sábado, 10 de agosto de 2013

LIÇÃO 06 – A FIDELIDADE DOS OBREIROS DO SENHOR



Fp 2.19-29



INTRODUÇÃO
Na aula passada, tratamos de um tema teológico que foi a Soteriologia. Falamos sobre justificação, santificação e glorificação, além de abordarmos a postura de um salvo e as virtudes de uma nova criatura. Na aula de hoje, estudaremos sobre a fidelidade que devem ter os obreiros do Senhor para com a obra que a eles foi confiada. Trataremos do valor da fidelidade a nível eclesiástico através dos exemplos de dois nobres obreiros, Timóteo e Epafrodito, além do de Paulo. Boa aula para todos!!


I. PAULO, UM EXEMPLO DE FIDELIDADE E SERVIÇO.
Embora Paulo estivesse impedido de ir à Filipos, pois naquele momento encontrava-se aguardando seu julgamento em Roma, ele em nenhum momento se esqueceu da amada igreja de Filipos. Pelo contrário, sempre lembrou, orou e sentiu muitas saudades daqueles amados irmãos (Fp 1.3,4,8; 2.26). Por isto mesmo, agora, Paulo estava muito preocupado com a igreja de Filipos, pois sua ausência favorecia a ação dos “lobos devoradores” (Gnósticos e Judaizantes) que rodavam a amada igreja, e que não poupariam o rebanho. Aliás, por ser uma igreja nova na fé o perigo de seus obreiros se desviarem era iminente. Assim, Paulo revela aos irmãos de Filipos seus planos para o futuro, e que era: 1) enviar Timóteo (vv.19-23); 2) ir pessoalmente a Filipos (v.24); e 3) enviar Epafrodito (vv.25-30). Portanto, assim nos diz o Apóstolo: “E espero, no Senhor Jesus, que em breve vos mandarei Timóteo, para que também eu esteja de bom ânimo, sabendo dos vossos negócios” (v.19). 
A primeira atitude de Paulo, diante da situação presente, é comunicar à igreja de Filipos o envio de Timóteo para trazer notícias do estado da mesma. Este ato do Apóstolo, de preocupar-se com a igreja estando ele preso, demonstra o zelo e o cuidado de Paulo pelo rebanho do Senhor. Aliás, o motivo de sua prisão era exatamente por sua fidelidade em expandir o Reino de Deus (At 25.8-11). Tudo o que esse grande Homem de Deus sofreu é prova suficiente de sua fidelidade pela Obra do Senhor (2 Co 11.23-28), inclusive, na fundação daquela igreja (At 16.20ss). Paulo é, portanto, um exemplo de verdadeiro pastor, pois era um líder que amava a igreja ao ponto de afirmar: “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós” (Fp 2.17). Essas são características de um verdadeiro pastor, porquanto asseverou o Mestre Jesus: “O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Lamentavelmente, muitos hoje que se intitulam “pastores” estão matando muitas ovelhas do Senhor em benefício próprio, ao invés de darem suas próprias vidas por elas. 
A esses, o Mestre Jesus chama-os de “mercenários” (Jo 10.12,13). No entanto, esses mercenários são denominados hoje de “gestores”, realidade essa confirmada pelo Pr. Antônio Gilberto, que diz: “Há igrejas que possuem obreiros-administradores em excesso, mas poucos pastores para cuidar das ovelhas”. Todavia, o Pastor não é dono da obra que dirige, pois esta pertence ao Senhor (Hb 4.13; 13.17). Por isso, Paulo é um exemplo, sem dúvida alguma, não só de pastor e obreiro, mas de fidelidade e serviço. O termo “fidelidade” vem do grego “aletheia” e significa “veracidade, confiança, probidade; verdade, realidade”. Aurélio define a fidelidade como ‘qualidade de fiel’. Já o dicionário Online define este termo como ‘exatidão em cumprir suas obrigações’. Essa é uma virtude que reside na vida daquele que ama a Deus de verdade, e se dispõe a fazer a vontade do Mestre Jesus, assim como Paulo!


