sexta-feira, 31 de março de 2023

EU NA FRENTE


 
 
Objetivo:
Apresentar o tema do trimestre.
 
Material: Folha de papel ofício, quadro branco.
 
Procedimento:
Peça aos alunos que formem um círculo e sugira que cada um, usando apenas uma palavra, diga o que pode atrapalhar o relacionamento familiar (Ex: agir por conta própria, orgulho, mentira, etc). À medida que foram falando, vá pondo as palavras no quadro. Após todos falaram, repita as palavras colocadas no quadro. Explique que tudo que disseram atrapalha nosso relacionamento e causa divisões e então peça que dividam a folha de papel em dois. Explique que tudo aquilo que eles falaram divide a família, assim como a folha de papel foi dividida. Depois, peça que amassem um dos lados da folha. Diga que quando não consultamos a Deus e agimos por conta própria, toda família se machuca. Enfatize que a precipitação a respeito dos planos de Deus terá consequências inevitáveis. “E o que precisamos fazer?”. Pedir a orientação de Deus e aguardar até que Sua vontade se cumpra. Explique que quando nos precipitamos e erramos devemos buscar o perdão de Deus, que restaura, fazendo tudo novo. Peça que balancem a folha. Enfatize o perigo de nos precipitarmos e interferir no cumprimento das promessas do Senhor para nossa vida e família. Diga que essa atitude trouxe consequências graves à casa de Abraão. Conclua orando com os alunos para que Deus nos livre de tentar interferir em Seus planos. 

Por Telma Bueno e Flavianne Vaz.
Adaptado pelo Amigo da EBD.




LIÇÃO 01 – QUANDO A FAMÍLIA AGE POR CONTA PRÓPRIA




 
 
Gn 12.1-3; 16.1-5


  
INTRODUÇÃO
Na primeira lição deste trimestre, estaremos estudando sobre a família de Abraão um dos principais personagens das Escrituras; veremos que a despeito das promessas de Deus em sua vida, o patriarca agiu precipitadamente com sua esposa Sara, trazendo sobre si, seríssimas consequências. Por fim, destacaremos que Deus chamou Abraão e sua casa, para um propósito maior, que ao viverem em obediência e submissão, com sua família desfrutariam das bênçãos de Deus.
 
 
I. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE ABRAÃO
A história de Abrão começa em Gênesis 11.26 com seu nascimento e termina em Gênesis 25.9 quando é sepultado em Macpela, pelos seus dois filhos, Isaque e Ismael. Segundo Hoff (1995, p. 25): “Abraão é o personagem mais importante do Gênesis, e um dos mais importantes de toda a Bíblia. Moisés dedicou onze capítulos ao que aconteceu antes de Abraão, enquanto treze capítulos se referem quase exclusivamente à vida pessoal do patriarca”. Paulo o considerava como o pai de
todos os que creem (Rm 4.16).
 
1. Local e data de nascimento (Gn 11.26-28).
Abraão nasceu quando seu pai estava em Ur dos Caldeus (Gn 11.27,28). Segundo Cabral (2002, p. 05): “esta cidade tinha uma grande movimentação turística e comercial e constituía-se num importante complexo de atividades da Suméria. Provavelmente Abrão nasceu no ano de 2166 a.C.”.
 
2. Seu nome (Gn 11.26; 17.5).
O nome primeiro de Abrão (Gn 11.26) significa: “pai elevado”, ou “pai das alturas”. Posteriormente, depois de uma aliança feita com Deus, seu nome passou a ser Abraão, que significa: “pai fecundo” ou “pai de uma multidão”. Este último nome dado por Deus ao patriarca era profético, pois, no tempo certo, ele haveria de ser o pai de uma numerosa multidão (Gn 17.5,6).
 
