domingo, 14 de junho de 2015

LIÇÃO 11 – A ÚLTIMA CEIA





Lc 22.7-20




INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a cerimônia de adoração mais solene da Fé Cristã: a Santa Ceia. Esta foi instituída logo após a celebração da páscoa judaica, e inicio de outra festa judaica – a festa dos pães asmos. Ambas as festas apontavam para a celebração da Ceia do Senhor. Por isso, nesta aula abordaremos de forma abrangente tanto a páscoa judaica como sua relação com a festa dos pães asmos. Em Seguida, abordaremos também abrangentemente a mais importante de todas as celebrações cristãs – A Ceia do Senhor. Desejo a todos uma excelente aula!

   
I. A INSTITUIÇÃO DA PÁSCOA
A Páscoa foi instituída pelo Senhor para que os israelitas celebrassem a noite em que Deus poupou da morte todos os primogênitos hebreus (Êx 11.4-7). É uma festa repleta de significados tanto para os judeus quanto para os cristãos. Porém, muitos ainda sentem dificuldade em responder: “O que é a Páscoa?”.

1. Que é a Páscoa?
A Páscoa é para Israel o que o dia da independência é para um país, e mais ainda. A palavra "Páscoa" do hebraico “Pessach” significa "Passar por cima”, pois o anjo destruidor passou por cima das casas onde havia sido aplicado o sangue nas ombreiras e na verga da porta (Êx 12.12,13,23). Os judeus deveriam comemorar a Páscoa no mês de Abibe (corresponde à parte de março e parte de abril em nosso calendário), cujo significado é “espigas verdes”. Este mês, Abibe, passou a chama-se Nisã após o exílio (Ne 2.1; Et 3.7). Portanto, a Páscoa é uma das mais importantes festas do povo hebreu em que comemoravam a saída do Egito (Êx 12.14,), e se constituiu em primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional (Êx 12.2). Vejamos, pois, no quadro abaixo o significado desta importantíssima festa para os egípcios, os israelitas e os cristãos:

A PÁSCOA
A Páscoa
Seu Significado

Para os egípcios

Significava o juízo divino sobre o Egito.

Para os israelitas

A saída do Egito, a passagem para a liberdade.

Para os cristãos

É a passagem da morte dos nossos pecados para a vida de santidade em Cristo. 

Além do livramento no Egito (da décima praga) e do Egito (da servidão egípcia), a páscoa se constituiu no primeiro dia do ano religioso dos hebreus e o começo de sua vida nacional. A páscoa foi um marco na historia dos hebreus, pois ela representou a última noite em que os hebreus passaram como escravos na terra do Egito. Até então o ano judaico tinha começado com o mês de Tisri, perto do equinócio do outono. O mês em que sucedeu a saída, o mês de Abibe, era no equinócio da primavera. Os judeus começavam agora seu ano civil no mês de Tisri (setembro-outubro), mas seu ano sagrado começava no mês de Abibe (março-abril).

2. Os Elementos da Páscoa
Ao instituir a páscoa judaica, o Senhor instruiu a Moisés sobre quais seriam os elementos que compunham a refeição da páscoa. O texto de Êxodo 12.8 diz: “Naquela noite comerão a carne assada ao fogo, com pães asmos e ervas amargas”. Este cardápio indicado pelo Senhor possui, por sua vez, um simbolismo grandioso. Vejamos:

        ü  O cordeiro. Um cordeiro sem defeito deveria ser morto e o sangue derramado nos umbrais das portas das casas. O sangue era uma proteção e um símbolo da obediência. A desobediência seria paga com a morte. O cordeiro da Páscoa judaica era uma representação do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). O sangue de Cristo foi vertido na cruz para redimir todos os filhos de Adão (1Pe 1.18,19). Aquele sangue que foi derramado no Egito, e aspergido nos umbrais das portas, aponta para o sangue de Cristo que foi oferecido por Ele como sacrifício expiatório para nos redimir dos nossos pecados.

