quinta-feira, 14 de junho de 2018

LIÇÃO 12 – ÉTICA CRISTÃ E POLÍTICA (SUBSÍDIO)


  



Rm 13.1-7




INTRODUÇÃO
Nesta lição veremos o importante assunto sobre ética cristã e política; para tanto, veremos a definição e conceito básico da palavra política; elencaremos exemplos bíblicos de servos de Deus, cuja participação se deu na esfera política; bem como, qual deve ser a conduta do cristão no exercício de seu direito de votar; e, por fim, destacaremos ainda qual a postura e deveres cristãos exigidos por Deus em relação ao Estado.


I. DEFINIÇÃO E CONCEITO DA PALAVRA POLÍTICA
O vocábulo política vem do grego “polis”, que significa: “cidade”. A conotação do termo é muito abrangente, envolve as formas de governo e o Estado. Indica não apenas os procedimentos de governar e organizar o Estado, mas também os direitos e deveres do cidadão em participar, concordar ou discordar do governo (BOMENY apud BAPTISTA, 2018, p. 134). Houaiss diz que política é: “arte ou ciência de governar; ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados” (2001, p. 2253). A política nasceu na Grécia Antiga como a “ciência ou arte de governar. O surgimento da pólis (cidade-estado) constituída por um aglomerado de cidadãos livres, que abrangia toda a vida pública e social, despertou a necessidade de como deveria ser governada a pólis. Política pode ser entendida também como: “o conhecimento, a participação, a defesa e a gestão dos negócios da pólis (cidade-estado na Grécia)” (BAPTISTA, 2018, p. 134).


II. EXEMPLOS BÍBLICOS DE HOMENS A SERVIÇO DE DEUS NA POLÍTICA
Podemos observar na Bíblia alguns homens de Deus que conduziram com sabedoria e obediência a cargos públicos, administrativos e políticos; ficando claro que não há nenhuma incompatibilidade entre ser um autentico cristão e exercer uma função política. A exemplo podemos citar:

1. Daniel governador na Babilônia.
Os oficiais do reino são citados em ordem decrescente de importância. Os sátrapas eram os chefes oficiais das províncias do império e Daniel era um dos governadores da Babilônia (Dn 2.48). Daniel na Babilônia foi o principal entre os príncipes, nomeado pelo rei Dario, e trabalhou de maneira tão exemplar que estava cotado para ser o governante sobre todo o reino (Dn 6.1-3). Ele foi um homem eminente conhecido por sua integridade, e também pela sua formação, estava apto a atuar na esfera governamental (Dn 1.17,19,20), e, pelo caráter como homem de Deus, foi um exemplo de gestor e conselheiro (Dn 5.10-12). A Bíblia diz que o rei Dario tinha a intenção de torná-lo um funcionário público de maior destaque ainda (Dn 6.1-3). De fato, ele era um homem notável de comprovada integridade moral e espiritual (Dn 6.4,5). Daniel foi um exemplo de administrador público em toda a sua vida: “é possível ser um homem ou mulher que tome decisões que agradem a Deus inclusive nos meios políticos e governamentais”.

2. José governador no Egito.
José foi nomeado governador do Egito (Gn 41.38-44). Deus o exaltou, levando-o à presença de Faraó, onde foi colocado como o segundo homem no comando político do Egito. Após chegar a uma posição de destaque José teve de lidar com a política egípcia para colocar seus projetos em voga conseguindo estocar alimentos para os períodos de fome na terra (Gn 41.48,49). É possível a uma pessoa, em posição de autoridade no mundo político, ser íntegra e trabalhar pelo povo honestamente.

3. Neemias governador no reino Medo-persa.
Neemias, um copeiro de confiança do Rei foi designado para reconstruir Jerusalém, tornando-se governador do reino Medo-persa (Ne 5.14; 10.1), sobretudo um político temente a Deus, destacando-se entre os que exerciam vida pública (Ne 5.15-18). Quer na vida particular, quer na pública, deve o cristão ser um exemplo de lisura e incorruptibilidade, principalmente se exercer algum cargo eletivo (ANDRADE, 2015, p. 218).


III. O CRISTÃO E O USO CORRETO DO SEU DIREITO DE VOTAR
Como o cristão está situado no meio social, politico e econômico devemos lembrar-nos do nosso direito de escolher nossos representantes. Por isso é de grande importância que o cristão saiba exercer corretamente esse direito no momento da escolha. Vejamos algumas atitudes do cristão como eleitor. Notemos:

1. Orar e analisar antes de votar.
Antes de qualquer decisão, o crente em Jesus deve orar a Deus, pedindo sua direção pois um voto errado pode ser motivo de tristeza, frustração e arrependimento tardio. É votar por fé, pois “tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.23). Todos devemos analisar as propostas dos candidatos e também pedir orientação a Deus inclusive na hora de eleger uma pessoa para um cargo político, com perfil sério, que sejam honestos e cumpridor de seus deveres (Pv 29.2). Existem casos de crentes que votaram em alguém, e depois choraram de amargura pelos prejuízos que sofreram; visto que os representantes que escolheram além de não trazer benefícios sociais, afrontam a sua fé. O grande diferencial está no modo de governar daqueles que temem a Deus e dos que não temem (Jó 24.2-4; Pv 28.28).

2. Não negociar seu voto.
O voto é uma arma de grande valor, e diante dos candidatos, o cristão jamais deve aceitar vender seu voto. Isso é antiético para um cidadão do céu e revela um profundo subdesenvolvimento cultural. É de grande importância que o servo ou serva de Deus saiba exercer o seu direito, quando do momento das eleições municipais, estaduais ou federais. É hora de mostrar que é cidadão do céu, exercendo o direito de cidadão da terra, visto que a cidadania celestial não anula a cidadania terrena. Por essa razão, devemos lembar de que somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).

