sexta-feira, 29 de março de 2024

LIÇÃO 13 – O PODER DE DEUS NA MISSÃO DA IGREJA



 
 
 
At 13.1-4
 
 
INTRODUÇÃO
Vimos em lições anteriores que o Senhor Jesus entregou à Sua Igreja, a missão de proclamar as boas novas de salvação (Mc 16.15), discipular os novos convertidos (Mt 28.19), ensinar a Palavra de Deus (Mt 28.20), realizar missões transculturais (At 1.8), além de outras. No entanto, seria impossível a Igreja cumprir a sua missão aqui na terra, sem o poder do Espírito Santo. Por isso, Jesus disse aos discípulos, antes de sua ascensão: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). Veremos nesta lição a necessidade do batismo com o Espírito Santo; a atuação do Espírito Santo na igreja Primitiva; e, finalmente, a ação do Espírito Santo na Obra Missionária.
 
 
I. A NECESSIDADE DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO
À luz das Sagradas Escrituras, podemos afirmar que o batismo no Espírito Santo é imprescindível para que a Igreja cumpra a sua missão na Terra.
 
1. O que é o Batismo no Espírito Santo.
“É um revestimento e derramamento de poder do Alto, com a evidência física inicial de línguas estranhas, conforme o Espírito Santo concede, pela instrumentalidade do Senhor Jesus, para o ingresso do crente numa vida de mais profunda adoração e eficiência no serviço para Deus” (Lc 24.49; At 1.8; 10.46; 1Co 14.15,26) (GILBERTO, 2008, p. 191). “Jesus comunicou aos seus discípulos, antes da sua morte, que receberiam o poder pelo batismo no Espírito Santo, que o Pai havia de enviar (Jo 14.16,17,26; 15.26; 16.7,13). Por isso é uma bênção chamada de ‘promessa do pai’ (At 1.4,5; Lc 24.49). Essa bênção prometida distingue-se da experiência da salvação. Devemos observar que Jesus ordenou aos seus discípulos que buscassem o revestimento de poder (Lc 24.49), mas eles já eram crentes” (BERGSTÉN, 2006, pp. 96,97). Por isso, não podemos confundir o batismo no Espírito Santo com a conversão ou novo nascimento, pois, aqueles que foram revestidos de poder, já eram salvos (At 2.1-4; 8.14,17; 9.17; 19.1-6).
 
2. O propósito do Batismo no Espírito Santo.
A finalidade principal do batismo no Espírito Santo é o “revestimento de poder” (Lc 24.49) para tornar o cristão numa fiel testemunha de Cristo (At 1.8). Percebemos claramente a importância desse revestimento na experiência do apóstolo Pedro. Antes do Pentecostes, na ocasião do julgamento de Jesus perante o sinédrio, temendo a morte, Pedro afirmou que não conhecia a Jesus, negou que era Seu discípulo, chegando inclusive a jurar e a praguejar (Mt 26.69-75; Mc 14.66-72; Lc 22.54-62; Jo 18.12-27). Mas, depois do Pentecostes, quando foi proibido pelos líderes religiosos de Israel de falar de Jesus, diante do sinédrio, ele disse: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.19,20). Em outra ocasião, ele afirmou: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Após a experiência pentecostal, Pedro nunca mais foi o mesmo!
 
3. A contemporaneidade do Batismo no Espírito Santo.
O Batismo com o Espírito Santo não foi uma experiência exclusiva dos dias dos apóstolos. É uma bênção divina para todos aqueles que realmente experimentam o novo nascimento (Jo 3.5), e por isso, é uma doutrina bíblica que deve ser ensinada para toda a igreja (Mt 3.11; Mc 1.8; 16.17; Lc 3.16; Jo 1.33; At 1.5, 8; 2.4; 10.44-47; 11.15-16; 19.4-6; 1Co 12.10, 28-30; 13.1). Embora que alguns grupos evangélicos denominados de “cessacionistas” tentem negar o Batismo no Espírito Santo através da evidência inicial do falar em outras línguas, bem como sua atualidade para os dias atuais, podemos afirmar com bases bíblicas, históricas e, através da experiência pessoal que esta promessa é para todos os salvos, de todas as épocas, e não apenas para os cristãos primitivos (At 2.39).
 
 
II. A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA PRIMITIVA
Desde o Dia de Pentecoste que o Espírito Santo atua “na” e “através” da Igreja. Vejamos alguns exemplos.
 
