sábado, 26 de dezembro de 2015

LIÇÃO 13 – JOSÉ, A REALIDADE DE UM SONHO

  



Gn 45.1-8  


INTRODUÇÃO
O livro do Gênesis encerra falando de José - um dos personagens bíblicos mais admirados pelo seu bom caráter. Nesta lição, traremos importantes informações a respeito deste nobre hebreu; destacaremos os motivos que levaram seu pai a tê-lo em grande estima acima dos outros filhos; veremos também algumas virtudes que compunha a índole de José; pontuaremos que apesar dos sofrimentos, Deus tinha um propósito sublime com ele; e, por fim, elencaremos sua profecia acerca da visitação divina para conduzir o povo de Israel a terra prometida.


I. INFORMAÇÕES SOBRE JOSÉ
“José, cujo nome provavelmente significa: 'que Deus acrescente' (Gn 30.24), foi o décimo primeiro filho do patriarca Jacó com a sua esposa Raquel. Seu nome reflete o papel de sua vida na nação de Israel. Foi o agente de Deus na preservação e na prosperidade de seu povo no Egito, durante o período de fome na terra de Canaã” (GARDNER, 1999, p.377 – acréscimo nosso). O livro do Gênesis contém cinquenta capítulos, sendo que treze são dedicados a história de José, igualando-se até mesmo a história do patriarca Abraão. “A sua história é tão notavelmente dividida entre a sua humilhação e a sua exaltação, que podemos ver nela alguma semelhança com Cristo, que primeiro foi humilhado e depois exaltado. Em muitos casos, José tipificou o Senhor Jesus” (HENRY, 2010, p. 178).

1.1 O filho predileto de Jacó (Gn 37.3). É bom destacar que a frase: “Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos” não significa dizer que Jacó não amava os outros filhos, apenas acrescenta que em relação a José o seu pai Jacó tinha um amor maior. A Escritura parece nos indicar o porquê deste amor diferenciado, eis alguns motivos:

CAUSAS DO AMOR DISTINTO DE JACÓ POR JOSÉ

EXPLICAÇÃO E REFERÊNCIAS





NATURAIS

A Bíblia nos mostra que os filhos de Jacó tinham comportamentos inadequados que revelavam um caráter defeituoso. Simeão e Levi, por exemplo, tramaram a morte dos habitantes de Siquém (Gn 34.25; 49.5). Os filhos de Bila (Dã e Naftali) e Zilpa (Gade e Aser) enganavam o pai (Gn 37.2). Rúben, apesar de ser o primogênito de Jacó e, portanto, o herdeiro de tudo quando este viesse a falecer, pecou contra o seu pai, ao deitar-se com a sua concubina, o que o levou a ser deserdado (Gn 49.3,4). Os demais filhos eram igualmente maus, com exceção de Benjamin, pois tramaram a morte de José (Gn 37.20-27). Sem dúvida, o bom caráter de José em relação ao dos seus irmãos, conquistava a afeição de Jacó (Gn 37.2).


EMOCIONAIS

Era filho de sua esposa favorita, Raquel, gerado quando ele já estava em idade avançada. Jacó tinha esperado, por vinte e sete anos, um filho da parte de sua amada Raquel. Assim, quando José nasceu, isso constituiu um acontecimento especial (Gn 30.22-24).



 ESPIRITUAIS

Sem sombra de dúvida, Jacó tinha percepção espiritual para perceber que de todos os seus filhos, José tinha sido escolhido para uma obra específica que traria bênçãos para toda a família. Isto podemos depreender a partir do presente que ele deu a José (Gn 37.3). “A túnica especial que José ganhou de seu pai significava uma posição de autoridade e predileção” (WALTON, et al, 2003, p. 68).