3. Sua família (Gn 11.10-31; 12.5).
Abraão era filho de Terá, o décimo na linhagem depois de Sem, portanto ele era um semita. A Escritura diz que enquanto os cananeus filhos de Cam receberam a maldição de Deus, os filhos de Sem, tornaram-se ancestral do povo de Deus e encabeçaram a genealogia que introduziu Terá, o pai de Abraão (Gn 11.10-32) mencionado na genealogia de Jesus (Lc 3.36). Abraão havia casado com uma mulher chamada Sarai. A Bíblia diz que ela era estéril (Gn 11.30). Na ocasião em que Deus mudou o nome de Abraão, também mudou o nome de sua esposa, que ao invés de Sarai, agora seria chamada Sara, que significa: “princesa” (Gn 17.15).
 
 
II. A PRECIPITAÇÃO DE ABRAÃO E SARA
1. O motivo da precipitação.
Abraão sofria muito com o fato de sua esposa não gerar filhos. Principalmente dentro do contexto da época que: a) atribuía a esterilidade diretamente a uma punição divina (Gn 16.2; 1Sm 1.5); b) atrelava a prosperidade do homem a quantidade de filhos (1Sm 2.5; Jó 1.2,10; Rt 4.15); e, c) um homem sem filhos ia ver a história se findar com a sua morte, pois seria uma pessoa sem posteridade (Gn 15.2,3). Ao perceberem que os anos estavam passando e, não vendo o cumprimento da promessa, Abraão e Sara saíram da dimensão da fé e racionalizaram o nascimento de um filho (Gn 16.1,2). Pelo processo natural, Sara não podia gerar filhos, pois, além de ser estéril, estava na velhice (Gn 18.11). Deus já havia prometido que daria um filho a Abraão com a sua esposa Sara (Gn 12.2; 15.4), no entanto, entre a promessa e o cumprimento, o casal resolveu tomar um atalho (Gn 16.1-4).
 
2. O mal conselho de Sara.
Sara sabia que não podia ter filhos, mas que seu marido ainda era capaz de gerar uma criança. Ela convenceu o marido de que, a melhor forma de ele ter um herdeiro legítimo, seria possuir sua serva Agar. Algumas vezes é certo um homem fazer o que sua esposa lhe diz, mesmo que isso seja em algum momento, contra os seus sentimentos. Mas dessa vez, não foi certo. Abraão não consultou Deus, vacilou na fé, e, sem consultar ao Senhor, deu ouvido à voz de sua mulher (Gn 16.2). Quando Sara sugeriu seu plano a Abraão, não havia convicção em suas palavras. Deus havia dito a Abraão: “Então disse a Abrão, sabe, com certeza [...]” (Gn 15.13); mas Sara não tinha tal certeza para servir de base para suas ações. Quando as situações difíceis vierem sobre nós, devemos recorrer a Deus, consultando-o através da Palavra e da oração (Jr 33.3; Sl 119.105). Precisamos confiar em Deus, em meio as crises, acreditando que Ele tem uma direção sábia para nos dar (Sl 17.5; 25.5; 37.23; 139.4; Pv 16.9).
 
3. A quebra de um princípio divino.
Sara não estava preocupada com a glória de Deus. Seu único objetivo fica claro quando ela diz: “assim me edificarei com filhos por meio dela” (Gn 16.2). Não estavam dispostos a esperar no Senhor e se precipitaram colocando em prática seus próprios planos. Agiram de modo a satisfazer apenas a si mesmos e não a glorificar a Deus. Não estavam obedecendo à Palavra e, certamente, não trouxeram alegria e paz para seu coração e seu lar. De acordo com costume social daquela época, era perfeitamente aceitável que Abraão tomasse Agar para ser sua segunda esposa. No entanto, nem tudo o que é permitido pela sociedade e suas leias ou que parece dar certo é aprovado pela vontade
e Deus, pois a sua Palavra está muito acima de meros costumes sociais (1Co 6.12; 10.23). Nem todos esses costumes são naturais e corretos. Em momento algum, Deus aceitou Agar como esposa de Abraão; o anjo do Senhor chamou-a de: “serva de Sarai” (Gn 16.8). Mais tarde, ela foi referida como: “essa escrava e seu filho” (Gn 21.10) e não “a esposa e o filho de Abraão”, isso porque: “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23). Deus rejeitou a trama toda, pois tinha algo muito melhor em mente para Abraão e Sara (WIERSBE, vol. 1, 2010, p. 108).
 
 
III. CONSEQUÊNCIAS DA PRECIPITAÇÃO NA FAMÍLIA DE ABRAÃO
1. Conflitos interpessoais.
As consequências de tal atitude precipitada foram desastrosas, trazendo amargura para dentro da família (Gn 16.4,5; 21.9). Agar ficou arrogante com sua senhora (Gn 16.4), e, por sua vez, Sara, ficou amarga e abusiva (Gn 16.5). O hebraico “einâ” significa: “oprimir, deprimir, afligir”. Neste caso pode significar “perseguir ou tratar mal”. Sara deve ter perseguido Agar com pesadas obrigações ou castigo corporal (MOODY, 2010, p. 53). Abraão, Sara e Agar guerreavam entre si porque estavam em guerra com o Senhor. Estavam em guerra com o Deus porque tinham desejos egoístas que guerreavam dentro do coração (Tg 4.1-10).
 
2. Transferência de responsabilidade.
De todos os conflitos, as brigas em família são as mais dolorosas e as mais difíceis de resolver. Em vez de encarar seus pecados com honestidade, cada pessoa envolvida tomou um rumo diferente como aconteceu no Éden (Gn 3.11-14). A solução de Sara foi expressar toda sua raiva culpando o marido e maltratando sua serva (Gn 16.5,6). Parecia ter se esquecido de que a ideia daquela união havia partido dela. A solução de Abraão foi ceder à esposa e abdicar da liderança espiritual de seu lar. Deveria ter se compadecido de uma serva desamparada e grávida, mas permitiu que Sara a maltratasse. Deveria ter chamado todos para o altar, mas não o fez. A solução de Agar foi fugir do problema (Gn 16.6), uma tática que todos nós aprendemos com Adão e Eva (Gn 3.8). No entanto, logo se descobre que não é possível resolver os problemas fugindo deles, mas assumindo cada um à sua culpa; e, correndo para Deus e não de Deus, para buscar a sua misericórdia (Pv 28.13).
 
3. Discórdia permanente entre irmãos.
Os acontecimentos deste capítulo mostram claramente que escolhas erradas geram problemas persistentes. O erro de Abraão criou conflitos não só entre ele e Sara (Gn 16.5; cf. Gn 21.8-21; 25.6), entre Sarai e Agar (Gn 16.5-6) mas também, entre os filhos, Isaque e Ismael e seus descendentes até os dias atuais (Gn21.8-10).
  

IV. O IDEAL DE DEUS PARA ABRAÃO E SUA FAMÍLIA
1. A família como resultado da bênção divina: “Far-te-ei uma grande nação” (Gn 12.2a).
Essa promessa deve ter parecido muito boa e, ao mesmo tempo, muito estranha para Abraão, tendo em vista que o Senhor ainda não o tinha concedido nenhum filho. Segundo essa afirmação de Deus, o patriarca foi chamado para ser o pai de uma nação inteira, um povo maior do que podia imaginar. Ele seria não apenas o progenitor humano de grande parte dos judeus, mas também o progenitor espiritual.
 
2. A família como resultado da promessa divina: “Abençoar-te-ei e engradecerei teu nome” (Gn 12.2b).
Abraão seria reconhecido publicamente (Gn 21.22-31). Como pai físico dos judeus e pai espiritual de todos os cristãos, seu nome seria proferido por muitos (cf. Jo 8.53; At 7.2; G1 3.6-9). Observemos o contraste entre Gênesis 11.1-9 e Gênesis 12.1-3. Em Babel, os homens disseram: “Façamos!”, mas para Abraão Deus disse: “Farei”. Em Babel, os homens queriam tornar seu nome célebre, mas foi Deus quem engrandeceu o nome de Abraão.
 
