domingo, 1 de junho de 2014

LIÇÃO 09 – O MINISTÉRIO DE PASTOR



Jo 10.11,14; Tt 1.7-11; I Pe 5.2-4




INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos a respeito do ministério de pastor, um dos dons ministeriais concedidos por Deus a Igreja e que foi listado por Paulo em Efésios 4.11; veremos o uso da palavra no Antigo e no Novo Testamento; definiremos o ministério de pastor; elencaremos as suas múltiplas atribuições; e, por fim, pontuaremos as semelhanças que existem entre a profissão de pastor no AT e a função de pastor na igreja local.


I O USO DA PALAVRA PASTOR NO AT
“No hebraico, “raah”, palavra que figura por setenta e sete vezes, onde tem o sentido de pastor (Gn 49.24; Êx 2.17,19; Nm 27.17; I Sm 17.40; Sl 23.1; Is 13.20; 31.4; 40.11; Jr 6.3; 23.4; 25.34-36; 31.10; Ez 34.2-10,12,23; Am 1.2; 3.1; Zc 10.2,3; 11.3,5,8,15,16; 13.7). No seu sentido literal, “um pastor” é alguém que cuida dos rebanhos de ovelhas. Os pastores eram conhecidos como profissionais que alimentavam e protegiam os rebanhos (Jr 31.10; Ez 34.2), que procuravam as ovelhas perdidas (Ez 34.12) e que livravam dos animais ferozes as ovelhas que estivessem sendo atacadas (Am 3.12)” (CHAMPLIN, 2004, p. 104 – grifo nosso).

1.1 Deus como pastor. Com base na ideia de que o pastor é um protetor e líder do rebanho, surgiu o conceito de Deus como o Pastor de Israel. Os próprios pastores antigos foram os primeiros a salientar essa similaridade. Assim Jacó se dirigiu a Deus, nos dias que antecederam a sua morte (Gn 49.24). E Davi chamou Deus de seu Pastor, no bem conhecido Salmo vinte e três (v.1), o que Asafe também fez, em Salmos 80.1.

1.2 Profetas, sacerdotes e reis. Podemos encontrar também muitas passagens, no AT, que se referem aos líderes do povo de Deus como pastores que agem sob a supervisão de Deus (Nm 27.17; I Rs 22.17). Posteriormente, os profetas, os sacerdotes e os reis de Israel, que haviam falhado em seu encargo, diante de Deus e de seu povo, foram condenados como pastores que haviam desertado o rebanho ou que haviam enganado as ovelhas (Jr 2.8; 10.21; 23.1; Ez 34.2).


II O USO DA PALAVRA PASTOR NO NT
A palavra pastor no grego é “poimén” e é usado: (a) em seu significado natural (Mt 9.36; 25.32; Mc 6.34; Lc 2.8,15,18,20; Jo 10.2,12); (b) metaforicamente, acerca de Jesus (Mt 26.31; Mc 14.27; Jo 10.11,14,16; Hb 13.20; I Pe 2.25); (c) metaforicamente, a cerca dos que atuam como pastores nas igrejas (Ef 4.11) (VINE, 2002, p. 856 – grifo nosso).

2.1 Jesus como pastor. Jesus pode ser considerado o maior exemplo de verdadeiro pastor (Jo 10). Deus o constituiu o nosso Pastor. Os escritores bíblicos o chamam de: (a) Pastor e Bispo das almas (I Pe 2.25); (b) Grande Pastor das Ovelhas (Hb 13.20); (c) O Supremo Pastor (I Pe 5.4). Neste ofício, Ele se distingue por vários qualificativos da maior importância, os quais são:

2.1.1 Dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10.11). Nos tempos bíblicos, era comum o bom pastor expor a sua vida na luta contra as feras que assaltavam o rebanho (I Sm 17.34-36). Jesus para proteger as suas ovelhas do “ladrão” que vem para “matar, roubar e destruir” e deu a sua vida por nós, que “somos rebanho do seu pastoreio” (Sl 100.3). Ele deu a sua vida por nós, para que tenhamos vida com abundância (Jo 10.10-b).

2.1.2 Conhece as suas ovelhas (Jo 10.14). Julgamos quase impossível que um pastor conheça cada ovelha distintamente, pois todas parecem idênticas. Todavia, o contato com as ovelhas lhe proporciona tal conhecimento. Cristo Jesus, muito mais conhece aqueles que lhe servem com um coração puro e se sujeitam a sua vontade.

2.1.3 Guia as suas ovelhas (Jo 10.3,4). O pastor à frente do rebanho era a garantia de ser conduzido aos bons pastos e de preservá-lo da emboscada das feras. Era um costume de tempos remotos. Era o motivo da expressão confiante de Davi, com a sua própria experiência de pastor “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” (Sl 23.1). Não deve ser menor a nossa confiança em nosso Bom Pastor, pois Ele garante a nossa provisão (Fp 4.6,7,19; I Pe 5.7).

2.1.4 Busca as ovelhas perdidas (Jo 10.16). Em Lucas 15.1-7 encontramos a famosa parábola da “ovelha perdida” que nos mostra o que o pastor é capaz de fazer para buscar a ovelha que se perde do rebanho. Essa analogia é usada pelo Mestre Jesus a fim de retratar o interesse que Ele tem de restaurar os pecadores a comunhão com Deus.