1. Na pregação do Evangelho.
O Espírito Santo capacitou os discípulos a pregar o Evangelho. Vejamos:
  • No dia de Pentecostes, Pedro cheio do Espírito Santo pregou o evangelho, e, naquele dia, quase três mil almas se renderam a Cristo e foram batizadas (At 2.14-41). Após a cura do coxo à porta do templo (At 3.1-8) o número de discípulos chegou a quase cinco mil (At 4.4) e Lucas diz que a multidão dos que criam, crescia cada vez mais (At 5.14). 
  • Em Atos 4.1-23 Pedro e João foram levados à presença do Sinédrio para explicar com que poder eles haviam curado o paralítico (At 4.7). Depois que foram julgados, Pedro e João contaram aos demais apóstolos o que lhes tinha acontecido diante do sinédrio (At 4.23) e juntos oraram, pedindo ao Senhor que olhasse para as ameaças da liderança religiosa de Israel, e que lhes concedesse ousadia para que eles pudessem pregar a Palavra e operar prodígios e maravilhas (At 4.29,30). “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus(At 4.31).
  • A Igreja primitiva, todos os dias, no Templo e nas casas, não cessavam de ensinar e de pregar a Palavra de Deus (At 5.42; 13.5; 14.7; 16.32).
  • No capítulo 6 de Atos, o médico Lucas registra que foram escolhidos sete varões cheios do Espírito Santo para servirem como diáconos (At 6.3). Um deles foi Estêvão, que, quando pregava, os judeus incrédulos “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6.10).
  • Filipe era também um dos sete varões cheios do Espírito Santo (At 6.5). Em Atos 8.29 Lucas afirma que o Espírito Santo guiou Filipe para pregar ao Eunuco, que vinha lendo as Escrituras em sua carruagem, mas, sem entender. E, após a pregação e o consequente batismo do eunuco, o Espírito Santo arrebatou a Filipe, que se achou em Azoto, e, por onde passava, ele anunciava o evangelho (At 8.39,40).
 
2. Na operação de milagres e maravilhas.
Os apóstolos, pelo Espírito Santo, não apenas pregaram com ousadia a Palavra de Deus, mas, também, realizaram sinais e prodígios, como veremos a seguir: 
  • O médico Lucas diz: “E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (At 5.12).
  • Estêvão, um dos sete diáconos, cheio de fé e de poder “...fazia prodígios e grandes sinais entre o povo” (At 6.8).
  • Em Samaria, além da pregação do evangelho (At 8.5) havia sinais, prodígios e maravilhas: “E as multidões unanimemente prestavam atenção ao que Filipe dizia, porque ouviam e viam os sinais que ele fazia, pois que os espíritos imundos saíam de muitos que os tinham, clamando em alta voz; e muitos paralíticos e coxos eram curados” (At 8.6,7) de forma que havia grande alegria naquela cidade (At 8.8).
  • O apóstolo Pedro foi usado por Deus para operar sinais e maravilhas: Na autoridade do Nome de Jesus ele curou o paralítico à porta do Templo (At 3.1-8); curou um paralítico por nome Eneias (At 9.32-35); ressuscitou Dorcas (At 9.36-42). Lucas diz, ainda: “de sorte que transportavam os enfermos para as ruas e os punham em leitos e em camilhas, para que ao menos a sombra de Pedro, quando este passasse, cobrisse alguns deles. E até das cidades circunvizinhas concorria muita gente a Jerusalém, conduzindo enfermos e atormentados de espíritos imundos, os quais todos eram curados” (At 5.15,16).
  • O apóstolo Paulo também foi poderosamente usado por Deus par operar milagres e maravilhas. Na autoridade do Nome de Jesus, ele libertou uma jovem que era possessa de um espírito maligno (At 16.16-18); curou um paralítico em Listra (At 14.8-10); ressuscitou o jovem Êutico (At 20.9-12); curou o pai de Publio, na Ilha de Malta (At 28.8), além de outros milagres extraordinários. “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia maravilhas extraordinárias, de sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam” (At 19.11,12).
 
3. A atuação do Espírito Santo na Obra Missionária.
A obra de missões está estritamente ligada a ação do Espírito Santo. O missionário Shóstenes Pereira, na sua obra: Fundamentação Bíblica para a Evangelização (2022, p.116), afirma que: “É impossível pensar na obra da evangelização sem a presença do Espírito Santo na vida dos evangelizadores. Ele é a força motriz que impulsiona a propagação da Boas Novas a todos os povos, em todos os tempos, em todos os lugares e em todas as situações”. Vejamos ainda a ação do Espírito na obra missionária: 
  • Na igreja de Antioquia, o Espírito Santo chamou e também enviou os primeiros missionários para uma missão transcultural “[...] apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra que os tenho chamado. E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia [...]” (At 13.2,4).
  • O Espírito Santo também guiou os missionários. Quando aos judeus rejeitaram a Palavra do Senhor, Paulo voltou a sua atenção para os gentios (At 13.46-48) e tornou-se o “apóstolo dos gentios” (Rm 11.13; 1Tm 2.7; 2Tm 1.11). Em outra ocasião, o Espírito Santo impediu que Paulo, Silas e Timóteo pregassem na Ásia em Bitínia, conduzindo-os a Macedônia (At 16.6-10), onde diversos milagres ocorreram, tais como: a conversão da família de Lídia (16.13-15); a libertação de uma jovem que tinha um espírito de adivinhação (16.16-18); o terremoto que abalou o cárcere (16.25,26); e a conversão do carcereiro de Filipos, juntamente com a sua família.
  • O mesmo Espírito também revelou a Paulo os sofrimentos que lhe sobreviria, no exercício da obra missionária: “E, agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações” (At 20.22,23; 21.4,11).
  • O Espírito Santo também deu autoridade para Paulo e os demais apóstolos enfrentarem as oposições por parte de Satanás. Quando Elimas quis perverter a fé do procônsul Sérgio Paulo, o apóstolo Paulo, cheio do Espírito Santo disse-lhe: “Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor? Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão” (At 13.4-12).
  • O Espírito Santo também guiou os apóstolos no primeiro concílio de Jerusalém, quando os missionários trouxeram aos apóstolos que estevam em Jerusalém as questões acerca do rito mosaico, que estava sendo exigido para os gentios. Nesta ocasião, o apóstolo Tiago diz: “Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias” (At 15.29).