           ü  O pão. Deveria ser assado sem fermento, pois não havia tempo para que o pão pudesse crescer (Êx 12.8,11,34-36). A saída do Egito deveria ser rápida. A falta de fermento representa a purificação, a libertação do fermento do mundo (Lv 2.11). Em o Novo Testamento vemos que Jesus utilizou o fermento para ilustrar o falso ensino dos fariseus (Mt 16.6, 11,12; Lc 12.1; Mc 8.15). Além disso, o pão sem fermento, também, simbolizava a sinceridade e a verdade (I Co 5.6-8). O pão asmo é feito somente de farinha de trigo e água.

          ü  As ervas amargas (Êx 12.8). Simbolizavam toda a amargura e aflição enfrentadas no cativeiro. Foram 430 anos de opressão, dor, angústia, quando os hebreus eram cativos do Egito (Êx 1.14). A tradição judaica menciona alface, escarola, chicória, hortelã e dente-de-leão como essas ervas. 

3. A Liturgia da Páscoa
O Senhor não apenas disse a Moisés o que os filhos de Israel deviam comer nesta celebração, mas, também, instruiu como eles deveriam comer: “Assim comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão. Comê-lo-eis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor” (Êx 12.11). Observar-se que em tal celebração havia toda uma postura para que a mesma fosse realizada corretamente; postura essa, que envolvia a higiene corporal (lombos cingidos), troca das vestes (sapatos nos pés) e a indicação de quem ia partir com pressa (cajado na mão). Além disso, esta celebração embora fosse realizada no dia 14 de Abibe de cada Ano (Êx 12.6; 13.10), seus preparativos iniciavam-se 4 dias antes, ou seja, no dia 10 de Abibe (Êx 12.3). Isto também fazia também da liturgia!
Após trinta e dois séculos, a liturgia da páscoa judaica sofreu alterações sem, contudo, sofrer perda de seu significado para os judeus. O Pr. Gonçalves em seu livro ‘Lucas – O Evangelho do Homem Perfeito’, menciona a liturgia da páscoa com base na Enciclopédia Judaica e diz: Ainda no final do século I o Patriarca judeu Raban Gamaliel destaca que a Páscoa não era um ritual a ser vivido apenas por uma geração, mas por todos os judeus ao longo da história: “Em cada geração cada um deve encarar-se a si próprio como se também ele houvesse saído do Egito. Não foram só os nossos antepassados que o Santificado redimiu naquela ocasião, mas através deles, a nós todos”.
Essa ideia é expressa de maneira tocante na oração aramaica do Seder (serviço doméstico que inicia a celebração do Pessach); ela apresenta o tema do dia santificado como se fora o coro de abertura de uma tragédia grega. Quando o chefe da casa, envolto no kitel branco e o solidéu à cabeça, cumprindo o papel que lhe cabe nessa ocasião, de sacerdote oficiante, eleva gravemente a bandeja com as três matzot cerimoniais e as mostra aos presentes reunidos, ele entoa no tom menor adequando às vicissitudes muito presentes na memória: “Vejam! Este é como o pão da aflição que nossos pais comeram na terra do Egito”.
Essa forma de celebrar a Páscoa, como demonstrou a citada Enciclopédia, reflete o costume dos judeus logo após a destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C. Embora a cerimônia tenha sofrido alterações em suas formas litúrgicas ao longo dos séculos, todavia a sua essência continua a mesma – manter na mente do devoto a ideia de libertação. Na idade média, por exemplo, a celebração da páscoa era envolta em muita melancolia, mesmo com a presença das festivas canções de ações de graças. O celebrante, que em geral era o chefe da família, levantava um dos quatro cálices usados durante o ritual e dizia: “Não foi uma só, uma vez, a se levantar contra nós para nos destruir, mas em todas as gerações se levantaram contra nós para nos destruir. O Santificado – abençoado seja Ele –porém, sempre nos liberta das mãos deles”. 

