambos os povos: 

POVO
QUEM ERAM
COMO SE COMPORTAVAM DEPOIS DE SALVOS


JUDEU

O judeu é o “indivíduo originário da nação judaica ou seguidor do judaísmo” (ANDRADE, 2006, p. 200).

Aqueles que dentre os judeus aceitavam a fé em Jesus como Messias, continuavam com as práticas judaicas da observância de dias tidos como especiais, a circuncisão, e a não ingestão de certos tipos de carnes tidas como imundas (At 10.14,15; 15.1,5,24).




GENTIO

Os gentios “são todos aqueles que são nascidos fora da comunidade de Israel, e estranho às alianças que o Senhor estabeleceu com o seu povo no AT” (Ef 2.11,12)” (ANDRADE, 2006, p. 242).

Aqueles que dentre os gentios se convertiam a Cristo, continuavam com a sua vida de gentio, não sendo forçados a obedecerem aos costumes da religião judaica. Pelo contrário, foi ordenado apenas “que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue” (At 15.20-b). Cf. (At 15.28,29). 



III. A PERSPECTIVA PAULINA ACERCA DAS DIFERENÇAS ENTRE AMBOS OS POVOS
Diante de uma igreja mista, composta por judeus e gentios, o apóstolo Paulo se vê diante do desafio de orientar ambos a comportarem-se tal como foram chamados (I Co 7.18). Na perspectiva paulina, o judeu que se converteu a Cristo, não deveria abrir mão de seus costumes religiosos, nos quais fora criado, desde que estivesse ciente de que estas coisas nada acrescentam a salvação (Gl 5.6; Cl 2.20-23). Da mesma forma, o gentio que também foi alcançado pela graça salvadora não necessitaria aderir aos costumes estritamente judaicos para ser salvo (At 15.7-11). Abaixo, destacaremos as principais divergências que estavam acontecendo entre os cristãos judeus e gentios de Roma, aos quais Paulo orienta a tolerância:

3.1 Diferença de comida (Rm 14.2,3).
Em Levítico 11 e Deuteronômio 14, encontramos as leis dietéticas que dizem respeito ao que os hebreus deveriam ou não comer. Isto estava tão enraizado na cultura judaica, que quando alguns judeus se tornaram cristãos, ainda se preocupavam com a correta preparação dos alimentos de acordo com estas leis (At 10.6-8). O problema é que estes não só observavam tais recomendações, mas julgavam os gentios convertidos que não as praticavam. Segundo Wiersbe (2010, p. 348 – acréscimo nosso) devemos observar três fatos sobre as leis acerca dos alimentos: a) Deus deu essas leis somente para a nação de Israel (Lv 11.2); b) a obediência a essas leis garantia a pureza cerimonial, mas não tornava a pessoa automaticamente santa em seu caráter (Tt 1.15); e, c) as leis eram temporárias e terminaram na cruz de Cristo (Cl 2.14; Hb 10.1-4)”. Para Paulo os cristãos não devem reduzir a fé cristã a coisas obsoletas “porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). “Segundo o entendimento ensinado no NT sobre as exigências de Deus, é óbvio que muitos itens mencionados não têm significação moral ou ética” (BEACON, 2006, pp. 279,280 – acréscimo nosso).

3.2 Diferença de dias (Rm 14.5,6).
Aos judeus foi ordenado separar certos dias para celebração ao Senhor, como o sábado, por exemplo, (Êx 16.23-29; 20.10-11; 31.17). Mesmo cristãos, estes judeus ainda mantinham o hábito de guardar este dia “Um faz diferença entre dia e dia” (Rm 14.5a). A questão é que assim como com os alimentos, eles queriam também forçar os gentios a guardarem o sábado, não entendendo que tal ordenança foi dada exclusivamente ao povo de Israel (At 15.5,24; Cl 2.16). Os gentios convertidos poderiam não sentir qualquer preocupação quanto a isso e julgar iguais todos os dias, em outras palavras, todo dia é santo para o Senhor (Sl 118.24). Para Paulo, o problema não residia em guardar alguns dias, mas agregar valor religioso a isto, e ainda requerer dos gentios a mesma postura (Gl 2.21). Quem guarda um dia para o Senhor, para o Senhor o faz, e o que não faz distinção de dias para o Senhor não o faz (Rm 14.6a).