CONCLUSÃO
Assim como o poder do Espírito foi fundamental para os cristãos primitivos, semelhantemente, o mesmo poder pentecostal é indispensável para a Igreja nos dias atuais. Mais do que nunca devemos buscar este poder sobrenatural, para que possamos cumprir a Missão que Cristo nos confiou, até que Ele venha nos buscar para nos levar para junto de Si.
 

 
REFERÊNCIAS
Ø  BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. CPAD.
Ø  GILBERTO, Antônio. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
Ø  GONÇALVES, José. O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e Vocação da Igreja no Mundo. CPAD.
Ø  PEREIRA, Shóstenes. Fundamentação Bíblica para a Evangelização. BEREIA.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD. 
 


Por Rede Brasil de Comunicação.





segunda-feira, 25 de março de 2024

LIÇÃO 13 - O PODER DE DEUS NA MISSÃO DA IGREJA (V.01)


Vídeo Aula - Pastor Ciro 




QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2024






O FUNDAMENTO DOS
APÓSTOLOS E DOS PROFETAS -
A Doutrina Bíblicas como Base para
uma Caminhada Cristã Vitoriosa.
 









Lição 12
 
Hora da Revisão
A respeito de “Perseverando na Doutrina de Cristo”, responda: 


1. Qual o significado do termo “ética”?
A palavra ética vem do grego ethica, de etheos, cujo sentido é “aquilo que se relaciona com o caráter”.

2. Segundo a lição, qual deve ser a postura do crente diante do mundo?
Ele não pode retroceder para que não se perca o galardão (v.8); não prevaricar, que é o mesmo que não ultrapassar os limites estabelecidos pela doutrina (v.9).

3. Qual a mais importante mensagem ensinada e pregada por Jesus?
O Sermão do Monte (Mt 5-7) é a mais importante mensagem pregada e ensinada por Jesus.

4. Cite uma das bênçãos advindas do crente cumprir os mandamentos de Jesus.
Ser amigo de Jesus.

5. Quais são, segundo a lição, as práticas vitais para o crente que deseja vencer o mundo?
Destaca-se a necessidade de conhecer os desafios impostos por este tempo, além de uma vida dedicada ao preparo espiritual, bíblico e intelectual, com vistas responder adequadamente às indagações mais comuns na atualidade (1 Pe 3.15).




QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2024






O CORPO DE CRISTO-
Origem, Natureza e Vocação
da Igreja no Mundo. 










Lição 12
 

Revisando o Conteúdo
A respeito de “O Papel da Pregação no Culto” responda:  

 
1. Em que fato o propósito mais sublime da Igreja está amparado?
O propósito mais sublime do Ministério da Palavra está no fato de ele revelar Deus às pessoas.
 
2. O que as pessoas, que foram alcançadas pelo Evangelho, precisam fazer?
As pessoas que foram alcançadas pela proclamação da Palavra precisam crescer e amadurecer no Evangelho, ou seja, necessitam ser discipuladas, instruídas.
 
3. Qual é a função da Palavra na igreja?
A Palavra tem a importante função de edificar a igreja. Essa edificação vem pelo confronto que o Espírito Santo traz pelo ministério da Palavra, que exorta e consola.
 
4. O que a igreja precisa mostrar de forma bem didática?
O que significa que a igreja precisa mostrar, de forma bem didática, sua forma de pensar, crer e agir, ou seja, é preciso definir sua cosmovisão, isto é, sua visão de mundo.
 
5. De acordo com a lição, qual é o alvo da pregação?
O alvo da pregação é revelar Cristo.


 

sábado, 23 de março de 2024

LIÇÃO 12 – O PAPEL DA PREGAÇÃO NO CULTO

 
 
 


2Tm 4.1-5
 
 
 
INTRODUÇÃO
Nesta lição, destacaremos o conceito bíblico do que é pregação; mencionaremos que o ministério terreno de Cristo, foi caracterizado pela proclamação das boas novas com o propósito de alcançar a todas as pessoas; elencaremos também, principais eventos que mostram a pregação sendo colocada como prioridade no dia a dia da igreja primitiva; e por fim, abordaremos quais devem ser as características da pregação no culto e a sua devida importância.
 
 
I. DEFINIÇÕES
1. Definição do termo proclamar.
O verbo grego traduzido como “proclamar”, “kerysso” que quer dizer: “ser um arauto, proclamar como um arauto”, refere-se na prática à: “pregação do evangelho como a palavra autorizada (obrigatória) de Deus, trazendo responsabilidade eterna a todos que a ouvem” (GONÇALVES, 2024). Ainda podendo ser entendido como: “promulgação solene e urgente de um fato importante. Assim é descrito o anúncio do Evangelho em obediência ao ‘ide’ de Cristo” (Mt 28.18-19) (ANDRADE, 2006, p. 305).
 