III O DOM MINISTERIAL DE PASTOR
Entre os dons ministeriais concedidos a igreja, encontra-se o dom de pastor (Ef 4.11). O pastor é o responsável pela direção e pelo apascentamento do rebanho. É “o anjo da igreja” (Ap 2.1). Serve sob a direção do Bom Pastor, a quem pertence a Igreja (I Pe 5.2,4), e deve andar nas suas pisadas (Jr 17.16) e sob a sua direção (Jr 3.15). Cabe ao pastor velar pelas ovelhas, como quem tem de dar conta delas (Hb 13.17) (BERGSTÉN, 2007, p. 116).

3.1 A necessidade de um pastor para a igreja. “O pastor é essencial ao propósito de Deus para sua igreja. A igreja que deixar de ter pastores piedosos e fiéis não será pastoreada segundo a mente do Espírito (I Tm 3.1-7). Será uma igreja vulnerável às forças destrutivas de Satanás e do mundo (At 20.28-31). Haverá distorção da Palavra de Deus, e os padrões do evangelho serão abandonados (2Tm 1.13,14). Membros da igreja e seus familiares não serão doutrinados conforme o propósito de Deus (1Tm 4.6,14-16; 6.20,21). Muitos se desviarão da verdade e se voltarão às fábulas (2Tm 4.4). Se, por outro lado, os pastores forem piedosos, os crentes serão nutridos com as palavras da fé e da sã doutrina, e também disciplinados segundo o propósito da piedade (1Tm 4.6,7)” (STAMPS, 1995, p. 1816).

3.2 O pastor e as suas muitas atribuições. “Sua missão é múltipla e polivalente. Um pastor de verdade tem que agir como ensinador, conselheiro, pregador, evangelizador, missionário, profeta, juiz de causas complexas, fazer as vezes de psicólogo, conciliador, administrador eclesiástico dos bens espirituais e de recursos humanos sob seus cuidados, na igreja local; é administrador de bens materiais ou patrimoniais; gestor de finanças e recursos monetários, da igreja local” (RENOVATO, 2014, p. 114). Algumas outras atribuições do pastor são: “(1) cuidar da sã doutrina, refutar a heresia (Tt 1.9-11); (2) ensinar a Palavra de Deus e exercer a direção da igreja local (1Ts 5.12; 1Tm 3.1-5); (3) ser um exemplo da pureza e da sã doutrina (Tt 2.7,8) e (4) esforçar-se no sentido de que todos os crentes permaneçam na graça divina (Hb 12.15; 13.17; 1Pe 5.2). Sua tarefa é assim descrita em At 20.28-31: salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres que surgem dentro da igreja. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.11-16; I Pe 2.25; 5.2-4)” (STAMPS, 1995, p. 1815).

3.3 Os pastores mestres. “O ensino, juntamente com o evangelismo, faz parte da original Grande Comissão de Cristo à sua igreja (Mt 28.20). Tanto os apóstolos como os profetas eram mestres, e nenhum pastor pode ser um verdadeiro pastor se não for apto para ensinar (I Tm 3.2,11). É interessante destacar que a frase “pastores e mestresem Efésios 4.11 no original grego não consta o artigo “e”, razão pela qual alguns supõem que isso salienta uma única “categoria” - pastores e mestres seriam aspectos da mesma função. Inferimos que o pastor também deve ser mestre, pois boa parte do seu trabalho é o ensino. Todavia, é interessante destacar que embora todo pastor seja um mestre, nem todo mestre é um pastor (II Tm 2.24)” (CHAMPLIN, 2005, p. 601 – grifo nosso).


IV SEMELHANÇAS ENTRE O PASTOR COMO PROFISSÃO E COMO DOM MINISTERIAL
A Bíblia traça um paralelo entre a profissão de pastor no Antigo Testamento e o dom ministerial de pastor no Novo Testamento. Por exemplo: (1) o líder das ovelhas é chamado de pastor (Gn 4.2; Ef 4.11); (2) cada salvo é comparado a uma ovelha (Sl 100.3; Jo 10.14); (3) o grupo de ovelhas juntas é chamado de rebanho, assim como a Igreja (Gn 21.28; At 20.28). Abaixo destacaremos algumas funções do pastor como profissional que é semelhante a do pastor como dom ministerial:

PASTOR PROFISSÃO
PASTOR DOM MINISTERIAL
Alimenta (Gn 24.25; 29.2; Sl 23.1,2).
Alimenta com a Palavra (Jo 21.15-17; At 20.28; I Pe 5.2).
Protege (I Sm 17.34-36; Sl 23.4).
Protege com a doutrina (Rm 16.17; Ef 4.14).
Cuida (Sl 23.1).
Cuida com amor e zelo (II Co 11.2; Hb 13.17).
Orienta (Sl 23.2).
Orienta com prudência (I Co 4.14; II Tm 4.2).
Disciplina (Sl 23.4).
Disciplina com amor e firmeza (I Co 4.21; Hb 12.5-11).
Lidera (Jo 10.4).
Lidera com cuidado (At 20.28; I Pe 5.2).


CONCLUSÃO
Deus, por meio de Cristo, providenciou pastores a fim de liderar, instruir e edificar a sua igreja aqui na terra. Nosso comportamento diante daqueles que o Senhor instituiu sobre nós deve ser de amor (Rm 12.10; I Pe 3.8); respeito (I Co 16.18; I Ts 5.13; I Pe 2.17; Fp 2.29; I Tm 5.17) e submissão (I Co 16.16; Cl 4.10), pois “velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas” (Hb 13.17-b).



REFERÊNCIAS 
Ø CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
Ø STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø VINE, W. E. Dicionário Vine. CPAD.
Ø SOUZA, Estevam Ângelo de. Os dons ministeriais na igreja. CPAD.
Ø RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais: servindo a Deus e aos homens com o poder extraordinário. CPAD.

                                                                                           Por Rede Brasil de Comunicação



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