quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

LIÇÃO 04 – ESTEJA ALERTA E VIGILANTE, JESUS VOLTARÁ






Lc 17.24-30



INTRODUÇÃO
Jesus garantiu que voltaria para buscar o seu povo (Ap 22.12). Todavia, ensinou que este dia e hora ninguém sabe (Mt 24.36). Por isso, exortou diversas vezes os seus seguidores a estarem alerta em constante vigilância a fim de não serem pegos de surpresa (Mc 13.33). Nesta lição definiremos a palavra vigiar; destacaremos que tanto Jesus como seus discípulos exortaram os cristãos a estarem em constante vigilância; pontuaremos pelo menos três causas que justificam o porquê da necessidade de estarmos vigilantes; veremos ainda de que forma devemos aguardar o arrebatamento; e por fim, trataremos da parábola dos dois servos, proferida por Jesus para exortar-nos a preparação para a sua vinda.


I. O QUE SIGNIFICA A PALAVRA VIGIAR
O verbo “vigiar” segundo o Aurélio quer dizer: “observar atentamente; estar atento a; tomar cuidado” (FERREIRA, 2004, p. 2061). No hebraico o verbo é “shamar” que significa: “vigiar, guardar”. No grego o termo é “gregoreo” que significa literalmente “vigiar” e é encontrado em 1 Ts 5.6,10 e em mais 21 outros lugares nos quais ocorre no Novo Testamento (por exemplo, em 1 Pe 5.8). É usado acerca de: a) “manter-se acordado” (Mt 24.43; 26.38.40.41): b) “vigilância espiritual” (At 20.31; 1 Co 16.13; Cl 4.2; 1 Ts 5.6.10; 1 Pe 5.8; Ap 3.2.3; 16.15) (VINE, 2002, p. 323 – acréscimo nosso). A palavra “vigiar” tem conotação exortativa, visando chamar a atenção dos ouvintes a estarem prontos para o retorno do Messias. Jesus e os apóstolos exortaram a vigilância, como veremos a seguir:

1.1 Exortação de Cristo.
Diversas vezes Jesus chamou a atenção dos seus seguidores quanto à importância de estarem vigilantes para o seu retorno (Mt 24.22; 25.13; Mc 13.33,35; 37; Lc 21.36; Ap 3.3; 16.15). Muitas dessas exortações se percebem através das parábolas, tais como: das dez virgens (Mt 25.1-13); do senhor que confiou o cuidado das coisas que lhe pertenciam aos seus servos, prometendo voltar em breve (Mc 13.34-37); dos servos que aguardam o seu senhor quando voltar das bodas (Lc 12.36-37). “O chamado à vigilância, no entanto, não foi dirigido apenas a eles, mas a todos nós (Mc 13.37)” (ADEYEMO, 2010, pp. 1222,1223).

1.2 Exortação dos apóstolos.
Os apóstolos de Cristo, seguindo a mesma linha escatológica do Mestre, exortaram aos cristãos nas suas epístolas, quanto à necessidade da vigilância, pois a vinda do Senhor está próxima (I Co 16.13; I Ts 5.6; I Pe 4.7). Para Paulo, a volta era tão iminente que ele tinha a expectativa de ainda em vida participar do arrebatamento (I Ts 4.17). Tiago, o irmão do Senhor também falou da proximidade deste Dia (Tg 5.8); bem como o apóstolo João (I Jo 2.18); e, o apóstolo Pedro (II Pe 3.9).


II. QUAIS AS CAUSAS DA EXORTAÇÃO A VIGILÂNCIA PARA A VOLTA DE JESUS
2.1 A fragilidade humana.
Sabendo da fragilidade humana, Jesus exortou os apóstolos a estarem vigilantes, para vencerem as tentações (Mt 26.41; Mc 14.38). Fomos perdoados e libertos dos nossos pecados (I Jo 2.12; Rm 6.22), todavia, ainda não estamos livres da presença do pecado na nossa natureza humana. Isto somente se dará quando nosso corpo for glorificado, por ocasião do arrebatamento da Igreja (I Co 15.51-54). Até este acontecimento, precisamos viver vigilantes, a fim de não sermos vencidos pelo pecado (Rm 6.11,12; I Co 15.34). “Quem quiser ter um discipulado produtivo, precisa disciplinar o corpo para não ceder às paixões” (ADEYEMO, 2010, p. 1192).

2.2 A astúcia do Diabo.
Além da fragilidade humana, o crente precisa vigiar também porque “[...] o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (I Pe 5.8). Toda tentação é proveniente da própria natureza humana (I Co 10.13; Tg 1.13-15), todavia, o principal agente da tentação é Satanás (Mt 4.3; Lc 4.2; I Ts 3.5; Tg 4.7). Precisamos estar vigilantes e fortalecermo-nos no Senhor a fim de vencer as batalhas espirituais, que somos submetidos (Ef 6.10-18). Jesus exortou os crentes de Esmirna a serem fiéis até a morte, mesmo diante das tentações do diabo (Ap 2.10). Da mesma forma, falou aos crentes de Filadélfia, dizendo: “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11).

2.3 A vinda do Senhor será repentina.
A necessidade da vigilância para o retorno de Cristo se dá também pelo fato de ser um evento repentino. Diversas vezes, Jesus exortou os seus discípulos sobre isso (Mt 24.36,42,44; 25.13; Mc 13.33; Lc 12.46). Infelizmente, não são poucos aqueles que têm a promessa do Senhor como tardia, ao ponto de desacreditarem dela (II Pe 3.4). Todavia, Jesus nos assegurou que viria sem demora (Ap 3.11; 22.12,20). Estejamos vigilantes para não sermos pegos de surpresa e sermos achados dormindo naquele dia (Mc 13.36; Lc 21.34). Jesus e os apóstolos usaram algumas figuras que retratam muito bem que a imprevisibilidade do seu retorno, como veremos na tabela a seguir:

FIGURAS QUE RETRATAM A
REPENTINA VOLTA DO SENHOR
EXPLICAÇÃO



Ladrão
(Mt 24.43-44; I Ts 5.2-4; II Pe 3.10; Ap 16.15)

O que aprendemos aqui é que, como um ladrão que aparece de forma inesperada, assim será a volta de Cristo para buscar Sua Igreja. Por isso, o cristão deve estar sempre vigilante para o retorno do Senhor.