4. A Páscoa e a festa dos Pães Asmos
Afinal, a festa é da Páscoa ou dos Pães Asmos? Muitos ainda não compreendem que estas festas ocorrem simultaneamente. Como já explicamos, em 14 de Abibe é celebrado a Páscoa do Senhor (Êx 12.6). Porém, nesta mesma data inicia-se outra festa a dos Pães Asmos (Êx 12.15-20). O texto de Êxodo 12.18-20, diz: “No primeiro mês, aos quatorze dias do mês, à tarde, comereis pães asmos até vinte e um do mês à tarde. Por sete dias não se ache nenhum fermento em vossas casas. E qualquer que comer pão levedado será eliminado da congregação de Israel, tanto o peregrino como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis. Em todas as vossas habitações comereis pães asmos”.
Como já explicado, os pães sem fermento simbolizavam a purificação, a sinceridade e a verdade (Êx 12.15; I Co 5.6-8). Todavia, o Dr. Donald Stamps comentado sobre este rito, diz: “Essa festa representava a consagração do povo de Deus, tendo em vista a sua redenção do Egito. Nesse contexto, “fermento” ou levedura, um agente que causa fermentação, simboliza o pecado, e o “pães asmos” (sem fermento) simbolizam o arrependimento, o repúdio do pecado e a dedicação a Deus” (Êx 13.7).
O Pr. Gonçalves sobre esta festa, diz: “Uma outra celebração observada cuidadosamente pelos judeus era a festa dos pães asmos. Assim como a Páscoa, o ritual dos pães sem fermento era rigorosamente observado pelos Judeus. Ao longo dos anos foi associada à mesma um extremo rigorismo ético.
De acordo com a Enciclopédia Judaica, na noite precedente da Páscoa, é exigido de todo lar judeu que observe o que denominam de cerimônia do Bedikat Chametz, isto é, “A Busca do Fermento”.
O ritual extremamente meticuloso orienta o chefe da família a andar por toda a casa a procura de pedacinhos de pão fermentado – o “chametz”, durante os dias que dura a cerimônia pascal. O propósito de tal rito é certificar-se de que somente o “matzar”, isto é, o pão sem fermento pode ser comido.
O cerimonial detalha ainda que aquele que foi encarregado dessa missão deve munir-se de uma vela, uma colher de pau, e um espanador de penas de galinha ou de ganso para que caso encontre algum resíduo de pão possa espanar para dentro da colher. Tendo feito isso então ele pronuncia a bênção: “Abençoado seja tu, (...) que ordenaste que removêssemos o fermento”.
No dia seguinte ele queima o fermento encontrado! Se porventura alguém fosse encontrado com fermento durante esse período era punido com a pena de 39 chicotadas! O ritual, portanto, era em extremo rigoroso no antigo judaísmo a ponto dos utensílios da cozinha serem banhados em água fervente, ou vigorosamente esfregados na areia.
Embora essa tradição hebraica revele vários aspectos de um judaísmo posterior, e que em muitos aspectos difira dos costumes adotados pelo cerimonial mosaico (Ex 12), todavia mostra como o povo judeu ao longo do tempo levou a sério a simbologia por trás do uso do fermento em suas cerimônias religiosas”.
O estimado Pastor deixa claro que, assim como a Páscoa, a festa dos Pães Asmos também sofreu alterações no decorrer dos séculos. Contudo, não perdeu seu significado e valor, bem como a seriedade deste rito para o povo judeu!


II. A INSTITUIÇÃO DA ÚLTIMA CEIA
Como se pode observar, a páscoa judaica era apenas um tipo do qual Jesus era o antítipo (figura da qual Ele era o cumprimento). O texto de Lucas 22 narra de que forma se deu a instituição da Ceia do Senhor, sendo esta uma das mais importantes celebrações da Igreja Cristã. No momento em que o Senhor Jesus instituiu a Ceia, na ocasião, Ele estava celebrando a páscoa judaica (Lc 22.15,16). Por isso, os preparativos da Ceia do Senhor ocorreram dentro dos moldes da páscoa judaica (Lc 22.12,13), e isto incluía o Bedikat Chametz – A Busca do Fermento, além é claro do preparo dos vários elementos da refeição.
É certo afirmar que sabendo Jesus de que Judas procurava ocasião para traí-lo (Lc 22.21,22; Jo 3.21,26), o Senhor não querendo revelar o secreto lugar onde celebraria com seus discípulos a Páscoa (v.15) e, posteriormente, instituiria a Santa Ceia, disse: “Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Então, ele vos mostrará um grande cenáculo mobiliado; aí fazei os preparativos” (Lc 22.10-12). Portanto, se a páscoa judaica era um marco representativo da liberação do povo de Israel do Egito, a Ceia do Senhor tornar-se-ia em um marco representativo de liberação ainda maior, pois não libertaria de um cativeiro humano, mas do cativeiro espiritual – o cativeiro do pecado! 