3. A família como resultado da prosperidade divina: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3c).
Abrão não devia guardar as bênçãos de Deus para si, mas usá-las para abençoar outros. Tal fato se concretizaria de forma suprema no nascimento do Salvador, seu descendente (Gl 4.4-5). Deve ter sido difícil para Abraão e Sara crerem que Deus iria abençoar o mundo todo por meio de um casal idoso e sem filhos, mas foi exatamente o que ele fez. Deles procedeu a nação de Israel, e de Israel procedeu a Bíblia e o Salvador. Deus reafirmou sua aliança com Isaque (Gn 26.4) e Jacó (Gn 28.14) e cumpriu-a em Cristo (At 3.25,26). A promessa de Deus a Abraão, estende-se, não somente aos seus descendentes físicos (os judeus), pois, todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl 3.7) e são abençoados juntamente com ele (Gl 3.9). Por Abraão possuir uma fé em Deus, expressa pela obediência, dele se diz que é o principal exemplo da verdadeira fé salvífica (Gn 15.6; Rm 4.1-5,16-24; Gl 3.6-9; Hb 11.8-19; Tg 2.21-23).

  
CONCLUSÃO
Como na grande maioria dos personagens da Bíblia, a vida de Abraão não foi marcada apenas por êxitos e conquistas, mas também, por erros e fracassos. Como a Bíblia é um livro imparcial, ela descreve também os erros cometidos por nosso “pai na fé”, com o intuito de nos alertar, para que não venhamos a praticá-los.
  

 
REFERÊNCIAS
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  CHAMPLIN, R. N. O AT Interpretado Versículo por Versículo. HAGNOS.
Ø  WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo Vol. 1. GEOGRAFICA.
 

Por Rede Brasil de Comunicação.
 



quarta-feira, 29 de março de 2023

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2023




 
 
SEPARADOS PARA DEUS -
Buscando a Santificação para Vermos
o Senhor e Sermos Usados por Ele.
 





 


Lição 13
 
Hora da Revisão
A respeito de “As Bênçãos de uma Vida Santificada”, responda: 

 
1. Segundo a lição, por que o ímpio não tem paz?
O ímpio não tem paz porque vive na prática do pecado.
 
2. Qual o resultado da justificação na vida do crente?
A paz com Deus.
 
3. A paz de Deus é para quem?
A paz com Deus é somente para aqueles que conservam sua vida em constante comunhão com o Todo-Poderoso (Fp 47).
 
4. Somente quem pode redimir o pecador?
Somente Jesus pode redimir o pecador de sua condição e o santificar (Rm 3.24).
 
5. Como alcançamos a graça?
A graça de Deus é alcançada somente pela fé.

 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2023




 
 
AVIVA A TUA OBRA -
O Chamado das Escrituras ao
Quebrantamento e ao Poder de Deus.
  






 


Lição 13
 

Revisando o Conteúdo
A respeito de “Aviva, ó Senhor, a tua Obra ” responda:  

 
1. O que mais angustiava o profeta Habacuque?
O que mais angustiava o profeta era o fato de perceber que Deus não havia agido prontamente contra a corrupção espiritual e moral de seu povo.
 
2. Qual foi a resposta de Deus a Habacuque?
A resposta de Deus veio de forma bem diferente daquilo que o profeta esperava. Ele, o Soberano, resolveu convocar os caldeus, ou os babilônios, para contrapor-se aos pecados e iniquidades de Judá (Hb 1.5-8).
 
3. O que Habacuque fez ao ouvir a Palavra de Deus?
Ao ouvir a Palavra de Deus, Habacuque temeu ao Senhor (3.2).
 
4. Segundo a lição, a que a expressão “temor ao Senhor” remete?
A expressão remete a reverência a Deus em todas as esferas da vida, um sentimento de profundo respeito diante do Criador.
 
