domingo, 15 de abril de 2012

LIÇÃO 03 – ÉFESO, A IGREJA DO AMOR ESQUECIDO

                                                          
                                                                                Ap 2.1-7


INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a igreja de Éfeso, que tinha fidelidade na doutrina, pureza teológica, doutrinariamente sólida, forte e ativa, ainda que seu amor estivesse esfriado. Analisaremos informações como sua localização, fundação e líderes. Veremos ainda que esta igreja foi chamada a lembrar-se, arrepender-se, e voltar-se à prática das primeiras obras (Ap 2.5).


I - CONTEXTO HISTÓRICO – GEOGRÁFICO
1.1 Localização. O nome Éfeso significa “Desejável”. A cidade encontra-se no pequeno continente da Ásia Menor. Esta era a capital da província romana da Ásia. Com Antioquia da Síria e Alexandria no Egito, formavam o grupo das três maiores cidades do litoral leste do Mar Mediterrâneo. O templo da Diana dos efésios (At 19.28) foi considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo. Éfeso era conhecida, também, como o foco de adoração da deusa da fertilidade, Ártemis ou Diana (At 19.27). Historiadores calculam a população da cidade de Éfeso no primeiro século entre 250 e 500 mil habitantes.

1.2 Fundação da igreja. A igreja de Éfeso foi fundada por Paulo e, provavelmente, por Áquila e Priscila, por volta do ano 52 d.C. (At 18:18-28). A mensagem de Paulo atingiu o coração de tudo o que aquele povo considerava mais precioso” (At 19.26). Paulo levou o Evangelho a esta cidade durante a sua segunda viagem missionária (At 18.19), e ensinou a Palavra de Deus ali, durante três anos (At 20.31). “Assim, a Palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20). Pelo menos duas vezes Paulo esteve nessa cidade (At 18.19 e 19.1). Em sua terceira viagem por aquela região, ele não chegou até lá, mas, estando em Mileto, “mandou a Éfeso chamar os anciãos da Igreja” (At 20.17). Durante a sua primeira prisão em Roma, Paulo escreveu a carta aos efésios, agradecendo a Deus o profundo amor que havia na igreja.

1.3 Liderança. Essa igreja recebeu duas cartas: uma de Paulo, a Epístola aos efésios (Ef 1.1-5), e outra de Cristo (Ap. 2.1-7). A primeira em 64 d. C., a segunda em 96 d. C. (SILVA, 1996, p. 29). “Na igreja de Éfeso […] estabelecida por Paulo e pastoreada por João (segundo a tradição cristã dos primeiros séculos), foi assistida por dois outros excelentes obreiros: Timóteo e Tíquico […] Éfeso era a igreja teológica por excelência” (ANDRADE, 2012, p.15 grifo nosso). A igreja de Éfeso era afortunada por ter tido o ministério de Paulo. A igreja tinha muitos inimigos, alguns ferozes como animais selvagens (1Co 15.32), e isso explica ainda mais a proximidade de Paulo com a congregação. Ser crente em Éfeso não era popular. Muitos crentes estavam sendo perseguidos e até mortos por não se dobrarem diante de César. Outros estavam sendo perseguidos por não adorar a idolatrada Diana dos Efésios.


II – CARACTERÍSTICAS DA IGREJA DE ÉFESO
A igreja de Éfeso, “Além de viver nas regiões celestiais, possuía um ministério completo” (ANDRADE, 2012, p.18). O NT diz que Paulo esteve em Éfeso, levando consigo Priscila e Áquila; e deixou-os ali (At 18.19); retornou mais tarde e desta vez permaneceu dedicado à pregação do Evangelho onde pregou a palavra de Deus por três anos (Atos 19:10; 20:31). “porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.27). Pelo teor e conteúdo da Epístola de Paulo aos Efésios, observa-se que aquela igreja era muito espiritual. “[...] Dessa maneira, todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra sobre o Senhor Jesus, assim judeus como gregos " (At 19.10). Éfeso chegou mesmo a tornar-se o centro do mundo cristão. Vejamos o que encontramos nesta distinta igreja:

2.1 Uma igreja poderosa no combate aos falsos líderes (Ap 2.2-b). “[...] os que dizem ser apóstolos e o não são [...]”. Está em foco neste versículo, os chefes Gnósticos, que tinham arrogado para si o título de apóstolos de Cristo. Paulo diz que tais “[...] falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13-b). Paulo os chamou de “[...] lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho” (At 20.29-a). A igreja de Éfeso não suportava os tais gnósticos, e, por isso, foi louvada pelo Senhor: “puseste à prova”. Esta expressão é o equivale no grego a “reprovaste-os”. Paulo já havia avisado os presbíteros dessa igreja sobre os lobos que penetrariam no meio do rebanho (At 20:29-30). A igreja de Éfeso tinha discernimento espiritual e tornou-se intolerante com a heresia e com o pecado moral.

2.2 Uma igreja poderosa na paciência e no trabalho (Ap 2.3-a). “...tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome”. É evidente que os que tem esperança, esperam. E, “os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.29, 31;  Sl 89.19). A inatividade na vida espiritual é condenada por Deus. No livro de Provérbios fala-se do “preguiçoso” cerca de 17 vezes (Pv 21.25; 26.13). A igreja de Éfeso era  conhecida pelas obras: perseverava no trabalho; não cansava no serviço de Cristo. Note como se repete a palavra “paciência”; eram perseverantes no lidar (v. 2 ), e perseverantes no sofrer (v. 3).

2.3 Uma igreja poderosa nas Escrituras, mas atrofiada na prática do amor (Ap 2.4). “...deixaste a tua primeira caridade”. A presente expressão não significa “declínio da fé” como alguns pensam, mas, antes, sugere um esfriamento no amor (Mt 24.12). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “...largura, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, […] que excede todo o entendimento” (Ef 3.18-19). O desaparecimento gradual do amor fraternal no coração do salvo (Mt 24.12), tem como resultado, o abandono da “primeira caridade”. Pedro disse aos seus leitores:“...sobretudo, tende ardente caridade...” (1Pd 4.8). Se o cristão não tem amor, a vida espiritual também não tem sentido (1Co 13.3-4).

2.4 Uma igreja poderosa no combate as heresias (Ap 2.6). “[...] Tens, porém, isto: que aborreces as obras dos nicolaítas [...]” Os nicolaítas pregavam um evangelho sem exigências, liberal e sem proibições. Eles queriam gozar o melhor da igreja e o melhor do mundo. Eles incentivavam os crentes a comer comidas sacrificadas aos ídolos, ensinavam que o sexo antes e fora do casamento não era pecado e acabavam estimulando a imoralidade. Mas, a igreja de Éfeso não tolerou as obras dos Nicolaítas.


III – LIÇÕES APRENDIDAS DA IGREJA DE ÉFESO
O problema dos cristãos da cidade de Éfeso não foi uma questão de doutrina incorreta, mas, como vimos, de falta do primeiro amor (alegria da salvação, desejo de orar, de jejuar, de ler a Palavra, de louvar etc. Sl 51.12; 116.1). Eles abandonaram o seu primeiro amor e não lembravam dos grandes mandamentos que formam a base para todos os ensinamentos de Deus (Mt 22:37-40). Analisemos algumas lições da igreja de Éfeso:

3.1 Voltar ao primeiro amor. “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor” (Ap 2.4). O primeiro amor, é Cristo ter primazia em tudo em nossa vida. Paulo instruiu os efésios sobre a importância do amor como alicerce da vida do cristão (Ef 3:17; 4:2,16: 5:2; 6:23). Não devemos distorcer esta advertência para criar um conflito entre o amor e a verdade. Podemos defender a verdade, como os efésios fizeram e, ao mesmo tempo, praticar o amor. Foi exatamente isso que Paulo pediu aos efésios: “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4:15).

3.2. Lembrar de onde caiu. Lembra-te, pois, de onde caíste” (Ap 2.5 -a). É do ponto onde caímos que Cristo nos espera. Para os efésios se arrependerem, teriam que lembrar da comunhão com Deus que deixaram para trás. O Filho pródigo não só se lembrou da Casa do Pai, mas voltou para lá. Lembrança sem arrependimento é remorso. Essa foi a diferença entre Pedro e Judas. Arrepender é mudar a mente, é mudar a direção, é voltar-se para Deus. É deixar o pecado. É romper com o que está entristecendo o Noivo. Uma vez que caímos, é necessário desenvolver novamente o amor para com Ele.

3.3 Arrepender-se. “Arrepende-te” (Ap 2.5 -b). Arrependimento não é emoção, é decisão. É atitude. Não precisa existir choro, basta decisão. O arrependimento é a mudança de atitude. Quando decidimos deixar o pecado e fazer a vontade de Deus, nós nos arrependemos. O pecador precisa se arrepender para obter perdão dos pecados (At 2:38). O cristão que tropeça precisa se arrepender (At 8:22). Aqui, uma igreja cujo amor esfriou-se precisou se arrepender.

3.4 Voltar as primeiras obras. “Volta à prática das primeiras obras” (Ap 2.5 -c). A mudança de atitude (o arrependimento) produzirá frutos (Mt 3:8). Pelas obras, a pessoa arrependida mostrará a sinceridade da sua decisão. A igreja em Éfeso precisava voltar à prática do amor. Não basta saber que é preciso arrepender-se. Precisamos perguntar: Para onde precisamos retornar? Para o ponto do qual nos desviamos. Retornar para um lugar qualquer só nos levaria para outros descaminhos.

3.5 Ouvir a voz do Espírito Santo. “Quem tem ouvidos, ouça” (Ap 2.7-a): Frequentemente, Jesus chama os ouvintes a ouvirem a sua mensagem (Mt 11:5; 13:9,43). O problema de um coração teimoso se reflete nos ouvidos tapados que recusam ouvir a verdade (Mt 13:15). Os efésios provaram àqueles que falavam, agora eles seriam provados pela maneira de ouvirem.

 3.6 Perseverar para salvação. “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida [...]” (Ap 2.7-c): A recompensa aguarda os vencedores que perseveram no amor e na verdade. Aqueles que desistem, abandonando para sempre o seu amor, não receberão o galardão. Aqueles que andam com Deus têm a esperança da vida no paraíso do Senhor.


CONCLUSÃO
Como pudemos ver, o Senhor Jesus mencionou diversas qualidades da igreja de Éfeso, mas, nem por isso deixou de  mencionar o esfriamento do amor. Significa dizer que apesar de qualquer esforço, e de toda sinceridade, será gravíssimo  o nosso estado espiritual se nos faltar o amor. Como disse o apóstolo Paulo: “...ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria... Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1 Co 13.3-4).


                                                                                                                             Por Rede Brasil de Comunicação



REFERÊNCIAS
ANDRADE, Claudionor de. Os sete castiçais de ouro. CPAD.
• ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
• SILVA, Severino Pedro da. Apocalipse versículo por versículo. CPAD
• STAMPS, Donald C. Biblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
• VINE, W.E, et al. Dicionário Vine. CPAD.

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