Relâmpago
Mt 24.27

Um relâmpago é um fenômeno repentino. De forma parecida, sucederá o súbito dia do Filho do Homem. Quando o Senhor retornar, Ele virá de forma instantânea.


Abrir e fechar de olhos
I Co 15.52

Paulo ensinou que “num momento” (grego atoma), num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, nós seremos transformados. De imediato, o corruptível se revestirá de incorruptibilidade.


III. DE QUE FORMA DEVEMOS ESPERAR A VOLTA DE JESUS
3.1 Vigiando em oração.
A Bíblia nos exorta a aguardarmos o Senhor vigiando em oração (I Pe 4.7). É por meio desta prática constante (I Ts 5.17) que o cristão mantém contato com Deus (Jr 33.3; Tg 4.8). Ela expressa uma atitude de sujeição e inteira dependência da sua graça, ou seja, quem ora reconhece que precisa da ajuda divina para vencer as batalhas e dificuldades da vida (Is 38.1-5; II Cr 20.3,4). Faz-se necessário entender que, os últimos dias da Igreja de Cristo aqui na terra, serão dias de esfriamento espiritual na vida de alguns cristãos (Mt 24.12; Ap 3.15,16). Portanto, devemos ter cuidado para não sermos cristãos superficiais, mas de profunda comunhão com Deus. “O mundo está se movendo em direção ao seu objetivo final. Diante dessa realidade, os cristãos devem manter um relacionamento próximo com Deus em oração” (ADEYEMO, 2010, p. 1561).

3.2 Vigiando em santidade.
Jesus anunciou que antecipadamente que os dias que antecedem a sua vinda, serão de extrema corrupção moral, comparando com o período antediluviano e geração de Sodoma e Gomorra (Mt 24.37; Lc 17.28). Os apóstolos também fizeram a mesma afirmação (II Tm 3.1-5; II Pe 3.3). Sabedores disto, nós cristãos, devemos no meio desta geração pervertida, vigiar em santidade, a fim de não contaminarmos com o pecado (Fp 2.15). A santidade é tipificada na Bíblia como vestes (Ap 19.8,14). Por sua vez, a falta de santidade pode ser retratada como vestes sujas ou a nudez (Zc 3.3,4; Ap 3.18; 16.15). A exortação bíblica é que devemos estar vestidos e com vestes limpas em todo tempo (Ec 9.8; Ap 3.4).

3.3 Vigiando em todo tempo.
Já vimos que a palavra “vigiar” significa: “estar atento”. O contrário da palavra “vigiar” é justamente “dormir” (Mc 14.37; Ef 5.14; Rm 13.11). Do ponto de vista bíblico, o sono espiritual, tem conotação negativa, pois leva o homem a um estado de invigilância. Jesus falou disto quando disse: “Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo” (Mc 13.35,36). Foi quando as dez virgens cochilaram que chegou o esposo “E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram” (Mt 25.5). A “demora” da volta de Cristo se constitui num teste de resistência e fidelidade para aqueles que professam segui-lo. Por isso, somos exortados a perseverança (Mt 24.13; Lc 8.15; Rm 2.7; I Tm 4.16; Ap 3.10-11). Devemos também exorta-nos uns aos outros (Hb 10.25).


IV. A PARÁBOLA DOS DOIS SERVOS
“Em Mateus 24.45-51 encontramos uma parábola, falada por Jesus, denominada de “os dois servos”. Nessa ilustração o Mestre tem uma exortação para todos os seus servos. Nela, como sempre, Cristo liga a fé ao comportamento. Se cremos em sua vinda, devemos nos portar de acordo com o que acreditamos. Não podemos viver como desejamos, se verdadeiramente cremos que ele pode vir a qualquer momento. Essa esperança deve governar a nossa vida no lar e impedir-nos de viver uma vida sem moderação e sem disciplina. Se nos conscientizarmos da volta do Mestre, e deixarmos que essa conscientização impere em todos os aspectos da nossa vida, então viveremos. Quando o servirmos de maneira a honrá-lo, teremos verdadeira comunhão uns com os outros, santidade de vida e estaremos vigilantes. Para aqueles servos maus que escarnecem da verdade de sua vinda e arrogantemente destratam os outros, e se associam com os glutões, há uma condenação repentina e veloz. Que a graça nos seja concedida para que possamos viver de tal maneira que não sejamos envergonhados perante ele em sua vinda!” (LOCKYER, 2006, p. 300 – acréscimo nosso).


CONCLUSÃO
A Vinda do Senhor é certa. Disto nos garantiu Jesus e os apóstolos em seus ensinamentos. Diante desta verdade, só nos resta estarmos alertas e vigilantes em oração e santidade para que naquele Dia possamos estar aptos para adentar às mansões celestiais.



REFERÊNCIAS
Ø  LOCKYER, Herbert. Todas as parábolas da Bíblia. VIDA.
Ø  RADMACHER, Earl D. et al. O Novo Comentário Bíblico: AT. CENTRAL GOSPEL.
Ø  TOKUMBOH, Adeyemo. Comentário Bíblico Africano. MUNDO CRISTÃO.
Ø  VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.  


Por Rede Brasil de Comunicação. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário