Jo 1.1-14
INTRODUÇÃO
O
Evangelho segundo João é ímpar entre os quatro Evangelhos. Relata muitos fatos
do ministério de Jesus na Judéia e em Jerusalém que não se acham nos Sinóticos,
e revela mais a fundo o ministério da sua pessoa. Nesta primeira lição,
introduziremos o estudo sobre o evangelho conforme escreveu João destacando
importantes informações; pontuaremos como Jesus é apresentado neste evangelho,
enfatizando sua divindade, preexistência, encarnação, rejeição e aceitação. E,
por fim, destacaremos sua singularidade em relação aos sinóticos.
I. O EVANGELHO DE JOÃO
1.
Autoria.
Há
um consenso quase unânime na história da igreja, por meio de evidências
externas e internas, que essa carta foi escrita pelo apóstolo João. Muito
embora o nome do apóstolo não apareça de forma explicita, no quarto evangelho,
João se refere a si mesmo como: “discípulo”, “outro
discípulo”, “o discípulo a quem Jesus amou”, “aquele
que se reclinou sobre o peito de Jesus” e o nome João no hebraico
significa: “amado de Deus”. Esse foi o caminho mais modesto de
João apresentar-se. João era filho de Zebedeu, um pescador, e de Salomé (Mc
15.40; 16.1; cf. Mt 27.56). Ele recebeu o chamado para ser discípulo de Jesus
Cristo (Mt. 4:21–22; Lc. 5:1–11). Jesus também o chamou e seu irmão de
Boanerges, “filhos do trovão” (Mc. 3:17). Pensa-se que era mais jovem do que
seu irmão, Tiago. Evidentemente, eram os membros da família de Zebedeu pessoas
que detinham posses. Eles haviam contratado empregados (Mc 1.20) e, de acordo
com João 19.27, João cuidou de Maria após a morte de Jesus. João fazia parte do
círculo íntimo de discípulos, juntamente com seu irmão, Tiago e Pedro (Mt
17.1-8; Mc 9.2-8; Lc 9.28-36,49ss.; 22.8). Mais tarde João foi exilado na ilha
de Patmos, onde ele escreveu o livro de Apocalipse (Ap. 1:9). Foi presbítero em
Éfeso e morreu em idade avançada é conhecido também como o apóstolo do amor;
Paulo chamava João de uma das colunas (Gl 2.9).
2.
Propósito do Autor.
O
propósito do autor é claramente declarado: “Jesus, pois, operou também,
em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos
neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo
20.30-31).
3.
Tema do livro.
João
planejou intencionalmente a sua escrita selecionando e colocando em ordem os
eventos e as palavras, a fim de mostrar que o Logos de Deus, o Verbo encarnado,
é o cumprimento completo e final de tudo o que está prefigurado na lei e nos
profetas. Embora João não registre a própria declaração de Jesus (Mt 5.17) a
este respeito, ele demonstrou por “sinais” cuidadosamente
escolhidos que Jesus veio para cumprir tudo o que fora dito.
4.
Contexto e Data.
Segundo
testemunhos antigos, os presbíteros da igreja da Ásia Menor pediram ao
venerável ancião e apóstolo João, residente em Éfeso, que escrevesse este
evangelho para contestar e refutar uma perigosa heresia concernente à natureza,
pessoa e deidade de Jesus, propagada por um certo judeu de nome Cerinto. Quanto
a data em que este evangelho foi escrito, evidências apontam de forma bastante
consistente para uma data em torno de 95 d.C.
II. JESUS NO EVANGELHO CONFORME
ESCREVEU JOÃO
O
propósito de João é, claramente, advertir os leitores acerca do perigo dos
falsos ensinos do gnosticismo, que ensinava que Deus, sendo o bem perfeito, não
poderia ter criado o mundo físico (que é mau); portanto, o Cristo, sendo divino,
não poderia ter encarnado. Contra esta heresia, João enfatiza algumas verdades
sobre Jesus. Vejamos:
1.
Ele é Deus (Jo 1.1).