   
II. VIRTUDES DO CARÁTER DE JOSÉ DESTACADAS PELA BÍBLIA
2.1 Obediente ao pai (Gn 37.2).
O presente versículo nos mostra que diferente dos filhos de Bila e Zilpa, José se mostrou obediente ao seu pai, ao ponto de observando e relatando para Jacó as atitudes erradas dos seus irmãos, quanto ao que eles de fato faziam com as ovelhas de seu pai. “Não se sabe quais seriam as denúncias, mas podemos entender que se deixavam envolver em alguma conduta inconveniente. Autores judeus, dizem-nos que eles negligenciavam seus rebanhos, praticando atos abomináveis de imundícia, comendo criaturas que eles mesmos haviam mutilado ou que as feras tinham atacado, ou porções proibidas das ovelhas” (CHAMPLIN, 2001, p. 235 – acréscimo nosso). A Bíblia nos mostra que honrar os pais se constitui num princípio moral tanto para o AT quanto para o NT (Êx 20.12; Ef 6.1; Cl 3.20).

2.2 Bom funcionário (Gn 39.1-5).
Ao ser vendido para o Egito, José foi comprado pelo superintendente de Faraó, chamado de Potifar. A Bíblia nos mostra que José foi um excelente funcionário deste egípcio, ao ponto de achar graça diante dos seus olhos. Ganhando a confiança do patrão com um excelente e próspero trabalho, José foi promovido a ser mordomo de tudo quanto era de Potifar. Assim como José, todo aquele que trabalha é exortado pelas Escrituras a servir de forma agradável aos seus superiores como ao Senhor (Ef 6.5,6; Cl 3.22; I Tm 6.1; Tt 2.9; I Pe 2.18).

2.3 Fidelidade (Gn 39.7-12).
Após o relato da prosperidade de José na casa do seu senhor, a Bíblia nos mostra que a mulher de Potifar se sentiu atraída por ele (Gn 39.7). A concupiscência dos olhos: “pôs os seus olhos em José”; a concupiscência da carne: “Deita-te comigo”; e, a soberba da vida: “a mulher do seu senhor” inflamaram-na ao ponto de querer relacionar-se sexualmente com o escravo hebreu (Gn 39.7). Todavia, a sutil e ardilosa proposta desta mulher, sofreu recusa do jovem José “porém ele recusou” (Gn 39.8a). Sua fidelidade a Deus e ao seu patrão eram o suficiente para ele não ceder à tentação (Gn 39.8,9). Ela insistiu em convidá-lo a pecar, mas ele resistiu “[...] falando ela cada dia a José, e não lhe dando ele ouvido [...]” (Gn 39.10). Não se dando por satisfeita, a mulher de Potifar tramou ficar sozinha com ele em determinada ocasião e foi ao seu encontro para forçá-lo a coabitar com ela, mas a resolução de José o fez fugir daquela investida (Gn 39.12b). A mulher ardendo em ira acusou-o diante de seu marido e funcionários que José havia tentado estuprá-la. Ele foi sentenciado à cadeia por este tão grande mal (Gn 39.14-20). “A punição menor, dada a José, de acordo com os intérpretes judeus, significou que Potifar acreditou em José, mas, a fim de poupar sua esposa de maior embaraço, sacrificou-o, embora por meio de um castigo mais brando do que seria de se esperar” (CHAMPLIN, 2001, p. 246). Sejamos fiéis a Deus custe o que custar (Pv 3.3; Dn 3.17,18; 6.3,4,22; Ap 2.10).

2.4 Homem de confiança (Gn 39.20-23).
José foi sentenciado à prisão. O trecho do salmo 105.18 indica que os pés de José ficaram presos com grilhões de ferro. No entanto, ele não entrou sozinho lá, o Senhor estava com ele e estendeu sobre a ele a sua graça. Mesmo acusado de tentar violar a esposa do seu patrão, José destaca-se por ser um homem leal ao ponto de ganhar a confiança do carcereiro. A confiança que José conquistou por parte do carcereiro era tão grande que ele outorgou a administração do cárcere ao jovem hebreu. Sejamos homens em quem se pode confiar (Pv 28.20; Tt 2.10).