2. Definição do termo pregação.
Andrade define a pregação como sendo: “proclamação da Palavra de Deus, visando a divulgação do conhecimento divino, a conversão dos pecadores e a consolação dos fiéis” (2006, p. 303). Um dos termos usados é “kerygma”, que indica: “a mensagem do evangelho”; essa palavra aparece cerca de oito vezes no Novo Testamento (Mt 12.41; Lc 11.32; Rm 16.25; 1Co 1.21; 2.4; 15.14; 2Tm 4.17; Tt 1.3), indicando a pregação apostólica, que é a mensagem central e o fundamento do Novo Testamento (CHAMPLIN, 2004, p.367).
 
 
II. A PREGAÇÃO NO MINISTÉRIO DE JESUS
Jesus exerceu um tríplice ministério de cura, pregação e ensino da palavra de Deus: “E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 4.23), essa ênfase na pregação no ministério do Senhor é Jesus, é vista frequentemente nos Evangelhos “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo” (Mt 9.35), “E aconteceu, num daqueles dias, que, estando ele ensinando o povo no templo e anunciando o evangelho, sobrevieram os principais dos sacerdotes e os escribas com os anciãos” (Lc 20.1). Sua importância é ressaltada, quando essa mesma ênfase foi ordenada e confiada à igreja (Mt 28.19; Mc 16.15-18).
 
 
III. A PREGAÇÃO NA IGREJA PRIMITIVA
A pregação é a parte central do culto cristão e sem ela o culto fica sem brilho e objetivo, pois é através dela que a fé é gerada: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas! Mas nem todos obedecem ao evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus(Rm 10.14-17; ver Gl 3.2); é a vontade de Deus, que todos se arrependam e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (At 17.30; 1Tm 2.4), para tanto percebemos a pregação sendo evidenciada na vida da igreja primitiva. Vejamos:
 
1. No ministério de Pedro.
Após ser revestido com o poder do Espírito Santo, o apóstolo Pedro pregou um sermão bíblico (At 1.16), totalmente cristocêntrico, começando com: “[...] Jesus Nazareno” (At 2.22) e, terminando com: “[...] Senhor e Cristo” (At 2.36), resultando em quase três mil almas para o Reino de Deus. Desde então, seu ministério foi marcado pela proclamação das boas novas, na unção do Espírito. Como se pode ver em vários momentos: a) diante do espanto dos que presenciaram o milagre realizado na porta formosa do templo (At 3.12-26); b) diante da indagação e da oposição do sinédrio (At 4.8-22); e, c) na casa do centurião Cornélio (At 10.34-48).
 
2. No ministério de Paulo.
O apóstolo Paulo em razão da sua importância no cenário cristão, destacou-se quanto ao compromisso de proclamar a Palavra de Deus de tal forma que sempre lembrava: “Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto ) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios, na fé e na verdade” (1Tm 2.7; 2Tm 1.11), o que podemos ver com facilidade tanto em seu exemplo (At 9.20,22; 13.5,16; 14.1,21,22,25; 16.13,31; 17.2,3,17;18.4,5,11; 19.8,13; 20.25; 28.31), como em seus ensinamentos (1Tm 4.6-11,13,16; 5.17; 6.3-5; 2Tm 1.13; 2.14,15; 4.2).
 
 
IV. CARACTERÍSTICAS DA PREGAÇÃO NO CULTO
O apóstolo Paulo prevendo o fim de seus dias (2Tm 4.6,7), trouxe à tona para o jovem obreiro Timóteo, compromissos que deveriam caracterizar sua conduta como servo de Deus e da igreja do Senhor. Entre esses o de pregar o Evangelho de forma genuína, frente a um tempo de resistência à verdadeira mensagem de Deus (2Tm 4.3,4). Nesse intuito, o apóstolo destaca características que deve ter a pregação no culto: 

1. Seriedade: “Conjuro-te, pois [...]” (2Tm 4.1a).

A palavra conjuro-te, do grego: “diamarturomai” que indica: “testificar sob juramento, atestar, testificar a, afirmar solenemente”, é enfática e tem peso de afirmação legal. O apóstolo elaborara detalhadamente a responsabilidade que está sobre o ministro cristão. Agora ele incumbe Timóteo de assumir este encargo em plena conscientização de que, no desempenho de suas obrigações, ele é responsável diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo (2Co 5.10). A pregação da Palavra era tão importante para Paulo e para o ministério da igreja que ele ordenou “uma ordem militar” que Timóteo continuasse a pregá-la. Paulo recorre a Cristo como testemunha de sua ordem e lembra a Timóteo que, um dia, o Senhor retornará e testará o ministério dele. O pregador infiel que acrescenta algo à mensagem ou dela subtrai será reprovado no dia do acerto de contas (Ap 22.18).
 