IV. O EXERCÍCIO DA TOLERÂNCIA ENTRE OS CRISTÃOS
4.1 Os fracos na fé.
A expressão “fraco” no grego “astheneo” significa “estar debilitado”. Dá a entender alguém que é “inexperiente” (PALAVRA-CHAVE, 2009, p. 2098). “É consenso geral que os crentes chamados fracos eram oriundos das fileiras do judaísmo, os quais, embora tivessem depositado sua fé em Cristo, ainda viviam comprometidos com as regras judaicas” (LOPES, 2010, p. 447). Na concepção paulina, o cristão fraco dentro do contexto de Romanos 14 é aquele que atribui pecado a coisas que em si mesmas. A guarda de dias e as dietas alimentares não envolvem questões morais, ou seja, são amorais. Portanto, era uma postura errada de tais cristãos julgarem os outros que não as observavam (Rm 13.2,3). Portanto, o pecado desses tais era o julgamento. A expressão “julgar” no grego “krinõ” que significa: “julgar, condenar, punir” (idem, 2009, p. 2098). Tal expressão leva-nos ao entendimento que aqueles que observavam tais práticas estavam condenando os que não praticavam, quem sabe invalidando até a salvação deles (Rm 14.10). Esse tipo de julgamento concernente à salvação só quem faz é o Senhor (Rm 14.10-12).

4.2 Os fortes na fé.
A expressão “forte” refere-se aos crentes maduros, que sabiam discernir entre o certo e o errado com equilíbrio (Rm 15.1,2). No entanto, estes estavam errando porque julgavam-se superiores aos outros (Rm 14.10). Segundo Lopes (2010, p. 445), “o pecado dos crentes fracos era o julgamento; o pecado dos crentes fortes era o desprezo. Os crentes fracos pecavam pelo zelo sem entendimento; os crentes fortes pecavam pelo entendimento sem amor”. O fato de sabermos que existem práticas amorais que em nada afetam a nossa comunhão com Deus, não nos dá o direito de menosprezar aqueles que observam tais práticas entendendo que são importantes para a espiritualidade (Rm 14.5,6). Na verdade, segundo Paulo, os crentes maduros devem abster até mesmo das coisas amorais se estas provocam escândalos na cosmovisão daqueles que as consideram imorais (Rm 14.14,15). A nossa liberdade é restrita pela consciência alheia. Devemos abrir mão até mesmo do que é permitido, se isto leva o meu irmão a tropeçar (Rm 14.20,21). O amor deve me ajudar a exercer a minha liberdade em Cristo (Rm 15.1,2).


CONCLUSÃO
O apóstolo Paulo orienta-nos através da epístola aos Romanos a agir com tolerância uns com os outros para que o ambiente da igreja permaneça saudável. Existiam práticas divergentes entre os judeus e gentios que estavam se tornando numa discussão soteriológica. Paulo de forma equilibrada orienta-os a devida tolerância entre si. Sabendo que, o reino de Deus está acima das coisas triviais que em nada contribuem para a verdadeira espiritualidade.



REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 08. CPAD.
LADD, George. Apocalipse: introdução e comentário. MC.
LOPES, Hernandes dias. Comentário Exegético de Romanos. HAGNOS.
STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.



Por Rede Brasil de Comunicação.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2016






   MARAVILHOSA GRAÇA –
O evangelho de Jesus Cristo
revelado na carta aos Romanos





Lição 10

Para Refletir
A respeito da Carta aos Romanos, responda:


Quem constitui as autoridades?
Deus. As autoridades são ministros a serviço de Deus, mesmo que sejam governantes pagãos, como, por exemplo, os imperadores Ciro e Nabucodonosor.

