sábado, 9 de abril de 2022

ASTROS NO MUNDO

 
 
 
Objetivo:
Mostrar que podemos ser santos mesmo vivendo em uma sociedade marcada pelo pecado.
 
Material: Caixas com as tiras de papel.
 
Procedimento:
Sente-se com os seus alunos em círculos e apresente o tema da segunda lição para eles. Diga que vivemos em uma sociedade onde as pessoas estão, a cada dia, mais distantes de Deus e propensas ao pecado. Por isso, temos que viver de modo que o nome do Senhor seja glorificado, mediante as nossas palavras e atitudes. Precisamos viver como “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5.13,14). Em seguida, passe a caixinha com as tiras de papel. Cada aluno deverá retirar uma tira e, por meio de gestos, “dizer” o que está no papel. Os outros alunos terão que adivinhar a mensagem.
 
·  Sou santo.
·  Creio em Deus.
·  Não quero pecar.
·  Sou “sal” e “luz” deste mundo.
·  A Bíblia é o meu manual de conduta.
·  Sou servo (a) de Deus.
·  Se o sal for insípido para mais nada presta.

 

 Por Telma Bueno e Flavianne

Adaptado pelo Amigo da EBD.


LIÇÃO 02 – SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO


 
 
 
 
Mt 5.13-16

 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre uma das principais metáforas utilizadas por Cristo, para ilustrar o caráter e o testemunho do autêntico cristão; veremos também as principais características do sal e da luz, de acordo com as Escrituras e a sua aplicação à vida cristã; e, por fim, qual deve ser a conduta do discípulo de Cristo no mundo.
 
 
I. CONSIDERAÇÕES SOBRE O SAL À LUZ DAS ESCRITURAS
1. Definição do termo.
Do hebraico a palavra sal é: “melach”, procedente de: “malach”, que significa: “rasgar, dissipar, ser dispersado, ser dissipado, salgar, temperar”. A palavra sal aparece pela primeira vez em Gênesis 14.3, e até chegar ao profeta Sofonias (Sf 2.9) surge aproximadamente trinta vezes no Antigo Testamento (GOMES, 2022, pp. 37,38). No grego, sal “hálas”, que aparece aproximadamente doze vezes no Novo Testamento.
 
2. Suas ocorrências no Antigo Testamento.
O sal, encontrado em grande quantidade na área do Mar Morto e comprado dos comerciantes no Norte pelos judeus tinha muitas utilidades. Era usado como: a) condimento para temperar alimentos para o homem (Jó 6.6), para o animal (Is 30.24 - ARA), b) para preservar os alimentos da putrefação (Êx 30.35); c) acompanhamento obrigatório de alguns dos sacrifícios, particularmente da oferta de manjares (Lv 2.13), e dos holocaustos (Ez 43.24); d) valor medicinal, os recém-nascidos eram banhados nele e esfregados com ele (Ez 16.4). O uso figurado também é comum. Por um lado, montes e minas de sal expressavam a figura de aridez e esterilidade (Dt 29.23; Sf 2.9). Por outro lado, o sal simbolizava o valioso e o virtuoso. Um pacto de amizade era selado com um presente de sal (ainda observado pelos árabes hoje), e o acordo entre Deus e seu povo foi chamado de uma “aliança perpétua de sal” (Nm 18.19; 2Cr 13.5), sendo o sal símbolo de lealdade e perpetuidade (TENNEY, vol. 5, 2008, p. 348).
 