2. Fidelidade: “pregues a palavra [...]” (2Tm 4.2a).
Pela expressão “a palavra”, o apóstolo quer dizer a mensagem relativa a Cristo como Redentor, Salvador e Senhor. Este deve ser o teor da pregação cristã. Nenhum sermão é realmente sermão, a menos que deixe explícita a verdade bíblica. O pregador é um arauto de Cristo, não pode mudar a mensagem que lhe foi confiada: “porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (At 20.27), não pode alterar a essência da mensagem, na tentação de torná-la palatável aos homens: “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus” (2Co 2.17).
 
3. Urgência: “[...] instes a tempo e fora de tempo [...]” (2Tm 4.2).
O pregador precisa ter um profundo senso de urgência, o verbo grego “ephistemi”, traduzido por “instar”, significa literalmente: “estar de prontidão”. A tempo e fora de tempo pode ser traduzido por “insista em todas as ocasiões, convenientes ou inconvenientes”. Esta determinação nos mostra o senso de urgência que deve caracterizar nossa pregação (At 8.26-30). Isso acarreta necessariamente a responsabilidade de corrigir e repreender (redarguas e repreendas) e o dever mais positivo de animar (exortes). Temos de provocar em todos que nos ouvem a disposição de reagir em total obediência à Palavra de Deus. Acima de tudo, o servo de Deus deve cultivar a graça da paciência (longanimidade), em seus esforços de levar as pessoas a Cristo e ministrar-lhes o ensino segundo a verdade cristã (doutrina).
 
 
V. A IMPORTÂNCIA DA PREGAÇÃO BÍBLICA NO CULTO
1. Para nosso ensino.
Paulo diz: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito […]” (Rm 15.4). Segundo Champlin (2004, p. 855):“Paulo faz aqui uma pausa momentânea a fim de relembrar aos seus leitores qual a autoridade e qual o devido uso das Escrituras. Ele também quis dar a entender, que ela está repleta de boas coisas para nossa instrução moral e espiritual, e a igreja tem feito bom emprego dela, quanto a esses propósitos”.
 
2. Para aviso nosso.
O mesmo apóstolo assevera acerca da Bíblia que as coisas que estão escritas: “[…] estão escritas para aviso nosso […]” (1Co 10.11). Para exortar os crentes de Corinto, Paulo utiliza-se do mau comportamento do povo de Israel no deserto (1Co 10.1-6). O apóstolo diz que este exemplo negativo serve de aviso a fim de que não caiamos nos mesmos erros (1Co 10.6,11). Segundo Champlin (1995, p. 396 – acréscimo nosso) a palavra “aviso” no original grego é: “nouthesia”, que significa: “admoestação”, “instrução”, “aviso”, que é utilizada tanto no sentido positivo quanto negativo, ou seja, uma atitude que pode ser reproduzida ou evitada”. Os bons exemplos quanto os maus exemplos de personagens das Escrituras também foram registrados para nos trazer advertências;
 
3. Para nos instruir no caminho certo.
Paulo descreveu para o jovem obreiro Timóteo quais os muitos propósitos da pregação das Escritura em relação ao homem: “Toda a Escritura é […] proveitosa para ensinar, […] redarguir, […] corrigir, […] instruir em justiça” (2Tm 3.16). Tudo que foi escrito, o foi para nos instruir no caminho da justiça. Segundo Champlin (1995, p. 396 – acréscimo nosso), no tocante à justiça que no grego é: “dikaiosune”, fica indicado o “treinamento naquilo que é reto”. Porém, no sentido cristão, “praticar o que é reto” consiste em cultivar o caráter moral de Cristo, o qual, por sua vez, reproduzirá a moralidade de Deus Pai”.
 
 
CONCLUSÃO
Em razão dos tempos difíceis que marcam os últimos dias da Igreja do Senhor na terra, precisamos reafirmar o valor das Escrituras e da sua proclamação, ocupando um lugar proeminente no culto cristão.



 
REFERÊNCIAS
Ø  ANDRADE, Claudionor Correa de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  CHAMPLI, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø  GONÇALVES, José. O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e Vocação da Igreja no Mundo. 1 ed. RJ: CPAD, 2024.
Ø  VINE, W. E. Dicionário Vine. CPAD.
  
 

Por Rede Brasil de Comunicação.
 





terça-feira, 19 de março de 2024

LIÇÃO 12 - O PAPEL DA PREGAÇÃO NO CULTO (V.01)


Vídeo Aula - Pastor Ciro
 




QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2024






O FUNDAMENTO DOS
APÓSTOLOS E DOS PROFETAS -
A Doutrina Bíblicas como Base para
uma Caminhada Cristã Vitoriosa.










Lição 11
 
Hora da Revisão
A respeito de “A Doutrina Deve Fazer Parte do Culto ”, responda:


1. Qual o significado do termo "liturgia"?
O vocábulo “liturgia” advém dos termos gregos “leit” (laós, povo) e “urgia’ (trabalho, oficio) que, conjuntamente, significa “serviço ou trabalho público”.

2. O que o Dicionário Teológico afirma a respeito da liturgia?
Afirma que “a liturgia, em si, não se constitui em culto: é necessário que venha acompanhada de verdadeira disposição espiritual para a adoração ao Senhor. A liturgia é a roupagem e o amor a Deus, a verdadeira substância do culto.