Qual a razão do crente se submeter às autoridades?
Paulo mostra que a sujeição por parte dos cristãos às autoridades deve-se primeiramente por razões de obediência.

O que pode acontecer quando a sociedade deixa de obedecer às autoridades?
Caos e desordem.

Qual o princípio bíblico em relação às autoridades?
O princípio bíblico em relação às autoridades é que o cristão as respeite e as honre (Rm 13.7).

O que significa “a ninguém devais coisa alguma” (Rm 13.8)?
Em palavras atuais, significa que o crente deve ter o “nome limpo na praça”. Por outro lado, Paulo reconhece outra natureza de dívida, esta não negativa, mas positiva para o crente. A dívida do amor. Não podemos dever nada a ninguém, exceto “o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei” (Rm 13.8).


LIÇÃO 10 – DEVERES CIVIS, MORAIS E ESPIRITUAIS







Rm 13.1-8




INTRODUÇÃO
Neste capítulo 13 de Romanos, o apóstolo Paulo trata de três tópicos importantes sobre as responsabilidades do crente para com as autoridades civis (Rm 13.1-7); para com o próximo (Rm 13.8-10) e para com sua vida pessoal (Rm 13.11-14). Paulo escreveu esta seção visando o ambiente sociopolítico das igrejas que se reuniam em casas romanas. Ele tinha plena consciência das realidades sociais e políticas que confrontavam os cristãos em Roma. O apóstolo não pretendia apresentar uma teoria geral de relacionamento Igreja-Estado. Sua intenção era mostrar que, assim como Deus ordenou toda a criação, devemos manter em ordem a comunidade social e política.


I. DEFINIÇÃO DA PALAVRA AUTORIDADE
Paulo menciona “autoridades superiores” em Romanos 13.1 referindo-se ao Estado, com seus representantes oficiais. O termo do grego “exousia” significa “autoridade” e aparece 102 vezes no NT e destas 4 vezes só no capítulo 13 de Romanos com o sentido, neste contexto, de “governantes civis”. O princípio da autoridade constituída, ou delegada, vem de Deus, e por isso o crente tem o dever de se submeter a ela (Jo 19.10,11; Rm 13.1,2; Tt 3.1; 1 Pd 2.13,14,17,18). Este mesmo sentido é mostrado no AT, onde é mostrado que nenhum governante exerce autoridade fora do domínio de Deus (Pv 8.15,16; Dn 2.21; 4.17,25,32; 5.21; Is 45.1-7) (GONÇALVES, 2015, p. 71 – acréscimo nosso). “A autoridade é, em primeiro plano, o poder efetivo de fazer algo; em segundo lugar, o direito de exercer tal poder; e, em última análise, é o poder político, síntese do direito e do poder” (LOPES, 2010, p. 424).


II. A SUBMISSÃO AS AUTORIDADES E OS LIMITES
Em Romanos 13 o apóstolo Paulo vai falar sobre a “origem” da autoridade (Rm 13.1), em segundo lugar, a “natureza” da autoridade (Rm 13.4,5), e em terceiro lugar, a “finalidade” da autoridade (Rm 13.3,4). Paulo ensina que o crente deve respeitar e se submeter às autoridades legitimamente constituídas. Porém, isso não significa que ele deva concordar com o pecado daqueles que estão em uma posição de liderança (Dn 6.1-10). A desobediência civil só se justifica no caso de conflito entre a lei humana e a lei divina, onde o cristão, em razão da sua consciência para com Deus se submete a “sofrer” as consequências por este ato (At 4.19; 5.29; 1 Pd 2.19-21). Há um limite básico para a obediência do cristão ao governo: ele tem que obedecer a Deus antes que ao homem. “Se o Estado exige aquilo que Deus proíbe, ou então proíbe o que Deus ordena, então, como cristãos, nosso dever é claro: resistir, não sujeitar-nos, desobedecer ao Estado a fim de obedecer a Deus (1 Rs 21.3; Dn 3.18; 6.12; Mc 12.17; At 4.19; 5.29; Hb 11.23)” (STTOT apud LOPES, 2010, p. 424). Quando pessoas corruptas alcançam o poder, pervertem a instituição de Deus, contribuindo para a injustiça, a violência, a exploração, a desordem e a corrupção (Pv 29.2; 28.12,28) (CABRAL, 2005, p.139).