5. Qual oração devemos fazer nesta geração?
Devemos fazer a mesma oração do profeta Habacuque: “na ira, lembra-te da misericórdia” (Hb 3.2).

 

sexta-feira, 24 de março de 2023

LIÇÃO 13 – AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA






Hb 3.1,2,16-19 


 
INTRODUÇÃO
Estudaremos nesta lição sobre quem foi o profeta Habacuque; pontuaremos a situação de Judá em seus dias; falaremos sobre os aspectos de sua mensagem de arrependimento e avivamento para o povo; e por fim, veremos o clamor do profeta ao povo por um avivamento nacional.
  

I. O PROFETA HABACUQUE
Asseguram os estudiosos ser Habacuque da tribo de Levi […]. O final de seu livro deixa claro que, de alguma forma, ele era também habilitado oficialmente a participar da liturgia do Templo: “[…] ao mestre de música. Para instrumento de corda” (Hc 3.19). O termo traduzido no texto citado como “instrumento de corda” é neginoth”, que tem em si a ideia de tanger um instrumento. O capítulo 3 de seu livro é um arranjo musical feito por ele mesmo. Logo, acredita-se que ele também era um levita (COELHO; DANIEL, 2012, p. 72). O comentarista da Bíblia Pentecostal diz: “A referência ao ‘cantor-mor’ sobre os instrumentos de música (Hc 3.19), sugere que ele pode ter sido um músico levita a serviço do santo templo em Jerusalém” (STAMPS, 1995, p. 1334).
 
1. Nome. O autor deste livro identifica-se como “o profeta Habacuque” (Hc 1.1; 3.1). Além disso, não oferece nenhum outro dado acerca de sua pessoa nem de sua família; e como acontece com a maioria dos “Profetas Menores”, quase nada se conhece sobre Habacuque. Ele não é mencionado em nenhum outro lugar da Bíblia (ELLISSEN, 2012, p. 372). Habacuque é um dos profetas pré-exílicos e só ele, em todas as Sagradas Escrituras, recebe esse nome, que pode significar “abraçado”, “abraço” ou “abraço amoroso”. Uma tradição dos rabinos liga o nome do profeta a 2Reiss 4.16, fazendo-o filho da sunamita: “Disse-lhe o profeta: Por este tempo, daqui a um ano, ABRAÇARÁS um filho” […]. Segundo especialistas, seu nome deriva provavelmente de um vocábulo assírio usado para designar uma planta hambakuku”. Jerônimo, no quinto século d.C., afirmou que o nome do profeta derivava de uma raiz hebraica cujo significado era “segurar”, e que recebera esse nome, ou por causa do seu amor a Deus, ou porque lutara com Ele (COELHO; DANIEL, 2012, pp. 70-71).
 
2. Livro. No livro de Habacuque o autor usa ilustrações e comparações cheias de vida (Hc 1.8,11,14,15; 2.5,11,14,16,17; 3.6,8-11). Podemos identificar na obra pelo menos três estilos literários distintos: (1) o diálogo entre o homem e Deus, o que faz lembrar uma espécie de diário (Hc 1.1—2.5); (2) um conteúdo semelhante ao dos demais livros proféticos do AT, na passagem dos cinco “ais” (Hc 2.6-20); e (3) uma parte poética, semelhante aos salmos (Hc 3). Assim, podemos dizer que ele é um diálogo, pode ser uma profecia ou um poema. O livro demonstra a grandeza e a excelência de Deus sobre todas as nações (Hc 2.20; 3.6,12), enfatizando a soberania divina. E destaca com a mesma intensidade a fé dos justos (Hc 2.4) e a exultação que deve ser dada ao Senhor (Hc 3.18,19).
 