3. O que é adoração pública?
Entendemos que a adoração pública é um encontro com Deus para um diálogo.

4. O que é adorar?
Adorar é reverenciar, prostrar-se, curvar-se, reconhecer, celebrar e exaltar a majestade divina.

5. Qual o lugar da exposição das Escrituras Sagradas no culto?
A exposição fiel das Escrituras deve ser central no culto genuinamente cristão.



QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2024






O CORPO DE CRISTO-
Origem, Natureza e Vocação
da Igreja no Mundo. 




 





Lição 11
 

Revisando o Conteúdo
A respeito de “O Culto da Igreja Cristã” responda:  

 
1. Como a Bíblia mostra o culto a Deus?
Na Bíblia, o culto é mostrado como um serviço, isto é, uma vida entregue e consagrada a Deus (Dt 6.13).
 
2. De acordo com a Bíblia, o que o culto precisa ter?
De acordo com a Bíblia, o culto precisa ter decoro, decência e ordem.
 
3. Quando que o culto perde o sentido?
O culto perde o sentido quando Deus não é celebrado, se ele não é glorificado.
 
4. Além de glorificar a Deus, qual é o outro propósito do culto de acordo com a lição?
Um dos propósitos principais do culto é trazer edificação à igreja. Assim, na esfera do culto, tudo deve buscar a edificação (1 Co 14.26).
 
5. Qual compromisso o Movimento Pentecostal tem firmado?
O Movimento Pentecostal tem firmado seu compromisso com a autoridade da Bíblia para governar toda crença, experiência e prática.



sábado, 16 de março de 2024

LIÇÃO 11 – O CULTO DA IGREJA CRISTÃ



 
 
 
Ef 5.15-21 
 


INTRODUÇÃO
Nesta lição destacaremos princípios que são indispensáveis ao modelo de culto aceito por Deus; elencaremos elementos que devem existir na liturgia da adoração oferecida ao Senhor; e por fim, pontuaremos características do verdadeiro culto pentecostal.
 
 
I. PRINCÍPIOS BÍBLICOS INDISPENSÁVEIS AO CULTO
Devemos lembrar que o culto não é espetáculo nem um show caracterizado por som alto e dançante, gelo seco, roupas extravagantes, músicas carregadas de agressividade e barulho, nos mais diversos ritmos, tais como rock, funk, rap, e axé, onde os participantes estão mais interessados em euforia, gritaria, diversão e autossatisfação. Todo elemento que intervém nesta relação, desviando a atenção para si, não atende à finalidade do culto, que é elevar o homem a Deus (Sl 73 25-28; 1Co 10.31). Como veremos, o culto é importante porque Deus atribui a ele um valor espiritual e singular. Notemos:
 
1. O culto deve ser teocêntrico. “...preste culto somente a Ele(Mt 4.10; Dt 6.13; Êx 20.4; Lv 26.1; Sl 97.7; Lc 4.8). 
Deus é zeloso da adoração e do culto oferecido a Ele. “Não adore essas coisas, nem preste culto a elas, porque eu, o Senhor, ...sou Deus zeloso...” (Dt 5.9 – NAA; Sl 78.58; 1Co 10.20-22). Deus quer ser adorado pelos seus filhos: “...Assim diz o Senhor: Israel é meu filho... deixe meu filho ir para que me adore...” (Êx 3.12 - NAA). Percebamos que a adoração precede ao culto: “Adore ...e preste culto somente a Ele” (Mt 4.10 - NAA); “Temam ...e sirvam a Ele...” (Dt 6.13 – NAA).
 
2. O culto deve ser espiritual.
A primeira característica da adoração é que ela deve ser de adoradores que “...adorem em espírito...” (Jo 4.23). Somente uma adoração espiritual pode gerar um culto espiritual e verdadeiro. Por isso, os sacrifícios no culto cristão são espirituais: a) o corpo (Rm 12.1,2); b) o louvor (Hb 13.15); c) a prática do bem (Hb 13.16); e, d) a mútua cooperação (Hb 13.16; Fp 4.18).
 
3. O culto deve ser verdadeiro e reverente.
A Bíblia nos ensina que o verdadeiro culto ao Senhor deve ser verdadeiro (Is 29.13; 1Sm 15.22; Is 1.10-17; Dt 10.12; Ez 33.31; Jo 4.23). Nossa liturgia é simples e pentecostal, conforme o modelo do Novo Testamento: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co 14.26). Ela consiste em oração, louvor, leitura bíblica, exposição das Escrituras Sagradas ou testemunho e contribuição financeira, ou seja, ofertas e dízimos. Entendemos que a adoração está incompleta na falta de pelo menos um desses elementos, exceto se as circunstâncias forem desfavoráveis ou contrárias (SOARES [Org.], 2017, p. 145). É preciso ter reverência nos cultos ao Senhor (Êx 19.16-25; 20.18-19; Ec 5.1; Hb 10.19-22; 1Co 14.40; Hb 12.28).
 