III. O CRENTE E SEUS DEVERES CIVIS
O salvo deve ser sempre um bom cidadão. A finalidade espiritual da obediência às autoridades, do cumprimento dos deveres civis, é “taparmos a boca dos ignorantes que falam mal do Evangelho” (1 Pe 2.15). O cristão não pode ser revolucionário, isso não quer dizer que se acomode à maldade e à injustiça. Em Romanos capítulo 13 Paulo escreveu esta seção visando o ambiente sociopolítico das igrejas. Ele tinha plena consciência das realidades sociais e políticas que confrontavam os crentes em Roma. O apóstolo queria evitar a anarquia e, consequentemente, uma perseguição desnecessária, pois, o princípio de governo e da autoridade provém de Deus, então fica estabelecido que os cristãos, ao invés de insubordinarem-se devem ser, ao contrário, os melhores cidadãos. E quais são seus deveres? Vejamos:

3.1 Devemos honrar e obedecer às autoridades.
Deus autoriza a existência do governo civil e manda os cristãos obedecerem, pois fazendo isso mostramos que amamos ao Senhor (Ec 8.2; 1 Pd 2.13). Temos uma responsabilidade de sujeição (Rm 13.1-7), e o cristão deve obediência às autoridades de sua pátria (Rm 13.1; Jr 29.7). Essa obediência não se deve originar do temor a elas, mas sim da própria consciência (Rm 13.5), que reconhece ser a obediência a elas da vontade de Deus (1 Pd 3.15-17; Tt 3.1; 1 Pd 2.13,14). A honra que se deve às autoridades é o respeito, a dignificação, o enobrecimento das autoridades por todos os cristãos é para vivermos uma vida tranquila (1 Tm 2.1,2). É pecado o trato desdenhoso, zombeteiro, de deboche e de desprestígio para com as autoridades.

3.2 O crente e suas obrigações com o governo.
É pecado o tratamento desonroso que muitos usam ao se referirem às autoridades. Anedotas, zombarias, xingamentos, são naturais para o mundo, mas não para o cristão, que deve obedecer e honrar as autoridades. Paulo mostra que o cristão é um cidadão de “dois mundos” e de “duas ordens” e que a sujeição por parte dos cristãos às autoridades governamentais deve-se primeiramente por razões de obediência. Então, podemos dizer que: a) o cristão deve orar pelos funcionários do governo (Jr 29.7; 1 Tm 2.1-2); b) deve pagar os impostos (Mt 22.21; Rm 13.6-7; Lc 20.19-26); c) deve obedecer o governo e suas leis desde que estas leis não firam os preceitos bíblicos (At 4.19), e d) deve honrar o governo (Rm 13.7; 1 Pe 2.17).


IV. O CRENTE E SEUS DEVERES MORAIS
Paulo apresenta uma lista de ações que compõe um estilo de vida aprovada por Deus. Notemos:

4.1 Cumprir com os compromissos.
O apóstolo aconselhou a não ficarem em débito com ninguém: "A ninguém devais coisa alguma [...]" (Rm 13.8). Em palavras atuais, significa que o crente deve ter o "nome limpo na praça”. Não podemos dever nada a ninguém, exceto o amor (Rm 13.8). Amar o próximo é uma obrigação moral que temos para com a raça humana.

4.2 Pagar tributos e impostos.
Um crente fiel paga seus impostos e nunca “burla” a lei usando de falcatruas. “Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus [...] (Rm 13.6,7; Mt 22.21).

4.3 Manter relações interpessoais sadias (Rm 13.9).
O crente precisa obedecer princípios morais estabelecidos por Deus, e isso fez o apóstolo ter interesse em falar das relações interpessoais quando ele cita esses mandamentos.