3. Período que profetizou. Há apenas três referências históricas em todo o livro de Habacuque. A primeira se encontra na declaração: “Deus está no seu santo templo” (Hc 2.20) e a segunda, na nota ao final do livro “Ao mestre de música. Para instrumento de corda” (Hc 3.19); e em Habacuque (Hc 1.6) temos a outra referência histórica onde o texto fala da iminência de um ataque dos caldeus. Esses textos indicam claramente que o autor profetizou antes de o Templo construído por Salomão em Jerusalém ser destruído em 586 a.C. por Nabucodonosor. Por isso, a data sugerida para a profecia de Habacuque na maioria dos estudiosos bíblicos mais provável é a que se situa em 609 a.C., no fim do reinado do bom rei Josias no reino do Sul (Judá), o qual começou seu governo aos oito anos de idade (2Cr 34.1-33). “O quadro de violência, contendas e apostasias, tão generalizadas em Judá na época de Habacuque (Hc 1.2-4), parece caber dentro do período que se seguiu imediatamente após a morte de Josias, em 609 a.C” (SCHULTZ, 2009, p. 472).
 
1.4 Contemporâneos. “Habacuque foi contemporâneo de Sofonias e Jeremias em sua terra (Judá) e de Daniel na Babilônia” (MEARS, 1997, p. 282 – grifo nosso).
 
 
II. JUDÁ NOS DIAS DE HABACUQUE
O homem pode esconder seus crimes e sair ileso dos julgamentos humanos, porém jamais o culpado será inocentado diante daquele que sonda os corações (Êx 34.7) (LOPES, 2020, pp. 11-12). Notemos a situação do povo de Judá nos dias de Habacuque:
 
1. Situação política e nacional de Judá.
O império mundial da Assíria caíra exatamente como Naum havia profetizado. O Egito e a Babilônia disputavam então a posição de liderança. Na batalha de Carquemis, em 605 a.C, na qual Josias foi morto, os babilônios foram vencedores […] os juízes eram corruptos e julgavam conforme os subornos que recebiam (MEARS, 1997, p. 282).
 
2. Situação social e moral de Judá.
A reforma de Josias terminou com sua morte em 609 a.C, e as sementes de corrupção plantadas por Manassés frutificaram com rapidez sob o reinado de Jeoaquim, trazendo um desequilíbrio social muito grande […]. Judá era corrupto e estava prestes a ser julgado (ELLISSEN, 2012, p. 373).
 
3. Situação espiritual de Judá.
Os tempos de Habacuque eram críticos e as suas palavras se justificam plenamente pelo contexto político e espiritual de seu tempo. Logo depois da morte do rei Josias. Joacaz, seu filho, assume o trono, mas só reina por três meses. Faraó Neco vem da campanha em Carquemis no Egito (605 a.C), depõe Joacaz e coloca seu irmão, Jeoaquim (ou Eliaquim) no trono, em seu lugar. Judá (Reino do Sul) começa agora a pagar tributo ao Egito. A impiedade voltou a reinar como nos dias do rei Manassés (2Cr 33.1-20; 2Rs 21 1-18) e de seu filho Amom que seguiu os passos maus do pai (2Rs 21.19-26; 2Cr 33.21-25). As reformas feitas por Josias haviam tido um resultado superficial. Não atingiram o coração do povo que, mal enterrara seu bom rei, já se entregava ao paganismo (COELHO; DANIEL, 2012, p. 75).
  

