quinta-feira, 27 de setembro de 2012

LIÇÃO 14 – A VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES

                                                        Fp 4.10-13
  
 
INTRODUÇÃO
No decorrer deste trimestre estudamos diversos de tipos de sofrimentos e aflições que afetam a humanidade, tais como: enfermidade, morte, viuvez, dívidas, rebeldia dos filhos, abandono, dentre outros. Vimos também que o cristão não está imune a essas adversidades, pois, como disse o próprio Senhor Jesus: “No mundo tereis aflições...” (Jo 16.33). Nesta lição, veremos o significado de vida plena na aflição; exemplos bíblicos de aflições; a perspectiva paulina do consolo e alegria em meio ao sofrimento; e, finalmente, como desfrutar de uma vida plena nas aflições. 

I – DEFINIÇÃO DE AFLIÇÃO E VIDA PLENA
            O termo aflição no grego é “Kakoucheõ” que significa: “sofrer infortúnio, ser maltratado” (Hb 11.25; 11.37; 13.3). A palavra “Kakopatheõ” que quer dizer: “sofrimento, adversidade, padecer” (2Tm 1.8; 2.9; 4.5; Tg 5.13); e “Kakopatheia” pode ser definida como: “aflição, maltrato, angústia” (At 7.34; Rm 8.18; 1Pe 1.11; 5.1; Hb 2.9; 2Co 1.5; Fp 3.10; 1Pe 4.13; 5.1). Já o termo vida plena tem o sentido de vida abundante que significa “superabundante” e diz respeito a qualidade de vida que é oriunda de Cristo - a fonte (Jo 4.14; 14.6; Rm 6.4; 7.6; Ap 21.6). Portanto, vida plena nas aflições significa desfrutar de paz, alegria e, principalmente, da presença de Cristo, mesmo no sofrimento, pois, como disse o Senhor Jesus: “...Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (Jo 10.10).

II - EXEMPLOS BÍBLICOS DE AFLIÇÕES
            Encontramos nas Sagradas Escrituras diversos exemplos de servos de Deus que enfrentaram adversidades e aflições. Vejamos alguns:
·       José. Até tornar-se governador do Egito, sofreu inveja por parte dos seus irmãos, foi lançado em uma cisterna, vendido como escravo, caluniado e preso injustamente (Gn 37-45);
·       Noemi. Ela perdeu seu esposo e seus filhos (Rt 1.1-5). Sua dor e tristeza foi tão profunda que chegou a pedir que lhe chamassem de Mara, que significa “amargosa” (Rt 1.20); 
·       Jó. Apesar de ser um homem sincero, reto, temente a Deus, e desviar-se do mal, por permissão divina, perdeu todos os seus bens, seus filhos, e até mesmo a sua saúde (Jó 1.13-2.8);
·       Jeremias. Foi escolhido por Deus para o ministério profético, mas, foi rejeitado por sua família, pelos sacerdotes e pelo povo judeu (Jr 12.6; 20.2; 26.8,9); foi afrontado pelos falsos profetas (Jr 23.9-4028.1-17); foi ferido e colocado em um cepo (Jr 20.1,2), colocado na prisão (Jr 37.15,16) e, posteriormente, em um calabouço (Jr 38.6);
·       Jesus. Mesmo sendo o Filho de Deus, Ele experimentou diversos tipos de sofrimento. Ele nasceu em uma estrebaria (Lc 2.1-7); ainda quando criança, precisou fugir para o Egito, para escapar da morte (Mt 1.13-18); foi desacreditado, não só pelos judeus (Jo 1.11), mas, até mesmo pelos seus irmãos (Jo 7.5); durante o seu ministério, foi acusado e perseguido pelos sacerdotes, escribas e fariseus (Mt 12.24; 21.15; Mc 11.18; 14.1; Lc 19.47; 20.1); além disso, Ele foi preso, julgado, condenado e morto, mesmo sem haver cometido crime algum (Mt 26.47-27.56; Mc 14.43-15.41; Lc 22.47-23.48; Jo 18.1-19.37);
·       Paulo. Enfrentou diversos tipos de aflições, tais como:  insulto (At 13.45); apedrejamento (At 14.19,20); açoites e prisões (At 16.22,23); naufrágio, fome, sede, frio e nudez (II Co 4.8-9; 11.16-33). 