Ele
foi chamado de Emanuel, que significa: “Deus conosco” (Is 7.14;
Mt 1.23). Pedro testificou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”
(Mt 16.16), e chamou-O de “o Santo” (At 3.14) e de “nosso
Deus e Salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1). Paulo disse que Jesus era o
próprio Filho de Deus (Rm 8.32) e falou da glória do “grande Deus e nosso
Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). João escreveu que Jesus é o verdadeiro
Deus (1Jo 5.20). Deve destacar-se ainda que Jesus tinha também as prerrogativas
divinas, tais como: poder para perdoar pecados (Mt 9.2; Lc 7.48); receber
adoração (Mt 8.2; 9.18; 15.25; Mc 5.6; 9.38; Ap 5.8; 5.13); autoexistência (Jo
5.26). Portanto Jesus não é um ser criado antes da criação de todas as coisas,
como ensinou mais tarde Ário de Alexandria e como ensina hoje as “Testemunhas
de Jeová”.
2.
Ele é Criador (Jo 1.3,10).
Qual
a relação de Jesus com a criação do cosmo? João afirmou que: “Todas as
coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”
(Jo 1.3); e, Paulo diz também que além de Criador é Herdeiro (Cl 1.16-b); e,
Sustentador (Cl 1.17). A expressão “primogênito da criação” (Cl
1.15) ou “princípio da criação de Deus” não quer dizer que Jesus
é o primeiro ser criado, mas que é herdeiro de tudo, pois o primogênito era o herdeiro
(Gn 27.19); e, “princípio” significa: origem, causa primeira e
Senhor de toda a criação de Deus. O Escritor aos Hebreus nos revela que Cristo
é o: a) Herdeiro de tudo (Hb 1.2-a); b) Criador do mundo (Hb
1.2-b); e, c) Sustentador do universo (Hb 1.3b). O Verbo é um ser
incriado (Mq 5.2; Is 9.6; Jo 8.58; Cl 1.16,17; Hb 1.10-12; Ap 1.8,11).
3.
Ele é Luz (Jo 1.4,5,9).
Jesus,
o Filho de Deus, veio ao mundo como a revelação especial de Deus: “E a
luz resplandece nas trevas” (Jo 1.5a). Quando Ele nasceu, se cumpriu a
profecia de Isaías que dizia: “O povo que andava em trevas, viu uma
grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu
a luz” (Is 9.2). Confira: (Mt 4.16). Ele mesmo declarou ser a Luz do
Mundo (Jo 8.12; 9.5; 12.46). A luz traz a revelação aos que estão em trevas,
para que vejam suas próprias obras e decidam seguir ao Deus verdadeiro (Jo
3.21).
4.
Ele é o Verbo.
O
apóstolo João inicia o Evangelho apresentando Cristo com o termo grego “Logos”
(Jo 1.1), que significa “palavra” e nos revela que, na
época da criação, o Verbo já existia: “... o Verbo estava com Deus e o
Verbo era Deus” (Jo 1.1) o que significa dizer que nunca houve um
período em que o “Logos” não existisse juntamente com o Pai. O Filho
Eterno era antes de sua manifestação histórica. Ele nunca passou a existir,
porque ele sempre existiu em comunhão perfeita com o Pai, na harmonia do amor
da trindade divina (Jo 17.24). Acerca do Verbo João nos fala sobre:
a) A encarnação do
Verbo (Jo 1.14).
João introduz o
evangelho dizendo que “o Verbo era Deus” (Jo 1.1), mas também que
“o Verbo se fez carne” (Jo 1.14). O mesmo apóstolo diz que na
ceia “recostara sobre o seu peito” (Jo 21.20); e, que “ouviu”,
“viu”, “contemplou”, e, “tocou” o
Verbo da Vida (1Jo 1.1). Paulo, por sua vez, declarou que Jesus “que,
sendo em forma de Deus [...] esvaziou-se a si mesmo [...] fazendo-se semelhante
aos homens” (Fp 2.6,7). Os escritores do NT deixaram claro que Jesus
tinha todos os atributos físicos dos homens, a saber: ele nasceu de uma mulher
(Rm 1.3; Gl 4.4); cresceu fisicamente (Lc 2.52); dormiu (Mt 8.24); comeu (Lc
24.43); sentiu fome (Lc 4.2); sede (Jo 4.7; 19.28); teve cansaço físico (Jo
4.6); chorou (Jo 11.35); sorriu (Lc 10.21) e, foi tentado (Mt 4.1; Lc 22.28; Hb
4.15). Ao se fazer homem, Jesus tornou-se tríplice, constituído de corpo (Mt
26.12; Hb 10.5), alma (Is 53.11,12; Mt 26.38; Jo 12.27), e, espírito (Mt
27.50).
b) A rejeição e
aceitação do Verbo (Jo 1.11,12).
Ele
veio para o que era seu, ou seja, o povo hebreu. Mas o resultado, a resposta
deste povo à ação de Deus, foi a recusa em recebê-lo. Embora não todos (Rm
11.1-3). Na Encarnação, Deus fez a provisão adequada para que os homens tenham
o direito — baseado na autoridade e no poder apropriados — de se tornarem
filhos de Deus. Tal direito não é uma capacidade humana inerente, separada da
graça de Deus. É dado por Deus. Somente os homens que o recebem, i.e., aqueles
que têm fé, são filhos de Deus. A autorrevelação de Deus é universal; é para
todos os homens, mas a resposta do homem, não. Nem todos os homens têm fé.
III. A SINGULARIDADE DO EVANGELHO DE
JOÃO
Basta
ler o quarto Evangelho na forma mais superficial para comprovar que é muito
distinto dos outros três. Omite muitas coisas que outros incluem. O
quarto Evangelho não menciona o nascimento do Jesus, seu batismo e suas
tentações; Não nos diz nada a respeito da Última Ceia, nada do
Getsêmani, nada sobre a Ascensão; Não diz uma só palavra a
respeito da cura de pessoas possessas por demônios ou espíritos malignos.
E, o que possivelmente resulta mais surpreendente não contém nenhuma
parábola, nenhuma dessas histórias que Jesus contou e que formam uma
parte de valor inapreciável nos outros três Evangelhos; João dá uma versão
diferente da duração do ministério do Jesus. Os outros três Evangelhos implicam
que o ministério de Jesus só durou um ano. Dentro do ministério só há uma
Páscoa. Em João há três páscoas, uma durante a purificação do
templo (João 2:13); uma próxima à alimentação dos cinco mil (João 6:4); e a
última páscoa durante a qual Jesus foi crucificado.
A
estrutura do quarto evangelho tem seu ponto culminante nesta passagem: Na
verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão
escritos neste livro. Estes, porém foram registrados para que creiais que Jesus
é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome (20.30,31).
Daí depreendemos alguns fatos básicos: a) João sabia de outros
fatos da vida de Cristo, que propositadamente ele não historiou; b) O
material por ele incluído em seu evangelho visa a mostrar a deidade de Jesus; c)
A deidade de Jesus integra da fé cristã. A vida eterna só pertence aos
crentes na deidade de Cristo.
CONCLUSÃO
De
forma distinta aos outros evangelhos, João tem a preocupação em seus escritos
enfatizar a perfeita divindade e humanidade de Jesus. Os sinais que operou
enfatizam que Ele é o Filho de Deus que havia de vir ao mundo. Para João, Jesus
era a mesma figura divina que estava no princípio de todas as coisas, quando
Deus criou o universo. Em vez de começar com o nascimento de uma criança,
inicia com o nascimento do próprio mundo, como Paulo descreveu em (Cl.
1.15-17). Portanto, que neste trimestre possamos imergir na teologia, doutrina
e beleza literária deste evangelho tão singular.
REFERÊNCIAS
Ø BLOMBERG, Craig L. Introdução
aos Evangelhos. VIDA NOVA.
Ø CARLSON, D.A. O comentário de
João. SHEED PUBLICAÇÕES.
Ø CHAMPLIN, R. N. Dicionário de
Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø OLIVEIRA, Raimundo. As Grandes
Doutrinas da Bíblia. CPAD.
Ø PEARLMAN, Myerl. Conhecendo as
Doutrinas da Bíblia. VIDA.
Ø SWINDOLL, Charles R. Comentário
Bíblico de João. HAGNOS.
Ø STAMPS, Donald C. Bíblia de
Estudo Pentecostal. CPAD.
Por
Rede Brasil de Comunicação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário