sábado, 14 de novembro de 2015

LIÇÃO 07 – A FAMÍLIA QUE SOBREVIVEU AO DILÚVIO

  



Gn 7.1-12 



INTRODUÇÃO
Nos capítulos seis e sete do Livro do Gênesis encontramos o registro do dilúvio – uma intervenção divina sobre a humanidade como castigo por sua rebeldia e afastamento de Deus. Nesta lição, destacaremos que o Senhor preservou a família de um homem chamado Noé. Por causa da sua justiça, retidão e comunhão com Deus, no meio de uma geração corrompida e perversa, Noé, se tornou um modelo de fé e obediência a ser seguido (Hb 11.7).


I. A CORRUPÇÃO DO GÊNERO HUMANO
O termo “corrupção” provém do latim, “corruptione”, e o Aurélio o define como “ato ou efeito de corromper; decomposição, putrefação”. Figuradamente a expressão significa: “devassidão, depravação, perversão” (FERREIRA, 2004, p. 560 – acréscimo nosso). A luz de Gênesis 6 destacaremos como estava a humanidade no período antediluviano:

1.1 Corrupção externa (Gn 6.5a).
Após a Queda do homem no Éden, a corrupção do gênero humano foi tomando proporções diferenciadas e maiores. A Bíblia mostra, por exemplo: o primeiro homicídio (Gn 4.8); o primeiro caso de bigamia (Gn 4.19); um duplo homicídio (Gn 4.23); e, o casamento misto da linhagem de Sete com linhagem de Caim (Gn 6.1). A maldade chegou a um ponto culminante segundo o relato bíblico “[...] a maldade do homem se multiplicara sobre a terra [...]” (Gn 6.5). No NT, Jesus acrescentou que os homens daquela época só pensavam em coisas materiais em detrimento das coisas espirituais. Semelhante cenário moral e espiritual antecederá a Sua vinda (Mt 24.38; Lc 17.27).

1.2 Corrupção interna (Gn 6.5b).
O relato bíblico é claro em afirmar a situação em que se encontrava a geração que antecedeu o dilúvio: “[...] toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má [...]”. Suas atitudes evidenciavam quão decadentes estava seu âmago. Segundo Jesus, todos os atos de maldade revelam a condição interior do homem (Mt 15.19; Mc 7.21). Do ponto de vista bíblico, pensar em fazer o mal é tão nocivo e pecaminoso quanto fazê-lo (Pv 6.18; 15.26; 16.30; 24.9; Mq 2.1; Mt 5.28). O NT ensina que Deus tanto julgará as ações como também os pensamentos dos homens (Rm 2.16; 1 Co 4.5).

1.3 Corrupção habitual (Gn 6.5c).
Os moradores da terra nessa época não só faziam maldades e maquinavam o mal como também perseveram em fazê-lo “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente”. A iniquidade havia se tornado moda, ou seja, um estilo de vida que todos, com raras exceções, aderiram (Gn 6.8). Por que não se arrependiam de suas más obras, Deus lhes tirou o Seu Espírito (Gn 6.3-a) e decretou-lhes a brevidade da vida, tanto encurtando a longevidade que tinham, como tirando a vida física com a punição pelo dilúvio (Gn 6.3-b). O período que antecede o retorno de Cristo será de semelhante degradação moral como previu Jesus e os apóstolos (Mt 24.12; Lc 18.8; 2 Tm 3.1-4; 2 Pe 3.1-7).


II. A ATITUDE DIVINA ANTE A CORRUPÇÃO
2.1 Deus vê (Gn 6.5,11-12).
Enquanto na terra o pecado proliferava sem limites, o Deus do céu contemplava tudo o que acontecia, pois nada escapa aos seus olhos: “E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra”. É um grande engano pensar que se pode esconder algo do Senhor, pois a Bíblia nos diz que Ele tudo vê, tanto o que está patente e quanto o que está oculto (Sl 139.1-6; Hb 4.13).

2.2 Deus se entristece (Gn 6.6).
Contemplando a multiplicação da iniquidade no mundo, a Escritura diz: “Então arrependeu-se o SENHOR de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração”. “Diferente do homem, o arrependimento divino não brota da tristeza por más ações feitas. As mudanças na relação do homem com Deus resultam em mudanças nos procedimentos de Deus com o homem. Quando o homem se afasta de Deus para o pecado, Deus muda a relação de comunhão para uma relação de repreensão julgadora. Quando o homem se afasta do pecado para Deus, este estabelece uma nova relação de comunhão. Este é o arrependimento divino. Em Gênesis 6.6, Deus muda de comunhão para julgamento, embora com muito pesar” (BEACON, sd, p. 47 – acréscimo nosso).

2.3 Deus intervém (Gn 6.7,13,17).
Os presentes versículos nos mostram que Deus resolveu intervir na história da raça humana caída em pecado, trazendo sobre eles um grande julgamento. Nesta ocasião, o Senhor puniria os pecadores com um grande dilúvio sobre a terra, fazendo-os perecerem e purificando a terra da maldade e extrema violência. “O termo técnico para “dilúvio” usado nos capítulos de Gênesis 6-11 e no Salmo 29.10 é “mabbul”, que é traduzido como kataklysmos” na Septuaginta, é a mesma palavra grega é usada em varias referências do NT ao Dilúvio (Mt 24.38,39; Lc 17.27; 2 Pe 2.5)” (WYCLIFFE, 2007, p. 22 – acréscimo nosso). A palavra cataclisma segundo Ferreira (2004, p. 422) significa: “grande inundação; dilúvio”.


III. NOÉ: UM EXEMPLO DE PIEDADE NUM MUNDO CORRUPTO
Apesar de o mundo ter se afundado em pecado, houve alguém que se comportou de forma diferente. Esse indivíduo é chamado Noé. “A palavra Noé do hebraico “Noach” “repouso” vem de um verbo que significa descansar, e está associado a alivio.” (RADMACHER, et al, 2010, p. 25). A Bíblia destaca algumas características deste nobre servo de Deus, a saber: (a) JUSTIÇA (Gn 6.9a; 7.1). A palavra justo, do hebraico tsaddiq, descreve o caráter de Noé conforme se manifestava em relação aos outros seres humanos: “honestidade” ou “honra” era evidente em seu comportamento, sua conduta revelava esta justiça moral e ética (Ez 14.14,20); (b) RETIDÃO (Gn 6.9b). A palavra hebraica “tâmim”, íntegro, descreve o produto perfeito de um construtor sábio; é inteiro, completo e perfeito. Visto objetivamente, a palavra imaculado descreve o caráter. A Bíblia mostra que Deus é reto (Dt 32.4; Sl 25.8; 92.15; 119.37); e, (c) COMUNHÃO COM DEUS (Gn 6.9c). Tal qual Enoque, Noé também é descrito como um homem que andou com Deus (Gn 5.24; 6.9). A expressão “andar com Deus” aponta para a sua conduta, caracterizada pela vida de comunhão e obediência a Deus. A mesma postura se requer do cristão ante este mundo tenebroso (Sl 84.11; Pv 2.21; 16.17; Gl 5.16-26; 1 Jo 2.29).


IV. A LONGANIMIDADE, O JUÍZO E O LIVRAMENTO DE DEUS
4.1 A longanimidade de Deus (Gn 6.3).
Segundo o dicionário Vine (2002, p. 759) longanimidade é a “qualidade de autodomínio em face da provocação que não retalia impetuosamente ou castiga prontamente”. Apesar da maldade, Deus decretou que daria um tempo a geração de Noé de 120 anos até que viesse o dilúvio e consumisse a todos. Como podemos ver, antes dEle enviar o juízo sobre a terra, concede tempo ao pecador para que se arrependa, isto porque Ele é tardio em irar-se (Êx 34.6; Jl 2.13). Deus é cheio de compaixão, graça e sua longanimidade visa o benefício do homem tentando conduzi-lo ao arrependimento (I Pe 3.20; II Pe 3.9).

4.2 O juízo de Deus (Gn 6.13,17).
Durante o tempo que Deus deu aos homens para se arrepender mediante a pregação de Noé, seus contemporâneos não lhe deram ouvidos (II Pe 2.5). Com a arca já construída e os animais dentro, Deus ordena que Noé e sua família entrem para que ele cumpra a Sua palavra enviando sobre a terra o seu juízo (Gn 7.1-24). “Embora o pecado e a violência possam ficar sem punição por algum tempo dentro da longanimidade divina, todavia não serão esquecidos. Apesar de ele ser “tardio em irar-se” e estar sempre interessado em mostrar-se misericordioso, não é absolutamente imune a ira quando sua lei é impugnada e sua graça desprezada” (ELISSEN, 1993, p. 318).

INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O DILÚVIO

Fato
histórico
“Os registros de Gênesis (Gn 7.1-24) como também de Cristo (Mt 24.37-39; Lc 17.26-27), dos profetas (Is 54.9) e dos apóstolos (1 Pe 3.20; 2 Pe 2.5; 3.6), comprovam que realmente houve o dilúvio. Muitos arqueólogos comprovam que muitas civilizações primitivas tinham tradições relacionadas ao dilúvio, cujos detalhes são paralelos ao relato de Gênesis” (WIERSBE, 2008, p. 33).

Alcance
mundial
“A linguagem dos capítulos sexto a nono de Gênesis refere-se a um dilúvio de dimensões universais (Gn 6.13,17; 7.6,10,18,19). Todos os picos dos montes foram cobertos pelas águas, tendo havido a destruição absoluta de todos os seres vivos terrestres, excetuando-se os que estavam na arca (e, naturalmente, excetuando-se a vida marinha em geral” (CHAMPLIN, 2001, p. 66 – acréscimo nosso).

Duração
As águas vieram do abismo e do céu (Gn 7.11); a chuva durou quarenta dias e quarenta noites (Gn 7.4); as águas subiram quinze côvados acima dos montes (aproximadamente a distância de cerca de 6,75 metros) (Gn 7.19,20); as águas prevaleceram cento e cinquenta dias (Gn 7.24); e, após um ano, a terra ficou seca (Gn 7.6; 8.13,14).

Resultado
O registro bíblico nos mostra que quando as águas se avolumaram ao ponto de cobrir os montes, tudo o que havia na terra: homens e animais pereceram (Gn 7.17-23). Somente Noé, sua família (oito pessoas) e os animais que estavam na arca sobreviveram (1 Pe 3.20).

Promessa
Deus fez um pacto com Noé e com toda a humanidade prometendo não mais destruir o mundo por um dilúvio. Para dar-lhe segurança de que a raça humana continuaria e o homem teria um futuro garantido, Deus fez aliança com ele. Deixou o arco celeste como sinal de sua fidelidade (Gn 8.21,22; 9.11-17).

4.3 O livramento de Deus (Gn 6.14-16). 
Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn 6.8). O Senhor o livrou junto com a sua família do grande dilúvio, porque este tinha um caráter santo distinguindo-se dos seus contemporâneos (Gn 6.9). Somando-se a isto a atitude do patriarca depois que recebeu a orientação divina quanto a construção da arca, não titubeou, mas agiu com fé (Hb 11.7-a), obedecendo de forma imparcial a Palavra de Deus (Gn 6.22; 7.5).


CONCLUSÃO
O registro bíblico do dilúvio serve de advertência de que Deus é o justo Juiz de todo o mundo e castigará sem dúvida alguma o pecado e livrará da prova os piedosos (2 Pe 2.5-9). No tempo de Noé, Deus destruiu o mundo com água, mas no futuro vai fazê-lo com fogo (2 Pe 3.4-14).




REFERÊNCIAS
Ø  CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números. HAGNOS.
Ø  ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
Ø  HOWARD, R.E et al. Comentário Bíblico: Beacon. CPAD.
Ø  PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe. CPAD.
Ø  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Ø  VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.


Por Rede Brasil de Comunicação.

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