III – PERSPECTIVA PAULINA SOBRE O CONSOLO E ALEGRIA EM MEIO AO SOFRIMENTO
            A Bíblia nos mostra claramente que o servo de Deus não está imune às tribulações. Mas, ensina também que podemos obter regozijo e consolo divino, mesmo em meio às aflições da vida, como veremos a seguir:
·       Paulo sabia muito bem o que era padecer, pois, como vimos anteriormente, ele enfrentou diversos tipos de aflições. No entanto, tinha convicção que jamais seria desamparado: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos(II Co 4.8,9);
·       Paulo ensina também que é possível o crente regozijar-se, mesmo em meio ao sofrimento:Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24). A Epístola aos Efésios, por exemplo, foi escrita quando Paulo estava preso em Roma (Fp 1.12,14). No entanto, ele não demonstra angústia, tristeza ou frustração; pelo contrário, é nesta carta em que ele mais demonstra o seu regozijo e alegria (Fp 1.4,18; 2.2,17; 3.1; 4.1,4,10);
·       O cristão que sofre por amor à Cristo, sem dúvida, experimentará também o consolo divino:“Porque, assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (II Co 1.5);
·       Mesmo em meio às tribulações, o apóstolo Paulo diz que estava cheio de consolação e transbordante de gozo:“Grande é a ousadia da minha fala para convosco, e grande a minha jactância a respeito de vós; estou cheio de consolação; transbordo de gozo em todas as nossas tribulações”  (II Co 7.4). 

IV – COMO DESFRUTAR DE UMA VIDA PLENA NAS AFLIÇÕES
            A Palavra de Deus nos ensina, não apenas sobre a possibilidade das aflições na vida do servo de Deus, mas, também, como devemos nos portar em meio ao sofrimento. Vejamos:
 
      4.1 Confiando em Deus
·       O patriarca Jó, apesar de todas provações, demonstrou uma confiança inabalável em Deus, quando disse: “Ainda que ele me mate, nele esperarei... Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra... Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido”(Jó 13.15; 19.25; 42.2).
·       Davi experimentou muitas aflições, principalmente no período entre a unção e a aclamação como rei. Porém, nunca deixou de confiar no Senhor. Ele disse: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo... Ainda que um exército me cercasse, o meu coração não temeria; ainda que a guerra se levantasse contra mim, nele confiaria” (Sl 23.4; 27.3).

4.2 Reconhecendo que Deus está no controle de tudo
·       José, filho de Jacó, era ainda muito jovem quando começou a ter sonhos (Gn 37.5-10). Possivelmente, ele entendeu que um dia exerceria liderança sobre a sua família. No entanto, sua trajetória até tornar-se governador foi marcada por aparentes fracassos. Mas, anos depois, ele pôde dizer aos seus irmãos:  “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5).
·       Nos dias da rainha Ester, uma forca foi preparada para Mardoqueu (Et 5.14; 6.4), e um decreto foi assinado pelo rei, ordenando matar a todos os judeus (Et 3.8-15). Porém, Deus  já havia provido um meio para impedir tal calamidade (Et 4.14-7.10). Mardoqueu, então, foi honrado (Et 6.6-11; 9.3,4), seu inimigo feroz foi morto na mesma forca que havia preparado para ele (Et 9.25), e os judeus receberam autorização para se defenderem de seus inimigos (Et 9.1-25).

4.3 Sabendo que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus
·       O salmista disse que foi através da aflição que ele aprendeu a obedecer ao Senhor (Sl 119.67,71);
·       Após a provação, Jó reconheceu que teve uma experiência mais profunda com Deus (Jó 42.5);
·       Foi através do sofrimento que o filho pródigo lembrou-se da casa do pai (Lc 15.15-20);
·       O apóstolo Paulo disse que a tribulação produz paciência (Rm 5.3); e Tiago diz que a prova da fé produz paciência (Tg 1.2-4). Por estas e outras razões, o mesmo Paulo diz: “E sabemos quetodas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

4.4 Tendo esperança que um dia todo sofrimento terá fim
·       O Senhor Jesus prometeu vir nos buscar (Jo 14.1-3);
·       As aflições deste mundo não se comparam com a glória que nos será revelada (Rm 8.18);
·       Aqueles que são participantes das aflições de Cristo, se alegrarão e se regozijarão na Sua vinda (I Pe 4.12,13);
·       Quando Cristo voltar, seremos semelhantes a Ele, e teremos um corpo glorioso e incorruptível, imune às doenças (I Jo 3.1,2);
·       Nós habitaremos com Cristo, onde “... não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor...”(Ap 21.4).  

CONCLUSÃO     
            Enquanto estivermos neste mundo, estamos sujeitos às provações, angústias e tribulações. A Bíblia ensina claramente que a vida cristã não nos isenta de adversidades. Porém, mesmo em meio ao sofrimento, podemos contar com o consolo divino. Mas, além disso, devemos confiar em Deus, reconhecer que ele está no controle de tudo, saber que tudo que ocorre em nossas vidas é para o nosso bem, e que um dia nós estaremos, enfim, livres de toda dor e sofrimento. 
 

REFERÊNCIAS
·       ALMEIDA, João Ferreira de. Bíblia Sagrada. CPAD.
·       STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
·       MACARTHUR JR, John. O poder do sofrimento. CPAD.
·       RIBEIRO, Hélio. Bênçãos e frutos do sofrimento.  

Por Rede Brasil de Comunicação

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