3. Evitar o voto irresponsável.
A Bíblia é realista: “Quando os ímpios sobem, os homens se escondem, mas, quando eles perecem, os justos se multiplicam” (Pv 28.28). Quando são eleitos ímpios, homens carnais, materialistas, infiéis aos compromissos, soberbos, corruptos, ingratos, insolentes e insensíveis, os quais, não querem servir e sim serem servidos, não temem a Deus e nem respeitam o próximo (Lc 18.2). Quando os tais são escolhidos, os verdadeiros homens de bem desaparecem de cena. Nem todo descrente é ímpio no sentido em que estamos usando o termo. Todo ímpio é incrédulo, mas nem todo incrédulo é ímpio. Há não evangélicos que são homens de bem. E há os que se dizem evangélicos que não são honestos. O crente deve votar em um cidadão de boa reputação. A Bíblia nos apresenta o princípio de examinar tudo e ficar com o bem (1 Ts 5.21).


IV. O CRISTÃO E SEUS DEVERES EM RELAÇÃO AO ESTADO
Estado basicamente é a sociedade politicamente organizada num território, sob a égide das mesmas leis (ANDRADE, 2017, p. 171). A palavra latina que deu origem ao termo “estado”, é “status”, que quer dizer: “posição”; “ficar de pé” (CHAMPLIN, 2004, p. 525). De acordo com Houaiss Estado é: “o conjunto das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público, etc.) que controlam e administram uma nação” (2001, p. 1244). O Novo Testamento descreve o Estado como um instrumento de Deus para produzir certa medida de justiça e de ordem na sociedade, razão pela qual o Estado deve ser obedecido e respeitado (Rm 13.1-7). Jesus distinguiu as esferas da fé religiosa e do Estado, ordenando diligência em ambas (Mt 22.15-22). O servo de Deus, como é óbvio, precisa atuar em ambas essas esferas. Entre tantas considerações quanto a esta relação do cristão com o Estado, pontuamos algumas:

1. O cristão pode e deve exercer funções políticas.
O cristão, como cidadão brasileiro, tanto pode votar, como candidatar-se a cargos eletivos. Sendo um direito público subjetivo de natureza política, o sufrágio (processo de escolha por votação), decorre naturalmente de nossa condição de cidadão, pelo que, como cidadãos cristãos, podemos votar, ser votados e participar da organização e da atividade do poder estatal. “Temos na Lei de Moisés a base e a estrutura social e política do Estado” (SOARES, 2017, p. 85). É bom lembrar o que diz a Bíblia: “Não havendo sábia direção, o povo cai, mas, na multidão de conselheiros, há segurança” (Pv 11.14). Um servo de Deus que tem vocação para a vida pública, deve ter “sábia direção” na condução de cargos públicos, administrativos ou políticos. Os cidadãos cristãos precisam orar a Deus para que levante candidatos que honrem Seu nome ao serem eleitos, pois: “Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se” (Pv 28.12).

2. O cristão deve submissão “condicional” ao Estado.
Como discípulos de Cristo, devemos exercer plena e exemplarmente a nossa cidadania terrena, pois somente assim viremos a glorificar o Pai Celeste, afinal, somos representantes do Reino de Deus. É o ensinamento bíblico que aponta os deveres do cidadão às leis e deliberações do governo secular. Estas são as principais obrigações do cristão numa sociedade politicamente organizada: orar e promover a paz da cidade (Jr 29.7); honrar os governantes: “Portanto, dai a cada um o que deveis […] a quem honra, honra” (Rm 13.7); submeter-se às autoridades: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores […]” (Rm 13.1); e, pagar impostos (Mt 22.21; Mc 12.17; Rm 13.7). Enquanto organização civil, a Igreja está submetida ao Estado, porém, tendo como limite de tal submissão os preceitos bíblicos, de sorte que, em caso de conflito entre as normas emanadas do Estado e a Bíblia, esta prevalece sobre aquelas: “[…] mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29).

3. O cristão deve orar pelas autoridades constituídas.
Os judeus reconhecendo a importância de um tranquilo relacionamento com os governantes seculares, para o benefício da fé e da inquirição espiritual, oravam e sacrificavam por seus governantes (Ed 6.10; Jr 29.7) (CHAMPLIN, 2014, p. 383 – acréscimo nosso). As orações em favor dos governantes, isto é, presidência da república, senadores, governadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, etc, de acordo como o NT, devem visar três coisas: a) a salvação deles (1 Tm 2.4,5); b) um “bom governo”, pois devemos enquanto cidadãos obedecer autoridades civis, desde que não infira o princípio da moral (Rm 13.1-7; At 5.29); e, (c) que não se tornem perseguidores da fé religiosa, conforme com frequência tem sucedido.


CONCLUSÃO
A Igreja do Senhor Jesus Cristo vive em sociedade e respeita o Estado, colaborando com as autoridades que o representam na preservação da ordem pública e na formação de cidadãos de caráter íntegro e honesto, produtivos e conscientes de que a autoridade “é ministro de Deus para teu bem” (Rm 13.4).




REFERÊNCIAS
ü  ANDRADE. Claudionor. As Novas Fronteiras da Ética Cristã. CPAD.
ü  BAPTISTA, Douglas. Valores Cristãos: enfrentando as questões morais do nosso tempo. CPAD.
ü  CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
ü  STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.




Por Rede Brasil de Comunicação.



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