1. Que é a Santa Ceia
A Ceia do Senhor é uma celebração que o nosso Senhor ordenou à Igreja até a sua vinda (Lc 22.18,19  cf  1 Co 11.26). Logo, não é um mero símbolo; é um memorial da morte redentora de Cristo por nós e um alerta quanto à sua vinda: “Em memória de mim” (1 Co 11.24,25). Assim, o crente deve se assentar à mesa do Senhor com reverência, discernimento, temor de Deus e humildade, pois está diante do sublime memorial da paixão e morte do Senhor Jesus Cristo em nosso favor. Caso contrário, se tornará réu diante de Deus (1 Co 11.27-32).
Todavia, surge-nos a indagação: a Santa Ceia ou ceia do Senhor é uma ordenança ou sacramento? Existe diferença entre um e o outro, ou são a mesma coisa? Segundo Orlando Boyer, a ordenança é uma ordem, uma lei. O Pr. Elinaldo Renovato assevera que a ordenança tem o sentido de "ordem", "mandamento", "determinação". Já o Pr. Claudionor de Andrade ratificando diz que a ordenança são ordenações explícitas de Nosso Senhor à sua Igreja. Portanto, conclui-se que a Ordenança nada mais é de que uma ordem ou mandamento determinado pelo Senhor, de forma explícita, aos seus discípulos. Como disse Boyer, é uma ordem, ordem de Cristo que disse: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22.19; 1 Co 11.24,25).
O Sacramento, por sua vez, é definido por Boyer como um rito religioso. O Pr. Elinaldo Renovato diz-nos que, entre os pentecostais, evita-se o uso do termo sacramento como forma de não confundir-se com o que é ensinado pela Igreja Católica a respeito dos sacramentos. Há quem utilize os termos ordenança e sacramento de modo sinônimo, sem a conotação a eles atribuída pelo Catolicismo romano. Neste caso, diz o Pastor Elinaldo, o sacramento pode ser entendido como uma ordenança. E cita Berkhof, que assim o define: "Sacramento é uma santa ordenança, instituída por Cristo, na qual, mediante sinais perceptíveis, a graça de Deus em Cristo e os benefícios da aliança da graça são representados, selados e aplicados aos crentes, e estes, por sua vez, expressam sua fé e sua fidelidade a Deus".
Todavia, na visão da Igreja Católica Romana, o sacramento é algum rito instituído por Cristo ou pela Igreja, como sinal externo e visível de alguma graça interna e invisível. Ou seja, é algo que "contém tudo que é necessário para a salvação dos pecadores, não precisando de interpretação e, portanto, tornam a Palavra completamente supérflua como meio de graça...".  Para eles, os sacramentos são sete, a saber, o batismo, a confirmação (crisma), a penitência (confissão), a eucaristia, as santas ordens (ordenação de sacerdotes), o matrimônio e a extrema-unção, todos eles transmitindo de alguma forma algum tipo de graça santificante ou salvífica. Portanto, opostamente a crença católica, o sacramento é um rito através do qual expressamos nossa obediência, fé e fidelidade a Deus sem, contudo, servir de sinal sagrado para o recebimento de algum tipo de graça santificante, da salvação ou coisa semelhante.
Quanto à ordenança e o sacramento ser ou não a mesma coisa, o Pr. Claudionor diz que, as ordenanças, são chamadas de sacramentos por alguns segmentos do Cristianismo, pelo fato destes considerarem-nas como sinal sagrado para a transmissão da salvação. Como é o caso, já visto, do Catolicismo Romano. Porém, como disse o Pr. Elinaldo Renovato há quem utilize os termos ordenança e sacramento de modo sinônimo, sem a conotação a eles atribuída pelo Catolicismo Romano. No entanto, o Pr. Myer Pearlman assim comenta a questão: “Não obstante, há duas cerimônias que são essenciais, por serem divinamente ordenadas, a saber, o batismo nas águas e a Ceia do Senhor. Em razão de seu caráter sagrado, elas, às vezes, são descritas como sacramentos, literalmente, "coisas sagradas", ou "juramentos consagrados por um rito sagrado". Também são elas mencionadas como ordenanças porque são "ordenadas" pelo próprio Senhor”. Portanto, a questão gira em cima da nomenclatura e, principalmente, do entendimento do sacramento entre católicos e evangélicos. Pois, para nós, evangélicos só há apenas dois sacramentos ou ordenanças, deixados por Cristo, que são o batismo (cf. Mc 16.16) e a Santa Ceia (Lc 22.17-21; 1 Co 11. 24,25), que em si não transmitem graça ao participante dos mesmos, porém, são expressões representativas da obediência dos mesmos à vontade de Deus.  