3. Suas ocorrências no Novo Testamento.
Na antiguidade o sal possuía um valor muito grande. Os romanos, em uma frase que em latim era algo como uma das rimas comerciais da atualidade, diziam: “Nada é mais útil que o sol e o sal” (BARCLAY, sd, p.129). Entre outras formas de uso, destacava-se a sua função monetária nas transações comerciais. É tanto que o termo salário deriva do latim: “salarium”, que significa: “dinheiro de sal”, como parte do pagamento aos soldados romanos. A ideia de purificação é proeminente em Marcos 9.49, onde o Senhor diz que, no julgamento final, “cada um será salgado com fogo”. O apóstolo Paulo recomenda sabedoria, prudência e salubridade na conversação cristã quando ele diz: “a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Para ilustrar a importância do testemunho cristão, o Senhor Jesus utilizou-se de dois elementos comuns entre eles o sal; Jesus, portanto, contextualiza a sua mensagem, utilizando um símbolo comum aos discípulos para que eles compreendessem a importância de sua vida de retidão em meio à sociedade corrupta (Mt 5.13-15).
 
 
II. O CRISTÃO COMO SAL DA TERRA
1. Se contrapõe à corrupção do mundo.
O sal é valorizado por dois atributos principais: gosto e conservação. Por isso, Jesus se utilizou do mesmo para tipificar o papel dos seus discípulos. A ilustração do sal fala do nosso caráter; a luz fala do nosso testemunho. Note-se que, como Cristo falou primeiro no sal da terra e depois na luz do mundo, assim o caráter precede o testemunho. Enquanto o mundo é caracterizado pela corrupção e pela degeneração da moral e de bons hábitos (Gn 6.5; Êx 32.7-9; Jz 2.10-15; 2Rs 17.7-23; 23.25,26), o cristão como sal da terra, evita a deterioração. O autêntico servo de Deus, onde quer que se encontre, precisa ser um instrumento da resistência do Espírito Santo contra a corrupção, contra a degeneração total da sociedade sem Deus; a igreja não é o sal do saleiro e sim, sal da terra. Desse modo, a igreja é o freio moral do mundo (2Ts 2.7).  
 
2. Não deve perder a sua essência.
A mais evidente marca do sal é que ele é essencialmente diferente do meio em que é posto. Sua eficácia está precisamente em preservar essa diferença; eis a razão da advertência do Senhor: “[...] e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? [...] (Mt 5.13b). A salinidade do crente é o seu caráter, é o seu bom testemunho, de acordo com as bem-aventuranças. De modo que, se os cristãos forem influenciados pelo mundo no lugar de influenciar, perderão completamente a sua utilidade: “[...] para nada mais presta [...]” (Mt 5.13). A igreja só pode ser relevante se for diferente do mundo (Rm 12.2; Tg 4.4; 1Jo 2.15-17), caso contrário, será um desastre e uma vergonha: “[...] senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). “felizes, afortunado, bem-aventurado”. Essa expressão trata das qualidades presentes na vida dos que dependem de Deus, que estão sob seu domínio e soberania e seguem a Jesus com sinceridade [...]. O Sermão do Monte, Jesus ensina que a verdadeira felicidade nada tem a ver com o que o homem deseja, mas sim, com o que ele precisa (GOMES, 2022, p. 27).
 
3. Se conduz com discrição.
O sal, antes de ser aplicado é visível, mas ao começar a agir, temperando, preservando, se torna invisível. O sal age invisivelmente, mas sua ação é claramente sentida. Ser “sal da terra” é, muitas vezes, manter-se anônimo, invisível e imperceptível aos olhos. Semelhantemente, o verdadeiro e genuíno cristão também não aparece, mas deixa que os efeitos da sua presença se apresentem, até porque não quer jamais a glória para si, mas, sim, para o Senhor (Jo 3.30).
 
4. Produz sede por Deus aos que estão à sua volta.
O sal tem a propriedade de provocar sede. O crente, como sal, portanto, produz sede espiritual nos outros, conduzindo as pessoas àquele que é a fonte da salvação (Jo 1.40-,42, 44-46 4.28-30,42). É a multidão perguntando aos apóstolos: “Que faremos varões irmãos?” (At 2.37). É o carcereiro de Filipos clamando: Senhores! Que é necessário que eu faça para me salvar?” (At 16.31). São as multidões à procura de Jesus (Mt 4.25; 8.1; 12.15; 14.14).
 