II. TIMÓTEO, UM EXEMPLO DE OBREIRO BEM PREPARADO.
Entre os versículos 20 a 23, Paulo dá testemunho e referências do seu filho na fé e cooperador Timóteo, dizendo: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado; porque todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus. Mas bem sabeis qual a sua experiência, e que serviu comigo no evangelho, como filho ao pai. De sorte que espero enviá-lo a vós logo que tenha provido a meus negócios”.  
O nome Timóteo significa “que adora a Deus”. Ele era filho de uma judia crente e de pai grego (At 16.1). Sua avó Lóide, e sua mãe Eunice lhe ensinaram as Sagradas Letras (2 Tm 3.14,15). Todavia, foi Paulo quem o discipulou tornando-o seu “filho amado” e “cooperador do evangelho” (1 Co 4.17; 1 Tm 1.2,18; 2 Tm 1.2; Rm16.21). Foi separado para a obra de evangelista (1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6; 4.5). Depois da separação entre Paulo e Barnabé, era companheiro de Paulo, na segunda viagem missionária (At 16.3; 17.14,15). Posteriormente, Timóteo tornou-se o pastor da igreja de Éfeso (1 Tm 1.3). Depois de tratamos um pouco da biografia deste jovem obreiro, voltemos ao texto em estudo. No versículo 20, Paulo diz: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento, que sinceramente cuide do vosso estado”. O termo “de igual sentimento” é, no texto grego, literalmente “de igual espírito”. Isto significa que, naquele momento, não havia alguém com o mesmo zelo e cuidado do Apóstolo do que seu filho na fé Timóteo. Portanto, a linguagem de igual espíritoseguramente expressa mais as especiais qualidades de Timóteo para ir a Filipos. Mas, quais seriam essas qualidades? Podemos ver algumas delas em 1Tm 6.11; 2 Tm 2.22. Timóteo conhecia bem o modelo de liderança de Paulo, fato este que é relembrado por Paulo em 2 Tm 3.10,14. Ele tinha como missão não apenas trazer noticias de Filipos, mas também de fortalecer a liderança local bem como toda a igreja. Porquanto, o sectarismo e o individualismo (já visto na lição 03), que também era um fator de preocupação do Apóstolo, são mencionados na frase: “porque todos buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus”. 
Assim, Timóteo que absorveu não só os ensinos, mas também a postura de seu mestre Paulo, era o mais indicado pelo Apóstolo a preencher-lhe o lugar nesta viagem. Pois, Paulo ao comentar a experiência eclesiástica de Timóteo para os irmãos de Filipos, faz uma comparação dizendo: “bem sabeis qual a sua experiência, e que serviu... como filho ao pai”. Timóteo era, portanto, um obreiro de caráter e bem preparado por Paulo para ‘toda boa obra’. E, hoje? O que falta para termos obreiros igualmente preparados como Timóteo? Em outro comentário do Pr. Antônio Gilberto, ele afirmou: “As igrejas também não estão investindo como se deve na preparação de obreiros para ‘fazer discípulos’, conforme ordenou Jesus. Discípulos do Senhor não nascem assim; eles são feitos depois de nascidos. Do nascimento espiritual, Jesus cuida, mas a seguir, vem a missão da Igreja, que é a de ‘fazer discípulos’”. Dessas palavras, conclui-se que, se não estamos fazendo discípulos, então, quanto mais formando obreiros!


III. EPAFRODITO, UM EXEMPLO DE OBREIRO FIEL.
Nos versículos 25 a 29, Paulo faz menção do exemplar obreiro de Filipos, dizendo: “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão, e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E, de fato, esteve doente e quase à morte, mas Deus se apiedou dele e não só dele, mas também mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza. Recebei-o, pois, no Senhor, com todo o gozo, e tende-o em honra a homens como ele”.
O que se sabe deste notável obreiro de Filipos? Pouco ou quase nada se sabe deste brilhante obreiro, visto que esta carta de Paulo é a única do Novo Testamento que faz menção de Epafrodito (Fp 2.25; 4.18). Porém, Paulo nos dá importantes informações deste obreiro no texto acima. Seu nome significa “Amávele, provavelmente, esse cooperador era digno do nome, pois era muito amado pelos filipenses. Não deve ele ser confundido com Epafras (Cl 1.7; Cl 4.12; Fm 23).  Observemos os cinco títulos dados por Paulo a Epafrodito: 1) meu irmão; 2) cooperador; 3) companheiro nos combates; 4) vosso enviado (mensageiro) e 5) vosso auxiliar. Somente na versão atualizada de Almeida aparecem os cinco títulos dado por Paulo a esse nobre obreiro, nas outras versões aparecem apenas os quatros primeiros títulos. Não é de nos admirarmos de que Paulo não tenha desejado deixar Epafrodito voltar para Filipos, pois quem nos momentos difíceis da vida não quer um irmão? Ou nos desafios da vida não precisa de um cooperador? Ou nos embates da vida não necessita de um companheiro nos combates? Ou, ainda, de um mensageiro para nos consolar e confortar o coração, bem como de um auxiliar que nos ajude em nossas necessidades, quer sejam materiais ou espirituais? É verdade! Vivemos dias em que ecoa-se  um grito: Onde estão os Epafroditos dos nossos dias? Epafrodito havia sido enviado para “prover às minhas necessidades” diz Paulo. No entanto, em seu zelo para cumprir sua missão, Epafrodito adoece em Roma chegando “quase à morte”. Nada se sabe sobre qual seja a doença de Epafrodito, porém ela deixou Paulo ainda mais preocupado e até angustiado, pois diz ele: “e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente”. Não bastasse às preocupações de Paulo com a igreja de Filipos, agora se preocupava ainda mais, devido o estado de saúde de Epafrodito.
Certamente, por que a posição que Epafrodito ocupava na igreja devia ser importante e seu trabalho entre eles muito apreciado, daí o grande afeto que os filipenses sentiam por ele. Todavia, o que nos chama atenção é que, embora a carta de filipenses seja a carta da alegria, ela não omite a tristeza e angustia do Apostolo: “e estava muito angustiado”, “para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” e “e eu tenha menos tristeza”. Mas, o que motivou esses sentimentos em Paulo? Por certo, suas preocupações pela igreja “porquanto tinha muitas saudades de vós todos”, o estado de saúde de Epafrodito “E, de fato, esteve doente e quase à morte”, e o conhecimento dos filipenses sobre o estado de saúde de Epafrodito “e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente”. Assim, Deus apiedando-se de Epafrodito bem como de Paulo, logo Paulo envia de volta Epafrodito para Filipos, pois diz: “mas Deus se apiedou dele e não só dele, mas também mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza. Por isso, vo-lo enviei mais depressa, para que, vendo-o outra vez, vos regozijeis, e eu tenha menos tristeza. Recebei-o, pois, no Senhor, com todo o gozo, e tende-o em honra a homens como ele”. Portanto, Epafrodito era um obreiro fiel, a ponto de morrer para cumprir a missão a ele dada, além de ser um exemplar obreiro local, cujo caráter é descrito por seu nome e títulos. Sejamos, pois, como Epafrodito neste presente século mal!