4.4 Deixar as obras das trevas (13.12b).
A vida cristã é um campo de batalha e não basta estarmos acordados, precisamos despojar-nos das obras das trevas. Não é suficiente apenas tirarmos as vestes noturnas, precisamos vestir-nos das armas da luz. Um soldado não vive de pijamas, ele se atavia com roupas próprias para o combate.

4.5 Andarmos como filhos da luz (Rm 13.13,14).
Paulo lista aqui seis pecados, em três pares, tratando da falta de controle nas áreas da bebida, do sexo e dos relacionamentos. Paulo passa da vestimenta adequada ao comportamento apropriado. A falta de controle próprio contradiz totalmente um comportamento cristão decente (Gl 5.22; 1 Tm 3.3; Tt 1.8).

4.6 Amar o próximo (Rm 13.10).
Paulo reforça o seu argumento sobre a lei do amor citando Levítico 19.18. Ele conclui dizendo que “o cumprimento da lei é o amor”. O mandamento do amor sintetiza todos os outros preceitos que promovem as relações (Rm 13.9). O mandamento do amor suplanta todos os 613 mandamentos da Torá. “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30). “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós...” (Jo 15.34). “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos” (1 Jo 3.16; ver ainda 1 Jo 4.20,21).


V. O CRENTE E SEUS DEVERES ESPIRITUAIS
Podemos enumerar alguns deveres que temos com o testemunho cristão. Vejamos:

5.1 Glorificar a Deus (1 Pd 4.11).
Todo cristão deve ter como principal objetivo, glorificar a Deus (Rm 11.36; Ap 1.6).

5.2 Edificar a Igreja (Ef 4.16).
Todo cristão deve ter o objetivo de promover a edificação do corpo de Cristo. Diversos textos das Escrituras nos ensinam este princípio (Rm 14.19; 15.2; 1 Co 14.12,26).

5.3 Servir ao próximo (Mt 20.28).
O cristão sempre exercerá sua obrigação servindo ao próximo, atendendo suas necessidades físicas, emocionais, sociais e espirituais (At. 2.42-47; Tg 2.14-17; Rm 12.13).

5.4 Adorar a Deus (Jo 4.24; Rm 12.1).
A palavra “adoração” significa “chegar-se a Deus, de modo reverente, submisso e agradecido, a fim de glorificá-lo. Adorar é um ato de total rendição, gratidão e exaltação a Deus”. Adorar a Deus é um sublime ato de serviço a Deus (Sl 95.3-6; Hb 12.28,29).

5.5 Evangelizar aos perdidos (Mc 16.15; At 1.8).
A tarefa da Evangelização foi entregue pelo Senhor Jesus à sua igreja. Todo cristão deve estar ocupado com esta tarefa, com o objetivo de conduzir os pecadores a Cristo.

5.6 Discipular aos noviços (Mt 28.18-20).
O discipulado é uma ação conjunta com a evangelização, pois não há como discipular sem evangelizar (2 Tm 2.2).


CONCLUSÃO
Nesta lição, vimos as responsabilidades que o cristão deve assumir, tanto no convívio social como espiritual. Como ser social, temos deveres para com o Estado. Devemos respeitar a ordem estabelecida. Todavia, como ser moral e espiritual temos deveres para com o outro. Não somos apenas cidadão do céu (Fp 3.20), somos também cidadãos da Terra. Devemos investir nos relacionamentos horizontais, mantendo sempre em mente que o salvo em Cristo não é uma ilha. Precisamos uns dos outros.



REFERÊNCIAS
Ø  GILBERTO, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
Ø  CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. CPAD.
Ø  CABRAL, Elienai. Romanos: O evangelho da justiça de Deus. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.



Por Rede Brasil de Comunicação.



sábado, 4 de junho de 2016

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2016






   MARAVILHOSA GRAÇA –
O evangelho de Jesus Cristo
revelado na carta aos Romanos




Lição 09

Para Refletir
A respeito da Carta aos Romanos, responda:


Qual o sentido original da palavra “rogo-vos”?
Essa palavra tem no original o sentido de admoestar, encorajar e exortar.

O que são as palavras introdutórias de Paulo?
As palavras introdutórias de Paulo são um apelo exortativo.

Segundo a lição, o que é necessário para que a adoração seja verdadeira?
Para que a adoração seja verdadeira ela precisa ser realizada por pessoas com a mente transformada.

Segundo Paulo, o que é indispensável no uso dos dons?
A moderação e a humildade são indispensáveis no exercício dos dons.

Segundo a lição, o que significa ser fervoroso?
Ser fervoroso significa ser alcançado pela graça e andar segundo ela.


LIÇÃO 09 – A NOVA VIDA EM CRISTO






Rm 12.1-12




INTRODUÇÃO
A partir do capítulo 12 da Epístola aos Romanos, Paulo passa de uma exposição doutrinária para uma exposição prática, a fim de transformar a doutrina cristã em ação. Quando uma pessoa é alcançada pelo poder do evangelho, ela deve ter uma vida consagrada diante de Deus; e, como consequência seu relacionamento diante do mundo, da igreja e dos seus opositores devem ser condizentes com a nova vida em Cristo.


I. A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO A DEUS
O apóstolo roga aos cristãos romanos que se consagrem ao Senhor, apoiando o seu pedido no amor que Ele tem por nós. Paulo utiliza-se aqui da linguagem do “sacrifício” remetendo-nos ao AT. Em Levítico, são listados quatro tipos de sacrifícios (Lv 1.3-17; 2.1-16; 3.1-17; 4.1-5; 5.14-16). Todos estes sacrifícios podem ser reduzidos a somente dois: a) o primeiro, abrangendo aqueles sacrifícios oferecidos antes da reconciliação e os que visavam obtê-la; e, b) o segundo, os sacrifícios oferecidos depois da reconciliação e para celebrá-la. Isto aponta para uma verdade bem clara no NT. O sacrifício pelo pecado foi efetuado por Cristo (Gl 1.4; 2.20; Ef 5.2,25; I Tm 2.6; Tt 2.14; Hb 9.14); o sacrifício por gratidão pela absolvição é feita pelo pecador redimido. “O sacrifício da expiação oferecido por Deus na pessoa do seu Filho agora deveria encontrar a sua resposta no crente no sacrifício de uma completa consagração e de uma íntima comunhão” (BEACON apud GODET, 2006, p. 158).

1.1 O cristão a oferta de gratidão (Rm 12.1).
Paulo apela aos cristãos Romanos, que tenham a consciência que, antes seus corpos que eram servos do pecado para a morte, agora, que foram comprados por Cristo, devem ser consagrados a Ele “[...]apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” . “O termo grego para apresentar usado por Paulo em Romanos 12 é 'parastesai'. Em Rm 6.13,16,19, ele é traduzido como entregar e também apresentar, e é usado para expressar a ideia de colocar o corpo à disposição de Deus ou do pecado dependendo da nossa escolha (2 Co 4.14; 11.2; Ef 5.27; Cl 1.22, 28)” (BEACON, 2006, p. 159 – acréscimo nosso).

ASPECTOS DO SACRÍCIO DO CRENTE

DEFINIÇÃO E EXPLICAÇÃO



Vivo

O sacrifício do corpo do cristão é descrito como “vivo” em contraste com os sacrifícios realizados na Antiga Aliança cuja vida era tirada antes de ser apresentada sobre o altar (Lv 1.5-9). Antes da nossa conversão oferecíamos os membros do nosso corpo ao pecado (Rm 6.12-14). Agora, na Nova Aliança, oferecemos nosso corpo como sacrifício vivo a Deus (Rm 12.13b).



Santo

A palavra “santo” quer dizer “separado”. Em suas epístolas, o apóstolo Paulo sempre exortou as igrejas sobre a necessidade e o dever de terem uma vida santificada, ou seja, separada do pecado e consagrada a Deus (Rm 6.19,22; 12.1; I Co 1.30; 6.11; I Ts 4.3-7; II Ts 2.13; I Tm 2.15; II Tm 2.21).