III. A SITUAÇÃO DE JUDÁ NO PERÍODO DO PROFETA HABACUQUE
Os acontecimentos que acarretaram a destruição de Judá, em 586 a.C, e o exílio de seus habitantes na Babilônia estavam diretamente relacionados à incompetência política de seus líderes e à apostasia religiosa […] (2Rs21; 2Cr 34,35). Quando os assírios foram derrotados em Nínive (612 a.C), o Egito tomou o controle de Judá. Alguns anos depois (605 a.C), a Babilônia derrotou o Egito e levou os judeus cativos para sua terra (2Rs 24.18-25.12) (SCHULT; SMITH, 2005, p. 227). A situação de Judá neste período era: a) Os justos e os pobres eram oprimidos (Hc 1.4;13-15); b) O povo vivia em pecado aberto (Hc 2.4; 14-15); e, c) Havia adoração aos ídolos (Hc 2.18-19). Habacuque tem sido denominado de “o livro que começou a Reforma” (ELLISSEN, 2012, p. 375). Reflitamos o porquê da punição do Senhor contra Judá:
 
  • O sofrimento é fruto diretamente do pecado (Gn 3. 13-19; Rm 5.12; 3.23; 8.20);
  • Deus não é o culpado pelo sofrimento do povo (Pv 26.2; Lm 1.8,9,14,18,20,22);
  • Existe a lei da semeadura (Pv 22.8; Jó 4.8; Mt 7.1-2; 2Tm 3.13; Gl 6.7-8; 2Co 9.6);
  •  A situação trágica de Judá foi causa dos seus próprios pecados (Jr 26.7-11,16; Lm 4.13; Jr 42.14; Lm 4.17);
  • O homem queixa-se dos seus próprios pecados (Gn 50.20; Lm 3.39; Pv 19.3; Mq 7.9).
 
 
IV. CARACTERÍSTICAS DE UM AVIVAMENTO EM HABACUQUE
1. Oração profunda: “Oração do profeta Habacuque […]” (Hc 3.1).
Todos os avivamentos da Bíblia e da história da Igreja foram marcados e conservados na atmosfera da oração, jejum, arrependimento, confissão espontânea, quebrantamento de espírito, humilhação diante de Deus e santidade. Precisamos intensificar também a nossa oração intercessória pessoal pela obra de Deus, como fez Habacuque.
 
2. Amor a Palavra de Deus: “Ouvi, Senhor, a tua Palavra […]” (Hc 3.2a).
A Palavra de Deus abundante, fluente, poderosa, revigorante e renovadora é o grande agente divino para o avivamento.
 
3. Renovação espiritual: “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos” (v.2b).
Precisamente falando, avivar, tem a ver com quem já morreu, e reavivar, com quem ainda tem vida. Vários membros da igreja de Sardes tinha nome no rol dos vivos, mas estavam mortos espiritualmente falando (Ap 3.1). A nova vida em Cristo é chamada ressurreição (Cl 3.1; 2.13; Ef 2.1; 5.14).
 
4. Temor de Deus: “[…] e temi” (Hc 3.2c).
Sem renovação espiritual constante na sua vida, o crente perde aos poucos o repúdio ao pecado, sua sensibilidade espiritual diminui e o temor de Deus também. Isso afeta seriamente as coisas de Deus, os valores espirituais, principalmente a santidade de vida e a retidão no viver cotidiano. Se humilhados, clamarmos a Deus dia e noite, haveremos de reviver o grande avivamento (2Cr 7.14,15).
 
5. Verdadeira adoração: “a sua glória cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor” (Hc 3.3c).
Não é louvor artificial, cânticos e músicas sem unção divina, sem mensagem bíblica, sem endereço certo, com letra deturpada, com melodia e ritmo copiados do mundo, e que só satisfazem a carne. O real avivamento santifica também o louvor a Deus (Sl 150.2).
 
6. Presença da glória de Deus: “Raios brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o esconderijo da sua força” (Hc 3.4). Três alusões ao poder avivador de Deus: a) “Raios” é literalmente “chifres”, que na simbologia bíblica fala de poderio; b) “Sua mão” reflete poder; uma figura muito difundida na Bíblia; e, c) “Sua força”, o poder do Senhor que sempre opera nos avivamentos.
 