4. O culto deve ser espontâneo e alegre (Êx 35.5,21,29; 2Cr 5.12-14).
No NT há espontaneidade para orar e interceder: “Quero, pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas” (1Tm 2.8). A espontaneidade chegou a tal ponto que houve necessidade de estabelecer ordem e limites na igreja primitiva (1Co 12.3;14).
 
 
II. O CULTO CRISTÃO E A LITURGICA NA BÍBLIA
Nos diversos atos litúrgicos registrados na Bíblia estão traçados os elementos do culto cristão. Notemos:
 
1. Elementos litúrgicos do Tabernáculo e do Templo.
Fazia parte da liturgia judaica: a) oração (2Cr 7.1); b) sacrifício (1Sm 1.3); c) oferta (Dt 26.10; 1Cr 16.29); d) louvor e cântico (2Cr 7.3); e) a oração antífona do Shema, “ouve Israel”, a confissão de fé dos judeus (Dt 6.4); f) a leitura bíblica (Ne 8.1-8; Lc 4.16,17); e, g) e a exortação (At 13.15) (SOARES [Org.], 2017, p. 145). Os sacrifícios, apontavam de forma tipológica a Cristo e se cumpriram nEle, não sendo mais praticados pela Igreja (Hb 9;10).
 
2. Elementos litúrgicos de Esdras (Ne 8.1-12).
Após a reconstrução do Templo o povo se congregou oferecendo um culto na seguinte ordem: a) proclamação - leitura da Lei de Moisés; b) pregação - interpretação da leitura; c) adoração - tempo para oração e adoração coletiva; e, d) comunhão - compartilhamento de alimentos e festejos.
 
3. Elementos litúrgicos de Jesus (Jo 14-17; Mt 26).
Nos últimos atos de Jesus, ao instituir a Ceia, são claros os elementos litúrgicos: a) pregação (Jo 14-16); b) oração e intercessão (Jo 17); c) instituição dos símbolos [pão e do vinho]; e, d) cântico de adoração.
 
4. Elementos litúrgicos no culto da Igreja Primitiva (At 2.42).
Na Igreja Primitiva também havia uma liturgia bem definida: a) ensino da Palavra; b) comunhão através do comer juntos e das coletas (ofertas ou contribuições); c) partir do Pão – Ceia do Senhor; d) orações tanto na vida pessoal como comunitária ou congregacional. O apóstolo Paulo instruiu a igreja a preservar com: hinos, sempre eram cantados os Salmos; exposição da Palavra; manifestação dos dons espirituais - profecia e mensagem em línguas quando houvesse interpretação; e ofertas – denominadas de coletas (1Co 14.26; 1Co 16.1-3).
 
 
III. DISTORÇÕES NO CULTO E NA LITURGIA DA IGREJA
O culto em algumas igrejas, infelizmente, tem se desviado dos padrões bíblicos e históricos, chegando-se a uma situação em que, em nome da liberdade e da espontaneidade, o culto se desvirtuou em muitas igrejas, sendo marcado pela irreverência, superficialidade e preocupação prioritária com as necessidades humanas, e não com a presença e a glória de Deus. Notemos algumas mudanças no culto e liturgia da igreja ao longo da história:
 
1. O culto e liturgia na Igreja primitiva.
O culto da igreja primitiva inspirou-se na liturgia das sinagogas. Nos cultos eram lidas passagens do Pentateuco e dos Profetas, seguindo-se uma exposição do texto. Também eram cantados salmos, especialmente o “Hallel” (Sl 113-118). O culto cristão foi extremamente simples (não simplório), constando de orações, cânticos, leituras do AT e dos livros dos apóstolos. Eram feitas exortações pelo dirigente, ensinamentos das verdades bíblicas, coletas (ofertório) e celebração da Ceia do Senhor (COUTO, 2016, pp. 47,48 – grifo nosso). Até o século III, o culto transcorria com a seguinte ordem litúrgica: a) Leitura da Palavra; b) Cântico de hinos; c) Oração em pé com a participação coletiva; d) celebração da Ceia do Senhor; e, e) Coleta para ajudar viúvas, enfermos, encarcerados (RODRIGUEZ, 1999. p. 43).
 
2. O culto e liturgia na Igreja da contemporaneidade.
Infelizmente têm surgido muitas formas estranhas e até exageros nos cultos e liturgias em algumas igrejas em nossos dias: a) regressão espiritual. Uma espécie de “segunda conversão”, algo que a Bíblia condena veementemente (Nm 23.23; Jo 8.32; Gl 3.13; 2Co 5.17); b) dança no espírito. Davi dançou patrioticamente, mas, nunca no Templo, pois o templo é o local de adoração e reverência (2Sm 6.14-16; 1Cr 15.29); no NT não há menção a este comportamento entre os elementos do culto e a manifestação do Espírito; c) entrevista espiritual. Caracterizada por ênfase desordenada na atuação de satanás no mundo e na igreja, com conversações e entrevistas com demônios; d) maldição hereditária. Consiste em pactos ascendentes da família feitos com demônios que trazem maldição. A Bíblia é clara ao mostrar que tal doutrina é herética (Jr 31.29,30; Ez 18.2-4,20; Rm 8.1); e) riso no espírito. Propagado no Brasil, principalmente pelos grupos neopentecostais, onde as pessoas caem rindo no chão, histéricas e dando gargalhadas sem nenhum controle de suas ações; e, g) outras inovações. Introdução de elementos judaicos (judaização) no culto cristão etc.
 