 
III. O CRISTÃO COMO LUZ DO MUNDO
1. Transmite luz para todos.
Todos os cristãos são luz no Senhor: “Porque, noutro tempo, éreis trevas, mas, agora, sois luz no Senhor; andai como filhos da luz” (Ef 5.8), e devem resplandecer como astros no mundo: “para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Fp 2.15). Diferente do sal, que não é visto em ação, a luz só tem valor quando é percebida. A ausência da luz permite que a escuridão prevaleça. Mas, quando a luz chega, as trevas desaparecem (Mt 4.13-16; Jo 1.5). Ela tanto brilha sobre um criminoso como sobre uma criança inocente. Ela tanto brilha sobre um lamaçal, como sobre uma imaculada flor. Assim deve ser o crente no desempenho de sua missão de luz no mundo, espargindo a luz do Evangelho de Cristo: “nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa” (Mt 5.15), sobre todos os povos, raças, culturas e indivíduos, independente de idade, sexo, cor, religião, profissão e posição (Mt 28.18-20).
 
2. Sua luz precisa ser mantida.
Se a luz estiver apagada ou escondida, nenhum benefício trará ao ambiente: “Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte” (Mt 5.14). A luz que iluminava as casas nos tempos de Jesus era de lamparina, alimentada através de um pavio mergulhado em azeite. O tipo de material da lâmpada variava, mas o combustível era um só: o azeite (Mt 25.4). O mesmo ocorre ao verdadeiro cristão. Ele depende sempre do óleo do Espírito Santo para difundir a luz de Cristo e a luz do Evangelho (Ec 9.8; 1Jo 2.20,27).
 
3. Não se mistura com as trevas.
Quando Jesus diz que somos a luz do mundo, está afirmando que a luz se opõe ao mundo, que está em trevas (Is 9.2; 59.9; Jo 1.5; 3.19; Rm 13.12; 2Co 6.14). Ser luz do mundo, significa praticar as boas obras (Jo 3.20,21). Mesmo que ela ilumine lixo, sujeira, lamaçal, etc., a luz não se contamina. Assim deve ser o crente: viver neste mundo tenebroso a difundir a luz de Cristo, sem se contaminar com o pecado (Dn 1.8), e as obras infrutuosas das trevas: “E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas, antes, condenai-as" (Ef 5.11).
 
4. Glorifica o nome do Senhor.
A glória de Deus é o bem supremo que devemos procurar em tudo o que fizermos na vida cristã: “[...] para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!” (1Pe 4.11). Devemos não somente nos empenharmos para glorificar, nós mesmos, a Deus, mas também devemos fazer tudo o que pudermos para motivar os outros a glorificá-lo. A visão das nossas boas obras fará isto: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16). Fica evidente, portanto, que o comportamento regular, santo e exemplar dos servos de Deus, podem fazer muita coisa com relação à conversão dos pecadores (1Pe 3.1).
 
 
CONCLUSÃO
O sal e a luz são relevantes pelo efeito que exercem. Sem eles não haveria qualidade de vida. Portanto, cada cristão deve ser relevante, isto é, brilhar o máximo por Jesus, primar pela excelência espiritual, realçar a distinção entre o verdadeiro crente e o mundo.
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  BARCLAY, William. Comentário do Evangelho de Mateus.
Ø  GOMES. Osiel. Os Valores do Reino de Deus: A relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. CPAD.
Ø  Lições Bíblicas Jovens e Adultos. 2º Trimestre 2001. CPAD.
Ø  TENNEY, C. Merryl. Enciclopédia da Bíblia. Vol. 5. CULTURA CRISTÃ.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.

 

terça-feira, 5 de abril de 2022

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2022

 
 
 
 
 
O PERIGO DAS TENTAÇÕES -
As Orientações da Palavra de Deus de Como
Resistir e Ter uma Vida vitoriosa.





 
 
 
 
Lição 01
 
Hora da Revisão
A respeito de “O Perigo das Tentações”, responda:
 
 
1. De acordo com a lição, como podemos descrever a tentação?
A tentação pode ser descrita como um impulso que move o ser humano ao pecado.
 
2. A queda de uma pessoa costuma ocorrer em uma única tentação?
A queda de uma pessoa costuma se dar aos poucos, com pequenos atos de desobediência.
 
3. Satanás é o único agente que promove a tentação?
Não, pois a tentação pode ocorrer também quando focamos nas nossas necessidades ou em oportunidades de ter algo de que não precisamos.
 
4. Cite uma consequência de se ceder à tentação.
Perder a comunhão com Deus.
 
5. Se cedermos à tentação, quais sentimentos vão nos afetar?
Ficamos dominados por sentimentos ruins.

 

QUESTIONÁRIOS DO 2° TRIMESTRE DE 2022

 
 



  OS VALORES DO REINO DE DEUS -
A Relevância do Sermão do Monte
para a Igreja de Cristo.
  

 






Lição 01


Revisando o Conteúdo
A respeito de “O Sermão do Monte: O Caráter do Reino de Deus” responda:  

 
1. O que a introdução do capítulo 5 de Mateus anuncia?
A introdução do capítulo 5 de Mateus (os dois primeiros versículos) anuncia o título do Sermão do Monte.
 
2. Como podemos considerar os ensinos do Sermão do Monte?
Os ensinos do Sermão do Monte podem ser considerados princípios esboçados por Cristo que revelam a verdadeira característica do seu reino messiânico.
 
3. Qual o significado da expressão “Bem-aventurados”?
A expressão “bem-aventurados” é um adjetivo plural grego, makarioi, que significa “felizes”. Essa expressão trata das qualidades presentes na vida dos que dependem de Deus, estão sob seu domínio e soberania e seguem a Jesus com sinceridade.
 
4. O que podemos identificar no Evangelho de Mateus?
No Evangelho de Mateus identificamos a chegada do Reino de Deus e a pregação de Jesus a respeito do Evangelho do Reino (3.2; 4.17,23).
 
5. Com o que o Reino de Deus é comparado na Bíblia?
Na Bíblia, o Reino de Deus é comparado a uma semente, a qual se desenvolve ao longo do tempo (Mc 4.26-29), de modo que podemos falar a respeito de um Reino presente (Mt 5.3; 12.28; 19.14) e de um futuro (Mt 7.21,22; 25.34).


sábado, 2 de abril de 2022

LIÇÃO 01 – O SERMÃO DO MONTE: O CARÁTER DO REINO DE DEUS






Mt 5.1-12 
 


 
INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos o contexto geográfico do sermão do monte apontando para o seu propósito, sua estrutura, e seus destinatários; estudaremos sobre as dimensões das bem-aventuranças; e por fim, notaremos o caminho para as bem-aventuranças.
 
 
I. O CONTEXTO DO SERMÃO DO MONTE
1. O nome do sermão.
O Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal (2009, p. 36 apud GOMES, 2022, p. 20), que diz: “Mateus 5–7 é chamado de Sermão do Monte porque foi proferido por Jesus sobre um monte perto de Cafarnaum. É provável que esse sermão seja resultado de vários dias de pregação”. O Sermão da Montanha, também conhecido como Sermão do Monte, é o conjunto de ensinamentos principais que Jesus deu aos seus discípulos. Esses ensinamentos são conhecidos por este nome porque Jesus tinha o hábito de ensinar no monte, onde havia mais espaço. Mateus apresenta um relato extenso, que ocupa três capítulos do primeiro evangelho (Mt caps. 5, 6, 7). Já Lucas dá-nos uma sinopse menor (Lc 6.17-49) (BOYER, 2010, pp.395-396).
 
2, O contexto geográfico do sermão.
“Na parte de Lucas 6.20-49, o sermão é suscinto e o nome que recebe é “Sermão da Planície”. Isso se deve à questão da diferente localidade: “E, descendo com eles, parou numa planície...” (Lc 6.17a). Fazendo um paralelo com o “Sermão da Montanha” de Mateus onde está escrito que: “Vendo Jesus as multidões, subiu para a montanha...” (Mt 5.1) [...]. Em relação à aparente discordância existente em Mateus e Lucas, não se pode em momento algum assegurar qualquer desarmonia” (GOMES, 2022, p. 15). “A aparamente contradição desaparece, seja admitindo que Jesus pronunciou seu discurso num planalto ou que, tendo escolhido seus discípulos no cume do monte, desceu com eles para a planície onde curou os enfermos e, em seguida, com os discípulos, voltou para o cume do monte (ver Mc 3.13; Lc 6.17 e Mt 5.1, nessa ordem) [...] tudo indica que na planície ele parou para curar os enfermos; e no alto do monte ele se sentou (Mc 4.1; 9.35; 13.3; Lc 4.20), para pronunciar o sermão. Seja qual for o ponto de vista, é evidente que não há conflito entre Mateus e Lucas” (HENDRIKSEN, apud GOMES, 2022, p. 15).
 
3. O propósito do sermão.
O Sermão do Monte é a síntese do ensino de Cristo para o seu povo. Antes de a Igreja consolidar-se como agente do Reino de Deus na terra (At 8.12; 19.8; 20.25; 28.31), o Senhor tomou a iniciativa de descortinar ao núcleo apostólico, através desta primeira grande explanação pedagógica, as vigas mestras que constituem o modelo de vida cristã trazido pelo Reino de Deus.
 
4. A estrutura do sermão.
O Sermão do Monte é a base ética do Reino de Deus. Toda a estrutura do sermão está baseada em cinco grandes discursos: 1) As Bem-aventuranças (Mt 5.3-12); 2) Sal e luz do mundo (Mt 5.13-16); 3) Jesus é o cumprimento da Lei e dos profetas (Mt 5.17-48); 4) Os atos de justiça (Mt 6 .1-18); e por fim, 5) Declarações de sabedoria (Mt 6.19-7.27).
 
5. O destinatário do sermão.
De modo bem direto podemos dizer que o Sermão do Monte foi destinado tanto para os discípulos de Cristo em particular como também para a multidão que estava em torno dele (Mt 7.28). Pode-se dizer que este grande sermão foi destinado a todos os homens que queiram viver piedosamente. Agora, de maneira bem estrita, a princípio, podemos afirmar que foi direcionado aos primeiramente aos discípulos (Lc 6.20), mas depois também à boa parte da multidão que ouvia Jesus (Mt 7.28; Lc 6.17). Se analisarmos algumas citações dos versos finais do Sermão, entenderemos que Ele desejava que todos tivessem acesso a tais ensinos, razão pela qual faz sua exigência para aqueles que são salvos (Mt 7.13,14,17,21,24,25), para os que não são (Mt 7.13,14,26,27) e incluía também os que fingem ser (Mt 7.15-20, 21-23) (GOMES, 2022, p. 25).
 
6. O sermão e os súditos do reino de Deus.
Estes pronunciamentos de Jesus obtêm o nome da palavra beatitude do latim “beatitudo”, do substantivo relacionado com “beatus”, que é como a Vulgata traduz o termo grego: “makarios” (Mt 5.3-11) (ARINGTON; STRONSTAD, 2003, p. 34 apud GOMES, 2022, p. 27). A expressão “bem-aventurados” é um adjetivo plural grego, “makarios”, que significa: “felizes, afortunado, bem-aventurado”. Essa expressão trata das qualidades presentes na vida dos que dependem de Deus, que estão sob seu domínio e soberania e seguem a Jesus com sinceridade [...]. O Sermão do Monte, Jesus ensina que a verdadeira felicidade nada tem a ver com o que o homem deseja, mas sim, com o que ele precisa (GOMES, 2022, p. 27).
 