2. Os Elementos da Santa Ceia
Após celebrar a páscoa judaica, o Senhor Jesus passa a instituir a páscoa cristã ao dizer: “E, tomando o cálice e havendo dado graças, disse: Tomai-o e reparti-o entre vós, porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o Reino de Deus. E, tomando o pão e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22.17-20).
Vemos, então, que o rito da páscoa não só olhava retrospectivamente para aquela noite no Egito, mas também antecipadamente para o dia da crucificação. Assim, a Santa Ceia ou Ceia do Senhor é algo parecido com a páscoa e a substitui no Cristianismo (1 Co 5.7). De igual modo, esta olha em duas direções: atrás, para a cruz, e adiante, para a segunda vinda de Cristo (1 Co 11.26). No entanto, quanto aos elementos da Santa Ceia, eles são:

       ü  O Pão – simbolizando o corpo de Cristo e a vida abundante (Mt 26.26; Lc 22.19; Jo 6.51-56; 10.10). Comemos pão para saciar a nossa fome, porém, a fome da salvação da nossa alma somente pode ser saciada por Jesus. Jesus se identificou aos seus discípulos como “o pão da vida” (Jo 6.35). Apenas Ele pode saciar a necessidade espiritual da humanidade. Nada pode substituí-lo. Necessitamos deste pão divino diariamente. Sem Ele não é possível a nossa reconciliação com Deus (2 Co 5.19). 
Assim, toda vez que o pão é partido na celebração da Ceia do Senhor, traz à nossa memória o sacrifício vicário de Cristo, através do qual Ele entregou a sua vida em resgate da humanidade caída e escravizada pelo Diabo.

      ü  O Vinho – simbolizando o sangue de Cristo, isto é, da nova aliança (Mt 26.27,28; Lc 22.20; Rm 5.9; Hb 9.22). Enquanto no Egito, o sangue do cordeiro morto só protegeu os hebreus, o sangue de Jesus, todavia, derramado na cruz proveu a salvação não apenas dos judeus, mas também dos gentios (1 Pe 1.18,19). Portanto, fomos redimidos por seu sangue e salvos da morte eterna pela graça de Deus mediante o seu Cordeiro Pascal, Jesus Cristo (1 Co 5.7; Rm 5.8,9).

A Ceia do Senhor possui duas mensagens centrais. A primeira é memorial: “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor”; a segunda é profética: “até que ele venha” (1 Co 11.26). Portanto, a páscoa judaica foi instituída por ocasião da libertação dos filhos de Israel do Egito (Êx 12); porém, foi exatamente por ocasião da celebração da páscoa judaica que Cristo instituiu a Ceia do Senhor – a nossa páscoa (Mt 26.17-30; Mc 14.12-26; Lc 22.7-23)!  Assim sendo, a Ceia do Senhor não é um mero símbolo, mas um memorial da morte redentora de Cristo por nós. Porquanto, trata-se da segunda ordenança da Igreja e, é a cerimônia mais solene da Igreja!