CONCLUSÃO
Diante do exposto, apliquemos em nossas vidas os ensinos e lições desta maravilhosa aula. Tendo o devido cuidado com os “lobos” bem como com os “mercenários” que “buscam o que é seu e não o que é de Cristo Jesus”. Sigamos, pois, os exemplos de obreiros fieis, dedicados e, acima de tudo, que amam o Senhor da Obra e a Obra do Senhor. Não esquecendo que a fidelidade é uma virtude imprescindível àquele que almeja chegar às mansões celestiais, pois assevera o Senhor: “Bem está servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Portanto, sejamos fieis ao ministério que nos confiou o Senhor! Que Deus em Cristo vos abençoe a todos!



REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
GILBERTO, Antônio. Lições Biblicas (4º trimestre/ 1997) CPAD.
 DAVISON, Francis. O novo comentário da Bíblia. VIDA NOVA.
 BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
Revista Ensinador Cristão, nº 55. CPAD.  


domingo, 4 de agosto de 2013

LIÇÃO 05 – AS VIRTUDES DOS SALVOS EM CRISTO



Fp 2.12-18



INTRODUÇÃO
Na lição passada, tratamos de um assunto bem teológico chamado Cristologia. Estudamos sobre o mistério da união das naturezas de Cristo: a humana e a divina. Também abordamos sua exaltação sob a temática da sua grandíssima humildade. Na aula de hoje, estudaremos também como na lição passada, um tema também teológico que é a Soteriologia. Falaremos sobre justificação, santificação e glorificação, além de abordarmos a postura de um salvo e as virtudes de uma nova criatura. Boa aula para todos!!



I. A DINÂMICA DA SALVAÇÃO (2.12,13)
Antes de prosseguirmos em nosso estudo, quero enfatizar que não temos a pretensão de catalogar um assunto tão profundo que é o mistério da salvação. Por isso, a palavra “dinâmica”, que segundo a psicologia social, é o conjunto de leis do comportamento do grupo do ponto de vista dos objetivos reais e específicos desse grupo, é aqui relacionada à salvação apenas para fins didáticos; porquanto, o Pai concebeu o plano salvífico (Jo 3.16; Ef 3.9,11; Cl 1.26; 1 Pe 1.20), o Filho encarnou-se e consumou o plano salvífico (Mt 1.21; Jo 1.14; 19.30) e o Espírito Santo oferece e aplica este plano redentor na vida dos pecadores (Jo 16.8-11). Visto que nem o homem, nem ninguém poderiam exigir de Deus esta grande salvação, pois ela é fruto da graça e misericórdia do Senhor (Lm 3.22; Jo 1.18; 3.16; At 17.30; Ef 2.8,9; Tt 2.11). No entanto, mesmo pela graça, esta salvação só pode ser alcançada por meio da fé em Cristo (Mc 16.15,16; Rm 10.9-13; Gl 2.15,16; Ef 2.8,9). A salvação é, sem dúvida nenhuma, a maior dádiva outorgada por Deus à humanidade (Jo 3.16; Ef 2.5-8). O termo “salvação” vem do grego “soteria”, e significa “libertação de um perigo iminente”.
Paulo que utilizou o grandioso exemplo da humildade de Cristo para tratar do assunto da ‘unidade’ dos irmãos, reutiliza o mesmo exemplo para abordar outro assunto: o desenvolvimento da salvação dos crentes de Filipos. Assim, Paulo exorta aos filipenses: “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2.12). A primeira coisa que observamos neste versículo é a ênfase de Paulo sobre a obediência dos irmãos de Filipos: “como sempre obedecestes”. A igreja de Filipos era uma igreja de muitas virtudes (virtude - disposição constante de praticar o bem e evitar o mal), prova disto é que Paulo já havia mencionado o amor e a generosidade dos irmãos filipenses (Fp 19,16; 4.15,16), e agora menciona sua obediência. O Apóstolo desejava que eles utilizassem esta obediência no desenvolvimento da salvação deles, por isso disse: “assim também operai a vossa salvação”. Paulo sabia que, embora a salvação fosse algo de origem divina, o homem não está passivo ante a sua salvação (Mt 24.13; Jo 3.16-18; Hb 2.3; 1 Jo 1.9). O Apóstolo Pedro, tendo o mesmo entendimento de Paulo, disse: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição. Pois fazendo isto, nunca jamais tropeçareis” (2 Pe 1.10). O Apóstolo Pedro está ratificando a palavra de Paulo afirmando que, o processo de salvação é tanto responsabilidade humana, como ação divina. Portanto, dentro deste processo que abrange cinco aspectos, destacaremos apenas três: Justificação, Santificação e Glorificação. Vejamos:

Justificação – esta palavra é oriunda do hebraico tsadik e do grego dikaios. E significa “ato de declarar justo”. Processo judicial que se dá junto ao Tribunal de Deus, através do qual o pecador que aceita a Cristo é declarado justo (Rm 5.1). Ou seja: passa a ser visto por Deus como se jamais tivera cometido qualquer pecado (Rm 5.1).