Agradável

Segundo Aurélio (2004, p. 71) a palavra “agradável” quer dizer: “aprazível, deleitável”. A Bíblia nos orienta a agradarmos a Deus (Ef 5.10; Cl 1.10; I Ts 4.1; II Tm 2.4). “Nenhum culto é agradável a Deus quando é unicamente interior, abstrato e místico; nossa adoração deve expressar-se em atos concretos de serviço manifestados em nosso corpo” (LOPES apud STOTT, 2010, p. 399). Confira: (Mt 5.16; Hb 13.16).


II. A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO AO MUNDO
Depois de rogar aos cristãos de Roma sobre qual deveria ser a postura do servo de Deus diante dEle (Rm 12.1). Paulo orienta-os também quanto ao procedimento destes diante do mundo (Rm 12.2). Para o apóstolo, não bastava ser consagrado a Deus, senão houvesse demonstração pública desta consagração. Precisamos manifestar a fé que abraçamos diante do mundo. Mas, segundo Paulo, qual deveria ser a postura do cristão diante desta era:

2.1 O cristão não deve conformar-se (Rm 12.2a).
A palavra “conformar” segundo o Aurélio (2004, p.522) significa: “adequar, moldar”. Segundo a Bíblia de Palavra Chave (2009, p. 2416) a palavra conformar no grego “syschematidzo” significa: “moldar de modo semelhante, isto é, em conformidade com o mesmo padrão”. O apóstolo está exortando aos cristãos romanos a não se ajustarem ao modo corrupto de viver do mundo. O termo mundo aqui refere-se ao mundo dos homens em rebelião contra Deus, e assim caracterizado por tudo o que está em oposição a Ele. Envolve os valores do mundo, seus prazeres, suas atividades e aspirações. “O mundo tem uma fôrma. Essa fôrma é elástica e flácida. A fôrma do mundo é a fôrma do relativismo moral, da ética situacional e do desbarrancamento da virtude. O crente é alguém que não põe o pé nessa fôrma” (LOPES, 2010, p. 401).

2.2 O cristão deve transformar-se (Rm 12.2b).
A Bíblia não só mostra o que devemos evitar “não vos conformeis”, mas o que devemos praticar “mas, transformai-vos”. A palavra “transformar” segundo Aurélio (2004, p. 3338) significa: “dar nova forma, feição ou caráter”. Segundo a Bíblia de Palavra Chave (2009, p. 2416) a palavra transformar no grego “metamorphoõ” significa: “mudar, transfigurar, transformar”. A ideia do apóstolo é que ao invés de nos moldarmos ao mundo, devemos nos transformar pela renovação da mente. Enquanto o diabo age cegando a mente dos incrédulos (II Co 4.4) e o pecado obscurecendo (Ef 4.18). O Espírito Santo age renovando o entendimento (Rm 12.2).


III. A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO A IGREJA
Quando um homem é transformado pela ação do evangelho seus relacionamento são também transformados. Segundo Lopes (2010, p. 398) “não podemos ter um relacionamento vertical correto se os relacionamentos horizontais estão errados”. Paulo diz como deve ser o comportamento dos salvos entre si, como veremos abaixo:

3.1 Humildade (Rm 12.3).
Segundo Aurélio, humildade significa: ausência completa de orgulho, rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito”. No presente versículo Paulo orienta os cristãos a serem humildes, combatendo abertamente o sentimento nocivo de complexo da superioridade “não pense de si mesmo além do que convém”. O próprio apóstolo diz que o que ele possui é pela graça “Porque pela graça que me é dada”. A humildade está associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor (Sl 24.1; I Cr 29.14). Por isso, a Bíblia nos exorta a trilhar o caminho da humildade (Pv 15.33; 18.12; 22.4; Ef 4.2; Fp 2.3; Cl 3.12; I Pe 5.5).