3. A Liturgia da Santa Ceia
O Apóstolo Paulo ao escrever sua primeira carta aos coríntios adverte os tais sobre a forma como eles estavam realizando a liturgia da Ceia do Senhor. Na verdade, não se pode chamar a desordem ali existente de liturgia, mas, sim, de um ato de sacrilégio ao sagrado por trata-se do culto mais solene da Fé Cristã. Haja vista que no Cristianismo a Santa Ceia substitui, como já dito, a Páscoa judaica! Desta forma, Paulo os exorta dizendo: “Nisto, porém, que vou dizer-vos, não vos louvo, porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior. Porque, antes de tudo, ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a Ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome, e outro embriaga-se. Não tendes, porventura, casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisso não vos louvo” (1 Co 11.17-22).
Todavia, observamos que se não fosse às ações indisciplinadas dos coríntios, certamente nós não teríamos as relevantes instruções do Apóstolo que corrigindo as mesmas, se tornaram no texto Áureo da liturgia mais solene da Igreja Cristã, ao dizer: “Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão, e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem” (1 Co 11.27-30).
O Pr. Gonçalves em seu livro ‘Lucas – O Evangelho do Homem Perfeito’, mencionando o comentário do escritor Warren Wiersbe sobre o referido texto, explica o “Examine-se a si mesmo” (v.28), dizendo: “Ao fazer esse olhar introspectivo o crente deve ter o cuidado para não se abster desnecessariamente da Ceia do Senhor. Muitos crentes deixam de participar da Ceia por motivos banais. Essa não é a atitude correta. Na verdade o que tem levado muitos crentes a procederem dessa forma é a má interpretação que eles fazem das instruções dadas pelo apóstolo em 1 Co 11.29: “Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor””.
O Pr. Gonçalves também cita o comentário dos escritores Guy P. Duffield e Nathaniel M. Van Cleave sobre o mesmo texto, que diz: “Há necessidade de uma explicação sobre a advertência contra “comer ou beber indignamente” (1 Co 11.27-29). Muitos crentes, por não entenderem bem essas advertências, abstiveram-se desnecessariamente da Ceia do Senhor. Deve ser notado que “indignamente” é um advérbio que modifica os verbos “comer” e “beber”, e está ligado à “maneira” de participar, e não à indignidade das pessoas. A advertência referia-se à atitude ávida e descontrolada dos coríntios, descrita em 1 Co 11.20-22. Ninguém é digno, por si mesmo, de ter comunhão com Jesus, mas possuímos esse privilégio em virtude da obra expiatória que os elementos simbolizam. Todavia, os participantes precisam examinar a si mesmos com relação ao modo como tomam a ceia e à sua atitude para com os outros crentes; além disso, devem verificar se estão discernindo o corpo do Senhor, sem demonstrar irreverência ou frivolidade em suas maneiras. A participação com fé pode resultar em grandes bênçãos e até na cura espiritual e física(1 Co 11.29,30).
Se a reverência a Deus é exigida a todos os cultos (Ec 5.1,2; Êx 3.5; 1 Co 14.40), o que dizer, então, da reverência ao culto de maior solenidade ao Senhor?  Reflita!!