 
 II. AS DIMENSÕES DAS BEM-AVENTURANÇAS
“Nas Palavras de Jesus, o conceito de Reino tanto tinha seu aspecto escatológico, para tempos futuros, como também para o aspecto presente (Lc 17.21)” (GOMES, 2022, p. 29). Notemos então:
 
1. A dimensão presente.
Tanto as bem-aventuranças quanto os demais princípios bíblicos do Sermão do Monte podem ser vistos sob dois ângulos: a dimensão presente e a dimensão escatológica. Ambos se interpõem e se completam. Há os que vinculam estes princípios apenas à manifestação futura do Reino de Deus, como se não pudessem ser experimentados aqui e agora. Eles o fazem porque interpretam a expressão “reino dos céus”, utilizada por Mateus, e que aparece no Sermão do Monte, como referente ao reino milenial, o que excluiria a validade desses princípios para a época presente. Mas, na verdade, comparando-se os sinóticos, verifica-se que “reino dos céus”, em determinadas passagens, equivale em Mateus à expressão “Reino de Deus” (Mt 3.1,2 e Mc 1.14,15; Lc 13.18-21). Ora, Jesus deixou claro que a chegada do Reino de Deus é um ato presente na história (Mt 4.17). Se esta manifestação presente é uma verdade escriturística, não há como excluir desta era e situar apenas no futuro os ensinos éticos e as bem-aventuranças.
 
2. A dimensão escatológica.
Todavia, sob o ângulo escatológico, haverá um tempo em que o Reino de Deus manifestar-se-á de forma física, como retrata Apocalipse 11.15, quando então esses princípios e as bênçãos decorrentes serão experimentados de modo perfeito e absoluto. Hoje, conhecemos em parte (1Co 13.9,10) e nos submetemos voluntariamente ao senhorio do “reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13), mas, quando as etapas finais do plano de Deus tiverem seu cumprimento, seremos então introduzidos a essa nova dimensão do Reino em que poderemos viver em toda a plenitude e justiça a imagem perfeita de Cristo (1Jo 3.2).
 
 
III. O CAMINHO PARA AS BEM-AVENTURANÇAS
A primeira seção do Sermão do Monte (Mt 5.1-12) destaca oito qualidades que formam o caráter dos súditos do Reino de Deus. Vejamos cada uma resumidamente:
 
1. Bem-aventurados os pobres de espírito (Mt 5.3).
A primeira das bem-aventuranças requer o despojamento de espírito (Sl 34.18). Refere-se à profunda humildade de reconhecer a absoluta falência espiritual de si mesmo quando estamos separados de Deus. Os pobres de espírito exibem uma genuína humildade e são despojados de todo o orgulho (Fp 2.5-8). É não se julgar autossuficiente, mas estar disposto a abrir mão de si mesmo (1Co 4.16-19). Pobres de espírito, é ser como o publicano na parábola de Lucas 18.9-13.
 
2. Bem-aventurados os que choram (Mt 5.4).
A segunda bem-aventurança nos leva ao quebrantamento. Aqui a ideia não é a da autocomiseração em que o indivíduo se entrega a um estado de lamúria pela própria sorte (Mt 26.75; Lc 22.62). Não é o lamento natural por alguma perda, nem a tristeza egocêntrica e invejosa por não ter alcançado o que outros já têm (2Co 7.10).
 
3. Bem-aventurados os mansos (Mt 5.5).
Esta bem-aventurança ressalta a força da mansidão (Mt 11.29). Ela se contrapõe ao ódio, à violência e ao estilo agressivo das conquistas humanas (Ef 4.2; Gl 5.22; Cl 3.12; Tt 3.2). Parece um paradoxo, mas quando os de espírito brando despontam, inibem atitudes que poderiam desaguar em conflitos e tragédias (Nm 12.1-3, 13).  
 
4. Bem-aventurados os que tem fome e sede de justiça (Mt 5.6).
A quarta bem-aventurança revela que a justiça deve ser um profundo anseio de todo crente (Mt 5.20). Tal qual o organismo faminto e sedento, o cristão não desfrutará da verdadeira calma e paz de espírito enquanto não se sentir saciado da presença de Deus, o que implica viver não só em retidão espiritual, mas em não se conformar com as injustiças e opressões no mundo (Sl 85.10,11; Mt 6.1,33).
 
5. Bem-aventurados os misericordiosos (Mt 5.7).
Misericórdia é a generosidade, a ternura de coração e a bondade de alma movidas para aliviar o sofrimento dos outros (Lc 6.36). É uma das características que marcam os filhos de Deus, pois o próprio Deus é “rico em misericórdia” (Ef 2.4 ver 1Pd 1.3). As Escrituras estão cheias de descrições da misericórdia de Deus, cujas “misericórdias não têm fim” (Lm 3.22). Ele se revelou a Moisés como “o Senhor, um Deus compassivo e grande em misericórdia” (Êx 34.6). Misericórdia é o ato de ser compassivo com o próximo em seu estado de carência espiritual, moral e social (Sl 23.6; Mt 18.23-35; Lc 10.33-35).
 
6. Bem-aventurados os limpos de coração (Mt 5.8).
Convém lembrar que pureza de coração não se trata de algo apenas externo e aparente, unicamente com o fim de ser apreciado pelos homens, a exemplo dos fariseus, pois o termo “coração”, na Bíblia, traduz a ideia de centro da personalidade (Sl 51.10; Pv 4.23; Mt 15.19; 1Ts 5.23).
 
7. Bem-aventurados os pacificadores (Mt 5.9).
Deus abomina os que semeiam a contenda (Pv 6.16-19). Aquele que tem o coração purificado de segundas intenções age sempre com espírito pacífico (Gn 13.7-9; Sl 34.14; 133.3; Rm 8.6). Paz é ausência de guerra, conflitos e toda sorte de conturbações (Mc 9.50; Rm 12.18). Na Bíblia o termo paz abrange também o sentido de harmonia (Cl 3.13,15; Tg 3.18; Jd 1.2). Ora, o pecado é a fonte de todas as mazelas e hostilidade entre os homens. O exercício da pacificação é uma qualidade de quem já removeu de seu coração, mediante o sangue de Jesus, a causa de seus males pessoais (Hb 12.14; 1Pd 3.10-11).
 
8. Bem-aventurados os sofrem perseguições (Mt 5.9,10).
Por último, há também uma bem-aventurança para os que são perseguidos por serem fiéis ao Senhor (Mt 5.12; Jo 17.14). O compromisso com o evangelho não admite outra opção (Mt 6.24). Não há como ser amigo do mundo e, ao mesmo tempo, agradar a Deus.
 
 
CONCLUSÃO
O Sermão do Monte é a base ética do Reino de Deus. Nele, constatamos o lado divino de uma atitude amorosa do cristão para com Deus, bem com o para com o próximo. Se cada crente fizesse do Sermão do Monte o seu norte ético de vida, as polêmicas não teriam lugar entre nó, visto que o propósito desse sermão é que cada crente seja como Deus quer que ele seja.
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  COUTO, G. do. Lições Bíblicas Jovens e Adultos. CPAD, 2º Trimestre de 2001, Sermão do Monte: A transparência da vida cristã.
Ø  GOMES, Osiel. Os valores do reino de Deus: A relevância do Sermão do Monte para a igreja de Cristo. CPAD.
 
 
Por Rede Brasil de Comunicação.