3.2 Equilíbrio (Rm 12.3; 4-8).
Paulo aconselha os cristãos a serem equilibrados no conceito que tem de si mesmos “antes, pense com moderação”, combatendo tanto o complexo de superioridade quanto de inferioridade quando mostra que, embora tenhamos diferentes dons, cada membro tem a sua importância no corpo de Cristo (Rm 12.4,5). Se faz necessário entender que pertencemos uns aos outros, ministramos uns aos outros e precisamos uns dos outros. Pois, no corpo de Cristo há: a) individualidade (Rm 12.5); b) diversidade (Rm 12.4-6a); c) mutualidade (Rm 12.5); e, d) utilidade (Rm 12.6b; 8). “Os dons espirituais são instrumentos que devem ser usados para a edificação, não brinquedos para a recreação nem armas de destruição” (LOPES apud WIERSBE, 2010, p. 402).

3.3 Amor (Rm 12.9-10).
O amor é uma virtude que predispõe alguém desejar o bem de outrem. É a palavra que representa o Cristianismo (Jo 13.35). É uma das virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22). Portanto, deve estar presente em nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo (Lc 10.27; Rm 13.9; Gl 5.14), como evidência de que o Espírito Santo está em nós (Rm 5.5).

3.4 Hospitalidade (Rm 10.13).
O Aurélio diz que a palavra hospitaleiro “é a pessoa que dá hospedagem por bondade ou caridade”. As Escrituras revelam que a hospitalidade deve se estender aos crentes e também aqueles que ainda estão no mundo (Gl 6.10; Hb 13.2). “A hospitalidade é o amor expressado” (ZUCK, 2008, p. 402). Portanto, quem afirma ser cristão, mas tem o coração insensível diante do sofrimento e da necessidade dos outros, demonstra cabalmente que não tem o amor de Deus (Mt 25.41-46; I Jo 3.16-20).


IV. A POSTURA DO CRISTÃO EM RELAÇÃO AOS INIMIGOS
Seguindo o mesmo ensinamento do Senhor Jesus Cristo, Paulo ensina que o evangelho produz uma transformação tão grande na vida do pecador, ao ponto de orientá-lo a agir diferente até mesmo com os seus opositores (Mt 5.44; Lc 6.27,35; Rm 12.14,17-20). Vejamos detalhadamente o que nos diz o apóstolo:

4.1 Abençoai os que perseguem (Rm 12.14).
Os cristãos do primeiro século sofreram grandes perseguições por causa da fé que abraçaram. Parece ser incoerente que Paulo no presente versículo oriente os servos do Senhor a abençoar aqueles que lhe fizeram agravo. Todavia, a orientação é abençoar até mesmo aqueles que nos querem o mal (Mt 5.44).

4.2 A ninguém torneis o mal com o mal (Rm 12.17; 18-20).
Jesus ensinou que devemos dar a outra face, ou seja, não retribuirmos as afrontas ou os males que sofremos (Mt 5.39). Pagar o mal com o mal, devolver a agressão na mesma moeda, não expressam a graça de Deus (Mt 5.46,47). O cristão não deve vingar-se porque esta é uma atribuição exclusivamente divina (Rm 12.19). Segundo Lopes (2010, p. 414), “pagar o bem com o mal é demoníaco. Pagar o mal com o mal é retribuição humana. Pagar o mal com o bem é graça divina”.

4.3 Tenham paz com todos quando possível (Rm 12.18).
Neste presente versículo vemos que a paz é imperativa, ou seja, a Escritura ordena que no que depender de nós devemos ter paz com todos. Segundo o escritor aos hebreus, essa paz é tão importante quanto a santidade (Hb 12.14).


CONCLUSÃO
Cada cristão deve seguir a recomendação apostólica de Paulo, quanto a entrega do corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Tal devoção deve resultar numa postura consagrada em todas as áreas da nossa vida.



REFERÊNCIAS
APLICAÇÃO PESSOAL, Comentário do Novo Testamento. Vol. 02. CPAD.
HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. Vol 08. CPAD.
LOPES, Hernandes dias. Comentário Exegético de Romanos. HAGNOS.
ZUCK, Roy. Teologia do Novo Testamento. CPAD.



Por Rede Brasil de Comunicação.