2.5 Humildade (Gn 41.33-36).
Após dois anos na cadeia, José foi chamado por Faraó para interpretar o sonho que este monarca teve. José, quando interpelado por Faraó se tinha a habilidade de interpretar sonhos respondeu humildemente: “Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” (Gn 41.16). Após dar a interpretação, José sugere que Faraó escolha um homem sábio e inteligente para ser levantado no Egito como administrador da prosperidade dos sete anos de abundância a fim de que o Egito possa durante os anos de fome tivesse o que comer. José não diz que este homem é ele. No entanto, o imperador egípcio reconheceu que este era o homem que ele estava precisando, por isso o nomeou como governador de todo o Egito (Gn 41.37-46). A humildade está associada a uma consciência de que tudo que temos ou somos vem do Senhor. Provérbios nos exorta a trilhar o caminho da humildade (Pv 15.33; 18.12; 22.4).

2.6 Perdoador (Gn 45.1-5).
Os sete anos de abundância sobrevieram à terra do Egito como fora predito, e agora, os sete anos de fome começavam a chegar. Segundo o que estava previsto a fome foi tão grave que superou os anos de prosperidade. Ela atingiu não somente o Egito, como também todas as terras (Gn 41.57). Segundo o Dr. Norman Champlin (2001, p. 257), “Não o globo terrestre inteiro, mas a terra conhecida pelo autor do livro de Gênesis, ou seja, o Egito, a Arábia, a Palestina e a Etiópia, as nações que pediriam socorro ao Egito”. É nesse momento que a descendência de Jacó vem ao Egito a fim de pedir socorro a Faraó, sem saber que José era o seu administrador. José reconhece os seus irmãos, beneficia-os e depois de prová-los revela-se como seu irmão e os perdoa por sua maldade (Gn 45.1-5). O perdão é uma característica presente na vida daquele que tem o amor de Deus em seu coração (Mc 11.25; Ef 4.32; Cl 3.13).


III. O PLANO DE DEUS ATRAVÉS DE JOSÉ
José deve não ter entendido o porquê de logo após ter recebido de Deus dois gloriosos e proféticos sonhos, sua vida ter sido acometida de vários sofrimentos. Deus havia mostrado apenas o final do caminho, no entanto, o Senhor não mostrou o caminho, que incluía: ser invejado (Gn 37.11); maltratado (Gn 37.23,24); vendido como escravo (Gn 37.28); tentado a pecar (Gn 39.7-10); e, prisioneiro em um cárcere por dois anos (Gn 41.1). Treze anos haviam se passado entre o sonho e cumprimento (Gn 37.2; 41.46), e, somente quando se viu exaltado como governador do Egito, José pode compreender que o plano de Deus com a sua vida era para: (a) livrar o povo de Israel da fome que viria (Gn 45.5-7); (b) trazer o povo de Israel para o Egito (Gn 45.9-11); e, (c) cumprir a promessa feita a Abraão (Gn 15.13,14; Êx 3.16).


IV. O CUMPRIMENTO DA PROMESSA DE DEUS COM A NAÇÃO DE ISRAEL
Apesar de ter abrigado Jacó e seus descentes confortavelmente em Gósen no Egito, José sabia que o seu povo não ficaria ali para sempre. Já próximo da sua morte, José deu duas declarações que merecem ser destacadas: (a) a profecia de José (Gn 50.25a). Este servo do Senhor conscientizou os hebreus que no tempo certo Deus iria intervir no Egito tirando-os de lá, para conduzi-los de fato a uma terra permanente; e, (b) a esperança de José (Gn 50.25b). José deixou o mundo dando testemunho de sua fé na promessa de que Israel voltaria a Canaã, pois ordenou que seu corpo fosse embalsamado a fim de ser levado para a Palestina. Seu pedido fora realizado anos mais tarde por Moisés e Josué (Êx 13.19; Js 24.32).


CONCLUSÃO
Deus tem o homem certo para cumprir seus propósitos. É o que podemos afirmar a partir da história de José. A despeito das incompreensões e sofrimentos que teve de passar, Deus em todo tempo, conduziu de forma sábia a sua história, a fim de livrar o seu povo da aniquilação cumprindo a promessa que fez a Abraão, Isaque e Jacó.



REFERÊNCIAS
Ø  CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø  GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.
Ø  HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  WALTON, John, et al. Comentário Bìblico Atos: Antigo Testamento. ATOS. 


Por Rede Brasil de Comunicação.


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