Santificação – esta palavra é oriunda do hebraico qõdesh e do grego hagiazõ. E significa “separação do mal e do pecado, e dedicação para o serviço de Deus”. É a forma pela qual o filho de Deus aperfeiçoa-se à semelhança do Pai Celeste (Lv 11.44). A santificação só é possível através da Palavra de Deus e mediante o sangue de Cristo (Jo 17.17; 1 Jo 1.7).

Glorificação - esta palavra é oriunda do grego doxologia. E significa “louvor; elogio”. No Plano de Salvação, a glorificação é a etapa final a ser atingida por aquele que recebe a Cristo como Salvador e Senhor de sua vida (Rm 8.17). Portanto, para chegarmos até esta etapa ou fase do plano salvífico, é imprescindível atentarmos para o que diz o autor da Carta aos Hebreus: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Infielmente, esta é uma da Doutrinas Biblicas mais negligenciadas de nossos dias!

No verso 13, diz o Apóstolo Paulo: “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”. Muitos utilizam esta referência para afirmar que a salvação é seletiva; porém, não é isto que Paulo está dizendo, pois ao escrever para seu filho na fé, disse: “o qual deseja que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo” (1 Tm 2.4-6). O Apóstolo João ratifica Paulo ao dizer: “Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo mundo” (1 Jo 2.2). Mas, deixemos o Dr. F. Davison, explicar este versículo: “A base da admoestação está inspiradamente afirmada na frase Porque Deus é o que opera em vós (13), isto é, "habilita-vos". A ênfase, portanto, recai sobre a palavra Deus. No grego ela vem colocada em primeiro lugar. Não é Paulo quem é dinâmico, nem qualquer ideal elevado deles mesmos, que podem operar e completar a salvação. É Deus apenas. A graça divina interior procede para com ambas a vontade e a ação, de modo semelhante. Deste modo, tanto o querer como o efetuar são operações da graça divina, produzidas pela boa vontade de Deus (13). O apóstolo emprega o mesmo vocábulo grego eudokia, em Fp 1.15, para descrever a atitude de outros para com ele mesmo.

Aqui ele o emprega, como em Ef 1.5,9; 2Ts 1.11, para significar o beneplácito da vontade de Deus. O propósito da exortação aos filipenses para que operem sua própria salvação é no sentido de que vos torneis irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus inculpáveis (15). Este deve ser o desígnio deles e o alvo da Providência divina. A vida dos filipenses na sociedade dos santos deve ser unificante, trazendo unidos cada indivíduo, família ou grupo, e não dispersiva, devido às ofensas”. Portanto, é Deus quem nos concede a salvação e deseja que todos receba-a, porém, não nos força a aceitá-la. Pois Ele, diz as Escrituras: “Pois para Deus não há acepção de pessoas” (Rm 2.11). Quem disse isto foi Paulo! E Pedro confirmou em Atos 10.34!


II. OPERANDO A SALVAÇÃO COM TEMOR E TREMOR (2.12-16)
Depois de exortar aos irmãos de Filipos a “operai a vossa salvação”, Paulo assevera a eles que o façam com “temor e tremor”. E acrescenta: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas” (Fp 2.14). Observemos que o problema da falta de unidade da igreja de Filipos (de alguns membros), por causa do sectarismo e do individualismo era grave (como vimos na lição 03). Por isso, Paulo adverte a esses irmãos a evitarem a murmuração e a contenda. O termo “murmuração” vem do grego “goggusmos” e significa “queixume, desprazer, sussurros de descontentamento. Paulo era ciente do mal que a murmuração significava para comunhão da igreja, pois além de causar descontentamento e desajustes, ela geralmente culminava em rebelião contra a liderança da igreja. Por essa razão, Paulo condena tal prática exortando aos irmãos que sejam “irrepreensíveis e sinceros”, que tenham um comportamento de “filhos de Deus”. De forma que o testemunho de vida deles possa resplandecer como “astros no mundo” (Mt 5.16). Assim, Paulo reprova aqueles que estavam portando-se como os da sua época (geração), a quem Paulo denomina de “corrompida e incrédula”. Portanto, como salvos em Cristo, devemos ter uma postura completamente diferente da do mundo (Rm 12.2; Ef 5.7-12; Tg 4.4; 1 Jo 2.17). O comportamento requerido por Paulo deles é esse: “retendo a Palavra”. Isto é, vivendo os ensinamentos de Cristo por Paulo ministrado a igreja. Nas palavras do Apóstolo Tiago: “E sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1.22). É nosso dever, como filhos de Deus, como enfatiza Paulo, aprendermos a vivermos em união, a perdoarmos aos nossos ofensores, a amarmos aos que nos odeiam, a respeitarmo-nos uns aos outros (Sl 133; Mt 5.43-48; Lc 6.27,28; Mc 11.25,26; 2 Co 13.11). Essa é forma em que Paulo deseja ver desenvolvida a salvação daqueles irmãos, para que não aconteça o que eles mais se receia: “não ter corrido nem trabalhado em vão”. Viver a Palavra é nosso dever de filhos (as)!