3. Desafios quanto ao culto e a liturgia na atualidade.
Diante do crescimento de outros movimentos denominados pentecostais e neopentecostais, bem como a comunicação global pela internet, a igreja tem vivenciado uma influência de modismos, substituindo, em alguns lugares, os elementos bíblicos que marcam o seu culto e liturgia como: Perda do costume da oração coletiva (Jz 21.2; Jz 2.4; 2 Cr 5.13; At 2.14; 4.24); diminuição de tempo para exposição da Palavra (Cl 3.16); perda da adoração cristocêntrica; perda da adoração ultracircunstancial; ênfase em mensagens de autoajuda; hinos, sem adoração, centrada apenas no homem e suas experiências (antropocentrismo); utilização de símbolos judaizantes (estrela de Davi, menorá, talit, kipá, shophar); aplausos substituindo a glorificação espontânea (Rm 15.9; Ap 4.9); e, danças e teatro nos cultos que retiram a centralidade da palavra, transferindo-a à estética.
 
 
IV. OS ELEMENTOS DO GENUÍNO CULTO PENTECOSTAL
Os principais elementos do culto pentecostal são:
 
1. Oração.
Oração é uma prece dirigida pelo homem ao seu Criador, com o objetivo de adorá-Lo e lhe pedir perdão pelas faltas cometidas, agradecer-Lhe pelos favores recebidos, buscar proteção e, acima de tudo, uma comunhão mais íntima com Ele (1Cr 16.11; Sl 105.4; Is 55.6; Am 5.4,6; Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24; Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17).
 
2. Hinos.
Um dos principais elementos do culto é o louvor a Deus. Louvar a Deus significa servi-lo em espírito e em verdade. A música esteve presente no culto de Israel e da Igreja primitiva (Nm 10.1-10; Jz 7.22; Jó 38.7; Ef. 5.19; 1Tm 3.16; At 16.25).
 
3. Leitura bíblica.
A leitura da Bíblia é indispensável em um culto cristão e deve ser um momento de profunda reverência, onde os verdadeiros adoradores deverão acompanhar a leitura do texto. Encontramos diversos exemplos da leitura das Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo testamento (Nm 24.7; Dt 31.26; Js 8.34,35; 2Cr 34.14-21; Ne 8.8; 9.3; Lc 4.14-21; At 17.11).
 
4. Contribuições.
As ofertas representam a expressão de gratidão do cultuador (Êx 35.29; 36.3; Lv 7.16; 22.18), bem como os dízimos (Ml 3.10). Devemos dar a Deus parte daquilo que dEle recebemos (Êx 23.15; 2Co 9.7). A contribuição no culto é bíblica e deve ser oferecida tanto pelos ricos como pelos pobres (Mc 12.41-44).
 
5. Pregação.
A pregação é a parte central do culto cristão e sem ela o culto fica sem brilho e objetivo, pois é através dela que a fé é gerada (Rm 10.14-17; Gl 3.2); é a vontade de Deus, que todos se arrependam e cheguem ao pleno conhecimento da verdade (Ez 18.23; At 17.30; 1Tm 2.4). A mensagem deve ter a primazia no culto cristão e relegar isso é um grande perigo a Igreja.
 
6. Dons espirituais.
Não se pode pensar em Culto Pentecostal sem a manifestação dos dons espiritais, pois ele é caracterizado não apenas pela verdadeira adoração ao Criador, mas também pelas manifestações espirituais e sobrenaturais do Espírito Santo entre os adoradores por meio dos dons espirituais (1Co 14.26). Além da adoração “salmos”, e do ensino “doutrina”, no culto pentecostal a manifestação dos dons é comum. Paulo faz menção a diversos dons, tais como: revelação, língua, interpretação, profecia e outros (1Co 14.26-40).
 
 
CONCLUSÃO
O culto verdadeiramente pentecostal é baseado no que Deus determinou por meio de sua Palavra. De modo que, os cultos que não possuem tais princípios, não fazem parte do verdadeiro pentecostalismo.
 
 
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  COUTO, Vinicius. Culto Cristão: Origens, desenvolvimento e desafios contemporâneos. 1 ed. SP: Editora Reflexão, 2016.
Ø  GONÇALVES, José. O Corpo de Cristo: Origem, Natureza e Vocação da Igreja no Mundo. 1 ed. RJ: CPAD, 2024.
Ø  HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. 1 ed. RJ: OBJETIVA, 2001.
Ø  KESSLER, Nemuel. O culto e suas formas. 1 ed. RJ: CPAD, 2016.
Ø  LUIZ, Gesse. Caminhos e Descaminhos na História da Liturgia Cristã. 1 ed. Curitiba: AD Santos, 2016.
Ø  MARTIN, Ralph P. Adoração na Igreja Primitiva. 2 ed. SP: Vida Nova, 2012.
Ø  SOARES, Ezequias [Org.]. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. 1 ed. RJ: CPAD, 2017.

  
Por Rede Brasil de Comunicação.