7. Distanciamento do pecado: “Parou, e mediu a terra” (Hc 3.6).
O ato de medir, em textos como estes, fala de julgamento de pecado. De fato, os avivamentos bíblicos e da história da Igreja sempre conduzem o povo de Deus a uma maior santidade prática de vida (1Pd 1.16). A nossa decisão firme de romper com todo pecado e apegar-se à santidade, quando da nossa conversão, deve continuar pelo resto da vida (Ef 5.18).
 
 
CONCLUSÃO
Aprendemos com o profeta levita, que no avivamento bíblico registrado em Habacuque, a oração (cap. 1), a fé (cap.2) e o louvor (cap.3) são elementos preciosos que se completam. Busquemos ao Senhor incessantemente por este avivamento, e ele certamente virá.
  
 
 
REFERÊNCIAS
Ø  COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Os Doze Profetas Menores. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
Ø  SCHULTZ, S. J. A História de Israel no Antigo Testamento. VIDA NOVA.
Ø  MEARS, Henrieta C. Estudo Panorâmico da Bíblia. VIDA.
Ø  SCHULTZ, SAMUEL J; S. G. V. Curso Vida Nova de Teologia Básica. MUNDO CRISTÃO.
Ø  LOPES. Hernandes Dias. Habacuque: como transformar o desespero em cântico de vitória. HAGNOS.   


Por Rede Brasil de Comunicação.

 
 

terça-feira, 21 de março de 2023

LIÇÃO 13 - AVIVA, Ó SENHOR, A TUA OBRA (V.01)


Vídeo Aula - Pastor Ciro

 

QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2023




 
 
SEPARADOS PARA DEUS -
Buscando a Santificação para Vermos
o Senhor e Sermos Usados por Ele.




 


 


Lição 12
 
Hora da Revisão
A respeito de “Uma Vida Cheia do Espírito”, responda:
 

1. Transcreva um texto das Escritura Sagradas que destaca a segurança do crente em Cristo.
Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito (Rm 8.1).
 
2. Como um crente avivado evidencia sua comunhão com Cristo?
Um crente avivado evidencia sua comunhão com Deus mediante o fruto do Espírito (Gl 5.22).
 
3. Segundo a lição, qual era a função da Lei?
A Lei tinha a função de apontar o pecado e era incapaz de impedir seu efeito.
 
4. Quais são os dois grupos em que Paulo divide as pessoas?
Os que vivem segundo a carne e os que se habituam a viver segundo o Espírito Santo.
 
5. O que as pessoas, que vivem segundo a carne, priorizam?
As pessoas que vivem segundo a carne buscam atender os seus desejos e instintos. Elas não têm o compromisso com o Reino de Deus, pois priorizam fazer tudo segundo o seu “eu”.



QUESTIONÁRIOS DO 1° TRIMESTRE DE 2023




 
 
AVIVA A TUA OBRA -
O Chamado das Escrituras ao
Quebrantamento e ao Poder de Deus.



 
  





Lição 12
 

Revisando o Conteúdo
A respeito de “Vivendo no Espírito” responda: 

  
1. Qual o sentido do verbo “andar” na Bíblia?
Na Bíblia, o verbo andar tem o sentido figurado de viver, experiência, praticar e conduzir na vida espiritual.
 
2. De que a natureza carnal é alimentada?
A natureza carnal, herdada de Adão, é alimentada pela concupiscência da carne.
 
3. Segundo os termos bíblicos, o que é “carne”?
Em termos bíblicos, do grego sarx, “a carne” é a natureza decaída do homem, cuja inclinação é a prática do que não agrada a Deus.
 
4. O que são as características essenciais para a vida e o caráter cristão?
Dons e fruto do Espírito são características essenciais para vida e caráter cristão.
 
5. O que quer dizer “temperança”?
Temperança (gr. egkrateia) quer dizer autocontrole, domínio próprio, e qualidade elevadíssima no relacionamento com os outros, com situações e fatos diversos na vida (Tt 1.8; 2 Pe 1.6).