III. A SALVAÇÃO OPERA O CONTENTAMENTO (2.17,18)
Agora, Paulo assevera aos irmãos de Filipos: “E, ainda que seja oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vos”. Paulo faz notória aquela igreja, lembrando-a, tudo que ele padeceu por ela (At 16). De forma que, todo sofrimento que Paulo padeceu para que existisse a igreja de Filipos, lhe traz um forte sentimento de contentamento. Mas, que é contentamento? Segundo Aurélio, o contentamento é um sentimento de prazer; de alegria. Por isso, se for preciso, Paulo diz que: “ainda que seja oferecido por libação”. A libação era o derramamento de vinho, sangue ou um licor em honra de qualquer nome ou divindade (Êx 25.29; 29.40). Logo, Paulo estava dizendo que estava pronto para derramar a sua vida em prol do “sacrifício e serviço da vossa fé”, e que o fará com muito prazer, com muita alegria: “folgo e me regozijo com todos vos”. Vemos neste gesto do Apóstolo, que ele de fato estava imitando a Cristo (Fp 2.17 cf Ef 5.25-17), e demonstrando o quanto amava aquela igreja. Assim, Paulo preocupa-se em que sua disposição motivada por seu contentamento, gere nos irmãos filipenses algum tipo de tristeza. Por isso, estimula e, ao mesmo tempo, convida-os a que este ato de Paulo seja também motivo de alegria para a igreja de Filipos. Diz o Apóstolo: “E vos também regozijai-vos e alegrai-vos comigo por isto mesmo”. Sua morte, se ocorresse, deveria ser motivo de alegria para os filipenses. Tal contentamento de Paulo é tão contagiante que nos leva a refletir nossas ações! Estamos desenvolvendo a nossa salvação? Como anda o nosso contentamento? Estamos motivados por tal contentamento, a ponto de padecermos em prol do Reino de Deus? Se a resposta não for positiva, então, está na hora de orarmos como o salmista: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” (Sl 51.12). A alegria é a segunda virtude das nove que formam o fruto do Espírito, que cultivemos essas virtudes em nossas vidas (Gl 5.22,23), pois elas revelam que tipo de árvore nós somos! Amém!


CONCLUSÃO
Diante do exposto, só nos resta aplicar em nossas vidas as muitas lições aprendidas nesta aula. Que não descuidemos da nossa salvação, mas antes, que sigamos a exortação de Paulo e desenvolvamos a mesma exercitando as virtudes dela advindas. O fruto do Espírito é a marca daquele que, de fato, é nova criatura. Por isso, cultivemos esse fruto através do estudo e meditação da Palavra de Deus, da oração, da comunhão, etc. As murmurações e contendas em nosso meio na atualidade são provas de que não estamos retendo a Palavra. Sem a Palavra em nossas vidas, não há como haver virtudes cristãs em nossas vidas! Reflita! E que Deus em Cristo abençoe a todos!!



REFERENCIAS 
ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.
ANDRADE, Claudionor Corrêa. Lições Biblicas (4º trimestre/ 2006) CPAD.
 DAVISON, Francis. O novo comentário da Bíblia. VIDA NOVA.


domingo, 28 de julho de 2013

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2013

                          
                                 Filipenses – A humildade de Cristo
                                      como exemplo para a Igreja



Lição 04

1. Quem é o nosso modelo perfeito de humildade?
R. Jesus Cristo.

2. Segundo a lição, o que sugere a palavra forma?
R. O objeto de uma configuração, uma semelhança. Em relação a Deus, o termo refere-se à forma essencial da divindade.

3. Qual o significado do verbo grego kenoô?
R. Esvaziar, ficar vazio.

4. Qual o termo importante que aparece como designação principal do autor sagrado para descrever a glorificação do Filho pelo Pai em o Novo Testamento?
R. Kyrios, Senhor.

5. O que você tem feito para proclamar e exaltar o nome de Jesus em sua igreja e fora dela?
R. Resposta pessoal.

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2013

                                 
                                 Filipenses – A humildade de Cristo
                                       como exemplo para a Igreja



Lição 03

1. De acordo com a lição, o que sugere o termo dignamente?
R. Este termo sugere a figura de uma balança com dois pratos, onde o fiel da pesagem determina a medida exata daquilo que está sendo avaliado.

2. Como a Palavra de Deus contradiz a teologia da prosperidade em relação ao sofrimento?
R. Desafiando o crente a sofrer por Cristo, pois de acordo com o ensino de Paulo, é um privilégio o cristão padecer por Jesus (v.29).

3. O que Paulo usa para argumentar a favor da unidade cristã?
R. O apóstolo utiliza vocábulos carregados de sentimentos afetuosos nos dois primeiros versículos (2.1,2).

4. A atitude de se preocupar com as necessidades do próximo remonta a qual ensino basilar do Evangelho?
R. “Ama o teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.31; cf. At 2.42-47).