III. OS PRINCIPAIS EQUIVOCOS TEOLÓGICOS SOBRE A SANTA CEIA
Existem igrejas, mesmo evangélicas (refiro-me a Liderança), que equivocadamente erram seguindo teses teológicas sobre a Santa Ceia que longe estão das Escrituras Sagradas. Refiro-me aos conceitos teológicos da Transubstanciação e da Consubstanciação. Posso deduzir que tal aconteça pelo fato de muitos dos que se convertem a Cristo virem do catolicismo romano, e que unido ao desconhecimento da doutrina ortodoxa (Os 4.6a; Cl 2.8), ou mesmo devido a um discipulado mal realizado, conservem ainda em si raízes deste fermento doutrinário. Por isso, o Pr. Claudionor de Andrade explicando sobre a questão da transubstanciação, diz: A Transubstanciação, do latim “transubstantionis”, que trata da mudança duma substancia em outra, é uma doutrina católico-romana elaborada a partir da filosofia escolástica, segundo a qual, no ato do sacramento da Eucaristia, o pão e o vinho transformam-se, respectivamente, no corpo e no sangue do Senhor Jesus”.
Como se pode notar, trata-se de uma doutrina católica sem nenhum fundamento bíblico, por isso, o Pastor Ciro Sanches ao tratar da falácia da transubstanciação em seu livro ‘Erros que os Pregadores Devem Evitar’, diz: “Ao falar da Ceia, Jesus disse: “...fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.24), mostrando que o pão e o vinho representam  seu corpo e seu sangue. Lembro-me de que, em um estudo bíblico, um irmão me questionou:
            – O Pão transforma-se no corpo de Cristo, e ninguém me convence do contrário.
            Então, lhe perguntei:
            – Quando o irmão participa do pão, que representa o corpo de Cristo, que gosto vem à boca?
            – Bem... De pão – disse ele.   
            E eu concluí, com muita naturalidade:
            – Então é pão, símbolo do corpo de Cristo, e não o corpo de Cristo, literalmente!
            A ideia de que o pão, depois de consagrado, transubstancia-se no corpo de Cristo e, por isso, se sobrar, não deve ser aproveitado para outro fim, devendo ser enterrado, queimado ou lançado em águas correntes, é uma falácia romanista e um grande desperdício.
            Durante e depois da Ceia, o pão continua sendo pão, e o vinho, vinho. O que é sagrado é o ato em si. Apesar disso, ninguém deve menosprezar os seus elementos, haja vista representarem o corpo e o sangue de Jesus. Outro procedimento extremista seria banalizar a Ceia do Senhor. Sejamos equilibrados!”.

Além da herética visão católica da Transubstanciação, devemos ter também o devido cuidado com a Consubstanciação, como os explica o Pastor Claudionor de Andrade, ele diz: “A Consubstanciação, do latim “consubstantiationem”, que trata do ato de se tornar uma substância juntamente com outra, é uma doutrina elaborada pelos luteranos para explicar a função do pão e do vinho na celebração da Ceia do Senhor. Tentando desvencilhar-se da teologia romana da transubstanciação, os seguidores de Lutero asseveram que, no ato da Santa Ceia, os elementos (pão e vinho) unem-se às moléculas da carne e doo sangue de Cristo. Com esta explicação, porém, eles não conseguiram livrar-se do ensinamento católico. Segundo o espírito do Novo Testamento, não se verifica, na celebração da Ceia do Senhor, nem a consubstanciação nem a transubstanciação. O pão e o vinho continuam inalterados: são apenas emblemas daquele sacrifício tão sublime e insubstituível: a morte vicária de Cristo. Afinal, Jesus morreu uma vez por todas para resgatar-nos de nossa vã maneira de viver (Hb 9.14,22,26; 1 Pe 1.18,19). O pão e o vinho são apenas símbolos do corpo e do sangue do Senhor Jesus”. Portanto, diante desta explicação cabe-nos observar a instrução do Apóstolo Paulo, que diz: “Tu, porém, fala o que convém a sã doutrina” (Tt 2.1). Amém!


CONCLUSÃO
Diante do exposto, aprendemos nesta lição que participar da Ceia do Senhor é um privilégio do qual todo cristão deve se alegrar. Afinal, o Senhor consumou na cruz “uma tão grande salvação” (Hb 2.3). Porém, embora seja um privilégio, é também um dever do cristão portar-se ante à mesa do Senhor sem nenhum fermento, mas com os asmos da verdade, sinceridade, santo temor e reverência ao Senhor. Portanto, celebremos este solene culto ao Senhor com eterna gratidão por nos libertar do cativeiro do pecado, e nos transformar na Noiva do Cordeiro – A Igreja do Deus Vivo (Ef 1.3; Cl 1.12-14). Deus abençoe a todos!



REFERÊNCIAS
Ø  HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
Ø  BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
Ø  ZIBORDI, Ciro Sanches. Erros que os Pregadores Devem Evitar. CPAD.
Ø  GONÇALVES, José. Lucas – O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. CPAD.
Ø  GONÇALVES, José. Lições Bíblicas. (1º Trimestre de 2015). CPAD.
Ø  GILBERTO, Antônio. Lições Bíblicas. (1º Trimestre de 2014). CPAD.
Ø  Site: http://www.abibliaresponde.xpg.com.br/Batismo_Ordenanca_ou_Sacramento.htm



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