5. O que você pode fazer, ou já tem feito, para superar tudo aquilo que rouba a humildade e o relacionamento sadio entre irmãos de sua igreja?
R. Resposta pessoal.


QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2013


                                 Filipenses – A humildade de Cristo
                                      como exemplo para a Igreja



Lição 02

1. De acordo com a lição, qual foi a principal contribuição da prisão de Paulo para o Evangelho?
R. Foi a livre comunicação do Evangelho na capital do mundo antigo.

2. Como Paulo via o sofrimento?
R. Para o apóstolo, a soberania de Deus faz do sofrimento algo passageiro, pois os infortúnios servem para encher-nos de esperança, conduzindo-nos numa bem-aventurada expectativa de “que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28).

3. Cite e explique as motivações que predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apóstolo Paulo atuava.
R. A primeira motivação era positiva, caracterizada pela disposição dos filipenses pregarem o Evangelho com destemor e coragem. A segunda era negativa, pois a sua principal característica era os pregadores que usavam a prisão do apóstolo para garantir vantagens pessoais.

4. Qual era o maior dilema de Paulo apontado na lição?
R. “Estar com Cristo” ou “viver na carne”.

5. Você está pronto a trabalhar na causa do Senhor mesmo que isso signifique enfrentar oposições de falsos crentes, além das privações materiais ou físicas?
R. Resposta pessoal.

sábado, 27 de julho de 2013

QUESTIONÁRIOS DO 3° TRIMESTRE DE 2013

                         
                                    Filipenses – A humildade de Cristo
                                         como exemplo para a Igreja



Lição 01

1. Faça um resumo a respeito da cidade de Filipos.
R. A cidade de Filipos foi fundada por Felipe II, localizada no Norte da Grécia. Além de ser uma importante colônia romana (At 16.12), era um importante centro mercantil entre a Europa e a Ásia.

2. Qual a data mais provável em que foi escrita a Epístola aos Filipenses?
R. De acordo com os especialistas do Novo Testamento, a carta foi redigida entre os anos 60 e 63 d.C.

3. Quem é o coautor e autor da carta aos filipenses?
R. Timóteo e Paulo.

4. Quem são os destinatários da carta aos filipenses?
R. Aos crentes de Filipos, chamados santos, e “bispos e diáconos” da Igreja.

5. Quais são as três petições de Paulo apresentadas na lição em favor dos filipenses?
R. Que os filipenses crescessem em amor e ciência, tivessem sinceridade e que dessem frutos de justiça.


LIÇÃO 04 - JESUS, O MODELO IDEAL DE HUMILDADE


Fp 2.5-11



INTRODUÇÃO
Na lição passada, abordamos o problema do individualismo e do sectarismo vivenciado pela igreja de Filipos, o comportamento digno do evangelho requerido deles por Paulo e o cuidado que deveriam ter com a unidade da igreja. Na aula de hoje, estudaremos um assunto bem teológico chamado Cristologia. Abordaremos o mistério da união das naturezas divina e humana de Jesus, bem como de sua exaltação, tudo isto sob a temática da sua grandíssima humildade. Boa aula para todos!!


I. O FILHO DIVINO: O ESTADO ETERNO DA PRÉ-ENCARNAÇÃO (2.5,6)
Agora, Paulo, dando sequencia a temática da unidade (estudado na lição anterior) apela para o grande exemplo de humildade deixado por Cristo, quando diz: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus” (Fp 2.5). Que sentimento era esse? De acordo com o contexto do texto citado, esse sentimento era a humildade. Mas, que é humildade? Segundo Aurélio, a humildade é a “virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza”. Já o dicionário Online diz que é a “ausência completa de orgulho. Rebaixamento voluntário por um sentimento de fraqueza ou respeito”. E, para Paulo, era esse o sentimento que levaria os irmãos a cuidar e preservar a unidade da Igreja. 
De fato, a ausência desse tão sublime sentimento, tem servido para prejudicar o ajustamento e desenvolvimento do Corpo de Cristo. Todavia, a encarnação do Verbo de Deus não é um mero conceito teológico; é um dos maiores mistérios das Sagradas Escrituras, sem a qual seria impossível a nossa redenção. O Apóstolo João, em seu evangelho, é enfático ao afirmar que: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Mais adiante, no versículo 14, João assevera: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Em sua encarnação, o Cristo tornou-se em tudo semelhante a nós, exceto quanto à natureza pecaminosa e ao pecado (Hb 4.15; 1 Pe 2.22; 1 Jo 3.5). Por isso, Paulo assevera aos Filipenses: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.6). O que é forma? Deus, que é Espírito (Jo 4.24), tem forma? Que significa a expressão “forma” nesta frase? Segundo F. Davidson: “Cada ser tem sua própria forma. Forma é a expressão permanente da existência. Assim temos a forma de Deus, a forma de um anjo, a forma de homem, a forma dos animais; todas essas formas são qualidades inalienáveis ao ser ou existência. A figura, no entanto, é transitória. Em outras palavras: a figura ou aspecto podem mudar, mas forma permanece. Desse modo a aparência deste mundo (schema) passa, não porém sua forma (morphe), (1 Co 7.31). Satanás pode transfigurar-se num anjo de luz, mas não pode transformar-se em tal (cfr. 2 Co 11.14). Assim nosso Senhor existiu primeiramente na forma de Deus, uma forte afirmação de Sua deidade essencial e na encarnação e aniquilamento de Si mesmo Ele adotou a forma de servo, o que resultou em se tornar homem, tornando-se seu Ser na semelhança de homem”. Assim, ao afirmar Paulo, que (Jesus) “sendo em forma de Deus”, que no grego significa “sendo originalmente Deus”, revela não somente a pré-existência de Cristo, mas Sua existência como Deus era uma divina maneira do ser. Ele era em tudo, como assevera o Apóstolo: “igual a Deus” (Fp 2.6). O Próprio Mestre Jesus afirmou essa verdade em Mt 4.7; Jo 5.17,18; 10.30; 14.9. Além destas citações, existem obras que revelam a deidade de Cristo, como por exemplo, o fato em que Jesus perdoou os pecados do paralitico de Cafarnaum (Lc 5.21,24); por diversas vezes recebeu adoração (Mt 8.2; 9.18; Jo 9.38); e foi o único a ressuscitar a si mesmo (Jo 2.18-21). E, olha que, nem mencionamos seus atributos divinos, tais como onipresença, onipotência, onisciência, eternidade entre outros (Mt 18.20; 28.18; Jo 21.17; Hb 13.8). Esta é uma verdade combatida através dos séculos, desde a existência da igreja, porquanto, muitos hereges como:

   Ø  Os arianos e os ebionitas – negavam a integridade e a perfeição da natureza divina de Cristo;
   Ø  Os gnósticos – negavam a realidade do corpo de Cristo, pois consideravam a matéria má;
   Ø  Os nestorianos – negavam a união verdadeira entre as naturezas de Cristo;
   Ø  O apolinarismo – negava que Jesus tivesse espírito humano;
   Ø  O monofisismo – afirmava haver, em Jesus, apenas uma única natureza: só a divina ou divina e humana mesclada.  

É interessante, agora, explicar as seguintes expressões: “Filho de Deus”, “primogênito” e “unigênito”. Comecemos, então, com a expressão “Filho de Deus”. Este termo que no original é “Huius tou Theou”, indica claramente a natureza divina de Jesus. Sua procedência revela que ele compartilha da mesma essência e natureza do Pai. O Mestre mesmo o disse: “Saí e vim do Pai ao mundo” (Jo 16.28). Os Judeus compreendiam o significado deste termo, por isso, queriam matar Jesus (Jo 5.18). É bom diferenciar o termo singular “Filho de Deus” do termo no plural “Filhos de Deus”. O termo no singular aplica-se apenas a Jesus por ser o único que possui a mesma natureza e essência do Pai (Jo 10.30), enquanto que, o termo no plural, aplica-se aos anjos e homens (Gn 6.2 e Jó 1.6). Ambos por trazerem as impressões dos atributos morais do Criador (amor, bondade, justiça, etc.), mas, nos evangelhos, somente os homens que receberem a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. Pois, estes, recebem a benção da adoção (Jo 1.12), que significa participar da natureza de Deus como seus filhos (1 Pe 1.4). Portanto, é uma heresia e blasfêmia afirmar que Jesus é o Filho de Deus, mas não é Deus.

Quanto ao termo “Unigênito”, este aparece cinco vezes nos escritos de João, todas relacionadas a Jesus (Jo 1.14,18; 3.16,18; 1 Jo 4.9). No grego, este termo é “monogenes” e significa “único de seu tipo”. Jesus é o “unigênito do Pai”, ou seja, é o único que possui a mesma natureza e essência do Pai. Para o autor da epístola de Hebreus, Jesus é “a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Jesus é a expressa imagem do Pai. Logo, afirmar que unigênito significa único gerado, é forçar o texto dizer o que ele não diz. Portanto, Jesus preexiste eternamente (Is 9.6; Hb 13.6), pois já era chamado de Filho unigênito mesmo antes da sua encarnação, como diz 1 João 4.9: “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos”. 

Já o termo “primogênito”, que no grego é “protótokos” e significa “primeiro em categoria”, além do sentido natural e humano de “filho mais velho”, abrange também o significado de primazia, preeminência, supremacia, predomínio, autoridade total. Apesar de Davi ser “o filho mais novo de Jessé” (1 Sm 16.11), foi chamado de “primogênito” (Sl 89.20,27). O mesmo aconteceu com Efraim. Era este o filho mais novo de José (Gn 48.18,19), mas fora apresentado como primogênito (Jr 31.9). Portanto, Cristo como “primogênito” tem a ver com posição (protótokos), e não com criação (protoktistos).


II. O FILHO DO HOMEM: O ESTADO TEMPORAL DE CRISTO (2.7,8)
Da mesma forma que o termo “Filho de Deus” aplicado a Jesus revela a sua natureza e essência divina; igualmente, o termo “Filho do Homem”, que no original é “Huios tou Antropou”, revela e identifica Jesus com a humanidade, isto é, revela sua natureza humana (Mt 8.20; 16.13; 9.22). Logo, ao enfatizar o esvaziamento de Cristo, diz o texto: “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Fp 2.7). Esta versão, que com certeza é a ARC (Almeida Revista e Corrigida), não esclarece muito o que o texto original quer dizer, pois no grego o termo é “ekenosen” e significa “esvaziamento”. Assim, a versão que melhor expressa o texto original é a ECA (Edição Contemporânea de Almeida), pois ela diz: “Mas a si mesmo se esvaziou, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”. Logo, surgirá a seguinte pergunta: Em que consistiu o auto-esvaziamento de Cristo? Certamente não esvaziara-se Ele de sua divindade; porquanto, em todo o seu ministério terreno, manteve-a incólume. Aliás, foi Ele, em seu estado de humilhação, reconhecido como Deus (Jo 1.49; 20.28). Consideremos, ainda, a sua oração sacerdotal no Getsêmane. Ele não reivindica ao Pai a sua divindade, porquanto esta lhe é um atributo intrínseco; reivindica, sim, aquela imarcescível e eterna glória (Jo 17.5). Além disso, os Evangelhos revelam que Jesus possuía atributos próprios do ser humano. Embora gerado pelo Espírito Santo, Jesus nascera de uma mulher (Mt 1.18,20; Lc 1.35) e teve irmãos e irmãs (Mt 12.47; 13.55,56). Sentiu sono, fome, sede e cansaço (Mt 21.18; Mc 4.38; Jo 4.6; 19.28). Sofreu, chorou, angustiou-se (Mt 26.37; Lc 19.41; Hb 13.12) e, por fim, passou pela agonia da morte (Lc 24.34,46). 
No versículo 8, Paulo enfatiza a humilhação padecida por Cristo: “e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz”. Paulo faz questão de mostrar que, a morte de Cristo não foi uma morte comum, mas uma das mortes mais cruéis da antiguidade. Por isso, é importante ressaltar que, Jesus não morreu na cruz como um mártir; Ele morreu vicariamente como único e suficiente Salvador da Humanidade (1 Co 15.3). O Profeta Messiânico, em seu livro, é o que melhor retrata toda humilhação sofrida por Cristo (Is 53). Já o autor da carta aos Hebreus, enfatizando à humanidade de Jesus, diz: “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15). Portanto, Jesus não trocou a natureza divina pela humana. Mas, voluntariamente, renunciou a sua glória para assumir a nossa humanidade (Jo 10.17,18).


III. A EXALTAÇÃO DE CRISTO (2.9-11)
Depois de toda humilhação padecida por Cristo, inclusive de sofrer uma morte extremamente humilhante, como enfatizou o Apóstolo: “morte de cruz”. Paulo, agora, mostra o resultado de toda humilhação de Cristo: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente”. O termo “exaltação” significa “ação de elevar a um grau de mérito mais alto”. Em sua exaltação, Cristo reouve a glória que, desde a mais remota eternidade, desfrutava ao lado do Pai. Agora, Cristo esta à destra do Pai, cuja posição é exclusiva Dele (Mc 16.19; At 2.33; 7.56; Hb 10.12). Mas, Paulo ainda diz: “e lhe deu um nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra”. Mas, que nome é esse? Deus é o único que conhece o fim ante mesmo do começo de tudo (Is 46.10), por isso, logo na encarnação do Verbo de Deus, o Pai lhe deu o nome de SENHOR (Lc 2.11). O termo ‘Senhor’ representa o vocábulo grego ‘Kyrios’. Para as nações do Oriente Próximo e do Oriente Médio antigos, ‘Senhor’ atribuía grande reverência quando aplicado aos governantes. As nações ao redor de Israel usavam o termo para indicar seus reis e deuses, pois a maioria dos reis pagãos afirmavam-se deuses. Este termo, pois, representava adoração e obediência. Assim, em sua exaltação, Cristo recebeu as nações como herança (Sl 2). Ei-lo como o Reis dos reis e Senhor dos senhores. Toda a autoridade lhe pertence quer no céu, quer na terra (Mt 28.18). Por esta razão, Paulo (que compreendida muito bem o referido assunto) é bastante categórico: “e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai”.    


CONCLUSÃO
Jesus nos deixou um grandíssimo exemplo de humildade. Não fosse sua humildade de esvaziar-se e revestir-se num corpo humano, que fim triste teríamos nós! Por outro lado, é impossível tentar negar, de forma alguma, as naturezas divina e humana de Jesus. As Escrituras Sagradas afirmam, categoricamente, que Ele é pleno Deus e pleno Homem. Ainda que alguns insistam em tentar contradizer as Escrituras, eles não poderão combater tal verdade, pois, um dia, toda língua confessará que Jesus é Deus! Seja em vida ou seja em morte, todos, sem exceções, reconhecerão o Senhorio de Cristo (Fp 2.10,10). Porquanto, está escrito: “Pois para isto Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor (Kyrios) tanto dos mortos como dos vivos” (Rm 14.9). Se não o fizerem hoje, o farão depois da morte! Que Deus Abençoe a todos!




REFERÊNCIAS
DAVISON, Francis. O novo comentário da Bíblia. Vida Nova.
ANDRADE, Claudionor Corrêa. Dicionário Teológico. CPAD.
MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Biblicas. CPAD.
CABRAL, Elienai. Lições Biblicas. (1º trimestre/ 2001) CPAD.
ANDRADE, Claudionor Corrêa. Lições Biblicas ( trimestre/ 2006) CPAD.
Ø  SOARES, Esequias. Lições Biblicas (1º trimestre/ 2008) CPAD.